Broken Wing - Aprendendo A Voar

8 Capítulo 8 - Esperando no Escuro (II)


Notas iniciais
Boa leitura :)

O que deu certo? – eu perguntei. Nem tinha acompanhado a investigação hoje.

O plano de Shikamaru. Descobrimos o paradeiro de Sakura – meu tio falou, também abrindo um sorriso. Parece que eu não teria muito mais tempo para treinar com Tsunade.

Sasuke’s POV

É fato que depois daquela revelação de Shikamaru, todos ficaram afoitos. Tsunade havia convocado uma reunião imediata. Assim, todos fomos para a Sala de Comando, no 3º andar.

A sala estava mais bagunçada do que nunca. Papéis para todo lado, mapas, computadores, equipamentos de espionagem, enfim. Nos sentamos nas poltronas de frente a uma grande lousa digital, menos Shikamaru, que ficou de frente para a lousa para poder nos explicar.

– Tem 100% de certeza que a encontrou? – perguntava Itachi.

– Sim, não há erros. Sakura, no momento, encontra-se escondida em uma cidade chamada Gan’u, no País da Terra. – Shikamaru informou projetando a imagem de um grande mapa de nosso continente na lousa. O País da Terra ficava a noroeste do País do Fogo, e apesar de não fazerem fronteira, eram próximos. O País da Terra também é o maior dentre as 5 Grandes Nações, e tem inúmeras cidades e vilas escondidas, sem falar em uma vegetação montanhosa e arenosa. Se Sakura estivesse mesmo lá, Shikamaru havia feito um ótimo trabalho encontrando-a.

– Já ouvi falar dessa cidade. – interveio meu pai. – Não é uma cidade importante, mas é uma das maiores. Também é vizinha de muitas outras nesse país, mas também uma das mais afastadas. Diga-me, Nara-san, como encontrou a garota aí? Só para eu poder analisar seus métodos. – Shikamaru não gostava de ser chamado tão formalmente, e não gostava quando alguém duvidava de seus métodos. Mas como se tratava de meu pai, por quem ele tinha um certo respeito, não disse nada. Só deu um longo suspiro e continuou.

– Como você mesmo disse, Uchiha-san, Gan’u, apesar de ser uma grande cidade e ser vizinha de muitas outras, não é tão importante economicamente. De acordo com minha teoria, é uma cidade perfeita para Sakura se esconder: com muitas pessoas, o que a possibilita camuflagem e ao mesmo tempo anonimato, já que os olhos das pessoas não se voltam a essa cidade. Além disso, é muito difícil chegar até lá, pois está isolada em uma área escondida por grandes montanhas e desertos, típicos da região norte do País da Terra. E para determinar o País, resolvi analisar as pistas falsas que nos eram deixadas por Sakura. Não importa que fossem falsas, mas sim que para deixá-las, Sakura tinha que ter estado naqueles lugares, para só depois fugir. Assim, analisei os locais em que encontramos essas pistas e fiz inúmeras rotas de fuga para ela poder seguir. As mais prováveis foram duas: uma no País do Vento, na cidade de Shibuki, ou no País da Terra, na cidade de Gan’u. Com a autorização de Tsunade, mandei algumas Wings simultaneamente para as duas cidades, apenas para observar. E Sakura foi vista por uma delas em uma loja de roupas no centro de Gan’u. – Shikamaru terminou com um leve sorriso. Todos na sala estavam impressionados. Não é a toa que o QI do cara era superior a 200.

– Mas se já a viram, por que não a trouxeram de volta? Não a encurralaram lá? E se ela se muda de um dia para outro? – perguntou meu pai.

– Uchiha-san, não podemos arriscar ataques não planejados e precipitados. Devemos agir com cautela e termos um plano, afinal, não queremos testemunhas nisso, não é? – rebateu Shikamaru. – Além disso, Sakura não irá fugir. Aquela é uma cidade perfeita para ela se estabelecer e começar uma vida falsa, pois é isolada e populosa. Agora que ela está até fazendo compras, não vai sair de lá por um bom tempo. – Shikamaru finalizou sua explicação e todos ficamos em silêncio, concordando mentalmente.

Era isso então. Sakura estava no País da Terra, na cidade de Gan’u, uma das mais afastadas e isoladas do País. Agora, só faltava bolarmos um plano para pegá-la. E cada vez mais, eu ia sentindo aquele impulso de adrenalina percorrer minha espinha. Aquela vontade excitante de alguma aventura, e sim, de vingança, que eu iria ter uma vez que confrontasse essa ladra.

– Então como vamos fazer para pega-lá? Você já tem um plano, Shikamaru? – perguntei depois de um tempo de silêncio. De fato, eu estava ansioso com aquilo. Queria logo ter a garantia de que Sakura não iria fugir.

– Sei que não podemos perder tempo – começou Shikamaru – mas agora já é noite e muitos de nós estamos cansados. Você principalmente, Sasuke. Foi treinar com Tsunade hoje? Porque você está péssimo! – todos olharam para mim enquanto eu me sentia meio envergonhado. Tá, meu rosto estava arranhado, tinha alguns band-aids, nem estava conseguindo manter meus olhos abertos direito, mas ele não precisava dizer isso em voz alta. Dei um resmungo e ele continuou. – É melhor estruturarmos o plano com tempo, calma e total disposição e energia. Não adianta fazermos isso agora, pois o rendimento das ideias será péssimo. Então, por enquanto vamos descansar.

– É melhor deixarmos marcada a próxima reunião, sabendo que nela iremos planejar um modo de chegar até Sakura, então todos devemos estar presentes e sermos úteis. – falou Itachi.

– Concordo. – respondeu Shikamaru – Como amanhã é sábado, acho que não será ruim para ninguém usar esse dia de folga para trabalhar no plano. – vendo que todos afirmaram, Shikamaru continuou. – Então, marcado. Amanhã, a partir das 9 da manhã, nos reuniremos aqui e começaremos a agir. Boa noite a todos.

Saímos da sala e cada um foi para seu quarto. Acho que eu estava tão cansado que nem percebi que Tsunade havia me seguido. Quando fui abrir a porta do meu quarto, ela me chamou.

– Sasuke. – confesso que levei um pequeno susto, mas claro que não deixei ela perceber.

– O que foi agora?

– Como amanhã não teremos a parte do dia disponível para treinarmos, faremos isso durante a noite. 19 horas em ponto, na piscina. Não se atrase, e lembre-se de que será mais puxado.

– Tá, tanto faz. – não queria discutir com ela. Tudo o que eu queria fazer era dormir. Entrei no quarto e desmaiei na cama.

****

Acordei com meu irmão berrando no meu ouvido. O que se seguiu depois foi uma discussão sobre por que ele precisava ser tão irritante. Ele me deu 10 minutos para estar na Sala de Comando, porque a reunião já iria começar e as portas seriam trancadas. Me troquei, escovei os dentes e comi um simples pãozinho. Entrei na Sala e todos já estavam discutindo algo, separados em pequenos grupos.

– Sasuke, está atrasado. – Shikamaru veio andando apressado até mim. Nem me deu tempo de responder e já começou a falar para todos ouvirem, enquanto Itachi trancava as portas.

– É o seguinte. Atenção, por favor – eu sabia que Shikamaru odiava chamar a atenção para si, então aquilo era até engraçado de se ver – Bom, bom dia, como vão vocês e blábláblá. Dou início agora à reunião de configuração e planejamento da missão de recuperação de Sakura Haruno, escondida no País da Terra, na cidade de Gan’u. Nossa meta é bolar um plano que consiga trazer Sakura de volta ao País do Fogo viva, sob a guarda de Tsunade Senju, e de recuperar os 15 milhões de yens que ela roubou da família Uchiha. O alvo é altamente perigoso, possuindo armas e tendo conhecimento de táticas de luta e possíveis planos de escape. Vamos ter em mente que ela tenha pensado na possibilidade de ser encontrada e tenha capacidade de atacar-nos sem piedade. Alguma objeção quanto a isso? – todos fizeram silêncio, deixando Shikamaru prosseguir.

– Para montar o plano, vamos nos dividir em pequenos grupos. Cada grupo analisará um aspecto importante que cubra as falhas que eventualmente possam ocorrer. Já tomei a liberdade de dividi-los. Grupo 1, formado por Itachi, Fugaku e Yusuke: vocês serão responsáveis por analisar as redondezas de Gan’u, descobrir possíveis rotas de fuga e como fazer para impedir que Sakura use alguma delas. Grupo 2, formado por Tsunade, Shizune e Kurenai: vocês, que conhecem o alvo, vão se focar nas habilidades dela, ou seja, o que ela poderia fazer contra nós e como poderemos evitar seus ataques e impedi-la de reagir, podendo capturá-la. E por fim, o Grupo 3, formado por mim e por Sasuke. Nós seremos responsáveis pelo esqueleto do plano, ou seja, como vamos nos infiltrar na cidade, o que vamos fazer para encurralar Sakura e por aí vai. Alguma objeção até aqui? Ótimo. Cada grupo, tente fazer sua tarefa em no máximo duas horas. Depois, faremos um pequeno intervalo para o almoço, para não sobrecarregarmos a cabeça, e depois nos reuniremos novamente e juntaremos os resultados dos grupos, finalizando o plano. Vamos começar, bom trabalho a todos.

Confesso que trabalhar com Shikamaru é cansativo. Ele não dá folga um minuto e eu tinha que me manter atento e acompanhar cada linha de seu pensamento, senão ficava para trás e acabava sendo inútil. Mas tivemos grande progresso na parte da manhã. Ele me perguntou sobre a noite do roubo, o que Sakura tinha feito comigo, a maneira com que o tinha feito, e coisas assim. Fiquei com receio de responder, mas sabia que isso era necessário para Shikamaru considerar aspectos importantes da personalidade dela. Colocamos possíveis alternativas no papel e fomos descartando aos poucos. No final, havíamos decidido o melhor jeito de entrar na cidade, a melhor hora para encontrar Sakura (as Wings haviam observado por algum tempo quando ela estava sozinha) e o melhor jeito de nos mostrarmos. Depois disso, é claro, como iríamos nos posicionar frente a Sakura. Lembrei a ele que Tsunade havia dito que eu iria confrontá-la sozinho primeiro, para depois os outros agirem. Shikamaru ficou meio preocupado quanto a isso (“E se ela te matar e depois fugir?”), mas eu garanti a ele que tudo daria certo.

Já eram 11 horas da manhã e Shikamaru nos deu um intervalo: tínhamos 2 horas para almoçar, relaxar um pouco, resolvermos outras coisas e depois voltaríamos a nos reunir. Quando já era 1 da tarde, ninguém perdeu tempo. Itachi entregou o resultado do trabalho do Grupo 1 e Tsunade fez o mesmo com do Grupo 2. Shikamaru pegou o do Grupo 3 e colocou todos lado a lado em uma grande mesa circular. Fomos todos em volta dela para começarmos a reunir as partes e formar o todo, como Shikamaru gostava de dizer.

Essa parte foi menos complicada de ser feita, mas todos falavam ao mesmo tempo e eu já estava começando a ficar com dor de cabeça. Depois de muito argumentar, opinar, tentar diferentes combinações, desistir de alguma feita, e revisar 500 vezes a escolhida, concluímos o Plano de Recuperação de Sakura. E tenho que admitir, ficou muito bom. Eu não via nenhuma falha nele, nenhum buraco ou possibilidade de Sakura conseguir escapar. Isso me deixou muito empolgado porque eu estava muito perto de recuperar o dinheiro da minha família e poder dar o troco naquela ladra. Não via a hora de começarmos a colocar o plano em prática. Só tinha uma coisa que precisava melhorar nele:

– Sasuke. Ficou decidido que você vai enfrentar a Sakura sozinho no começo. Mas preciso saber se você está mesmo preparado para isso. Não se esqueça de que ela quase te matou da última vez. – lembrou Shikamaru.

– Não se preocupem. – Tsunade respondeu por mim – Eu o ensinarei a sobreviver perto dela. Vocês tem minha total garantia disso.

– Ótimo então. – continuou Shikamaru. – Bom, então a conclusão: hoje é dia 09 de julho. Faremos os preparativos necessários e partiremos daqui uma semana, no dia 16, sábado que vem. Todos já sabem o que devem fazer. Sasuke, você tem uma semana, não se esqueça. Estejam preparados. Eu agora dou essa reunião como encerrada. Bom trabalho a todos.

Saímos da sala de reunião e eu estava indo tomar banho, quando Tsunade me chamou.

– Onde você pensa que vai, Sasuke? Esqueceu que treinaremos esta noite? – na verdade sim. Eu tinha em mente que recomeçaríamos o treino amanhã, mas vejo que não conseguirei escapar agora.

– Certo, só vou trocar de roupa.

– Na piscina, em 10 minutos.

Fomos até a floresta, e já estava bem escuro, sem nenhuma iluminação. Sem falar que eu ouvia barulhos de animais, e não enxergava quando havia um galho ou até uma árvore no caminho. Tsunade disse que treinaríamos até ela achar que eu tinha melhorado em relação ao dia anterior, nem se ficássemos a noite inteira ali. Era só o que me faltava também. Por isso, eu não podia falhar.

****

– Sasuke, você está bem?

– O que aconteceu com seus olhos?

– Foi infectado por algum zumbi?

– Seu rosto está péssimo, o que andou fazendo durante a noite naquele treinamento?

– Não quer tomar um cafezinho para melhorar, Sasuke-sama?

Sinceramente, aquilo irritava. Demais. Eu ouvi essas perguntas TODOS os dias na última semana, feitas por TODOS os presentes TODA vez que eu acordava e os encontrava pela primeira vez. Só Tsunade não fazia nenhuma dessas perguntas. Claro, porque a responsável por elas era ela. Juro que se um dia eu tiver a chance, vou fazer essa mulher sofrer tanto, mas tanto, que ela vai se arrepender de ter aceitado me treinar.

Bom, mas vamos às explicações: aquelas perguntas refletiam o resultado do treinamento de Tsunade. Todos os dias íamos treinar bem cedo na floresta e só voltávamos a noite. Às vezes ficávamos até umas 2 da manhã, para no outro dia começar tudo de novo. O resultado disso são minhas olheiras, meus incontáveis machucados, arranhões, hematomas e sem falar do cansaço. Puta que pariu, depois desses dias, eu não me aguentava mais em pé. Não conseguia pensar direito, não descansava, fazia uma refeição por dia e sempre voltava pior. Hoje a noite mesmo eu havia torcido meu tornozelo esquerdo e meu pulso direito. Como alguém consegue fazer isso em um dia? Sem falar que todos os dias minha família perguntava se eu estava bem o suficiente para não morrer. Estavam querendo chamar um médico, mas eu não aceitei e surtei ainda mais quando a própria Tsunade se ofereceu de enfermeira para mim. Sai de mim, satanás!

Mas no final de tudo, consegui. Esses dias treinando com Tsunade foram quase minha morte, mas foram também a chave para minha sobrevivência quando eu fosse encontrar Sakura. Faltavam dois dias para pormos o plano em prática, e Tsunade concordou que era melhor eu descansar e me preparar neles.

– Você me impressionou. Realmente, achei que não conseguiria resultados tão satisfatórios em tão pouco tempo com você. Com o treinamento que recebeu, ainda está longe de vencer Sakura, mas é o suficiente para enganá-la e atrasá-la um pouco. Descanse agora, Sasuke. O dia de por tudo isso em prática está próximo. – ela disse antes de eu, mais uma vez, desmaiar na cama.

****

– Sasuke, acorda. Acorda, você tem que se aprontar. LEVANTA DESSA CAMA, DEMÔNIO! – às vezes me impressiono com a gentileza e delicadeza de meu irmão ao me acordar às 4 da manhã em um sábado.

– Itachi, não grite! Sasuke, prepare-se. Partiremos para Gan’u daqui uma hora. – meu pai entrou no meu quarto impedindo que eu partisse pra cima de Itachi para mostrar a ele o quão acordado eu estava.

Mas meu pai tinha razão. Já era dia 16 de julho, e iríamos por o plano em prática hoje. Partiríamos para Gan’u, no País da Terra, onde Sakura se encontrava, e finalmente, recuperaríamos o dinheiro que ela roubou e eu teria minha vingancinha pessoal. O que eu iria fazer com ela ainda não era de conhecimento de ninguém. Exceto meu, é claro. E eu estava ansioso para o momento de nosso encontro. Tanto que nem pude evitar meu sorriso malicioso enquanto me aprontava para partir.

Nos reunimos na Sala de Comando para fazer os ajustes e lembretes finais de nossa “missão”.

– Então é o seguinte. – disse Shikamaru para todos. – Eu e Sasuke vamos pegar o próximo vôo para Senroujima, uma cidade vizinha de Gan’u, enquanto Tsunade, Kurenai, Itachi e Fugaku vão pegar o vôo para Hajimari, outra cidade vizinha. As Wings que farão parte dessa missão já estarão posicionadas nas principais rotas de fuga e saídas da cidade que nós elaboramos, para o caso de Sakura escapar. Todos estão com seus comunicadores? – todos mostramos os pequenos aparelhos, e Shikamaru prosseguiu. – O vôo para Senroujima chegará aproximadamente às 10 da manhã, e o para Hajimari, às 9 e meia. Portanto, esperem até o nosso pouso. Assim que aterrissarmos em Senroujima, nos comunicaremos e daremos início à próxima etapa do plano. Eu e Sasuke vamos ao aeroporto de Konoha enquanto Tsunade, Kurenai, Itachi e Fugaku, vão pegar o vôo da cidade vizinha. Boa sorte a bom trabalho a todos. Nos vemos mais adiante.

E estava posta em prática a primeira parte do nosso plano. Vôos diferentes, objetivos diferentes, mas almejando somente uma pessoa: Sakura Haruno. E eu tinha um pressentimento diferente sobre essa situação. Eu também sentia algo dentro de mim que não era medo nem excitação nem nervosismo... não sei, mas era que me deixava pilhado, agitado. Algo de interessante nos aguardava até o final desse dia. Disso eu tinha certeza.

****

10h e 20min da manhã – aeroporto de Senroujima.

Havíamos acabado de nos comunicar com Tsunade pelos transmissores. Estava tudo certo para prosseguirmos.

A partir daí, eu e Shikamaru nos disfarçaríamos de turistas e pegaríamos um ônibus de excursão para Gan’u, e “passearíamos” um pouco pela cidade, inocentemente. Enquanto isso, o resto iria aos poucos de Hajimari para Gan’u de táxi. A diferença era que eu e Shikamaru entraríamos “legalmente” na cidade e faríamos o papel de turistas. O resto iria aparecer lá por uma “entrada dos fundos”, sem levantar olhares ou suspeitas. A casa em que Sakura estava morando era justamente uma das mais afastadas, portanto entrando pela periferia da cidade, os outros teriam uma vista e um caminho perfeito para a casa dela.

Eu e Shikamaru chegamos a Gan’u e começamos a passear. A cidade era mesmo muito grande e bonita, tinha várias lojas, restaurantes, prédios comerciais e residenciais, assim como bairros luxuosos e uma população enorme. Só não era importante economicamente porque preferia se manter meio isolada das outras cidades. Apesar disso, aparentava ser uma cidade boa de se morar. Passado algum tempo, Shikamaru foi até a casa onde Sakura estava morando só para dar uma checada. Nós iríamos surpreendê-la durante a noite, já de madrugada. As Wings que a observaram disseram que ela costumava sair às 5 da tarde e chegar em casa meia-noite e meia todas as noites.

O tempo passou devagar enquanto esperávamos dar 5 horas, mas apesar disso foi interessante. Eu já tinha saído do País do Fogo, inclusive já tinha vindo ao País da Terra, mas nunca nessa região de Gan’u. O clima aqui era quente e mais seco do que no País do Fogo. Também era meio “pesado”. Sem falar que ventava muito e os habitantes não eram muito receptivos. Enquanto esperávamos, Shikamaru se comunicou algumas vezes com Tsunade e o resto do pessoal. Parecia que estava tudo pronto, Sakura não havia notado nossa presença.

Finalmente deu 5 horas. Eu e Shikamaru estávamos escondidos perto do bairro de Sakura (que era enorme, por sinal, mas não tinha uma segurança forte). Tsunade comunicou-se assim que viu Sakura sair, e nós demos a resposta uma vez que a avistamos indo em direção ao centro da cidade. A partir daí, uma das Wings iria segui-la discretamente e também iria se comunicar caso algo acontecesse. Então, Shikamaru e eu invadimos a casa de Sakura e começamos a esperar, enquanto nos comunicávamos pelo transmissor novamente.

– Tudo certo, Sasuke, Shikamaru? Câmbio. – a voz era do meu pai.

– Sim, estamos analisando a casa. – disse Shikamaru. – É de tamanho médio, não muito mobiliada. Isso, no geral, é uma vantagem. Estamos procurando por armas e qualquer coisa que ela possa utilizar para atacar.

– Achei algumas! – falei do quarto dela. Tínhamos que manter o tom de voz baixo, os vizinhos não poderiam saber que estávamos ali. Por isso as janelas ficariam fechadas e as luzes apagadas, mesmo quando escurecesse.

Sakura estava preparadíssima para ser encontrada. Não só meu pai, Itachi, Tsunade, Kurenai e as Wings estavam tentando bloquear todas as rotas de fuga da cidade que ela havia preparado, como também havia inúmeras armas na sala, no quarto dela, na cozinha e provavelmente escondidas em algum compartimento secreto: revólveres, facas de todos os tamanhos, pistolas de choque, granadas e muitas outras. Shikamaru também notou a tempo um sistema de alarme, e desativou-o. Tiramos todas as armas de alcance, bem como objetos pontiagudos e quebradiços que ela poderia usar. Analisamos os cômodos da casa, as janelas e portas (bem, tem que haver um plano B, né?) e agora só faltava esperar. Como eu iria confrontá-la sozinho primeiro, ficaria esperando até ela voltar, enquanto Shikamaru, Tsunade e Kurenai ficariam escondidos, prontos para surpreendê-la e capturá-la. Tudo ia de acordo com o planejado. E eu já não estava me aguentando de ansiedade.

– Sasuke, sei que você está ansioso, mas ouça-me com atenção. – dizia Tsunade, na cozinha da casa de Sakura. – É de suma importância que você se lembre de seu treinamento e das informações que te passei sobre Sakura.

– Tá, já sei disso. Não precisa falar de novo. – sério, ela já tinha falado aquilo umas cinco vezes hoje, ao vivo e pelos transmissores. Eu não ia morrer, droga.

– Então vamos repassar o plano mais uma vez. – Shikamaru chamou nossa atenção. – Sasuke, você vai ficar aqui embaixo esperando por ela. Eu, Tsunade e Kurenai ficaremos no andar de cima. Deixe seu transmissor ligado para que possamos ouvir e saber o que acontece, e no último caso, intervir. Espere até ela entrar, fechar a porta e acender a luz. – Shikamaru olhou para Tsunade e depois para mim. Eu então, comecei a falar o resto do plano em voz alta.

– Eu a surpreendo imobilizando-a, assim como ela fez comigo. Tenho as armas aqui comigo: uma faca, um pedaço de corda e até um revólver. Então vocês esperam enquanto eu ensino àquela vadia – com todo o respeito, Tsunade – uma lição e então dou o sinal para vocês entrarem em cena antes que ela escape. – Shikamaru olhou interrogativamente para mim. – Ah, sim, o sinal é dizer “caminho liberado”. Você não podia ter pensado em algo mais criativo, Shikamaru?

– Não. – ele respondeu com cara de tédio, mas satisfeito de eu ter recitado o plano. – Certo, depois disso, Tsunade e Kurenai se revelam e então, Sakura será capturada. Agora já são 8 e meia, é melhor nos prepararmos.

– Sasuke...

– Eu já sei, Tsunade, mas que merda!

– Não é isso. – ela me deu um sorriso e depois fez uma cara de... seria preocupação? Olhei para ela impacientemente. – Cuidado. – tá, aquela me surpreendeu. Tsunade, mostrando preocupação genuína para alguém? Para comigo? Eu já sabia que ela tinha sentimentos pelas Wings e tal, aquela baboseira de elas serem como filhas para ela, mas nunca imaginei ela mostrando esse sentimento por mim.

Bem, não que isso importasse, só me deixou mais relaxado e confiante. Respondi afirmativamente com a cabeça, enquanto ela, Kurenai e Shikamaru se escondiam no andar de cima, e eu fiquei sozinho, esperando no escuro pelo momento em que Sakura chegaria. A casa estava arrumada e silenciosa. Imagino o que meu pai, Itachi e meu tio estariam fazendo lá fora. Provavelmente estavam esperando, talvez desconfiando das Wings que estavam com eles.

Eu sei que já disse isso antes, mas eu não podia ignorar a corrente de adrenalina que eu sentia percorrendo meu corpo. Era uma sensação estranha, me dava um pouco de medo, talvez, e excitação. Não foi nada positivo que Sakura tivesse se metido na minha vida e me roubado, mas confesso que ela quebrou completamente meu tédio, e agora eu estava muito bem disposto, me sentia diferente. Vivo. Capaz. Era uma sensação muito boa. De certa forma, não queria que isso acabasse, porque assim que Sakura fosse capturada, ela iria voltar para o esconderijo sei lá onde junto com as outras Wings e com Tsunade. Eu não teria mais nada emocionante para fazer, com que me ocupar, tudo voltaria à tediosa normalidade. Confesso que não queria isso. Queria correr algum perigo, fazer coisas que nunca havia feito antes, como aquele treinamento ou mesmo uma vingança. Acho que teria que agradecer a Sakura por pelo menos ter feito com que minha vida ficasse interessante por algum tempo.

Enquanto eu a esperava, tentava pensar em alguma coisa para que depois daquilo, eu ainda mantivesse algum contato com Tsunade, quem sabe para continuar o treinamento com mais calma, talvez até uma parceria secreta entre a família Uchiha e a organização dela. Quem sabe...

Mas meus pensamentos foram subitamente interrompidos, assim que ouvi o som de uma chave sendo posta na fechadura.

– Sasuke, prepare-se! – Ouvi a voz de Tsunade pelo meu transmissor. Como ela havia ouvido Sakura chegar do andar de cima?

– Claro. – respondi abrindo um sorriso. Um sorriso de ansiedade, de malícia, de vingança, de excitação. Me preparei e esperei a porta abrir. A diversão iria começar.

Far from home, elephant gun

Let's take them down one by one

We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Longe de casa, com armas de caça

Vamos abatê-los, um por um

Nós vamos derrubá-lo, ele não foi encontrado, não está por perto

Beirut – Elephant Gun

Notas finais
O que acharam do capítulo? :)