Broken Wing - Aprendendo A Voar

52 Capítulo 52 - Revolução II


Notas iniciais
Olá, boa leitura. Só queria dizer que estou tendo alguns problemas com meu computador, então se o capítulo da semana que vem atrasar, é devido a isso. Acho que não vai acontecer, mas fica o aviso caso aconteça. Há mais um recado nas notas finais :)

– Vão se arrepender por ter me desafiado, por quererem me abandonar! – era impressão minha ou lágrimas estavam caindo pelas bochechas de Tsunade?

Não sei realmente, porque no instante em que terminou de falar, ela avançou.

E começamos a luta.

****

Sakura’s POV

Tudo parecia surreal. Parecia que não estava acontecendo, que era apenas a encenação de algum filme. Nunca em minha vida eu pensei que chegaria ao ponto de enfrentar minha Mestra em uma batalha de vida ou morte. Mas Tsunade avançava e investia para matar, e só agora eu havia percebido como ela era forte. Nos treinamentos, ela nunca mostrara sua verdadeira força, mas assim que o corpo dela fez contato com o meu, eu soube que as chances de vencer eram ínfimas. Tsunade era simplesmente muito mais poderosa do que nós.

E ela resolveu atacar primeiro, acertando-me com um chute no meu ponto fraco, que ela sabia muito bem onde era. Defendi-me e Kurenai tentou bloquear o ataque, mas Tsunade era mais rápida e eu me vi voando em direção às cadeiras do Grande Salão. A Mestra então começou a trocar ataques com Shizune e Kurenai, bloqueando as investidas das Wings e contra-atacando eficientemente. Tentei me levantar, mas o chute havia me acertado em cheio no rim esquerdo, e eu sentia que ficaria com um roxo hematoma por semanas.

Deixando a dor de lado como eu já havia feito muitas vezes antes, fui em direção ao conflito, sem perceber que Tsunade havia sacado uma katana de debaixo da roupa e havia conseguido atingir o braço de Kurenai com isso. Ambas as Wings também estavam com armas, mas Tsunade tinha muito mais experiência do que elas. Também tratei de tirar a pequena faca que eu sempre levava comigo e estávamos paradas novamente, nos encarando, Tsunade nos ousando a atacar novamente.

– Consegue lutar, Sakura? – Shizune, ao meu lado, respirava cansadamente.

– Sim, aquele chute não foi nada.

– Deveria ter ido com as outras. – Kurenai também sussurrava ao meu lado, sem nunca tirar os olhos da Mestra.

– Não, Kurenai. Não poderia deixar vocês sozinhas. E isso já se tornou pessoal. – e havia se tornado pessoal mesmo, talvez desde a minha primeira fuga, quando Tsunade me encontrou e tudo o que eu pude fazer fora baixar a cabeça e seguir suas ordens. Mas não mais. Não depois de ver minha amiga sofrendo, e de saber que Tsunade planejava usar a mim e a menininha Meiko em um golpe sujo para trazer Ino de volta somente para aprisiona-la novamente. Eu não estava lutando somente por mim agora. Era por Ino, por Meiko, por Kurenai e Shizune, e por todas as outras Wings que nos aguardavam aflitas no prédio ao lado.

– Vocês me decepcionam, meninas. – a voz de Tsunade estava aguda e ameaçadora. Nem parecia mais a carinhosa mãe que um dia nos ensinou o significado de família – Todas com armas apontadas para a pessoa que as ensinou a usá-las. Todas rejeitando meu amor, recusando-se a viver comigo depois de tudo o que fiz por vocês.

– Não queríamos usar violência, Tsunade-sama. Foi a senhora quem sacou a arma primeiro. – o olhar de Kurenai estava vermelho de perigo.

– Às vezes uma mãe precisa castigar suas filhas. Vocês não me deram alternativa.

– Foi a senhora quem não nos deu alternativa, Tsunade-sama. Até agora, recusa-se a entender que não pode nos manter prisioneiras aqui.

– Vocês não são prisioneiras! – Tsunade gritou, outra lágrima escorrendo por suas bochechas – São minhas filhas, e o lugar de vocês é aqui comigo, ao lado da mãe de vocês! Por que é tão difícil entender isso?

– Porque não fomos feitas para ficar em um lugar só, Tsunade-sama. Somos Wings, somos asas. Queremos voar. Eu e Shizune demoramos muito para entender isso, mas agora tudo já está claro. O jeito que você conduz essa Organização, como trata as pobres meninas a quem chama de “filhas”... isso não pode mais continuar. Elas devem ser livres... e você também, deve se libertar dessa ilusão, Tsunade-sama...!

Tsunade não esperou Kurenai terminar de falar, e avançou novamente, cortando o ar a centímetros do rosto da Wing. Eu via aquilo pensando em como tudo estava terminando de forma triste: Tsunade tentando matar as pessoas que havia salvado só para continuar vivendo esse conto-de-fadas, essa brincadeira de casinha na qual ela era a mãe e todas as meninas eram suas filhas. Tsunade estava negando a realidade, recusando-se a encarar o triste desfecho. Tsunade estava deixando seu egoísmo cegá-la.

Conforme a luta recomeçava, eu, Kurenai e Shizune conseguimos fazer um acordo silencioso. Isso não era incomum quando Wings iam a missões juntas e tinham que batalhar. Nossos movimentos eram nossa linguagem, nossos ataques diziam a nossas companheiras sobre a situação, e assim conseguíamos coordenar a luta em uma dança frenética a nosso favor. O único problema era que Tsunade havia nos ensinado aquilo, e ela conseguia nos ler melhor do que nós mesmas.

Shizune tentou ataca-la depois de eu tê-la distraído, mas a Mestra foi mais rápida e se virou a tempo de acertar o rosto de Shizune com o cotovelo, e me puxar pelos cabelos assim que tentei ataca-la novamente. Shizune voou para um lado e eu, mais uma vez, fui jogada a outro. Não havia tempo para me abalar, então me equilibrei no ar, reganhando a postura, e comecei a correr novamente em sua direção. Kurenai era a que mais se aproximava da Mestra em termos de habilidade, mas ela estava se segurando. Eu temia que isso a levasse a seu fim.

Enquanto Kurenai conseguia manter Tsunade no lugar com seus golpes, eu e Shizune nos aproximamos novamente. Quando a Mestra notou, tentou se desvencilhar do aperto de Kurenai e virou-se para me atacar novamente, mas eu me abaixei de repente e Tsunade ficou surpresa, não esperando por isso. Naquele breve segundo de confusão, Shizune aproveitou para arrancar a espada das mãos de Tsunade, não sem antes a Mestra resistir e machucar Shizune mais uma vez. Mas o importante era que agora ela estava sem armas.

– Tsunade-sama, por favor, não queremos mais conflitos, nem queremos fazer de você nossa inimiga! – Kurenai ainda tentava usar razão para convencer a Mestra, mas para mim estava claro que aquilo já era inútil.

– Vocês perderam minha piedade no momento em que revidaram, Kurenai! Não posso amar filhas rebeldes. Não vou desistir da minha Organização, não vou permitir que me abandonem novamente!

– Não iremos abandoná-la, Tsunade-sama! Deixe-me agradecer por todas as coisas boas que já fez por nós!

– Pare de me enganar, Kurenai! Suas ingratas! – Tsunade limpou as últimas lágrimas escorrendo por seu rosto antes de atacar novamente, de mãos nuas.

A raiva pareceu ter incentivado a Mestra, que desviou de todos os ataques de Kurenai e Shizune e mirou em mim. Parece que eu ainda não estava preparada para lidar com a Mestra afinal. Pega de surpresa, não consegui revidar a tempo; senti um soco no estômago, e mesmo não me rendendo à dor, aquilo me atrasou e foi o suficiente para Tsunade me prender com um braço ao redor do meu pescoço. Kurenai e Shizune pararam de se mover. Merda.

– Como devo proceder agora então? – eu conseguia sentir o sorriso maníaco de Tsunade, apesar de não poder vê-la diretamente – Dizem que quando uma maçã está podre, deve-se tirá-la do cesto para não contaminar as outras. É isso o que devo fazer com vocês, então? Eliminá-las para não perder o resto?

O braço dela se apertava cada vez mais em volta do meu pescoço. Tsunade era mortal, eu sabia muito bem disso. E no momento, era minha vida que corria perigo, pois eu sabia que Tsunade não hesitaria em nos matar se isso significasse preservar sua Organização.

– Não faça isso, Tsunade. – Kurenai falou, mas eu já estava começando a sentir falta de ar – Não se transforme em um monstro.

– Eu, monstro? Quem tramou um golpe sujo contra mim e está tentando tirar tudo o que lutei para construir são vocês! Não permitirei isso, Kurenai. Não irei ficar sozinha de novo!

– Não iremos lhe abandonar, eu já disse isso! Solte Sakura, assim só a está afastando cada vez mais de si! Ouça-nos!

– Não irão me abandonar? Então o que estão tentando fazer? – Tsunade tinha ódio na voz, que ela tentava disfarçar com um tom de sarcasmo, mas não enganava ninguém. A Mestra era muito mais solitária do que imaginávamos.

Eu provavelmente nunca saberei o que aconteceu com Tsunade para despertar nela esse desejo desesperado de ser amada por alguém. Nunca saberei por quais traumas ela passou, o que ela fez para escalar até aqui, como montou a Organização e os sacrifícios feitos para conseguir o que tem hoje. Eu provavelmente nunca saberei o passado de minha quase ex-Mestra. Mas eu não estava disposta a ficar como ela; eu não estava disposta a me entregar a uma ilusão, a me prender aqui fingindo que sou feliz; não, eu queria dar a volta por cima, queria superar as dificuldades que Tsunade não conseguiu superar. E eu tinha uma pessoa me esperando do lado de fora. Eu não poderia morrer agora.

– Estamos tentando dar uma oportunidade de vida nova a essas meninas e a você! – Kurenai falava, mas eu suspeito que Tsunade já não ouvia mais.

Finquei minhas unhas na pele da Mestra, e empurrei minha cabeça para trás com toda a força que consegui, chocando-a com seu queixo, fazendo-a perder o equilíbrio. Aproveitei esse momento para tirar seu braço do meu pescoço e torcê-lo. Tsunade chiou de dor e surpresa, mas logo se recuperou e tentou contra-atacar, puxando seu braço torcido para perto de si, levando-me junto, mas eu a soltei a tempo e me afastei, colocando-me ao lado de Shizune e Kurenai.

Agora eu conseguia ver claramente os olhos vermelhos de Tsunade, preenchidos com raiva, traição e dor. Ela já se preparava para atacar novamente, mas uma voz a interrompeu.

– Sugiro que não faça isso, Tsunade. – era Shikamaru. Em toda essa confusão, até me esqueci de que ele ainda continuava ali. Foi esperto em se esconder e não chamar atenção de Tsunade, pois ele não tem habilidades físicas para enfrenta-la em combate. Todas olhamos para ele, esperando suas próximas palavras – Os reforços chegaram.

Vi Tsunade fazer uma expressão de confusão. Ela achou que Shikamaru estava blefando quando disse que traria reforços. Ao meu lado, Shizune suspirou de alívio, mas Kurenai não baixou a guarda. A expressão de Tsunade foi de confusa a revoltada.

– Como ousa? Depois de ter trabalhado para mim por todo esse tempo, como ousa me trair e permitir que estranhos entrem nesse lugar e roubem o que é meu? Pode manda-los entrar, eliminarei todos e você será o próximo, Shikamaru!

No momento em que ela terminou de falar, as portas do salão se abriram abruptamente, e agora realmente eu me sentia dentro do filme policial de maior sucesso dos últimos tempos. Detetives da Central de Inteligência entraram empunhando armas e se dividiram por todo o salão. Eu não queria subestimá-los, mas tinha a impressão de que Tsunade poderia eliminar todos ali em questão de minutos. E acho que ela pensava o mesmo, pois começou a rir baixinho.

– Então é assim que você quer jogar, Shikamaru? – a voz dela pingava perigo – Que chato. Achei que poderia me divertir um pouco mais com você, mas parece que minha vitória será entediante de tão fácil.

Dizendo isso, ela se preparou para atacar os detetives mais próximos, mas Kurenai e Shizune a atacaram no mesmo momento. Armas e punhos se chocaram, e Tsunade de repente se viu cercada por suas duas aprendizes mais fiéis e alguns detetives da Central. Eu não conseguia acreditar naquilo. Minha Mestra estava sem saída, cercada por armas, punhos e espadas.

– Não deveria ter subestimado a Central de Inteligência, Tsunade. – Shikamaru achou seguro se aproximar. Só agora percebi que eu também não havia dado nenhum passo, chocada demais para acompanhar os acontecimentos – Eles não tiveram o mesmo treinamento que você, mas também são muito bons no que fazem.

– É tão raro ver você nos elogiar, Shikamaru! – eu não conhecia aquela voz. Virei-me rapidamente na direção dela, na porta de entrada do Grande Salão. Havia um homem parado lá, com os braços cruzados no peito, e um sorriso convencido, mas não arrogante. Ele era loiro e parecia ser o Comandante daquela operação. Ah, agora eu me lembrava...

– Naruto, estava me perguntando quando iria se mostrar. – Naruto! Um dos detetives mais respeitados da Central de Inteligência, do qual Shikamaru me falara antes. O homem que Hinata discretamente admirava e para quem sempre fazia missões.

– Sempre no momento certo! – ele me parecia otimista demais e sério de menos para ter uma posição tão alta dentro da Central, mas seus colegas pareciam estar esperando sua próxima ordem – Todos, manter posição! – finalmente seu rosto ficara sério e ele ordenara firmemente aos detetives dali.

Descendo as escadas desajeitadamente, ele se colocou a apenas alguns metros de onde estávamos, olhando diretamente para Tsunade.

– Então você é a tal de Tsunade? Prazer em conhecê-la. Sempre nos falamos por telefone, mas desculpe a rude intromissão. – ele falou tudo aquilo com um sorriso malandro no rosto, como se não sentisse muito coisa nenhuma.

– Você... é um dos clientes. – Tsunade pareceu reconhecê-lo.

– Sim, sim. O serviço de suas funcionárias, se é que posso chama-las assim, é de ótima qualidade, e aposto que sempre fez o melhor para garantir o bem estar delas. Mas infelizmente... isso precisa acabar. – Naruto ergueu as duas mãos como se dissesse “não tem outro jeito”.

Tsunade começou a rir como se aquela fosse a piada mais engraçada do mundo.

– E como acha que conseguirá “acabar” com isso? Com esse seu timezinho de cãezinhos treinados?

– Ah, não fale assim do meu time. Eu valorizo trabalho em equipe. – Naruto tinha um modo engraçado de falar, como se estivesse confiante de que tudo daria certo no final. Não estava levando a sério as provocações de Tsunade, e aquilo só a irritou ainda mais.

– Então se preza pela vida de seus subordinados, tire-os daqui antes que eu mate a todos. – e ela se colocou em pose de atacar novamente. Os detetives acompanharam seus movimentos, sem nunca abaixar as armas.

– Nah, eu confio neles. Você vai se render agora e nós vamos resgatar as garotas daqui, e dar a elas um novo lar.

– Elas não precisam de um novo lar! Estão muito bem aqui comigo! – e Tsunade avançou novamente.

Ela conseguiu nocautear alguns detetives mais próximos, mas como um raio de luz, Naruto foi tão rápido como ela e restringiu seus movimentos atacando-a, fazendo-a perder o equilíbrio enquanto outros de seus subordinados a pegavam e a algemavam. Naquela hora, eu precisei piscar umas quinze vezes seguidas. Aquilo simplesmente não era possível! Tsunade, rendida? Tsunade, presa? A Organização das Wings realmente iria acabar? Eu realmente poderia ser livre daqui em diante?

Tsunade lutou o máximo quanto pode, mas acho que no fim, o cansaço mental a fez desistir. Bem, não desistir exatamente, mas ela parou de tentar se desvencilhar das algemas e das mãos segurando seus braços, e abaixara a cabeça. Por alguns segundos, um silêncio absoluto se fez, e como se a situação já não estivesse esquisita o suficiente, comecei a ouvir mais uma vez os baixos soluços da minha Mestra.

– Por quê? – ela falou de repente – Tudo o que sempre quis foi cuidar dessas meninas! Nunca pretendi machuca-las, sempre as tratei bem, achei que elas estivessem felizes, satisfeitas, achei que me amassem também... por que se viraram contra mim? O que eu fiz de errado para elas? Qualquer coisa, eu faço qualquer coisa para me redimir! Dou presentes, dou festas, dou abraços, mas por favor, não me abandonem! Não me deixem longe de minhas meninas!

Ouvir Tsunade falando tudo aquilo para ninguém em especial me comoveu de um jeito estranho. Eu sabia que suas ações nunca haviam sido mal intencionadas, e acho que agora ela finalmente estava sendo obrigada a encarar a possibilidade de perder tudo isso, de sair de sua ilusão.

Kurenai se aproximou dela, finalmente abaixando a arma que segurava. Seu braço sangrava no local onde a espada de Tsunade a cortara.

– Tsunade-sama, acho que é hora de a senhora descansar agora. – Tsunade ergueu o olhar vagarosamente, para encarar uma de suas melhores Wings – Você já fez muito por nós. Você nos salvou e nos ensinou a sermos fortes e batalhadoras. Nós apreciamos isso. Mas agora é hora de nos deixar ir. A sua parte já está feita. Agora confie em suas meninas, e elas terão vidas maravilhosas daqui para frente por sua causa. Descanse agora.

– Descansar? – o olhar de Tsunade parecia perdido agora que a ficha havia caído – Mas esse é meu único lar. Vocês o tiraram de mim e agora eu não tenho mais para onde voltar.

Tsunade não parecia mais a mesma Mestra perigosa e ameaçadora de poucos minutos atrás. A Base e as Wings realmente deveriam ser tudo para ela, e agora, de repente, nós a estávamos negando tudo isso. De repente, nós a avisamos que nada poderia continuar assim, de repente a rejeitamos sem ela poder se preparar para essa bomba. Tsunade parecia uma criança na primeira vez que anda de bicicleta sem rodinhas: sem saber o que fazer, desiludida quando o papai mentiu que ia ficar segurando e logo depois caindo no chão na primeira tentativa de se equilibrar em duas rodas.

– Eu disse que não iria te abandonar, lembra? Você já fez muito por nós, Tsunade. Agora deixe-nos fazer por você. Você não vai ficar sozinha, e sempre terá um lugar para voltar comigo. – os olhos da Mestra se arregalaram ao som das palavras de Kurenai – Venha comigo, Tsunade-sama. Fique comigo.

****

Bom, de alguma forma, aqui estava eu, no Auditório 2, junto com o resto das Wings (menos Kurenai, que havia acompanhado Tsunade com alguns detetives da Central até uma prisão provisória onde Tsunade ficaria por um ou dois dias até se acalmar) para decidir nosso futuro. Isso mesmo, depois da fuga de Ino, de toda essa dor de cabeça, de enfrentar a Mestra e vencer, finalmente estávamos aqui: prontas para escolher nosso próximo destino, prontas para dar os primeiros passos por nós mesmas, pronta para abrimos nossas asas e voarmos para onde quiséssemos. Eu mal conseguia conter as borboletas em meu estômago quando percebi que tudo pelo qual eu havia lutado estava gerando frutos.

E tudo pareceu ter acontecido tão rápido. Tsunade nem nos viu chegando, nem percebeu quando começamos a nos rebelar silenciosamente. Com um pouco de orgulho, considero que minha fuga de um ano atrás tenha sido o gatilho não só para Shikamaru, mas para as outras daqui, para perceberem que uma vida presa aqui não é o ideal para essas meninas. Como Kurenai disse, Tsunade já fez sua parte de salvar todas ali, de lhes ensinar a ter esperanças no mundo. Agora essas meninas precisavam ser livres para construírem seus próprios caminhos, e se tornarem Wings independentes de Tsunade. Todas somos Wings e sempre seremos, seja aqui ou em qualquer lugar do céu, da terra, da água ou do fogo. Somos Wings porque temos o desejo de voar, e nos agarramos a esse desejo com garras e dentes.

E agora finalmente poderíamos realiza-lo. Sem nunca nos esquecer de Tsunade, de seus carinhos e ensinamento, partiríamos agora como Wings, mas como nós mesmas também.

Shikamaru e Shizune me acompanharam até o Auditório 2, onde todo o resto das Wings aguardava. Shikamaru, Naruto e várias pessoas de seu time nos seguiam. Eu ainda sentia a dor do chute de Tsunade, e Shizune percebeu.

– Não quer que eu dê uma olhada nesse ferimento, Sakura? – ela disse gentilmente.

– Estou bem, Shizune. Temos coisas mais importantes a fazer agora.

– Hmm, então você é a Sakura? – uma voz feliz demais me chamou ao lado. Era o loiro da Central de Inteligência. Seus olhos eram de um azul tão claro que eu conseguia ler toda a sua alma nele. Um contraste interessante com Sasuke, que por mais que eu tentasse, não me deixava enxergar o que havia por trás daqueles olhos tão escuros.

– Sou... – respondi relutante. Por que ele estava tão feliz ao falar comigo? Não éramos amigos, mal nos conhecíamos. Ele sorriu exibindo os dentes e fechando os olhos.

– Sua amiga Hinata às vezes me fala de você. E também que é melhor eu não te irritar. – oh, Hinata fala isso de mim? Não sabia que meu mau humor era tão notável assim.

Não respondi, e ele só continuou me olhando com otimismo honesto. Por algum motivo, eu não conseguia ficar com raiva dele.

– Bem, se não fosse por você, nada disso teria sido possível. Então você tem meu mais sincero agradecimento, Sakura-chan. Ah, desculpe, posso te chamar assim? – ele coçou a parte de trás da cabeça desajeitadamente, como se estivesse se desculpando por sua falta de cordialidade. Sakura-chan? Eu nunca gostei desses sufixos junto com meu nome, mas não parecia mais importar agora.

Acenei levemente com a cabeça e o sorriso de Naruto aumentou.

Yosh! Então agora vamos para a parte burocrática da coisa! – dizendo isso, eu percebi que havíamos chegado ao Auditório 2. Um alto barulho de misturas de vozes podia ser ouvido de lá de dentro.

O Auditório 2 era menor do que o Grande Salão, mas ainda grande o suficiente para caber todas as Wings e ainda sobrar poltronas.

– Menos barulho, Naruto. – Shikamaru chamou sua atenção, e em seguida deu um suspiro, como se preparando para a parte chata do plano. Eu sabia que Shikamaru odiava falar em público.

Shizune abriu a porta e um silêncio absoluto se fez assim que entramos. Wings de todas as idades e especialidades se amontoavam nas cadeiras, as menores e mais novas na frente e as mais altas e mais velhas ao fundo. O silêncio seguiu ao mesmo tempo em que a maioria ali se levantava. A cabeça delas devia estar uma confusão de como isso havia começado e como havia terminado. Pensando bem, eu também não gostava de falar em público. Mas Naruto parecia gostar.

– Bom dia senhoritas! – sua voz ecoou pelo Auditório, e ninguém o respondeu. As Wings estavam muito aflitas para serem contagiadas com o otimismo do loiro. Naruto percebeu a atmosfera tensa do local e limpou a garganta, assumindo um tom sério em seguida, mas gentil – Desculpem por nossa repentina intromissão, mas iremos lhes explicar tudo agora.

– Onde está Tsunade? E Kurenai? – uma Wing perguntou do meio do Auditório, e o barulho de vozes recomeçou, todas se fazendo mil perguntas, desesperadas por respostas.

– Acalmem-se, meninas! – Shizune deu um passo à frente e ergueu um braço enquanto falava, fazendo todas pararem de falar e a encararem, curiosas – Como este gentil moço disse, vamos explicar a situação a vocês agora, e responderemos todas as suas perguntas.

– Vamos mesmo poder sair daqui? – uma aprendiz que deveria ter uns cinco anos perguntou, fracamente, da primeira fileira de poltronas.

– Sim, meu bem. – Shizune respondeu gentil – Vamos explicar a situação agora.

Ansiosas, as Wings esperaram as próximas palavras de algum de nós. Depois de um suspiro que dizia “droga, tenho que fazer isso mesmo”, Shikamaru deu um passo à frente e começou a falar.

– Bem, tudo o que vocês testemunharam no Grande Salão, tudo o que lhes foi dito lá, é verdade. Algumas de vocês aqui sabem melhor que outras, mas a forma como Tsunade as vinha tratando não era a melhor. A existência de vocês também não poderia continuar desse jeito. Tsunade as reuniu de todos os lugares e sim, elas as salvou, mas a salvação dela vinha com um preço que vocês não são obrigadas a pagar. Por isso estamos aqui hoje. Tenho certeza de que todas vocês tem algum sonho individual, uma ambição, por menor que seja. E não é saudável vocês continuarem aqui, arriscando a vida em missões que não tem nada a ver com vocês.

– Quem lhe deu o direito de decidir nosso futuro por nós? – uma Wing experiente de repente gritou do fundo – O que vai acontecer com Tsunade e a Organização?

– Sim, já vamos falar sobre isso. Bem, não iremos escolher o futuro para vocês. Na verdade, todo o propósito dessa... “revolução”, foi de dar a vocês a oportunidade de escolherem seus futuros.

– E se eu quisesse ficar aqui com Tsunade? – a mesma Wing perguntou, ela tinha longos cabelos castanhos e sempre foi muito fiel à Tsunade. Seu nome era Ako.

– Nós interferimos com a Organização de Tsunade porque ela funcionava de forma criminosa. – Shikamaru continuou falando – O nosso mundo dita que os crimes devem ser punidos, e apesar de o sistema não ser o mais adequado para todos e haver corrupção, nós, detetives, fazemos o nosso melhor para garantir o bem estar de todos. Eu entendo se alguma de vocês quisesse ficar aqui, mas antes precisam entender que essa Organização funcionava à base de acordos ilegais e tratados sujos, e por isso ela caiu na lista de observação da Central de Inteligência das Cinco Grandes Nações. Meu amigo Naruto, um dos detetives de lá, pode lhes falar melhor sobre isso.

Shikamaru chamou Naruto à frente, e parecia feliz em passar a fala a ele, tanto quanto ele parecia feliz em falar.

– Bem, como já lhes foi falado, somos da incrível Central de Inteligência e viemos aqui a mando de nossos superiores acabar com os crimes dessa Organização. Talvez várias de vocês não saibam a verdadeira história por trás desse local, mas tenho certeza de que sabem que várias das coisas que fazem aqui são ilegais e crimes. Mas calma! Não estamos aqui para lhes condenar, só estou lhes explicando por que essa Organização não pode mais continuar funcionando.

– E o que dizer sobre o apoio do Senhor Feudal? – Lynn, uma Wing de 19 anos, manifestou-se – As Wings tem o apoio do Senhor Feudal, ou pelo menos era o que Tsunade dizia. Você pode considerar criminosa uma Organização apoiada pelo principal governante do país?

– Ah sim! É certo que o Senhor Feudal do País do Fogo sabe sobre a existência de vocês e sim, ele as apoia, MAS... – eu não entendia a necessidade de Naruto de falar alto e dramaticamente, como se tudo fosse uma peça de teatro, mas as Wings pareciam presas em suas falas cheias de impacto – Ele não as apoiava por vontade própria. Grande parte dos contribuintes e apoiadores dessa Organização, incluindo o Senhor Feudal, eram ameaçados por Tsunade, e por isso não podiam fechar a Organização sozinhos. Confesso que o Senhor Feudal do País do Fogo foi muito corajoso ao pedir ajuda da Central de Inteligência, visto que Tsunade estava ameaçando toda a sua família.

Olhares de surpresa se alastraram pelo Auditório, inclusive os meus. Eu sabia que muitas pessoas importantes apoiavam a Organização e eram clientes dela, mas não sabia que muitas delas também só o faziam porque Tsunade as ameaçava. Bem, pensando agora, fazia sentido. Naruto esperou o choque inicial das Wings passar antes de continuar.

– Sim, sim, mas o Senhor Feudal deixou a covardia de lado e nos contatou tempos atrás. Desde então, vínhamos investigando essa Organização e como meu amigo Shikamaru aqui também costumava trabalhar para Tsunade, ele me ajudou a juntar as pistas e reunir provas de crimes. Então sinto muito garotas, mas se alguma de vocês realmente desejava ficar aqui, isso não será possível. Tenho certeza de que vocês entendem que muitas das missões que recebiam não eram satisfatórias de se cumprir, e obriga-las a roubar, assassinar e se prostituir como Tsunade fazia com vocês é um crime hediondo. Não poderíamos deixar a Mestra de vocês continuar com isso, por isso tivemos que pará-la. Tenho certeza de que vocês entendem isso.

As Wings mais duvidosas lentamente começaram a acenar a cabeça, entendendo a situação. Tsunade havia passado dos limites há muito tempo. Todas ali sabiam a natureza mais sombria das missões, e também sabiam que eram obrigadas a fazê-las. Mesmo que admirassem Tsunade e sentissem que devessem fazer aquilo a ela por ela ter salvado suas vidas, há um limite para o que o coração humano pode aguentar. E Tsunade não tinha o direito de obrigar nenhuma de nós a cometer aqueles crimes para si. As Wings estavam finalmente entendendo isso.

– Nós sabemos disso – Yohana, a linda Wing morena que estava na missão de encontrar Ino, levantou-se com um olhar feroz – Minhas companheiras e eu entendemos o caminho errado que Tsunade tomou no nosso tratamento. Eu estava esperando por uma oportunidade de conversar com a Mestra e lamento que a Organização tenha que ser desfeita assim, às pressas, mas também entendo que isso foi para o melhor. Eu não conseguiria suportar mais ver Wings sofrendo. É hora de termos uma nova vida, meninas. – ela disse, olhando para todas as outras através do Auditório – É hora de termos a nossa vida.

Mais uma vez, um murmurinho de vozes começou, com várias Wings concordando em voz alta com o novo prospecto de saírem dali e trilharem o próprio caminho. Isso era bom. Todas ali agora podiam expressar seus desejos de uma nova vida sem se preocuparem com o castigo de Tsunade.

Shikamaru e Naruto esperaram o murmurinho silenciar, até que todas as Wings os olhavam agora ansiosas por suas próximas palavras. Eu conseguia ver Hinata escondida em meio às outras, com as bochechas vermelhas e um sorriso discreto no rosto. Acho que ela realmente gostava de Naruto.

– Bem, agora que todas você entenderam a situação, vamos explicar o que irá acontecer daqui para frente. – Shikamaru retomou sua fala – Primeiro, vamos esclarecer o que houve com Tsunade. A Mestra, ou melhor, ex-Mestra de vocês foi levada em custódia por alguns detetives da Central de Inteligência. Ela será interrogada e depois irá viver uma vida tranquila ao lado da companheira de vocês, Kurenai, que se ofereceu para cuidar da saúde de Tsunade e fazer-lhe companhia como agradecimento pelas coisas boas que ela já fez por todas vocês. – Shikamaru pausou por um momento e logo depois continuou – Bem, a Organização das Wings irá acabar. Isso significa que vocês serão livres de agora em diante.

– E todos os crimes que já cometemos? – para minha surpresa, ouvi TenTen ao fundo levantando-se.

– Quanto a isso, vamos considerar vocês como vítimas, e não criminosas. Vocês só cometeram aqueles crimes porque Tsunade as manipulou e as obrigou. Não se preocupem, nenhuma de vocês irá para a cadeia. Como eu disse, estão livres agora. No entanto, viverão um pequeno período de tempo monitoradas pela Central. A Central não irá restringir seus movimentos, isso é apenas uma formalidade para garantir que nenhuma de vocês volte a cometer crimes. Se viverem uma vida honesta daqui para frente, não serão incomodadas, como qualquer cidadão normal.

– E o que devemos fazer quando sairmos daqui? Não temos outro lar lá fora, não temos dinheiro, não temos família.

– Isso é algo que eu já disse à Sakura aqui, e vou dizer a vocês agora. Vocês são mulheres fortes e independentes. Tenho certeza de que são capazes de se erguer lá fora do nada. Todas vocês possuem habilidades valorizadas em muitos campos de trabalho, com certeza conseguirão empregos bons e realizar seus sonhos.

– Muitas de vocês aqui são excelentes espiãs, não? – Naruto entrou na conversa – A Central está disposta a aceitar algumas de vocês de braços abertos como detetives formais. E lá fora, tenho certeza de que também há muitas pessoas que precisam de suas habilidades. Não será difícil realizar seus objetivos de vida. Shikamaru me disse que aqui há muitas médicas, psicólogas, matemáticas, biólogas, enfim... o mundo é de vocês, e conhecimento vocês tem de sobra. Só falta conquista-lo!

As Wings pareciam estar ficando animadas com a ideia. Eu sabia do sonho de muitas delas ali, e perceber que agora elas poderiam realiza-lo sem restrições me deixava feliz por elas.

– E as crianças? – Yohana voltou a falar, agora preocupada. Naruto fez uma expressão séria, e depois de olhar para Shikamaru, respondeu.

– As crianças e adolescentes ainda não tem idade legal para viverem sozinhas. A Central se responsabilizará por elas. Primeiro investigaremos se não há parentes vivos de alguma, e caso haja, elas irão viver com eles. Se não houver nenhum parente vivo nem ninguém que possa cuidar delas, temo que a solução será colocá-las em um orfanato até que atinjam uma idade adequada. MAS não se preocupem, crianças. A Central garantirá que vocês sejam alocadas no lugar mais confortável possível e as irá monitorar para ver se estão sendo bem tratadas e se estão confortáveis. Vocês não podem desistir agora.

A conversa continuou assim por um bom tempo. Wings faziam perguntas, e Shikamaru e Naruto revezavam-se para responder, sempre atenciosos e pacientes. Quanto às crianças, não tinha muito mais a ser feito. Mas eu sei que todas ali eram fortes para superar as dificuldades e aproveitar o melhor da situação. Viver com Tsunade não estava sendo exatamente as mil maravilhas, como Meiko bem estava percebendo, e agora elas seriam livres para crescer sem medo. Seria difícil no começo, para todas, mas eu sei que temos determinação e força suficientes para construirmos nosso próprio caminho, mesmo partindo do nada. Eu sei que muitas ali já tem sonhos e objetivos definidos, e irão lutar com garras e dentes para realiza-los, e as que não tem, com certeza irão encontrar em breve. Eu confiava em minhas irmãs ali. Confiava em Shikamaru e em Naruto, mesmo só conhecendo o loiro há um dia. Ele tinha uma estranha aura otimista rodeando-o, e essa aura deixava as pessoas ao seu redor tranquilas, fazendo-as confiar em suas palavras. Agora entendo por que Hinata gostava tanto dele.

Depois do que pareceram horas, as perguntas foram morrendo e as Wings se mostravam mais satisfeitas com a repentina mudança de vida. Shikamaru discutia com elas seus desejos de mudança, dizendo que a Central de Inteligência se propunha a ajuda-las a encontrar um lugar para morar. Muitas delas sonhavam em viver na capital do País do Fogo, Konoha, muitas tinham vontade de viver em outros países. Shikamaru e Naruto ouviram todas e foram decidindo onde seria o melhor lugar para cada uma começar a vida nova. Naruto também ouviu os desejos profissionais delas. Yohana, por exemplo, disse que queria continuar no mundo das investigações, e Naruto a ofereceu um teste para ser detetive da Central, assim como para muitas outras e seus diferentes objetivos.

– Agora que já discutimos praticamente tudo, por favor, façam suas malas. Ao fim do dia, estaremos partindo para nunca mais voltar aqui. Despeçam-se deste lugar, deixem para trás seus arrependimentos e estejam preparadas para a nova etapa da vida de vocês.

Eu conseguia ver muitas Wings chorando. Não sei se era felicidade, tristeza, ou uma mistura dos dois. TenTen, Hinata e Temari acenaram para mim, e eu respondi o aceno, dizendo que logo também iria ao meu quarto pela última vez. Mas antes, Shikamaru parecia querer falar comigo.

– Como você está, Sakura?

– Nem consigo acreditar. – respondi sincera enquanto ele se aproximava de mim – Eu realmente poderei sair daqui. – Naruto colocou-se ao lado dele, olhando-me curiosamente – Muito obrigada Shikamaru, por nos dar essa oportunidade – fiz uma reverência de agradecimento – E também agradeço à Central de Inteligência por nos ajudar – fiz a reverência novamente, dessa vez para Naruto. Ele só sorriu e coçou a parte de trás da cabeça.

– Ah, não se preocupe! Só fizemos nosso dever! – e ele exibiu um sorriso mostrando os dentes de novo, fechando os olhos. Esse Naruto era de fato interessante.

– E agora, está pronta para sair daqui mais uma vez? – Shikamaru voltou a falar – Já sabe o que fará depois daqui?

– Sempre estive pronta para voar com minhas próprias asas, Shikamaru. Não sei completamente o que me aguarda lá fora, mas já sei por onde começar.

– Fico feliz por você e pelas outras, Sakura. Torço pela felicidade de vocês.

– Eu também. – Naruto falou de repente – Sei que somente nos conhecemos hoje, Sakura-chan, mas espero que você e as outras mulheres e meninas daqui possam ser felizes. E falando nas outras, não pense que sou um pervertido nem nada, porque não sou, mas poderia me dizer onde posso encontrar Hinata? Gostaria de conversar com ela.

– Eu direi a ela para te encontrar depois. – respondi com um sorriso. Se eu mandasse o loiro ao quarto de Hinata, ela iria ficar envergonhada e me culpar depois. Então achei melhor dizer a ela para procurar o loiro. Eu tinha o pressentimento de que somente coisas boas sairiam desse relacionamento. Naruto também sorriu com minha resposta, e os dois me deixaram sozinha para voltar ao meu quarto. Pela última vez.

E fazendo esse caminho agora, não consegui evitar um sorriso de se formar no meu rosto. Finalmente eu seria livre. Finalmente Ino poderia viver sem se preocupar em ser encontrada, finalmente eu poderia viver sem amarras, finalmente eu poderia viver por conta própria, finalmente eu poderia ser livre.

E finalmente, finalmente, eu poderia vê-lo sem culpa, sem restrições. Ah, Sasuke, você já me esperou por tanto tempo, enfim eu poderia encontra-lo e te fazer meu por completo. Finalmente eu poderia me deixar aos seus cuidados, me entregar a você, construir esse estranho relacionamento da maneira certa. Me espere só mais um pouco, Sasuke. Assim que eu sair daqui, irei vê-lo. E quem sabe eu finalmente me permitirei te amar?

Slow, leave walking to the world

Give your feet a chance

They’ll do all the thinking

Toast, high until they find

Less pathetic wine

Until they get a better blend

It’s the greatest thing you’d ever imagine

But you’ll never know until you’re there

Devagar, saia andando pelo mundo

Dê uma chance a seus pés

Eles vão pensar em tudo

Brinde, alto até encontrarem

Um vinho menos patético

Até conseguirem uma mistura melhor

É a melhor coisa que você poderia imaginar

Mas você nunca saberá até estar lá

Panic at the Disco – Pas de Cheval

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo :) Estou aberta a dúvidas e críticas. Agora um recado: essa história está acabando, porém estou planejando começar outra quando essa acabar (apesar de não ser SasuSaku). Para mais informações, chequem meu perfil~! Até o próximo :)