Broken Wing - Aprendendo A Voar

41 Capítulo 41 - Dois Presentes


Notas iniciais
Olá! Eu ia postar o capítulo ontem, mas tive alguns probleminhas pessoais. Espero que gostem, boa leitura :). Mais nas notas finais.

Sorri também e acenei com a cabeça. Vou contar à Tsunade agora. Vou mentir sobre a paternidade. Vou retirar o pobre embrião de dentro de mim. E depois eu poderia voltar a me encontrar com Gaara.

Sakura’s POV

Tsunade parecia estar de bom humor naquela manhã. Isso era bom, principalmente por causa do que Ino tinha a lhe contar. A loira estava ansiosa ao meu lado, e sua mão suava. Tsunade sorria e bebia sakê, apesar de ser bem cedo.

– Oh, minhas meninas! Quanta surpresa, vocês todas juntas aqui! – ela exclamou ao nos receber.

– Bom dia, Tsunade-sama. – disse Hinata em seu tom de voz naturalmente baixo.

– Parece que vocês fizeram bem na festa de ontem. Fugaku me ligou agradecendo. Itachi e Konan irão passar a lua de mel no País do Trovão, em algum hotel chique com fontes termais. Divertiram-se no casamento?

– Ah... sim. – Hinata tentou sorrir.

– E por que não vão descansar agora? Qual o motivo de eu recebe-las com prazer em minha sala? – Tsunade, por algum motivo, estava sorrindo. O cachê pela nossa missão de ontem deve ter sido alto, imagino que por isso.

– Bem, Ino tem uma coisa para contar. – Temari incentivou a loira, que deu um passo à frente e me levou junto, já que estávamos de mãos dadas. Ino estava dura como gelo.

– O que foi, Ino? Você parece pálida. – Ino gaguejou três vezes antes de conseguir falar algo. Tsunade já havia suspeitado.

– Tsu-Tsunade-sama... eu tenho que contar... eu... eu... estou grávida. Peço mil desculpas e farei o que for preciso para consertar a situação! – ela falou a última parte alto, e curvou-se profundamente em uma reverência de desculpas. O queixo de Tsunade caiu.

– Está falando sério, Ino? – o sorriso da mestra havia sumido.

– Sim, confirmei há alguns dias. Sinto muito por minha falta de cuidado. – Ino falava com o corpo ainda curvado. Tsunade soltou um grande suspiro.

– Justo você, Ino? Com quem eu pensei que isso nunca aconteceria?

– Sinto muito, Tsunade-sama.

– Bem, não adianta se desculpar agora. Quem é o pai? – Tsunade começou a mexer em vários papéis, talvez procurando o registro das últimas missões de Ino.

– É... é o secretário do Senhor Feudal do País do Fogo. – Ino levantou a cabeça timidamente. – Usamos proteção, mas...

– Sim, de fato, você esteve com ele semanas atrás. – Tsunade analisava o documento. Ela não parecia mais tão feliz. – Devia ter contado isso antes, Ino.

– Hum, Tsunade-sama... – Hinata entrou na conversa, corada e tímida. – Ino não fez isso por mal, então... se a senhora pudesse... ser mais maleável com ela...

– Você não precisa se preocupar com esse assunto, Hinata. A única que tem é Ino. – Tsunade olhava para a loira com decepção. – Bem, esses casos sempre irão acontecer vez ou outra. Vamos consertar isso, Ino.

– Vou ter que abortar? – medo surgiu na voz de Ino.

– Bem, esse é o procedimento. Não podemos cuidar de um bebê aqui. Vou informar Shizune. Faremos o aborto e ninguém mais ficará sabendo.

– Tsunade-sama. – a voz de Ino estava desesperada. – Poderia, por favor, permitir às minhas amigas me acompanharem no... procedimento? – Tsunade pareceu pensar.

– Sim, mas só uma. Muita gente dentro da sala de operação pode causar distração ou até aumentar o nervosismo. Vou conversar com Shizune e marcar uma data. Podem se retirar, eu volto a falar com você depois, Ino.

Saímos da sala em silêncio, e todas nos reunimos no quarto de Ino. Quando abrimos a porta, ela foi direto ao seu banheiro e vomitou horrores.

– São os primeiros sintomas ou é só nervosismo por ter falado com Tsunade? – Ten Ten perguntou, fazendo cara feia.

– Deve ser um pouco dos dois. – respondi, verificando Ino no banheiro. Ela saiu de lá pálida. Muito pálida.

– Tsunade foi mais compreensiva do que pensei. – Temari disse assim que a loira se deitou em sua cama.

– Sim, ela nem gritou com você. Lembram-se da Eru? Aquele caso foi horrível! – Ten Ten se lembrou.

– Mas o importante é que tudo agora vai ser resolvido. – Temari olhou pela janela de Ino, que dava em um dos jardins ao redor da base.

Percebi que Ino chorava, deitada na cama. Fui consolá-la.

– Ino, vai ficar tudo bem. Tsunade nem gritou, ninguém ficará sabendo...

– Estou com medo. – todas olhamos para ela.

Sim, tinha esse problema também. A parte mais difícil seria a realização do aborto. Cirurgicamente não seria tão horrível, Shizune era uma ótima médica. Mas psicologicamente...

– Vai ficar tudo bem, Ino. Eu vou estar lá com você. – falei sorrindo.

– Você pode me acompanhar, Sakura? Mas e se... e se...

– E se nada, Ino. Não vai acontecer nada de ruim. Você só vai eliminar a causa de seus problemas. – aquela foi uma coisa muito errada para Temari dizer. Ino olhou para ela, com lágrimas e fogo nos olhos.

– Um bebê não é um saco de farinha, Temari. Saia do meu quarto. Saiam todas vocês! Saiam! – Ino começou a gritar, e Hinata se assustou. Temari olhou-a de boca aberta. Ino soltou sua mão da minha. – Não entenderam? SAIAM!

Aos poucos, fomos saindo de lá. Ino estava muito abalada. Ela precisava ficar sozinha. Voltei ao meu quarto, sem mais nada para fazer. Não estava com vontade de treinar, nem de conversar, nem de ouvir música, nem de mais nada. Joguei-me de costas na cama, meu cabelo rosa espalhado pelo lençol negro.

Minha melhor amiga iria passar por uma experiência traumatizante logo mais, e tudo o que eu podia fazer era segurar sua mão. Nem conselhos eu podia lhe dar, pois nunca passei por um aborto. Aborto... uma palavra forte. A perspectiva de sentir uma vida em potencial sendo tirada de dentro de você era assim tão assustadora? Uma possível vida, sendo nutrida por você, compartilhando o mesmo corpo que você, sendo interrompida bruscamente por algum aparelho de metal, em uma sala branca, fria, silenciosa e apertada.

E no caso de Ino, não é qualquer vida. É a vida que ela gerou com Gaara. E ela ama Gaara. É o resultado do amor deles manifestado dentro dela. Mas o que eu sabia sobre isso? O que eu sabia sobre amar alguém? O que eu sabia sobre a responsabilidade de carregar no ventre uma vida? Eu só sabia tirar vidas. Nunca havia feito uma. E Ino seria obrigada a sentir aquela pequena coisinha sair de dentro dela. Era tudo muito irônico como o bebê dela teria de morrer junto com seu amor por Gaara.

E ainda assim, ela parecia não querer desistir dele. Eu sentia que ela preferiria morrer a deixar de vê-lo. É possível alguém sentir uma conexão tão forte assim por outra pessoa? Porque as conexões mais importantes para mim eram aquelas quatro amigas. E do que eu poderia chamar Sasuke? Ele era tão importante assim para mim? Ele exerceria tanta influência em mim algum dia como Gaara exercia em Ino? Eu preferiria morrer a não vê-lo nunca mais?

Não sei. E não queria saber. Aquele moreno me já me causou problemas demais. Mas ainda assim eu me via presa a ele. Em algum momento do dia, sempre me pegava pensando nele. No casamento ele veio falar comigo duas vezes, e eu queria virar-me para ele e retribuir suas palavras, mas ao mesmo tempo tinha medo do que poderia sair daquela conversa. Tinha medo de encará-lo nos olhos por muito tempo, mas também tinha medo de ficar um longo tempo sem ver aqueles orbes negros e sufocantes.

Por que, Sasuke? Minha ligação com você não era tão forte como a de Ino e Gaara, e mesmo assim eu já sinto esse aperto quando falo com você ou quando não falo com você. O que exatamente você causa em mim? Virei minha cabeça em direção a meu guarda-roupa. Levantei-me e abri a última gaveta, levantando o fundo falso que havia lá, retirando sua camiseta azul marinho, de tecido confortável, sem estampas e com o seu cheiro. Ainda não entendi por que resolveu dá-la a mim. Será que foi para me prender a você? Para que assim eu não tivesse escolha a não ser pensar em você toda vez que a visse ou que a cheirasse e a vestisse? Não era justo. Por que me deixou acorrentada a você com seu veneno e eu não te deixei com o meu? Por que somente eu tinha algo para me obrigar a lembrar de você enquanto você não tinha nada meu?

Cheirei a camiseta profundamente. Era incrível como o cheiro dele continuava ali, mesmo depois de todos esses dias. Falando nisso, daqui uma semana seria seu aniversário. Não tenho a obrigação de dar nada, mas eu não sou a única que deve ter o fardo de possuir algo seu. Você também deve possuir algo meu. Cheirei a camisa novamente, e depois voltei a guarda-la. Se eu entrasse diretamente em contato com algo seu, que me fizesse lembrar de você, eu poderia ficar drogada. Viciada.

****

Ino’s POV

Chegou a hora. Eu iria dar fim à parte de Gaara que estava dentro de mim. Confesso que nos últimos dias fiquei muito deprimida, e quase afastei todas as pessoas que se importavam comigo. Depois do meu surto no outro dia, quando expulsei todas elas do meu quarto, pensei tê-las perdido. Me arrependi depois; eu já não estava conseguindo passar por isso com companhia, imagina sozinha! Chorei longamente, chamando por Deus, chamando por Gaara, chamando por minhas amigas e por minha mãe biológica, perdida há tanto tempo. Algum desses nomes por quem eu chamava viria me ajudar. Tinham que vir!

Vieram naquela mesma noite. Deus, Gaara e minha mãe não vieram, por razões óbvias de cada um. Mas elas vieram. Sakura, TenTen, Hinata e Temari. Vieram sem dizer uma palavra e apenas me abraçaram, e naquele momento eu soube que tudo ficaria bem. Houve algumas palavras de desculpas de nós, mas eu já nem lembro quem as disse, estava muito feliz em ter minhas amigas ali me apoiando para prestar atenção em qualquer outra coisa.

Sakura ficaria comigo durante o procedimento. Eu estava com muito medo. Medo das complicações físicas e medo da parte psicológica. Eu iria retirar uma vida de dentro de mim. Uma vida que eu deveria estar nutrindo, amando... mas eu não podia ficar com aquele bebê; e ao mesmo tempo, não queria retirá-lo. Não queria matar o resultado do meu amor com Gaara.

– Ino, vamos...? – Shizune chamou delicadamente, retirando-me daqueles pensamentos.

Comecei a tremer. Olhei para baixo, tentando impedir minhas lágrimas de medo e desespero.

– Está tudo bem, Ino. Eu estou aqui. – Sakura segurou minha mão.

– Não consigo! Não consigo! – comecei a chorar. – Não consigo, Shizune!

Senti a médica se sentar ao meu lado e passar a mão em minhas costas.

– É normal se sentir assim, Ino, mas será rápido. – ela sussurrava gentilmente. – Vamos te deixar o mais confortável possível, você não sentirá nada.

– Fisicamente! Mas... eu não conseguirei lidar com isso!

– Ino, você sabe que o melhor caminho a ser tomado nessa situação é esse... faça esse esforço agora para esse bebê não sofrer depois. Vamos lá, você consegue.

Tentei parar de chorar, respirando ofegante. Shizune e Sakura eram muito pacientes. Limpei meus olhos e minha respiração foi voltando ao normal aos poucos. Eu teria que ser forte agora. Se esse bebê viesse ao mundo, iria apenas sofrer. Tsunade não me permitiria cuidar dele, e muito menos a família de Gaara. Levantei-me vagarosamente, e Sakura me acompanhou até dentro da sala.

Desculpe, meu bebê. Desculpe por fazer isso com você. Desculpe.

****

Sakura’s POV

Ino havia conseguido. Ela parou de chorar assim que entramos na sala, e ficou com a expressão impassível durante todo o procedimento. Segurei sua mão o tempo todo, e quando finalmente acabou, Shizune sorriu e Tsunade entrou no quarto, perguntando sobre o procedimento e – por mais incrível que pareça – consolando Ino.

Se Tsunade soubesse a verdade por trás dessa gravidez, tenho certeza que não pensaria duas vezes antes de deserda-la. Mas a mentira foi para o melhor. Ino não seria punida, estava perdoada e iria ficar um tempo longe de missões para se recuperar física e emocionalmente. Shizune a convenceu a passar a noite na ala hospitalar, com calmantes (já que ela ainda estava abalada) e onde ela poderia ter algum tratamento de emergência, pois Shizune disse que dores e sangramentos são normais depois de um procedimento desses.

Eu e as meninas ficamos com ela durante um tempo, mas só por companhia, porque da boca de Ino não saía nenhuma palavra. Nem mesmo quando Temari a entregou uma carta de Gaara, às escondidas de Shizune. Temari disse que na carta ele perguntava se ela estava bem. Ino disse que responderia depois, e Temari insistiu em perguntar se ela iria terminar o relacionamento com seu meio-irmão. Ino acenou um “sim” com a cabeça, de modo fraco e não convincente, pelo menos para mim. Depois, por seu próprio pedido, a deixamos sozinha.

Minha amiga tinha passado por um bocado. Me sentia mal por ela, e por seus sentimentos também. Entrei no quarto pensando em Ino, fui ao banheiro e tomei um banho gelado. Passei a água várias vezes por meu rosto e olhos, como se eu estivesse tentando limpar uma área infeccionada. Não sei ao certo por que fiz aquilo. Talvez por preocupação à minha amiga, talvez para afastar lembranças de Sasuke. Por falar nisso, amanhã era aniversário dele.

Decidi que iria dar algo de presente, nem que fosse um cartão. O motivo, eu não sabia exatamente. Talvez pela quantidade de tempo que passamos juntos, eu me sentisse na obrigação de dar algo por simples educação, talvez pelo fato de retribuir o presente dado a mim no meu aniversário pela família Uchiha, talvez por compensar a camiseta azul marinho que ele havia me dado, ou talvez porque eu simplesmente gostasse dele e queria agradá-lo. Há, tá bom. Essa última opção me fez rir.

Ao sair do banho, já era noite, então coloquei um simples shorts de malha branco com uma blusinha cavada amarela, com chinelos nos pés. A camiseta azul marinho estava em cima da minha cama. Dobrei-a e a coloquei debaixo do travesseiro. O que eu daria de presente a ele? Obviamente, eu não havia comprado nada. Nadinha. E a data era amanhã. 23 de julho. Isso era irônico; nascido no auge do verão quando ele mesmo era tão frio. Aquele olhar, aquela fala, aquele jeito reservado, aquele corpo... tão frio que me fazia sentir quente por dentro. Tão frio que era capaz de queimar minha alma.

E se eu não desse nada? Eu não era obrigada a isso, e assim ele pensaria que eu não me importo tanto com ele como ele julga. Mas eu queria dar algo. Ele me deu o vestido de aniversário (a família dele deu). Mas ele me deu a camiseta. Por que mesmo? Por nenhum motivo. Só resolveu dá-la a mim. Devia ser uma camisa que ele gostava, pois na época quando eu trabalhava para a família dele para pagar minha dívida, o vi muitas vezes com ela. Um tecido comum, sem estampas, que não chamava atenção, e ao mesmo tempo confortável, macio e cheiroso. Ele me deu uma camiseta da qual gostava muito para que eu me lembrasse dele. E agora eu queria dar a ele algo que eu gostasse muito para que ele também se lembrasse de mim.

Sinto que eu me arrependeria disso depois, mas qual seria esse meu presente para ele? Do que eu gostava muito ali? Procurei meu quarto inteiro. Eu não daria uma roupa a ele, ele não poderia vestir. E além do mais, eu poderia aumentar o grau de perversidade dele. Não. Então o que?

****

– Você a essa hora aqui, Sakura-chan? – perguntou Yama, uma das Wings responsável por levar as encomendas e cartas ao correio mais próximo. Também responsáveis por buscar cartas dos mesmos.

– Sim, tenho um pacote para enviar. Poderia deixa-lo no Sedex, Yama-chan? É para amanhã e só consegui embrulhá-lo hoje.

– Huum... um presente? – Yama me deu um olhar malicioso, e eu me fingi de desentendida. – Retribuindo algum cliente? Preparando terreno para conquistar a atenção de um? Com essa estratégia, a Miho conseguiu ser a dama de companhia pessoal do governador da província nordeste do País do Fogo!

Yama adorava fofocar. Não me importava de ouvir sobre a vida das outras, mas eu nunca deixava escapar nada sobre a minha para ela.

– Bem, pode deixa-lo no Sedex ainda hoje para mim? – perguntei, tentando volta-la ao assunto original.

– Agora mesmo, Sakurita! – esse apelido horrível havia pegado mesmo. Droga. Ela pegou o pacote e o analisou por um tempo, com um olhar desapontado. – Não é grande e nem faz barulho. Tem certeza de que é um presente?

– Sim, Yama-chan. Por favor, mande. – dei um último sorriso forçado, deixando Yama com seu desapontamento com meu presente e voltando ao meu quarto.

Nem eu sabia se era um presente mesmo. Não havia me custado nenhum centavo, e se tivesse, não seria tanto. Nem sei se Sasuke gostava daquilo e se iria entender a mensagem por trás daquele objeto. Não sei se fiz a coisa certo dando a ele aquilo. Mas era importante para mim. E se ele realmente tivesse um pouco de afeto por mim, iria entender. Iria, não iria?

****

Sasuke’s POV

É, foi um dia bom. Claro, trabalhar no dia do seu aniversário não era exatamente legal, mas eu não poderia faltar à empresa em dia de semana. Apesar disso, consegui sair mais cedo. Os funcionários da filial de Konoha me deram um parabéns coletivo. Certo, eu sei que mesmo que você não seja tão íntimo da pessoa, dar parabéns é sinônimo de educação, é um gesto imposto pela sociedade e tal; por isso não me importei com os duzentos parabéns que recebi, mas alguns deles foram um pouco exagerados.

A secretária do meu pai me abraçou por tempo demais, o vice-presidente me deu uma garrafa de vinho e vários outros fizeram elogios exagerados, sendo que eu nem conversava direito com eles. Claro, tratar bem o filho do chefão era normal, ainda mais quando ele também trabalhava lá, mas é óbvio que percebo quando só estão puxando o saco, e isso não iria ajuda-los a ganhar um aumento ou a serem promovidos.

Uma das únicas pessoas que realmente me desejou parabéns com gentileza foi um dos funcionários do escritório superior e uma faxineira de meia-idade. Meu pai quis dar uma festa. “Não é todo dia que se faz 22 anos!”, ele disse, e dizia isso todo ano, só aumentava a idade. Sério, tem frase de aniversáio mais clichê que essa? Como eu recusei a festa, ele me deixou sair duas horas mais cedo da companhia. Com Itachi ainda em lua de mel, eu não sei se foi uma boa ideia, já que o trabalho só ficava mais pesado a cada dia, mas meu pai insistiu. Fugaku Uchiha não era tão azedo lá no fundo, apesar de tudo.

Minha mãe me deu um relógio muito caro (eu estava precisando de um) e meu irmão me ligou por 30 segundos para me cumprimentar. Isso era muito vindo dele, especialmente quando estava em outro país com a nova esposa.

Eu não ficava mais tão empolgado com meus aniversários como antigamente. Claro, na infâcia e adolescência você espera festas, bolo e presentes, mas quando passa a ser adulto, você não se importa mais. Aquela data vira só outro motivo para reunir os amigos e beber. E foi isso o que fizeram: assim que saí da empresa, Kiba, meu amigo veterinário, nem me deixou voltar para casa para tomar banho, simplesmente me levou até a “Into the Groove”, a boate do Suigetsu (sim, estava aberta desde à tarde para pessoas desocupadas) e fizeram uma grande festa lá.

Admito que me senti bem. Todos os meus amigos, alguns do colégio, outros que conheci no meu breve tempo de faculdade, outros conhecidos ao longo do último ano, apenas conversando assuntos sem noção, bebendo e rindo. Foi divertido.

– Posso te dar um presente especial, Sasuke-kun? – sussurrou Kiyomi ao meu ouvido, uma garota da minha sala quando eu fazia faculdade. Já era noite e eu havia bebido bastante.

– Pode devolver o presente dela, Sasuke-kun. O meu vale mais. – Karin também se aproximou.

Dei uma leve risada, tentando afastá-las. Ano passado, eu me lembro muito bem do incidente com as fotos: Sakura, de alguma forma, me flagrou fazendo “coisas” com Karin e ameaçou expor as fotos. Eu tinha trauma daquilo.

A noite continuou assim, um grupo de bêbados em uma boate, no meio da semana. Fizeram um pequeno bolo e antes da meia-noite me fizeram soprar algumas velinhas idiotas. Mas quando você está bêbado, tudo é divertido, né? Fiquei lá por mais algum tempo, e acordei no outro dia com uma grande dor de cabeça. Eram mais de 8 horas. Droga, eu receberia sermão quando chegasse à empresa atrasado. Olhei para o lado. Havia alguém na cama.

Era uma mulher. Dormia levemente, e percebendo meus movimentos para levantar, acordou também, me olhando curiosa e maliciosamente. Era muito bonita. Seus cabelos castanhos eram curtos. Sua pele, branca e lisa como leite. Seus olhos eram de um rosa claro, um deles coberto por uma franja. Estava deitada de barriga para cima. Seus seios eram pequenos, sua cintura, fina, e suas pernas, delicadas.

– Bom dia, Sasuke. – ela falou sorridente, em uma voz de assobio. Tentei parecer educado.

– Bom dia... – eu não lembrava o nome dela.

– Juno. – ela disse em um sussurro.

– Ah, sim. Juno. – Juno era uma deusa romana e dava um nome bonito. Juno se espreguiçou longamente na cama, sorrindo.

Levantou-se sensualmente dali. Seus cabelos eram brilhantes, mas não passava de seus ombros. Lisos e cheirosos. Ela começou a se vestir e prendeu uma parte dos poucos cabelos para trás, e calçou sapatilhas.

– Até quando pretende ficar me olhando? – perguntou-me, rindo.

– Desculpe.

– Não se preocupe, já estou indo embora. Obrigada pela noite de ontem.

Certo, eu não me lembrava como a havia conhecido ou como acabamos daquele jeito. Fiz menção de levantar da cama e acompanha-la, vestindo-me precariamente. Por algum motivo, ela não estava brava ou magoada por ir embora e provavelmente não me ver nunca mais. Abri o portão para ela, que me olhou com um último sorriso.

– Ontem foi seu aniversário, não é? Parabéns. – mostrou-me seus dentes brancos e deu-me um abraço, começando a caminhar pelas ruas do condomínio.

Bem, pelo menos era educada e gentil. Não ficou com raiva quando não lembrei seu nome, e foi embora como se fosse uma criança andando por um parque. Por que eu continuava fazendo aquilo? Por que eu continuava a levar garotas desconhecidas para casa para depois nunca mais vê-las? Estava começando a dar razão a Itachi... eu tinha sérios problemas com compromissos. Minha dor de cabeça persistia, mas eu ainda tinha que trabalhar.

****

– Sasuke, está há duas horas atrasado! Por sua culpa, tivemos que remarcar a reunião com a filial do norte para depois do almoço!

– Desculpe, pai.

– Eu sei que saiu para comemorar com seus amigos noite passada, mas tenha um pouco mais de responsabilidade!

É, como eu pensei. Dessa vez, o velho estava certo, mas eu também não tinha culpa da data cair em um dia de trabalho. Até fiquei surpreso por ter acordado cedo. Mas toda a raiva passou quando mostrei o último relatório do semestre, com resultados positivos. Bem, eu não gostava exatamente de trabalhar naquela empresa, com aquela profissão. Não era o meu tipo favorito de carreira, mas eu era bom no que fazia.

Cheguei em casa mais tarde, depois de uma hora extra na empresa e de passar no mercado para comprar uma janta. Faz tempo que não tinha notícias de Meiko. Talvez eu poderia ligar na casa assombrada de Tsunade perguntando por ela. Chequei o correio. Estava cheio. Bem, ontem não me deram tempo para checar, e hoje eu estava atrasado demais para ficar recolhendo cartas. Havia várias delas, inclusive um pequeno pacote, embrulhado cuidadosamente e amarrado com um uma simples fita

Deixei as cartas (a maioria contas) no aparador do corredor e abri o pacote. Deixei escapar um sorriso involuntariamente. Peguei o cartão que havia caído e o li.

Sei que ano passado eu ameacei colocar em risco sua aparência de filho comportado, mas eu te odiava, então dá um desconto. Não iria gastar dinheiro com você, obviamente, mas já que sua família me presentou no meu aniversário e você me deu aquele confortável pano de chão azul marinho, me senti na obrigação de retribuir.

Sei que esse não é o presente ideal, mas já que descobri que você até fez faculdade, achei que pudesse gostar. E se não gostou, problema seu.

Parabéns. Sakura.

Havia sarcasmo naquele bilhete, mas o presente demonstrava outra coisa. Não acredito que ela havia mesmo me dado aquilo.

E depois eu tenho a imaginação fértil? Tudo bem. – Sasuke ria levemente. O pacote de ursinhos de goma estava quase no fim. – Minha vez. Diga dois livros que você leu: um que você odiou e outro que você gostou.

Certo. Eu não gostei de “50 Tons de Cinza”.

É aquela hitória pornô sadomasoquista?

Sim. – antes que Sasuke a interrompesse para mencionar algo sugestivo, ela continuou. – E um que li e gostei muito foi “Dom Casmurro”.

Dom Casmurro. Sakura me deu seu livro favorito de presente. Com certeza era algo que eu nunca esperaria ganhar de ninguém. Principalmente porque havia um significado naquilo, eu sei disso. Quantas pessoas sabiam que o livro favorito dela era “Dom Casmurro”? Para quem ela havia contado isso além de mim? Ino, talvez. Ou talvez não. Talvez ela só gostasse de ler em silêncio, e se perder em outro mundo, sozinha. E mesmo assim, ela tinha me dito seu livro favorito na nossa sessão de perguntas e respostas. E agora eu tinha esse livro. O livro dela. Assim como ela tinha minha camiseta.

Sakura era muito esperta, e agora estávamos com os favores trocados. Ela tinha algo meu, eu tinha algo dela. E esse livro era muito mais precioso que uma camisa velha. Certo, eu gostava muito daquela camisa, apesar da simplicidade. Mas aquele livro não era qualquer um, e obviamente teve algum significado para ela. Então era isso? Estávamos presos um ao outro assim?

Agora ela tinha uma lembrança física de mim, e eu tinha dela. As mãos de Sakura tocaram as páginas daquele livro, seus olhos percorreram as frases, sua mente ficou emocionada com a história. E agora ela compartilhava essa história comigo. Folheei o livro de tamanho médio e letra pequena, sem perceber que o sorriso bobo formado em meu rosto não desaparecera. Sakura, você era mesmo incrível.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo telefone. O número era o da portaria do condomínio. Atendi, sem tirar a imagem daqueles cabelos rosados da minha mente.

– Alô?

– Senhor Sasuke, há uma mulher aqui fora, dizendo se chamar Juno, e que esqueceu um pertence dela na casa do senhor. – o porteiro falou, sem entusiasmo.

– Certo, mande ela vir aqui.

Juno, a delicada deusa romana, minha acompanhante da noite passada. Enquanto a esperava chegar, li a sinopse da história na contracapa:

DOM CASMURRO conta a história de Bento Santiago (Bentinho), apelidado de Dom Casmurro por ser calado e introvertido. Em adolescente apaixona-se por Capitu, abandonando o seminário e, com ele, os desígnios traçados por sua mãe, Dona Glória, para que se tornasse padre. Casam-se e tudo corre bem, até o amor se tornar ciúme e desconfiança.

É esta a grande questão que magistralmente Dom Casmurro expõe ao longo de 148 capítulos: a dúvida que paira ao longo de toda a obra sobre a possibilidade de traição de Capitu, agravada pela extraordinária semelhança do filho de ambos, Ezequiel, com o grande amigo de Bentinho, Escobar.

Parecia ser uma história curiosa e cheia de dramas e de autopsicanálise. Chegava até ser uma ironia que Sakura gostasse; mas parecia ser uma boa história. O interfone de casa tocou, e deixei o livro em cima do aparador, para atender Juno.

Ela novamente tinha parte de seus cabelos presos, e trajava uma saia comprida e vermelha, com uma blusa cavada dourada, verde, azul, branca e preta. Ela era uma mulher curiosa, apesar de parecer bem nova. E estava sorrindo de novo. Deixei-a entrar.

– Desculpe o incômodo, eu percebi logo que cheguei em casa, mas quando voltei você tinha saído, e o porteiro me avisou que costumava voltar à noite. – ela entrou dizendo.

– Não tem problema. – fiquei meio inseguro perto dela, talvez por causa de seu jeito despreocupado.

– Acho que ficou no seu quarto. – subimos até lá e ela pegou um casaco e uma bolsa grande. Depois de conferir tudo, me deu outro sorriso.

– Obrigada.

Descemos até o corredor, com os olhos rosa e sonhadores dela observando minha casa, até que identificaram o livro de Sakura no aparador.

– Oh, Dom Casmurro! – ela exclamou animada, pegando o livro na mão. – Eu adoro essa história! – os olhos dela foram para o cartão ao lado e o papel de embrulho. – Foi um presente? Que legal!

Juno com certeza era estranha. Mas era gentil também. De todas com quem passei uma noite de sexo casual, foi a que mais me agradou depois. Assim que ela foi embora, peguei o livro de Sakura novamente. Na minha mente, valia a pena conferir a história que conquistou Sakura Haruno. Mas antes, eu tinha de agradecer.

****

Sakura’s POV

O jantar estava muito bom, e Ino estava conosco novamente. Ela não sorria e quase não falava também, mas pelo menos estava ciente do que acontecia à sua volta. Seus olhos azuis mostravam tristeza, e eu a peguei passando a mão na região do útero umas quinze vezes. Obviamente, aquilo a abalou. Tentei tocar no assunto, mas ela desviou na hora. Ainda não devia estar pronta para conversar sobre aquilo abertamente.

– Estou melhor. – falou em um sussurro para todas nós. – Só preciso de mais um tempo.

Hinata a braçou e Temari a olhou reconfortante. Ino foi forte, eu estava orgulhosa dela. Agora só precisava se recuperar. Iria começar a ter sessões terapêuticas com Milly, uma das melhores psicólogas dali. Ela poderia fazer desde alguém sorrir quando tivesse perdido um ente querido até induzir alguém ao suicídio. A mente humana era mesmo tão manipulável...

Terminamos o jantar, e acompanhei Ino até seu quarto, e ela me disse que iria descansar. Estava indo até o meu, quando alguém me chamou.

– Sakura-san. – assustei quando ouvi aquela voz. Parecia um fantasma, mas era somente Mei, uma Wing aprendiz de 15 anos. Ela daria uma ótima ninja.

– Ah, Mei-chan. Algum problema?

– Ligação para você na linha 12. – ela falou com sua voz sem emoção e baixa.

Ligação para mim? Bem, eu só teria que verificar. Fui até o corredor, dispondo de várias cabines telefônicas uma ao lado da outra. Entrei na cabine 12 e peguei o telefone.

– Sakura Haruno falando. – devia ser um cliente.

– Recebi seu presente. – aquela voz grossa, rouca e indiferente era inconfundível.

– Oh. – não soube o que responder. Se ele fosse ligar sobre o presente, estava um dia atrasado. E eu não sabia se havia sido do agrado dele.

– Desculpe não responder ontem. Só chequei o correio hoje.

– Ah, sem problemas. É... parabéns. – o que eu estava dizendo? Eu não precisava dar parabéns de novo. Ouvi uma leve risada do outro lado da linha.

– Muito esperta, Sakura. – o que ele quis dizer com aquilo? – Obrigado.

– Então você... gostou? – perguntei insegura. Era muito difícil desvendá-lo por telefone.

– Gostei. Principalmente por ser seu livro favorito. Vou descobrir que tipo de história emociona e chama a atenção de Sakura Haruno.

– Cuide bem desse livro.

– Pode deixar, Sakura. E cuide bem da minha camisa. – ele entendeu. Ele entendeu o significado do livro. Soltei um sorriso malicioso.

– Um refém por um refém, Uchiha. Se estragar meu livro, apresento uma tesoura à sua camisa.

– O mesmo digo eu. E se preservar bem minha camisa, vou fazer o mesmo com seu livro.

– Hum, tarde demais. Já usei aquilo como pano de chão. – falei sarcasticamente, e ele riu.

– Você é cruel.

– Você merece.

– Mas pelo menos ela te faz lembrar de mim. – fiquei sem saber o que responder. – E esse livro vai me deixar um bom tempo pensando em você.

– Não se gabe, Uchiha. Já disse que aquela camisa velha é só um pedaço de pano. – tentei soar confidente, mas não deu certo.

– É mesmo? Você não costuma vesti-la, Sakura?

– Eu...

– Não olha para ela se lembra de mim? Não se sente confortável vestindo-a? Não sente meu perfume nela?

Eu fazia tudo aquilo. E mais. Moreno maldito. Contei até cinco mentalmente. Dei um longo suspiro, espero que ele não tenha ouvido do outro lado da linha.

– Que bom que gostou do livro, Sasuke. A história é muito boa. – tentei mudar de assunto.

– Imagino que seja. Vou lê-lo. Obrigado, Sakura. Só liguei para agradecer e... a Meiko está por aí?

– Não, sinto muito. Ela foi à praia com outras meninas da idade dela, junto com Shirley e Yuka.

– Por que eu nunca consigo mais falar com ela?

– Quando ela voltar, eu falo que você ligou.

– Acho bom. Ainda não confio em Tsunade. – eu também não confiaria – Bem, então era isso. Obrigado pelo presente.

– Por nada. – me preparei para desligar.

– Vai vestir minha camisa agora, Sakura?

– Cale a boca. – desliguei na cara dele, sentindo-me irritada. Idiota.

Corri para o quarto tranquei a porta, apaguei todas as luzes, deixando só o abajur aceso. Fechei a janela, liguei o ar, despi-me completamente e vesti a maldita camiseta cheirosa dele, deitando-me na cama. Ele havia gostado do livro, e iria lê-lo. Ele havia entendido o significado. Um presente por um presente. Uma camisa por um livro. Um item físico por um item físico. Lembranças minhas por lembranças dele.

Fechei os olhos e deixei um grande sorriso aparecer em meu rosto. Sua camisa era confortável, exalando seu cheiro. Minhas mãos moveram-se sem nenhum esforço e sem nenhuma resistência. Naquele momento, eu só pensava nele.

– Huuumm... – comecei a me masturbar.

A sensação de ter uma parte de Sasuke ali comigo, de ter acabado de ouvir sua voz, de estar sentindo o cheiro dele, de me lembrar dele por completo simplesmente me estimulou a isso. Era um desejo, uma vontade imediata. E se eu não pudesse tê-lo aqui e agora, só me restava isso.

– Aaaaaaah – sussurrei baixinho enquanto massageava meu clitóris com o polegar e o indicador, deixando-me ser tomada por aquela sensação de alívio, de conforto, de prazer. – Hmmmmm... – aumentei a intensidade da massagem, com movimentos circulares.

Muitas vezes era eu mesma quem me dava prazer, apesar de ter vários “clientes” para isso. Mas não era a mesma coisa. Quando eu era chamada para bancar a mulher da noite para alguém, muitas vezes eram homens machistas, desrespeitosos, egoístas, grosseiros e rudes, que só pensavam no prazer próprio. Nessas vezes, sim, eu me sentia suja e usada. E quando eu queria algum momento a sós onde pudesse descarregar meu estresse e relaxar um pouco, era isso o que eu fazia. A arte de se masturbar. A arte de se conhecer e de se gostar.

– Aaaaaaaa... aaaaaaa.... – abri meus grandes lábios com uma mão, enquanto a outra continuava no clitóris. Pensava em Sasuke. Em sua voz rouca e sexy, em seus cabelos bagunçados, em seu sorriso sarcástico, em seu olhar possessivo, em seu corpo nu, na sensação de seu toque, nas lembranças quentes que tínhamos.

Masturbei-me por algum tempo. A sensação era maravilhosa, eu me sentia bem comigo mesma e ansiava por mais. Com meus dois dedos dentro de minha intimidade, eu acariciava lá dentro, ainda massageado o clitóris. Ah, Sasuke, seu maldito, por que me faz ter essas sensações?

– Hmmmm. – soltava suspiros e comecei a movimentar meu quadril junto. Virei de bruços na cama, com minha cabeça apoiada no travesseiro e meus joelhos afastados um do outro no colchão, ficando em uma posição meio estranha e vergonhosa se fosse pega, mas eu não me importava. Eu só respondia aos estímulos do meu corpo causados por mim mesma e pensava nele.

Aumentei a intensidade dos movimentos com os dedos. Abafei gemidos, pois minha voz se perdeu. Depois de satisfeita, deixei-me cair de barriga na cama, respirando ofegante, sentindo aquela sensação boa.

– Humm... – isso era muito bom. Dei um sorriso e apertei a camiseta azul marinho contra meu corpo. Sorri involuntariamente.

Espero que você goste do livro, Sasuke.

****

Ino’s POV

Meu limite havia chegado. Eu não poderia mais continuar ali, vivendo assim. Eu sei, por experiência quase própria, que o que estou prestes a fazer pode não ser a melhor saída. Mas eu estava desesperada, e não via outra escolha. E sentia que não podia mais ficar nesse estado. Por isso esse seria um “adeus”.

Man's been wasting so much time

Sending the children out to fight

Don't you think maybe it's about time?

O homem esteve perdendo tanto tempo

Enviando as crianças para lutar

Você não acha que já chega?

The Dodos – Walking

Notas finais
O que acharam? Eu sei que muita gente foi contra o aborto, mas eu já tinha isso em mente quando fui escrever a história, de que Tsunade não tolerava esse tipo de coisa e mandar o aborto seria a atitude que a personagem dela tomaria, e fazer o contrário estaria, portanto, indo contra a personagem e a história. Além disso, essa parte irá ter muita influência no que está para acontecer daqui para frente. Resumindo, acho que esse foi meu maior "momento George R. R. Martin" hehe. Espero que entendam :) Até o próximo ^^