Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo, e só para avisar, tem um pequeno hentai
Boa leitura :)

Determinada, me troquei, colocando uma roupa simples: calça jeans e uma blusa cavada preta, com sapatilhas pretas. Sequei meu cabelo e o prendi em um rabo de cavalo médio. Peguei minha roupa de garçonete que eu iria usar na festa e saí em direção ao ponto de encontro com Ooki e o resto do comitê de comida. Desse ponto, um ônibus contratado pelos Uchiha iria nos buscar e nos levar até a mansão, de onde eu esperava sair sem ser reconhecida.

Sakura’s POV

O caminho para a mansão se deu em uma estrada muito bem asfaltada, quase sem curvas. Depois de uns 20 minutos de viagem, começamos a adentrar uma floresta com árvores bem cuidadas e verdes, indicando que já estávamos em território Uchiha. A estrada passava no meio da floresta, dividindo-a em duas. Agora estávamos indo totalmente em linha reta. Ao longe, eu já conseguia avistar os altos portões de grade da mansão.

Começo então a sentir meu estômago revirar. Estranho... eu não havia comido nada desde o almoço. Estava com fome, talvez fosse por isso. Ou não. Não queria pensar que essa sensação de ânsia que estava me dando ao nos aproximarmos da mansão fosse psicológica, ou seja, tivesse a ver com o fato de que eu iria reencontrar alguém que há semanas havia quase matado. Estava com medo de ele me reconhecer, mesmo sabendo que as chances disso eram quase zero. Bem, quase zero não é igual a zero. Também estava com medo de que eu sem querer saísse de fundo em uma fotografia e fosse notada por Tsunade quando as notícias chegassem a ela. É claro que ela estava de olho em tudo agora. Faria de tudo para me encontrar. Uma de suas “asas” havia se soltado e ela precisava de mim para continuar flutuando perfeitamente. Vai ver até já desconfiava que quem tivesse roubado o Uchiha fosse eu. Bem provável: fujo do nada, ela sabia que eu não teria dinheiro, portanto teria que achar um jeito de me sustentar. E logo depois, 15 milhões são roubados de uma família tradicional e influente. Cogitar que ela poderia pensar assim e já até tivesse mexido os pauzinhos para me pegar de surpresa me fizeram sentir pior ainda. Talvez ela até estivesse lá na festa, me aguardando, com seu rosto jovem escondendo sua verdadeira idade, segurando um copo de saquê na mão.

Eu tinha que tirar esses pensamentos da cabeça, mas já era tarde demais. Acho que comecei a suar. Meu corpo ficou mole, minha visão de repente embaçou e eu senti que ia vomitar. Ooki logo notou e tentou me ajudar.

– Maya, querida, você não comeu nada a tarde de novo, não é? – ele disse fazendo alguns cozinheiros se afastarem de mim, pegando um grosso jornal e começando a me abanar, enquanto jogava minha cabeça para trás.

Por um momento pensei em usar esse mal-estar para escapar da festa. Mas isso não seria bom. Já estávamos de frente para o portão e agora não havia médicos disponíveis para me ajudar. Se eu ficasse daquele jeito, só iria chamar atenção, o que não era bom. Resolvi que não havia outra alternativa mesmo. Fechei os olhos, dei um longo suspiro, engoli minha saliva junto com minha ânsia e me levantei determinada.

– É só o calor, Ooki-san. Não se preocupe, já estou bem. – dois minutos depois, os grandes portões prateados da propriedade se abriram, e o ônibus deu a volta na grande e luxuosa mansão branca e dourada a frente. Fomos deixados na grande cozinha próxima ao local de onde seria a festa, nos fundos da casa. Tínhamos uma hora para nos trocarmos e começarmos a nos preparar.

****

Sasuke’s POV

Eu vi primeiro o ônibus do comitê de decoração chegar, lá para o meio da tarde. Depois, os fotógrafos. Eram muitos. Meu pai estava investindo pesado nessa festa. Eu só observava tudo entediado da janela do segundo andar do quarto de hóspedes.

Minha mãe disse que quando o ônibus do comitê de comida chegasse, era melhor eu já começar a me aprontar. Se bem que eu ficava pronto em meia hora. Um banho, a roupa que já estava decidida, uma bala de menta, perfume, uma ajeitada no cabelo e um sorriso forçado. Ainda não havia me animado para essa festa.

Lá pelas 7 da noite, vi o comitê de comida chegando em mais um ônibus branco. Parecia ter bastante gente. Bom, tinha que ter, já que os convidados eram muitos e meu pai queria “esbanjar fartura para aqueles cachorros da mídia”. Dei um longo suspiro e comecei a me aprontar, ouvindo minha mãe dizer que eu já estava atrasado.

****

Sakura’s POV

Depois de meu mal-estar ter aparentemente passado, fui com as outras garçonetes no banheiro me trocar. Nossa roupa era típica: uma calça preta social, mais justa nas coxas e um pouco mais larga na barra, junto de uma camisa de manga ¾ branca de botões. Bem simples, assim não chamaríamos atenção. Nossos cabelos teriam que ser obrigatoriamente presos, e usávamos um sapato preto fechado com um pequeno salto.

Mas bem, todos sabem que mulheres juntas no banheiro pode significar fofocas:

– Essa festa foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano! – dizia Yumi, uma das garçonetes, animada. Ela era bem humilde e sempre sonhou em entrar em uma mansão como a dos Uchiha.

– Sem contar que aqui vai estar cheio de homens gostosos. – completava Suzuka, colocando sua camisa branca. – Todos ricos, poderosos, importantes, bonitos...

– Nem todos, Su, nem todos... – discordava Rie. – Ouvi dizer que vai ter alguns velhos empresários aqui que não perdem a oportunidade de se aproveitar de alguma mulher. Principalmente nós, garçonetes, que nem podemos reclamar...

– Não me importa que seja velho. – continuava Suzuka – Desde que me dê um tratamento e uma vida de princesa...

– Mas não precisamos nos importar com esses velhos tarados. Só os irmãos Uchiha são o suficiente para fazer até uma “pura” como a Rie ter pensamentos safados... – dizia Ayame, entrando na conversa e terminando sua fala com um sorriso malicioso. Eu sabia que ia chegar nessa parte. Esperava que fosse só isso, mas aí as outras meninas se empolgaram.

– Nossa, eles são a perdição em carne e osso! Como eu queria ter a chance de apertar a bunda daquele mais novo... – Kaya entrou na conversa.

– Aquele de quem roubaram 15 milhões? – continuou Yumi. Pronto. Senti meu estômago começando a se revirar de novo. Sorte que já tinha terminado de me trocar, não queria ficar ali e ouvir o resto da conversa.

Ao chegar lá fora deparei com a bela visão do lugar. O comitê de decoração havia feito um ótimo trabalho, mas mesmo assim não escondia a beleza natural do lugar. Ao sair da cozinha e me afastar do balcão onde os barmans ficariam servindo as bebidas e coquetéis, me deparei com um grande quintal com pisos frios de pedra clara. Havia muitas mesas decoradas e marcadas com os nomes dos convidados. Todas estavam em volta de uma grande piscina que reluzia uma luz azul brilhante em um ambiente já escuro, pois já eram quase 8 da noite. As luzes artificiais acabavam de ser acesas, dando um toque romântico ao lugar. Havia muitas mesas, mas o lugar era enorme: elas haviam sido postas de modo que uma grande passagem fosse deixada entre elas, permitindo o fluxo de pessoas. Elas estavam mais concentradas nos pólos e no lado direito da piscina, enquanto no esquerdo havia um espaço em aberto como se fosse uma pista de dança. Mais à esquerda ainda, um pequeno palco onde um grupo de orquestra e uma banda de rock iriam se apresentar. As toalhas das mesas eram brancas com detalhes dourados, dando um ar de riqueza (sem bem que nem precisava). Em cada mesa, um frisante e um conjunto de flores para ser levado como lembrança. Havia ainda bexigas brancas e douradas espalhadas pelas paredes, algumas flutuando na piscina, dando um ar mais alegre e descontraído. E as luzes que vinham de dentro daquele enorme poço artificial de água onde eu estava morrendo de vontade de mergulhar davam um toque de iluminação perfeito.

Realmente, ser uma Uchiha devia garantir mordomias infinitas. Mesmo depois de eu ter tirado deles 15 milhões, ainda tinham dinheiro de sobra para tocarem os negócios e dar uma festa apenas para “aparentar poder à mídia”. Eu devia ter pegado 20 milhões, não 15. Droga. Sentei-me em uma das cadeiras da mesa de um tal de Tanaka esperando pela festa começar e acabar o mais rápido possível.

****

Sasuke’s POV

Eu já estava pronto. Apenas me olhava no espelho ajeitando minha gravata. Minha mãe entrou no quarto fazendo aquela ladainha: “Ai, como você está bonito!”; “Nossa, como você cresceu!”. Eu odiava essas coisas. Tinha 20 anos, não 10. Meu tio Yusuke entrou também e disse que meu pai estava nos chamando lá embaixo.

Fomos até o grande quintal onde a festa seria realizada, e antes que os convidados chegassem, os fotógrafos já queriam uma sessão exclusiva com a família. Merda. Odiava sair em fotos desse jeito todo formal e filhinho de papai. Os garçons e garçonetes que se encontravam lá fora foram obrigados a se recolherem na cozinha a fim de não aparecerem acidentalmente nessas fotos.

A decoração estava muito bonita, e já estava totalmente escuro. Os primeiros convidados já haviam chegado.

****

Narração em 3ª pessoa

A música já havia começado com o grupo orquestral, tocando aquelas músicas de boas-vindas que geralmente se tocam em recepções de festas. Fotógrafos por todos os lados. Convidados importantes, famosos e ricos não paravam de chegar. A família Uchiha tirava fotos com todos. Alguns estavam ali por serem amigos, outros apenas por serem sócios em algum negócio, outros por inveja e outros porque queriam ver se a família realmente havia se recuperado do grande roubo.

Estava muito calor. Sasuke estava impaciente. Estava levemente suando na testa, e já havia perdido a conta de quantas vezes afrouxara sua gravata para depois apertá-la de novo quando tinha outra foto para ser tirada. Ele ainda nem tinha tido a chance de beber alguma coisa. Estava muito ocupado com as recepções e queria que tudo acabasse logo. Ainda sentia-se humilhado pelo roubo sofrido.

Não percebeu que a autora desse roubo, vez e outra, lhe jogava um olhar de canto, apenas para checá-lo. Ele estava muito bonito em trajes sociais, mais elegante que da vez que o havia surpreendido de calça jeans e camiseta preta. Por enquanto, nenhum problema. Ele nem havia olhado para os garçons/garçonetes e os fotógrafos evitavam pegar um ângulo em que eles aparecessem. Ótimo, pensou ela.

Sakura notava seu chefe, Ooki, conversar com um grande empresário de uma firma culinária estrangeira. Era o que ele mais queria: expandir seus negócios. Deu um pequeno sorriso de lado, enquanto a colega Suzuka a chamava para servir mais vinho aos novos convidados.

Eram pouco mais de 22 horas e o jantar foi servido, depois de a mesa de frios ser recolhida. A orquestra ainda tocava músicas calmas. O barulho de conversas não parava. Uma fila enorme formou-se na mesa de comidas. Algumas garçonetes foram para lá servir os ricos esfomeados. Sakura era uma delas. Era simpática e sorria. Seu mal-estar havia passado. Ela colocava um pedaço de filé de frango no prato de cada convidado e dizia discretamente: “bom apetite”. Alguns agradeciam, outros nem a olhavam. Alguns homens mais velhos a jogavam olhares safados.

Os que já haviam comido elogiavam a qualidade da refeição. Toda a família Uchiha era atenciosa e mostrava cordialidade, elegância e atenção a todos os convidados. A música estava boa, a comida também. Madames esposas de empresários, advogados e famosos se amontoavam em um canto para fofocar. Maridos discutiam negócios. Outros falavam sobre golfe. Outros discutiam sobre a mais recente descoberta na ciência. Fugaku Uchiha passava por todas as mesas, acompanhado de sua esposa, seus filhos e os incansáveis fotógrafos.

Sasuke estava com fome. Ele havia almoçado tarde, mas desde então não comera nada. Já eram dez e meia da noite. O pai lhe deu uma folga e ele pode finalmente entrar na fila da comida. Afrouxou a gravata mais uma vez. Conversava com um amigo de seu pai que estava a sua frente enquanto observava os convidados, procurando alguma moça jovem e solteira com quem poderia começar uma conversa e melhorar a noite.

Estava quase no fim da fila e iria pegar um de seus pratos preferidos, um pedaço de filé de frango servido por outra garçonete. O amigo de seu pai a sua frente falava tanto, e ele tentava prestar atenção na conversa, nem notando a garçonete que lhe servia. No entanto, ela o notou.

Calma, Sakura. Calma, Sakura. Você não o conhece. Você não invadiu a casa dele e roubou 15 milhões de yens. Você não será reconhecida por ele.

O semblante da rosada estava calmo, mas seus pensamentos gritavam em desespero. Claro que não iria se desesperar, tinha que agir naturalmente. Além disso, ele nem estava olhando para ela, só teria que pôr um pedaço de frango no prato que estava inclinado em sua direção. Nem “bom apetite” ela iria dizer. Não podia mostrar sua voz. Abaixou um pouco a cabeça, pegou um pedaço de frango e foi colocar no prato do Uchiha mais novo. Não deixou de notar uma cicatriz em seu pescoço, resultado dos cortes que fizera nele. Já estava recuperado, mas aquelas marcas ficariam ali para sempre.

– Mais um, por favor. – aquilo a pegara de surpresa. O moreno de cabelos arrepiados agora se virava em sua direção e pedia outro pedaço. A rosada sentiu uma gota de suor lhe escorrendo pela testa até o queixo. É o calor. Abaixou ainda mais seu rosto, disfarçando seus olhos verdes. Mas ela não sabia que quanto mais tentava se esconder, mais ele, em uma reação automática e confusa, se inclinava para ver seu rosto. É da natureza humana tentar conhecer tudo o que está a sua volta.

– Algum problema? – ele perguntou. Suas sobrancelhas estavam arqueadas. Ele pensava em por que essa garçonete ficava de cabeça baixa enquanto as outras sorriam e falavam. Talvez estivesse passando mal ou não queria ser vista por alguma razão.

Ela se limitou a dizer “não” com um aceno de cabeça, pegou outro pedaço de filé de frango e o pôs no prato do moreno. Ele ainda deu um último olhar duvidoso a ela antes de se afastar e ir comer em sua mesa.

****

A fila da comida havia diminuído, já que a maioria dos convidados já estava satisfeito. Alguns, é claro, não perdiam a oportunidade de comerem de graça, voltando para repetir o prato duas ou três vezes. Sakura havia servido o resto da família Uchiha e já havia se recomposto depois do susto que havia levado. Não que ela não soubesse que ele iria pegar comida, só preferiu bloquear esse pensamento, resultando na repentina aparição dele na frente dela. As garçonetes aproveitavam para conversar.

– Meu Deus, que homens são aqueles? – dizia Suzuka se abanando.

– Quando os filhos do Uchiha vieram aqui, quase que eu me ofereço de comida a eles. – respondeu Yumi, sendo chamada de safada pelas outras que serviam a mesa com Sakura.

– Por falar nisso, Maya, o que deu em você? – perguntou Yaeko, repentinamente se virando para Sakura.

– Como assim?

– Bom, quando o tudo-de-bom daquele Sasuke parou na sua frente você começou a olhar pra baixo e nem falou com ele. Qual é o seu problema? Tinha noção da gostosura que tava na sua frente?

– É, eu... comecei a me sentir mal de novo. Mas já passou.

– Esses seus mal-estares estão muito esquisitos... – disse Naoko – Será que você não está grávida? – disse essa última parte em tom de surpresa, assustando as outras. Sakura só deu um longo suspiro.

– Te garanto que não é isso, Naoko-chan. Só que hoje não é meu dia. – dizendo isso, se afastou da mesa de comida e foi à cozinha pegar um copo de vinho. Já havia comido, agora precisava de álcool em seu sistema.

A festa prosseguia sem problemas. Ao contrário, estava ficando cada vez mais animada. A orquestra já havia sido substituída pela banda de rock, que chamava os convidados ao pequeno espaço ao lado da piscina para dançar.

Sasuke já tinha começado uma conversa com Aika Sasaki, uma linda jovem de cabelos castanhos presos em um coque baixo, com uma tiara de strass dando elegância ao penteado. Ela era gentil e simpática, irmã de um dos sócios de seu pai. Eles estavam dançando juntos, a moça estava animada e parecia corresponder ao charme do Uchiha. Ele logo a pegou pela cintura, e se aproximou de seu rosto, oficializando um beijo. Os fotógrafos, é claro, registraram tudo, Sasuke sabia disso e se sentia melhor por voltar a ser visto como o Uchiha sedutor e não como o Uchiha que fora roubado.

Depois de algum tempo beijando-a e passando discretamente a mão por sua cintura e costas, Sasuke convidou a moça a sair da pista e irem até um local mais reservado, o que ela prontamente aceitou. Eles se afastaram da multidão e Sasuke a levou para o interior da casa através da porta dos fundos, e entrou em um dos quartos do primeiro andar, já conduzindo-a à cama e ficando por cima dela.

A moça, claro, só podia estar no céu, nunca imaginara que iria transar com um homem lindo e rico, ainda mais sendo um Uchiha. Eles não ficaram completamente nus, pois teriam que voltar logo ao local da festa. Sasuke abaixou as alças do vestido azul claro longo da moça, mostrando parte de seus seios, e ele já sem o terno e com a camisa branca completamente aberta, começou a lhe descer os beijos pelo pescoço, chegando até a clavícula, descendo ainda mais enquanto com as mãos afastava as pernas dela e erguia-lhe o vestido.

A moça fechou os olhos castanhos assim que o sentiu dentro de si, um prazer imenso começando a lhe invadir. Tentava abafar seus gemidos e ele fazia o mesmo, apesar de que estavam em um quarto trancado e o barulho do lado de fora da casa era bem alto. Ele estava com o rosto no meio de seus seios, e ela com a mão nos cabelos do Uchiha o pressionava ainda mais contra eles, enquanto sentia as estocadas do moreno cada vez mais intensas. Em pouco tempo, ele atingiu o ápice, seguido dela.

Ficaram um tempo parados recuperando o fôlego, levantando logo em seguida para começarem a se arrumar. O penteado dela estava um pouco desmanchado, então resolveu soltar os cabelos. Ele terminava de colocar o terno. Ela aproximou-se para beijá-lo e dizer como havia apreciado aquele momento, enquanto ele a afastou delicadamente, mas com indiferença no olhar e pediu para ela voltar ao local da festa. Ele iria dali alguns minutos. Foi notável a expressão confusa e depois decepcionada no rosto dela. Estava claro que aquilo não iria se repetir e que ele agora iria fingir que não a conhecia, que nada havia acontecido. Havia sido só um passatempo, um “quebra-tédio” para ele. Já tinha ouvido falar dessa fama entre os homens da família Uchiha, mas sentir que havia sido mais uma a confirmar essa fama a fez se sentir usada e indignada. Fez uma cara feia e voltou ao quintal, tentando esquecer aquilo e bebendo mais vinho para se acalmar.

Sasuke havia notado a irritação da moça depois daquilo. Mas já estava acostumado. Sabia que era um cafajeste, mas desde o roubo, desde que alguém, ou melhor, uma mulher o havia dominado daquela forma e o exposto a uma humilhação internacional, precisava fazer algo para se sentir bem de novo. Deu uma arrumada nos lençóis da cama que haviam ficado um pouco emaranhados, depois foi ao banheiro próximo ao quarto lavar o rosto e ajeitar os cabelos.

Qual não foi sua surpresa ao chegar ao quintal e perceber que aqueles minutos com a moça no quarto foram suficientes para que uma confusão acontecesse em meio às mesas, bebidas, convidados e fotógrafos: enquanto seu pai praguejava e sua mãe tentava se acalmar, ele via um amontoado de pessoas perto da piscina, flashes de fotos, uma mulher gritando toda despenteada e outras duas tentando se afogar na piscina. Parece que a festa havia ficado animada demais.

****

Sasuke não entendia o que estava acontecendo. Andou por entre a multidão e encontrou seu irmão, Itachi, e seu tio, Yusuke, desesperados, tentando afastar os fotógrafos, que não cansavam de capturar diferentes ângulos das duas mulheres se afundado na piscina. Alguns convidados pediam-nas para sair, Ooki, responsável pelo comitê de comida, estava quase tendo um ataque cardíaco, outras mulheres gritavam “acaba com essa pobretona”, os homens mais safados estavam empolgados com duas mulheres molhadas se atracando. Sasuke se aproximou de Itachi.

– Que porra é essa? – seu irmão olhou-o incrédulo.

– Em que merda de lugar você estava?! Não importa agora, PAREM DE TIRAR FOTOS SEUS IDIOTAS, ESTÃO TODOS DEMITIDOS! – Itachi se exaltava empurrando os fotógrafos para longe.

Para entender:

Enquanto Sasuke transava com Aika Sasaki, a seguinte situação aconteceu no quintal da mansão Uchiha:

Sakura estava servindo vinho aos convidados. Ela passava entre as mesas, oferecendo a bebida e se afastando depois. Mas ela mesma também estava bebendo uma taça. Precisava se acalmar, mesmo que sob o efeito do álcool. Ofereceu a bandeja a uma madame, que notou que esta estava vazia, sem que a própria garçonete notasse, já que estava perdida em seus pensamentos.

Com licença. – a madame chamou a atenção de Sakura, que a olhou de repente. – Quem você pensa que é para me oferecer uma bandeja sem uma taça de vinho enquanto você mesma bebe uma? – Sakura rapidamente notou sua falha.

Ah... me desculpe, senhora...

Tanaka. – a mulher deu um riso de deboche, se levantando – Parece que o roubo afetou mesmo a família Uchiha, vendo que agora contrataram uma garçonete de quinta categoria, e ainda por cima abusada e mal-educada para servir-nos.

Sinto muito mesmo, Tanaka-san, vou agora mesmo providenciar uma taça para a senhora, não foi minha intenção...

Em primeiro lugar – cortou-a a mulher, magra e elegante, mas com um rosto feio, mesmo com o excesso de maquiagem – se você não estivesse bebendo dessa taça, não precisaria buscar outra para mim. Em segundo, parece não entender o que a palavra “garçonete” significa. Não sei o que Fugaku estava pensando quando contratou uma pobretona inútil como você e o resto daquela equipe de hippies para uma festa desse escalão.

Já entendi, Tanaka-san.

Duvido muito. E não me corte, não acabei de falar. Não gosto e não mereço que me tratem com desrespeito e ignorância.

Discordo. – Sakura disse baixinho, mas foi suficiente para a mulher ouvir, descrente e já com aparente raiva. Os outros convidados já haviam notado o conflito que começava a surgir ali, e o senhor Tanaka pedia à esposa para se acalmar.

Você sabe com quem está falando desse jeito, sua desregrada?

Com um protótipo falho de beleza? – Sakura dessa vez respondeu alto. Admitira que havia falhado, mas não aceitava que a insultassem daquele jeito mesquinho como a mulher fazia. E ainda por cima, havia insultado não só a ela, mas a Ooki, um homem honesto, trabalhador e de quem ela gostava, junto de suas colegas de trabalho. Aquela mulher a irritara e Sakura não poderia aturar aquilo calada. Não pensava em mais nada naquele momento.

A mulher deu outro riso de deboche, descrente de que havia sido desafiada. Ela avançou com seu vestido prata até Sakura, que não recuou.

Escute aqui, sua nojentinha, você... – não conseguiu terminar de falar, porque Sakura havia cuspido em seu rosto, e em seguida se virado com um sorriso, aparentemente acabando com aquela discussão. Mas isso havia enfurecido e humilhado Tanaka em um tanto que a madame até se esqueceu de onde estava. Foi atrás da rosada e puxou seu rabo de cavalo, começando uma briga. Aika Sasaki voltava ao quintal nesse momento, ficando a par da situação.

A festa parou e todos os convidados ficaram atônitos. Não sabiam se assistiam à briga ou se separavam as duas. Não puderam decidir, pois já que estavam se descabelando na beira da piscina, a Sra. Tanaka pisou em falso com seu salto e as duas foram para a água, aumentando a confusão. Uma das amigas da madame a incentivou, enquanto Fugaku se via em um dilema. Nessa hora, Sasuke voltou à festa e percebeu a confusão montada.

****

A festa está arruinada. Acabada. Pensava o patriarca Uchiha. Havia feito-a com o objetivo de mostrar elegância e firmeza por parte de sua família, e agora ela terminava com duas loucas sem classe se batendo em sua piscina. Nada poderia ser feito para salvar sua reputação dali em diante. Seu filho Itachi só piorava as coisas gritando com os fotógrafos, sua esposa Mikoto estava quase desmaiando de desespero, e seu filho Sasuke... deu a ele uma grande ideia.

– Sasuke! SASUKE! – gritou para chamar atenção do mais novo, ao que este o olhou confuso. – Pula na piscina e aparta a briga!

– O quê? Nem fodendo! Só vai piorar as coisas! – Fugaku fez uma cara de desgosto e se aproximou de seu filho.

– Escuta aqui, garoto. A culpa foi sua por tudo isso ter acontecido, ou então nem teríamos que ter dado essa festa em primeiro lugar! Agora faça o que eu mando e tenta compensar por aquilo que você fez! Eu tenho um plano, pula na piscina, dá uma de Tarzan ou sei lá que herói que você queira e “salva” aquelas duas loucas! AGORA!

Não tendo outra alternativa, Sasuke afastou os convidados da frente, chamando atenção de todos e virando as câmeras fotográficas para si. Pulou dentro da piscina e se colocou no meio das duas mulheres. Percebeu que a briga era entre uma convidada e uma garçonete. A primeira era esposa do Sr. Tanaka, um amigo e sócio de seu pai que de quem ele nunca particularmente gostara. Já a garçonete não pode identificar, já que todas estavam de cabelos presos e usavam a mesma roupa.

Levou algum tempo para separá-las, pois ao chegar a garçonete pressionava a cabeça da madame Tanaka dentro da água, enquanto esta usava as mãos para puxar o cabelo da servente. Sasuke tirou a cabeça da convidada de debaixo d’água com uma das mãos, fazendo-a recuperar o fôlego, enquanto com a outra impedia a servente de ir para cima dela de novo.

– Acalmem-se, vocês duas! – ele gritou. De repente, um silêncio tomou conta do local. Os convidados que assistiam àquilo olhavam fixamente para a piscina querendo saber o que iria acontecer, a família Uchiha olhava para Sasuke e depois para Fugaku sem entender, ao que ele apenas os acalmava com um aceno de mão. Os fotógrafos não paravam. A Sra. Tanaka, depois de poder respirar novamente, começou uma gritaria.

– Essa garçonete de quinta não sabe o seu lugar nessa festa! Me provocou e me atacou, quase me matou afogada! Espero que ela e todo esse comitê de comida sejam jogados na rua! Nunca fui tão humilhada, uma mulher como eu nunca deveria ser submetida a um escândalo desses! – ela se soltava de Sasuke e ia em direção à borda da piscina, sendo ajudada por seu marido a sair da água, não parando de falar – Espero que o senhor me pague pelo que aconteceu aqui, Uchiha, porque isso não vai ficar assim... – e ela continuava, mesmo com seu marido tentando aquietá-la.

Apesar de os xingamentos da mulher se direcionarem a garçonete que estava sendo contida pelo Uchiha mais novo e de seu chefe ter acabado de desmaiar vendo tamanho barraco envolvendo um de seus funcionários, ela não havia prestado atenção em nada disso. Na verdade estava em transe. O que havia acabado de fazer? Pensava ela, e olhava para o jovem moreno a seu lado. Seus cabelos róseos estavam emaranhados naquele rabo de cavalo molhado, seus olhos verdes mostravam desespero. Ela continuava em transe, sem saber direito o que faria a seguir. Nem notou que Sasuke se virava para ela e a encarava com uma expressão cautelosa e impaciente, como se temesse que fosse o próximo a ser empurrado para dentro d’água.

No momento em que se virou, ele logo a reconheceu como sendo a garçonete que o havia servido o filé de frango e ficado de cabeça baixa por alguma estranha razão. Isso por causa de seus cabelos. Ele já havia notado que eram róseos quando ela o serviu, e nunca tendo visto tom de cor assim em nenhuma outra pessoa, soube já de quem se tratava. Ela olhava para ele, mas parecia não enxergá-lo. O olhar dela estava fixo nele, mas distante, como se pensasse em outra coisa, algo que a preocupava. Estava escuro, mas mesmo assim ele havia notado a cor verde-clara brilhante daqueles olhos arregalados.

– Ei, você tá bem? – aquilo pareceu tê-la acordado. Ela mexeu a cabeça de leve e o olhou de novo, agora sim o enxergando – Quer ajuda para sair da água?

Ela não respondeu, e aquilo o irritou. Ele já estava prestes a sair da piscina, mas seu pai o impediu.

– Volta lá e carrega a moça! Anda menino, ela nem consegue se mexer!

Sasuke xingou mentalmente e virou-se com cara de emburrado. Realmente, a garçonete ainda não havia saído do lugar e estava com o mesmo olhar perdido.

– Merda. – ele murmurou, e foi até onde ela estava, pegando-a no colo sem que a mesma reagisse, levando-a para fora da água e saindo ele mesmo depois, sem que os flashes intensos parassem.

Sakura foi socorrida pelas outras garçonetes e pela Sra. Uchiha, que lhe levava uma toalha branca. Rie apoiou um dos braços da rosada em seus ombros e a carregou até a cozinha, sem a visão dos convidados, onde a colocou em uma cadeira enquanto ajudava-a a se enxugar.

Lá fora, a confusão havia diminuído. Yusuke Uchiha se apoderou do microfone no pequeno palco montado e pediu a todos que se acalmassem, fazendo uma piada de “essas coisas acontecem nas melhores famílias” e dizendo para continuarem a festa, finalizando com outra piada de “agora que as coisas esquentaram, não podemos parar”, arrancando risadas de todos e convidando a banda a subir ao palco novamente. Aos poucos, os convidados se acalmaram, a festa voltou ao normal e a Sra. Tanaka recebeu um vestido emprestado da Sra. Uchiha, querendo mandar despedir todo o comitê de comida imediatamente. Madoka Uchiha repreendeu-a e disse-lhe para se comportar, pois o papel mais constrangedor era o que ela, por ser uma mulher de classe e famosa, havia feito, fazendo a madame se calar, emburrada.

Itachi acalmava Ooki, dizendo que estava tudo bem, que a festa iria continuar e que ele não precisava se preocupar com nada. Depois disso, os Uchiha se reuniram perto de Fugaku, que terminava de conversar algo com os fotógrafos e jornalistas que cobriam o evento, querendo saber o que ele havia pensado ao mandar Sasuke apartar a briga.

– Foi um jeito que eu vi de amenizar o escândalo. – respondeu ele.

– Como assim? – perguntou Itachi, olhando para Sasuke ao seu lado, sentado em uma cadeira e ainda molhado.

– Conversei com os fotógrafos e jornalistas responsáveis pelo registro da festa. Ofereci uma quantia extra se eles manipulassem um pouco os fatos sobre essa briga.

– Você os subornou, querido? – Mikoto o olhava com cara de reprovação.

– Eu não tive alternativa! E não foi bem um suborno, só ofereci mais dinheiro se eles prometessem fazer dessa briga estúpida um ponto positivo da festa. – vendo que os outros não entendiam, ele deu um suspiro e continuou. – Pedi a eles que registrassem isso não como um escândalo, mas como um ato heróico vindo da família. Eles concordaram em publicar que uma das garçonetes havia acidentalmente tropeçado e caído na piscina, e no desespero, havia levado uma convidada junto, e quando parecia que as duas estavam se afogando, Sasuke pulou na piscina e as salvou.

– E você acha que vão acreditar nisso? – perguntou Itachi soltando um riso de deboche. – Além disso, como sabe se os fotógrafos vão cumprir a parte deles do trato? Sem falar que alguém que esteve aqui pode desmentir isso em alguma entrevista.

– Já chega Itachi. – interrompeu Fugaku. – Os fotógrafos bem sabem que se não cumprirem, posso destruir a carreira deles em um estalar de dedos. E os convidados não irão desmentir nada, caso contrário também terão seu prestígio diminuído por terem ido a uma festa com escândalos. Principalmente o Tanaka e a lombriga da esposa dele.

– E como está a garçonete? – perguntou Sasuke. Ele não sabia o quê, mas algo naquela jovem de cabelos róseos e olhos verdes havia chamado sua atenção. Não somente na aparência, mas no jeito em que ela ficou assim que ele apartou a briga. Afinal, em um momento estava quase matando a Sra. Tanaka afogada, e em outro nem conseguia se mexer. Para ele, alguma coisa nisso tinha.

– Ela está na cozinha se enxugando, vou ver se precisa de algo. – respondeu Mikoto, indo para a cozinha.

– Bom, o pior já passou. Ainda são uma e meia da manhã. A festa pode prosseguir por mais algum tempo. – concluiu Fugaku olhando no relógio, e em seguida para Sasuke. – Você não vai ficar com essa roupa molhada até o fim, não é?

Foi a deixa para o rapaz sair da multidão com uma expressão de tédio enquanto era seguido por alguns olhares dos convidados até a entrada da casa, indo se trocar.

Na cozinha, Sakura parecia já estar voltando a si, acalmada pelo resto dos seus colegas, tentando agir normalmente enquanto afastava seus pensamentos para uma hora em que se encontrasse sozinha. Mikoto gentilmente chamou sua atenção.

– Como você está, querida? – Sakura a olhou assustada, logo percebendo que era a esposa do chefe Uchiha. Não pode deixar de notar a semelhança entre ela e Sasuke. O que a deixou um pouco mais nervosa, não queria pensar nele agora.

– Ah, estou melhor, obrigada. Peço mil desculpas, Uchiha-san, faço qualquer coisa para que não demitam o Ooki...

– Não se preocupe com isso. Até onde sabemos, tudo foi um acidente.

– Como assim?

– Só não se preocupe com isso, querida. Jamais demitiríamos Ooki e seus funcionários tão bem capacitados. Só vim ver se estava bem. – Sakura se impressionou com a gentileza e delicadeza daquela mulher que nem a conhecia e em cuja casa havia feito o maior escarcéu. Até ficou com um pouco de dó de ter roubado seu filho.

– Estou ótima, obrigada. Mais uma vez, mil desculpas. Se a senhora quiser, vou embora agora mesmo e...

– Não precisa chegar a tanto, querida! A festa não acabou e ainda há muitos vinhos a serem servidos. Você só precisa trocar essa roupa molhada, ou então vai pegar um resfriado.

– Não temos uma roupa de garçonete extra, Uchiha-san. – Yumi entrou na conversa, tentando chamar atenção, com um tom de voz preocupado.

– A Srta...

– Sak... Maya. – Depois desse escândalo, ainda quer revelar seu nome verdadeiro, sua idiota? Sakura pensava consigo mesmo depois de se corrigir.

– A Srta. Maya poderá usar a roupa de uma das nossas garçonetes, já que elas estão de folga essa noite. É um pouco diferente, mas não tem importância. Se você não se importar em me acompanhar até lá dentro...

– Vou molhar sua casa... – disse Sakura tímida.

– Não tem problema, Maya-san. Só não pode ficar nesse estado. Vamos. – dizendo isso, ela fez um gesto para Sakura segui-la até o interior da casa, no quartinho afastado em que eram guardadas as roupas das empregadas, cozinheiras e garçonetes particulares da família.

Sakura, hesitante, seguiu a Uchiha para dentro da casa, não sem antes desviar alguns olhos para si. Tudo o que ela fazia era cobrir a cara o máximo quanto podia. Ainda não estava acreditando que havia sido tão burra a ponto de provocar tudo aquilo. No entanto, esses pensamentos logo foram desviados assim que ela adentrou na mansão.

Percebeu que estava em uma grande copa, com uma grande mesa de madeira no centro. Azulejos azul-claros cobriam as paredes, e um lustre enorme banhado a ouro estava bem em cima da mesa. Podia ver uma porta adiante aberta, mostrando um pouco do resto da mansão. Sakura não teve muito tempo de ver, pois a Uchiha a guiou por um corredor estreito, indo até um quarto pequeno, mas que ainda sim era uma suíte. Havia duas camas com lençóis brancos arrumados e duas cômodas ao lado das camas. Mikoto abriu a primeira gaveta de uma das cômodas e retirou uma roupa de garçonete, pedindo a Sakura para usar o banheiro ao lado para se trocar.

A rosada assim o fez, trocando de roupa. Era basicamente o mesmo uniforme: um camisete branco de botões, mas ao invés de ser ¾, era de manga curta. A calça também era preta, mas de um tecido mais leve que a que estava usando e mais justa em toda a sua perna. No pé, uma bota de cano não muito alto, com um salto pequeno. A bota havia ficado meio larga nos pés de Sakura, mas não havia necessidade de informar isso.

– Estou pronta. Mais uma vez, muito obrigada Uchiha-san, e me desculpe pela bagunça que causei.

– Não precisa agradecer, Maya. E não se preocupe, todos viram que foi a Tanaka quem começou a briga. – falou isso com uma piscadela para a rosada, que quase se arrependeu de ter roubado tanto dinheiro daquela mulher tão gentil. Quase. Afinal, ela ainda tinha muito mais, apesar de se vestir e agir com simplicidade. – Vamos voltar?

Sakura deu um aceno de cabeça e elas começaram a percorrer o corredor, levando-as novamente até a copa. Quando Sakura pensou que nada mais poderia acontecer nessa noite já tão arruinada, eis que, ao chegar ao cômodo, um moreno alto de olhos ônix e cabelos molhados e arrepiados para trás também chegava.

– Sasuke, vejo que acabou de trocar de roupa também. – disse Mikoto.

– Hum. – Sasuke respondeu, e logo seu olhar se prendeu àquela atrás de sua mãe. Nessa mesma hora, a rosada, já nervosa novamente, desviou o rosto, fingindo coçar uma das bochechas. Tudo para não encontrar aquele olhar frio e penetrante de novo. Tudo para não arriscar ser reconhecida – se é que já não havia sido – por aquele no qual ela tinha deixado cicatrizes no pescoço.

Alguma coisa estava errada naquilo. Sasuke tinha essa sensação enquanto continuava olhando para a garçonete de cabelos rosa agora com outra roupa, enquanto ela desviava o olhar do seu mais uma vez. Por que ela o evitava? Nunca tinham se conhecido. E não era normal uma mulher desviar-lhe o olhar.

Com certeza, alguma coisa estava errada naquilo, continuava pensando enquanto abria a porta para se juntar a festa novamente, seguido de sua mãe e da garçonete, e ele iria descobrir o quê.

I got a brand new attitude

And I'm gonna wear it tonight

I'm gonna get in trouble

I wanna start a fight

Estou com uma nova atitude

E vou usa-la essa noite

Vou me meter em encrenca

Quero arrumar uma briga

Pink – So What

Notas finais
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