Broken Wing - Aprendendo A Voar
27 Capítulo 27 - Salva por um Itachi
Notas iniciais
Ele me indicou o caminho para o escritório e eu o segui, relutante. Era agora ou nunca.
I'm waitin', waitin' for nothin'
You're leavin', leavin' me hangin'
When did your heart go missin'?
Estou esperando, esperando por nada
Você está me deixando, me deixando esperando
Quando seu coração se perdeu?
Sakura’s POV
Entrei no escritório, no mesmo onde nos encontramos depois de eu ter aceitado a missão. Adotamos a mesma posição daquela vez também, eu apoiada na mesa olhando para ele e ele apoiado na porta fechada, olhando para mim.
– Poderia deixar a porta aberta, por favor? – tentei parecer educada.
– Para você fugir? Não. – idiota. Pensei que seria mais fácil trata-lo com respeito. Suspirei e continuei olhando-o. Eu não seria a primeira a falar.
O problema é que ele também parecia não querer falar primeiro. De modo que passamos os 10 primeiros minutos em silêncio, olhando um para o outro. Ou para os cantos da sala. Enquanto isso, eu tentanva ignorar as borboletas do meu estômago, que pareciam estar voando a mil lá dentro.
– Bem, eu começo então. – ah não, ele iria começar. – Por que quando voltou para cá, começou a me tratar como se eu fosse a pessoa mais horrível do universo? – ele me olhava diretamente.
– Próxima pergunta. – falei seca. Eu não iria responder que era porque eu estava com medo de meus sentimentos por ele voltarem.
– Sakura, não dificulte isso desde agora. – ele falou frustrado.
– Isso nunca foi fácil. – respondi, também olhando diretamente nos olhos negros dele. Silêncio constrangedor número 1.
– Você disse que me ouviria.
– Estou ouvindo.
– E também prometeu que me contaria tudo.
– Hum, não cheguei a prometer. – ele me olhava frustrado. Por fim, cruzou os braços e encostou na porta. Silêncio constrangedor número 2.
– Na sua última noite em Konoha. – ele começou de novo. – Antes de você ir embora. Você estava na casa dos meus pais. Houve um pequeno brinde. Depois eu esperei todos dormirem e fui ao seu quarto. – eu me lembrava completamente daquilo, mas prometi a mim mesma manter meu rosto impassível. – E nós transamos. Vai negar isso?
– Não, não adiantaria negar o crime para o cúmplice. – respondi simplesmente. Não se lembre daquela noite, Sakura, não se lembre.
– Naquela noite eu pedi que você admitisse que havia se apaixonado por mim.
– O que eu não fiz. – cortei-o. – Vai negar isso? – imitei-o, tentando parecer superior, mas ele deixou escapar um sorriso de canto de lábio.
– Não vou negar.
– Então acho que não há muito o que conversar, não é? – cheguei onde eu queria e o vi lançar a mim um olhar confuso e suspeito.
– Como assim? – ele desencostou da porta, ainda de braços cruzados, em uma posição de defesa.
– Bem, se eu nunca disse que gostava que você e você também nunca disse que gostava de mim, nossa “relação” – eu imitei as aspas com os dedos – tecnicamente nunca existiu.
– Eu disse mais de uma vez que gostava de você! – agora ele havia descruzado os braços e adotado uma posição de ataque. Calma, Sakura. Vá com calma.
– Mas essa palavra não tem muito significado para você, não é? – agora foi a minha vez de cruzar os braços e olhá-lo acusadora.
– Como assim? Acha que menti?
– Não, mas enquanto você gostava de mim, também gostava de muitas outras.
– Isso é ciúme?
– Não me venha com esse papinho de ciúmes, Uchiha. Nós nunca começamos um relacionamento oficial. Ninguém sabe sobre a gente.
– Eu sei. Você sabe. Ino sabe. – ele atirava em mim cada uma dessas palavras. Bem, eu tinha um escudo.
– Eu sei, você sabe e Ino também sabe que isso tem que acabar. Foi para isso que ela me convenceu a vir aqui em primeiro lugar. Estamos aqui, Uchiha, para acabar o que nunca começamos. – silêncio constrangedor número 3.
– Então é isso? Acabou? – ele disse depois de alguns minutos. Eu dei um suspiro.
– Para o nosso bem, nunca começou, Uchiha. Eu te disse desde aquela época. Não vou ficar aqui para sempre e você não vai parar de se relacionar com outras garotas. Nem sei por que ainda estamos aqui discutindo. – silêncio constrangedor número 4.
– Se aquilo nunca aconteceu entre a gente – ele insistiu – por que me tratou tão mal quando voltou para cá? – a mesma pergunta do começo da conversa? Droga, eu não iria responder. Revirei os olhos. – Sakura, responda. Você não tinha motivos para me tratar daquele jeito.
– Uchiha, já te passou por essa cabecinha que eu poderia apenas estar estressada naquele dia?
– Eu te conheço, Sakura. – gostaria que ele parasse me chamar pelo nome. Eu fico... ansiosa. – Sabe, é isso o que eu não entendo. Eu sei que você gostava de mim antes, você nem precisava falar, aquela última noite já disse o bastante por você. – como ele se atrevia a falar daquele jeito comigo?
– Eu não disse porque não era verdade! – levantei a voz, descruzando meus braços. Agora eu estava em posição de ataque. – ele massageava a ponte do nariz com os dedos, como se tentasse desestressar.
– Certo, vamos apenas supor que não fosse verdade. Não brigamos naquela noite. Não prometemos vingança. Por isso você não tinha motivos para voltar aqui me apedrejando. Saiba que é sua culpa precisarmos ter essa “conversa” – ele apontou para mim acusadoramente. – Se você tivesse me tratado como uma pessoa normal desde o começo e não como o ser mais repugnante do planeta, teríamos evitado tudo isso. – ele estava perto demais de mim. E eu estava puta demais com ele. Coloquei-me de pé e avancei para perto dele.
– Quer saber por que eu te tratei como lixo? Quer saber por que eu não queria voltar a te ver?
– É o que mais quero agora. – estávamos muito próximos. Nossas respirações pesadas, nossos olhos em fúria. Mas eu sinto que havia feito o movimento errado. Que desculpa eu daria agora? – Diga, Sakura. Estou esperando o motivo. – ele me pressionava.
Desviei meu olhar do dele e andei em direção à janela, ficando de costas para ele.
– O motivo não importa. – foi só isso o que conseguiu dizer, Sakura? Às vezes tenho que concordar com Ino, eu era uma testuda desmiolada.
– Como assim não importa? É a razão de estarmos aqui! – ouvi a voz dele vindo de trás de mim. Estava tentando pensar em algo para responder, mas o célular dele tocou. Estou salva.
– Não vai atender?
– Você bem que gostaria. Mas não. – o toque parou e eu o amaldiçoei mentalmente. Tocou de novo. E de novo.
– Parece que é uma ligação importante. – falei inocentemente, me virando para ele. Ele me olhava com muita raiva. – E se for algo sobre a empresa, sobre sua família? – a família dele que me desculpe, mas eu ficaria muito grata se algum problema com ela me impedisse de responder a pergunta dele. Ele finalmente atendeu, sem retirar os olhos de mim.
– O que foi, Itachi? – ele estava com muita raiva, percebi pela voz. Itachi, você é meu salvador. – Estou ocupado agora. Sim, estou muito ocupado. Não é da sua conta! – eu observava-o conversar com o irmão enquanto os olhos dele não saíam de mim. – Resolva isso sem mim. Ele disse o quê? – parece que a o problema de Itachi era sério. De novo, obrigada Itachi, e me desculpe por ficar contente com seu problema. O Uchiha estava ficando cada vez mais irritado. – E como isso aconteceu? Não, eu não posso ir agora. Já disse que não é da sua conta! E quem disse isso? Itachi, não podemos resolver isso depois? – nesse ponto Itachi começou a gritar do outro lado da linha. – Tá bom, seu idiota, eu vou! Mas depois! – agora foi tão alto que o Uchiha teve de afastar o celular da orelha e eu ouvi a voz do Uchiha mais velho “Vem agora, desgraça!”. E desligou abruptamente. Tentei esconder minha cara sarcástica de “que peninha”, mas não consegui.
– Parece que nossa conversa acaba aqui, Uchiha. – ele me olhava furioso.
– Não vai ser tão fácil assim fugir, Sakura. Essa conversa ainda não acabou. – ele apontou o dedo para mim e me olhou ameaçador. Revirei os olhos, entediada. Quem ele pensava que estava assustando?
Ele abriu a porta e eu fiz menção de sair do escritório também, mas ele barrou minha passagem com seu braço firme e suas costas largas. Olhei para ele, incrédula.
– O que, vai me manter de refém aqui até voltar? – ergui uma sobrancelha em tom de deboche, e posso jurar que ele estava seriamente considerando fazer isso. – Uchiha, não aprendeu nada sobre mim? Não vai conseguir me manter aqui. – ele sabia que era verdade, pois no momento em que ele saísse, eu ia derrubar a porta e pular o portão.
Ele me deixou passar, e eu encontrei Ino com a criança na cozinha.
– Oi Sakura! – a menininha disse assim que me viu. Só acenei brevemente e ignorei o olhar curioso de Ino na minha direção.
– Eu vou precisar sair um pouco. – o Uchiha avisou as duas. – Não sei a hora que volto. – em seguida ele se virou para mim. – Isso ainda não acabou, Sakura.
– É o que vamos ver. – sussurrei tentando me manter impassível. Ele saiu batendo a porta e eu aproveitei para dar um grande suspiro de alívio. Fui salva! Ino veio correndo até mim, seguida de Meiko.
– O que aconteceu? Vocês não conversaram?
– Mais ou menos. – respondi.
– Onde o Sasuke foi? – perguntou a criança, me olhando.
– Não sei. Para algum lugar bem longe, espero. – falei me distanciando.
– Espera, Sakura, não conseguiu falar com ele? – ah, eu não tinha paciência para lidar com Ino agora.
– Nós nos falamos! Pronto!
– Mas ele disse “ainda não acabou”.
– É, não terminamos de conversar. Aquela ligação salvou minha vida. – falei abrindo a porta. Eu ia era dar o fora dali.
– Mas vocês vão continuar, não é?
– Espero que ele se esqueça. – falei esperançosa. Como se isso fosse acontecer.
– Sakura, não fuja! – ela me disse antes de eu abrir o portão.
– Não vou fugir, ele é quem teve que sair. Até mais Ino, até mais menininha. – fui me afastando da casa, ignorando os gritos de Ino.
Realmente, fui salva. Mas o que deu em mim naquela hora? Eu estava prestes a dizer que estava apaixonada por ele! Sakura, sua idiota.
Cheguei até meu carro e fiz o caminho de volta ao meu apartamento. Já estava escurecendo. Eu precisava de um bom banho e de alguma coisa para comer. E não precisava mais de Uchihas por hoje.
****
Narração em terceira pessoa
Ele chegou ao lugar marcado, um tanto cheio demais para seu gosto. Não entendia por que havia sido chamado ali ou a urgência com o que o encontro foi marcado. Reconheceu o colega e sentou-se em uma mesa bem no centro da praça de alimentação. O outro colega chegou em seguida.
– E então, bichinha? – ele começou, retirando os óculos escuros. – Vai dizer por que nos chamou em um lugar público a essa hora? Pensei que tivesse ronda noturna para fazer hoje. – não estava com paciência para aturar as frescuras do outro.
– Fui dispensado. – respondeu Yoda, tomando um grande gole de cerveja. – Então resolvi antecipar nossa reunião de amanhã a noite para hoje.
O último membro do grupo sentou-se de supetão na mesa.
– Quase não achei vocês nesse monte de gente. – Aloka respondeu. – Por que não combinamos no local de sempre?
– É, bichinha. Espero que tenha uma boa explicação para escolher um lugar desses. – Sugu havia tirado um maço de cigarros do bolso, e estava prestes a acender um.
– Você não pode fumar aqui. – Yoda disse de repente. – É um lugar fechado, é probido. – arrependeu-se na hora, pois Sugu lhe deu um olhar tão assassino que Martinez e Aloka, sentados um de cada lado, se encolheram. Martinez tentou mudar de assunto.
– Yoda, diga logo por que nos chamou aqui e não na sua casa. Isso é só paranoia sua?
– Eu já disse, fui liberado da minha ronda noturna e resolvi antecipar nossa reunião para hoje a noite. E também... eu fiquei com receio de fazer essa reunião em casa.
– Por quê? – Martinez perguntou.
– Talvez seja só um mau pressentimento, mas quando cheguei em casa do trabalho, notei que meus vizinhos estavam me observando.
– Seus vizinhos? Aquele casal de velhos gagás ou aquela prostituta com filho? – perguntou Sugu, em tom de deboche.
– Os Amano. – Yoda respondeu.
– Vá a merda, Yoda. Não dá para foder um casal de velhinhos. – Aloka completou rindo. Sugu estava nervoso.
– Vai nos dizer que nos chamou aqui por causa de dois velhos caducos te encarando? – o olhar dele era intenso e perigoso.
– Aquilo não foi normal. – Yoda tentava se defender. – Eles nunca me olharam daquele jeito antes! Nunca os vi com a cara para fora da janela. E quando eu cheguei, lá estava aquela velha, me observando, me vigiando, como se esperasse alguma coisa acontecer. Como se soubesse de alguma coisa.
– Eu vou embora. – Sugu se levantou. – Antes que eu te espanque por perder meu tempo.
– Não, espera aí, Sugu. – Martinez chamou a atenção do outro, com o olhar pensativo. Sugu sentou-se nervoso. – Não foi essa a velhinha que você viu daquela vez, Aloka?
– Hum? – Aloka respondeu com sua voz esganiçada. Sugu o pegou pelo colarinho.
– Ainda tá drogado, moleque? Quer que eu te faça entrar em abstinência com meu punho?
– Sugu, acalme-se, estamos em um lugar público. – Martinez chamou a atenção de Sugu, tentando ser discreto. O líder do grupo libertou Aloka.
– Aloka – Yoda retomou a conversa – você viu meus vizinhos em alguma situação?
– Bem – Aloka parecia fazer esforço para se lembrar – só uma vez, e não tenho certeza se eram eles.
– Conta logo, desgraça! Onde você viu os velhos? – Sugu apressou.
– Foi no ano passado, quando estávamos com os gêmeos no porão do Yoda.
– Fala mais baixo, imbecil! – Martinez disse em um sussurro. Aloka obedeceu.
– Na noite em que o Sr. X veio busca-los, eu o ajudei a coloca-los no porta malas, lembram? Já que eram duas pessoas. Eu fui até a rua carregando um gêmeo e na minha frente o Sr. X carregava o outro. E enquanto ele o colocava no porta-malas, fiquei com medo de que houvesse alguém na rua e comecei a olhar para os lados. E eu vi alguém olhando da casa dos velhinhos diretamente para mim. – Aloka terminou e a mesa ficou em silêncio.
– Por que não nos avisou, imbecil?
– Porque... porque... – Aloka parecia um rato guinchando por piedade. – Porque eu pensei que estivesse imaginando coisas. Quer dizer, em um momento a velha estava lá, depois eu pisquei e ela tinha sumido! E as luzes da casa estavam apagadas, eu pensei que havia visto coisas. E se eu contasse, pensei que vocês não iriam acreditar em mim. – Aloka se encolheu em sua cadeira. Os outros três se olharam preocupados.
– Isso aconteceu faz tempo. Se alguma coisa fosse acontecer, já teria acontecido. – Sugu retomou a conversa. – Como o idiota mesmo disse, pode ter sido tudo imaginação.
– Mas e se não foi, Sugu? – Yoda estava apreensivo. – Só eu sei o arrepio que senti quando aquela velha começou a me olhar. E depois o velho do marido dela se juntou e começou a me olhar também. Eles não paravam de me encarar. Nem quando eu entrei na casa eles foram embora! Olhei da janela e lá estavam eles! Olhando. E eu tenho motivos para acreditar na história do Aloka. Quando eu conversei com minha vizinha prostituta, que também é vizinha dos Amano, ela me disse que a velhinha tem insônia! Ela podia muito bem estar acordada naquela noite e ter visto Aloka e o Sr. X carregando as crianças. E pode ter visto nas outras noites também!
– Calma, Yoda. Não perca o controle aqui.
– Por que a velha iria esperar esse tempo todo se fosse nos denunciar? – Sugu sugeriu. – Estão com medo de duas pessoas que precisam de fraldas para cagar.
– Espere, Sugu, isso parece preocupante. Se a velha esteve nos observando todo esse tempo, ela teria um grande testemunho contra nós. Mas você disse que foi a primeira vez que a pegou te olhando hoje, Yoda?
– Sim, eu nunca a havia visto daquele jeito. Parecia que ela havia descoberto alguma coisa e estava esperando a hora certa para me atacar. E nós ainda não conseguimos encontrar a Pombinha.
– Realmente, aquela criança pelas ruas pode se tornar um problema para nós. Se ela encontrar alguém e resolver abrir o bico... – Martinez estava pensativo.
– Vocês não acham que... ela encontrou a velhinha e disse sobre nós para ela, não é? – Aloka perguntou com medo.
– Isso seria um problema. – Martinez concluiu. Até Sugu estava preocupado.
– Certo, vamos somente supor que a velha nos pegou no flagra uma noite dessas – ele começou – e que por algum milagre, a filha do Okazaki tenha parado nas mãos dela e contado tudo. É só irmos até lá, matarmos os velhos e estriparmos a menina.
– Sugu, vamos falar sério aqui!
– O que foi, Martinez? Fizemos isso com os Okazaki, não foi?
– Silêncio! Alguém pode nos ouvir. – Yoda falou.
– Yoda, eu sei que você está preocupado, mas não há muita coisa que possamos fazer. E se tudo isso for só coisa da sua paranoia?
– E se não for? E se aquela menina encontrou ajuda naqueles velhinhos? Ou em outra pessoa?
– Outra pessoa? Está falando de quem exatamente, Yoda? – Yoda olhou para os três companheiros de forma curiosa e suspeita. Parecia que finalmente havia chegado ao ponto onde queria chegar.
– Não é a toa que eu sou um policial, sabem. Eu sou um bom observador. E sou bom em ligar os fatos.
– O que quer dizer, Yoda? Está me assustando. – Aloka interrompeu.
– Primeiro o desaparecimento da filha do Okazaki do meu porão. Depois uma pessoa vai até a delegacia descrevendo uma criança com a aparência da Pombinha. Depois um colega de trabalho disse que conversou com alguém sobre a minha participação no caso do assassinato da mesma família. Depois esses velhos me observando.
– Alguém foi à polícia descrevendo uma menina parecida com a filha do Okazaki? Quem? – Martinez perguntou.
– No começo, pensei ter sido apenas um relato de roubo, mas agora acho que há mais nessa história. Os fatos estão muito próximos para serem mera coincidência. – Yoda continuou.
– Quem é a pessoa que foi na delegacia? – Yoda olhou para os quatro, antes de sussurrar.
– Sasuke Uchiha.
****
Sakura’s POV
Sinceramente, estou decepcionada com os filmes de terror modernos. Não tem mais história, não tem mais coisas bizarras, só alguns sustinhos de minutos em minutos. Desliguei a TV frustrada depois de desistir de assistir “A Órfã” e fui até a geladeira procurar algo para comer. Batia com os dedos em meus cabelos recém-lavados para retirar um pouco da umidade. Meu secador resolvera queimar justo nessa noite, e eu não tinha um reserva. Fechei a geladeira, levando um pote de sorvete para a mesa, me sentando e começando a comer. Depois de um dia desses, eu bem merecia algumas colheradas.
O lugar estava silencioso e a rua quase sem movimento. Era quase meia-noite. Meus pés descalços estavam gelados por andar no chão frio. Guardei o que restou do sorvete na geladeira e coloquei a colher dentro da pia. Amanhã eu a lavaria. Não estava esperando visitas, por isso foi uma surpresa quando ouvi a campainha tocar.
Fui perto da porta, cautelosa. Esqueci de colocar os sapatos. A campainha continuava tocando.
– Sakura, atende, eu sei que está aí! – ai meu Deus, era ele! O que ele estava fazendo aqui? E a essa hora! Ele começou a bater na porta. – Sakura, abre!
– O que pensa que está fazendo, Uchiha? – gritei pelo outro lado da porta. – Sabe que horas são? Volta pra sua casa!
– Não até terminarmos aquela conversa! – ouvi sua voz abafada pela porta, na qual ele continuava batendo.
– Está louco, não vou conversar com você agora! Amanhã a gente termina. – ele era louco, só podia ser.
– Sakura, vai ser agora ou nunca. – sério que uma das opçõs era “nunca”? – E vai ser agora! – ei, por que ele havia decidido sozinho?
– Uchiha, para com isso! Já é tarde, os vizinhos desse andar vão reclamar. E os de baixo também! – ele tinha que sair dali, por favor.
– Abre a porta, Sakura! Não vou parar de bater até abrir.
– Então você vai ficar aí a noite inteira.
Foi fácil ignorá-lo no começo, mas depois de uns 5 minutos, começou a irritar.
– Chega de bater na minha porta, Uchiha! Já falei que amanhã conversamos!
– Não, você não vai mais me evitar. Posso ficar a noite inteira assim se for preciso, Sakura!
– Não grite, sua criatura insana! – falei irritada. Ele estava me irritando.
– Sakura! Sakura! Sakura! – aaaah merda, alguém cale a boca daquele moleque! Tapei os ouvidos e tentei ignorar o barulho da voz dele e as batidas na porta, mas era impossível. Merda, ele havia vencido.
Abri a porta de supetão e o encarei com o olhar mais assassino que consegui.
– O que você pensa que está fazendo aqui? – falei entre dentes. Ele afastou a porta e começou a invadir minha casa. De novo. – Ei, eu não te convidei para entrar. – fechei a porta e me virei para ele, que usava as mesmas roupas de quando nos vimos hoje a tarde.
– Vamos terminar aquela conversa agora Sakura. Eu disse que não havia acabado.
I gotta know if you're the one that got away
Even though it was ever meant to be
Preciso saber se você é aquela que escapou
Mesmo que era para ser assim
Rooney – When Did Your Heart Go Missing
Green Day – Stay the Night
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