Notas iniciais
Desculpem não ter postado ontem, eu não estava em condições para isso '-'. Boa leitura :)

Então era aquilo. Não importava se os dois se gostavam ou até se haviam se apaixonado. Sakura iria embora, iria fugir, como Sasuke preferia dizer, e não ira mais voltar. Por enquanto. “Enquanto você puder me encontrar, não haverá problema”. Era só o que ele pensava enquanto a fazia gemer de novo.

Sasuke’s POV

Eu sabia que não deveria estar pensando nela enquanto estou aqui. Já faz quase um mês desde que Sakura se foi, já era para eu ter superado aquilo. Sabíamos que aquela poderia ser a última vez, mas eu torcia para que não fosse. Queria encontrá-la e queria tê-la novamente. Não, eu não estava apaixonado, era só... bem, eu só queria encontrá-la porque tínhamos uma conexão, nos entendíamos sem sermos melosos e românticos apaixonados. Eu sentia falta dela. Merda, odiava admitir isso.

Estou aqui, na “Into the Groove”, aquela boate que inaugurei com Suigetsu no ano novo. Os negócios aqui iam muito bem. O clube estava sempre lotado, os clientes, sempre satisfeitos e estávamos ganhando muito dinheiro. Não tanto quanto eu ganhava na empresa, mas o suficiente para me incentivar a investir cada vez mais aqui. Nas noites que eu não ficava na empresa, vinha aqui para conferir o funcionamento ou também para me divertir. Bem, eu era um dos donos, mas também podia aproveitar o clube.

Mas nessa noite em especial, eu não queria estar aqui. As dançarinas eram muito bonitas e não paravam de se insinuar para cima de mim. Geralmente eu ficaria empolgado com aquilo, mas nessa noite não conseguia me concentrar em anda além dela, apesar de ter vindo aqui justamente para esquecê-la.

Agora já tenho idade o suficiente para te esquecer em um cabaré

Em algum lugar no centro onde uma rainha burlesca pode até perguntar meu nome

Enquanto ela fica nua no palco

Estou sentado e suando a uma música dançante nos amplificadores do clube

O frequentador veterano de clubes de strip está a dois assentos de mim

Sorrindo entre goles dignos de seu daiquiri de pêssego e limão

Eu observava as luzes do clube, a música alta e as dançarinas. Lembrei do que Sakura havia me dito antes de ir embora: que eu ia encontrar uma substituta para ela na cama. Bem, não podia dizer que era mentira, mas com certeza não seriam tão boas como ela. Não pude deixar de rir. Sakura esperava que eu fosse fazer isso, não se conteve ao me dizer que no outro dia eu já estaria procurando desesperadamente por alguém que poderia “matar meu tédio”.

Não é aqui onde você me queria?

Estou exatamente onde você me queria, você sabe

Rezando por amor em uma dança erótica, e pagando com ingenuidade

Bem, era isso o que eu estava fazendo. Ou tentando fazer. Fingindo fazer. Porque eu não queria realmente estar ali. A música estava alta demais, as pessoas estavam felizes demais e eu não. Queria sair daquele lugar, estava começando a ficar com falta de ar. Uma dançarina loira de olhos verdes, mas não tão provocantes quanto os de Sakura, sentou-se no meu colo, rebolando enquanto jogava o cabelos para trás. Eu sentia que poderia morrer a qualquer momento, mas continuava fingindo interesse.

Mas temo que eu…

Bem, talvez eu tenha fingido tudo

E não teria sido pego morto nesse lugar

Eu precisava sair dali.

Bem, temo que eu…

Bem, isso mesmo! Posso ter fingido isso

E não teria sido pego morto nesse lugar

Sakura devia estar pensando que eu estaria com alguma prostituta agora. Como ela queria que fosse verdade, só para estar certa sobre mim. Mas não estava.

Não é aqui onde você me queria?

Estou exatamente onde você me queria, você sabe

Rezando por amor em uma dança erótica, pagando com ingenuidade

Isso estava certo? Por que eu não conseguia tirar aquela menina estranha de cabelos rosa da cabeça? Droga, sabíamos que acabaria naquilo. Sabíamos que não ia durar.

Rezando por amor, pagando com ingenuidade

Merda. Espero que Sakura esteja sentindo tanto minha falta quanto eu sinto dela.

****

Sakura’s POV

As luzes naquele lugar eram amareladas e estavam turvas. O quarto era grande e elegante. A cama de casal no centro parecia muito confortável. E o homem que saía da suíte naquele roupão branco não era de se jogar fora. Portanto, eu não deveria estar infeliz. Mas eu estava.

Tsunade e as Wings fizeram uma grande festa quando eu voltei ao esconderijo. Minha vida estava de volta, mas parecia que faltava uma parte dela. E essa parte provavelmente nunca seria recuperada. Minha terceira missão desde que voltara ao esconderijo é a que eu realizava essa noite, nesse quarto luxuoso e moderno. Joseph era o nome do cliente. Ele saiu do banheiro com aquele roupão branco e terminou de beber seu uísque puro, me olhando maliciosamente.

E sem delongas, me chamou para cumprir a missão. Ele era bem bonito, com seu cabelo loiro e seus olhos azuis, musculoso do tipo que faz propaganda de academia. Era o oposto dos olhos e cabelos negros nos quais eu estava pensando, sem contar que os músculos de Sasuke eram mais naturais e gostosos de se apertar. Os dele pareciam uma rocha! Quanta bomba esse cara tinha tomado?

Tentei me livrar desses pensamentos, eu precisava cumprir a missão direito: o cliente era um importante contato de Tsunade e queria se satisfazer com uma das Wings. A escolhida fui eu. Já estava acostumada com aquilo. Seria fácil. Não haveria problema. Assim que eu conseguisse tirar a imagem de Sasuke da cabeça, bem como suas palavras. “Você nunca vai encontrar alguém melhor que eu na cama”. Tá, eu não poderia pensar naquilo, mas foi inevitável.

Joseph me beijava e me jogava na cama, eu não estava empolgada. Seus toques não eram macios e possessivos como os de Sasuke, seu olhar não era o mesmo, nem seu jeito de agir.

Ainda sou eu quem te faz suar?

É em mim quem voce pensa quando está na cama?

Quando as luzes estão turvas e suas mãos estão tremendo

Enquanto você desliza seu vestido?

Então penso no que voce fez, e rezo a Deus para que ele valha a pena

Quando as luzes estão turvas e seu coração está acelerando

Enquanto seus dedos tocam sua pele

De jeito nenhum aquele cara me atraía do jeito que Sasuke fazia. Eu me sentia suja por estar fazendo aquilo com ele, e não parava de pensar em Sasuke enquanto Joseph me beijava e colocava a mão embaixo da minha minissaia.

Sou mais inteligente, tenho um beijo melhor, um toque mais sensual, um sexo melhor

Do que qualquer garoto que você encontrar, querida, você me teve

Garota, eu fui quem você olhava depois do êxtase, alguém que me merece mais

Trocar calor corporal no banco do passageiro

Não, não, não, você sabe que sempre será somente eu

Eu sabia que Sasuke estava certo. Depois de prová-lo, nenhum outro homem me faria sentir o mesmo que ele. Não adiantava Joseph lamber minha vagina, eu só fingia os gemidos. Talvez pensar em Sasuke nu me ajudasse a passar por aquilo sem nojo do que eu estava fazendo com alguém que não era ele.

Vamos fazer esses jovens corações baterem mais rápido, mais rápido

Então garotos testosterona e garotas arlequim

Vocês dançarão nesse ritmo enquanto abraçam seus amantes?

Pensar em Sasuke estava me ajudando a lidar com aquilo. Pensar nele, na voz dele, no sorriso malicioso dele, no olhar dele, no corpo dele, no beijo dele... tudo aquilo me fez inconscientemente pensar que era Sasuke quem me fazia sexo oral agora, e não Joseph.

Acho que voltamos a nós, câmeras, ajeitem o foco!

No caso de eu perder minha linha de pensamento, onde estávamos mesmo?

Joseph abaixou as calças e empurrava minha cabeça contra seu membro ereto, me convidando a chupá-lo. Dessa vez voltei para a realidade, não era Sasuke ali na minha frente, pois eu nunca havia feito sexo oral em Sasuke. De repente senti nojo de colocar na boca o pênis daquele homem pretensioso, e me segurei para não vomitar. Ele, vendo que eu não me mexia, me segurou pelos cabelos enquanto me forçava a fazer aquilo. Não posso vomitar, não posso vomitar.

Agora me lembro, estávamos chegando na parte

Em que o choque aparece

E o ácido estomacal encontra um novo jeito de te deixar enjoada

Espero que você não tenha pretendido ter toda a atenção

Não vamos ser egoístas

Você realmente achou que eu te deixaria roubar esse refrão?

Só mais um pouco, eu pensava. Só mais um pouco e tudo isso vai acabar. Joseph já estava dentro de mim, fazendo movimentos violentos enquanto gemia absurdamente alto e esperava que eu fizesse o mesmo. A voz dele me enojava, como eu queria sair dali! Não conseguia parar de pensar em Sasuke, e como eu queria que ele viesse me resgatar. Já sentia calor percorrer meu corpo só de pensar nele.

Vamos fazer esses jovens corações baterem mais rápido, mais rápido

Então garotos testosterona e garotas arlequim

Vocês dançarão nesse ritmo enquanto abraçam seus amantes?

E Joseph estava satisfeito. Missão cumprida. Eu poderia voltar à Tsunade com mais um cliente satisfeito. Mas meu emocional estava esmagado. Merda, como eu odiava sentir tanta falta daquele moreno idiota. Odiava ver que ele estava certo no que me dizia. Merda, Shakespeare o caralho! Estar apaixonada era a pior coisa do mundo quando você não podia ficar com a pessoa, não só uma historinha triste onde os amantes ficam juntos após a morte!

Sim admito que posso estar apaixonada pelo idiota do Sasuke, e daí? Ninguém escolhe esse tipo de coisa. Era tão mais fácil quando eu só pensava em roubá-lo e matá-lo, e não de sentir o corpo dele contra o meu. Mas eu sabia que teria que conviver com a abstinência agora. Não havia mais nada que pudesse ser feito. Sasuke devia estar se divertindo com alguma garota agora, provavelmente naquele clube de strip ou sei lá o que. E eu aqui, uma completa idiota, lembrando dele, desejando ele.

Espero que Tsunade tenha outra missão para mim que não inclua sexo, quem sabe assim eu não poderia me distrair um pouco? E quem sabe, esquecê-lo aos poucos?

****

O tempo estava muito corrido para nós. Parece que quanto mais você deseja alguma coisa, de duas uma: ou essa coisa nunca vai acontecer, ou ela vai acontecer de um jeito que você não queria que acontecesse. Eu sei que eu queria missões para me distrair, limpar minha cabeça e tal. Mas eu devia ter cuidado quando desejei por isso, porque agora tudo o que eu tinha eram missões.

“Pegue o memorando do Senhor Feudal!”, “Vá até o País da Água!”, “Intercepte os contrabandistas!”, “Mate não-sei-quem!”, tudo aquilo já estava ficando insuportável de se fazer. Eu estava cansada o tempo todo, nem lembrava mais quando tinha dormido uma noite inteira, não comia direito por falta de tempo... enfim, tudo aquilo estava um pouco demais para mim. Tanto que até perdi as contas de em qual mês ou dia nós estávamos. Por isso fiz uma cara de tonta quando Ino chegou pulando em cima de mim me desejando parabéns.

– AAAAH, Parabéns, sua idiota! – a loira me derrubou no chão enquanto gritava no meu ouvido.

– O que? – eu, claro, retardada do jeito que estava, nem me toquei que já era 28 de Março. Meu aniversário. Sabia que tínhamos comemorado o de Tenten no dia 9, mas não pensei que esse mês tivesse passado tão rápido.

Depois do meu susto e de elas terem que me lembrar de que eu estava fazendo 21 anos hoje, Temari achou que era bom comemorar. Não que eu estivesse com ânimo para qualquer tipo de celebração. Mas mesmo assim, concordei em colocar um chapeuzinho ridículo de papelão e cortar o bolo de floresta branca com cereja que elas tinham mandado fazer para mim.

– Espera! – disse Tenten segurando minha mão com a faca. – Você tem que escolher um dos quatro lados do bolo para cortar.

– Por quê? – tentei não parecer grossa.

– Porque é assim que se faz! Primeiro você escolhe um dos lados e não conta pra ninguém, obviamente. Então, fecha os olhos e faz um pedido enquanto corta. Nós também vamos pensar em um pedido cada uma. Se alguma de nós acertar o lado que você cortou, nosso pedido também vai se realizar! – é incrível como Tenten parecia uma menininha de 5 anos com aqueles coques na cabeça e aquelas superstições bobas.

– Não é só para a aniversariante fazer um pedido?

– Não, Sakura! Corta logo! Tenho certeza de que vou adivinhar o lado. – até Temari, a mais sensata de nós, queria que eu fizesse aquilo? E olha que ela era a mais velha dali.

Dei um suspiro, resolvendo fazer como elas pediam. Afinal, não custava nada desejar e ter um pouquinho de esperança, né? Olhei para o bolo, tão apetitoso em minha frente. Fazia tempo que eu não comia doce. Pensei em qual dos lados cortar. Normalmente, eu nem perderia tempo e cortaria a parte da frente, mas dessa vez...

– Acertei! – Ino gritou levantando os braços assim que cortei o bolo.

– Hum... eu não. – ouvi Hinata dizendo tão baixo quanto era costume dela.

– Que droga, achei que você ia cortar a parte da frente. – Tenten parecia decepcionada.

– É, não foi dessa vez. – ouvi Temari dizendo, e logo depois dando um suspiro. Parece que só Ino tinha acertado que eu ia cortar o lado esquerdo do bolo.

– Ei, Sakura, eu sei que não se deve contar o pedido, mas quando ele se realizar, você conta para nós, né? – Ino me olhava sonhadora, enquanto eu acenava que “sim” automaticamente.

Confesso que aquilo não foi em um impulso. Porque eu pensei antes de fazê-lo. Pensei no pedido idiota que queria fazer. Pensei em Sasuke. Aquilo foi automático. Eu já estava a um tempo considerável sem vê-lo. E eu queria vê-lo, apesar de ao mesmo tempo querê-lo fora de minha vida.

Sasuke era meu lado esquerdo. Eu não sabia usá-lo tão bem quanto o direito, não conseguia controlá-lo e não tinha muita força usando aquele lado do corpo. Mas ele estava lá. Eu não era boa com ele, ele raramente se manifestava em minhas batalhas, mas ainda estava lá. E assim como Sasuke, meu lado esquerdo se manifestava nos momentos de desespero. Nos momentos em que meu lado direito falhava, eu usava o esquerdo. Quando eu não tinha mais nada para pensar, quando não restara mais nada para fazer, o pensamento do rosto dele se manifestava. Sasuke era meu lado esquerdo, meu lado ruim e ao mesmo tempo imprevisível.

Abri os olhos enquanto as meninas terminavam de conversar e Temari me chamava de volta ao mundo real. Enquanto eu tirava a imagem dele da minha cabeça. Apesar de sentir falta dele, não era tão ruim quando eu tinha elas do meu lado. Para me alegrarem e me distrair. Melhor do que qualquer missão.

Tenho muita sorte de tê-las. Imagino como deve ser para quem vive sozinho no mundo. Sem ninguém para amar. No meu caso, não tenho pais, mas tenho uma família de amigas que sempre estarão lá para mim. Mas e quem não tem ninguém? E quem tem tudo isso, mas não sabe aproveitar? A vida pode ser vazia de tantas maneiras...

****

– Sakura-san, correio!

A frase vinda daquela Wing operária havia me surpreendido. Por vários motivos: o primeiro por ser quase 8 da noite. Eu estava terminando meu treinamento com kunais no grande pátio aberto que as Wings usavam para melhorar suas habilidades, meu estômago estava pedindo por um pedaço de bolo que havia sobrado da minha pequena festinha de ontem a noite; segundo, porque é muito raro alguma Wing receber algum correio, já que não tínhamos muitos contatos além da base da organização de Tsunade; terceiro, porque eu nunca havia recebido alguma correspondência de alguém.

Segui a garota de cabelos castanhos encaracolados enquanto ela me guiava para a sala de correspondência. Eu só havia entrado ali para pegar cartas endereçadas a Tsunade ou Kurenai, ou alguma Wing mais influente mundo afora. Nunca havia ido lá receber uma carta. Confesso que eu estava curiosa. A garota pegou um pacote, que vinha junto com uma carta e me entregou, pedindo licença e se retirando em seguida.

Fiquei ali sozinha naquela sala mal iluminada, com algumas escrivaninhas cheias de papeis e cartas por responder. Sentei em uma cadeira e realmente não sabia o que pensar daquilo tudo. Eu segurava o pacote quadrado lacrado em papel pink nas minhas mãos, enquanto desgrudava o cartão com várias “páginas” que ali estava, sem acreditar no que ele dizia.

Querida Sakura

Esperamos que esse presente chegue a tempo do seu aniversário. Tsunade fez o favor de nos lembrar que era dia 28. Apesar de fazer pouco tempo que você se foi, todos aqui sentimos sua falta, querida.

Resolvemos então mandar-lhe uma pequena lembrancinha. Apesar de simples, é para você saber que não te esquecemos, e será sempre bem vinda se algum dia quiser nos visitar novamente. Tenho certeza de que você irá gostar, a cor combina perfeitamente com você!

E Feliz Aniversário! Que todos os seus sonhos se realizem de forma honesta, querida.

Esse é só meu recadinho, nas outras páginas do cartão tem de toda a família.

Com carinho, Mikoto Uchiha.

Fiquei feliz com as palavras de Mikoto. Sempre gentil e sempre carinhosa. Me surpreendeu, porém, que ela fizesse aquilo. Abri as outras páginas do cartão e ali tinha os recados dos outros membros da família.

Sakura,

Parabéns pelo seu aniversário. Você tem tudo para ultrapassar sua mestra. Só não siga pelo caminho errado.

Fugaku Uchiha.

Bem, eu não esperaria um grande sentimentalismo vindo de Fugaku.

Parabéns, Sakura.

Se vier aqui de novo, não se esqueça de dar uma lição no meu irmão, como fez da outra vez. É... então, é, só isso mesmo. Parabéns.

Itachi

Até que Itachi tinha falado muito dessa vez. Sua caligrafia estava meio relaxada, como se tivesse escrito aquilo com pressa. Virei a última página do cartão, com a mensagem de quem eu mais queria ler, e ao mesmo tempo queria esquecer.

Parabéns e toda aquela porcaria que as pessoas dizem. Seu cabelo ainda tá com cor de algodão-doce? É bom gostar do presente porque não vai ter devolução, sem falar que foi difícil encontrar alguma coisa pra você. Não que eu me importe de qualquer jeito, mas você sabe como é minha mãe.

Sasuke

A caligrafia estava cuidadosa. O recado era simples, sem cerimônias, curto, grosso e direto. Só podia ser daquele idiota. Sei que provavelmente foi a coisa errada a fazer, mas o sorriso que brotou no meu rosto foi involuntário. Idiota, mesmo com aquele recado patético de aniversário, em que nem parabéns direito ele me desejava, eu ainda conseguia sorrir ao me lembrar dele.

Fechei o cartão com força, quase o amassando e me focando no pacote no meu colo. Chacoalhei e não ouvi nada fazer barulho dentro. Desamarrei o laço branco e tirei a tampa da caixa. Não sei o que Mikoto considerava como uma “pequena lembrancinha simples”, mas o que eu via na minha frente com certeza não era isso.

Era um vestido. Longo e curto ao mesmo tempo. Isso porque eu percebi que a saia comprida que encobria meus pés poderia ser retirada, fazendo a peça ficar um pouco acima dos meus joelhos. Resumindo: 2 em 1 ao mesmo tempo. O vestido era de um rosa escuro, quase vermelho, de um tecido meio opaco. Era de um obro só, deixando minha clavícula esquerda a mostra. Não era apertado, e entrou no meu corpo perfeitamente. Como se tivesse sido feito sob medida para mim. Era justo da cintura para cima, com algumas tranças de tecido definindo meus seios. Da cintura para baixo, a saia era um pouco armada, com um raxo na parte esquerda, deixando até a metade da minha coxa a mostra também. Sem a saia, ele ia justo e gracioso na metade da coxa também.

Era realmente lindo. Eu me senti, para falar a verdade, espetacular nele. Nunca fui vaidosa, porque na verdade nem tínhamos tempo para aquilo. Era só “treinar e cumprir missões”. Eu me senti poderosa. Mulher. Me senti bem, me senti bonita ao experimentá-lo na frente do espelho grande de um dos banheiros, vendo como meu corpo parecia ganhar nova forma naquele pedaço de pano. Deve ter custado uma fortuna. Não para os Uchiha, é claro.

– Gostou? – levei um susto quando Tsunade adentrou o banheiro, me olhando com seus olhos de felino prestes a atacar.

– Ah... é bem bonito. – falei em um sussurro. – Mas deve ter custado muito caro.

– Nem pense em devolver. Mikoto ficaria chateada. E ele ficou muito bem em você. Não quer mostrar a Ino e as outras?

– Ah... já vou. – e com isso, Tsunade me deu um simples sorriso e me deixou sozinha no banheiro.

****

Nem preciso dizer a algazarra que as meninas fizeram quando voltei ao dormitório com o vestido na mão. Ino me invejou até o último fio de cabelo, e a baderna havia começado. Sei que ficamos até 1 da manhã falando e sonhando acordadas. Mas para mim, aquilo parecia um pesadelo, isso sim.

Eu havia me animado ao receber aquele recado de Sasuke, mas aquilo ao mesmo tempo tinha despertado em mim toda a saudade e o sentimento que eu estava tentando reprimir. Idiota. Maldito moreno idiota.

Assim que as meninas dormiram, aproveitei para escrever um pequeno bilhete de agradecimento, que eu iria enviar amanhã. Bem, eu era educada, né?

Caros Uchiha (descontraído demais?)

Recebi o presente junto com as mensagens. Sei que parece clichê, mas não precisavam ter se incomodado em gastar tanto tempo e dinheiro escolhendo um presente para mim, ainda mais porque não começamos com o pé direito.

Adorei o vestido, Tsunade-sama disse que ficou muito bem em mim, apesar de eu ter ficado surpresa com a lembrança. Eu e minha mestra mandamos agradecimentos a todos vocês.

Com respeito, Sakura.

É, aquilo foi o que pude escrever na madrugada, antes de bocejar de sono e desmaiar na cama. Sonhei com ele. O sonho virou pesadelo.

Sonhei que eu estava com o vestido vermelho-rosa. Assim como eu havia visto no espelho do banheiro, ele se encaixava perfeitamente no meu corpo e me deixava bonita. Eu desfilava por um corredor em um tapete dourado, como artistas de cinema faziam. Mas não havia flashes de fotografias em cima de mim, nem repórteres me entrevistando. Na verdade, eu andava por um corredor e estava sozinha nele. Andava e andava, mas parecia nunca chegar ao fim. Meus pés estavam doendo por causa do salto alto.

E então eu o vi. Ali, bem no fim do corredor. Vestia uma roupa social, toda preta. Junto com seus cabelos rebeldes e olhos profundos, ambos também negros, e com toda aquela beleza infernal, parecia um anjo das trevas. Ele me esperava, enquanto eu aumentava o passo pelo corredor. Parecia que eu nunca o alcançaria, mas enfim consegui. Ele estava tão perto, até podia sentir seu cheiro.

E então ele sumiu. No final do corredor havia um abismo, que descia para a escuridão. Não havia mais sinal de Sasuke. Não havia mais sinal de nada. Só havia eu, um ponto vermelho no meio daquela infinidade negra. Negra como os olhos dele. Profunda como os olhos dele. Assassina, como os olhos dele. Acordei suando. O abajur estava aceso e as meninas continuavam dormindo. Eram 4 da manhã.

It’s the bitch of living as someone you can't stand

It's the bitch of living and trying to get ahead

It's the bitch of living and getting what you get

It's just the bitch of living and knowing this is it

É a merda de viver na pele de alguém que você não suporta

É a merda de viver e tentar seguir em frente

É a merda de viver e aceitar o que vier

É só a merda de viver sabendo que é só isso

Panic! At the Disco: But it’s better if you do/Lying is the Most Fun a girl can have without taking her clothes off

Spring Awakening — The Bitch of Living

Notas finais
O que acharam do capítulo? A partir de agora um novo arco começa e eu estou empolgada para escrevê-lo, espero que vocês gostem. Acho que eu também decidi fazer mais um último arco final depois desse, visto que não vou conseguir resolver toda a história em mais alguns capítulos. Espero que dê certo, e até o próximo cap ^^