Broken Wing - Aprendendo A Voar
15 Capítulo 15 - Nova Tutora
Notas iniciais
É isso. Não dava mais. Sasuke que fosse para o inferno com aquelas fotos que eu mesma havia tirado para atormentá-lo. Para prendê-lo a mim. Não queria mais aquelas fotos. Não queria nada que o fizesse depender de mim ou o contrário. Ele queria as malditas fotos, agora iria tê-las de volta. Com ele eu não mexia mais. Para o meu próprio bem.
Sasuke’s POV
– Eu sabia que você não ia me decepcionar, filho. A reunião com os representantes das outras empresas correu muito bem, e seus relatórios me foram muito úteis. Continue assim.
Foi isso o que o meu pai me disse no final da segunda. Felizmente, eu tinha conseguido terminar os relatórios a tempo, mesmo depois que Sakura me abandonou. Claro, eu tinha terminado tudo as 3 da manhã só para acordar as 7 no outro dia, estava com olheiras e mais cansado do que nunca, mas tinha conseguido fazer tudo a tempo. Quem sabe agora meu pai não sossegava um pouco.
Eu tinha recebido uma ligação de Tsunade nessa manhã, perguntando se eu queria continuar meu treinamento com ela, algo que ela havia me prometido antes de partir. Respondi que no momento era impossível, já que a empresa estava passando por um período agitado nas negociações. Eu mal tinha tempo para sair. Então eu disse a ela que quando as coisas se acalmassem, eu a avisaria.
Mas o problema foi quando ela perguntou de Sakura. Ela queria saber como estava minha relação com ela, visto tudo o que se passou entre nós. Respondi que estava tudo bem, tentando soar o mais natural possível, mas a verdade era bem outra.
Eu sabia que tudo estava muito mal entre mim e Sakura. Principalmente depois de eu tê-la beijado ontem. Sinceramente, não sei o que deu em mim. Eu estava muito estressado naquele dia: Karin me importunando, a empresa, meu pai, e ela. Ela conseguia me irritar ainda mais. Quando percebi, estávamos gritando um com o outro, e depois ela estava quase soltando os leões para cima de mim, quando eu a beijei. Se me perguntar, não sei por quê. Só sei que vendo ela ali, tão próxima de mim, com aqueles olhos verdes cheios de fúria, não resisti. Eu queria descontar minha raiva em algum lugar, e Sakura estava próxima. Acho que foi isso o que aconteceu.
Ela me atraía, eu não podia negar. Tinha um corpo desejável e feminino, e estava muito próxima de mim naquele momento. Não queria ficar ouvindo a lição de moral que ela queria me dar. Só fiquei com vontade de beijá-la e beijei. E não me arrependo. Sei que apesar de ela ter ficado surpresa e depois ter fugido e me abandonado, ela também não havia se arrependido. Assim que colei meus lábios nos dela, me perguntei se seria bom me afastar para o caso de o punho dela acertar meu rosto de novo, mas para minha surpresa, ela correspondeu.
Lembro até agora de ela ter me puxado mais perto de si e de como acompanhou o ritmo do beijo de um modo sensual, chegando até a me estimular mais. Ela estava gostando daquilo, e eu também. Mesmo que não nos gostemos, acho que temos uma certa química para isso. Eu não queria parar aquele momento e se pudesse, teria ido mais fundo. Mas acho que ela desistiu na última hora, porque se afastou subitamente de mim e foi embora sem dizer nada e sem nem mesmo olhar para trás.
Confesso que aquilo havia me surpreendido. Sei que apesar de ter feito aquilo, ela não havia se arrependido. Só devia estar assustada por se sentir atraída por alguém que ela devia odiar. Só não sei como ficariam as coisas entre nós agora, já que hoje ela nem me olhou na cara na empresa.
– Sasuke! – opa. Eu conhecia aquela voz. Parece que Sakura não iria morrer tão cedo.
– O que foi? – tentei agir naturalmente, pois ela ainda podia estar alterada e eu não queria meu nariz sangrando de novo. Olhei para ela e ela parecia normal.
– Toma. – ela me mostrou um envelope comprido e lacrado. Arqueei uma sobrancelha enquanto pedia por uma explicação. – São as fotos.
– As... fotos? Aquelas fotos?
– Sim, pega logo antes que eu mude de ideia. – alguma coisa estava errada. Ontem, Sakura dizia que não ia me vender as fotos por nada, e hoje estava me dando de graça por livre e espontânea vontade?
– Você não escondeu cópias delas só para poder usar contra mim depois, né? – claro, aquela era uma possibilidade. Principalmente se ela estivesse com raiva depois de ontem.
– Claro que não, seu idiota. Pega logo. – peguei o envelope e ela prontamente se virou para ir embora, mas eu não a deixei. Segurei-a pelo braço, fazendo-a ficar de frente para mim, me dando um olhar gelado.
– Espera. Não tem mais nada a dizer a mim? – agora foi a vez dela de arquear a sobrancelha. Depois deu um longo suspiro, se soltou de meu braço e começou a falar.
– O que você quer saber? – preciso mesmo listar?
– Para começar, por que decidiu me entregar as fotos se ontem mesmo disse que não faria isso por nada? E depois, por que fugiu daquele jeito? – ela pareceu processar as duas perguntas, enquanto me olhava profundamente com seus orbes verde-claros.
– Desisto. Você ganhou a guerra.
– O que? Tão fácil assim? Essa não é você. Deve ter algum plano escondido, isso sim. – ela revirou os olhos e me respondeu sem ânimo.
– É, a guerra tava ficando chata. Não quero servir para quebrar seu tédio, e tenho outras coisas para me preocupar além de você. – ela se virou para ir embora, mas eu a peguei pelo braço novamente.
– Espera, você não respondeu a última pergunta. Por que fugiu de repente? Fiquei a madrugada inteira tentando terminar aquele relatório. – agora ela me deu um olhar de irritação, soltando-se do meu braço de novo.
– Precisa mesmo perguntar? – eu já tinha quase certeza que era por causa do beijo, mas a situação não havia sido totalmente esclarecida.
– O que? Ficou tão atraída por mim que teve medo de ficar e não conseguir resistir a meu charme?
– Bem que você queria.
– Acho que essa frase é minha, né?
– Você a patenteou?
– Não, mas...
– Então eu posso usá-la. – alguém não tinha acordado de bom humor. Fiquei olhando para ela meio confuso, aquilo não fazia sentido.
– Depois eu é quem sou o fraco. – falei por fim, dando um riso de deboche. Eu ia pressioná-la até ela me dar uma resposta. Ela arqueou a outra sobrancelha.
– Como assim?
– Você me chamou de fraco ontem, mas parece que quem não está aguentando é você. Desistiu da guerra que estava tão empenhada em ganhar, me devolveu as fotos e ainda nem conseguiu resistir a um beijo que eu te dei.
– Por isso mesmo, Sasuke! – ela agora tinha elevado a voz, enquanto me olhava séria. Estávamos no estacionamento de funcionários do prédio, um local coberto a grande. Estávamos sozinhos. – Não era para aquilo ter acontecido, por que você fez aquilo afinal? Seu idiota. – ela estava realmente brava.
– Não sei. – respondi sinceramente. Apesar disso, ela me deu um tapa na cara, enquanto me olhava de modo assustador. Nunca vi seus olhos verdes tão cheios de... seria ódio? Ódio de mim?
– Não sou um brinquedo. – ela disse por fim. – Não pode fazer o que quiser comigo só porque te dá vontade, entendeu?
– Sakura, quem está fazendo muito caso disso é você. Foi só um beijo, e daí? – senti outro tapa, dessa vez do outro lado de meu rosto. Ela estava atacada hoje.
– Se eu não tivesse saído de lá, teria sido muito mais. Por isso eu “fugi”. – ela imitou aspas no “fugi”.
– Nossa, sou tão irresistível assim?
– Sasuke, não tenho tempo para isso. Não posso ficar me envolvendo em joguinhos com você enquanto tento pagar a dívida com sua família para poder voltar à minha vida normal. Então por isso desisti da guerra. Fica com suas fotos e faz o que quiser com elas... queima, vende, se masturba, sei lá. Mas a partir de hoje, não me encha. Não posso me distrair.
– Quer dizer então que eu sou uma distração para você? A Rainha do Gelo? A tão imaculada aprendiz de Tsunade que consegue resistir a todos os homens e ao mesmo tempo fazê-los cair a seus pés? – não segurei um risinho, apesar de saber que ela já estava muito irritada. – Acho que aconteceu o contrário aqui, né? Parece que a tão conceituada Wing, impassível e sem sentimentos não conseguiu, no final, resistir a um Uchiha.
Sério, achei que ela fosse me bater. Até posicionei meu braço para caso ela avançasse, eu me poder me defender. Tanto no rosto quanto na parte de baixo, afinal nunca se sabe, né...
Mas não foi isso o que aconteceu. Ao invés disso, ela só sorriu. Sorriu de leve, como se tivesse tirado um peso de si. Sorriu de um jeito tão meigo e delicado que me fez sentir algo parecido com arrepios. De onde ela tinha tirado aquela expressão tão... inocente? Tão delicada, tão feminina, e que combinava muito bem com ela?
– Você até consegue ser legal às vezes, Sasuke. – ela disse por fim, o que me surpreendeu. – Claro que é um filhinho de papai mimado, e se fosse em outra oportunidade, eu adoraria acabar com você, como já fiz uma vez. – ela abriu um sorriso mais malicioso. – Mas agora, preciso de um tempo só para mim.
Ela se virou para sair enquanto eu fiquei lá, com cara de bobo, sem reação, me perguntando mil coisas enquanto não era capaz de me mexer. Ela foi andando lentamente em direção à saída do estacionamento, onde encontraria o motorista que meu pai havia contratado só para levá-la de volta à mansão. E para minha surpresa, mais uma vez, ela se virou e disse:
– Espero que a gente possa continuar essa guerra outra vez. – ela sorriu de novo e eu também levantei levemente meus lábios. – E a propósito, você beija bem. – tá, aquilo eu já sabia, mas não esperava ouvir diretamente da boca de Sakura. Ela estava mesmo muito estranha.
– Eu sei. – repeti de volta, o que a fez sorrir mais uma vez, e quando eu também percebi, também estava sorrindo. Eu vi então Sakura sair do estacionamento e entrar no carro que a aguardava.
Mas o que tinha sido aquilo, afinal? Uma despedida? Não fazia sentido. Não íamos nos falar nunca mais, apesar de ela ainda ter que trabalhar para minha família, e consequentemente, para mim? Era isso o que ela quis dizer com aquilo? Ou foi só para a gente dar uma trégua de vez? E afinal das contas, Sakura havia admitido que gostava de mim? Porque tudo deu a entender que sim...
Abri o envelope e vi algumas fotos contidas nele. Com certeza eu não ia me masturbar com aquilo. Sorte que tinha uma lareira em casa.
****
Já era noite e eu via as fotos queimando naquele fogo ardente. Eu tomava vinho enquanto olhava para as chamas e não conseguia parar de pensar em Sakura. E eu pensava nela somente porque ainda não havia entendido completamente o que havia acontecido.
Ela dava uma de louca ontem, primeiro se entregando completamente ao beijo, depois fugindo desesperada, e hoje de manhã dizia que não podia perder tempo com nossos “joguinhos” e que precisava de um tempo só para ela, além de ter sido mais simpática comigo nos 5 minutos finais de nossa conversa do que em todas as outras vezes que nos falamos.
Só uma coisa eu vou dizer, aquilo estava muito estranho. E eu não ia sossegar até entender tudo aquilo. Então, que Sakura me perdoasse, mas eu não ia deixá-la totalmente em paz até entender tudo aquilo. Sem contar que agora eu estava curioso e essa era outra maneira de quebrar meu tédio. E só para me lembrar depois, ela também beijava muito bem.
****
Sakura’s POV
Então era isso. Estava feito. Não sei por que havia feito aquilo, afinal. Eu nunca desisti de nada, nunca falhei em nada, nunca senti nada. Até agora.
Quando eu era treinada por Tsunade e comecei a cumprir minhas primeiras missões, ela era bem rígida no tocante à como o serviço era feito. Isso incluía indiferença de nossa parte. Estávamos lá só para negócios, e não podíamos nos apegar a nada: quando era sexo, não podíamos ter sentimentos pelos clientes. Quando era assassinato, compaixão pela vítima estava fora de cogitação. Quando era alguma infiltração ou trabalhávamos disfarçadas, nada de fazer amigos. Tudo deveria ser feito com sangue-frio e disciplina, basicamente.
Então eu não sabia o que era sentir algo importante por alguém. Quer dizer, eu praticamente sabia o que era amor maternal por causa de Tsunade, e amor fraternal por causa das minhas irmãs Wings. Também sabia o que era amizade, mas aquilo só se limitava à organização de Tsunade. Nunca tive contatos profundos com ninguém além das Wings e de minha mestra.
Por isso eu me saía tão bem nas missões. O que importava era cumpri-las. Nada mais. Eu não sabia o que era paixão, não sabia como era sentir amor por alguém do sexo oposto. Eu só sabia o prazer do sexo. O prazer de amar estava em uma galáxia distante para mim.
Não quero dizer que estou perdidamente apaixonada, muito longe disso. Mas o que eu sei é que aqueles malditos olhos cor de ônix tiveram alguma influencia sobre mim. Sim, estou admitindo que Sasuke Uchiha mexia com algo dentro de mim que eu não sabia o que era. Eu sentia ódio por ele, mas ao mesmo tempo queria abraçá-lo. Ficava com vontade de socar a cara dele cada vez que o via, mas tinha o mesmo desejo de jogá-lo contra a parede e tirar toda a roupa dele.
Ele me deixava confusa e estava bagunçando meus sentimentos. Vez e outra me pegava pensando nele. Via um homem qualquer na rua e automaticamente pensava algo como “ele tem olhos como os de Sasuke”. Prestava atenção quando alguém na mansão mencionava o nome dele. Tive calafrios quando falei com ele na empresa outro dia para devolver as fotos e dizer que eu havia desistido da guerra.
Eu nunca havia amado nem “gostado” de um cara, então não sabia se o que eu estava sentindo era isso. Eu só sabia que era possível, dada a quantidade de tempo que nos conhecemos e como nosso relacionamento progrediu: ele foi de vítima minha a parceiro de trabalho, e a cada dia eu o olhava de maneira diferente.
Tentei conversar com Ino sobre isso, e claro que ela ficou empolgadíssima, dizendo que com certeza era amor. Eu supliquei para que ela não contasse nada às outras ou à Tsunade, porque se minha mestra ficasse sabendo que alguma coisa estava acontecendo entre mim e Sasuke (o que era mentira) não iria ser nada bom.
Enfim, o que quero dizer é que eu precisava me manter longe de Sasuke. Não sabia exatamente o que estava sentindo por ele, mas sabia que se continuasse assim, poderia não ter volta. Eu nunca havia amado um homem e Sasuke não iria ser o primeiro por quem eu teria esse sentimento tão belo, e ao mesmo tempo, tão utópico. Não ele. Por isso resolvi que era hora de abaixar um pouco meu orgulho e me afastar dele. Assim o fiz. Só espero que ele possa me deixar em paz agora.
Como eu estava errada.
****
Sasuke’s POV
Já fazia semanas que eu não conversava diretamente com Sakura. Estávamos em outubro já. Incrível como o tempo passa depressa. E só agora eu tinha notado que já fazia seis meses desde que Sakura invadiu minha casa e roubou 15 milhões de yens de minha família. E agora ela estava trabalhando para pagar essa dívida.
Eu também tinha recomeçado meu treinamento com Tsunade há uma semana. As coisas na empresa acalmaram um pouco e eu tive tempo para me reaquecer no manejo de espadas e táticas de luta. Tsunade ainda pegava muito pesado, mas eu estava treinando sem nenhuma pressão, só por hobby mesmo. Claro que ela estava cobrando uma taxa.
– E Sakura, como vai? – Tsunade perguntou de repente, enquanto lutávamos corpo-a-corpo. Ela geralmente fazia perguntas nessas horas, para ver se eu me distraía. Não sei se ela sabia, mas falar sobre Sakura geralmente me fazia esquecer todo o resto.
– Ah... não tenho falado muito com ela nessas semanas. – desviei de um super chute de Tsunade enquanto respondia.
– Por que não? – ela disse se recompondo e me atacando de novo.
– Ah... quase não nos encontramos muito agora que eu me mudei de novo... – Tsunade havia conseguido me dar uma rasteira, me derrubando de costas e colocando um dos pés sobre meu peito.
– Seu lado direito está com a guarda baixa. – ela disse. Fiquei esperando ela me ajudar a levantar, como sempre fazia, mas não aconteceu isso.
Tsunade ficou ali me olhando, como se tentasse descobrir alguma coisa. Parece que ela não tinha acreditado muito em mim. Parece que com aqueles olhos felinos e aquelas sobrancelhas arqueadas formando um olhar de dúvida e suspeita, ela parecia estar tentando descobrir algo.
Não que eu tivesse mentido para ela. Pelo contrário, era verdade que eu e Sakura pouco nos falávamos, e em parte era porque já não nos víamos tanto. Claro, tinha também aquele assunto estranho de ela precisar de um tempo sozinha depois de brigarmos e nos beijarmos, mas senti que Tsunade não precisava saber disso.
Afinal, por mais que Sakura tentasse se afastar de mim, eu não ia deixar. Tinha algo nela que me deixava interessado. Talvez por ela ter entrado em minha vida de uma maneira “diferente” e não ter saído dela desde então. Para mim, Sakura era alguém com quem eu poderia matar o tédio, era alguém “misteriosa” para mim, que eu precisava decifrar. Eu nunca tinha sentido isso por ninguém antes, então não queria que a sensação de adrenalina só por estar no mesmo cômodo que ela fosse embora. Por isso eu não poderia deixá-la em paz.
E eu esperava que Tsunade não pudesse ler minha mente nesse momento. Mas no fim, ela só desviou seu olhar acusador de mim e me ajudou a levantar, continuando o treinamento.
****
Sakura’s POV
Parece que estava dando certo. Eu tinha me afastado consideravelmente de Sasuke, acabando com todos aqueles sentimentos confusos e sensações estranhas que eu tinha antes. Claro que de vez em quando nos esbarrávamos na mansão ou na empresa, mas só falávamos um “oi” para não faltar com a educação e seguíamos nossos dias separados. Mas mesmo por aqueles poucos segundos que eu o encontrava, sentia meu corpo ficar mais quente, minha respiração acelerar e uma ânsia entranha. Eu tentava evitar olhar para seus olhos escuros, sabendo que se o fizesse, ele me sugaria naquela imensidão embriagante.
Mas contanto que eu me afastasse rapidamente dele, não havia nenhum perigo. Já havia trabalhado o suficiente para pagar uma boa parte da minha dívida com aquela família, sem falar que Fugaku, Mikoto, e até Itachi parecem ter se “apegado” um pouco a mim. Com Mikoto eu conversava todos os dias como se fossemos grandes amigas, e até dava algumas dicas de moda para ela, e até uma sugestão mais ousada sobre o que fazer em seu aniversário de casamento.
Itachi também, outro dia mesmo, veio me pedir conselhos sobre um presente de aniversário para sua namorada. Fugaku estava cada vez mais confiante em mim, me dando trabalhos mais difíceis, e consequentemente, mais “valiosos”. Até as empregadas da casa e outros funcionários da empresa me tratavam como amiga e confidente. E eu estava começando a me divertir naqueles dias.
Falava com as Wings praticamente todos os dias, e um dia até recebi uma visita surpresa de Ino, Hinata, Ten Ten e Temari. Fugaku me deu esse dia de folga e foi muito bom passá-lo com elas.
Concluindo, parece que minha vida estava começando a entrar nos eixos de novo, e logo eu poderia ter minha liberdade: voltar a ser uma Wing, viver com as meninas de novo, e o mais importante, eu não teria que ver Sasuke nunca mais.
****
Narração em 3ª pessoa
Ela sabia que precisava fazer alguma coisa. Já havia notado os olhares estranhos e distanciamentos entre aqueles dois. Não estava gostando de nada disso, algo não estava certo, algo estava acontecendo entre aqueles dois. E ela, Tsunade, precisava saber o que.
Era tarde da noite no hotel de Konoha onde ela estava hospedada. Era um hotel pequeno, porém confortável e limpo. Como ela era a única que vinha, não viu necessidade de ficar na mansão novamente só para treinar o Uchiha mais novo por um tempo. E agora, onze horas da noite, estava bem acordada, sentada na cama em posição de meditação, com o abajur ao seu lado ligado, emitindo uma fraca luz amarelada.
Tsunade estava pensando. Pensando naqueles dois. Alguma coisa estava, sem dúvida, acontecendo entre eles. Sakura ficava em silêncio ou mudava de assunto sempre que Tsunade mencionava o nome de Sasuke. Este, por sua vez, sempre pensava muito antes de responder algo sobre a rosada, como se quisesse escolher as palavras certas para não falar nada além do que devia, e quando respondia, era sempre de um jeito seco, tentando evitar margens a outras perguntas.
Aquilo era muito suspeito, e Tsunade não deixara de notar. Se houvesse algo, o que quer que fosse, acontecendo entre esses dois, ela iria descobrir. E até já sabia como.
Se no dia anterior havia feito um sol que ninguém aguentava, hoje parece que o céu quis se vingar. E o vento foi chamado para a festa. Era a maior tempestade que Konoha & Região presenciavam desde o começo do ano. Claro que havia chovido outras vezes, mas nessa época era incomum, e ainda mais uma chuva daquela força, com tantos raios, trovões e uma ventania de levar algumas árvores mais fracas.
Assim havia começado o dia. Mikoto não gostava de chuvas, principalmente quando as gotas batiam violentamente na janela, e até via resquícios de pedras de gelo em meio à água. Sem falar daquele vento feroz que já devia ter feito cair algumas árvores na floresta da propriedade Uchiha. Mikoto desejou cuidado a Fugaku e Sakura na empresa, morria de medo que o prédio alto atraísse algum raio ou que algum acidente acontecesse na estrada. Fugaku tranquilizou a mulher e saiu com Sakura para outro dia de trabalho.
Sasuke já estava na empresa, mas não havia sido pego pela chuva, já que o estacionamento era coberto. Nesse dia, ele voltaria mais cedo, para continuar seu treinamento com Tsunade. Mais precisamente na hora do almoço, e teria a tarde junto com a líder das Wings. Só esperava que aquela chuva parasse, pois sabia que não seria bom treinar em meio a ela, e sabia que Tsunade o treinaria mesmo se houvesse um dilúvio naquela região.
Mas não sabia que ela estava preparando uma surpresa para ele.
Sakura ficou surpresa quando uma das secretárias da empresa Uchiha lhe entregou um bilhete de Tsunade, um pouco antes da hora do almoço, e ficou confusa com o que o bilhete dizia:
Querida Sakura,
Apesar de eu ter voltado para Konoha, não pudemos passar muito tempo juntas, visto que meu objetivo é treinar Sasuke e você está trabalhando sem parar para a família Uchiha. Fugaku me disse que você está se esforçando e produzindo resultados positivos. Fico feliz por isso, brevemente você poderá voltar a morar comigo e com suas irmãs.
Mas resolvi te escrever esse bilhete para te pedir um favor. Tenho uma missão de última hora para você. Ela será realizada na floresta das propriedades Uchiha, na latitude 15º23’ norte e 25º32’ leste. Sei que parece estranho, mas realmente preciso de você. Já falei com Fugaku e ele concordou te liberar da empresa nessa tarde. Ignore a chuva, eu sei que isso nunca te atrapalhou antes.
Esteja na floresta, no lugar que te indiquei, as 2 da tarde, e lá saberá sua missão. Espero que possamos conversar depois.
Com carinho, Tsunade
Uma missão justo agora? Tsunade havia dito antes que enquanto ela não pagasse toda a dívida com os Uchiha, não teria outra missão, e agora, repentinamente, a chamava com urgência para uma? E ainda mais em uma chuva daquelas, no meio da floresta?
Sakura estranhou muito, mas não poderia questionar uma ordem direta de Tsunade. Almoçou, esperando que a tempestade diminuísse, mas sem sucesso. Esperou dar 2 horas e foi para a floresta, assim como combinado com a mestra.
A chuva não havia parado como Sakura desejara, ao contrário. Até teve que desviar de uma árvore que tombava enquanto, já na floresta dos Uchiha, ia para as coordenadas que a mestra havia passado. Havia colocado uma roupa elástica preta que consistia em duas peças, a parte de cima sem mangas e a parte de baixo, uma calça até os tornozelos. Seus cabelos estavam soltos, se os prendesse, ficariam embaraçados depois.
Chegou no local marcado, procurando a figura alta e peituda de Tsunade, mas ao invés disso, encontrou outra pessoa lá.
– Tsunade? – gritou a voz máscula da pessoa, ao notar a aproximação de Sakura. Mesmo com o barulho forte da chuva, Sakura havia gelado ao reconhecer o dono dela.
– Sasuke?! – ela gritou surpresa, aparecendo na frente dele. Ele, como ela, estava encharcado, obviamente. Estava vestindo uma blusa branca de manga comprida, meio larga, que havia ficado transparente e colava em todo seu peito. A calça escura de um tecido leve, mas que Sakura não identificou, também estava colada nas pernas do moreno. Os cabelos dele, grudados no rosto, e sua expressão confusa o deixavam muito bonito.
Apesar de estar frio devido ao vento, Sakura sentiu calor ao vê-lo naquele estado, algo que ela tentou ignorar.
– O que você está fazendo aqui?! – gritaram os dois ao mesmo tempo, calando-se em seguida.
– Tsunade me pediu para encontrá-la aqui, pois íamos a uma missão. – Sakura gritou, tentando manter-se indiferente à imagem provocante de Sasuke a sua frente.
– Mas esse é o lugar onde eu e ela treinamos. Ela disse que não podia vir, e que ia mandar uma tutora substituta. Pensei que você fosse ela.
– O que? Como assim? – Sakura estava com um mau pressentimento. Tinha uma ideia do por que dessa confusão, mas esperava que não fosse verdade.
– Eu é que pergunto! – Sasuke não estava entendendo nada, e já estava irritado por causa da chuva e de Tsunade. O que ela pretendia? Se bem que a imagem de Sakura toda molhada em uma roupa elástica não era ruim.
– Olá queridos! – os dois de repente ouviram um grito conhecido atrás de Sakura. Era a própria Tsunade.
– Tsunade, que merda é essa? – perguntou o Uchiha. A loira só riu maliciosamente para seu mais novo aprendiz.
– Ainda não perceberam? – ela disse se aproximando mais. – Sakura, essa é sua nova missão. Sasuke, essa será sua tutora hoje.
– O que??! – os dois jovens gritaram em uníssono.
– Por quê? Como assim? – Sakura não escondia seu desespero e confusão. Não entendia o que a mestra pretendia ao dar-lhe a missão de supervisionar o treinamento de Sasuke.
– Hoje eu quis mudar um pouco o jeito das coisas. – Tsunade respondeu simplesmente, ainda sorrindo. – Também queria ver como vocês se relacionam depois de tudo o que vocês passaram juntos. Por isso hoje, Sakura, sua missão é agir no meu lugar e treinar Sasuke. Sasuke, você por sua vez, deve obedecer Sakura como se fosse eu.
Tsunade nem deu tempo para os dois começarem a falar. Na verdade, era somente Sakura que queria arrancar a cabeça da mestra, por deixá-la em uma situação que ela lutou para evitar por todas essas semanas: ficar sozinha com Sasuke.
O moreno, por outro lado, apesar de não entender os objetivos de Tsunade, estava contente com a situação. Fazia tempo que estava querendo uma abertura com Sakura para tentar descobrir o que se passava na cabeça dela e tentar fazê-la admitir o que sentia por ele, já que ele suspeitava de algo mais... quente por parte da rosada, desde o beijo deles.
Sasuke deu um sorriso de canto de lábio enquanto observava Tsunade ir embora pelas árvores, enquanto via Sakura com seu cabelo molhado sensualmente olhar para ele com uma cara não muito feliz, e olhos cheios de... seria desespero? Desespero por ficar sozinha com ele sabendo que algo poderia acontecer...?
– E então... – ele disse em meio a chuva, seguido de um estrondoso trovão. Parecia que não ia parar de chover por nada. A expressão preocupada de Sakura não havia mudado.
– Então o que? – ela gritou, sem saber ao certo o que fazer.
– Vai me treinar ou não? – ele gritou de volta, dando dois passos a frente. – Não pode recusar uma ordem de Tsunade, né? Decida logo, essa chuva tá uma merda.
Sakura se viu sem escolha. Com certeza, a mestra estava com segundas intenções quando fez aquilo. Mas Sakura não poderia mostrar fraqueza. Seria só essa vez mesmo. Nada poderia acontecer. Nem mesmo com Sasuke tão tentador, chamando-a com a voz e com o olhar. A rosada então fechou os olhos, deu um grande suspiro, pensando consigo mesma que conseguiria completar aquela “missão” sem problemas. Depois, abriu os olhos, cheios de determinação de novo e se dirigiu ao moreno.
– Vamos começar então. – ela ficou em posição de ataque, fazendo Sasuke fazer o mesmo. – Não pense que pegarei mais leve com você só porque não sou Tsunade. – ela disse séria.
– Eu sei. – respondeu o Uchiha, sorrindo e não fazendo questão nenhuma de esconder. Aquilo ia ser divertido.
E quem sabe, algo a mais os esperava...
We've gotta make it rain somehow
She told me to
And show me what to do
Oh Maggie makes it in her cloud
Temos que dar um jeito de fazer chover
Ela me avisou
E me mostrou o que fazer
Oh, Maggie faz chover de sua nuvem
Red Hot Chili Peppers – The Adventures Of Rain Dance Maggie
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