Broken Wing - Aprendendo A Voar
10 Capítulo 10 - Aqui se Faz, Aqui se Paga
Notas iniciais
Mas Sasuke não havia ficado satisfeito com aquilo. Sua vingança não ocorreu como ele planejara, e apesar de o plano ter sido um sucesso, ele não queria que as coisas acabassem naquele ponto. Não queria voltar à sua vida de tediosa rotina enquanto Sakura saía impune pelo que lhe causou. Ele não iria deixar aquela rosada sair disso impune.
Sakura’s POV
Não acredito que aquilo havia acontecido comigo. Não acredito que esses filhos da mãe haviam me encontrado. Não acredito que ele teve a audácia de apontar uma arma em minha cabeça, e ainda por cima me fazer acreditar que podia me matar por livre e espontânea vontade. Mas também não acredito que Tsunade havia aparecido para me levar de volta. Eu estava tão perto de conseguir minha liberdade permanente, e agora não acredito que tudo isso acabou. Simplesmente não queria acreditar.
Fugaku Uchiha havia me obrigado a devolver todo o dinheiro roubado. Passei tudo o que estava em minha conta no Banco de Gan’u para a conta deles em Konoha, o lugar original da grana. Mas apesar disso, dos 15 milhões, eu só havia devolvido 14. Nesses meses que passei afastada de todos, havia (não sei como) conseguido gastar 1 milhão de yens. Seja com despesas de viagens, com chantagens de informantes, ou com algumas mordomias, que eu agora não teria mais.
– Isso é um ultraje! Você disse que conseguiria todo o meu dinheiro de volta! – gritava Fugaku Uchiha para Tsunade, na própria casa dele. Enquanto a situação do dinheiro não era resolvida, eu estava lá, como prisioneira, digamos assim.
– Uchiha-san, acredito que um milhão não seja nada para o senhor. Conseguiu praticamente todo o dinheiro roubado. – respondia Tsunade, com a voz calma e séria que eu conhecia tão bem.
– Não se trata de mesquinhez de minha parte, Tsunade. Trata-se de orgulho e de justiça. Aquele dinheiro não caiu do céu e não o conseguimos de maneira ilegal. Pelo contrário, aquele dinheiro é o resultado de anos de trabalho duro e dedicação de minha família, desde meu tataravô. Por isso é um direito meu exigi-lo. – continuava o Uchiha. Sua voz era autoritária e ele falava quase gritando. Só mesmo Tsunade para se manter calma. Eu já teria dado um soco bem no meio do nariz dele.
– Entendo como o senhor se sente. Mas agora que Sakura já o gastou, não há como ela fazer nada para recuperá-lo. O senhor sabe disso.
– Bem, ela vai ter que pagar de alguma forma. – o Uchiha havia se acalmado, enquanto olhava para mim com raiva e rigidez.
– Pai, posso falar com o senhor e com Tsunade um instante? – e eis que eu o vejo. Ali, abrindo a porta do quarto em que Tsunade estava hospedada e de onde eu não podia sair enquanto estivesse ali. Evitei encará-lo, porque não queria ter um vislumbre daqueles olhos mais uma vez. Mas apesar de evitá-lo, eu senti que ele me olhava.
– Sasuke, não vê que estou tentando resolver um assunto com Tsunade e...
– Eu sei, pai. Confesso que ouvi uma parte da conversa. – eu não estava olhando na direção dele, mas senti seu tom de voz despreocupado – E acho que tenho uma solução para isso. Por isso vim pedir um instante do tempo de vocês. – o que? Aquele playboyzinho de merda tinha uma “solução” para o caso do dinheiro?
Isso não me cheirava nada bom. Eu sei que ele estava procurando sua vingancinha quando me encontrou em Gan’u e não a conseguiu. Idiota. Foi equivocado da parte dele pensar que em uma semana de treinamento conseguiria vencer de mim, que treino desde que me entendo por gente. Mas agora aquela solução dele me preocupava. Seja o que ele iria propor, não iria ser nada bom para mim, visto que tentaria se vingar através disso. Eu agora o amaldiçoava como nunca havia amaldiçoado ninguém antes. Maldito Uchiha. E além disso, estavam demorando. Eu ouvia as vozes dos três discutindo, mas não conseguia distinguir as palavras. Depois de vários minutos, a porta se abriu de novo, entrando por ela Tsunade, Fugaku e o filho idiota dele. Me recusei a olhar mais uma vez.
– Sakura, olhe para mim, temos algo a lhe dizer. Olhe para mim, é uma ordem. – olhei para Tsunade de cara feia, enquanto evitava olhar para o pai e o filho ao lado dela. – Sasuke propôs algo a mim e a Fugaku, e concordamos que era uma ótima ideia.
– Vai me fazer cagar dinheiro? – era a primeira coisa que eu dizia desde que havia chegado na casa. Depois de terem me capturado de madrugada do País da Terra, voamos de volta a Konoha, e agora, já quase na hora do almoço, era a primeira conversa que eu tinha. E eu não pretendia mostrar educação ou delicadeza para com aquela gente.
– Não, querida – Tsunade ignorou meu comentário, enquanto Fugaku fazia uma cara de desgosto e Sasuke... bem, eu não queria olhar para a cara que Sasuke havia feito. Se eu olhasse, era capaz de quebrá-la e acabar com a beleza que ele tanto se orgulhava em ter – Mas você irá pagar o um milhão que deve.
– Meu filho nos propôs um acordo. Já que a família Uchiha já sabe da organização de sua mestra, não há como fingirmos que nada aqui aconteceu. Assim, resolvemos nos beneficiar dessa nossa já existente parceria, que surgiu quando nos unimos para te encontrar. – começou o Uchiha pai.
– Havíamos feito um acordo antes – continuou Tsunade – de que nos uniríamos para te encontrar, desde que você não fosse presa e que os Uchiha recuperassem o dinheiro. E agora Sasuke deu a ideia de mantermos esse acordo. – o que? Agora eu não consegui evitar. Olhei para o Uchiha filho, que estava do lado esquerdo de Tsunade. Sua expressão era séria, mas ele não olhava diretamente para mim. Maldito seja você, Sasuke.
– Como assim manter o acordo? Nós, Wings, somos independentes! – eu de repente, me vi falando, levantando um pouco a voz e também me levantando da cama. – Trabalhamos sozinhas, não precisamos de parcerias com famílias ridículas e mesquinhas, você mesma dizia isso, Tsunade!
– Sakura, sente-se! – Tsunade me repreendeu. – Não é como se fossemos precisar deles. Mas assim como temos contatos importantes dentro e fora de todo o continente, que nos ajudam e nos dão suas missões, a família Uchiha passa agora a ser um desses contatos. Não é nada diferente do que já tínhamos antes. A sede de nossa organização continuará sendo no mesmo lugar e continuaremos agindo da mesma maneira. O que muda é que arrumamos uma nova fonte de informações, de missões e de ajuda.
– Mas...
– Ainda não terminei! – Tsunade elevara sua voz. Eu não conseguia acreditar que além de ter passado tudo isso por causa dessa família, agora ainda teria que realizar missões vindas deles, teria que ajudá-los quando convocassem a organização, teria que estar sempre à disposição desse bando de esnobes. Eu não poderia ter pedido por castigo pior. – Você ainda tem que pagar aos Uchiha o um milhão que deve. Por isso, eu, como sua mestra e superiora, te dou uma missão de boas-vindas, Sakura.
Eu estava com medo do que aquela missão seria.
– Você vai trabalhar para os Uchiha até ter quitado toda essa dívida.
– O QUE? Como assim, trabalhar para eles, que merda de missão é essa, Tsunade? Você não pode fazer isso comigo, eu aceito qualquer castigo, menos isso!
– Sakura, acalme-se. Devo te lembrar que essas são as consequências do seu ato de rebeldia. Se você não tivesse fugido e se metido nessa confusão, nada disso teria acontecido. Mas, minha querida, aqui se faz, aqui se paga. A intenção não é fazer essa missão parecer um castigo, mas sim um jeito justo de você pagar o que deve.
– Não aceito.
– Se não aceitar, já sabe o que vai acontecer. – Tsunade me olhou agora de maneira muito mais séria. Seus olhos estavam apertados, sua expressão séria, suas palavras, um tanto rudes. Eu sabia exatamente o que iria acontecer.
– Tsunade, eu aceito qualquer outra missão! Menos essa, por favor!
– Sakura, já está decidido.
– Você deveria agradecer, sua delinquente! – eu ouvi o Uchiha pai “falar” para mim. Do que ele tinha me chamado? – Além de roubar nosso dinheiro, quase matar meu filho e ainda não ser presa por tamanhas falcatruas, ainda se vê no direito de exigir alguma coisa! Tudo o que vai fazer é trabalhar para quitar sua dívida, de um jeito honesto! Acho que nunca o foi por toda a sua vida, mas agora, como sua mestra disse, terá que pagar pelo que fez! Você diz ser uma “Wing-não-sei-das-quantas”, independente, adulta e dona de si mesma, mas suas atitudes são todas infantis e equivocadas! Cresça e aprenda a pagar pelos seus erros!
Silêncio absoluto e constrangedor de 30 segundos.
– Bem, está tudo resolvido então. Uchiha-san, obrigada pela compreensão e parceria. Espero que possamos nos manter em contato e que nosso próximo encontro seja em breve. Uma das Wings está trazendo as coisas de Sakura até aqui. Só queria ter um momento a sós com ela agora, se me permite.
– Claro, tanto faz. Vamos, Sasuke.
Os dois saíram da sala, deixando-me sozinha com minha mestra. Ela virou-se para mim com uma expressão cansada.
– Você sempre foi um pouco diferente das outras, Sakura. De um jeito bom, é claro. De um jeito especial. Acho que eu também te “mimei” mais. Você cresceu desinibida, forte, corajosa, ousada. Vejo muito de mim mais jovem em você. Na verdade, não me surpreendi quando descobri que você havia fugido. Sabia que aquilo era uma questão de tempo. Você esbanjou de sua “liberdade” por um tempo. Mas eu a trouxe de volta, e quero te dizer que você não é tão livre quanto pensa. Ninguém é. Para começar, estamos presos a um corpo, presos a uma vida e presos a pessoas. Mas isso não tem que ser ruim, pelo contrário. Você sabe que eu te amo, Sakura, e mesmo estando com raiva, sei que gosta de mim também. E sei que sente saudade de suas “irmãs”. Ninguém consegue passar pela vida sozinho, Sakura. Você iria descobrir isso cedo ou tarde enquanto desfrutasse daquela sua “liberdade”.
– Me desculpe, Tsunade-sama. Admito que como aquele idiota disse, minhas atitudes foram infantis e equivocadas, e a partir de agora, vou assumir meu erro e cumprir a missão de trabalhar para os Uchiha até quitar minha dívida. – assim que tive coragem de olhar para minha mestra, percebi que ela me dava um sorriso acolhedor, aconchegante.
– Que bom que pense assim. Como já falei antes, isso não precisa ser um castigo, Sakura. Os Uchiha te tratarão bem, apesar do que você fez a eles. Viverá nessa casa enorme e linda por um tempo, aprenderá coisas e novas e terá uma missão diferente a ser cumprida. Isso te fará mais independente do que aquela fuga. – minha mestra se aproximou de mim e me deu um beijo na testa. Há tempos eu não sentia aquilo. Aquela presença maternal dela ao meu lado.
Ela virou-se para sair do quarto, e eu já estava me conformando com minha situação. De repente, ela entra de novo e me diz de um jeito alegre:
– Ah, mandei Ino vir trazer suas coisas. Acho que está com saudades dela. – não pude deixar de abrir um sorriso ao perceber que eu iria rever Ino. Realmente, morria de saudades daquela loira estúpida e extrovertida. Acho que no fim das contas, seria bom voltar à “tediosa rotina” da minha vida.
****
Sasuke’s POV
É, eu havia conseguido. E havia sido mais fácil do que pensei. Mas agora, o acordo entre a família Uchiha e a organização secreta de Tsunade estava feito. Confesso que fiz aquilo para não acabar com meu tédio. Eu queria, de alguma maneira, continuar conectado a Tsunade e suas maneiras estranhas de viver.
Tudo em casa estava voltando à normalidade. Uma mulher chamada Maiko Takagi havia sido condenada pelo roubo à minha família, enquanto a verdadeira ladra, a que estava hospedada na casa de meu pai agora, sairia impune. Quase impune, pelo menos.
A Sala de Comando, usada na investigação de Sakura, havia perdido sua utilidade, voltando a ser uma simples sala de visitas. As Wings que rodeavam a mansão haviam ido embora. Shikamaru também já havia se despedido, mas quando eu lhe disse que Tsunade continuaria em contato conosco, ele não segurou um riso.
– Vai ser interessante trabalhar com você de novo, Sasuke. – ele me disse, enquanto apertava minha mão e ia embora para sua casa, uma cidade próxima a Konoha.
Quanto ao novo acordo, não era nada de muito interessante. Meu pai havia concordado em ser outro dos contatos sigilosos de Tsunade. Ele a ajudaria quando ela precisasse e ela, em troca, atenderia aos pedidos dele caso nós necessitássemos. Sem contar que Tsunade havia prometido voltar para continuar meu treinamento, de maneira mais calma e mais séria.
Sem contar que agora meus dias seriam mais interessantes. Não tinha pensado nisso no início, mas agora tudo era perfeito. Sakura teria que trabalhar para minha família, e isso incluía a mim, é claro, até pagar o que ainda devia. Meu pai não concordou de imediato com a ideia de empregar a própria ladra, mas eu garanti a ele que tudo estava sob controle e que ela, de certa maneira, iria pagar pelo que fez. Claro que eu só estava pensando em formas de obter a vingança que ainda não tive. Com Sakura agora trabalhando para mim, eu iria transformar a vida dela em um inferno, com certeza. Enfim, dois coelhos com um único golpe: minha vingança e meus dias sem tédio.
A cena que presenciei no quarto que Tsunade estava hospedada foi um pouco imprevisível: eu via Sakura suplicar a Tsunade para que não a deixasse trabalhar aqui, acho que já estava ciente do que a aguardava. Eu ria maliciosamente por dentro enquanto os pedidos dela eram todos negados. A diversão não iria acabar tão cedo, e eu estava doido para recomeçá-la.
Sakura Haruno, você mal pode esperar pelo que te aguarda.
The truth has been told
Now you tell me that I'm crazy
It's nothing that I didn't know
Trying to survive
A verdade foi dita
Agora voce me diz que sou louca
Não é nada que eu não soubesse
Tentando sobreviver
Fleetwood Mac – I Don’t Want to Know
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