Broken Strings
7 Quando dois pontos colidem
Notas iniciais
Boa leitura!
PS: Taiga nee... Me fala qual prefere no final!
Cap. VII – Quando dois pontos colidem
Uma linda imagem de pôr-do-sol em Tenroujima os envolvia com sua luz morna, caminhava na areia branca em direção a lugar nenhum numa tranquilidade que não conhecia a tempos. Sentia a água que vinha da maré batendo contra os pés naquela temperatura agradável. Ao fundo podia ouvir sons que deveria ser de pessoas fazendo festa... Um leve sorriso apareceu na face de mulher e o vento chacoalhava os cachos castanhos a sua bel vontade.
Do lado esquerdo da figura podia-se notar leves marcas do que um dia foi uma pomposa cicatriz, mas não estragava a beleza da mulher. Com um suspiro, começou a cantarolar uma canção que nem se lembrava de onde conhecia até que braços quentes lhe envolveram pelas costas fazendo seu corpo colidir contra um torso bem desenvolvido.
Riu com a ação e olhando para cima conseguiu visualizar o sorriso soberbo e tão belo do homem que amava. Só que quando estava prestes a mirar-lhe toda a face... Tudo ficou escuro durante alguns momentos.
- Oe... Está bem?
A voz grave arrancou-lhe daquele lugar onde a paz a dominava e sentiu a raiva subindo e o nojo quase dando náuseas. Empurrou a grande figura de casaco com plumas com toda a força que tinha e teve a impressão de que sua magia veio espontaneamente dando uma carga contra o homem.
- Me solte, Laxus!!!
Uma contundente pontada no crânio fez com que apertasse a testa e antes que qualquer outra ação do homem, Fried Justine apareceu olhando de maneira pouco amistosa para o Dreyar e depois para Cana que parecia ter sido assolada por uma dor incomensurável. O mago de runas a envolveu num abraço colocando seu rosto contra o pescoço masculino.
- O que foi?? O que foi, Cana?
Num suspiro profundo ela perdeu o foco novamente.
Abriu os olhos um pouco zonza e demorou quase dois minutos para se situar. Era um quarto de cores claras muito bem decorado, havia uma grande porta de vidro que dava para algum lugar fora onde havia luz pelo que indicavam as frestas que a cortina deixava. Sentia-se levemente mareada, mas muito bem... Era algo estranho, como se toda dor que lembrava de ter sentido não existisse mais.
Ergueu o corpo com ajuda dos braços e então avistou uma mobília estranha a um quarto... Ainda zonza e sentindo uma felicidade simples que não podia explicar tentou levantar. Os pés descalço sentiram a leveza do carpete e quando notou firmeza levantou-se e foi até o móvel que descobriu ser um berço.
Não estava mais longe do que quatro passados da cama e parecia muito bem localizado para tomar o sol quando a cortina se abrisse, mas não mais que o suficiente. Era branco com um mobile de estrelinhas fofas e uma lua e ali dentro jazia um pequeno bebê, tão pequeno que parecia ter nascido a pouco.
Sorriu admirando a criança, quando a ficha caiu que era sua criança e levou a mão para mais perto para tocar, tendo certeza de que era real. A porta foi aberta e fechada, passos macios vieram e braços aconchegantes lhe envolveram. Um rosto caiu sobre seu ombro mesmo sem olhar sabia que sorria.
- Eu pensei que não fosse acordar tão logo.
- Acho que a natureza sabe o que faz...
E então, novamente antes que pudesse olhar para o rosto, tudo ficou escuro.
Cana abriu os olhos e uma nova pontada no crânio fez com que perdesse a força nas pernas sendo amparada pelos braços firmes do Justine que estava quase se desesperando.
- Cana... Cana...
- Me leva embora...
E então perdeu os sentidos fazendo com que o mago a pegasse no colo.
- O que foi? O que aconteceu lá dentro?
O Justine deu as costas ao loiro indo em direção a sua casa.
- Não sei, mas não é da sua conta, Laxus.
E então foi se afastando deixando o loiro olhando para o casal, sentindo um sentimento estranho revirando suas entranhas, apertando tudo o que tinha dentro. Os breves segundos que teve em contato com a pele dela o fez sentir como se uma descarga elétrica viesse pelos músculos e uma infinidade de lembranças ebuliu. E naquele momento foi como se tivesse saído de um transe... Finalmente a ficha havia caído a respeito do fim.
Tinha bloqueado os sentimentos naquela noite quando ela disse as palavras mais duras que ouviu, mas agora toda a onda de sentimentos estava ali. E doía. Doía muito. Amava aquela mulher e ela o rejeitou e abandonou. Sua parte racional entendia perfeitamente, mas a outra gritava que não podia terminado, não deveria ter terminado.
Quanto um homem podia amar uma mulher e mesmo assim fazer a maior burrice do mundo?
***
Fried estava aflito, entrou em seu apartamento e colocou Cana sobre o sofá ainda inconsciente. Não sabia o que fazer ou se deveria chamar alguém, e então quando estava prestes a se levantar para ligar para Wendy, ouviu um sussurro e quando virou-se a viu abrir os olhos e o chamando.
Ajoelhou-se na beirada do sofá e mexeu em seus cabelos castanhos, aliviado por ver que ela estava bem.
- O que aconteceu, Cana? O que foi que ele fez?
- Calma, bonitinho, foi só exaustão... Eu fiquei presa num flashback e quase perdi o controle da minha magia, quando sai correndo da guilda... bati contra o Laxus e então vislumbrei o futuro e então quando me abraçou, uma nova possibilidade apareceu...
- E o que foi que viu?
- N-não lembro... Existe um tabu dentro da clarividência, um vidente não deve prever sua própria história, por isso foram feitas contenções no inicio da magia que coíbem isso, por isso quando acontece ou o mago força isso ele perde a previsão...
- Então não se lembra o que viu? Nada?
- Algumas imagens fracas, mas nada que consiga interpretar... Minha cabeça dói muito... Estamos em casa?
- Sim, sim... Eu te trouxe para cá, quer ir para o quarto? Posso te fazer um chá... Ou será que é melhor um remédio para dor de cabeça?
Cana sorriu cerrando os olhos, sua cabeça latejava como se houvesse uma marreta colidindo contra seu crânio, Fried era realmente uma gracinha. No fundo, não importava quanto tempo tivesse passado ou quão machucado foi, ele não perdeu a essência de quem era. Um homem gentil acima de tudo.
Suspirou e sentiu seu corpo ser retirado do contato macio do sofá e ser levemente embalado até novamente ser colocado sobre uma superfície macia. Ouviu som de passos pelo quarto e o som das cortinas sendo puxadas. Quando abriu os olhos novamente na penumbra viu o vulto do Justine juntamente com uma bandeja.
Ele se aproximou com a xícara de chá e fez com que a morena sentasse, ajudou-a a beber apoiando sua cabeça no ombro.
- Eu não sabia se te dava chá ou remédio, então fiz os dois...
- Hum... Obrigada... Mas acho que estraguei sua noite.
- Posso viver com isso, agora fica tranquila, seja lá o que foi isso já passou.
***
Em algum lugar não identificado do reino, Gildarts estava sentado sobre a barra de um bar de um velho conhecido. Não era um lugar de reputação muito boa, mas era excelente para conseguir boas informações. O barman era um velho bigodudo e roliço que desenvolvia aquela função desde que o Clive estivera ali pela primeira vez, 30 anos antes quando não passava de um jovem mago fazendo um favor ao mestre.
Yuto enxugava canecas recém-lavadas enquanto Gildarts bebia cerveja e lia um relatório a respeito de seu velho ‘amigo’ Ivan Dreyar. Com aquilo poderia avacalhar muitos planos dele sem ser descoberto. Aquele idiota estava cada vez pior mexendo com contrabando e outras coisinhas mais.
Terminou de ler e destruiu aquilo evitando possíveis problemas. Suspirou lembrado de um passado distante quando Ivan ainda era jovem e viviam brigando e rolando, destruindo a guilda como os jovens faziam hoje. Olhou para o fundo da caneca de cerveja e notou que estava na hora de ir embora.
Deixou dinheiro sobre o balcão suficiente para pagar sua bebida e informação.
- Gildarts-kun.
O barman chamou.
- Hum? Sim?
- Acho que vai gostar de saber disso. Encare como uma cortesia pelos anos de parceria.
O mago pegou o papel enrolado e foi embora voltar a sua viagem, tinha alguns planos para acabar. Já estavam bem longe do bar escuso quando desenrolou a folha surrada de papel amarelado e sentiu os joelhos tremerem. Aquilo não era possível. Como é que aquilo tinha acontecido???
Leu novamente a folha para ter certeza de que não tinha entendido errado e infelizmente não tinha. Apertando a visão viu uma mensagem em caligrafia no cantinho da folha já bastante surrada. Tinha que lembrar de recompensar Yuto quando passasse de novo por ali. Destruiu o papel e mudou o rumo de sua viagem.
As falcatruas de Ivan podiam esperar, tinha uma missão mais importante para fazer como pai.
***
Laxus estava em casa fazendo uma faxina, tinha muito coisa ali que merecia ir direitinho para o lixo. Não que fosse um homem bagunceiro ou que fizesse acúmulo desnecessário de coisas, mas depois de muito tempo, sempre havia aquelas coisas que iam ficando.
Sinceramente não importava muito aquilo, só estava arrumando uma desculpa para não ir a guilda. Depois daquela maldita topada um monte de sentimentos com os quais não queria lidar estavam borbulhando. Tirou uma caixa do alto do guarda-roupas e quando abriu sentiu um sorriso irônico brotar-lhe na face. Dizem que tudo o que não queremos encontrar reaparece quando menos se espera e ali estava a prova, aquela era a caixa de recordações. Haviam muitas fotos de viagens que fizera com Cana entre missões, alguns presentes que ganhou dela, um top que ficou misturado as suas coisas... Pegou uma foto em particular. Foi de quando a convidou para passarem alguns dias num lugar tranquilo, longe da agitação normal da guilda, uma pequena pousada a beira mar. Não havia praticamente nenhum outro hóspede além deles e naquela noite houve um luau com os nativos dali.
Obviamente que Laxus preferia passar aquela noite enrolado em Cana enquanto testavam a qualidade do isolamento sonoro do quarto, mas ela queria tanto ir e pediu com tanto jeitinho que acabou por ceder a sua vontade sem reclamar. Estava tão bonita naquela noite... Não que ela não fosse bela sempre, mas não sabia explicar... em pouco tempo a morena já tinha interagido com os nativos e estava em uma roda dançando com outras garotas algo que deveria ser algo bem especifico do lugar. Poucas vezes havia visto sua morena tão tranquila e relaxada. Em algum ponto enquanto ela ria e dançava tirou-a da confusão de pessoas para que dançassem juntos.
Não tinha o menor talento para tal, mas foi divertido, uma das noites mais divertidas que passaram juntos e foi ali, no meio daquela confusão, que ela pela primeira vez disse que o amava. E Laxus sabia o quão difícil era para ela admitir isso. Ficou imensamente feliz, tanto que a tirou do chão em um abraço e girou ambos em seu próprio eixo. Ela ria e se debatia debilmente como se quisesse se libertar, quando chegou ao chão, alguém do hotel passou e perguntou se queriam uma foto. Cana estava prestes a dizer que não, mas o Dreyar logo falou mais alto, foi ali que ela admitiu em voz alta que o amava então precisavam guardar aquele momento.
Na foto a estava abraçando por trás com o queixo descansando em seu ombro.
Aquele com certeza era um dos sorrisos mais lindos que já tinha visto em seu rosto... Um sorriso amargo surgiu em sua face. Eles tinham tudo para viver juntos até o fim de seus dias... Nunca naquela noite podia imaginar como aquela história terminaria. Se soubesse que seria assim, nunca quereria que ela o tivesse amado como admitiu naquela noite, pois o sofrimento que veio depois provavelmente acabou com grande parte da Cana que ele conheceu.
E sua culpa, desoladora.
Continua...
Notas finais
Espero que gostem e me digam o que acharam.
Kisskiss
Fale com o autor