Broken Strings
8 O quinto ponto de vista
Notas iniciais
Boa leitura!
PS: A FIC FOI RECOMENDADA!!! WEEEEEEEEEE!!! pITUCHUCA -CHAN VOLTOU!!! ESPERO QUE ELA POSSA COMENTAR!!! UM BEIJÃO MINHA CARA!
Cap. VIII – O quinto ponto de vista
Lissana caminhava pela Fairy Hills aproveitando o momento de sossego, não que o dormitório fosse um lugar tranquilo, longe disso, mas com todas as meninas no pátio externo cuidando dos últimos preparativos do casamento de Juvia, havia uma certa paz. Descalça pelo assoalho de madeira e ao ouvir o rangido de uma tábua fez uma nota mental de pedir ao irmão ou outro garoto da guilda vir consertar.
Passava tranquilamente a toalha pelos cabelos platinados que agora chegavam praticamente a altura dos ombros num corte repicado, abriu a porta de seu quarto e viu as sacolas remanescentes da compra de dois dias atrás. Um sorriso fraco surgiu nos lábios, foi sem dúvida um momento muito tranquilo e agradável, mas não podia deixar de lembrar do olhar da irmã enquanto se afastavam. Mirajane ficou triste, sem dúvida.
Pendurou a toalha num cabideiro para em seguida sentar-se em sua penteadeira.
A volta de Cana quatro dias atrás com certeza mudou toda dinâmica do grêmio. Realmente estava feliz pela volta dela e ainda mais contente porque ela não demonstrou nenhum tipo de hostilidade para com a irmã que pudesse gerar mal estar, só que ela também não demonstrou qualquer pretensão em se aproximar, não podia culpa-la em tudo, entretanto gostaria que as duas tentassem reatar a amizade.
A morte dos pais quando ainda eram muito jovens fez com que ela tivesse que crescer muito rápido para sustenta-los e sem dizer que antes de chegarem a guilda passaram por maus bocados com pessoas muito mal-intencionadas. Tinha lembranças muito turvas da época, mas sabia que o comportamento agressivo de Mira veio desse período, da necessidade de defendê-los.
Não podia afirmar com certeza que sua natureza selvagem já não existisse, afinal, também lembrava-se dela ser muito aventureira quando os pais eram vivos, mas como eles eram magos sempre em missões, ela também teve de aprender a cuidar de si e dos outros.
E sua morte havia ocasionado uma mudança brutal de pensamento, além da culpa por levá-la numa missão Classe S, de ter falhado em protegê-los. Então a natureza cuidadosa dela aflorou de maneira a tentar suportar a dor e a culpa... Mas no fundo a Mirajane que gostava de uma boa adrenalina estava lá lutando para sair. E aparentemente não lidar mais com sua outra natureza terminou de maneira brutal.
Suspirou.
Não gostava do clima instalado depois daquela noite.
Todos aparentemente ficaram desconfiados uns com os outros. Não era algo consciente, mas estava ali, a semente da traição que nunca existiu naquele seio havia sido semeada. Ninguém nunca cogitou qualquer tipo de traição, mas quando aconteceu, foi como se todos agora esperassem que acontecesse. Sem dizer que a mudança de Fried ainda muito chocava a todos. Sinceramente o admirou muito quando ele pediu desculpas a irmã por seu comportamento inadequado, mas sabia que ele ainda não tinha perdoado. Podia ser pensamento do quem não havia passado pela situação, mas com certeza achava de todo o coração que o perdão seria a melhor opção. Não que esperasse um reate, mas sentimentos de hostilidade com certeza não fazem bem a ninguém.
Era visível ao olhar para Cana a pessoa fechada e amargurada que se tornou, uma pessoa totalmente desiludida com a vida. Foi como se um pedaço dela tivesse sido arrancado restando apenas restos lutando para manter-se inteiros. Lembrava-se do amor que via nela enquanto estava com Laxus, chegava a ser quase palpável seu amor... naquele período era como se estivesse completa. Agora só um esboço.
Não conseguia imaginar o quão cruel foi ter arrancado o amor assim, afinal, se com eles que parecia tão certo terminou em destroços.... Chacoalhou a cabeça para afastar os pensamentos. Não podia ficar sempre pensando no ruim, nas possibilidades deturpadoras, era totalmente necessário saber que existiam, mas desconfiar sempre significava não confiar em mais ninguém.
E não existe amor sem confiança.
Oh... Lembrava-se de todas as ‘namoradas’ de Fried, ele nunca mais foi capaz de confiar em ninguém. Com certeza muitas delas não mereciam confiança, entretanto, algumas vezes viu sinceridade, e em todas essas sentiu pelas garotas, será que ele não via o mal que estava fazendo a essas pobres jovens? Agindo como um conquistadorzinho barato ele só deturpava mais o amor que um dia sentiu tanto por perder. Além de ter sofrido, causava sofrimento como se procurasse punir a Mirajane em cada uma delas.
A irmã sofria também, tinha total consciência de sua culpa, mas não olhava só por esse prisma. As ações dela geraram consequências das quais não podia nem reclamar, pois querendo ou não as tinha procurado, o que não diminuía a dor de modo algum. Mira havia tentado alguns encontros e teve uma época que achou que engataria um romance novo, mas no fim ela desistiu de tudo. A culpa não deixava que sentisse em frente. Lisanna supunha que a irmã não se permitiria ser feliz sabendo que Fried não era feliz, esse compartilhamento de dores também ligava-a a ele.
Laxus com certeza era o mais enigmático de todos.
Não duvidava um segundo de seu sofrimento, mas não podia dizer quais foram as consequências para si que suas ações acarretaram. Também o viu meia dúzia de vezes em tentativas frustradas de relacionamentos, mas nunca durou mais que alguns dias. Houve um tempo que chegou a pensar que ele e a irmã ficariam juntos, mas com o tempo foi percebendo o relacionamento dos dois de outra maneira. O que eles compartilhavam era uma inadequação de si mesmos. Havia coisas com as quais não lidavam e que não os permitia ser, ou que tentavam não ser.
Ambos compartilhavam um profundo medo de suas naturezas mais profundas.
A irmã não queria ser uma louca inconsequente que afasta as pessoas por sua agressividade, precisava da calmaria da amizade e do aconchego. Já o Dreyar temia que sua natureza mais profunda o fizesse como o pai, temia no fim das contas ser um vilão. Lutava com todas as forças para ser um deles como se precisasse estar sempre provando de que lado estava.
A solidão foi a maneira que encontrou de lidar com seus medos e dores.
Entretanto, essa solidão provavelmente sussurrava em seus ouvidos que se ele não era capaz de compartilhar, não podia ser realmente um deles. No final, ambos lutavam contra a solidão, mas não se encaixavam enquanto casal. Sem dizer que se engatassem um romance, todos iriam olhá-los de lado... Doía pensar, mas se incluía nessa lista. Não que achasse que não tivessem o direito a uma vida com outro, mas é que parecia demasiado cruel serem felizes em cima da dor daqueles dois que amaram tanto e só perderam.
Não concordava com a interação amorosa que parecia haver entre Cana e Fried, mas não porque não achasse que não combinassem, mas sim porque as intenções deles não eram de uma vida em conjunto, mas sim retaliação. Não podia dizer em quais bases se fundamentaram a relação, mas achava difícil que não estivessem calcadas na dor.
Suspirou profundamente e sorriu triste diante sua imagem no espelho.
Gostaria tanto de fechar os olhos e poder voltar naquele tempo onde não havia a marca da traição.
***
Os dias seguiram tranquilos até o casamento de Juvia, obviamente que é da Fairy Tail que estamos falando e houve algumas destruições ocasionais da decoração, mas nada que não pudesse ser substituído. Juvia estava radiante no altar e foi um mar de lágrimas para todos lados... Elfman conseguiu chorar mais do que muitos.
Nesse momento os noivos estavam saindo para tomar a chuva de arroz, a igreja ficou vazia e a Alberona começou a passear entre os corredores da Catedral Kardia. Suas sandálias de salto com cristais batiam no chão e com uma delicadeza imaculada erguia levemente a barra da saia do vestido azul de madrinha. Oh Mavis, Juvia foi uma mulher cruel ao escolher os vestidos das madrinhas.
Podia ouvir ao longe o som da balburdia e sorrio feliz pelos amigos. Fechou os olhos e sentiu a magia fluindo ao seu redor... Imagens misturadas surgiram em sua mente, vislumbrou imagens do casal e de alguns amigos em épocas distantes daquele tempo, eles estavam felizes. Porém o sorriso se desfez com a imagem do bater asas do dragão negro.
Haveria uma batalha a ser travada no futuro...
Foi tirada do transe pelo som de outro sapato e ao abrir os olhos avistou uma figura interessante. Mirajane tinha voltado para dentro da Catedral atrás de um de seus brincos e ainda não percebeu Cana. Notou o rubor e a maneira com que ela olhou para os lados a procurada de qualquer outra pessoa, mas estavam sozinhas.
A albina usava o mesmo vestido azul ridículo e tinha o cabelo preso para cima, ficou fitando a Alberona com sua trança lateral cobrindo as cicatrizes do rosto. Já algum tempo desconfiava que ela escondia algo ali, mas não teve coragem de assuntar a respeito.
– Algum problema, Mirajane?
A Strauss suspirou e deu um sorriso amarelo, aquilo era tão constrangedor. Analisando a postura corporal da outra, não encontrou nenhuma perturbação ou agressividade.
– Hum... Perdi um dos meus brincos...
– Oh sim... Procure perto do altar, na hora da confusão antes do sim pode ter caído ali, vou dar uma olhada entre os bancos.
– Oh... Não precisa, vai lá com os outros, estão indo para guilda festejar!
Não queria ficar sozinha com a Alberona, não sabia explicar o motivo.
Antes que pudesse replicar, Lisanna apareceu com seu também horrendo vestido de madrinha azul e fitou a situação antes de falar como se nada tivesse acontecido.
– Oe meninas, vamos! Temos que tirar as fotos oficiais!
– Um minuto, Lisanna, eu perdi meu brinco... – disse Mira andando ao redor do altar –
– Quando formos fazer a limpeza nós achamos, Mira-nee, vamos, vamos... Eu quero tirar esse vestido logo! Oh Kami, eu vou me vingar de todos esses vestidos feios quando eu for a noiva!
A garota riu dando uma risadinha numa tentativa de humor e se assustou ao notar que Cana já estava ao seu lado, não tinha notado sua aproximação, foi como se ela simplesmente tivesse brotado ao seu lado. Uma rajada de vento muito bem colocada fez com que os cabelos castanhos se afastassem levemente do rosto dela, dando a albina uma visão das marcas.
A maga teve que usar todo seu auto-controle para não fazer uma exclamação ou nada que denunciasse sua visão. Então era por isso que Cana sempre escondia o rosto. Desviou o olhar para a irmã que falava consigo, mas não a ouvia.
– Achei perto do altar, obrigada pelo palpite, Cana... Er... Vamos?
Assim que as três mulheres colocaram os pés para fora da igreja uma nova rajada de vento que não tinha nada de natural balançou os vestidos e um arrepio de mau agouro subiu pela coluna da morena que rapidamente olhou para os lados sem conseguir ver nada. Inferno! Pensou Cana se concentrando a procura de quem tinha ocasionado aquilo. De repente o mundo pareceu um lugar perigoso demais. Era óbvio que voltar para a fairy tail não havia sido uma boa opção, não havia lugar no mundo onde estaria mais acessível.
Um pequeno círculo magico surgiu em sua mão e uma carta especifica de seu baralho surgiu, usando seu melhor sorriso chamou atenção das mulheres.
– Então meninas, esses sapatos são de matar, que tal um truquezinho?
Antes que falassem, um círculo surgiu e no segundo seguinte estavam das dependências da guilda que desde a área externa estava decorada. As duas albinas olharam surpresas e a morena riu.
– Wow... A gente... caramba, Cana! – Lis exclamou –
– Yare, yare... vamos entrar porque eu preciso tirar logo esse vestido!
As duas irmãs entraram e os olhos azuis de Mira notaram de soslaio que a morena não as acompanhava. Se não estivesse com tanta pressa de se afastar dela, teria associado a tensão surgida após aquela rajada de vento na porta da Catedral. Não era como se não gostasse da morena, era só um sentimento de aperto que a sufocava, ainda não estava pronta para lidar com ela.
Assim que se afastaram o suficiente a Alberona foi para um ponto especifico do portal do grêmio. Fried lhe contou de um sistema de segurança que havia montado com Levy a base de runas para proteger a guilda de possíveis ameaças. Era óbvio que por mais perfeito que fosse esse sistema, ele não conteria as intenções daquelas pessoas, mas isso lhe dava paz de espirito para os amigos. Não precisava que eles fossem postos em perigo.
Iria embora na manhã seguinte após conseguir falar com Bacchus e Kagura afinal, se estava sendo seguida, não seria a única. Olhou novamente ao redor antes de ativar as runas que se iluminaram de chão até o teto numa cor esverdeada para em seguida tornar-se invisível. Pelas próximas 24 horas todos ficariam farriando então estariam seguros dentro de seu campo de visão.
Entrou correndo para fazer as fotos e depois precisava tentar entrar em contato.
***
Laxus conversava com Bixlow quando viu Cana entrar na guilda com uma expressão não muito tranquila seguida de um sorriso falso. Em seguida Fried e Levy se destacaram indo no caminho contrário da multidão em direção as portas duplas. Uma de suas sobrancelhas se arquearam chamando atenção do amigos.
– Oe, Laxus, o que foi?
– Alguma coisa aconteceu...
Sem dar muitas explicações, saiu andando e foi seguido. Encontraram os dois magos mais inteligentes da guilda numa pequena discussão, uma sequência de runas corria diante de seus olhos como num sistema de programação.
– O que está acontecendo? – indagou e Levy o fitou –
– O sistema de proteção da guilda foi ativado, estamos tentando entender o que aconteceu. – a pequena desviou atenção e travou as informações e circulou um grupo de palavras com uma caneta mágica – Olhe aqui, esses dados informam que foi ativação manual... Não faz nem dois minutos... Não foi bug do sistema.
– Estou vendo, mas quem foi? E por quê?
Os dois se entreolharam.
– Tsk... como são chatos, só dá reset no negócio e vamos voltar para festa! Alguém deve ter ativado sem querer! – Bixlow rolou os olhos –
– Não. Deixem ativado. Eu não acho que foi feito a toa, mas de qualquer maneira não vamos descobrir agora quem foi. Amanhã vocês dois podem trabalhar nisso com mais calma.
Fried olhou para o Dreyar e sinceramente ninguém foi capaz de ler sua expressão.
– Laxus tem razão, aparentemente o sistema não foi danificado, então mal não vai fazer deixar ativado.
– Bem... Precisaremos fazer uma análise total do sistema para ter certeza de que nada foi danificado, mas isso demora e hoje é dia de festa. Vamos voltar... A Juvia está enlouquecendo por causa das fotos.
O quarteto estava voltando para o salão quando de repente Laxus e Fried pararam e olharam simultaneamente para a mesma direção. Foi só por um segundo, mas tinha alguma coisa numa árvore. Usando seus instintos de Dragon Slayer o Dreyar tentou achar alguma coisa mas foi em vão.
– Algum problema? – Levy os olhou –
– Não.
Os dois magos responderam ao mesmo tempo assustando Bixlow. A pequena maga azul estranhou, mas decidiu pensar nisso depois, era dia de festa. Saiu a passos apressados deixando-os para trás.
– Okay, o que tá rolando aqui? – Bixlow cruzou os braços sobre o peito –
– Nada, Bixlow... – Fried tentou continuar a andar, mas sem sucesso –
– Vocês viram alguma coisa que eu e a Levy não vimos, o que era?
O loiro suspirou e bufou em seguida.
– Eu senti uma aura mágica, um único instante, mas desapareceu. Não sei identificar, mas não deve ser coisa boa se está se escondendo.
– Eu também, tenho a impressão de já ter sentido isso antes... Não faz muito tempo. Mas foi rápido demais...
A conversa iria mais longe se Cana Alberona não surgisse abraçando o mago verde de lado, ninguém notou sua entrada, mas também não se assustaram.
– Ei parceiro, fotos individuais dos padrinhos, não quer que eu pareça fracassada e encalhada, preciso de você, okay? – ela sorriu e a face fechada do Justine se desfez na hora –
– Claro que não, minha cara.
Olhou para o trio.
– Algum problema? – indagou como se não soubesse de nada –
– Nada demais, vamos tirar essas fotos logo.
Continua...
Notas finais
Kisskiss
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