Broken Hearts

41 O peso do mundo sobre os ombros


Notas iniciais
Meus queridos leitores, Este capítulo contempla uma sequência dos acontecimentos do capítulo anterior (pós-bomba), além do que houve com Andrea Beaumont. Por fim, há um flashback, que eu considero não só a quebra das tensões dos eventos, mas essencial para mostrar os motivos das escolhas subseqüentes do Morcego com relação à situação. No mais, desfrutem da leitura e, se possível, deixem seus comentários se o enredo está satisfatório ou decepcionante. *** Queria agradecer em especial à: Jessica e BDPrince que deixaram recomendações à esta estória Eu fico lisonjeada com o carinho de ambas!!

► “Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, a fome, as discussões dentro dos edifícios, provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. (Os Ombros Suportam o Mundo/ Carlos Drummond de Andrade)◄

♣ Gotham || Após as explosões || Hospital Geral ♣

Batman olhou para os destroços, desolado. Havia pessoas mortas e muito sangue. O hospital não fora todo implodido, mas uma boa parte sim. “Pai, me perdoe. Eu falhei!”, ele disse a si mesmo, punindo-se internamente.

Thomas Wayne, seu pai, costumava trabalhar neste hospital. Era um de seus xodós. Seu pai amava aquele lugar. Ele amava trabalhar para ajudar as pessoas. E ele se recusava a ser remunerado por isso. Ele abdicava de qualquer retribuição financeira. A medicina para o chefe da família Wayne era um ato de amor.

Superman tinha mobilizado alguns membros da Liga da Justiça para ajudar a levar vítimas feridas para o hospital comunitário na outra extremidade de Gotham City, mas Bruce mal podia ouvir os gritos de bombeiros, médicos, pacientes e pessoas correndo. Tudo que ele sentia era um buraco no peito, que se abria mais e mais.

Gotham estava um caos. Diana estava correndo risco de vida. Uma bomba pode ter matado Andrea... Tudo desmoronava ao seu redor e ele sentia a dor latejante dentro dele. Ele não podia perder mais ninguém. Ele não agüentaria, sem enlouquecer.

Mais da metade do Hospital Geral de Gotham estava no chão. Quase um vestígio patético do que era antes. A imensa estrutura imponente que ele ajudara a ampliar, em nome de seu pai.

Ele deu o nome de Thomas Wayne à ala de Oncologia de alto padrão que montara especialmente para os cidadãos que não podia pagar. A pediatria tinha o nome de Martha Wayne, sua mãe, que amava crianças.

Tudo agora era uma massa de entulho e pó.

“Por que caímos, Bruce?

Para aprendermos a nos levantar!”

O som da voz de seu pai ecoava em seu coração pequenino, esmagado. Lembrando-se da queda em um buraco no jardim da mansão, quando criança, que levava ao aglomerado de cavernas subterrâneas que hoje compõem a Batcaverna.

— Os ataques parecem ser direcionados a você, Batman – latiu o Superman, ao lado do Batman, soprando forte para conter as chamas de se espalharem por outros lugares da cidade, enquanto auxiliava os bombeiros.

A voz incorpórea de Alfred no link de comunicação interrompeu Clark.

"Senhor, a polícia está à sua procura. Eles querem seu depoimento sobre a possível morte da senhora Grant. Uma bomba explodiu no apartamento dela e testemunhas disseram que, durante o enterro do promotor, ela e Bruce Wayne marcaram um jantar. A polícia suspeita que o senhor provavelmente foi o último a vê-la com vida”, foi o comunicado do mordomo.

— Entendido, Alfred. – Batman respondeu, bufando e desligou seu link de comunicação.

— J’onn está aflito, Batman. – Superman falou após um breve toque no ouvido esquerdo, como se ouvisse algo. – Diana entrou em crise novamente. Ela está esmurrando todo seu dormitório. J’onn acha que alguém está acionando os nanobots, controlando-a de alguma forma. Ele me pediu para voltar à Torre para contê-la, caso ela consiga sair do seu quarto. Ninguém além de mim pode fazer isso e temos civis à bordo. Ela pode machucar alguém! – Kal-El continuou.

Batman olhou para ele furioso. Com sentimentos tão aflorados, irritadiço e sensibilizado, o ciúme foi mais uma centelha para ser acrescentada ao fogo das emoções, como gasolina para aumentar as labaredas de outros sentimentos mais mesquinhos, contudo, tão humanos.

— Eu disse especificamente ao J’onn que me comunicasse sobre qualquer coisa acontecendo à ela. Qualquer coisa... Por que ele entrou em contato com você e não comigo?

— Ele está preocupado com você, Batman. Gotham está um caos. Ele não quer te preocupar ainda mais!

— Não – Bruce balançou a cabeça decisivamente. – Tem algo errado. Há algo mais e ele não quer me dizer.

— E você sabe disso por causa de um comunicado que você sequer ouviu? – Os olhos de Superman se arregalaram, incrédulos – E dizem que o Questão é paranóico.

— Eu vou resolver. Só me dê algum tempo, Superman!

— Batman, não!! As coisas aqui estão tensas. Nós cuidaremos dela. Eu vou estar lá para o que ela precisar. Fique aqui. Gotham precisa de você.

Bruce olhou para seu amigo firmemente nos olhos. Esse era um dos problemas: Clark estaria lá para ela e ele simplesmente não podia. Ele não estaria lá quando ela mais precisa dele.

— Você quer que eu mande mais ajuda? – O homem de aço questionou.

Silêncio.

— Bruce? Me diga alguma coisa.

Mais silêncio.

O Superman desistiu.

— Certo, eu vou embora.

— Superman... – Bruce gritou e Clark sentiu uma leve onda de medo em sua postura. – Ela não tem medo de nada. Ela nunca teve que lidar com o medo antes. Se ela está feroz agora, é por causa do medo. É uma tentativa de se defender. Tente ser amigável. Faça com que ela confie em você. E não a deixe se machucar... Por favor.

A última palavra veio fraca. Mas o Kryptoniano ouviu. Bruce se importava com ela e muito!

Clark acenou com a cabeça e partiu.

♣ Gotham City || Docas ♣

— Como vai, senhora Grant? Eu não acredito que tenhamos sido apresentados. – O homem aproximou-se dela – seu marido morreu antes que ele pudesse fazer as honras, mas já que eu tive que matá-lo, podemos ignorar as formalidades!

Andrea gemeu, tentando entender onde estava. Ela estava num galpão provavelmente abandonado, sentada, tendo braços e pernas amarrados à cadeira de madeira. Seus pulsos e tornozelos doloridos indicavam que ela estava ali há tempos e algo pegajoso escorrendo da testa entre os olhos era um bom indício de sangue descendo. Logo, poderia ter levado uma pancada forte na fronte.

Ela olhou para o homenzarrão de pé na frente dela.

— Hã? – Ela engasgou. Uma náusea subida correndo por sua garganta, fazendo-lhe vomitar. A dor de cabeça era incapacitante. Havia um sentimento de angústia e nojo. – O que você quer? Já matou meu marido. O que quer de mim?

— Eu? Eu não quero nada. Mas meu contratante quer usar você para chegar ao Batman. Você é só um meio para um fim. Isso... SE ELE VIER. Pelo que diz meu contratante, o coração do Morcego está inclinado em direção a uma certa princesa amazona.

— Ele virá... por mim... Ele virá. – Ela sussurrou, fracamente.

— Bom, eu duvido. – Slade desdenhou. – Nós achamos que ele vai deixá-la morrer. Que vai sentir-se responsável por sua morte, senhora Grant. Homem estúpido... – O Exterminador riu – Mas se ele for idiota o bastante para tentar salvar você, teremos planos para ele.

— Seu maldito! Ele não vai me deixar morrer. Ele vai acabar com você!

— Meu contratante espera que não, senhora Grant... Mas eu, sinceramente, conto com isso. Mas ainda que ele esteja aqui, ele chegará tarde demais. Seja para você ou para a amazona. Ele precisa fazer uma escolha e uma das duas vai pagar o preço por isso.

“Bruce, por favor, venha logo”, Andrea pensou, em seu coração, antes de desvanecer.

♣ Gotham || Um ano antes ♣

Flashback on

(Início do relacionamento entre Bruce e Diana)

Bruce voltou à Gotham no fim da madrugada. Ele não pretendia dormir e sim passar o dia trabalhando na caverna.

Ele rapidamente tomou um banho no vestiário da batcaverna e colocou um jeans e uma camiseta básica. Ele então fez o seu caminho em direção à parte principal dos computadores para acessar o banco de dados e continuar investigações pendentes.

Quando se aproximou da poltrona do computador principal, viu Dick sentando em sua cadeira, sorrindo para ele como um perfeito idiota presunçoso.

— Saia! — Bruce ordenou, gesticulando com um aceno de cabeça para Dick desocupar sua cadeira.

— Ei, chefe, não vai rolar um “olá, Dick, que bom te ver?!” – A expressão provocadora no rosto de Dick indicou claramente suas intenções.

Dick ficou de pé, mas não se afastou da cadeira. Em vez disso, ele cruzou os braços na frente de seu peito e estreitou os olhos, estudando a expressão de Bruce de perto.

— Uau... Você parece quase... hummm... alegre. Quase feliz! – Dick brincou – Diana volta da missão hoje, certo?

— Não faço idéia. Agora, saia!

Dick deu um passo para o lado, seu sorriso se intensificou.

— Alfie disse que você o mandou cozinhar os pratos prediletos dela e colocar suas flores preferidas nos vasos. Tem certeza que não sabe?

Franzindo o cenho, com os últimos vestígios de “humor” se dissolvendo, Bruce novamente ignorou o comentário de Dick e empurrou a cadeira para frente, olhando apenas para o computador.

— Eu estou ocupado. Saia!

Então uma voz ecoou pela caverna.

— Aposto cem pilas que ela volta hoje. Ele passou a semana irritado. Mas Essa noite ele pegou leve com os coitados que o Batman encontrou pela frente. A surra não foi tão intensa. – Disse Tim, enquanto descia as escadas – Ele nem dormiu ainda, esperando por ela.

— Dick, você pode voltar para Blüdhaven quando quiser. Tim, você tem um relatório para processar, não tem? – Com um olhar periférico, Bruce captou o olhar que fora trocado entre os dois jovens heróis. Antecipando um argumento a respeito de suas diretrizes ou outra tentativa de conversar sobre seu relacionamento, ele se virou na cadeira e olhou furioso para o seu protegido mais novo.

— Desobedecer as minhas ordens significa uma suspensão no patrulhamento. Mais algum comentário?

A frustração de Tim era fácil de ler. Assim como Diana, seu filho adotivo mais novo era um livro aberto. E ele viu o ego ferido do adolescente, mas suprimiu qualquer vestígio de simpatia que sentiu – e culpava Diana por ser mais difícil fazer isso agora do que quando seus dias eram miseráveis e solitários.

— Isso foi muito duro, Bruce. Eu estou acostumado a você ser um babaca grosseiro, mas ele não. Ele quer sua aprovação. – Disse Dick.

— Acredite ou não, eu só quero o melhor para ele.

— Talvez, se ele soubesse o quanto você se importa, fosse mais fácil para ele. – Depois de soltar um longo suspiro, Dick se virou e, em silêncio, andou vários passos em direção à entrada da mansão antes de fazer uma pausa para acrescentar, por cima do ombro:

— Seja razoável, Bruce.

Com o canto do olho, Bruce observou Dick subir.

Assim que ele se foi, um alarme suave soou no supercomputador. A luz piscando em um dos monitores transparentes indicou a presença de uma aeronave. O computador indicou que o jato de camuflagem invisível tinha aterrissado no deck de pouso da Batcaverna.

A voz robótica anunciou:

“Avião aterrissando na entrada. Passagem concedida: Diana de Themyscira, Mulher Maravilha, membro da Liga da Justiça”.

Bruce silenciou o sistema de identificação, respirou fundo e sorriu. Ela estava de volta!

Uma onda de emoções conflitantes o varreu. Os sentimentos iniciais de alívio e prazer que ele sentira foram rapidamente empurrados para baixo da superfície, para que não fossem percebidos.

Embora ele não quisesse outra coisa senão abraçá-la, ele esperou pacientemente até ela subir até ele. Mas não era uma tarefa fácil. Vê-la sorrindo, indo até seu encontro o levou a relembrar o sacrifício que foi sua batalha interna para mantê-la longe de si. Bruce balançou a cabeça em frustração. Às vezes, ele se sentia como um maldito adolescente.

Ele a viu subindo a escada do deck de pouso para o principal usando um jeans skinny escuro e uma blusa azul que amarrava na frente, como se fosse um presente que ele ganhara, esperando para ser desembrulhado.

Nem a luz escassa da caverna o impediu de ver os olhos dela brilhando, destacando-se com amor e carinho para ele.

Bruce exalou um suspiro de alívio, liberando a ansiedade que não percebia que ainda estava segurando. Ele se levantou quando ela se aproximou e imediatamente a puxou para seus braços. Antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele cobriu sua boca com a dela e beijou-a, longa e profundamente, abrangendo cada pedaço dela que seu corpo poderia abraçar.

Depois de um momento, incrédula com o ato de necessidade que Diana percebeu na demonstração de afeto desmedida de Bruce, ela começou a responder na mesma medida apaixonada.

Depois de algum tempo, quando o cérebro de Bruce, privado de oxigênio, foi finalmente capaz de convencer a crescente pressão dentro de suas calças, que havia habitantes demais na casa para mostrar a ela o quanto ele sentiu falta dela, desnudando-a ali mesmo e levando-a ao limite de prazeres bem na mesa do computador. Ele se afastou.

— Acho que alguém sentiu saudades! – Diana sussurrou.

Bruce sorriu. Seu coração estava cheio. Parecia estranho, mas era tão bom. Os olhos de Diana se abriram em resposta e ela mordeu o lábio inferior e olhou para ele, através de seus cílios impossivelmente compridos. As bochechas coradas deram a ela uma dose extra de adorabilidade que ele amava.

— Eu preciso fazer check-in na Torre de Vigilância, Bruce. E ainda há relatórios para pôr em dia, sobre a missão. Mas eu posso vir pra cá assim que acabar. E quando você chegar da patrulha, eu vou estar aqui.

Franzindo o cenho, Bruce lentamente balançou a cabeça, apertando os dedos. Ele não queria que ela fosse embora, mas não havia motivo para detê-la.

(Além de sua libido e do apelo do seu coração, claro)

— Bruce? Não faça essa cara! Você parece um menino de quem roubaram o pirulito.

— Me roubaram outra coisa, princesa!

Tim veio à Bruce, para mostrar algo que ele percebeu enquanto trabalhava em seus relatórios. Algo sobre a expansão do cartel do pingüim.

Em um esforço para escapar do desconforto de Tim e do dele, Bruce se virou abruptamente e voltou para o posto de trabalho no computador.

Quando Diana não seguiu imediatamente, Bruce percebeu que ela estava se afastando para não atrapalhar. Então, mais uma vez como nas últimas três semanas, veio àquela sensação do quanto ela se encaixava bem em sua vida.

Antes de retornar às investigações com força total, ele se aproximou de Diana, pegou sua mão e a puxou para seu colo, ansioso por contato físico.

— Eu sinto Muito, princesa. Mas não sei se teremos tempo esta noite. Eu preciso verificar isso...

Ela imediatamente sentiu a mudança de seu humor e se virou para olhar para ele, que tinha a expressão sombria do Morcego.

— Eu entendo, Bruce. Eu nunca faria você escolher entre mim e Gotham. Nunca, entendeu? Eu nunca o farei desistir de sua missão. Eu o amo, em boa parte, por isso. Não apenas Bruce. Não apenas Bruce Wayne. Não apenas Batman. Eu amo todos vocês. E eu nunca poderia exigir prioridade quando sei que Gotham é sua prioridade.

Diana se inclinou para frente e beijou-o, levemente, despedindo-se.

Ele agradeceu por ela estar em sua vida... E novamente, um medo estranho se instalou. “Eu não posso... Eu não quero perdê-la”, sussurrou.