Broken Hearts
42 Velhos inimigos retornam
Notas iniciais

► “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”, (Sun Tzu – A arte da Guerra)◄
♣ Gotham City || Docas ♣
— Acordada, senhora Grant?! – Slade a esbofeteou, mas não foi tão forte. Era mais para mantê-la alerta que para produzir alguma dor – Decepcionada porque seu Cavaleiro negro não veio resgatá-la? Talvez ele não tenha se incomodado com seu desaparecimento. Afinal, ele tem uma amazona em chamas para cuidar.
— Cale a boca. Você não o conhece. Ele nunca deixa ninguém para traz. – Andrea latiu.
— Eu acho que você espera demais dele – O homem alto tocou sua bochecha distraidamente, fazendo com que ela voltasse sua atenção para ele.
— A Mulher Maravilha pode cuidar de si mesma e ela tem A Liga para salvá-la. Ele sabe que eu não tenho mais ninguém. Eu só tenho a ele. ELE VIRÁ. Ele virá por mim... Seu maldito! – Ela gritou.
— Bom... Se eu estivesse no lugar dele, eu deixaria você definhar – Slade respondeu olhando em seus olhos – Você pode ser bonita, senhora Grant, mas não é confiável e muito menos útil. Se ele for esperto, Batman escolherá a Mulher Maravilha. É melhor tê-la como aliada que como inimiga.
— Você é um bastardo desgraçado. – A raiva crescente de Andrea, sendo confrontada com uma verdade dolorosa a manteve alerta – Você esquece que ele é justo. Afinal de contas, ele é o Batman. Ele virá atrás de você para fazer justiça e, por conseguinte, me salvar – A ruiva manteve o tom de certeza na voz, embora estivesse longe de acreditar nisso. – Por que você se importa?
— Com você? Eu não dou a mínima! – A voz de Slade era fria como o aço. – Tudo que me importa é meu pagamento e, se possível, mais um embate com o Morcego... Ele é um dos poucos que consegue me oferecer minimamente um bom desafio em um combate direto.
— Não... Você quer que ele venha por isso, mas há algo mais.
— Diga-me então, mulher – ele debochou.
— Sem máscara você não é tão ilegível. Eu sou boa em ler as pessoas. Eu consigo ler o Batman por completo. – Ela riu e o irritou – Você quer que ele venha por causa dela? Por quê?
Ele não respondeu e ela deduziu que acertara o alvo.
— Você deve ter algo... Algo que ele vai querer. Que pode ajudá-la, mas você vai obrigá-lo a escolher.
— Sim... – ele confessou, lacônico – E como você vai morrer, eu não me importo que saiba. Eu tenho uma dose do antídoto. Meu contratante me ofereceu, para o caso de eu ser infectado ao manipular o vírus em você e na amazona.
— ELE NÃO VAI ESCOLHER ELA. PARE. PARE DE DIZER ISSO! – Ela gritou, em lágrimas. Um misto de medo, decepção, dissabor. – Você não é do tipo que se apaixona. Não me diga que está apaixonado por ela. Patético! (...) Ela é muito mais um soldado que uma mulher. Sempre com aquele uniforme, que mais parece uma versão feminina de uma armadura espartana. Ela vive entre homens e luta no meio deles. Deve cheirar como eles também!
Slade se aproximou dela com passos duros. Então se agachou para ficar na altura de seus olhos. Aquilo acendeu seu medo em demasia, mas ela não ia deixá-lo perceber, ou desfrutar disso.
— Você não pode entender, senhora Grant. Você é só uma donzela, cativa dos próprios deslumbramentos que cultivou na alta sociedade. Você não disciplinou seu corpo exaustivamente para alcançar a perfeição da forma física, das habilidades marciais; não afia a mente com estratégia. Suas mãos... – ele pegou as mãos dela – são macias demais. Não há calos, por excesso de treinamento.
— Então eu devia achar que ser como ela é uma virtude e não um defeito, seu ignorante? – Andrea riu. – Eu sou uma mulher, não um soldado lutando por Esparta!
— Como eu disse, você não entende. Mas eu entendo o Morcego. E não... eu não estou apaixonado. Eu controlo minhas emoções e isso é patético, como você bem disse. Tê-la como aliada e amante seria um bom movimento, nada mais. Com a mulher mais poderosa da Terra como parceira, imagine quanto mais eu poderia ganhar?
— Ela pode ser bonita e forte, mas falta-lhe uma dose relevante de feminilidade, o traquejo e a sutileza das mulheres finas e bem educadas. Ela pode até ser uma princesa, mas obviamente não fora criada como uma.
— Eu imaginava que mulheres na sua posição, senhora Grant, eram imunes à inveja. – Slade levantou-se aos poucos, para olhá-la de cima. Para mostrar-lhe o quão impotente ela estava em suas mãos – Uma mulher bonita, inteligente, bem sucedida, sedutora... pensei que você era do tipo “segura de si”.
Andrea queria erguer o queixo para mostrar aquele bastardo irritante o “tipo de mulher que Andrea Beaumont era”. Uma mulher forte, decidida, corajosa. Alguém que enfrentou inimigos e dores muito piores que o cárcere onde estava agora.
Para que o Exterminador pudesse ver a determinação inquestionável em seus olhos – a força inabalável, que jamais se ausentara de seu olhar brilhante, que Bruce tanto amava nela e que “o hipnotizara por completo, impedindo-lhe de se afastar dela”, ela lembrou-se da noite em que ele confessara não só o fascínio que tinha por seus olhos, mas também o seu amor.
Mas Andrea não era capaz de erguer a cabeça. Ela estava tão fraca que poderia jurar que as cordas não seriam necessárias para mantê-la submissa. Seu corpo não poderia responder a qualquer estímulo. Além disso, havia a dor de cabeça incapacitante, que a mantinha nauseada, tonta e o pensamento letárgico.
— A Mulher Maravilha é um encantamento para ele. Um ideal de beleza, de força, de habilidade... Mas é só isso. Quando ele se der conta que essa utopia não se encaixa em sua escuridão, isso vai acabar. Eu o conheço, mercenário. Seu contratante certamente não disse como, mas deve ter dito que eu significo muito para ele, senão, não estaríamos aqui. – Ela continuou seu jogo, para ganhar tempo.
— Você esquece que, mesmo que ele tenha amado você, ele agora tem a ela. E, ao contrário dela, você não tem muito tempo. Ela tem anticorpos de um meta, você não. No seu organismo, a infecção se torna letal em oito horas ou dez horas, no máximo. Ele está cuidando de Gotham. Quando ele vier, será tarde pra você.
Slade Wilson parecia saborear cada segundo. Não pela razão óbvia de matar aquela mulher, que para ele não significava nada, mas porque poderia saborear de uma luta com um Batman muito mais instigado pela fúria violenta, desencadeada pela morte dela.
— Se serve de consolo, nosso alvo é o Batman. Não você... Mas ele vai sentir sua morte, senhora Grant. Isso prova que ele se importa, não é? – Slade completou.
Andrea deixou os ombros caírem, em decepção. Ela tinha poucas esperanças que ele viesse. Mas muito mais para obter o antídoto ou para vingar Gotham que por ela.
E em silêncio lamentou desperdiçar seu amor de tantos anos. O único amor verdadeiro de sua vida. Lamentou tê-lo deixado, ter abandonado sua única chance de felicidade.
As lágrimas voltaram a se derramar através das bochechas, mas desta vez, o sentimento era puro lamento. Seus olhos finalmente perderam a força e ela sentiu o coração anunciar a desistência.
“Talvez a morte não seja realmente um castigo... Cuide-se Bruce... Eu nunca deixei de amar você, nem por um segundo”, ela disse para si mesma, em silêncio, quando fechou os olhos, entregando-se ao cansaço.
♣ República Árabe da Síria || Ásia Ocidental ♣
— Ele já está com a Mulher sob custódia, meu pai. – A figura da bela morena deslocou-se pelo suntuoso salão com decoração de influência árabe.
— Não esperava menos. Não era uma tarefa tão difícil para nosso contratado. O plano deve ser seguido à risca. Eu não tolero falhas... Você sabe disso, mulher! – A figura do Grande Ra’s al Guhl se projetava em uma espécie de trono.
– Sim, meu pai. Eu estou cuidando de tudo pessoalmente.
— Mantenha um olhar atento sobre Talia. Eu não vou admitir que ela deixe seus sentimentos pelo detetive nublarem meu julgamento. E coloco em suas mãos a tarefa de mantê-la focada, Nyssa.
— Certamente, meu pai. – Nyssa prosseguiu, ponderando a escolha das palavras. Não queria aborrecer seu pai – O senhor confia no Mercenário para tais tarefas, meu senhor?
— Ele serve aos meus propósitos, por hora. Ele não é um grande inimigo do detetive à toa. Não é um título vazio, tampouco fácil de ser reivindicado. – Ra’s prosseguiu – Agora saia... Eu quero ficar sozinho.
A mulher morena atravessou o grande salão em direção à saída e sorriu, ciente de que o plano de seu pai estava correndo de acordo.
Nyssa era a irmã mais velha de Talia, concebida quando Ra’s al Ghul viajou para Rússia, ainda no século XVIII.
Enamorada pelas histórias românticas que sua mãe lhe contava sobre seu pai quando era criança, Nyssa partiu para encontrar Ra's e, eventualmente, localizou-o em sua sede no norte da África, à época.
Impressionada com sua beleza, suas habilidades de guerreira e o fato de que ela fora capaz de localizá-lo, Ra’s a promoveu a uma posição semelhante à de sua meia-irmã, Talia, como uma de suas mais elevadas associadas.
Ele deixou que ela usasse um de seus poços de Lázaro, para manter sua juventude e livrá-la da mortalidade.
♣ Gotham City || Docas ♣
Deadstroke afastou-se de onde mantinha Andrea sob custódia. Ele caminhou pelo corredor que dava acesso a outro ambiente exatamente igual ao que mantinha sua refém.
Eles estavam em um galpão que abrigara anteriormente uma fábrica de enlatados. Havia um imenso salão principal, agora vazio, onde os funcionários trabalhavam nas máquinas. E um nível acima, um corredor imenso que dividia um conjunto de salas, usadas como escritórios para os diretores da fábrica.
Tudo estava desabitado, empoeirado e mal conservado, evidenciando que o lugar estava abandonado. Em uma das salas, Slade deixou a mulher amarrada e trancada, sem absolutamente nada para que ela usasse para tentar desatar ou romper as amarras.
Em outra, maior, um computador ultra sofisticado, que seria para comunicação com seu contratante. O aparelho tinha a segurança da informação necessária para – se não impedir completamente – ao menos dificultar o Batman de rastrear as comunicações com facilidade e encontrá-los ou hackear suas conversas.
A imagem mal apareceu na tela e Slade latiu: – Tudo está seguindo como combinado, Nyssa. Eu não preciso de você exigindo um relatório dos acontecimentos à cada hora. A não ser que você pretenda me convencer a contratá-la como minha secretária pessoal. – ele sabia que o comentário iria irritá-la.
— O seu cinismo insolente não me incomoda mais, Mercenário. Sua petulância só era irritante porque eu cheguei a considerar um desrespeito para com meu pai. – A mulher na tela mantinha-se inabalável. Tão imóvel que se poderia jurar que ela estava petrificada, não fossem o movimento sutil dos lábios.
— Cheguei a solicitar que meu pai me permitisse um pouco de satisfação pessoal, autorizando-me a aplicar-lhe a severa punição que o ensinaria como dirigir-se e comportar-se adequadamente na presença de Ra’s Al Guhl, o líder imortal da Liga dos Assassinos.
— Nyssa, minha cara Nyssa... Meus negócios são com seu pai, não com os lacaios dele. – Ele viu o rosto de Nyssa se contorcer. – Se Ra’s quer os meus serviços, ele os têm. Ele sabe que eu nunca falho ou deixo negócios inacabados para trás. Contente-se com o fato de eu me dirigir a você sobre o andamento das minhas ações. Além dele, ninguém tem autoridade para exigir atualizações sobre o andamento das minhas atividades.
Vendo a fúria nos olhos dela, ele percebeu que era hora de soltar o resto do veneno que derramava aos poucos, com suas palavras, sobre ela:
— Ainda mais você, minha cara... Que ocupa um lugar tão distante do trono de seu pai. Você não figura sequer ao lado dele... Talvez, ele lhe deixe governar uma ilhota escondida em algum ponto do Caribe, sem nenhuma importância.
— Homenzinho infame... Meu lugar é ao lado de meu pai. Cuidando de seu império, seu braço direito!
Slade riu com vontade. Uma risada que era dura e rude. Um som que amedrontava simplesmente
— Homem tolo – Nyssa encobriu muito bem sua fúria – Você acha que só porque meu pai permite-lhe o privilégio de tratar diretamente com ele sobre seus planos para manter o Batman ocupado, ele o considera um aliado?
— Como se eu me importasse!
— Você não é nada além de um verme, tão abaixo de meu pai e de sua dinastia, apenas rastejando em sua imundície. Homem sem honra.
Slade queria rasgá-la em pedaços – contudo, antes, ele lhe daria, em primeira mão, uma demonstração do quanto ele era habilidoso. Especialmente em infringir dor excruciante em seus adversários, de forma não letal. Habilidades que poderiam causar inveja ao melhor torturador do exército Chinês, violentando suas vítimas com exímia precisão, por um período longo o bastante para que eles implorassem a morte, em sinal de misericórdia.
— O melhor de tudo, Nyssa, é que, mesmo um verme como eu, sobrepõe-se a você em inteligência. Você, como eu, é NADA para Ra’s. – Ele latiu – Não há lugar para você ao lado de seu pai. Há apenas dois lugares: um para Talia e outro para o Batman. Ele é obcecado pelo Morcego.
O rosto de Nyssa enrubesceu de raiva.
— Um homem apegado ao dinheiro como você é que não entende nosso propósito. Grandes estoques de podridão alimentar, enquanto as pessoas passam fome. Milhões morrem de doenças curáveis, enquanto as empresas farmacêuticas arrecadam bilhões. Nosso meio ambiente engasga com nosso desperdício, tornando-se tão tóxico que a vida falha. Você chama meu pai de genocida, mas tantos líderes o fazem pela ganância, apatia e negligência com a humanidade. Estes são os verdadeiros crimes. Meu pai vai mudar isso. Os planos dele serão bem sucedidos, desde que o Batman seja inutilizado.
Slade não respondeu com o respeito que Nyssa esperava. Apenas ficou em silêncio.
— Meu pai é um visionário. Quando o mundo estiver envolto em uma nuvem de opressão e violência, e seus heróis estiverem quebrados, humilhados, a apatia dos homens vai morrer e meu pai vai liderar a humanidade na criação de um novo mundo – Ela completou.
— Boa sorte com isso... Eu e meu dinheiro estaremos longe. E se o Batman for eliminado, eu posso pleitear meus caminhos na companhia de uma amazona. – O Exterminador debochou do tom idealista de Nyssa com uma ironia velada.
— Eu e Talia estaremos ao lado dele quando o novo mundo nascer. Um mundo de paz e igualdade. A humanidade será salva.
— Mas antes, vocês vão dizimar milhões, certo?
— É para o bem da humanidade... Uma limpeza natural, como a natureza, em sua perfeição, executa de tempos em tempos para o bem da evolução. – Ela finalizou a comunicação.
Agora, ela e sua irmã estavam lutando ao lado de seu pai. Ela iria provar a ele seu valor. Mas Nyssa queria mais que Talia. Sua irmã queria o Morcego para ser seu consorte, mas Nyssa queria o lugar que Ra’s desejava que o Batman ocupasse: ser seu general, seu braço direito.
Nyssa encontrou-se olhando para o horizonte quando disse a si mesma: “Seja paciente, Nyssa... Por hora, vamos ver se o Batman é tão bom quanto meu pai e Talia acreditam que ele é”.
♣ Smallville || Kansas || Dois meses depois ♣
Bruce estava basicamente no Kansas por causa de Diana*.
Tim decidira que queria passar o fim de semana com sua nova equipe Titã e Bruce não poderia culpá-lo por isso.
Ele também tinha dito a Alfred mais vezes do que ele poderia contar que era bom para ele tirar férias, visitar velhos amigos e relaxar. Mas o homem se recusava a deixar Bruce em casa sozinho... Até a chegada de Diana.
E com Alfred tomando o vôo para Londres e Tim fora, Diana achou por bem que não lhes faria mal aceitar o convite de Clark para ir até o Kansas para conhecerem seus pais.
Sendo assim, lá estavam eles no Kansas, saindo do aeroporto mais próximo à SmallVille, que não era tão foi próximo, em um carro alugado, dirigindo através de uma paisagem que não trazia muita empolgação e provocava o mínimo de interesse visual.
Ele não tinha nenhuma expectativa de se divertir. Não era culpa de ninguém. Era apenas como as coisas eram, há 25 anos, desde a morte de seus pais. Simples assim, mas quando ele olhava o sorriso no rosto dela, tudo mais se dissolvia dentro dele.
Felizmente, ele era muito bom em fingir divertir-se. Ele não queria estragar o fim de semana dos pais de Clark, de seu amigo ou de Diana.
A fazenda dos Kents tinha uma entrada de carro que era praticamente uma nova estrada. Não era de admirar que tivessem conseguido esconder um alienígena em um lugar como esse. Quem iria pensar em olhar alguma coisa neste fim de mundo? Mesmo que quisessem, precisariam de binóculos.
Clark estava esperando na varanda da entrada da casa quando Bruce e Diana chegaram. Era estranho vê-lo sem terno ou óculos. Ele era um homem diferente. Um espaço desconhecido entre as duas identidades. Assim como ele, que era um homem que habitava entre a persona do playboy e do morcego.
— Olá, Sra. Kent. – Disse Bruce.
— Nossa, você é tão grande quanto Clark – Ela disse, brincando – Ele é um alienígena, então... Qual é a sua desculpa, filho?
— Minha casa tem tetos altos – Bruce respondeu, espirituoso.
— Bruce, esta é a minha mãe. Mãe, este é Bruce Wayne.
— Você parece menor nas fotos dos jornais. Mas definitivamente, é mais bonito ainda pessoalmente – Ela disse, estendendo a mão.
— E essa é Diana, Má – Clark abriu seu sorrido mais gentil.
— Como vai, senhora Kent? – Diana sorriu amplamente, acompanhando o alienígena.
— Você pode me chamar de Martha, querida.
— Sinto muito, Sra. Kent – disse Diana – mas eu não acho que seja uma boa idéia.
A mãe de Clark olhou para Bruce, que colocou as mãos nos bolsos.
— Desculpe, querido!
— Tudo bem, não há problema, senhora Kent.
— Clark me pediu porá deixar Diana com o lugar mais confortável; Por isso, organizei o quarto dele para você ficar, minha querida. Então, Bruce, você e o Clark podem ficar no quarto de hóspedes. Há um beliche muito confortável lá!
— Isso é bom! – Bruce respondeu sem graça.
— A não ser que você queira compartilhar o quarto com Diana, é só dizer. Eu entendo esses arranjos, querido. Eu não sou uma pessoa ignorante, afinal!
Bruce manteve o rosto cuidadosamente neutro e Diana estava três tons mais vermelha.
— Mãe – Clark repreendeu.
— O quê? – Martha perguntou. – Eles podem compartilhar o quarto, querido. Desde que eles não façam muito barulho enquanto eu estou tentando dormir.
— Má, pelo amor de Deus, por favor, não diga mais nada sobre isso, ok? – A voz de Clark estava abafada por suas mãos, porque ele tinha enterrado o rosto neles.
— Nós prometemos ser discretos para não acordá-la, senhora Kent – Assegurou-lhe Bruce.
Diana deu-lhe um tapinha no braço, em reprimenda tímida.
— Bruce!!
E só então ele riu!
(...)
— Vocês podem ficar aqui – Disse Clark, abrindo a porta à esquerda das escadas e se afastando para poderem entrar.
— Eu adorei – Diana disse, mas Bruce pensou que ela teria dito a mesma coisa se fosse o quarto fosse horroroso.
Havia um quadro no corredor, cheio de polaroids velhas, organizadas em uma colagem. As bordas brancas tinham sido rabiscadas com marcador permanente. Elas tinham datas e palavras que indicavam nomes e lugares.
— Eu estou tão feliz por vocês terem vindo! – Clark argüiu.
— Eu só vim porque ela me obrigou.
— Bruce, isso foi muito grosseiro. – Diana soltou.
— Você fala como se fosse a primeira vez que eu faço isso, princesa. – Bruce rebateu. – Eu sou um homem rude!
— Ah! Mas você tem uma alma tão sensível, Bruce – Clark fez piada e completou – Acho que você precisa de um abraço.
— Eu não preciso de nada disso – Bruce manteve o tom irritado, tentando manter Clark longe dele.
Não funcionou.
Clark já estava espalhando seus braços ao redor do seu rude melhor amigo.
— Clark, eu sei onde encontrar quantidades significativas de Kryptonita, me solte imediatamente.
— Essa é a resposta de alguém que precisa de um abraço de urso, para aquecer seu coração.
Bruce cruzou os braços sobre o peito, negando-se a retribuir.
— Posso dizer muito autoritariamente que não. Me solte, Kent!
Bruce estava sendo abraçado a contragosto. Ele permaneceu imóvel e com os braços cruzados e o rosto sem expressão.
— Clark, solte-me agora. Diana, me ajude!
Mas Diana mal podia se mover de tanto rir.
— Vamos aproveitar o momento, Bruce. Você nunca aceitou vir aqui e olha só onde você está?! Meus melhores amigos, aqui comigo! Eu estou muito feliz.
— Eu não estou gostando do momento.
— Daqui há um minuto você vai gostar... É só deixar a felicidade do momento entre amigos tocar seu coração de pedra! – Clark continuou a irritá-lo, de propósito.
— Eu não vou deixar você me abraçar por um minuto, Clark.
— Vocês dois precisam de um quarto. – Diana riu.
— Por favor, princesa, tire-o daqui! – A súplica presente no pedido de Bruce a fez rir.
— Vem cá, Di. Vamos dar um abraço em grupo?
Clark finalmente soltou Bruce, mas só porque estava rindo descontroladamente depois que viu a cara de desespero que Bruce fez com a continuidade da cena.
— Eu não sei qual o problema? Eu amo abraços. – Diana disse.
— Vocês dois são livres para se abraçarem quando quiserem, mas me deixem fora disso. – Bruce respondeu.
— Não é a mesma coisa sem você! – disse ela, com a mão no quadril.
— Você só gosta de abraços quando há potencialmente uma propensão para quebrar costelas, princesa?
— Eu sempre sou gentil com você, Bruce – Ela piscou.
— Não estou falando disso.
— Você não quer que eu seja gentil, senhor Wayne? – Diana e Clark se uniram em um complô contra ele.
— Você sabe o que eu quis dizer, princesa.
Seu sorriso não era tão reconfortante como ela queria que fosse, mas ela entendia que ele estava se esforçando para manter o tom de irritação e esconder que estava começando a se divertir.
— Você sabe que eu nunca te abraçaria sem o seu consentimento, Bruce. Apenas relaxe.
— Viu, Clark? – Bruce disse, apontando para Diana – Por que você não é igual a Diana?
— Eu posso tentar, mas não tenho certeza se posso encontrar botas nomeu tamanho. Será que eu vou caber no uniforme dela?
Nem mesmo Bruce conseguiu conter o riso. A imagem de Clark vestido de Mulher Maravilha em sua mente era absurdamente cômica.
Sim, o fim de semana ia ser divertido, por mais que Bruce quisesse negar!
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