Broken Heart - O Diário de Hanakichi
6 Coração Partido.
Notas iniciais
Querido Diário...
Eu estava realmente estranhando o fato do Shuya estar me tratando de uma maneira diferente. Tenho que admitir que ele amadureceu bastante, e isso é algo bom... Não que eu tenha deixado de ser a rival dele, longe disso! Ainda temos nossas briguinhas, que tem um gosto de nostalgia... Mas fora isso, algo mais me incomodava. Existia mais um motivo para eu ter retornado a Inazuma depois de tantos anos. Não havia esquecido da promessa que fiz ao meu amado... E eu estava contando isso com certa euforia para a Aiko-san... Porém ela também não parecia muito animada. Será que era simplesmente porque eu iria casar com o Fubuki-kun, a pessoa que ela odeia há tantos anos?
Esquecendo um pouco disso, ela me ajudou a arrumar minhas coisas em meu quarto, que por sinal, não havia mudado nada. A mesma cama com as cobertas rosadas, e os detalhes na forma de várias flores... Os presentes que eu havia recebido do time quando fiz aquela mega festa de aniversário... Até mesmo o uniforme do Inazuma Japão que um dia foi meu, estava pendurado na parede, ao lado de minha cama. Mas eu me surpreendi mais ainda quando vi o porta-retrato que continha a foto de nós duas, quando viramos melhores amigas... Ou melhor, irmãs.
– Aiko-san... Você fez tudo isso... Por mim?
– Claro que sim, Hanne-chan. — Ela retribuiu com um sorriso — Mesmo depois de tudo o que ocorreu, não esquecemos de você.
– Está contando com o Shuya também?
– De certa forma. Ele me disse um dia desses que estava sentindo falta daquelas suas briguinhas. — Aiko-san sorriu mais uma vez, e se sentou na cama — Todos aqui cresceram, Hanne-chan...
– E eu creio que as coisas mudaram, certo?
Quando eu disse isso, Aiko-san se calou mais uma vez, e virou o rosto. Toda vez que eu falava algo sobre "mudança", tanto ela quanto o Shuya ficavam indiferentes... Eu poderia entender por certo lado. Todos estavam trabalhando, seguindo suas vidas, mas fiquei por fora de muitas coisas.
Eu queria chegar ali, e deixar tudo mais feliz, como as coisas eram antes... E estava disposta a fazer isso.
– Aiko-san, sabe porque eu retornei?
– Saudades dos seus amigos? — Ela respondeu de imediato.
– Claro, maninha... Mas não se esqueceu de nada? — Então mostrei a aliança que havia ganhado há algum tempo, ela ainda estava em meu dedo — Irei realizar meu maior sonho!
– Hanne-chan... Não me diga que...
– Sim, Aiko-san. Irei me casar com o Fubuki-kun.
Dei um sorriso para ela, que ficou relutante por um tempo, mas acabou retribuindo. De fato, tudo parecia bem, eu tinha uma grande esperança... Afinal, ele tinha me prometido que me amaria, mesmo que eu tivesse minhas razões para fazer o que eu fiz...
Continuamos a conversar por um tempo, quando o Shuya aparece na porta do quarto. Ele parecia um pouco sonolento, deve ter passado por um dia longo no trabalho. Mas fiquei um pouco curiosa quando ele me olhou de uma forma fria, não por me odiar, mas sim porque provavelmente ouviu as minhas últimas palavras.
– Ai-chan... Eu estou indo dormir. Você não vem?
– Claro que sim, Shuya-kun. — Ela então se dirigiu a mim — Fique a vontade, Hanne-chan. Afinal de contas essa é sua casa também.
– Tudo bem, Aiko-san... Boa noite.
Ela então se levantou, e saiu em direção a seu quarto. Mas gelei quando ouvi os dois dizerem a mesma expressão para mim, em uníssono, antes de fecharem a porta.
– Boa sorte, Hanakichi.
Confesso que fiquei com medo, mas tinha esquecido de tudo aquilo rapidamente. Afinal, precisava dormir, porque teria um dia corrido pela frente. Faltavam alguns dias para o show, então eu teria tempo de sobra para reencontrar meus amigos e surpreender meu amado. Estava um pouco ansiosa, mas o cansaço da viagem falou mais alto, e logo adormeci.
No dia seguinte, acordei cedo, e me arrumei para começar logo o meu dia. Como eu iria passar o dia inteiro fora, escolhi minhas melhores roupas. Estava com os cabelos presos em um rabo-de-cavalo alto, com uma blusa bem justa, com um lírio branco pintado a mão na parte da frente, uma saia xadrez preta e cinza, e minhas botas de cano alto pretas. Não havia demorado muito para eu me maquiar, então logo fui para a cozinha. Daí eu me deparo com uma cena que me tocou o coração.
A Aiko-san e o Shuya estavam me esperando. Enquanto ele estava vestido formalmente, naquele típico terno e gravata, ela ainda estava com uma roupa simples, e um avental rosa. E nas mãos dela, uma bandeja com a minha comida favorita.
– Bom dia, Yumene...
– Etto... Bom dia, Shuya. — Respondi educadamente — Aiko-san... Vocês fez esses Onigiris...
– Sim, foi por sua causa mesmo, bobinha. — Ela completou, rindo um pouco — Na verdade, foi o Shuya-kun quem me pediu... Ele ainda se lembra daquele dia em que você quase devorou uma mesa inteira.
Naquele momento, me deu vontade de chorar. Mesmo depois de tanto tempo, eles se lembraram de tudo, mesmo! Imaginei que se a recepção deles já foi assim, a dos meus outros amigos seria melhor ainda... E a de meu noivo, nem se fala.
Tomei meu café-da-manhã junto deles, conversando principalmente sobre meus shows e como anda minha carreira musical. O Shuya parecia bem interessado nisso, e de certa forma estava feliz pelo sucesso que eu estava tendo... Foi a melhor refeição que tive em anos. Quando terminamos, Aiko-san me disse que iria abrir a floricultura, e pediu para que o Shuya me desse uma carona. E isso me espantou um pouco.
– Espera um pouco, Shuya... Você tem um carro?
– Não... Eu tenho um dragão. — Ele ironizou muito suas palavras — É claro, preciso dele para chegar rápido ao meu trabalho. Mas enfim, para onde você vai?
– Ah, logo eu te digo. Me espere aqui.
Corri até meu quarto e peguei um pequeno vaso feito de cristal, segurando-o com todo o cuidado. Enquanto isso, vi a Aiko-san se despedindo do Shuya, dando um beijo apaixonado. Aquela cena me encantou muito, e eu logo estava imaginando que iria passar pela mesma coisa em breve...
– E então... Podemos ir? — Disse quebrando o clima romântico.
– Ah... Claro, Yumene. — O Shuya respondeu um pouco desconsertado — Me siga.
Ao lado da casa onde se localizava a floricultura, havia um carro vermelho, do tipo esportivo. Sabe aqueles carros chiques que só aparecem nos filmes? O Shuya tinha um desses, era igualzinho! Ele estava na garagem ao lado da casa, e quando pegou as chaves, me chamou. Fui até ele, que abriu a porta do passageiro prontamente. Quem diria que meu rival sabia ser um cavalheiro, não é?
– E então... Para onde vai?
– Entregar isso para meu amado. Pode me deixar na casa dele?
– Yumene... — Ele então deu um suspiro — Creio que o Fubuki não esteja na casa dele, mas posso te deixar no lugar onde ele está. Tudo bem?
– Claro, vamos logo!
Ele então deu a partida, e fomos seguindo viagem. No meio do trajeto, vi várias coisas na cidade que fizeram meus olhos ficarem tão brilhantes quanto uma estrela. Era um misto de mudança e saudade, que fazia um bem danado para mim. Enquanto isso, o Shuya estava escutando uma música do UVERworld no rádio, provavelmente para se lembrar da Aiko-san. De repente o meu telefone toca. Meu empresário estava me ligando mais uma vez.
– Alô, Hanne?
– Bom dia, Kim! Onde você está?
– Resolvendo algumas coisas para o seu show. Tudo vai estar pronto em alguns dias... Mas como estão suas "férias"?
– Bem animadoras, por sinal. Me mantenha informada de tudo, ok?
– Pode deixar, Hanne. Ligarei para você em breve.
– Estarei esperando. — Então dei uma risada — Ja ne!
Depois de desligar, continuei a olhar para a paisagem de Inazuma, quando o Shuya resolve falar comigo.
– Yumene, pode me responder uma coisa?
– Claro, o que quer saber?
– Você ainda ama o Fubuki?
– Ora, mas que pergunta mais sem noção, Shuya! — Retruquei, um pouco incomodada — É claro que eu o amo. Porque acha que estou aqui de novo, e ainda estou usando a aliança que ele me deu?
– Eu só espero que o seu amor seja forte, Yumene. — Ele então para o carro, e me deixa na frente de um vistoso jardim — Enfim, chegamos. Você vai encontrar o Fubuki nesse lugar. Me ligue novamente se precisar de outra carona.
– Tudo bem, ainda tenho seu número... — Disse um pouco perplexa por causa das palavras dele — Até mais, Shuya.
– Boa sorte, Yumene... — Foi tudo o que ele me disse antes de seguir o seu caminho.
Eu estava a poucos minutos de reencontrar meu grande amor, e tinha que estar preparada. Respirei fundo, passei uma das mãos em minhas madeixas, enquanto segurava cuidadosamente o vaso de cristal que seria parte de minha surpresa, o começo de nossa vida como um casal unido...
Andei pelo jardim por alguns minutos, e nenhum sinal do Fubuki-kun. Talvez ele estivesse atrasado, ou quisesse me surpreender... Minha mente estava em polvorosa, eu queria logo vê-lo, e a ansiedade aumentava ainda mais. Poderia deixar para visitar meus amigos, mas levei em conta de que meu noivo estava me esperando. Continuei a andar, até que enxergo uma silhueta muito familiar. Eu não podia me esquecer daquele homem de madeixas platinadas curtas, pele alva e seus orbes acinzentados... Quando o reconheci, meu coração bateu cada vez mais forte, e sem pestanejar saí correndo ao seu encontro.
Porém, havia algo que eu não esperava naquele lugar. Eu tinha visto o Fubuki-kun de costas para mim, mas quando ele se vira... Eu o encontro aos beijos com outra mulher. Aquela mesma de antes, que me odiou em segredo... Até hoje lembro do nome dela... Ahiru Matsuki. E parecia que ela havia me visto, e quando me reconheceu... Me olhou com deboche, e tornou a beijar o meu noivo. E senti um punhal atravessar meu peito quando ele correspondeu aos beijos dela, acariciando suas madeixas loiras.
Olhei para tudo aquilo, horrorizada e extremamente triste. Fubuki-kun havia partido meu coração da pior maneira possível, e tudo aquilo que tinha escutado dele, não passava de uma mentira. Eu sequer conseguia piscar, e logo lágrimas caíram freneticamente de meus olhos. Sem acreditar naquilo, havia esquecido que estava segurando um vaso de cristal, e logo ele foi ao chão, se estilhaçando em inúmeros pedaços. O barulho do vaso se quebrando, também fez com que ele se assustasse, e olhasse para mim. E não demorou muito para o Fubuki-kun me reconhecer.
– Hanakichi...!
Eu não estava mais aguentando ver aquela cena nojenta. Saí correndo dali, chorando muito, e sem acreditar completamente no que eu havia acabado de ver. Eu poderia suportar qualquer dor, menos a de ser trocada por outra mulher. Do nada, sinto alguém puxando meu braço. E eu reconheceria quem faria isso da maneira mais simples.
– O que você quer agora, Fubuki?
– Hanakichi... — Ele disse um pouco preocupado, porque não usei o sufixo — Eu não sabia que você iria retornar...
– Claro que não... E agora te encontro aos beijos com a Ahiru! Que lindo, né?
– Por favor, não é o que você está pensando!
– Eu não preciso pensar, EU VI TUDO! — Gritei ainda chorosa — Pensei que ainda me amasse!
– Hanakichi... Acalme-se...
– CALA A BOCA! Você não tem o direito de falar nada! Eu larguei tudo, mas nunca esqueci de você, mesmo longe, eu sempre te amei. — Então mostrei a aliança para ele — Está vendo isso? Foi o que você me deu quando eu fiz 18 anos. Mas parece que não vale mais nada para você...
– Não foi minha culpa, por favor... Acredite em mim! — Ele disse em um tom desesperado — Sabe que meu coração sempre te pertenceu, e que a Ahiru tentou me seduzir várias vezes...
– Por favor... Não diga mais nada.
Sem pensar duas vezes, tirei a aliança de meu dedo, e a joguei em seu peito, com uma certa força. Ainda não conseguia conter minhas lágrimas, e percebi que ele não esbanjou reação, apenas fitou o objeto que ele havia aparado com uma de suas mãos. E antes de partir, deixei meu ultimato.
– Esqueça que me conheceu um dia, Shirou Fubuki. De hoje em diante, quero que desapareça da minha vida!
Saí do jardim em passos duros, deixando aquele que um dia eu amei, sozinho... Talvez ele nem ligasse, agora poderia ser livre para se deixar seduzir pela Ahiru. Porém, eu não queria mais lembrar dele. Fubuki conseguiu fazer o que nem mesmo meu maior rival conseguiu: Deixar meu coração partido, de uma maneira irreparável.
Eu estava tomada pela tristeza, e não estava ligando para mais nada, tinha até esquecido de encontrar meus amigos... Mas do jeito que eu estava, aquilo não seria mais possível. Estava focada apenas em esquecer sobre esse maldito casamento. Saí pelas ruas de Inazuma, atraindo alguns olhares, talvez porque fosse uma cantora conhecida, ou apenas pelas minhas roupas... Andei por algumas horas até chegar em um bar, que parecia estar um pouco movimentado. Apesar de estar com a maquiagem borrada, deixei a vergonha de lado e fui até o balcão.
– Garçom, quero uma garrafa do seu melhor whisky!
Eu não tinha o costume de beber, mas naquele momento, não estava ligando para mais nada. Sem pestanejar, peguei um copo, botei um pouco de whisky nele e o virei de uma vez só. Não satisfeita, fiz isso várias vezes, até a garrafa secar. Em minha mente, só aquilo não era suficiente, então pedi mais uma garrafa. Enquanto bebia, algumas coisas vieram em minha mente.
Antes de conhecer o Fubuki, tinha uma outra pessoa que eu sabia que poderia contar, sempre. Além do mais, essa tal pessoa ainda não tinha me encontrado aqui na cidade, então pensei que seria uma boa pedida sugerir alguns conselhos... Enquanto bebia, me lembrava de suas palavras ditas de uma maneira sincera.
"Eu quero que saiba de uma coisa, Hana... Se quiser me ver só como um amigo, eu não me importo, mas... Se o Fubuki te magoar, eu sempre estarei aqui pra te consolar..."
Após terminar de beber, paguei a conta a saí andando pelas ruas novamente. Já era noite, e as luzes dos postes estavam ofuscando um pouco minha visão. Eu estava andando em zigue-zague, mas com cuidado, já que estava usando salto alto. Não estava ligando para a movimentação das ruas, e para alguns homens que mandavam algumas palavras maliciosas para mim. Do nada, sinto meu celular vibrar. Olhei com dificuldade pelo visor, e percebi que era a Aiko-san me ligando. Não queria contar nada para ela, então desliguei o telefone e parei de caminhar. Pensei um pouco, e novamente peguei o celular. Digitei um número com dificuldade, e estava torcendo para ouvir uma voz do outro lado da linha.
– Alô?
– Alô... Kazemaru-kun...
– Essa voz... Hana? — Ele respondeu surpreso — Há quanto tempo!
– Como você está, meu amigo?
– Um pouco decepcionado... Tive uma briga feia com a Reika. E você?
– Vocês estão namorando?
– Bem, não mais... Ela ficou com raiva e não quer nem olhar na minha cara. — Ouvi ele suspirar, e em seguida ele prosseguiu — Mas porque está me ligando a essa hora da noite?
– É que eu precisava conversar com alguém, sabe... Eu voltei da Coréia ontem.
– Sério? Que ótimo... Quando posso passar na floricultura? Está morando aí, não é?
Fiquei em silêncio por um tempo, e respirei fundo. Depois disso, pensei no que havia ocorrido comigo pela manhã, e não contive as lágrimas. Ouvi ele dizer meu nome várias vezes, em um tom preocupado. Até que tomei coragem e consegui falar.
– Kazemaru-kun... Eu estou te esperando... Na frente da sua casa.
Depois disso, desliguei o celular e levei uma das mãos ao rosto, tentando em vão esconder minha tristeza e as lágrimas. Ouvi alguns passos dentro da casa, provalvelmente ele estava descendo as escadas, rapidamente. Quando ele abriu a porta, fora tomado por uma expressão de surpresa. E um pouco de espanto, também.
– Ah, meu Deus... Hana!!
Kazemaru-kun parecia preocupado, de certa forma. Quanto a mim, fiquei um pouco envergonhada quando o vi. Como ele estava com pressa, e não queria me deixar esperando a madrugada inteira, desceu trajando apenas uma calça jeans azul, e suas madeixas estavam soltas... Aquela visão do corpo dele me deixou com as bochechas coradas, levemente. Bem, eu já estava corada por causa da bebida, então aquilo só piorou a minha situação.
– O que aconteceu com você, Hana...?
– É uma longa história, Kazemaru-kun.
– Foi por isso que veio falar comigo, não é?
– Bem, sim... — Respondi soluçando um pouco — Eu posso entrar?
– Claro, me acompanhe.
Eu tentei tirar as minhas botas, mas tropecei em algo que não consegui ver, e estava prestes a cair de cara no chão, quando Kazemaru-kun me segura, com uma certa força. Vê-lo perto de mim só me deixou ainda mais envergonhada.
– Me desculpe... Eu... Sou uma desajeitada...
– Hana... — Ele então me encarou com uma certa seriedade — Do jeito que está falando... Você bebeu, não foi?
– Quem se importa? Uma garota não pode mais se divertir?
– Não posso te deixar mal desse jeito... Vamos até a cozinha, vou preparar uma bebida quente para você.
Ele então me levou até a cozinha, onde me sentei em uma cadeira. Enquanto isso, ele me pediu para me acomodar, enquanto ia preparar um pouco de café amargo, ele tinha me dito que isso evitava uma ressaca daquelas... Eu não tive escolha a não ser ceder a seu pedido. Alguns minutos depois, Kazemaru-kun chega com duas xícaras, cheias de café, uma para mim e outra para ele. Após se sentar na mesa, ele começa a falar.
– Hana, por favor beba isso. Vai te deixar bem melhor.
– Obrigada... — Então levei a xícara aos lábios tomando um pouco do café — Você continua sendo muito gentil...
– Eu me preocupo com você, oras. — Ele riu um pouco — Mas me diga, o que quer tanto falar comigo?
– Kazemaru-kun, eu... — Estava procurando as palavras certas para dizer a ele — Estou me sentindo horrível.
– Pode me dizer o porque?
– O Fubuki... Ele quebrou a promessa que fez para mim. Eu o vi aos beijos com a Ahiru.
– Espera um pouco. Depois de todo aquele tempo... Você ainda era noiva dele?
– Sim... Mas agora ele me traiu, e eu terminei tudo. — Disse com lágrimas nos olhos — E como você me disse que poderia contar com sua ajuda caso ele me magoasse...
– Entendo... — Ele então tomou um pouco do café e me encarou com seriedade — E o que vai fazer agora?
– Eu não sei...
Enquanto tomava o café, minhas mãos tremeram um pouco, e deixei a xícara cair, quebrando-a. Ao ver que havia me sujado um pouco com o café, minha primeira reação foi me levantar e tentar consertar o "estrago" que eu tinha feito.
– Ah, Kazemaru-kun...! Me perdoe, eu sou uma desastrada!
– Hana, não se preocupe... Deixa que eu limpo isso.
– Não, eu faço questão!
Enquanto juntava os cacos da xícara, acabei me cortando em um deles, fazendo meu dedo indicador sangrar. Aquilo só estava piorando a situação, e deixando o Kazemaru-kun ainda mais preocupado. Prontamente ele foi até mim, e quando me dei conta, ele estava perto de mim, segurando meu pulso. Ele me encarava de uma maneira serena, mesmo depois de todo esse tempo... Ainda se importava comigo.
Senti meu coração pulsar de uma maneira cada vez mais rápida, porque ele estava muito perto, mesmo... Eu queria dizer algo, mas minha vergonha não tinha permitido isso... Foi exatamente igual a primeira vez que ele veio falar comigo, e acabou me beijando há algum tempo atrás. Sinceramente, não queria tentar nada porque sabia que ele tinha acabado de sair de outro relacionamento. Mas parecia que Kazemaru-kun não se importava nem um pouco com isso, porque ele não saiu de perto de mim.
Enquanto pensava, pude ouvir ele murmurar para si mesmo, "Droga, não tenho nada aqui que possa estancar o sangue...", e então ele fez algo que me surpreendeu. Ainda segurando minha mão, ele levou meu dedo cortado aos próprios lábios, chupando um pouco. Eu o encarei com uma expressão serena e ao mesmo tempo triste, e numa maneira de agradecê-lo, com a minha outra mão fiz um pouco de carinho em seu rosto, passando pelas madeixas azuladas dele.
– Kazemaru-kun... Espero que me perdoe...
Depois disso, ele havia largado meu dedo, e me olhou quando eu disse aquelas palavras. Por não estar curada completamente da bebida, fiz a coisa mais canalha em toda a minha vida. O trouxe mais para perto, e antes que ele reagisse, o beijei de uma maneira extremamente ardente. De certa forma ele correspondeu, me abraçando com força, mas em seguida se desvencilhou de mim. Parecia que ele estava com um certo medo.
– Hana... Porque fez isso?
– Fiz algo errado, Kazemaru-kun...?
Eu esperava uma resposta negativa dele, mas não foi o que aconteceu. Ele me ajudou a levantar, me fitando em seguida. De repente, ele me puxa pela cintura com uma das mãos, e com a outra tira uma mecha de meus cabelos, enquanto sorria de canto. Com meu corpo colado ao dele, só pude ouvir suas palavras ditas em forma de sussurro, em meu ouvido.
– Mesmo depois de tanto tempo... Eu ainda não resisto a você.
Senti um arrepio passar por todo o meu corpo, quando ele beijou meu pescoço de uma maneira um tanto que maliciosa, seguindo uma trilha até chegar em meus lábios. Daquele momento em diante, nada mais importava. Éramos apenas nós dois, e nada mais. E parecia que aquela noite estava muito longe de terminar.
Diário, desculpe ter que parar agora, mas prometo que logo vou te contar o que aconteceu na madrugada. Foram muitas coisas para um dia só, entende?
Até mais tarde, eu espero...
Beijos.
De sua amiga, Hana.
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