Notas iniciais
Ainda estou no primeiro semestre do curso de Publicidade. Relevem qualquer erro relacionado á alguma atividade da agência.
Estava no 5° semestre do curso de publicidade e propaganda e definitivamente necessitava conseguir um estágio. Não sou rico, nem sou pobre, mas precisava ajudar minha família, pois o “duro” que davam para bancar minha vida universitária era grande e a exaustão evidente. Fiz um Curriculum infográfico e passei a deixar em algumas agências. Minha luta era diária. Estudava pela manhã, resolvia alguns trabalhos acadêmicos pela tarde, e a noite, meu horário de descanso, arrumava uns ”freela” para fazer e complementar a renda. Às 15:00 do dia 22/05, terminei meus afazeres na faculdade mais cedo e iria para casa, contudo recebo uma ligação de um número desconhecido, e curioso, atendo. O timbre era doce e sereno. Era uma moça e se apresentara como Marília Figueira, da Vera Cruz Comunicação . Ela estava me explicando que avaliaram meu Curriculum calmamente e gostaram do que leram; e se estivesse realmente interessado e preparado, a vaga para seleção seria minha. Eu só não gritei ao telefone, pois não queria passar o ar de desespero. Marília me informou todas coordenadas, a data e horário da entrevista de seleção, além do endereço. Ainda dominado por um frenesi maravilhoso, agradeço e desligo o telefone. Pulei, gritei, e dancei sozinho no meu quarto. Estava mais sorridente que o gato de Alice no país das maravilhas, porem, estava apavorado, pois a seleção seria dentro de dois dias. No dia seguinte contei a um de meus professores preferidos e pedi para que me desse algumas dicas que me auxiliassem na seleção.
—-Não tem segredo. Seja você mesmo, nunca minta, mostre que mesmo não estando graduado você não é amador. E principalmente, confie em si mesmo e em seu potencial. Disse o meu professor Sérgio. Aquelas frases me fizeram perder o medo, e definitivamente seria um ótimo dia. O dia da seleção finalmente chegou, e eu acordei bem cedo, pois não queria me atrasar de maneira alguma. Tomo meu café reforçado e vou até o ponto de ônibus. O dia estava lindo, nem tão ensolarado e nem nublado, era perfeito. Minha condução chega, e por sinal estava vazia. Tudo conspirava a meu favor. Chego até o local da seleção, e mais 8 jovens de mais ou menos minha idade já estavam assentados esperando que os atendessem. Uma moça vem em nossa direção. Era a Marília, a moça que falará comigo ao telefone. Ela nos leva até uma sala e nos explica que precisavam de estagiários para redação, e só duas vagas seriam preenchidas. Mesmo com a mensagem transmitida por Marília, ainda continuava tranquilo e confiante. Ficamos cerca de duas horas e meia na seleção, fazendo atividades práticas e em grupo. 25 minutos após o término, Marília chega para nós dar o veredito. Bom, eu poderia relatar uma história com final feliz, mas vivemos no mundo real e nem tudo acontece como nós queremos.
—-Consideramos o perfil de cada um. Suas habilidades, carisma, oratória e dois de vocês irão continuar. Os demais não desanimem, pois essa será apenas a primeira jornada de vocês, e muitas experiências ainda virão. Todos tem capacidade para se tornar ótimos profissionais, e me surpreendi a cada minuto dessa seleção. Enquanto Marília dava seu discurso digno de uma eliminação de Big Brother, eu já estava suando frio de tanto nervosismo. Finalmente ela dá o veredito. Dandara de Brito Pacheco e Edson Marcos Vieira. Esses foram os nomes escolhidos para integrar a equipe da Vera Cruz Comunicação. Meu semblante mudou de nervosismo, para tristeza em questão de segundos, assim como o resto dos meus colegas não selecionados. Estava triste, me sentindo impotente, despreparado. Saí da Vera Cruz e assentei-me em um banco numa pracinha ali perto. Liguei para Sérgio, meu professor preferido, e contei que não dera certo, e ele me encorajou a não desistir, pois muitas oportunidades viriam, e era só esperar um pouco mais. Rapidamente o melhor dia da minha vida, tornou-se um dos piores. E para piorar mais ainda, o dia “perfeito” terminou com uma chuva inesperada e a volta para casa em um ônibus lotado.
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