Briefing
2 Katana
Depois da minha “rejeição”, tentei me recompor e seguir o conselho do meu professor. Uma semana depois da seleção, voltei as minhas atividades normais. Minha rotina havia piorado em questão de horários na faculdade. Estava com mais atividades em grupo e devido ao desentendimento com alguns colegas, estava tentando fazer sozinho, e por isso meu horário estava bastante apertado. Depois de um longo e cansativo dia na faculdade, parto para minha casa e vou diretamente para meu quarto. Deito-me em minha cama e olho para o teto branco do meu quarto, bastante exausto. Fecho meus olhos e tento pelo menos cochilar um pouco, mas sou interrompido por uma ligação, e sinceramente, não queria atender de maneira alguma. O barulho incessante me irritava, e sem olhar para tela, atendo e me surpreendo. Novamente uma voz serena e doce , mas desta vez era um homem. Ele se identificara como António Assunção, da Katana Comunicação. Sim, Katana, aquela espada japonesa utilizada por ninjas, cosplayers e amantes das artes marciais. Antônio me dissera a mesma coisa que a primeira moça, Marília, me dissera. Avaliaram meu Curriculum e gostariam de agendar uma seleção. Inicialmente cogitei a possibilidade de desistir, contudo lembrei da frase do meu professor Sérgio: “Confie em si mesmo, e em seu potencial” e na hora confirmei minha participação na seleção. Desliguei o telefone e me mantive estático por alguns segundos e desliguei as luzes do quarto e fui dormir, pois a seleção seria na manhã seguinte e bem cedo. Tentei dormi, mas a insônia e a ansiedade não me deixavam. Me revirei na cama feito uma criança hiperativa brincando de pique. Me lembrava com detalhes da minha última seleção, de todas as atividades, do discurso da Marília, e olha que era só uma tentativa de estágio, não estava em frente da minha bancada TCC nem nada. No dia seguinte acordei morto. Tomo um banho rápido e o café da manhã mais rápido ainda. Dessa vez estava um pouco atrasado, e saio em disparada atrás da condução, que para meu azar estava lotada. Depois de uma viagem longa, cansativa e um calor escaldante, chego até à agência, e por pouco não chego atrasado. Dessa vez o número de pessoas era maior. Cheguei a contar 12 pessoas e todos pareciam bastante preparados, preparados para me destruir. Depois de 5 minutos parados feito estátuas, uma moça e um senhor, que se identificou como Antônio, nos levara até uma sala. Eu estava bastante nervoso e suando frio. O medo de não conseguir a vaga era enorme que estava a ponto de fazer xixi nas calças.
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