Breath Of Life - Dramione

33 Capítulo 32 - Somos finos que nem papel.


Ele acordou com o lado da sua cama gelado. Talvez Granger havia ido tomar banho, caçar ou estava lá embaixo lhe esperando. Murmurou uns palavrões quando se levantou, olhando o quarto na confusão pós sono. Por quanto tempo havia dormido? Talvez algumas horas, se tivesse sorte.

Desceu as escadas, fazendo uma careta quando viu o cachorro horrendo de Theo perto das escadas. Ouviu um ruído de vidro quebrando e foi até ele, pronto para ver Nott mexendo em potes de pepino em conserva vazios.

– O que está fazendo? — perguntou, se apoiando na porta.

Theo parecia estar surpreso em ver Draco ali. Ele soltou uma risada fraca e olhou para seus pés. O loiro sentiu que havia algo estranho no ar, mas não comentou nada.

– Não sabia que já estava acordado — o outro disse, um pouco sem graça. Desde quando Theo era assim?

– Agora sabe — Draco andou pela cozinha, catando algo para comer — Onde está Granger?

– Saiu — foi o que moreno respondeu.

O loiro levantou uma sobrancelha, mas não disse mais nada. Havia pouca comida, tão pouca que ele decidiu deixar para quando fosse mais necessário. Provavelmente Granger havia saído atrás de mais frutinhas ou raízes. Ele deu em ombros e foi novamente para a sala.

Se jogou em um sofá e ficou olhando para o nada. Odiava se sentir inútil. Foi quando ouviu bicadas na janela e um vulto preto. Conhecia aquele animal em qualquer lugar. Era a coruja da sua família. Havia a utilizado durante sua vida inteira. Abriu a janela, deixando o animal e flocos de neve entrarem.

– O que está fazendo aqui? — perguntou, acariciando a coruja negra.

Você tem mesmo que falar com uma coruja? Se perguntou. As corujas não eram mais utilizadas desde que a praga começou. Elas tinham o feitiço de localização e deixavam rastros de magia onde passavam, fazendo os errantes as seguirem.

Draco retirou a carta e viu a caligrafia de uma pessoa desconhecida.

Draco,

Sei que é arriscado mandar uma mensagem por coruja, mas isso foi necessário. Sabemos onde está a flor. Na verdade, sua mãe sempre soube, mas a loucura lhe tomou conta. Não posso explicar a história completa, quem sabe quando nós nos vermos novamente. A flor está no livro Draco e somente você pode retirar-lá. Sua mãe a colocou lá, ela possui um dom e o mesmo está presente em você.

A flor está no livro. Use as palavras: Drawfyrum. O local da casa é Suddley, na estrada principal. Um livro de capa velha e gasta. Por favor, saía do local onde estão imediatamente. Eles vão seguir a coruja.

Confiamos em vocês.

Andrômeda Tonks

Ele não acreditava no que estava lendo. Granger estivera certa o tempo todo. A flor estava no livro... mas ela não conseguiu retira-lá por causa do seu sangue. Não possuía o dom. Mas ele sim.

Ele iria conseguir fazer isso.

Mas tinham que sair dali agora, não sabia quantos errantes estavam vindo em direção da casa. Gritou alto para Theo vir até ali e o mesmo veio correndo, com a respiração ofegante.

– O que foi? — ele perguntou.

– Precisamos sair daqui, recebi uma carta da minha tia Andrômeda. Sei onde está a flor, na verdade, Granger sabia o tempo todo — ele entregou o pergaminho para o moreno, que começou a ler — Vá e pegue o livro, vou atrás dela. A gente tem que ir e agora!

Theo ergueu os olhos do pergaminho. Viu Draco pegando seu casado com uma agonia. Como iria contar a ele? Respirou fundo e disse antes que o loiro pudesse chegar a porta:

– Você não vai encontra-lá — disse, levemente — Ela se foi, Malfoy.

O loiro parou a mão no caminho da maçaneta. Sentiu mais frio do que era possível. O cômodo parecia mais gélido do que a neve lá fora. Como assim ela se foi? Fechou os olhos e se virou para o outro, com a cara livre de emoções.

– Explique — falou, num rosnado baixo.

– Acho que ela mesma se explica — Nott lhe estendeu um papel.

Pegou-o firmemente e viu a caligrafia bela. Tudo nela tinha que ser tão belo? Enquanto lia, mil sentimentos passaram no seu rosto. Tristeza. Raiva. Dor. Culpa. Ela tinha ido por sua culpa? Merlim, ela havia dito que o amava. Só agora ele sentiu o peso dessas palavras, caindo pelos seus ombros como gotas de chuva de uma tempestade. Cada letra era um pingo, ajudando a água subir e o afogar.

Porém, quando entregou novamente o papel a Theo, sua face estava gélida. Sem emoções.

– Vamos sair daqui — falou, indo em outra direção.

– Será que pelo menos uma vez vai mostrar o que sente? — o moreno então explodiu, fazendo o loiro parar em seu caminho. Não se virou — Ela foi embora e ela lhe amava. Você não disse nada de volta e a deixou ir pensando que você não sentia nada em relação a ela.

– E se eu não sentia, Nott? — perguntou, sem levantar a voz. Porém já havia se virado — Se ela realmente me amava não teria ido embora. Não teria escrito o que deveria ter dito. Me diga, como quer que eu me sinta?

– Culpado — foi o que saiu da boca de Theo.

– Você quem a deixou ir! — Draco finalmente explodiu.

– Não fui eu, Malfoy — a voz de Theo era cheio de zombamento — Foi você. Foi você quem a deixou ir. Sabe de uma coisa? O amor é como um canto de pássaro. Quando você escuta muito, acaba lhe enjoando. Mas, quando o silêncio chega, você sente saudades. É exatamente isso que lhe define, Draco Malfoy. Você só da valor depois que perdeu.

– Eu sempre vou culpar você por ter a deixado ir, não importa o que diga — retrucou — Porque eu dei à ela o que eu tinha. Se ela não estava feliz com isso, o problema não é meu. Pegue suas coisas, vamos sair daqui.

Theo observou ele ir. Por mais que ele negasse, sabia que ele choraria na primeira oportunidade que estivesse sozinho.

Não errou.

Draco bateu forte a porta da biblioteca, dando um chute de raiva na madeira. Gritou roucamente, parecendo tão louco quanto sua mãe soaria. Ela tinha ido embora. Hermione Granger tinha ido embora e o deixado ali, sozinho. Totalmente sozinho. Ela veio como uma rajada de vento e como o mesmo foi embora, deixando só uma carta.

– NÃO! — ele berrou, quebrando uma jarra que havia ali perto — VADIA, PUTA DESGRAÇADA, VAGABUNDA! SANGUE RUIM!

Os cacos da jarra entraram em sua carne quando ele se ajoelhou no chão. Deuses, ela poderia estar morta agora. O que ele havia dito? Sangue-ruim. Não. Nunca mais ia falar isso sobre ela. Nunca.

Mas naquele momento ele a odiava mais que tudo. Odiava por ter o deixado.

Ao mesmo tempo ele a amava.

Ele a amava.

Amava.

– Eu também te amo — disse para o nada o que deveria ter lhe dito.

Iria a encontrar. Não iria por no pensamento de que ela havia se ido para sempre. Draco Malfoy estava amando algo que antes considerava inferior. Deixando a raiva de lado, ele chorou. Chorou por ter escutado o canto do pássaro e depois deixado o mesmo voar.

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Pansy Parkinson estava sentada no jardim ao lado de Harriet. Estranhamente, as duas se davam bastante bem embora a ruiva achava que Pansy tinha um humor nem um pouco agradável. Além de seus hábitos de fumar.

– Como está aquele ruivo? — perguntou Harriet.

– Sexo — respondeu Pansy, tragando seu cigarro — É tudo o que os homens buscam de mim, até mesmo no fim do mundo. Nada muda. E você, o que ta acontecendo entre você e Zabini?

– Ele não me beijou, se é isso que esta perguntando — a garota mais nova riu baixo — Mas anda me seguindo pelos corredores e eu me sinto estranha por gostar disso. Pansy, eu ouvi umas histórias suas...

– Meu ódio por trouxas — Pansy riu amargamente — Olhe em volta, ruiva. Até o começo de tudo isso eu odiava Weasley, agora fodo com ele todas as noites depois de uma boa garrafa de whiskey. Sabe o que mais? Quando ele chega no orgasmo, ele grita o nome de Daphne Greengrass. Quer saber outra cosia? Eu não me importo. Eu não me importo com mais nada. O mundo já morreu a muito tempo, a única coisa que falta agora é a carne apodrecer.

Harriet então entendeu.

– Você perdeu a esperança — apontou.

Pansy riu e assoprou a fumaça, olhando para a neve com um sorriso de lado.

– Não — ela disse, num tom monótono — Só não creio que um dia vou me tornar a esperança de alguém. Sou uma mulher de uma noite, não de uma vida. Weasley sabe disso e eu sei também.

– Eu quero uma família — Harriet soltou de repente — Filhos, uma casa. Talvez até um gato.

– Então é melhor correr atrás de Blaise Zabini — Pansy a olhou com os olhos brilhando — Um homem que corre atrás de você assim tem que ser segurado para sempre. Sabe de uma coisa, trouxa? Somos finos que nem papel, qualquer coisa nos rasga. E, nessa vida, o amor é a mais afiada delas.

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Hermione se sentia exausta. Ginger estava amarrada em um poste enquanto ela olhava para um ponto fixo. Um galpão ao longe, sua salvação. Precisava de mais comida já que suas raízes estavam acabando.

Montou novamente a égua e fez caminho pelas árvores e a neve. Rezava para ter comida ali e também rezava para estar salva.

Sentia que alguém lhe aguardava por trás daquelas paredes.

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Em memória de George Weasley, grande filho e irmão.

– As proteções estão se indo de algum jeito, Harry — Gina disse, abraçada no noivo enquanto olhava a escritura na pedra — Precisamos descobrir o que é.

– E vamos — ele prometeu — Hogwarts sofreu coisas piores do que tanques trouxas. Não vamos desistir, Gin. Por nosso filho.

Ele colocou a mão em sua barriga ainda sem vestígios de gravidez.

– Por nosso filho e por nós também — lhe beijou suavemente nos lábios — E também por George.

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Draco pegou o livro em suas mãos. Depois de minutos de choros e ignorando a dor em sua perna, ele lembrou que tinham que sair daquela casa antes que seja tarde demais.

– Malfoy! — era o grito de Theo.

Mas agora, talvez o tempo já havia se esgotado. Era tarde demais.

Notas finais
Tenho tantas coisas para dizer que nem sei por onde começar. Primeiro, eu tenho uma grande coisa a dizer: Eu ganhei várias categorias no Dramione Awards mas eu sei que esse mérito não é meu, mas de vocês. Foram vocês quem ganharam, por terem votado em mim e dado todo esse apoio. Breath of Life é toda para vocês e sem todos, ela não iria existir. Então, muuuito obrigada não apenas para aqueles que votaram mas para vocês que comentam, recomendam e leem. Eu amo todos vocês cupcakes. Breath of Life não é apenas minha, mas de vocês também. então, PARABÉNS! Capítulo especial para TODOS OS LEITORES. Comentem se gostaram ou não! e novamente muito OBRIGADA para os Icey´s cupcakes ♥ Amo vocês. E até o próximo cap! Beijos sabor Icey :*