Breath Of Life - Dramione
34 Capítulo 33 - Está na hora de ir. Está na hora de continuar.
Os errantes entraram na casa em poucos minutos. Os dois mal tiveram tempo de piscar ou pensar em como iriam agir. Aquela adrenalina de batalha entrou em seus corpos e agora tiros eram escutados assim como o som de água correndo, que na verdade, era o sangue podre e grosso caindo ao chão.
– Nott, preciso de tempo! — Draco berrou da biblioteca, folhando o livro em busca da imagem da flor — Morra, mas não deixe eles entrarem nessa biblioteca!
– É bom ver seu afeto por mim! — Theo gritou em retorno, logo em seguida, mais tiros foram ouvidos.
O loiro finalmente encontrou o desenho da flor, era realmente delicado, percebeu. Como sua mãe havia guardado outro segredo dele? Será que seus pais nunca perceberam como suas ações o afetavam também? Era difícil pensar com aqueles rosnados, sons de tiros e os palavrões aos berros vindos de Theo.
Apontou a varinha para o desenho.
– Drawfyrum– disse, com a voz rouca.
Conseguia ouvir os rosnados mais altos e frequentes. Havia mais sinais de magia ali, o cheiro que eles conseguiam captar com um sistema predatório feito pelo vírus. Mas Draco só tinha olhos para os contornos, que brilhavam em um tom amarelado do papel. Não perdeu tempo e seguiu o que a carta de Andrômeda dizia e mergulhou a mão no livro.
Era como mergulhar as mãos em uma bacia cheia da água, mas, esta cheia de espinhos. Sua mão formigou e ele não perdeu tempo, puxou quando sentiu algo parecido com folhas e então, ali, na palma da sua mão havia a flor mais amarelada que ele já pôs seus olhos. Era muito delicada, as pétalas com um formato parecido com o de uma palmeira.
Mas com ela, ali, em sua mão, ele se sentiu mais forte.
A pedra eram as lembranças. A flor era a força. As lágrimas de fênix... o espirito de volta ao normal. Iria impedir que o vírus tirasse esses mesmo elementos de uma pessoa.
– Malfoy, rápido! — Theo berrou.
Colocando a varinha e a flor em seu bolso, ele pegou sua arma e chutou a porta, ajudando Theo a derrubar os zumbis que haviam entrado. Matou um que anteriormente havia sido um fazendeiro gordo, cheio de pus em suas unhas rachadas. Atirou uma faca contra um que estava trancando a saída. Quando percebeu que aqueles que estavam naquele cômodo haviam se ido, olhou pela janela.
No mínimo trinta se aproximavam da casa.
– Estão vindo pela estrada da frente — percebeu, olhando — A coruja entrou pela janela na frente, então, estão seguindo o rastro da magia.
– Vamos sair pela porta dos fundos então — Theo aconselhou — O carro está lá de qualquer maneira.
– E se tiverem trancando a estrada principal vamos para cima deles — Draco colocou mais munição em sua arma, agradecendo por terem bastante desde o acidente com a equipe sete meses atrás — Você já concertou o carro?
– Um pouco — o outro fez uma careta — Podemos ir alguns quilômetros com ele, talvez até o centro de Suddley. Temos que passar pela cidade até chegar em Londres.
Malfoy não disse mais nada, apenas correu para a porta dos fundos e entrou no jardim. Ouviu os passos apressados de Theo o acompanhando. A camionete amarela estava ainda bastante amassada, percebeu. Não esperou e jogou suas armas e suplementos do banco traseiro. Nott colocou Steve no banco do carona, o que o loiro achou bastante desagradável. Teriam mesmo que levar o cachorro mais feio do mundo junto?
Theo ficou no banco traseiro e apontou com a cabeça para a casa, onde os rosnados haviam tomado conta.
– Não me importa — Draco falou, quase como lendo os pensamentos de Theo.
– Certo — Theo não parecia convencido — Pronto para jogar boliche com alguns zumbis?
Em resposta, Draco ligou o motor e partiu para a estrada principal. Eventualmente, ele leve que ligar o limpa brisas para tirar o sangue que ficava preso no vidro. Estavam indo para Londres, em busca da última cura. Em busca de Granger.
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Quando ela colocou os pés naquele galpão, sentindo no cheiro de coisas velhas, foi recebida com uma forte pancada na cabeça e então tudo ficou preto.
Agora estava acordando e percebeu que estava deitada em um saco de dormir. Havia algumas vozes ao seu redor, fazendo sua dor de cabeça se intensificar. Gemeu e tentou se levantar, tentando ver onde que estava.
Ainda estava no galpão pelo visto, mas agora numa parte bem afastada. Tentou se levantar mais e então, uma mão a parou.
– Calma, vai se machucar mais desse jeito — a voz era gentil.
Uma senhora com cabelos cacheados brancos e longos e um sorriso amigável estava ao seu lado. Havia também um jovem da idade de Hermione, cabelos pretos e barba rala. Ele a olhava com muita desconfiança.
– Não sabemos se podemos confiar nela, vovó — disse ele, a olhando com olhos castanhos penetrantes.
– A coitadinha está confusa e perdida, não me parece uma ameaça — a idosa disse, com um olhar para o mais novo — Avise seu irmão e Diane para virem aqui, é melhor eles conhecerem a nossa nova amiga.
– Ela não é amiga nenhuma vovó, ela é uma... — o de cabelos pretos começou, irritado e com os dentes cerrados.
– Quer discutir comigo, Christopher? — a idosa lhe deu um olhar cortante — Faça o que eu disse, respeite os mais velhos.
Christopher bufou e saiu murmurando coisas irritadas da sala. Hermione o olhou com certa curiosidade, mas então sentiu algo quente contra seu braço. A idosa estava colocando um pano com água fervendo contra um corte que sangrava bastante. Não havia percebido que tinha se machucado.
– O-obrigada — disse, com a voz rouca.
A idosa lhe deu um sorriso.
– Meu neto não gosta de pessoas novas por aqui, somos apenas em cinco e ele não gosta da ideia de uma sexta pessoa. Meu nome é Heyna, querida — a idosa ainda limpava seu machucado — E qual é o seu nome, se me permite perguntar?
– Hermione — respondeu — Olha, eu sinto muito por ter causado problemas. Eu vi esse galpão o longe e pensei que talvez tivesse comida e...
– Não se preocupe, tem comida aqui e você é muito bem vinda — Heyna se levantou, suas pernas fininhas — Encontramos esse galpão quando saímos de Suddley, pertencia a um mercado local então temos bastante comida, água e outras coisas também.
Hermione sentiu algo se esquentar em seu peito. Comida. Água. Aquilo soava tão tentador.
– E-eu não posso ficar — falou, rapidamente — Tenho algo para fazer.
– Todos temos — respondeu a velhinha — Mas você está exausta, querida. Fique aqui por alguns dias, é um convite meu. Coma o que for necessário e depois pode... ir, se esse for o seu desejo.
– Muito obrigada — Hermione agradeceu, segurando a mão da idosa — É muita gentileza sua.
– Ora, hoje em dia o mundo precisa de gentileza não é?
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Os medi-bruxos estavam tentando reanimar uma Narcisa Malfoy desacordada, deitada em uma maca na enfermaria. Astória andava de um lado para outro, trazendo e levando poções. Em outra maca, Rony estava sentado olhando para a loira. Se apaixonar novamente era doloroso. Era como se ele estivesse esquecendo de Daphne e o pior, Astória era irmã dela. Já foi namorada de Draco Malfoy e de Blaise Zabini. O que ela iria querer com ele?
– Deixe que eu faço isso — Astória estendeu as mãos para uma Pansy Parkinson que estava injetando uma poção para dor em uma seringa.
– Não — a de cabelos pretos rosnou e deu um olhar para a mais jovem — Eu sou uma medi-bruxa também, Greengrass, então deixe-me fazer o meu trabalho. Você não é a única capaz por aqui, sabe.
Astória deu um olhar de confusão para Rony, como se perguntasse "O que ela tem?" mas ele apenas balançou a cabeça. Pansy olhava tudo com uma faísca de raiva nos olhos. Apertou tão forte a seringa em seus dedos que a mesma quase quebrou.
– Pansy! — Astória exclamou, tirando a seringa das mãos dela — Olha o que está fazendo, você precisa ter mais cuidado.
– É melhor você fazer, Greengrass — ela deu um olhar significativo para a loira e então deu outro para Rony — Eu nunca faço nada direito mesmo.
E jogou os cabelos, saindo da sala com seus saltos ecoando pelos corredores.
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Em outra parte de Hogwarts, Blaise Zabini olhava Harriet de longe. Ela parecia tão sozinha cercada por tudo aquilo que não conhecia, que ele sentiu pena. Mas não sentia apenas pena em relação a ela. Sentia tudo aquilo de deveria ter sentido por Astória, mas não conseguiu. Ouviu o som de saltos se aproximando e Pansy estava ao seu lado. Ele lhe deu um sorriso, que ela não retribuiu, apenas seguiu o seu olhar.
– Faça algo de uma vez, se não eu pego ela para mim — ela ligou um cigarro, colocando na boca e dando uma tragada.
– Não sabia que gostava... — Blaise tentou achar palavras — Dessa fruta.
Pansy sorriu de lado.
– Não gosto, mas da fruta que eu quero está em falta — ela olhou para ele com um olhar divertido — Eu dei uns conselhos para ela.
– Você dando conselhos para trouxas? — Blaise soltou uma risada, escorando-se na parede.
– Cala a boca e me escuta — Pansy retrucou — Ela gosta de você, mas está com medo. Todos nós estamos com medo de se apegar a alguma coisa. E eu... — ela soltou um suspiro e olhou pro chão — Não sei de amor por mim mesma, mas observo os outros o suficiente para saber o que deve ser feito. E, no seu caso Zabini, você deve ir lá.
– E Astória? — ele perguntou.
O rosto de Pansy formou uma careta. Ele nunca entendeu qual foi o motivo de Parkinson, subitamente, não gostar de Astória mais. Elas haviam se dado muito bem anteriormente.
– O que tem ela? Ela vai seguir em frente — Pansy bufou — Já está seguindo pelo visto, faça o mesmo. Não viva pelo "Anjinho Greengrass", nunca vou entender o que vocês conseguem ver em uma garota tão dependente. Olha, Harriet sabe cuidar de si mesma mas... quando ela não conseguir, ela vai precisar de alguém. Por que esse alguém não pode ser você?
E então ela se afastou, novamente os sons do saltos pelos corredores. Blaise sorriu para si mesmo.
– Você também merece alguém, Pans — sussurrou para o nada.
Tomou coragem se se aproximou de uma certa ruiva, que estava sentada do lado de uma janela olhando para fora com uma expressão tão triste que seu coração apertou.
– Por que você faz isso? — ela perguntou, notando sua presença — Me seguindo?
– Eu... não sei — foi honesto e se sentou ao seu lado — Estava falando com Pansy uns minutos atrás.
Harriet sorriu.
– Imaginei, ouvi o som dos saltos. Se existe alguém que ainda usa saltos no apocalipse é ela — seus olhos castanhos se viraram para os dele — O que ela disse, afinal? Algo sobre ir atrás do que quer? Nunca conheci vadia mais inteligente.
Blaise riu e mexeu no cabelo, um pouco constrangido por estar ali. Essas coisas não eram com ele.
– Ela disse e por isso eu vim aqui, ficar com você — falou e viu que ela tremeu um pouco — Eu te assusto?
– Não — ela respondeu, embora sua voz esteja tremula — Q-quer dizer, sim, um pouco. Mas não é o tipo ruim de... assustar. Existe muitas maneiras desse verbo, você sabe.
– Qual se adapta a mim? — Blaise perguntou, com a voz rouca, se aproximando cada vez mais. Deuses, ela era tão linda.
– O tipo bom... aquele q-que eu gosto — Harriet olhava para os lábios dele — O tipo que deixa com borboletas no estômago, aquele que nos faz se perguntar o que vai acontecer, qual vai ser o próximo passo.
– Esse vai ser o próximo passo — e selou seus lábios com os dela.
O amor junta e destrói. O amor separa e deixa a gente cego, como se estivéssemos no escuro a procura de uma luz. E é o mesmo amor que queima, que apaga o fogo. Que vai embora como uma rajada de vento e chega como uma chuva de verão.
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