Breath Of Life - Dramione

32 Capítulo 31 - Agora e sempre. Até o fim dos tempos.


Andrômeda olhou para Narcisa. A sanidade lhe parecia tão bem. Era tão bom ver seus pensamentos retornando... suas lembranças. Tudo. Não poderia dizer como sabia que a irmã escondia alguma coisa, apenas sentiu. Desde pequena a irmã mais nova era assim, escondia seus segredos de todos. Até em Hogwarts. Narcisa quase havia sido selecionada para a Corvinal, porém, ela tinha um coração sonserino em certar coisas. A maioria delas. Conheceu Lucius em seu quinto ano quando souberam que estavam presos em um casamento arranjado. O amor surgiu apenas no sétimo ano. Então a guerra veio e tudo mudou.

O resto, todos já sabem.

Narica suspirou.

– Durante a guerra eu presenciei coisas... assassinatos, estupros tudo o que o lorde das trevas queria que eu visse. Eu nunca fui uma Comensal, todos sabem disso, mas eu era esposa da mão direita do lorde... pelos menos antes de Bella — a loira olhava para um ponto fixo — Lucius sempre foi um homem frio, até mesmo para sua família. Ele pode ter sido cruel, mas comigo e Draco nem sempre foi assim. Um dia, ele me disse que estava cansado de ver meu sofrimento em frente daquelas cenas. Disse que Draco precisava aguentar, que ele precisava pois senão todos nós iriamos ser castigados. Eu não entendi muito o que ele quis dizer, então, um dia encontrei uma chave de portal em meu quarto.

Andrômeda olhou como sua boca formou um leve sorriso.

– Ele havia me comprado uma casa trouxa nos arredores de Suddley — Narcisa contou — Disse que ali eu encontraria um pouco de paz. Lucius sempre soube minha paixão para plantas, então, comprou-me tantos livros sobre esse assunto quando podia. Draco nunca soube do lugar, embora eu muito queria contar a ele. Meu marido também me entregou um livro em branco e disse que era para mim escrever todas as informações de plantas que encontrasse. Então eu entendi que havia algo, que havia mais intenções. Lucius depois de algum tempo me pediu para criar poções a ele. Aquilo quebrou meu coração. Achei que tudo era porque ele me amava.

A de cabelos escuros sentiu pena.

– Ciça... — tentou.

A outra mulher levantou a mão.

– Eu fiz tudo para ele, conforme ele me pedia. Quando eu não estava naquela casa eu estava na Mansão, com meu filho. Andrômeda, você sabe que algumas pessoas tem o dom de esconder coisas sem precisar que palavras sejam ditas. Eu sou uma delas — Narcisa sorriu de lado — Um dia eu encontrei uma flor especial... uma flor que no agora pode ajudar mais do que todos pensam.

– A flor da cura — a irmã disse para si mesma — Ciça, você encontrou a flor da cura anos atrás e não disse nada para ninguém.

– Irmã, não me entenda mal, eu não lembro de quase nada — Narcisa quase ralhou, ela não parecia estar muito contente em estar falando aquelas coisas — Depois me colocaram naquela prisão. Sabe que coisas grotescas me fizeram? Tortura e... tudo. Ah Merlim como eu queria que tudo saísse de minha cabeça. Depois que Lucius morreu me senti perdida... o jeito que ele se foi... e então eles me trancavam lá embaixo e me colocavam naquela sala. Faziam coisas virem em minha mente. Sessões de choque. Uma vez chegaram a cortar meu cabelo todo fora. Quando Draco ia me visitar usavam magias para fazer crescer de novo. Há mais coisas em Azkaban do que apenas dementadores. Quando fui solta, houve a clínica onde as poções só me fizeram... ainda mais mal.

– Ciça, eu sei que você passou por muita coisa, mas preciso saber o que você fez com a flor! — Andrômeda se levantou — Diga-me onde ela está! Podemos estar mais perto de acabar com tudo isso e você ver seu filho novamente.

– Me alcance aquele quadro com a xícara, por favor — foi tudo o que ela disse.

Andrômeda bufou mas foi até o quadro, entregando para a irmã. Narcisa estendeu a mão, pedindo uma varinha. Relutante, a de cabelos negros lhe entregou. Viu como a irmã murmurou palavras baixinho e então, afundou as mãos no quadro. Suas mãos iam além da pintura e quando saíram para fora, não restava nada a não ser uma tela em branco.

Uma xícara estava em suas mãos.

– A flor... você a colocou no livro — finalmente ela entendeu.

– Sim, onde Lucius e nem ninguém iria a desfrutar. Acho que está na hora disso mudar — Narcisa suspirou — Hermione Granger é uma jovem muito inteligente, quando ela chegar em Suddley já vai ter descoberto... porém, Draco é tão cabeça-dura quanto o pai. Mas somente ele pode retirar a flor do livro pois ele é o único que possui o meu sangue.

– Preciso avisa-los... uma coruja, talvez com um feitiço de localização... — Andrômeda murmurou para si mesma — É arriscado demais, os errantes vão seguir o animal até o local onde eles estão. Por isso as corujas pararam de circular, além dessa tempestade de neve infernal.

– Eu creio que você tem os seus meios.

– Sim, assim como você tem os seus. Não se preocupe, foi fazer de tudo para que eles saibam do seu segredo.

Andrômeda quase correu para a porta, mas foi interrompida com a voz da irmã:

– Não é mais um segredo e Andrômeda, eu gostaria que você desse um recado para o Sr. Potter — a voz de Narcisa era longe, mostrando que aquele fora provavelmente seu ultimo momento de sanidade — Hogwarts possui água e comida o suficiente por enquanto, mas, daqui algum tempo nossos recursos vão acabar. Objetos vão ter que ser queimados para sobrevivermos ao frio que vem com o meio do inverno e as pessoas vão começar a brigar entre si por pertences e suplementos. Não queremos uma guerra interna, queremos?

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– Você é muito lerdo, Teddy — Victoire disse, rindo e correndo na neve.

– Eu já disse que estou indo — o menino respondeu, emburrado — E eu quem tive a ideia de virmos brincar aqui, é muito mais divertido.

Os dois estavam nos terrenos de Hogwarts protegidos pelos feitiços. Haviam fugido da reunião chata em que seus pais estavam participando, discutindo algo sobre os alimentos e as armas. A mãe de Vicky, Fleur, estava os observando de longe com um sorriso no rosto. George se aproximou, ao lado de Gui que beijou a esposa. O outro ruivo fez uma careta.

– Eu sei que isso tudo é uma merda, mas gosto de estar aqui — disse ele — Fred iria gostar também. Se não me engano foi ali que fizemos um garoto vomitar pacas no primeiro ano.

– Vocês faziam qualquer um vomitar — Gui disse e o outro riu — Mas não nego que aquilo era divertido. Carlinhos ficou reclamando o final se semana inteiro.

– Nossos dons para problemas eram realmente espetaculares – George respondeu, com uma risada.

Gina saiu do castelo e andou até eles. Fleur deu um pequeno sorriso à ruiva e depois voltou a observar as crianças. George e Gui cumprimentaram a irmã.

– O que estão fazendo? – ela perguntou.

– Relembrando o passado – Gui respondeu, dando em ombros. Seu rosto se iluminou de repente – Soube que vou ser titio. Já escolheram um nome?

– Harry e eu decidimos que se for uma menina vai se chamar Lily, se for um menino vai se chamar James – a ruiva contou e viu George dar uma risadinha – Algum problema, querido irmão?

– Nada – ele riu um pouco mais – Só que a criatividade de vocês é devastadora.

Os irmãos Weasley riram, até mesmo Gina. Mas Fleur parecia estar séria demais como se de repente soubesse que alguma coisa estava errada.

– Non vejo Victoire – disse ela – Nem Tedy, consseguem os ver?

Gui automaticamente já estava alarmado. A risada sumiu do rosto de George e de Gina, que começaram a olhar em volta em busca das duas crianças. As crianças não estavam mais a vista e a neve que caia atrapalhava a visão.

Foi quando se escutou um grito.

– MAMÃE!

– Victoire! – Gui berrou e correu.

Os outros adultos correram para longe, a neve batendo em suas faces. Mais gritos das crianças eram ouvidos e estes, conforme eles iam se aproximando de um local indeterminado, aumentavam de frequência. George estava bastante a frente de todos eles, por isso foi o primeiro a se deparar com a cena.

As crianças estavam encurraladas contra uma árvore e dez errantes que estavam se aproximando lentamente por causa da grande quantidade de neve no solo. Victoire chorava enquanto Teddy a puxava para trás. George ouviu os gritos de Fleur e Gina, que estavam se aproximando.

Ele tinha que tirar as crianças dali.

– GEORGE, NÃO! – Gui berrou, em uma tentativa falha. O irmão mais velho estava longe demais mas conhecia o gêmeo o suficiente para saber o que ele iria fazer.

E ele fez.

Pulou na frente dos errantes, pegando as crianças pequenas no colo e as empurrando longe pelas laterais da árvore onde ficavam raízes grandes. Elas eram pequenas para pular, porém ele era alto assim conseguindo o feito.

Os zumbis já estavam perto o suficiente. George pegou seu punhal, porém, tarde demais.

Algo fincou sua perna como milhões de agulhas flamejantes. Ouviu o grito de horror dos irmãos antes de cair no chão, abraçando a perna contra o corpo.

Gui e Gina finalmente chegaram e não perderam tempo de atirar nas criaturas que se explodiram em sangue e carne podre. O cheiro de morte infectou o ar.

As duas crianças, apavoradas, correram contra Fleur que também tinha chegado ao local. A veela olhava a cena chocada. Merlim, eles estavam todos perdidos. Sentia como se todos eles, sem exceções, iam morrer.

– George! – Gina gritava histericamente – George, por favor. Fica conosco ok? Vamos te levar para Madame Pomfrey agora.

– Gina... – Gui tentou argumentar.

– Não! – ela se virou para o mais velho – Não podemos desistir dele como desistimos de Fred. Por favor, Gui...

– Fleur, tire as crianças daqui. Leve elas para mamãe e... conte o que aconteceu – Gui disse para a esposa, que assentiu e se afastou com as crianças chorosas – Gina, você sabe que não tem volta.

Gina olhou para o corpo de George, a mordida visível em sua perna sangrava. O corpo estava imóvel. Naquele momento soube que o irmão estava morto e não teria volta. Quando ele acordasse, ela saberia que ele não ia lembrar de quem fora. George nunca mais iria rir, fazer piadas, bagunçar o cabelo dela. George nunca iria ver Lily ou talvez James.

Mas principalmente, George não saberia que um dia ele teve um irmão. Isso sim seria a verdadeira morte para ele.

A morte era esquecer de quem se ama e de que um dia foi amado. Ela não queria que ele se fosse não sabendo de sua vida. George Weasley era mais que carne e sangue.

– Vamos lembrar de você, agora e sempre – ela disse, passando a mão pelo rosto gélido do irmão caído – Acho que está na hora de você se juntar a Fred, onde quer que ele esteja.

Momentos depois, um tiro foi escutado. Os pássaros que estavam dormindo nas árvores levantaram voo, assim como dois pais dentro do castelo choravam com a notícia de mais um filho morto.

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Como Hermione Granger mandou mais uma mensagem, sem esperança que alguém respondesse, um homem que já havia perdido a esperança a recebeu.

Sr.Granger a tempos descobriu quem ele era. Descobriu o que ele fez e no que ele se tornou.

Mas quando ele recebeu pela primeira vez a mensagem de sua filha, aquela que ele tinha esquecido a existência, ele se sentiu vivo de novo. Largando a garrafa de lado, ele foi até o computador central daquele centro científico.

Ele respondeu:

Eu estou aqui, minha filha. Me desculpo por toda dor que eu lhe causei, me desculpo por ter feito tudo isso acontecer. Estou orgulhoso por você estar salvando o que destruí nesses quatro anos. Eu te amo. E tenho certeza que, onde sua mãe estiver, ela está orgulhosa de você.

Agora e sempre. Até o fim dos tempos.

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Hermione ajudava um Draco Malfoy que mancava chegar até a cama. Ele soltou um “hiss” cada vez que seu pé tocava o chão. Ela finalmente o fez deitar na cama, o fazendo lhe dar um olhar de irritação.

Ele tinha uma marca de mordida na perna.

– O que você fez foi estúpido, realmente estúpido – ela lhe repreendeu – Aquele animal é terrível, não sei como Theo convive com ele.

– Steve só precisa de uma autoestima – Draco riu e então soltou outro urro de dor – E ser castrado.

– Está disposto a fazer isso? Não temos muitos veterinários disponíveis – Hermione viu sua cara de confusão – São espécies de curandeiros trouxas que cuidam dos animais, eles fazem... castrações.

Draco soltou uma risada baixa como ela sorriu e se sentou ao seu lado na cama. Passando a mão nos seus cabelos loiros, lhe deu um sorriso suave.

– O que está fazendo? – ele perguntou.

– Meu pai ficava passando a mão nos meus cabelos até eu adormecer, eu me lembro da sensação... é agradável não? – perguntou e riu como ele murmurou um “sim” preguiçoso – Durma logo, Malfoy.

Ele não demorou muito para dormir na verdade. Quando ele o fez, Hermione ficou o observando durante um tempo. Ele era lindo. Deus, por que ela tinha que o amar? Por que isso era tão complicado?

Era tão doloroso. E essa dor só a fazia o amar ainda mais. Como chegou nesse ponto afinal? O odiava. Sempre o fez. Ele era arrogante, um idiota de primeira. Ele a tratou tão mal... e as vezes ainda a tratava mal. Sabia que ele era Draco Malfoy, frio e calculista.

Sabia que ela era só mais um calculo. Um calculo qualquer.

– Ele é tão fofinho dormindo, não? – perguntou uma voz da porta, zombando.

Hermione sorriu vendo Theo entrar no quarto. Theo sempre parecia estar fazendo qualquer coisa em seu próprio mundinho.

– É nesses momentos que me pergunto se você é gay – ela brincou.

– Não questione minha sexualidade, Granger – Theo brincou de volta – Sou um macho sexy conquistador de mulheres. Comedor de vagina louco.

– Que sedutor – ela riu baixinho, voltando a observar Draco a dormir.

Theo viu como ela observava Malfoy dormindo. Estava na cara que ela o amava e que ele, gostava dela também. Não poderia dizer ao certo se o amor era correspondido pois o loiro não demonstrava suas emoções. Silenciosamente, Theodore Nott saiu do quarto.

Hermione viu o ritmo da respiração dele. Foi quando um barulho de seu notebook a despertou do sonho acordado. Ela soltou um suspiro e pegou o aparelho trouxa.

– Merlin! – disse, quando viu do que se tratava.

Alguém havia lido a mensagem que ela publicou uma hora atrás. Haviam a respondido. Havia alguém lá fora, alguém que precisava de sua ajuda.

Ela leu:

Eu estou aqui, minha filha. Me desculpo por toda dor que eu lhe causei, me desculpo por ter feito tudo isso acontecer. Estou orgulhoso por você estar salvando o que destruí nesses quatro anos. Eu te amo. E tenho certeza que, onde sua mãe estiver, ela está orgulhosa de você.

Agora e sempre. Até o fim dos tempos.

– Pai – disse para si mesma como um sussurro – Meu pai está vivo.

Se sentia feliz. Seu pai estava vivo. Merlin, ela queria sair gritando pelo mundo que seu pai estava vivo e que ele se lembrava dela. Que ele estava pedindo desculpas e que tudo não era culpa dele. Não tudo. Era culpa dela, ela que o fez se esquecer de quem era.

– Eu também de amo, pai – disse, relendo a mensagem várias vezes – Agora e sempre. Até o fim dos tempos.

As memórias vieram em sua cabeça:

“-É fácil Hermione, é um pé após o outro – sua mãe dizia, com os braços estendidos – Vem filha, vem com a mamãe.

– Deixa ela querida, nossa filha é inteligente o suficiente – seu pai disse, ao seu lado.

Hermione riu e deu seus primeiros passos para seus pais, com um sorriso e uma risada. Eles riram e seu pai lhe deu um beijo na testa.

– Eu não disse? – ele perguntou para a esposa – Ela é inteligente que nem a mãe.

– Não – sua mãe sorriu e beijou seu pai nos lábios – Ela é inteligente que nem o pai.’’

Ela precisava achar seu pai, precisava ir até ele e o salvar onde quer que ele estivesse. Era sua família, o que sobrou dela, e não deixaria que ela fosse embora como um grão de areia carregado pelo mar.

Mas... e Theo? E a cura?

E... Draco?

Olhou novamente para o homem adormecido. Sabia que ela tinha recebido aquela missão para ir atrás da cura, mas ela tinha achado muito mais do que isso. Havia achado um amigo e achado uma pessoa que se importava mais do que ela mesma.

Mas ela também se importava com seu pai. O restinho de sua família.

Hermione Granger já tinha uma escolha.

Ela fechou o notebook e pegou sua bolsinha encantada, recolhendo todas as suas coisas: entre roupas, comida e até armas, incluindo o arco que Draco havia feito para ela caçar.

Quando reuniu tudo, ela pegou papel e uma caneta trouxa. Não iria saber sem dizer o que precisava ser dito... ela tinha que fazer isso, simplesmente tinha.

Querido Draco,

É estranho eu escrever seu primeiro nome não é mesmo? Na verdade, é mais estranho do que ele sair da minha boca. Eu não sei como escrever essa carta e isso é surpreendente. Hermione Granger sem palavras? Quem diria. Mas o que ninguém sabe é que quando se trata de você, pelo menos nesses últimos dias, eu fico sem palavras. Eu não tenho o que dizer, minha garganta fica estranha e seca. Minhas palavras não valem mais nada.

Nesse exato momento que você lê essa carta, eu estou tentando salvar o que sobrou da minha família. Meu pai espera por mim, Draco. Veja? Novamente o seu nome. Merlin, o que você fez comigo? Me transformou novamente em uma garotinha do primeiro ano, apaixonada pela primeira vez.

Mas eu espero que você entenda. Você faria de tudo para ter sua mãe sã de novo, Draco? Para ver apenas mais uma vez nos olhos de seu pai e ouvir seus conselhos, mesmo que estes sejam terríveis? Eu faria isso pelos meus e é isto que eu estou fazendo. Sabe, essa situação toda me fez entender mais as coisas. Não me importa se eu morrer no final, se aqueles que eu amo ficarem vivos, tudo vale a pena.

Se você ficar vivo, tudo vale a pena. Eu te amo. Já lhe disse isso.

Esta não é uma carta de adeus, pois espero lhe ver novamente. Em Londres, procurando pela terceira cura. Sei que vai achar a segunda sem mim, é inteligente lembra? O segundo melhor da classe? Ora, que o passado vá pro inferno. Procure, Draco, e vai achar o que quer.

É capaz de achar ainda mais.

Eu te amo. Novamente, digo isto nessa carta. Espero que na próxima vez em que olhar em meu rosto, possa dizer estas palavras de volta. Mas não diga apenas porque escrevo aqui, diga porque sente em seu sangue, sua carne e em seus ossos. Diga porque sinta em seu coração. Até lá, eu sentirei no meu. Amarei você e me amarei em seu lugar. Assim me sinto meio vazia.

Não se culpe, por favor.

Eu te amo.

Agora e sempre. Até o fim dos tempos.

Hermione.

Pegou a carta e dobrou pela metade. Ela não havia percebido que esteve chorando o tempo todo que esteve escrevendo.

Pegou suas coisas, mas, antes, se aproximou do corpo adormecido de Malfoy e beijou seus lábios suavemente. Tão suave como um beijo do vento.

– Até a próxima – disse. Não. Aquilo não seria um adeus.

Desceu as escadas no maior silêncio que pode. Mas Steve apareceu de trás do sofá e latiu para ela. Theo entrou no cômodo, com o olhar indiferente.

– Está indo embora pelo visto – ele apontou para a bolsinha.

– Theo, entenda... e-eu tenho coisas pra fazer – Hermione não conseguia parar de chorar. Ia sentir falta de Theo também, aquele que a fez rir quando estava prestes a chorar. Naquele caso ele não ia a ajudar – Por favor... e-eu preciso que...

– Eu tome conta de Malfoy – ele completou – Eu sei. Eu vejo. Já percebi a muito tempo.

Hermione lhe entregou a carta.

– Entregue isso por mim – disse.

– Vai fugir, Granger – Theo parecia irritado – Como uma covarde, com medo de dizer adeus na cara dele.

– Não é um adeus! – ela quase gritou – Não é um adeus. Vou os ver de novo. Theo... por favor. Eu tenho que ir atrás do meu pai.

– Granger... – Theo tentou argumentar.

– Será que não iria largar tudo só para ver Melissa novamente? – Hermione perguntou, limpando as lágrimas.

O rosto de Theo mudou na hora, ficando triste. Dando um suspiro ele abriu passagem para ela.

– Vá.

– Obrigada – disse, dando um beijo na bochecha do amigo – Diga que eu o amo.

– Ele já sabe disso.

Hermione assentiu e saiu da casa. A neve caia silenciosamente. Sentiu os olhos castanhos claros de Theo a seguindo, conforme ela se aproximava de Ginger, a égua que estava amarrada a uma árvore. Deu um pouco de carinho ao animal enquanto tentava controlar as lágrimas que caiam por suas bochechas.

Era doloroso, mas necessário.

A montou e segurou as rédeas, voltando o animal para a o caminho que levava a estrada. Enquanto cavalgava, pode ver ao longe a cova de Myla em baixo do carvalho.

Sentiu mais peso então. Quantas pessoas ela não pode salvar?

Chegou com Ginger na estrada, podendo ver ao longe a casa verde. O coração pesado, por estar deixando eles para trás. Por estar os abandonando. Hermione Granger era egoísta.

Fez Ginger correr, e não olhou mais para trás.

Notas finais
Eu chorei escrevendo esse capítulo... pois é. Enfim... Obrigada pelos comentários cupcakes! Esse capítulo saiu um pouquinho antes para compensar a falta da semana passada (acontece que a Ice aqui ficou em exame em matemática) Esse capítulo vai especialmente para a Nathália Albuquerque que ficou me enchendo o saco dois dias seguidos. Te amo, vagabunda