Breath Of Life - Dramione

31 Capítulo 30 - Somos todos loucos agora


Narcisa Malfoy continuava a pegar o azul escuro e misturar com o laranja. Ah, como ela amava as cores de um pôr-do-sol. Sorriu para si mesma quando viu o resultado de sua mais nova tela. O oceano e o céu, pronto para recolher a noite. Passou os dedos finos com as unhas feitas por cima da paisagem que pintara. Parecia conseguir sentir o oceano e o vento. Sentia o cheiro salgado.

– Ciça? — perguntaram, entrando em seu quarto — Irmã, sou eu. Andrômeda.

– Ah, querida irmã. Estava me perguntando quando iria vir me visitar novamente — sorriu e se levantou, seu vestido preto correndo por suas costas — Estava pintando uma tela nova. Lucius ama minhas pinturas.

Andrômeda olhou em volta. O quarto da irmã parecia estar todo cheio de quadros com diversas paisagens diferentes. Um quadro em particular, não fazia sentindo algum. Era pequeno, com o desenho perfeito de uma xícara.

– Vim aqui conversar sobre um assunto em particular — a de cabelo preto disse, se sentando em uma poltrona.

– Pois diga — Narcisa pediu gentilmente.

– Eu sei que sua família tem vários meios, Ciça, e muitos contatos. Possuem coisas antigas que... podem nos ajudar — ela respirou fundo — Narcisa, sei que em algum lugar você ainda está ai. Sã. E sei que sabe algo que pode nos ajudar a acabar com essa praga.

– Eu sei de muitas coisas e não sei de qual delas está se referindo, irmã — Narcisa parecia ter perdido qualquer sinal de gentileza — Sei que todos acreditam que estou louca. Mas eu sou Narcisa Black Malfoy, eu não fico louca. Eu apenas sei meios de escapar de uma realidade que pouco me interessa.

– Realidade que pouco lhe interessa? — Andrômeda quase gritou, se levantando — Draco pouco lhe interessa? Ele está lá fora, lutando por um mundo que, querendo ou não, você participa. Tem noção do perigo que seu filho está correndo?

– Draco sabe no que deve ou não tocar, sentir e experimentar. Ele sabe dos perigos que corre — Narcisa disse baixinho e então, levantou o olhar, com um sorriso de lado — Afinal, ele é meu filho.

Andrômeda sabia que aquele se trata dos poucos momentos de sanidade de Narcisa. Ela tinha que aproveitar a chance. Seu sobrinho dependia disso... o resto de sua família dependia disso.

– Ajude-o — ela praticamente implorou — Nos ajude.

– E como você espera que eu faça isso? — Narcisa andou pelo quarto, olhando para suas pinturas — Tenho muitos dons, não nego, mas salvar o mundo dos mortos não é algo que está ao meu alcance.

– Salve Draco — Andrômeda tocou o braço da loira, que abaixou o olhar — Sei que faria qualquer coisa por seu filho. Assim como eu faria qualquer coisa pela minha.

– Sua filha está morta.

– Então evite que o seu vá para o mesmo caminho.

– O que você quer que eu faça?! — Narcisa finalmente estourou, colocando as mãos entre sua cabeça — Eu perdi tudo....tudo....

– Você ainda nos tem! — Andrômeda a segurou quando ameaçou cair no chão de pedra — Você ainda o tem, Ciça. Ele está longe isso é certo mas você ainda pode o ajudar. Me conte tudo Narcisa, sei que sabe algo. Sei que pode fazer algo especial e que ele herdou a mesma habilidade.

Narcisa foi para longe de sua irmã. Ela sabia que Andrômeda logo ia descobrir alguma coisa sobre aquela casa. Desde que seu filho fora naquela missão estúpida, era a irmã quem cuidava de toda a papelada de bens e tudo mais da Família Malfoy. Narcisa não tinha cabeça para isso. Narcisa não tinha cabeça para nada.

– Lhe contarei – disse por fim – Mas é melhor sentar, é uma história longa.

–---------------- // --------// ----

Hermione segurava o livro em mãos com uma decepção maior que tudo. Ela tinha certeza que aquilo iria dar certo. Ela nunca tinha errado tão feio antes. Nunca. O pior de tudo,era que suas expectativas estavam tão altas que ela se sentia mais inútil do que jamais fora.

– Eu jurava que ia dar certo – disse, mais para si mesma.

Sentiu Malfoy se aproximando.

– O que ia dar certo? Me ilumine, por favor – ele disse sarcástico – Você saiu da biblioteca correndo feito uma gazela.

Ela revirou os olhos para seu comentário e deixou o livro na mesinha ao lado da cama. Talvez, mais tarde, ela iria olhar novamente para ver se sua teoria estava certa. Não sabia bem se contava ou não a Draco já que provavelmente ele iria caçoar dela e a faria se sentir ainda mais lixo. Mas não eram mais crianças e sabia que ele, mesmo sendo um idiota, não devia ter tão idiota assim.

– Lembra do diário de Tom Riddle? – perguntou e ele assentiu – Ele continha uma magia que transferia uma mensagem até outro local. Como do diário até a mente de Tom. Existe uma magia parecida, um dom. Pessoas conseguem esconder objetos em folhas de papel... como um desenho.

– Como... uma habilidade? – Draco franziu a testa – Mas isso não faz sentido. Aqui é uma casa trouxa.

– Era o que eu pensei também, mas então você achou aquela varinha quebrada e me perguntei o que uma varinha estaria fazendo aqui – Hermione suspirou – Achei que tudo se encaixava... os livros de plantas... tudo. Alguma pessoa que estudava plantas, o antigo morador da casa, achou a flor e a escondeu no livro já que possuía o conhecimento dessa magia. A magia, não igual, mas parecida com a do diário.

– Você errou, obviamente – o loiro sorriu de lado.

Hermione não queria ouvir o discurso dele. Se jogou na cama e ficou encarando o teto de madeira escura. Por que tudo tinha que ser tão difícil? Nem enfrentando Voldemort as coisas eram tão complicadas.

– Eu só queria que tudo isso terminasse logo – disse, entre um suspiro.

Sentiu Draco se deitar ao seu lado. O corpo dele estava quente e muito tentador naquele frio. Sabia que tinha os cobertores, mas os mesmos pareciam não a esquentar o suficiente. Foi para junto de seu corpo quase instantaneamente.

– Todos querem, Granger – ele disse rouco, contra seu ouvido, a puxando para mais perto – Mas não temos o luxo de pensarmos assim. Talvez isso dure meses ou até mesmo anos.

– Você é péssimo em tentar animar alguém – ela brincou e sentiu seu corpo tremer quando ele riu – Mas, sério, eu não aguento mais mortos que andam ou... isso tudo. Queria voltar ao que éramos antes.

– Até mesmo nós?

Essa pergunta a pegou desprevenida. O que ela e Draco Malfoy eram? Ela sabia que... não. Ela não sabia de mais nada. Só sabia que o que começou como um contato puramente físico a tomou de uma maneira rápida e silenciosa. Agora, ela sabia que ele poderia a proteger e ela queria isso. Hermione Granger nunca quis ser protegida por ninguém. Ela o odiava antes. Merlin sabe o quanto ela o odiava. Então por que tudo mudou? A resposta era simples: O mundo mudou. Quando o mundo ao seu redor muda, você é obrigado a mudar com ele. Seguir o fluxo. O fluxo de Hermione Granger a guiou até Draco Malfoy.

Eu o amo. Pensou. Droga, eu o amo.

– Não – respondeu por fim – Eu não consigo me ver sem você me incomodando. Além de que o sexo é aceitável.

Ele riu e se sentou na cama, a puxando para seu colo. Com as pernas em volta de sua cintura, ela pode encarar os olhos cinzentos e os cabelos louros incrivelmente claros. Ah sim. A aparência dele não ajudava em nada.

– Eu vou soar como um idiota agora – Draco a acomodou em seu colo – Mas parece que toda vez que eu olho pra você, vejo a garotinha de Hogwarts. Então eu me lembro que você já tem vinte e quatro anos e está em um apocalipse... uma guerra indireta. Mas, você é tão... quebrável, Granger. Você parece tão pura de vez em quando e isso me dá vontade de lhe proteger... como nunca protegi ninguém.

Novamente, ela não queria ser protegida. Mas aquelas palavras falaram mais alto. Droga. Por que, novamente, tudo tinha que ser tão complicado?

– Eu o amo – as palavras saíram rapidamente, sem pensar.

Mas ao contrário do que ela pensou, o rosto de Draco não mostrou emoção alguma.

– Eu sei – foi o que ele respondeu no fim.

Sentiu vontade de chorar mas as lágrimas nem tiveram tempo de serem formadas quando a sua boca a tomou com um beijo leito. Sentiu sendo deitada no colchão e deixou a língua entrar em sua boca, começando uma batalha para ver quem tomava o controle.

Ele nunca vai me responder de volta. Nunca.

– Me sinto estúpida – disse com a garganta seca, quando o beijo terminou.

– Você não é estúpida, Granger – ele sorriu – Todo mundo erra, é parte de ser humano. Você só tomou ideias precipitadas.

Ela não estava falando pelo erro da flor, embora. Estava falando de dizer “eu o amo” achando que ele iria dizer algo em troca. Ela estava ali para tentar salvar a todos mas agora ela se perguntava como quando ela não conseguia nem ao menos cuidar de si mesma.

Notas finais
Demorou. Eu sei. Mas com a reforma do Nyah, demorou ainda mais. Gente, eu disse que não ia mais atrasar e por isso eu sinto muito. Mas a reforma não ajudou em nada, né? Por isso eu demorei. O capítulo saiu um pouquinho menor do que o planejado mas espero que tenham gostado. Eu sei que muitos querem ação mas entendam: Eu estou aumentando os relacionamentos agora. O que adianta eu só jogar uma história e fazer eles terem um romance bobinho? Eu não gosto desse tipo de fic e aposto que vocês não também né? Por isso vai demorar um pouquinho ( mas bem pouquinho mesmo) para a ação retornar. Além de que eu já havia decidido que a descoberta da flor seria com um pouco mais "lógico". Mas CUPCAKEEES ! Obrigada pelos comentários e também pelas recomendações, não sei se já agradeci por isso mas eu amo T-O-D-A-S elas ♥ Eu amo vocês Icey´s Cupcakes! ( amei esse título, obrigada Glathowaaay ) Vejo vocês no próximo capítulo. Isso é tudo pessoal e beijos sabor Icey :*