Breath Of Life - Dramione

22 Capítulo 21 - No escuro entendemos a força da luz


Ela acordou com o cheiro de feno. Até perceber que ela estava deitada em um monte de feno. Tentou se levantar, mas sentiu uma dor aguda junto com ardência vindo da sua perna além de uma dor de cabeça horrenda. Seu jeans estava rasgado, mostrando uma terrível queimadura.

Olhou em volta, estava em um estábulo. O frio era cortante, vindo de uma janela aberta.

Tentou se levantar, mas seu pé dobrou e novamente ela caiu ao chão. Estava quebrado. Como ela iria andar? Como ela iria sair dali? Se encostou na parede e teve vontade de chorar. Estava condenada.

Foi quando escutou um relinchar.

Hermione estava em um estábulo e em estábulos se tem cavalos. Seria essa a chance que teria para sair dali e achar um abrigo. Além de que ainda tinha sua bolsinha de contas, que tinha uma arma dentre outras coisas dentro. Além de sua varinha.

Era uma égua, amarrada em uma gorda pelo pescoço. Não tinha sela nem nada. Seu pelo era de um marrom belíssimo, sua crina do mesmo tom. Pernas longas. Entre seus olhos, da testa até o focinho, havia uma listra branca. Hermione se segurou nas grandes das cocheiras, tentando chegar mais perto. Porém, quando o animal a viu se aproximar, levantou suas patas dianteiras ameaçadoramente e quase atingiu a morena, se a mesma não tivesse dado um pulo para trás e caindo novamente no feno.

Que ótimo, sua única chance de sair dali era temperamental.

Pegou um monte de feno e novamente tentou se levantar, a égua ergueu as orelhas e andou para trás, alarmada. Hermione esticou a mão com a comida.

– Não vou machucar, coleguinha, estamos na mesma situação aqui — disse, com a boca seca — Vamos nos ajudar, certo? No fim disso tudo prometo lhe dar um balde de cenouras.

O animal se aproximou lentamente e comeu o feno, deixando Hermione e acariciar. Usando a varinha, fez uma sela flutuar até elas e amarrou nas costas do bicho, ajoelhada por causa do pé quebrado e da queimadura. Cortou a corda que prendia a égua e montou com dificuldade, nunca havia feito aquilo antes.

Na plaquinha da cocheira, havia o nome Ginger. Provavelmente era o nome da égua.

– Muito bem Ginger, isso foi um começo — resmungou e acariciou-a — Vamos sair daqui.

Os passos de Ginger na neve eram calmos e silenciosos. Hermione se segurava na crina, para se acostumar com o balanço. Nevava fortemente. Percebeu que estava em uma área rural, cercada e que havia uma estradinha que provavelmente a levaria até uma fazenda. Era sua melhor opção.

Fez Ginger galopar, pegando ritmo e correndo rapidamente. Enquanto isso acontecia, enquanto a neve batia em seu rosto, ficou perguntando o que Malfoy e Theo estariam fazendo agora.

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– Não vamos ficar com ele.

– Mas...

– Eu já disse que nós não vamos ficar com ele — Draco ralhou — E principalmente nós não vamos dar o nome de Steve.

– Mas ele tem cara de Steve — Theo retrucou — Granger deixaria eu ficar com ele.

– Sim, mas Granger não está mais aqui não é? — Draco ralhou novamente — Além de que ele é provavelmente o cachorro mais feio que eu já vi na vida.

Os dois voltaram para ver o cachorro branco e preto os olhando com a língua de fora e os olhos diferentes, um azul e outro castanho. Ele parecia sorrir além de que lhe faltava um pedaço de sua orelha esquerda, que era muito menor do que a da direita.

Depois de saírem do Cassino Lótus, eles pararam em uma antiga loja de lembrancinhas indígenas e passaram a noite ali. Iam ficar ali por um dia a mais, para organizar todas as coisas que antes era Hermione quem fazia. Estavam andando pela loja quando algo saiu de trás de um balcão, pulando em Draco e o derrubando no chão. Era Steve, o cachorro que parece ter vindo no inferno.

– Exatamente, é por isso que eu quero o chamar de Steve, para ver se anima o espirito dele um pouco... — Theo acaricia o cachorro — Deixa Malfoy... por favor...

– Para Nott, você até parece uma cria de cinco anos — Draco revira os olhos — Tudo bem, mas você limpa o coco dele. E se ele fizer xixi no carro juro que vou fazer você limpar com a língua.

– Obrigado — Theo revira os olhos também — É mais capaz você fazer xixi no carro do que ele, querida Barbie loira.

As vezes Draco parava para se perguntar como Theodore Nott, um puro-sangue, sabia tanto sobre o mundo trouxa. Ele se afastou, com esses pensamentos na cabeça. Se sentou em uma cadeira de balanço, na frente da loja que parecia estar caindo aos pedaços. Ele aprendeu sobre o mundo trouxa, como atirar, como achar comida, o que eram carros, o que eram armas, o que era televisão... tudo isso nos subterrâneos, quando treinaram-no. Mas ainda não sabia muitas coisas. Não sabia como funcionava uma máquina de café ou suco. Achava que um secador de cabelo era uma espécie de arma que secava até a morte. Resumindo: Não sabia muita coisa.

Se Granger estivesse ali, ela o ensinaria.

Colocou o rosto entre as mãos. Ele não era do tipo de cara que "Ah, se algo acontecer com ela eu morro e blá blá blá" mas Theo estava certo quando disse que estava começando a se importar. Não, ele não havia chorado. Não, ele não estava apaixonado por ela. Mas a companhia dela havia começado a se tornar razoável.

O sexo era ótimo também.

Sentiu algo lamber a sua mão.

– Argh — gritou — Que nojo! Theo, seu maldito cachorro está aqui.

– Ah, Malfoy... — Theo apareceu na porta, rindo — Se eu não lhe conhecesse diria que tem medo do Steve.

Draco apenas revirou os olhos e carrancudo continuou a olhar a neve.

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Ginger parou de correr quando se cansou e agora ambas estavam na frente de uma grande casa verde em uma colina e escondida pelas árvores. A égua foi amarrada na varanda, para se proteger na neve que caia. Hermione entrou cambaleando para dentro da casa, se segurando nas paredes.

Não parecia ter nenhum andante por ali. Porém, entrou com cuidado. Escutou pequenos ruídos, mas achou que talvez fossem apenas ratos. Foi quando passos se aproximaram, rápidos, como alguém tivesse correndo.

Um tiro atingiu a parede atrás dela.

– Quem está ai? — gritou uma voz feminina.

– Não atire! — Hermione gritou de volta — Por favor! Não atire!

Uma mulher saiu de um canto da sala. Ela era tão reconhecível, os cabelos castanhos escuros longos e os olhos grandes curiosos. Porém, o inchaço na barriga era o que fazia Hermione saber de quem se tratava.

– Myla? — perguntou surpresa — Oh Merlim! Myla!

– Hermione? — a mulher perguntou de volta, abaixando a arma — Jesus, faz tanto tempo. Como me encontrou? Como chegou aqui?

– Longa história — respondeu, chegando perto, ou pelo menos tentando — Escuta, eu quebrei meu pé...

– Percebo — Myla a ajudou a chegar até o sofá — Sente-se, está horrível de frio. Vou pegar um cobertor.

Ela saiu subindo as escadas e Hermione se viu sentada no sofá no meio da sala. Havia uma lareira ali. Usando a varinha, ligou o fogo. Não achava que nenhum mordedor iria vir ali, não com aquela colina e com as árvores escondendo a casa. Suspirou, apreciando o fogo. Myla retornou e colocou um cobertor ao seu redor, havia trazido também uma xícara de chocolate quente que Hermione aceitou prontamente.

– Como veio parar aqui? — Hermione perguntou, tomando um gole da bebida quente — Achei que estaria morta.

– Lhe faço a mesma pergunta — ela suspirou — Mas a pouca comida que me deu serviu para algo. Encontrei um grupo de viajantes e eles trocaram a comida por duas armas, encontrei um armazém e assim foi indo. Sem aquela comida eu estaria perdida. Aquelas pessoas iam me matar.

– Sabe o que aconteceu com os viajantes? — perguntou curiosa.

– Morreram acho, estavam assustados com a chegada do inverno — suspirou novamente — Achei essa fazenda um tempo depois, um casal de idosos moravam aqui. Criavam cavalos, mas parece que só sobrou um.

– E foi ela que me trouxe aqui — Hermione contou — Meu pé está quebrado e tenho uma queimadura na perna. Eu iria curar com magia, mas não estou muito boa para isso.

– Podemos colocar água na queimadura, para aliviar — Myla voltou tempo depois e lavou a queimadura levemente — Pronto, deve resolver.

– Obrigada, novamente — Hermione sorriu — Aposto que deve estar pensando o que aconteceu não é?

– Com certeza — Myla sorriu de canto.

Contou-lhe tudo. Da pedra, de tudo mesmo. Até da prisão e do plano de exterminar todos os bruxos no planeta. Myla escutou com cuidado, mas, conforme Hermione ia falando mais... mais sua expressão ficava triste.

– Então só sobrou vocês — ela disse baixinho — Tive esperança... eu tive esperança...

– Scott disse seu nome antes de morrer — contou — Acho que quando a hora chegou ele se arrependeu do que fez.

– Eu achei que ele iria sobreviver, de que de alguma forma ele iria voltar para mim — Myla deixou uma lágrima cair — Eu o amava tanto. Fiz tantos erros antes... mas acho que percebi, quando vi todos começarem a cair mortos eu finalmente percebi que tudo não passa de ilusão. Somos todos feitos de ossos e carne. E toda carne apodrece e todo osso vira areia.

– Todo sangue seca — Hermione sussurrou para si mesma — Até mesmo os sangues ruins.

– O que? — Myla perguntou, não entendendo.

– Nada — falou rapidamente, colocando um cabelo atrás da orelha — Apenas comecei a divagar... eles acham que eu estou morta agora. Eu vim parar aqui, perto de você e tudo o que eu pensei antes de aparatar foi encontrá-los.

– Estamos em Suddley — Myla contou — A rota principal de Suddley. No andar de cima instalei um farol que fica ligado durante a noite, caso alguém passe por aqui... eles vão ter que passar por aqui alguma hora.

– Ótima ideia — sorriu fraco — Sua barriga cresceu.

– Cinco meses agora — Myla sorriu — Eu sinto que é um menino, eu sinto. Tenho até um nome.

– Qual?

– Ares, do deus grego da guerra — Myla colocou a mão em sua barriga — Acho que é para ele se sentir um lutador sempre e para ter coragem. Porque coragem é o que nós mais precisamos agora.

Ela não poderia discordar.

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Você só entende a força da luz quando está no escuro. Você só entende o quanto precisa de comida quando sente fome. A água parece ser vida apenas quando você está com sede. Você só gosta da dor depois de tanto tempo sem sentir nada. Absolutamente nada. O medo parece algo besta depois da coragem se manifestar. Coragem o tempo todo parece ser fraqueza, simplesmente porque você cansou se ser forte. Ser forte parece ser tudo, depois de tanto tempo se sentindo fraco.

O homem fechou seus olhos... estava ali por quase um ano agora. Não sabia quem era até segundos atrás, não sabia que tinha uma filha. Não sabia que essa filha poderia estar morta por sua culpa. Ele foi o criador de tudo isso, ele achava que era um cientista e não um simples dentista. Agora ele sabia.

Trancado em uma base de experimentos em Londres, Sr.Granger sabia agora quem ele realmente era.

E nunca sentiu antes maior nojo de si mesmo.

Notas finais
Capítulo um pouco menor gente, desculpem mas prometo que o outro vai ser beeem maior :DMyla voltou o/ e agora ela vai ficar... ou não... talvez... ainda não decidi. Depende do meu humor.Como vocês perceberam, esse capítulo foi um pouco mais descontraído... vai Steve! :PVamos aos agradecimentos:Bibia Ferrari&Cassy Moraespelas beeelas recomendações ♥ muito obrigada suas lindas, espero que vocês tenham gostado desse capítuloobrigada também a Leitora Sincera e seja bem vinda a fic ♥ amei sua review e amei saber que você captou exatamente o que eu queria passar no ultimo cap, tanto é que eu coloquei sua frase nesse capítulo.É isso minha gente, comentem, falem o que acharam e deem sugestões! Estamos chegando em uma parte mega hiper importante na fic e algo vai acontecer que vai deixar todos e todas espantados ( tum dum dum dum ) mas não vou contar ;)Até maaaais galerinha o/