Breath Of Life - Dramione
11 Capítulo 10 - E se você pudesse mudar o destino?
– Eu não acredito que essa merda quebrou! — Theodore Nott berrou dando um chute na camionete vermelho-sangue — Mas que bosta!
Hermione ficou quieta vendo a reação do garoto. Ela viu Malfoy o empurrar e abrir o capô do carro de novo.
– Não há nenhuma maneira de nós conseguirmos ir com isso até York — ele falou rabugento.
– Conjurem algumas ferramentas e concertem, não podemos ir apé — Hermione opinou — Escuta, sei que é arriscado. Mas enquanto vocês dois ficam aqui eu fico na região dando uma limpa. Apenas... tentem concertar tá legal?
– Eu vou junto — Malfoy disse e se virou para Theo — Se vire. Você quebrou, você concerta.
Theo fez uma careta e mostrou o dedo do meio. Draco não falou nada, apenas seguiu para uma direção. Hermione ficou parada olhando ele ir, e pensando em qual direção ia. Foi quando ouviu a voz de Theo novamente.
– Tem um riacho ali atrás, pode querer se limpar — ele disse — Você realmente precisa de um banho.
Ela olhou para si mesma: Roupas rasgadas, arranhões, lama, folhas e sangue. Realmente precisava de um banho. Suspirou derrotada e assentiu, indo em direção ao riacho.
Ela desceu o barranco que estava lamacento, tomando cuidado para não cair. O riacho era fundo e tinha algumas pedras em volta. Ela colocou a bolsinha de contas em uma dessas pedras e retirou algumas roupas limpas. Retirou a varinha também. Se Theo já estava usando a magia, o que era arriscado, ela poderia usar também não é mesmo?
Ficou totalmente nua e entrou na água. Estava incrivelmente gelada, mas era melhor do que nada. Limpou o sangue do cabelo e a lama também. Depois limpou o resto do corpo. Usou a varinha para concertar a sua jaqueta de couro preta, que era a sua preferida, e colocou dentro da bolsinha. Depois de se limpar, conjurou um by Text-Enhance\">perfume e o colocou. Colocou suas roupas intimas, seguido de um short, uma regata preta e uma jaqueta que tinha a estampa do exército. Colocou um Bull Terrier, já que era confortável. Deixou os cabelos molhados, pegou suas coisas e saiu dali.
– Vamos dar uma limpa então — resmungou para si mesma enquanto colocava balas no revolver.
Ouviu o som de tiros e foi até eles, entrando em uma região que não tinha visto antes. Draco estava atirando em uns zumbis, que caiam no chão. Alguns ainda rosnavam e mexiam os dentes podres. Ela sentiu uma presença atrás dela, vindo demoradamente. Tirou o punhal da manga e sem virar pra trás perfurou a cabeça do zumbi, que caiu no chão com um punhal ainda espetado. Ela se virou e viu que era um fazendeiro local por causa do chapéu de palha. Metade do seu braço estava fora e ele não tinha nenhum dos olhos.
Retirou o punhal e limpou o sangue podre na grama.
– Você viu mais algum enquanto estava no riacho? — ouviu a voz zombando de Draco.
– Bom saber que você estava me observando — ela disse sarcasticamente — Mas não.
– Eu não estava observando você, não há nada aqui que vale a pena observar — ele disse com desprezo — Vamos ver se Nott concertou o carro.
Ela seguiu ele até a clareira, onde Theo olhava para eles com um sorriso vitorioso. Hermione viu algumas sacolas plásticas cheias de frutas silvestres que ele deveria ter achado nas árvores e arbustos dali.
– Vocês estão cheirando a sangue — Theo disse — Mas nunca estive mais feliz de ver vocês. Esqueceram de um aliás — apontou pro corpo deformado a alguns metros adiante — Dei um trato nele.
– Concertou o carro ou não? — Draco perguntou irritado.
– Sim Malfoy, que saco. Você é um pé na bunda cara — Theo revirou os olhos e abriu a porta para Hermione — Entre senhorita.
Ela não esperou e entrou no carro, só que recusando a porta aberta de Theo e se sentando no banco de trás. Ela viu Malfoy se sentando no banco do carona e Theo no de motorista. Ele ligou o volante e logo eles estavam na estrada novamente. Nott ligou o rádio, mas estava sem sinal. Ele murmurou um palavão.
– York hã? A pedra está em York... — Theo disse para ninguém em particular.
– Na verdade a pedra está nas florestas de York, não na cidade, tem mais de 40km de extensão e era usada antigamente por lenhadores na época da renascência, as madeiras eram tão utilizadas que os lenhadores se tornaram os mais ricos da época e... — Hermione começou a dar seu discurso.
– Desculpe, mas você não deixa de ser uma sabe-tudo sangue-ruim irritante não é mesmo?- Theo perguntou maldosamente.
– Eu... desculpe... — Hermione ficou atordoada em um momento, mas então... espera? Ela estava se desculpando porque? — Na verdade, desculpa a minha bunda! Eu só respondi a sua pergunta, mas se você tivesse o minimo de inteligência perceberia que por causa da extensão de 40km a floresta é enorme e isso significa mais trabalho para achar a pedra. Segundo, se você notasse, eu disse lenhadores, e isso significa pinheiros já que é a única madeira produzida naqueles arredores. E, novamente, se você percebesse, saberia que nós estamos indo na direção errada já que estamos em uma região de carvalhos. Então, vire a bosta desse carro e nos leve pra porra de York! Me entendeu?
Malfoy bateu palmas lentamente, segurando o riso. Hermione olhou pra ele com a sobrancelha erguida. Foi quando ela começou a rir e ele também. Nott ficou olhando tudo completamente pasmo.
– Me d-esculpe, é só que i-isso foi ta-ão engraç-çado — ela disse entre risos.
– Vocês são completamente loucos — Theo disse.
Então eles ficaram em silêncio. No tédio, Hermione abriu o seu notebook, novamente no aplicativo que Harry havia baixado. Não havia nenhuma rede por perto, como esperado. Ela suspirou, parece que sua tentativa de contato havia falhado. Não custava tentar novamente não é?
Olá qualquer pessoa que esteja lendo isso,
Os piores dias da minha vida continuam. Agora, minha equipe toda está morta e eu não posso me impedir de sentir alguma culpa por isso. E se eu pudesse ter ajudado eles? E se eu pudesse ter impedido?
Sinto que o porque deles não estarem aqui é o motivo para eu estar aqui.
Bem, Malfoy, aquele meu inimigo de infância do qual eu falei ainda esta vivo e está aqui comigo. Porém, não estamos sozinhos. Theodore Nott está conosco, ele nos achou depois de fugir da base no subsolo. Ele contou que o governo tomou controle total e mataram mais de 30 mil pessoas na base dos trouxas, então, se você não for um bruxo ( mais especificamente, se depois de você ler essa frase me achar uma louca ) não vá para a base.
Estamos indo para a floresta de York agora, e sinto muito, mas eu tenho que ir. Estou com muito sono para continuar escrevendo.
Então ela enviou para as redes próximas. Se existisse algumas. O aplicativo também permitiu enviar para as redes que já foram salvas. Hermione suspirou e fechou o notebook, colocando novamente na bolsinha.
Ela fechou os olhos e dormiu.
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Draco se virou para trás e viu Granger adormecendo. Ela estava encolhida já que o banco traseiro era pequeno. Ele se virou novamente para frente, vendo apenas a estrada.
– Ela é quente — ouviu Nott ao seu lado.
– Como? — perguntou não entendendo.
– A Granger, ela é muito quente — Theo disse novamente — Quero dizer, ela está vestindo uma regata que mostra um decote incrível. Já viu as pernas dela? Meu Merlim, que pernas. Além disso, ela tem um revolver na cintura e está cheirando a sangue mas ao mesmo tempo perfume. Ela é fodidamente quente.
– Você teve ter bebido Nott, ela é uma sangue-ruim não é? Você mesmo disse isso alguns minutos atrás — Draco disse.
– Eu disse. Mas ela estava sendo irritante — Nott se explicou — Olha cara, eu percebi algo quando eu sai do subsolo. Logo que eu sai, eu me deparei com um zumbi. Era uma mulher, ela estava vestindo um vestido rosa todo rasgado e ela estava roxa e estava saindo pus da boca dela. E sabe o que mais? Quando eu a matei, saiu sangue. Sangue normal, vermelho e grosso. Eu então fiquei me perguntando se ela era uma bruxa e uma trouxa, e sabe o que mais? Eu não consegui descobrir.
Draco encostou a cabeça no vidro, que tremia com o balanço do carro. O dia estava nublado, se preparando para a chuva.
– E o que isso significa Nott? — ele perguntou entediado.
Theo o olhou por um momento, ele parecia um pouco decepcionado que ele não havia descoberto por si mesmo.
– Isso significa que todos somos iguais Draco. O sangue daquela mulher era igual o meu e ao seu. O sangue deles é tão igual ao nosso Malfoy, que quando eles morrem, não sabemos nem de que raça eles eram — Draco levantou o olhar por causa dessas palavras.
Draco deu uma risada seca.
– Seu pai iria te matar se ouvisse essas suas palavras Nott — ele resmungou — Eu já havia percebido isso faz tempo. Desde que a minha mãe ficou louca.
– E então por que você é tão... mal, é, é exatamente essa palavra. Por que você é tão mal para a Granger? — ele perguntou.
Draco se virou e olhou para ela mais uma vez. Dormindo, nem parecia que havia acabado de matar um zumbi. Se lembrou do primeiro ano, do livro que ela o emprestou no trem, que ele havia lido e tinha até hoje. O choque que dele quando ele descobriu que ela era uma nascida-trouxa. O nojo que ele teve no segundo ano, a palavra que ele havia dito. Se lembrou do soco no terceiro ano. Se lembrou do quão bonita ela olhava no Baile de Inverno. Se lembrou dela na Armada de Dumbledore. Se lembrou, então, do que ela havia murmurado para ele em um corredor no sexto ano "Você não é assim". Se lembrou que havia se perguntando: "Quem é ela pra me dizer quem sou?". Se lembrou da tortura, da guerra. Se lembrou então, dela na sala do treinamento nos subsolo, sendo melhor que ele novamente, afinal, ela sempre seria melhor.
Se lembrou do agora, do presente, mas era impossível se lembrar do agora. O tempo não permitia não é? Então, como ele se lembrava do segundo que tinha acabado de passar? Do segundo no qual passou agora, agorinha. No segundo que ele viu ela respirar e que ele sabia que estaria sempre ali. Na memória.
– Porque eu não quero que ela saiba que eu me importo com ela — ele disse, repreendendo a si mesmo logo que proferiu essas palavras.
Não era amor. Não era atração, não se engane. Na verdade, sim, ela era quente e ela era incrivelmente bonita. Mas ele a defendia, se importava, no sentido de querer fazer aquilo que não pode ser feito. Ele viu nela a maneira de se redimir, de fazer aquilo que não pôde ser feito no passado. Afinal, ela havia sido parte do seu passado. As suas lembranças, que ele havia acabado de recordar provavam isso. Então, através dela, ele iria se provar para aqueles com o qual ele falhou.
Seus pais, sua família.
E agora, ele não tinha mais nada.
– Sabe Malfoy, você é um cara muito estranho — Nott disse — Você continua a odiando não é?
– Claro — Ele disse em um bufo. Isso era óbvio, ele ainda a odiava com todas as forças.
– Mas mesmo assim se importa — Theo disse — Sua mãe estaria orgulhosa.
– Minha mãe está em uma cama de hospital — ele quase gritou, não gostava desse assunto.
– Mesmo assim ela estaria orgulhosa Malfoy, para de dizer as coisas como se ela estivesse morta — Theo quase gritou de volta — Eu sei o que é perder alguém, não fale as coisas como se tivesse sofrendo mais do que eu.
Ficaram em silêncio o resto da viagem, assim como a chuva começou a cair. Granger ainda dormia no banco de trás. Ele olhou os pingos de chuva na janela, fazendo algo que costumava a fazer quando era criança. Corrida de pingos. Não fazia sentido já que ambos os pingos iam chegar no fim da janela de uma forma ou outra. Mas ainda sim, ele o fez. Novamente, o pingo que ele estava torcendo não venceu.
– Malfoy — veio a voz de Nott novamente — E se você pudesse mudar o destino? Você mudaria?
Ele se virou para trás e viu Granger dormindo de novo.
Outro segundo, outro segundo na memória. Que droga. Outro segundo desperdiçado.
– Não — respondeu finalmente — Mas eu gostaria de poder mudar o passado.
Nenhum dos dois falou mais depois disso.
Notas finais
Comentem e me falem o que estão achando. Podem dar sugestões, são sempre bem vindas. Criticas são sempre construtivas.
Beeeijos ;*
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