Breath Of Life - Dramione
38 Capítulo 37 - A perfeição é a imperfeição.
Narcisa Malfoy ficou na enfermaria junto com outras pessoas que começaram a mostrar sintomas daquela epidemia totalmente indesejada. Andrômeda ficou ao lado da irmã o tempo todo, assim como Astória, que disse que Narcisa significava muito para ela e por isso disse que ela mesma iria cuidar do tratamento da Sra.Malfoy.
– Irmã, eu sei que provavelmente você não vai me ouvir e se, por acaso isso o fizer, não vai me entender. Você está presa em seu próprio mundinho e talvez, é isso o certo a se fazer — Andrômeda disse, olhando para a irmã que havia entrado em estado de coma — Sei que vai ficar tudo bem com você, você é uma guerreira, sempre foi. Sei que ficará viva para quando Draco retornar... e eu vou garantir que isso aconteça.
E então ela beijou a bochecha da irmã e saiu da enfermaria. Ela andou pelos corredores e então sem querer, bateu em Gina, que se virou pronta para dizer algum insulto antes de perceber quem era. A barriga da ruiva já havia crescido bastante, considerando que ela estava com três meses de gravidez.
– Andrômeda, é bom lhe ver, Teddy tem perguntado sobre a avó — ela riu fracamente — Quando ele não está brincando com Victoire em algum lugar.
– Teddy é sempre um garoto adorável, tão parecido com minha Ninfadora. E Victoire é simplesmente um anjinho, guarde o que eu digo, Srta.Weasley, esses dois ainda tem muita história pela frente — ela suspirou — Soube que Fleur Weasley está grávida novamente, de outra menina.
– Sim, acho que todo mundo decidiu ficar grávida — Gina riu, e então passou a mão pela barriga — Eles fizeram um feitiço nela, e eles já escolheram até o nome, Dominique. Uh, e eu também já descobri!
– Não me diga — Andrômeda tentou sorrir — Qual o nome?
– James Sirius Potter — a ruiva sorriu, animada e então seu rosto ficou triste — Sinto muito por sua irmã.
– Não sinta — Andrômeda cortou friamente — Narcisa está doente de um jeito ou de outro, mas isso não significa que eu perdi a esperança nela. Diga-me, Srta.Weasley, seu noivo já se preparou para a guerra? As barreiras estão se enfraquecendo cada vez mais.
– E só vão enfraquecer mais e mais daqui para frente — Gina ergueu a cabeça, orgulhosamente — Estamos preparados, todos nós. Sei que a guerra já está batendo na nossa porta mas, temos notícias boas como Hermione encontrando a segunda cura e... bem, acho que eles estão perto de encontrarem a terceira. Eu espero. E então iremos lutar e tudo isso vai terminar. Harry acha que, se terminar aqui na Inglaterra, onde tudo começou, que no resto do mundo irá acontecer o mesmo.
– Espero que esteja certa — a mulher suspirou — Pois eu não aguentaria mais nada disso por mais tempo.
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Theo, naquele tempo que haviam acampado na estrada, arrumou o máximo que pode o carro e disse que iriam conseguir chegar até Londres, mas que depois disso teriam que ir a pé, pois a caminhonete já havia chegado aos seus últimos dias. Hermione consultou o mapa e percebeu que Londres ficava doze horas dali e disse que precisavam se preparar logo.
– Você não sente? — Theo perguntou, quando estavam sentados ao redor da fogueira — Está tudo chegando a um fim. Temos a segunda cura, Draco já lhe contou isso, e quando acharmos a terceira estará tudo terminado e eu vou poder voltar para casa e dormir sem pensar que alguém pode arrancar minha cabeça.
– Errado — Draco disse, tomando um gole de água — Eu ainda posso arrancar sua cabeça.
– Embora o assunto de arrancar cabeças é realmente encantador, Theo está certo — Hermione suspirou — Está tudo chegando a um fim. Meu medo é do que nos espera em Londres — ela tocou o colar que Jarold lhe deu — E se vou conseguir manter as promessas que eu fiz.
– Deixa de ser idiota, Granger — o loiro disse ao seu lado — Chegamos até aqui, vamos conseguir passar por Londres, acho que nada de pior pode nos acontecer.
– Não diga isso em voz alta, Malfoy! — Theo gritou, jogando uma bola de neve nele que reclamou em voz alta — Não sabe que quando as pessoas falam isso, tudo piora?!
Hermione riu alto e Draco lhe deu um olhar de "você também?".
– Desculpa — ela disse, em meio a risadas — Mas ele está certo.
Draco revirou os olhos mas sorriu, se levantando e dando um olhar significativo para a morena entes de dizer em voz alta:
– Preparem suas coisas, vamos sair daqui a pouco. Não queremos pegar o transito.
Hermione o olhou se afastando e indo se sentar na pedra que haviam tido aquela conversa dias antes. Ela viu que Theo já estava longe e que Steve estava com ele, pois, de repente ela estava sozinha ao redor da fogueira. Ela não queria saber onde Theo havia ido, já que ele sempre ia embora sem explicações. A morena foi até Draco, que estava mexendo algo em seu bolso mas guardou assim que ela se aproximou.
Se sentou ao seu lado e então, ficaram em um silêncio confortável. Antes todos os seus silêncios eram estranhos, hoje em dia, pareciam falar mais do que palavras.
– Está uma noite bonita, não acha? — ela perguntou depois de um tempo — Em Londres não se podia ver as estrelas por causas das luzes. Me pergunto se ainda é assim. Se a energia elétrica ainda funciona lá ou... se tudo está em ruínas.
– Não quero falar sobre isso — ele a cortou — Eu, droga, odeio dizer essas coisas, mas quando você foi embora, Granger, eu comecei a pensar sobre o meu futuro.
– Achava que a gente já tinha discutido isso — Hermione falou, olhando para longe.
– Olhe para mim quando eu falo, mulher, isso me irrita — sua voz tinha um pouco de ironia e um pouco de seriedade, então, ela olhou para seus olhos cinzentos — Eu não mereço você, embora eu sempre brinquei que fosse o contrário. Mas essa é a verdade, Granger, eu não mereço você. Mesmo se eu vivesse cem vidas eu ainda não mereceria.
– Draco, pare com isso — ela tocou seu rosto, sua barba mal feita — Não me interessa, eu cansei de procurar pelo amor perfeito e...
– Não existe amor perfeito, o amor é o sinônimo das imperfeições — Malfoy a cortou novamente, deuses, ela ainda sentia raiva disso — E não existe mais imperfeições em ninguém, do que eu mim. Já lhe disse isso e não preciso repetir e eu já disse, odeio ser meloso...
– Você nunca é meloso, mesmo quando tenta — Hermione revirou os olhos — Continua sendo idiota.
– E você uma sabe-tudo, agora cale a boca e me escute — Draco a retrucou e então revirou os olhos irritados — Mas o fato é que não quero viver mais um dia dessa morte se você não estiver do meu lado, e isso me deixa louco, pois eu não quero ser dependente de você... eu quero que você seja dependente de mim. Pela primeira vez, quero sentir que alguém quer a minha proteção e não fugir dela por falta de confiança.
Hermione o olhou surpresa e sentiu sua garganta ficar seca.
– Draco... — ela tentou.
– Mas que merda, será que não consegue ficar quieta? Eu estou tentando fazer isso uma coisa fácil mas você fica dificultando desse jeito! — Ele quase gritou e passou a mão pelo cabelo, frustrado — O fato é que eu acabei me encontrando nessa maldita missão, e não me importa se eu morrer se quando eu fizer isso, foi para proteger você.
– Draco... — ela tentou de novo.
– Droga, vem aqui, bruxinha — ele a puxou para seu colo e fechou os olhos, inalando o seu perfume. Ele afastou os cachos não domados de seu pescoço e foi até o seu ouvido sussurrando — Hermione Granger, me daria a honra de se tornar minha esposa?
Ela o olhou em choque total. Ele estava falando sério? É claro que sim, ela o conhecia como as palmas de suas mãos. Mas ela não conseguia entender, se casar? Não era muito cedo? Eles nem haviam ficado juntos direito e somente agora sua relação havia chegado a um ponto de quase entendimento. Ela simplesmente não conseguia entender. Mas quem precisava entender, afinal? Eles poderiam morrer a qualquer momento e, se isso acontecer, ela queria morrer sabendo que não estava sozinha.
– Sim — ela sussurrou de volta — Sim.
E então ele tirou um anel simples do bolso. Era isso o que ele estava mexendo e escondeu quando ela se aproximou. Seus dedos pálidos e finos passaram o anel nos dela e então, ele deu um sorriso estranho.
– É — e ele se levantou — Acho que é isso.
Hermione o olhou surpresa quando ele andou para longe, onde Theo estava arrumando as coisas e começou o ajudar. Ela balançou a cabeça para si mesma. Draco, provavelmente, já havia ultrapassado seu "índice de melosidade". Mesmo assim, ela não conseguia pensar em um pedido mais perfeito, mesmo estando cheio de imperfeições.
Ela caminhou até eles e pegou sua jaqueta, a vestindo. Pegou seu revolver na mão e colocou balas.
– Bem — ela disse, determinada — Acho que é agora que a nossa verdadeira missão começa.
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Astória estava olhando uma Narcisa em coma, ainda bastante preocupada. O que Draco diria quando voltasse e visse que foi ela quem não conseguiu salvar sua mãe? Salvar sua família? A loira se virou rapidamente quando viu a porta abrindo e Pansy entrando com água quente, para outros dois infectados. Dois sobraram, os outros quinze morreram e seus corpos foram queimados na floresta proibida, para não atrair muitos andantes para perto de Hogwarts.
– Rony está perguntando por você — Pansy disse, não se dando o trabalho de olhar para ela.
– Desde quando o chama de Rony? — Astória perguntou, quase docemente — Eu sei do lance de vocês, Pansy e eu fico feliz que tenha tentado mostrar a ele que... nós nunca vamos acontecer.
– Eu tentei mostrar a ele, mas ele está cego! — Pansy quase gritou, enquanto limpava o suor de uma mulher que grunhia de dor — Eu nunca vou entender isso, amor, essas coisas nojentas que as pessoas fazem.
– Você já entende, você o ama, Pansy — Astória disse, realizando pela primeira vez — Merlim, você o ama e você me odeia porque ele... gosta de mim. Pansy, entenda, eu nunca quis que isso acontecesse.
– Não me venha com esse papo, Greengrass — Pansy se virou para ela, furiosa — Talvez eu o ame. Talvez eu ame o fato de que quando ele está triste, ele me pede para ir até o quarto dele para fazer amor. Mas então, quando tudo termina, eu me lembro que a gente fez sexo, apenas isso e que ele gritou... o nome de Daphne ou o seu. Ele não me chama para o consolar, ele me chama para o distrair. Isso dói , pois pensei que ele... me usasse para sentir menos dor. Talvez isso aconteça, ele parece ser feliz por algum tempo mas depois fica daquele jeito e é eu quem saio machucada.
– Eu não o amo, é verdade, eu nunca amei ele ou Draco ou Blaise — Astória disse, tentando mostrar que ela nunca quis o motivo da dor de Pansy — Eu só quero achar o amor como todo mundo.
–E isso lhe da o direito de machucar as pessoas? — Pansy retrucou, friamente — Pegando um a um como se fosse um teste? Draco não saiu machucado, na verdade, soube que foi ele quem terminou com você. Há, que lindo. Depois, ouve Harriet, então Blaise também não era o seu amor perfeito. Mas Weasley? Você tinha que ser apenas profissional para ele, Greengrass, mas você sempre parece querer brincar com as pessoas. Daphne era mil vezes a pessoa que você é.
E então ela saiu da enfermaria, os saltos fazendo ruído no chão. Astória deixou as lágrimas correrem. Era verdade, tudo o que ela disse era verdade. Daphne nunca faria essas coisas, ela amava as pessoas sem pensar duas vezes. Astória as manipulava para conseguir o que queria.
Ela olhou para Narcisa e tomou uma decisão. O que Daphne faria? Ela era orgulhosa, sim, e por isso não pensaria duas vezes antes de fazer algo que considerava certo. O que Astória considerava certo? Deixar Narcisa viva.
– Isso é por você, Draco — ela disse, tirando a varinha das vestes e apontando para a mulher doente — Por eu ter usado você.
Ela murmurou um feitiço muito difícil, que aprendeu quando estava no St.Mungos. Um ponto roxo estava no braço de Narcisa. Ali estava o vírus, preso em sua veia. Ela foi até uma gaveta e retirou uma seringa.
– Isso é por você, Blaise — ela disse, colocando a seringa no braço de Narcisa e coletando o sangue dela, vendo o pequeno ponto roxo do feitiço entrando em meio ao sangue e depois desaparecendo quando perdeu o efeito — Por eu ter usado você também.
Depois de colocar uma bandagem no braço de Ciça. Astória se sentou no chão e mexeu a seringa com o sangue o vírus entre os dedos.
– E isso é por você, Rony — e então ela injetou o vírus em si mesma — Por eu ter lhe machucado.
Minutos depois, Astória estava no chão, suando frio e cuspindo sangue enquanto outros medi-bruxos entravam na enfermaria, alarmados. Narcisa Malfoy melhorou drasticamente naquela mesma noite.
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Doze horas de viagem. Doze horas com Theo dizendo "noivinhos, noivinhos!" enquanto dirigia. Doze horas com Steve rosnando para ela cada vez que ela lhe lançava um olhar. Depois, cansada, ela deitou no colo de Draco e sentiu seus dedos acariciando seus cabelos e enfim, adormeceu.
Horas mais tarde, acordou sozinha dentro do carro. Alarmada, saiu para fora e viu que estavam em uma enorme avenida. Havia vários carros a sua frente, abandonados. Corvos em todos os lugares. Ao longe, a cidade de Londres parecia uma antiga ruína Maia. Ela puxou o ar, assustada, quando viu vultos entre os carros.
Draco se aproximou e a puxou para ele.
– São apenas alguns mortos, Granger — ele disse, o queixo acima da sua cabeça — Não está com medinho, está?
– Se você fizer mais algum comentário desses eu lhe dou um soco — ela retrucou — Eu não acredito que essa é Londres.
– Nem eu, mas eu consigo ver o Big Ben daqui — Theo comentou, apontando para longe onde a ponta do relógio aparecia entre os prédios — Parece que a nossa entrada na cidade vai ser mais difícil do que imaginamos.
– O centro de pesquisas fica ao oeste, cinco quarterões da London Eye — Hermione disse — Acho que deveríamos pensar uma maneira de entrar na cidade antes de avançarmos. Eu tenho que cumprir uma promessa.
O colar. Jarold. O cemitério.
– Você não vai cumprir nenhuma promessa se isso significa que você pode morrer — Draco disse, mostrando que não queria discussões — Você não precisa entrar em mais perigo do que já está.
– Eu rio na cara do perigo — Hermione cruzou os braços.
– Vamos ficar aqui, não tem como os andantes subirem aqui em cima, estamos seguros — Theo falou — Vou preparar os sacos de dormir, assumo que vão dormir de conchinha essa noite, seus safados.
Essa parte, ele disse com a voz mais sarcástica que nunca. Draco virou Hermione e deu um leve beijo em seus lábios, o qual ela retribuiu.
– Não faça nada burro, Granger — ele disse, baixo — Não vou deixar você ir de novo.
– Tudo bem, eu prometo — ela sorriu fraco — Não vai precisar. Além de que, estamos noivos, quando voltarmos vamos ter que dar várias explicações.
– Eu vou mandar eles irem para o inferno — disse Draco simplesmente, se afastando — Não preciso dar explicações para nada depois de sobreviver ao apocalipse.
Hermione riu, apesar de tudo. Se virando para olhar Londres mais uma vez, ela percebeu que a cidade estava morta. Assim como os novos moradores dela. Theo estava certo, tudo parecia estar chegando a um final. A verdadeira missão começava agora e ela sabia que não era apenas para eles. Quando a missão chegasse a um fim, a guerra também. Como a missão começou, a guerra também.
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