Breath Of Life - Dramione

35 Capítulo 34 - Você quer construir um boneco de neve?


O armazém tinha prateleiras e mais prateleiras de comida. Hermione nunca tinha visto tanto alimento em sua vida, ou pelo menos, tanto alimento durante aqueles tempos. Heyna havia preparado uma refeição para o grupo, que realmente não era muita gente.

Estavam todos sentados em caixotes, comendo a sopa de tomate. Hermione não havia conhecido todos eles, apenas Heyna e Christopher. A idosa sorria para ela, mostrando que estava tudo bem ficar ali mas mesmo assim a morena se sentia bastante desconfortável. Aquelas pessoas não eram Theo ou Draco.

– Como achou esse lugar? — Christopher perguntou, mal humorado.

– Eu estava indo em direção a estrada principal, para Suddley e então vi esse galpão de longe — respondeu, achou melhor ser honesta — Estava sem comida, pensei que talvez tivesse alguma coisa aqui e entrei. Depois recebi aquela pancada na cabeça.

– Foi mal por isso — disse um cara mais velho — Sou Gabe e essa é minha esposa Diane e meu filho Luke. Aquele idiota ali é o idiota do meu irmão Christopher e creio que já conhece minha avó, Heyna.

Diane era uma mulher esbelta, mas com um sorriso bondoso. Usava os cabelos pretos cacheados em um coque na cabeça e tinha um corte em sua bochecha. Luke era um rapaz de quatorze anos, com os cabelos pretos da mãe. Gabe também tinha os cabelos pretos assim como Christopher, mas sua expressão era muito mais rígida e dura. Além de ter barba.

– Hermione, Hermione Granger — disse e deu um sorriso nervoso — Ahn, é bom conhecer vocês... agradeço pela hospitalidade.

– Granger? Você é filha do Dr.Granger, o dentista? — perguntou Diane, com um enorme sorriso — Ele morava em Londres, já tratei meus dentes com ele uma vez. Um homem muito bondoso, sempre fazia uns descontos para mim. O que aconteceu com ele?

– Sou filha dele sim — o rosto de Hermione ficou triste de repente e uma certa pessoa notou isso — Ele morava em Londres por um tempo então ele e minha mãe foram morar na Austrália por problemas financeiros. Fiquei na Inglaterra. Ele retornou um tempo depois e decidiu se tornar um cientista. Estou a procura dele, na verdade, por isso estava indo em direção a Suddley para que eu possa seguir para Londres.

– Ele está morto — Christopher disse de repente.

– Christopher! — Heyna repreendeu, com sua voz rouquinha de senhora.

– Deixe a garota — seu irmão mais velho disse, com a voz grossa — Um pouco de esperança nunca é demais, deixe ela ir atrás da sua família. Hermione, sinta-se a vontade por aqui até a hora que quiser partir.

Hermione sentiu a bile subir em sua garganta. Deuses, ela queria que Malfoy estivesse ali com ela. A segurando.

– Não vou levar muito tempo, prometo — tomou mais um gole de sopa — Se me permitem, como chegaram aqui?

Eles eram trouxas, isso era óbvio. Por isso, ela não iria dizer nada sobre a magia. Não sabiam o que eram esse vírus e nem da existência dos bruxos.

– Estávamos na minha casa durante uma reunião de família quando escutamos uns tiros vindos da casa ao lado. Achamos que fosse um assalto e então pensamos em ligar para a polícia — Gabe contou — Mas minutos depois era o vizinho entrando pelo quintal, todo cheio de sangue e andando... estranho. Meu pai foi mordido e logo após a minha mãe. Quando fomos para o centro estava tudo um caos.

– Pensamos que era um arrastão em massa — Diane continuou — Mas tinha... coisas queimando, carros e até mesmo pessoas. Ficamos apavorados. Havia gente morta andando e ficamos totalmente perdidos e com medo. Heyna quase teve um infarto. Então Christopher lembrou desse armazém e estamos aqui desde então, ninguém nunca veio aqui, mas acho que não... sobreviveu ninguém para vir.

– Como está lá fora? — Luke perguntou, mordiscando um chocolate.

Hermione pensou em mentir, em dizer que estava tudo bem. Mas isso não iria adiantar em nada. Mentir seria como condenar aquela família que estava a ajudando.

– Eles são muitos e... existe uma equipe procurando uma cura — falou, mas não disse que ela era uma parte da equipe — Aliás, já acharam a primeira e provavelmente a segunda, só falta uma terceira e então tudo isso estará acabado.

– Então existe uma cura! — Heyna exclamou feliz e então tossiu — Existe esperança.

– Vamos ficar aqui até acharem a ultima — Gabe disse, se levantando. Era óbvio que ele era o líder do grupo — E então vamos recomeçar. Hermione, novamente, pode ficar conosco se quiser. Pode ser membro da nossa família.

Diane então deu um olhar para Christopher que olhava a morena com um olhar... desconhecido, para dizer o mínimo. Hermione engoliu em seco. Não se conseguia ver com Christopher, um homem que mesmo arrogante e egoísta, não tinha nada a ver com Draco. Draco tinha seus defeitos, mas ela conseguia ver uma bondade nele. Uma bondade que parecia vir apenas com a pessoa certa. Sorriu. Sentia falta dele.

Não, Christopher não era assim. Ela não era a pessoa certa para ele. E nem ele a dela.

Sabia que "ser membro da família" seria um convite para ficar com Christopher romanticamente. E ela não queria isso, mas entendia que aquela família só queria o bem para aquele jovem.

– Não posso, tenho que ir atrás do meu pai — respondeu firmemente, olhando para os olhos de Gabe. Mas não de maneira rude — E eu tenho outra pessoa para qual preciso voltar.

Uma fagulha sai dos olhos de Diane, mas não totalmente.

– Um irmão ou outra pessoa da sua família? — perguntou com esperança, do outro lado da sala, até o sádico Christopher ainda tinha aquele algo em seu olhar.

– Uma pessoa da família, sim — respondeu, o que era verdade. Até mesmo Theo era da sua família — Mas não um irmão ou algo do gênero. Eu preciso voltar para... — seu marido? seu noivo? seu namorado? De repente, ela já tinha a resposta -... para a pessoa que eu mais odeio.

–--------- // ------------- // ---------------

Draco acordou suando frio e com a respiração ofegante. Passando a mão pelo rosto, percebeu que ainda estava deitado no banco traseiro da camionete, no meio do nada. Theo estava no banco do motorista acariciando atrás dos restos das orelhas de Steve.

– Você gritou o nome dela três vezes — Theo disse, sem olhar para ele — É uma vez a menos desde a última noite.

– Não dá pra controlar, Nott — disse rouco, por causa dos gritos — Sonho que ela está lá e então, de repente, não está mais. E quando acordo ela não está aqui e sinto... vontade de chorar. Cara, isso tudo está me deixando patético.

– Na minha opinião você sempre foi — Theo riu e então ficou sério — Sabe, Malfoy, acho que isso tudo está... entrando na sua cabeça.

– Não diga — sua voz era sarcástica — Me diga uma coisa Theo, você já amou alguém? Alguém que não era da sua família?

Theodore encostrou a cabeça no vidro da janela, olhando para a noite lá fora. Steve colocou a cabeça em seu olho e o olhou com aqueles olhos de cores e tamanhos diferentes.

– Eu amo você, conta? — Theo brincou e riu — Não. Eu sempre fui o cara de várias mulheres e não sinto falta do tipo de amor que você tem com Granger. Eu nunca precisei desse tipo de amor, só do outro.

– O de família?

– Esse mesmo — ele suspirou — Olha... ah cara nem acredito que eu vou fazer isso, puta merda.

E então ele começou a tirar sua camiseta. Draco ergueu uma sobrancelha.

– Não tira a roupa na minha frente, eu imploro — falou, sem emoção. Sabia que Theo não iria fazer isso, mas precisava tirar o pesadelo da sua mente. Precisava tirar a imagem de uma Hermione Granger pálida e caída sobre o gelo.

– Onde é que tá...? — Theo resmungava, procurando algo em sua camiseta- Ah, achei!

E então ele mostrou um anel feito de prata, com uma minuscula esmeralda no centro. O anel era simples mas elegante, com curvas em todo ele. Theo entregou para Draco, que ficou olhando o objeto muito confuso.

– O que...? — perguntou.

– É um anel de noivado — respondeu — Da próxima vez que você a encontrar, a faça sua de uma vez por todas e nunca mais a deixe ir, ou eu castro você. Sério. Mas enfim, esse anel era da minha avó e... minha mãe entregou para mim, para que um dia eu possa dar para a mulher que eu amo. Mas eu não vou encontrar ela e sinceramente? Eu não quero. Por isso eu dou para você. E você, vai dar para Granger.

Ele nunca se imaginou casando. Nunca se imaginou com alguém para a vida inteira. Nunca pensou que amaria alguém, principalmente se esse alguém fosse Hermione Granegr. Mas amava. Não suportava a ideia dela morta. Mas, além disso, havia arressem percebido que a amava. E ela não estava aqui agora. Valia apena aceitar o anel de Theo? Valia apena, da próxima vez que a ver, a pedir para ser sua?

– Você é lerdo demais — ela gritou, andando pela neve indo em direção a floresta — Theo tem razão, você tem o interior de uma tartaruga.

– E você, Granger, tem o interior de um castor — ele disse ao seu lado, lhe lançando um olhar divertido — Até os dentes são parecidos.

Hermione lhe empurrou com o ombro, mas havia um sorriso em seus lábios.

– Eram parecidos. Sabe o que essa neve toda me lembra? — perguntou e ele balançou a cabeça — A Casa dos Gritos no terceiro ano. Você era um idiota. Opa, correção, você ainda é um idiota.

– E você ainda é uma irritante sabe-tudo com o humor de uma maçaneta — ele empurrou em ombro em retorno, vendo o sorriso dela aumentar — Essa ultima parte é nova, notou?

Hermione pulou na sua frente, o fazendo se chocar contra seu corpo pequeno. Ela seu um sorrisinho e ficou na ponta dos pés para tocar a pontinha do seu nariz com a dele.

– É bom saber que você anda evoluindo — ela sussurrou e ele deu um risada baixa — Vem, Malfoy, ou vou ter que te fazer rolar até a floresta?

Draco revirou os olhos e puxou seu rosto para que pudesse a beijar. Suas bocas se tocaram e o frio ao redor pareceu se tornar um calor arrematador. Se separaram e ele sorriu de lado. Hermione revirou os olhos para o sorriso já conhecido.

– Não vai ser necessário — Malfoy disse.

Ela riu.

– Quer construir um boneco de neve? — foi tudo o que Hermione perguntou.

Draco sorriu com a lembrança e guardou o anel no bolso. Talvez ele estivesse mesmo preparado. Talvez, quando a encontrasse, poderia entregar o anel e então a fazer sua. Para sempre. Para nunca mais a deixar ir de novo.

E isso seria uma promessa.

Notas finais
Esse capítulo ficou menorzinho, mas é porque eu ando bastante ocupada esses dias. Foi mal cupcakes. Esse cap foi meio fofinho para aqueles que estavam pedindo (mais ainda sem reencontro rçrçrçrçr) Eu tenho muitas pessoas para agradecer, mas principalmente todos aqueles que comentam e dão apoio a fic. Acho que eu sempre falo isso né? Mas é verdade, eu quase choro com esses comentários (tipo a cena é hilária e minha mãe quase me bate) mas gente MAIS DE 800 COMENTÁRIOS. Sabem o que é isso? É incrível pra mim, eu solto rojão pela bunda quase (por favor Ice, se controla) Uma boas-vindas para uma leitora nova que eu simplesmente amo a história dela "Contra as Regras" palmas para a Deeva Dobreva ~le palmas. Então é isso, espero que tenham gostado desse cap mesmo ele sendo menorzinho e tals e comentem, me digam o que estão achando ♥ Beijos sabor Icey :*