Breath Of Life - Dramione

36 Capítulo 35 - Reencontros da alma.


Hermione andava ao lado de Christopher na neve. Depois de duas semanas descansando, ela disse que estava na hora de seguir sua jornada em busca de seu pai. Heyna lhe deu comida e água, dizendo que tinham o suficiente e que ela precisava mais. Os outros chegaram a conclusão que iriam ficar ali até que toda essa situação terminasse. Christopher se ofereceu para a levar até o centro de pesquisas, que era onde Hermione pensava que seu pai estava e ela aceitou sua ajuda.

– Onde fica esse centro, exatamente? — perguntou, com os pés afundando na neve a cada passo que dava.

– Esse armazém fica longe da estrada por um motivo, evitava que as pessoas o achassem e roubassem ou coisas assim — ele contou — Fizeram o mesmo com o centro de pesquisas, então, por sua sorte não vamos precisar ir até o centro de Suddley.

Hermione assentiu para si mesma. Era bom, não iriam encontrar andantes e isso era maravilhoso. Porém, a chance de reencontrar Draco e Theo diminuíram consideravelmente. Talvez, no fim, ela não teria outra escolha a não ser arriscar a usar magia.

– Então, quero que você me leve lá. Meu pai entrou em contato comigo, então ele deve estar nessa área. Como ele era cientista o lógico é pensar que ele está no centro de pesquisar — ela suspirou — Quem sabe ele nos ajude.

– Não confio em cientistas — Christopher disse — E muito menos em você.

– Mesmo assim está me ajudando, isso prova alguma coisa? — ela disse sarcasticamente, é, pelo visto Draco teve algum efeito sobre ela — Enfim, Ginger é arisca e provavelmente ela não vai deixar você montar. Por isso, eu seguro as rédeas e não tente fazer nada para as puxar da minha mão.

– Não era minha intenção.

Hermione montou a égua marrom e sentiu o corpo de Chris logo atrás do seu. Se sentiu um pouco desconfortável, mas sabia que o animal era o único meio de transporte que tinham. Claro, ela poderia deixar ele ir apé, a seguindo pelo asfalto mas isso seria muita bondade. Fez Ginger começar a trotar e seguir o caminho da estrada. Onde será que Draco e Theo estavam? Será que estavam bem? Certo, ela tinha que tirar esses pensamentos de sua cabeça.

– Então... — ela começou, olhando a neve nas árvores — Neve significa que estamos perto do Natal, isso se nós não passamos dele.

– Provavelmente estamos no início de Dezembro — Christopher pensou — O Natal é algo muito luxuoso para a gente pensar. Uma realidade muito longe.

– Não precisamos de muito para comemorar o Natal — Hermione retrucou, irritada e com o ar de sabe-tudo original — Desde os inícios dos tempos, sabia? Na antiguidade as pessoas comemoravam essa data somente com a família, vinho e pão. Acho que precisamos só da família para comemorar o Natal.

– E os mortos vivos? Como eles comemoram? — ele riu em voz alta, fazendo Ginger erguer as orelhas — Por favor, você pensa muito positivo.

– Precisamos pensar positivo! O nome disso é esperança e eu acredito fortemente nela — sim, ela havia participado de uma guerra então é claro que pensava positivo. Mas Chris não sabia disso — Ser muito negativo é como desistir da própria existência.

– E você é uma poeta agora? Por favor, eu nunca conheci alguém tão irritante — ele bufou em voz alta e Hermione ficou em silêncio — Sério. Estou falando a verdade.

– Não duvido que esteja. Uma vez, eu conheci um garoto que parecia que toda sua esperança havia sido... sugada. Esse garoto acabou indo em uma missão suicida e se apaixonou por uma pessoa que antes ele odiava mais que tudo. Na verdade, ele a ama, mas ele tem medo de dizer isso a ela — Hermione contou, sentindo a saudade em seu peito — Mas mesmo ele não dizendo uma palavra, ela conseguia ver o "eu te amo" em cada gesto que ele fazia por ela. Mas, ela também via que... ele tinha medo de amar. Por medo de perder tudo no fim, já que ele não tinha... esperança. Foi então que ela decidiu ter esperança pelos dois e jurou voltar para ele assim que possível.

– Essa história é sua, não é? — Christopher perguntou.

– Sim — Hermione suspirou — Sim é. Eu planejo fazer dela uma história boa eventualmente.

– Mas já é uma boa história — ela sentiu a mão de Chris apertando seu ombro — Trágica, mas boa.

– Certo, se você diz — Hermione mexeu o ombro, tirando sua mão dele — Estamos perto?

– Na verdade, já chegamos.

Eles pararam ainda na estrada. Hermione olhou em volta em busca de algum edifício mas só encontrou as árvores que seguiam toda a estrada até o centro de Suddley. Viu que Christopher já havia descido de Ginger, então, ela fez o mesmo. Ainda confusa, continuou olhando em volta. Se virou para o outro com a testa franzida.

– Onde? — perguntou.

– Como eu disse, eles decidiram esconder para que as pessoas não o achassem e invadam durante a noite — ele a pegou pelo braço, começando a andar — Tem uma trilha perto daquele carvalho, é só seguir reto e vai encontrar um edifício redondo. É bem grande, então você vai ver a distância logo que sair do meio das árvores.

Hermione começou a andar em direção ao carvalho quando percebeu que não havia ninguém a seguindo. Se virou para ver Chris amarrando Ginger em um tronco. Ela colocou as mãos na cintura.

– Não vai vir comigo? — perguntou, com a voz mandona.

– Por que? Quer minha companhia? — ele piscou.

– Não! — Hermione exclamou, um pouco corada — Quer dizer, pode dar algo errado então é óbvio que não é bom eu ir sozinha. Pensei "já que ele me trouxe aqui, vai me acompanhar até o fim" mas pelo visto estava enganada.

Christopher pareceu pensar um pouco e então, suspirou, pegando sua arma e colocando munição. A prendeu em seu cinto e puxou Hermione pelo braço, que soltou um grito indignado. Ele a guiou pelo carvalho e entraram dentro da pequena mata ao redor da estrada.

– Umas regras, primeiro a gente tem que ficar em silêncio ou falar em voz baixa, segundo é que nós só vamos atirar quando muito necessário. O edifício vai ecoar o som do tiro e com certeza eles vão vir atrás da gente — ele girou a arma em suas mãos — Terceiro, achamos o seu pai e damos o fora daqui.

– Tudo bem, sem problemas — Hermione mentalizou todas as regras — E se meu pai não estiver aqui?

– Voltamos para o armazém — ele disse — Quer dizer, eu volto. Você faz o que bem entender.

Hermione assentiu. Ela iria atrás de Draco, afinal, não teria outra mínima ideia de onde o seu pai estaria. Eles saíram das árvores e entraram em um campo aberto todo coberto de neve. Ao longe, um enorme prédio que parecia uma escola feita de metal estava no meio do nada. Será que seu pai estava ali? O que será que tinha ali dentro?

– Terá andantes lá dentro? — perguntou, receosa.

– Provavelmente. Eles devem ter levado para a busca da cura... mas aposto que saiu do controle e agora os cientistas devem ter sido mordidos também — Chris apertou a arma em suas mãos — Prepare sua arma, vamos entrar pela porta da frente.

Ela sentiu que entrar pela porta da frente era como se entregar em uma bandeja de prata, mas não discutiu. Christopher tinha aquele espírito de liderança nele. Eles se aproximaram do prédio, cautelosos. Ele fez um sinal para ela ficar em silêncio e abriu a porta com facilidade. Quando Hermione colocou os pés dentro, percebeu que haviam deixado o ar ligado, assim ali dentro estava quase tão frio quanto lá fora.

O Hall de entrada estava completamente abandonado. Papéis, seringas e até mesmo computadores no chão. Havia câmeras de segurança em todos os cantos e talvez por todo o prédio.

– Precisamos ir até a sala de segurança — ela sussurrou e apontou para as câmeras — Podemos ver os caminhos livres.

– Boa ideia — ele assentiu.

A sala de segurança ficava atrás do balcão do recepcionista. Chris empurrou a porta e apontou a arma, preparado para atirar. Mas não havia nenhum andante ali, o que fez ambos soltarem uma respiração. Hermione correu para as várias televisões que haviam ali. Deuses, estava tudo infestado. Havia pelo menos cem ou até mais deles nos corredores ou presos em salas, andando debilmente em busca de qualquer ruído que mostrasse que "comida" havia chegado.

Mas havia uma sala com um homem vestindo um jaleco branco, com óculos quadrados. A sala estava rodeada de uma espécie de vidro e ela conseguia ver a fumaças dos freezers dos remédios e seringas. Esse homem estava deitado, porém respirando. Ele se mexeu e voltou a dormir. Ela sentiu seu coração apertar em saudade.

– Pai — disse, com uma voz dolorosa. Não podia ter o luxo de chorar.

– Podemos ir por esse corredor — Chris disse, apontando para uma tv onde havia uns andantes — Ele está na sala seis, vamos ir pela quatro e virar na sete.... é nossa melhor chance.

– Está tudo infestado, não podemos passar sem atirar e se atirarmos o som dos tiros vão os chamar até a sala seis... e assim não vamos ter como sair — Hermione passou a mão no cabelo, frustrada — Tem que haver um jeito de passarmos sem sermos seguidos.

Christopher fez sinal para ela ficar em silêncio e apontou para a porta que haviam deixado aberta. Do outro lado, Hermione pode ver que um andante solitário andava por ali. Com toda certeza não havia percebido eles. Mas fungava no ar, sentindo o cheiro de medo e o suor frio de seus corpos. Não poderiam atirar, seria arriscado demais. E Hermione não poderia deixar seu pai para trás quando esteve tão perto de tê-lo de volta.

Sentindo o cheiro... o cheiro... o cheiro!

– Tive uma ideia — Chris disse — Está vendo aquele machado? Perto da porta?

Hermione olhou. Sim, um machado de segurança. O que Christopher tinha em mente?

– Sim, o que tem? — perguntou, no mesmo tom de voz baixo que ele havia falado com ela. O andante ainda fungava no ar.

– Quero que vá e pegue-o — ela o olhou com raiva — Você é pequena, seus passos vão chamar menos atenção. Eu vou o distrair... sei que consegue, é mais fácil do que parece. Sei o único jeito de chegar até seu pai.

Hermione deu um olhar para o machado, depois para ele e depois para o machado de novo. Era longe, é claro e ela esperava realmente que Christopher conseguisse distrair o andante sem acabar morto. Se ele tinha tanta fé que esse era o único jeito de chegar até seu pai, então ela iria arriscar sua vida.

Ela assentiu e saiu da sala, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho. Christopher saiu correndo, chamando atenção do zumbi que virou seus dentes pontudos em sua direção com um rosnado. Hermione continuou indo em direção ao machado mas, infelizmente, ela escorregou em um papel e caiu ao chão com um baque. Christopher a olhou e então, toda atenção do zumbi que estava nele se virou para ela.

– Anda logo! — ele exclamou, ainda chamando atenção da criatura.

Hermione correu e pegou o machado, virando a tempo que o zumbi a alcançou. Se virando, cortou a cabeça do andante que continuou a se mexer como uma minhoca no chão. Havia sangue para todo o lado. Ela fincou a lâmina do machado em sua cabeça e só ele parou de rosnar. O corpo ainda se mexia.

– Qual era o seu plano? — ela perguntou ofegante.

Christopher também estava ofegante.

– Eles sentem o nosso cheiro, mas, se cheirarmos como eles... — ele não completou a frase e apenas apontou para o mordedor caído — Precisamos nos cobrir de sangue e de pedaços.

Ela olhou para ele como se ele tivesse enlouquecido, mas, deu um golpe no corpo sem cabeça fazendo sangue jorrar por todos os lados. A barriga havia sido aberta com tripas e outros órgãos a mostra. Ela pegou um monte de sangue em suas mãos e com a careta mais de nojo que já deu em sua vida, começou a espalhar em seu casaco.

Ele fez o mesmo, também com a careta de nojo. Quando os dois estavam cobertos de sangue e restos de carne e pele podre, tentaram guardar a ânsia de vômito dentro de si. Hermione respirou.

– E se der errado?

– Rezemos para que de certo.

Ela respirou novamente e lhe entregou o machado. Começaram a andar pelo corredor, logo vendo a destruição. Havia manchas vermelhas na parede, obviamente de sangue e mais e mais papéis, cacos de vidro, latinhas e até mais seringas. Era um lugar perigoso... como seu pai havia sobrevivido?

Eles andaram pelo corredor, gelando cada vez que um andante passava por eles. Um então parou e olhou para Hermione, aquele rosto cinza e podre perto do seu. Ele a cheirou, rosnou e foi embora.

Entraram na sala sete, finalmente vendo outro pequeno corredor para a sala seis, que era feita de vidro. Hermione sentiu vontade de correr para seu pai, mas sentiu a mão de Christopher em seu pulso. Ele apontou devagar para dois andantes que batiam sua cabeça no vidro debilmente em busca de uma maneira de entrar.

Chris levantou o machado e com um golpe atingiu a cabeça de um dos andantes, mas o machado ficou preso no crânio. Hermione, vendo que o outro estava indo em direção dele, tirou seu punhal e atacou. Fincou a lâmina várias e várias vezes na cabeça do zumbi antes do mesmo cair ao chão com um baque surdo.

– Obrigado — ele disse, vendo que já não haviam mais nenhum deles por ali. Livre para falar em voz alta.

– De nada, você é bem vindo — Hermione se virou para a sala de vidro — Como vamos entrar?

– Seu pai não nos escuta?

Ela negou com a cabeça e bateu no vidro.

– Não, é uma sala a prova de som — disse — Talvez... precisamos de uma chave para entrar.

– Chave? Hum, os cartões dos cientistas! — ele exclamou, apontando para uma maquininha ao lado da porta — Precisamos arranjar um.

Hermione pensou por um momento em como iria arranjar um cartão. Claro! O corredor estava cheio de andantes que anteriormente haviam sido cientistas... se ela conseguisse se aproximar deles, poderia pegar um cartão e logo voltar para aquela sala e abrir a porta.

Ela apenas pegou o machado das mãos que Chris e voltou para o corredor. Começou a andar como eles, lentamente, se misturando no meio dos zumbis. Novamente, algumas das criaturas a farejavam e saiam de perto. Se eles tivessem sentimentos, ela saberia que estariam pensando que ela era uma intrusa.

Chegou perto de um caído e puxou rapidamente o cartão de seu jaleco, voltando para a sala andando daquela mesma maneira. Dessa vez, fechou a porta da sala sete e pode respirar finalmente. Não queria nem imaginar como seria o caminho de volta.

– Sou mais inteligente do que pensa — entregou o cartão para Chris — E menos irritante também.

– Duvido muito — e ele passou o cartão.

A porta se abriu com um "pii" e ela não esperou mais nenhum segundo. Entrou correndo, recebendo o choque térmico do freezer que servia para deixar os remédios intactos. Olhou em volta, vendo as enormes prateleiras. Seu pai deveria estar deitado entre elas, dormindo. Pelo menos era isso que ela viu nas salas de segurança.

Foi quando ela viu o homem de jaleco caído, se mexendo com medo. Ele estava acordado, sem duvidas. Hermione sentiu seu corpo ficar quente, como se estivesse com febre. Se aproximou dele com cuidado mas, quando fez isso, ele bateu contra uma prateleira e caiu ao chão.

– Pai — ela disse, se ajoelhando ao seu lado — Sou eu pai, Hermione.

Por trás dos óculos, nos olhos castanhos, compreensão foi chegando.

– H-Hermione? — ele perguntou, com a voz arrastada — F-Filha?

Ela não aguentou mais e o abraçou. Ouvir sua voz a chamando de "filha" novamente não tinha preço algum. Todo aquele perigo que eles haviam sofrido valeu a pena apenas para o ver pessoalmente de novo. Para ver que depois todos esses anos, ele finalmente havia se lembrado dela. Havia se lembrado que era um Granger. Ele a abraçou de volta, com toda a força que tinha em seu corpo cansado.

– Sim, sou eu pai. Eu estou bem, vai ficar tudo bem — ela sorriu gentilmente, se levantando — Vamos tirar você daqui.

Os olhos de Sr.Granger ficaram enormes quando viu sua filha da cabeça aos pés.

– Está crescida... d-deuses eu não lhe reconheci... — ele murmurava — Sangue! Está coberta de sangue!

– Não é meu, quer dizer, não é nosso — ela o ajudou a se levantar — E vamos precisar de mais sangue se quisermos sair daqui. Chris...

– Os andantes que matamos devem ajudar — ele se aproximou dos dois — Mas é melhor nos apressarmos antes que anoiteça.

– A quanto tempo estou aqui? O que eu perdi? Meu deus.. a destruição... — Sr.Granger murmurava, parecendo estar perdido entre o passado e o presente. Não sabia quanto tempo estava ali — Hermione... eu...

– Teremos tempo para falar mais tarde, pai, mas precisamos sair daqui — Hermione lhe entregou uma arma — Use, mas não atire sem que seja realmente necessário ok? Me prometa que não vai atirar.

Sr.Granger apenas assentiu, ainda meio desnorteado. Christopher abriu os dois zumbis e novamente ele e Hermione passavam sangue e restos de carne em suas roupas. Sr.Granger fez o mesmo, não sentindo tanto nojo quanto os dois já que se acostumou com o cheiro de podridão todo aquele tempo.

Chris abriu a porta e então os três andavam pelos corredores. Os zumbis entre eles, rosnando e batendo contra a parede. Sr.Granger estava com muito medo, mas muito medo mesmo. Ele nunca havia saído da sala seis... o que lhe esperava la fora? Qual a destruição que o vírus que ele criou trouxe para todos? E sua filha, será que ela o perdoou?

Foi quando ele viu um andante vindo em sua direção. O pânico falou mais alto e no momento seguinte, ele atirou. Estava tão perdido em seus pensamentos... não poderia... não! O que ele fez?!

– Pai, não! — Hermione gritou.

Mas já era tarde demais, todos os andantes estavam se virando contra eles, rosnando. Ela sabia que os outros logo também estavam se aproximando, então, precisavam sair dali rapidamente. Uma saída. Não, não poderiam ir pelo Hall, era muito arriscado. Hermione olhou para Christopher em busca de ajuda e atacou um andante que se aproximou demais com o machado.

– O duto de ar! — Chris gritou, atirando.

Hermione olhou para cima e fez seu pai ir primeiro, já que toda sua munição havia acabado. Sr.Granger subiu com um pouco de dificuldade mas logo que conseguiu, puxou a filha para o duto de ventilação. Hermione bateu a cabeça mas logo assim, olhou para baixo e viu Chris ser rodeado.

– Christopher! — gritou e estendeu a mão — Se segure!

E ele pegou sua mão. Sr.Granger ajudou Hermione a puxar ele para cima e então, os três conseguiram respirar em paz. Era um lugar muito pequeno e desconfortável, mas sua unica chance de sair dali. Depois que Chris retomou sua respiração, ele tomou a liderança e andou agachado. Hermione foi logo atrás e seu pai, os seguindo. Não demorou muito tempo para que eles fossem largados em uma janela.

E conseguiram ver a neve.

– Neve? — Sr.Granger perguntou surpreso — Mas...

– Você perdeu muito, pai — ela disse tristemente.

Então eles pularam pela janela, caindo na neve com um baque surdo. Hermione se levantou e ajudou seu pai, o abraçando outra vez. Christopher olhou ao redor, em busca de outra ameaça. Um dos zumbis havia saído e então ele deu um tiro na testa da criatura, indiferente. Se virou para os dois.

– Precisamos sair daqui e rápido — disse — Eles podem sair pelos fundos.

Hermione olhou para seu pai e sorriu tristemente. Ela pegou suas mãos ásperas nas suas delicadas e as apertou, o confortando.

– Vai ficar tudo bem agora — ela forçou um sorriso — Estamos juntos de novo.

– Minha filha e-eu... eu não sei... tenho tanto a dizer, tanto para me desculpar — ele apertou suas mãos — Mas sei que vamos ficar bem e mesmo se não ficarmos, estou melhor vendo você por uma ultima vez. A reconhecendo e a tendo de volta em minha vida.

Hermione deu um sorriso verdadeiro e pegou sua mão, se virando para Chris. Disse a ele para liderar o caminho. Ele não discordou e foi na frente, com a arma preparada caso algum zumbi saia por detrás das árvores. Seu pai era muito mais alto que ela, mas, naquele caso, ela se sentia muito mais responsável por dele do que ele por ela.

Depois de um longo caminho pela neve, ainda com o medo do que aconteceu no centro de pesquisas, eles chegaram onde Ginger estava. Já era pôr-do-sol e a paisagem seria muito bonita se os três não estivessem cobertos de sangue escuro. Hermione olhou para a estrada que se seguia a sua frente. O caminho que ela tinha que ir.

Christopher olhava em outra direção.

– Foi uma aventura — foi tudo o que ele disse.

Ela não pode deixar de rir suavemente.

– É, acho que sim — deu em ombros — Eu sei que você tem que voltar para o armazém, mas há coisas aqui fora que poderiam lhe ajudar em novas aventuras. Você parece gostar delas e, bem, se dá muito bem com elas.

– Mas eu sou melhor com a minha família — ele então sorriu — Estava errado sobre você. Confiei minha vida em suas mãos no final e não me decepcionou. Ainda bem. Se não eu estava morto.

Hermione correu e o abraçou, não aguentando mais. Qual era o problema dela? Por que fazia amigos tão facilmente e no final era tão difícil de os deixar? Draco sempre disse que esse era seu maior defeito, ela se apegava demais. Se separando dele, deu um de seus melhores sorrisos.

– Eu não teria encontrado meu pai se não fosse por você — disse e sorriu por entre as lágrimas — Muito obrigada, Christopher. Obrigada por sua família também.

E então ela começou a se afastar, os passos de suas botas fazendo som no asfalto. Seu pai estava lhe esperando encostado em uma árvore, foi quando ela ouviu o grito:

– Quando você achar achar a cura, Hermione Granger, volte e nos conte! Assim estaremos quites!

E ela riu. Ela realmente riu e foi até seu pai. Então um pensamento passou por sua cabeça. Seu pai estava preparado para ir com ela? O homem que antes atirou por impulso? Ela acabou de o reencontrar, não queria o perder de novo e ela sabia que era exatamente isso que iria acontecer se ele for com ela. Hermione parou e olhou para Christopher que já estava indo embora.

– Christopher! Espere! — gritou e ele se virou — Meu pai vai com você.

Sr.Granger olhou confuso.

– Hermione, mas... — ele franziu a testa — Como assim?

– Onde eu vou você vai estar em constante perigo e não quero lhe perder logo depois que te encontrei — ela continuava a chorar — Eu sei que isso é estranho, nós nos encontramos agora e tenho tanta coisa para lhe dizer.... e é por isso mesmo que você precisa ir com Christopher e ficar a salvo, assim eu posso dizer tudo quando estivermos ambos seguros e vivos.

– Eu apenas lhe disse oi e terei que lhe dizer adeus? — seu pai perguntou, também com lágrimas nos olhos — Eu errei... eu deveria...

– Não é um adeus, é um até logo — Hermione o abraçou apertado, deixando mais lágrimas descerem por suas bochechas — Eu te amo, pai. Agora e sempre.

– Eu também te amo — ele se separou dela e lhe deu um beijo na testa — Até logo então, minha filha. Concerte todos os erros que eu fiz e então, quando tudo isso acabar, nós nos veremos de novo.

E então ele se foi com Christopher, que acenou um ultimo adeus para ela. Hermione sentiu o frio do inverno tomando posse de seu corpo. Aquela não seria a ultima vez que ela vai ver seu pai e isso a tranquilizou. Ele estaria em boas mãos e Heyna poderia tomar conta de seus machucados. Mas quem iria tomar conta dos machucados que ela tinha em seu coração?

Montou em Ginger e fez a égua trotar pelo asfalto. O vento do inverno batia em seus cabelos cacheados a dando um ar de liberdade. Sabia que tinha feito a escolha certa mas ainda assim tinha aquele buraco dentro de si mesma. Pensou por um momento em voltar para o armazém, com toda certeza iria ser recebida de volta.

Mas ela tinha uma missão. Uma missão como ela tinha quatro anos atrás quando teve que ajudar Harry a derrotar Voldemort com Rony. Essa realidade parecia tão distante agora. Ela até mesmo se esqueceu do relacionamento que teve com Rony. Se perguntou se Draco havia esquecido o seu antigo relacionamento com Astória e, com esse pensamento, uma pequena onda de ciúmes a invadiu. Astória era linda. O que era ela perto dela?

Não. Draco a amava. Mesmo que ele nunca dissesse isso para ela, ela sabia. Ele a amava e ela, o amava de volta.

Ela sentia saudades de Theo também. A maneira que suas piadas vinham nos momentos mais importunos. Theo tinha um espirito livre que ninguém conseguia domar. Theodore Nott era como as estrelas e o vento.

Foi então que ela escutou... um motor. Um carro. Ali, do outro lado da colina. Não poderia ser eles, poderia? Será que...? Não conseguiu pensar mais nada, sua mente era um clarão de esperança. Uma esperança dela e por Draco, já que ele não tinha esperança para si mesmo.

Fez Ginger correr como nunca antes, subindo a colina coberta de neve. Quando chegou até o topo, ela viu a caminhonete amarela amassada andando devagar pela estrada menor. Ela sorriu e desceu da égua, não se incomodando em a amarrar de volta. Hermione correu colina a baixo, não ligando para quando tropeçava.

– Draco! — gritou, tentando chamar sua atenção.

Mas a caminhonete não parou e continuou a andar devagar pela estrada. Hermione continuou a correr, precisava chegar até eles antes que seja tarde demais.

– Draco! — gritou de novo, quase a beira das lágrimas.

Então a caminhonete parou. Os faróis acessos pois a noite já estava caindo. Quem ligava para a noite? Quem ligava para as luzes acesas? O coração de Hermione estava se curando de novo, pois ele estava ali, a poucos metros dela. Como ela pode ter o deixado? Não, sim! Não! Tudo estava como um clarão em sua mente, de novo.

– DRACO! — ela berrou, com pura felicidade.

E então ele saiu do carro. O cabelo loiro platinado, assim como ela se lembrava. Ele estava ali, mas mesmo assim parecia um sonho distante. Ela sentiu suas pernas se tornarem rochas. Havia corrido toda aquela colina e agora estava ali, poucos metros da caminhonete e poucos metros dele. Ela tentou sorrir.

E foi quando ela sentiu seus braços a rodearam. Quando ele havia a alcançado? Ela sentiu as lágrimas novamente, não se importando que havia chorado demais por um dia só. Draco estava ali, com ela. Seus lábios encontraram os dele em um beijo apaixonado, sem aquela febre que tinham quando iam fazer amor. Era um beijo de reencontro, mostrando que eram uns dos outros para sempre.

– Hermione — ele sussurrou em seu ouvido — Eu te amo. Agora e sempre. Até o fim dos tempos.

Ela apertou seu corpo mais perto do dele, se isso fosse possível. Seus lábios assombravam os dele, como o vento assombrava as copas das árvores.

– Eu sei — ela disse no meio do beijo, a voz mais suave do que tudo. Um sussurro — Eu sempre soube.

E se beijaram novamente, sentindo que agora finalmente estavam em casa.

Notas finais
Desculpe a demora... mas vocês sabem..... FÉRIAS! Muitas festas! Drogas! Sexo e namorados! Ok, eu fiquei jogando Angry Birds. Ta, nem tanto, eu só estive muito ocupada ajudando meus pais a limparem a casa. Além disso, infelizmente eu não tenho um namorado embora eu considere o Theo meu marido. Eu preciso de uma vida social. Maaaas, agradecendo como sempre todos os comentários incríveis e o apoio que vocês dão para essa história. Amo muuito vocês cupcakes ♥ Espero que tenham gostado desse cap! Comentem! Até o próximo galerinha o// fiquem com caramelos! Beijos sabor Icey :*