Break the Ice
18 Midday
Notas iniciais
A loira estava em pé separando os ingredientes enquanto os classificava, ela batia o pé em um ritmo constante, e cantarolava baixinho uma música que ouvira no computador em seu mundo original. Por mais concentrado nos livros que Ezarel parecesse estar a atenção dele desviava para a garota loira a cada 5 segundos, ele havia até contado mentalmente aquele tempo. Sabia que não ia conseguir se concentrar se a mestiça continuasse ali, mas manda-la para fora do laboratório depois de ir busca-la pessoalmente parecia estúpido.
Efetivamente pensando em um tópico para conversa, Ezarel não notou que Rima estava olhando-o com profundo interesse. Ambos foram interrompidos nas ‘atividades’ quando um furacão passou pela porta: Alajéa estava descabelada, cheia de folhas e atrás dela seguia uma Eittie parecendo culpada, o que não combinava com a mulher.
Eu absolutamente detesto os novatos! – Foi à exclamação da mulher de cabelos cianos.
O que aconteceu, Alajéa? Por favor, seja objetiva. – O líder da Absinto questionou, e o tom usado fora o mais indiferente possível. Embora o olhar transmitisse um pouco de preocupação.
Olha eu sei que não sou a ‘Alajéa’ mas vou me pronunciar. – Eittie começou. – Lembram que eu e ela íamos colher algumas plantas, certo? – Ezarel assentiu, assim como Rima, Alajéa ainda parecia consternada, mas ficou em silêncio. – Ok nós duas fomos, fizemos tudo bonitinho, nos conformes, aí aquele ser desagradável decidiu implicar comigo, beleza vida que segue, ele os amiguinhos decidiram que ia ser engraçado pegar a cesta onde tinha os ingredientes, e correr com ela, dai eu, e ela – apontou para Ajá – fomos atrás, porque a gente é trouxa. Nesse interim, aquela praga maldita tropeçou, eu disse ‘bem feito, mereceu’. Só que surgiu um Black dog naquele porcaria de trecho e nós, sim formou tipo um grupo durante a maldita corrida. Começamos a correr, só que a galera da ‘coragem e a faca’, decidiu lutar, oráculo sabe por quê. E agora fomos perseguidas por aquele negócio, perdemos os ingredientes e eu ainda tive que gastar minha energia, para salvar metade daqueles pirralhos super crescidos! E no meio da correria um deles fez o desfavor de cair com a Alajéa e comigo! Ah eu estou muito indignada!
E naquela cesta tinha ingredientes para novos remédios, ou seja, o estoque vai diminuir e não temos como repor por enquanto, porque Miiko declarou a floresta sob investigação! E dessa vez eu tinha anotado tudo certinho! – Alajéa se pronunciou, enquanto a empusa buscava ar. Os outros dois alquimistas estavam absorvendo a explicação, quando o rapaz de olhos verde se levanta.
Eu vou até a sala do cristal, Rima termine a sua tarefa, e depois você, Eittie e Alajéa tem o dia livre. – E ele foi embora, praguejando sobre causadores de confusão.
Err, vocês querem alguma coisa? – A loira questionou as duas mulheres que aparentavam cansaço e frustração.
Eu quero a cabeça daquele ogro em uma bandeja, para que eu possa remover os miolos e usar como abajur! – A empusa comentou casualmente, ainda furiosa.
Eu não sei vocês, mas eu vou para o meu quarto. – E assim a sereia saiu do laboratório, aparentando mal humor.
Depois de alguns minutos em silêncio, onde Eittie estava esparramada no laboratório parecendo morta. Outras três figuras surgiram: Ettore, Merid e Julian, parecendo preocupados com a mulher.
Está tudo bem? – O loiro e a ruiva comentaram ao mesmo tempo, enquanto Julian se aproximou constatando que ela estava ‘bem’, só não queria se mexer. Sem dizer uma palavra ele a tirou do chão e a carregou no estilo noiva. Longe de reclamar, Eittie se aconchegou feliz que não tinha mais que andar depois da maratona forçada.
Vou levar essa peste pro quarto dela. – Foi encarado com malicia por dois ocupantes da sala, já que Rima estava se apressando na catalogação de itens.
Ettore seja um doce e vá com eles. – Rima pediu. – Sabe para o caso de mais alguém decidir mexer com a Eittie ou o Julian.
É uma excelente ideia. Merid pode ficar com a Rima? – A banshee ruiva assentiu. E os outros três se retiraram.
Mas e ai, apesar da convivência eu não sei muito sobre você, irmãzinha. – Embora não fosse alguém que gostava de falar em público, Merid se soltava depois de tomar gosto pela pessoa.
Pergunte-me, sou um livro aberto. – Foi à resposta da loira.
Tudo bem: vampiro ou elfo? – A ruiva ficara curiosa depois de assistir as raras interações entre o trio, e como Ettore já dissera que a irmã dele não ia participar de um trio.
Primeiro gostei do vampiro, atualmente gosto do elfo. – Rima sentia-se estupida respondendo aquilo, mas não é como se fosse um grande segredo, já que aparentemente só os dois envolvidos não sabiam.
Entendo, mas não era você que estava reclamando do fã clube montado para ele?
Eu só comentei que acho desnecessário. E eu não sou do tipo que é ciumenta, muito quero dizer.
Você é fofa. – Merid comentou, com o olhar distante.
Eu também não sei muito sobre você. Posso perguntar por que não quis voltar para a sua vila e decidiu ficar aqui?
Eu tinha um noivo sabe, ele era bonito, simpático típico cara de quem todo mundo gosta. Ele me traía, e quando eu o confrontei ele disse que gostava de mim, e que foi só um deslize, mas sabe não foi só um, foram vários deslizes. Um belo dia eu sai para andar pela vila, depois de mais uma discussão, e conheci uma senhorinha simpática, ela foi um doce e me ofereceu chá como eu não estava a fim de voltar com ele, decidi aceitar, adormeci e acordei em uma cela com Eittie e Julian.
Nossa ele era um babaca. Se quiser podemos coloca-lo na lista que eu criei com a Eittie de homens escrotos, onde planejamos métodos dolorosos de fazer algo contra eles.
Obrigada pelo convite, acho que vou aceitar. Mas você disse que gostou do vampiro, por que no passado?
Eu tive uma paixonite pelo Nevra, por que ele era legal comigo, ai um belo dia que eu decidi me confessar eu peguei ele com uma mulher. Por incrível que pareça foi o Ezarel quem me ‘ajudou’, e no dia seguinte o Ettore veio parar aqui, então eu meio que esqueci. Mas o vampiro ainda é ótimo material para amigo.
Acho que ele não quer ser só seu amigo não. – A ruiva cantarolou as palavras, e ficou surpresa ao ouvir a loira rindo.
É realmente engraçado, afinal quando eu gostava dele, era tratada como uma amiga, e agora que eu resolvi meus sentimentos por ele, ele aparenta gostar de mim.
Pergunta: o Ettore tem algum tipo de complexo por você?
Está falando sobre o modo protetor dele? Acredite mas quando éramos menores ele me atormentava sempre que podia.
Conte-me mais. – Pediu a banshee.
Temos dois anos de diferença, e nossos pais, não é que eles não nos amassem, mas eles eram um pouco individualistas, então sempre estavam ocupados, o que deixava eu e ele, sozinhos com os empregados da mansão. Não que eles fossem negligentes, é só que...
Eles não eram muito presentes, e Julian tinha razão, você é uma dama, pelo menos não é mimada.
Obrigada. – A loira sorriu. – Continuando, quando eu tinha uns cinco anos, e o Ettore sete, nossos avôs paternos nos levaram para uma casa de férias da família, eu tinha ganhado um carrinho de corrida, assim como o Ettore, e ele pegou o meu, eu com toda a minha indignação infantil fui atrás dele, o problema é que tinha um lago bem fundo nessa casa. Como os pirralhos que éramos, corremos justamente próximos da parte profunda, por um descuido meu, acabei na água sendo que eu não estava conseguindo nadar ou boiar, Ettore depois de alguns minutos que eu não consegui subir para respirar pulou na água. Nossa sorte foi que uma preceptora nossa correu atrás da gente quando desaparecemos. Passei o verão inteiro de cama, e ele também. Depois disso ele se tornou o ser extremamente protetor ao meu redor.
Você sabe por que não conseguiu subir de volta?
Não realmente, é nebuloso, mas de acordo com os empregados mais antigos da casa, algum parente morreu afogado ali e havia boatos de que ficara para assombrar o lago. Por causa desse incidente nem eu nem ele voltamos aquela casa.
Vocês dois tem uma sorte incrivelmente ruim.
Sou obrigada a concordar. Eu já terminei, podemos ir para o quarto da Eittie.
A ruiva assentiu e levantou. Enquanto saiam juntas da sala, acabaram deparando-se com Enrie, a elfa de cabelos claros, em um tom quase branco, novo membro da Absinto, que aparentemente conhece Ezarel.
Com licença vocês viram o Ez? – Questionou em um tom indiferente. Rima tinha simpatizado com a garota, até ela decidir citar que mestiços eram criaturas muito abaixo da classe dela. Depois disso pensou em como assassinar a belíssima mulher.
Sala do Cristal. – Merid respondeu, porque Enrie não fazia nem questão de olhar para a loira, e conhecendo o temperamento que os irmãos Lafaiete tinham, era melhor se livrar do que os perturbava o mais rápido possível.
Indo embora sem dizer nem um ‘Muito obrigada’, Enrie deixou a ruiva que tentava acalmar a garota de olhos ametista que fuzilava a mais nova integrante da Absinto.
Olhe pelo lado bom, ela foi embora. – Comentou Merid.
Ela podia ir embora de Eel ou eu podia ir para a minha casa. Conviver com esse pessoal que me acha menos que eles, me cansa. Mas que seja, vamos ver a Eittie.
Seu temperamento é bem melhor que o de Ettore. – Comentou a ruiva depois de ver que a mais nova não ostentava nenhum traço de irritação.
Na verdade entre nós dois eu sou a com gênio pior, mas como não tenho coragem de rasgar a bela face daquela criatura só me resta ficar calma.
Alguns minutos antes – Quarto da Eittie
Se eu não matar aquele imbecil depois dessa, eu posso me consagrar como uma santa! — A mulher de cabelo rosa estava planejando assassinato, enquanto Julian e Ettore estavam sentados no chão.
Uma morte limpa, você não é da galera que é o ‘remédio e o veneno’? – O asrai podia não admitir, mas estava apoiando o sumiço do outro membro da Obsidiana. Afinal só ele podia irritar a empusa ao ponto de ela se concentrar desse jeito.
Se quiser eu ajudo a colocar em prática, afinal discrição é o lema da guarda. – O loiro resolveu se pronunciar sobre o assunto, afinal ele dera um aviso bastante claro a Taui para que deixasse Eittie em paz.
O problema é que eu preciso de ingredientes, e agora temos uma restrição! – Usando um calção azul e uma camiseta branca, a empusa se jogou no chão, caindo com a cabeça no colo de Julian, que não levantou de susto só pelo choque da situação.
Reclamar sobre isso não vai adiantar... JÁ SEI! – O grito do mestiço tirou a dupla da seção de ‘olhares’ e os fez levantar. Sendo olhado como se o mundo estivesse acabando, Ettore resolveu explicar. – Nós temos mascotes, sabe aqueles que ganhamos, podemos manda-los para explorar a floresta!
E se eles forem atacados? – Merid que se pronunciou ao abrir a porta, ela e Rima correram quando ouviram o grito do loiro.
O Kero disse que eles são independentes, e são rápidos, não vai acontecer nada. – Rima exclamou ainda ofegante devido à corrida. – E você não grite daquele jeito! Parecia até estar sendo assassinado.
Muito bem então! Vamos mandar eles em grupo, para ser mais seguro. E vamos nos reunir daqui a quinze minutos. Vão logo! – Demandou a empusa, efetivamente os outros começaram a irem buscar suas respectivas mascotes.
Quinze minutos depois estavam reunidas as mascotes de Eittie, Julian, Merid, Ettore, Rima e Chrome, que foi convidado a participar de última hora. Ficou decidido que eles não iriam para dentro da floresta, somente na borda Oeste. Que era um local ‘seguro’. O grupo se despediu das mascotes e voltaram para dentro dos portões do QG.
Vocês tem certeza que vai ficar tudo bem? – Chrome indagou.
Sim, sim, vai ficar tudo bem, nenhum dos outros líderes falou nada sobre as mascotes na floresta. Então vai ficar tudo ok. – A empusa falou animadamente, enquanto um brilho louco se instalava nos olhos.
Eu estou com um pouco de medo dela. – Sussurrou Rima para Ettore.
Eu também. Mas é melhor deixar para lá.
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