Notas iniciais
Apreciem

Se algo pode dar errado, então dará, e da pior forma possível, no pior momento.

Lei de Murphy

Dando a desculpa que precisava descansar um pouco, a loira se despediu dos amigos e foi em direção ao quarto dela. Ela estava com um mau pressentimento sobre a saída das mascotes, e com todo o bom senso que ela não tinha, decidiu ir atrás delas. Vestiu uma blusa de manga longa, e um short, pegou uma bolsa e enfiou algumas das poções prescritas por Ezarel como treinamento. Calçou as meias e as botas, também pegou a espada que seu Dalafa havia trazido em uma exploração.

Saindo pela janela do quarto, ela procurou passar do modo mais despercebido possível. Chegou à fonte onde era costume lavarem as mascotes, aquela área era um dos pontos menos movimentados da cidade de Eel, ela escalou a Cerejeira, e caminhando pelos galhos distribuiu o peso, até pular para o muro. Quase passou direto, mas conseguiu manter o equilíbrio, depois ela desceu para fora dos muros, com muito cuidado, rodeou o curva íngreme da encosta escarpada, e seguiu para o lado oeste da floresta.

A culpa por ter saído estava fazendo-a sentir-se observada, mas não devia ser nada demais. Quando repentinamente, alguém coloca a mão em seu ombro direito e sopra a sua orelha. Sufocando a vontade de gritar ela gira pronta para lutar com o possível inimigo, e a pessoa que vê a faz ficar pálida, parecendo nada feliz estava Ettore, com um arco e uma aljava de flechas, vestido de preto.

— Sentindo-se assustada, maninha? – O rapaz mais velho provocou Rima. Ele sabia quando ela mentia, então deduziu que ela faria algo estupido, por isso decidiu segui-la.

— Você tirou dez anos da minha vida com esse susto! – A indignação era clara no tom de voz da mestiça.

— Se não estivesse saindo às escondidas, isso não teria te assustado. – Comentou casualmente o mais velho.

— Se veio me passar sermão, eu não estou com paciência. – Ela ficou com a expressão amuada.

— Tudo bem, tudo bem, também fiquei preocupado com as mascotes, além disso, eles estão em reunião, duvido notarem nossa falta. – E começou a andar, adentrando a borda da floresta, sendo seguido de perto pela irmã.

Os dois irmãos caminharam em silêncio, não havia muito rastros das mascotes, mas eles sabiam que elas não tinham ido muito longe. Mesmo que Ettore estivesse ali, a sensação de ser observada não havia passado, e a fazia sentir-se inquieta.

— O que está acontecendo?

— Do que está falando? Eu estou super quieta aqui!

— Você estava cantarolando, no mínimo em ‘paz’ você não está se sentindo.

— Desde que entrei na floresta eu estou me sentindo observada.

— Dê-me a sua mão.

— Olha eu te amo, mas nós somos irmãos de sangue, então eu acho que não daria muito certo. – A loira tentou fazer uma piada sobre o pedido do mais velho.

Revirando os olhos, Ettore agarrou a mão esquerda de Rima, e começou a caminhar lado a lado com ela. Dado os anos de experiência aquilo costumava ajudar a acalmar a mais nova. A respiração de Rima foi voltando ao normal, era bom ter alguém por perto, associando a situação atual às vívidas com o líder da Sombra, a loira percebeu que em mais de um ponto Nevra a lembrava de Ettore, uma presença confiante que não iria ridiculariza-la em causas sérias, e estava disposto a ouvi-la e ser gentil.

Ettore estranhou a parada abrupta, e olhou para Rima que parecia ter congelado naquele local, a expressão dela era de realização, como se o sentindo do universo tivesse aparecido para ela. Lágrimas se formaram naquelas piscinas violetas. Sem saber o porquê o mais velho apenas a abraçou. Envolvendo os braços ao redor do pescoço de Ettore, Rima percebeu que o que a levara a gostar de Nevra era o conforto que a aura do vampiro transmitia. O que ela sentiu não foi o amor romântico, e sim o fraternal, esteve sozinha em um mundo desconhecido, e se prendeu a pessoa que foi compreensiva com ela. O que a machucou quando o viu com outra pessoa, era o sentimento de posse que sempre teve com Ettore, afinal odiava quando as namoradas do irmão exigiam toda a atenção dele, não deixando nada para ela. Ela começou a rir incontrolavelmente, riu tanto que todo o corpo começou a sacudir. Ettore já estava imaginando que Rima tinha quebrado, quando a garota o soltou e ainda com um sorriso declarou que:

— Sabe eu acho que meu primeiro amor, foi uma cópia do meu irmão, será que tem um nome de complexo para isso em grego?

— Rima você está bem? O efeito do círculo de cogumelos finalmente surgiu?

— Não! Só estou dizendo que meio que me apaixonei por uma copia sua! Graças à deusa eu não tenho esse problema com o Ezarel, ou isso poderia denotar que eu sou incestuosa!

— Sério? Que diabo tinha dentro daqueles vidros? Tem certeza que não comeu nada suspeito naquele lugar? E que história é esse de paixão?

— Eu estou bem. E eu estou falando de Nevra, ele me passa o mesmo sentimento que eu tenho por você, a diferença é que: eu cresci com você e o vampiro era alguém interessante e novo, nossa como eu pude não notar antes?

— Tá se terminou o momento, nós estamos procurando nossas mascotes. E eu vou ser solidário e fingir não ter ouvido nada sobre você gostar de alguém.

— Falta de consideração, te deixo falar comigo sobre a Miiko. – Ofereceu em troca.

— Deixe-me pensar: não!

— Pelo menos eu não quero seu alvo.

— Podemos, por favor, deixar esse assunto de lado?

— Por quê? É sempre divertido implicar com você, e a luz de alguns dos seus relacionamentos anteriores, eu a aprovo.

— Não estou ouvindo nada.

— Mas Ettore! – Continuaram a caminhar seguindo o rastro que o grupo de mascotes deixara para trás. Em meio ao clima de alegria, que havia se estabelecido, uma silhueta encoberta pelas árvores observava os dois mestiços.

— E aqui começa a diversão. Encontrei o que eu precisava para completar meu domínio. – O sussurro se misturou ao som do vento. A figura se distanciou com um sorriso vitorioso.

Despreocupadamente, como se não houvesse uma ordem de r-e-s-t-r-i-ç-ã-o, os dois vasculharam a floresta em busca das mascotes. No meio do silêncio estabelecido, a loira recomeçara a cantar músicas que a lembravam das horas passadas em frente à televisão, desejando que algo extraordinário acontecesse com ela.

— Coração eu vou lutar, velozmente conquistar, envolvê-lo totalmente com todo o meu sentimento ♪♩.

— De onde veio essa sua vontade de cantar Brave Heart?

— Canta comigo! Podemos cantar em dueto.

— Não. E olha eu acho que encontramos as nossas mascotes.

— Um chato sem consideração, isso que você é! – Amuou a mais nova, correndo para a direção apontada por Ettore. – Enzo, meu querido filho! Desculpa sua mãe relapsa e fica comigo!

Encarando a irmã mais nova como se ela fosse uma alienígena, o loiro caminhou até sua mascote, que era uma espécie de leão com juba rosa, a qual ele nomeou carinhosamente de Mica. Junto com os dois mascotes havia mais outros quatro: o beriflore de Eittie, Juju [Ettore sentia-se um pouco mal pelo nome do urso], a pimpel de Merid, Flora, e o Grookhan de Julian, Eight [assim como Eittie decidiu nomear a mascote dela com um apelido, que lembrava o nome dele, ele decidiu que ia se vingar], e o Chestok de Chrome, Schwarz. Estavam todos bem, e cada um possuía um ingrediente de alquimia. Mas a sensação de ‘Algo vai dar errado’, ainda não tinha desaparecido.

— Ajuda... Ajudem-me... Preciso de... – Uma voz fraca sussurrava essas palavras, alertando aos irmãos que havia mais alguém na floresta, e se o som sumindo cada vez mais era um indicativo, era melhor que eles se apressassem se quisessem ajudar.

Eles correram na direção que pensaram ser a correta, dentro de alguns minutos, a dupla se deparou com uma linda garota, vestida em folhas, o cabelo dela era feito de folhas em diferentes tons de verde, o corpo dela lembrava o tronco de uma árvore, classificada com uma ninfa da floresta, ela era uma dríade. Parecia estar com muito medo, e os olhos verdes possuíam uma tristeza desoladora.

Ambos os irmãos ficaram parados, sem saber como prosseguir ela claramente não estava ‘bem’, porém eles não conseguiam dizer exatamente o que havia de errado com a mesma. A dríade movimentou uma das mãos como se os chamasse para mais perto, sem hesitar Rima se aproximou da mulher-árvore.

Quando a loira estava próxima das mãos da dríade, galhos de árvores cercaram-na formando um casulo, a cor da floresta tinha mudado para um mar de carmim, a cena ocorreu tão depressa que mal deu tempo de Rima gritar em pânico. Ettore ficou paralisado com a cena, mas quando terminou de processar a mesma, sacou uma das flechas e começou a atirar no emaranhado de galhos. A loira sacou a espada com a mão dominante e usou a lamina como um meio de separa-la da criatura, que agora estava com o rosto distorcido em um sorriso cruel, com sangue ao redor da boca. Conseguindo abrir uma pequena passagem, Rima saiu de dentro dos ramos, toda arranhada, as mascotes a muito haviam saído correndo. Ettore se aproximou da irmã e puxou o braço dela, começando a correr em uma direção aleatória.

O clima da floresta havia se tornado hostil, e a dupla não podia deixar de pensar que dessa vez eles realmente estavam enrascados. Com os músculos queimando devido ao esforço da corrida, as respirações estavam se tornando pesadas, e embora os cortes fossem superficiais no corpo da faelienne mais jovem, alguns ainda não haviam parado de sangrar, em um reflexo a mesma olhara para trás, e por isso acabou tropeçando em raízes expostas, obrigando Ettore a parar de correr também.

— Vocês não vão escapar meus preciosos alimentos. – A voz parecia reverberar em toda a mata. As plantas pareciam acercar-se ao redor dos dois irmãos. Péssima hora para não terem alertado ninguém do que pretendiam fazer.

— Se sairmos vivos dessa, juro nunca mais esconder meu paradeiro! – Rima comentou, enquanto verificava o corpo, em busca de cortes mais fundos.

— Ideia brilhante, irmãzinha. Mas não é ‘se’ é ‘quando’, que tal ser mais positiva? – Ettore retrucou enquanto mantinha-se alerta. Virar refeição de uma árvore não parecia ser agradável.

— Eu vejo vocês. – A voz assustadora soava muito próxima, da dupla.

— Sinal que tem boa visão. – Rima não resistiu em fazer uma piada, já estava se tornando de praxe passar por situações de quase morte em Eldarya mesmo.

— Pergunta: você trouxe algo de útil com você nesses vidrinhos coloridos? – Ettore resolveu apelar, afinal, Rima trouxera frascos com ela, para alguma coisa eles deviam servir.

— Eu tenho um que pode causar incêndio, algo para neutralizar veneno, um que pode ou não fazer dormir, e variantes de cura. – Comentou a mais nova analisando a ‘munição’ extra que trouxera.

— Ok. Vamos por partes: tentamos fazer aquele negocio dormir, se não funcionar a gente coloca fogo na floresta. – Ele foi encarado pela mais nova como se fosse um ET. – Escuta eu acredito que não dá para sermos ambientalistas com uma árvore tentando matar a gente.

— Nesse ponto eu sou obrigada a concordar. – Enquanto ela retirava os frascos que seriam utilizados, quando notou que uma raiz agarrou a perna de Ettore, que foi violentamente arrastado para a direção da Dríade.

Ettore! – Rima gritou o nome do irmão mais velho e tentou alcança-lo com as mãos, deixando alguns dos frascos caírem no chão da floresta, quando o frasco que continha a poção de fogo abriu no solo uma explosão forte arremessou a mais jovem através das plantas, e o fogo criou uma trilha entre as árvores, alcançando a dríade, que no susto largou Ettore, não sem antes deixar sulcos profundos na pele do rapaz.

Notas finais
*Sobre a piada: Em algum contexto distorcido na minha mente, isso pode soar como aqueles pedidos de casamento do sec xxx, sim, afinal até hoje em dia a galera só pede a 'mão' em casamento ~ Eu pensei em matar um dos mascotes, porém, contudo, todavia ia ser óbvio de mais ~ Assim sendo, voltamos para machucar minhas crias, ainda bem que eles não podem chamar o conselho para mim ~ Fiz minhas crias no site do rinmaru Rima - http://imgur.com/7gRVWwp Ettore - http://imgur.com/gZai39H Julian - http://imgur.com/XCPJYJu Eittie - http://imgur.com/fvsmvEX Merid - http://imgur.com/1rojnOB Enrie - http://imgur.com/CRsm2Mh