Break My Heart

12 Fotografias


Ciel queria as roseiras aparadas para que novos ramos nascessem. Sebastian cuidou disso, pois Finnian estava ocupado cuidando da estufa.
Ele, com um alicate na mão, contorcia-se para não atirá-lo em direção àquela árvore e esperar que um corpo caísse. O som dos flashes perturbava o seu juízo e a última gota transbordou o copo.
Foi até a árvore e cravou seus dedos no tronco, fazendo-a tremer e as folhas da copa caírem. Um corpo despencou de um galho ao seu lado.
– Ai, ai... — gemia Grell.
– O que está fazendo aqui, posso saber?
Grell se levantou num pulo e ajeitou o cabelo.
– Não consigo ficar longe de você, Sebastian! — e correu para abraçá-lo, mas foi recebido com um belo soco nas ventas. — Tão cruel....Tão insensível... Tão...
– Ei, quer um lenço pra enxugar essa baba aí?
– Só se o lenço vier junto com você!
Sebastian revirou os olhos.
– O que você quer?
– Tirar satisfações.
– hum?
– Sobre o que aconteceu ontem à noite. — e tirou de dentro do casaco vermelho as fotos tiradas na noite passada — Pode me dizer o que é isso?
Sebastian pegou as fotos entre os dedos e as avaliou. Era sobre o momento em que ele e Cassandra passaram juntos para ver se conseguia provas. Mas tudo em vão.
E disse, estendendo as fotografias de volta:
– Isso se chama sexo.
Grell as tomou e rangeu os dentes de raiva.
– Ah! Como pode me trair assim?! Nossos destinos estão entrelaçados.
– Poupe-me. Tenho trabalho a fazer. — girou o alicate no indicador de deu as costas ao shinigami.
– E-Espere! Você não pode ignorar o amor da sua vida assim! Sebastian! — e seus gritos não foram mais ouvidos, pois o mordomo desapareceu.
E Grell deu um sorriso no canto da boca, rindo e falando ao mesmo tempo:
– Não vai me ignorar assim tão fácil, Sebascchan.

***

E durante o resto do dia, Sebastian foi atormentado pela frequente e irritante presença de Grell, que se escondia nas janelas e no jardim; sempre a espiá-lo para bater fotos suas.
Horas era descoberto e pagava por isso com um belo soco no rosto e Sebastian ignorava-o algumas vezes. Bard e Finnian se assustavam ao ver aquela criatura escondida debaixo da mesa, em meio aos arbustos, enfiada nas trouxas de roupa e etc.
– Por favor, só quero sua atenção. — dizia Grell, quando foi enxotado pela vigésima vez esta manhã por Sebastian.
– Sai fora. — e então ele o arremessou para longe. Os arbustos amorteceram sua queda.
– Sebatian!!!! — gritou ele, cuspindo folhas — Você vai se arrepender se não me ouvir! Eu vou gritar na janela daquele garoto a noite toda se for preciso.
– Vá para a p**** que p****.
Grell se contorceu ao ouvi-lo dizer um palavrão. E a porta bateu com força, provocando um vento forte que fez os fios rubros dele se levantarem. Deu um pulo de alegria e ficou ainda mais apaixonado.
– Ah, amo caras rebeldes! Sebastian, não negue seus sentimentos. Faça-os se tornarem reais! — disse assumindo uma pose teatral e poética. — Você e eu fomos feitos um para o outro. Não negue, ó, meu anjo das trevas. Arraste-me para a escuridão e juntos iremos criar um amor eternamente fixo nas trevas. Ó meu amado... Meu querido Sebas... — ele não pôde continuar a recitar seu discurso pois um balde de água fria foi jogado sobre sua cabeça, encharcando suas vestes e tornando de seus sapatos verdadeiras poças de lama.
– Opa, desculpe. — disse Bard lá da janela — Estou limpando o chão dos quartos já que Cassie — enrubesceu ao dizer o nome dela — está com dor de cabeça. Melhor ir tomar banho ou vai pegar um resfriado.
– Humpf. Nunca fui humilhado em toda minha vida. — e saiu, pisando forte. Seus pés afundando pesadamente na terra e lameando sua calça.

***

– Mas o que foi que aconteceu? — perguntou Ciel a Sebastian.
– Apenas Grell.
– Ah, sim. O que ele queria?
– O de sempre.
– Diga.
Sebastian suspirou fundo.
– Me mostrou fotos da noite que passei com Cassandra.
– Hum... acho que ele está apaixonado por você. — zombou Ciel.
– Jovem mestre, por favor. Entre ele e eu não há nada.
– Eu quero ver essas fotos, Sebastian. Traga-as.
– Para quê quer vê-las? — Sebastian não entendia a atitude de seu mestre.
– Suspeito de algo. Se bem que é verdade o que você me disse sobre a sua noite, acho que algo importante está gravado naquelas fotos. Traga-as.
– Yes, my lord.

***

Quando a coruja piou, e os corvos alçaram voo, a lua já vigiava os seres vivos na terra, Sebastian sentou-se em uma torre de um do prédios londrinos. Ele poderia estar pensando em várias coisas agora, mas uma única pessoa o impedia de refletir sobre o que estava realmente acontecendo. Balançou a cabeça várias vezes, mas os olhos castanhos dela não paravam de fiá-lo.
– Veio pedir desculpas?
Sebastian se levantou e viu Grell encostado em uma estátua de um querubim e acariciando suas feições rochosas.
– Terá que rebolar para conseguir meu perdão.
– Não quero seu perdão. Quero as fotos. — estendeu a mão.
– Diga a palavrinha mágica. — disse Grell, abanando-se com as fotos.
– Por favor. — disse Sebastian, revirando os olhos.
– Errado! — mordeu o lábio inferior.
– Então é qual?
Grell sorriu e deu um pulo, aterrissando ao lado dele.
– O que você acha?
Sebastian engoliu um seco. Tremeu e revirou novamente os olhos. E disse:
– Perdão.
– Essa serve. — e entregou as fotos para ele.
Sebastian virou de costas e parou quando Grell chamou a sua Atenção:
– Antes de ir, que tal escutar um conselho?
– De você? O que isso me trará de bom?
– A oportunidade de não pisar na bola... — e foi contando nos dedos as possibilidades — De cumprir a ordem daquele pirralho... De não magoar os sentimentos de uma certa pessoa — e fez uma pausa dramática — De não perder aquele por quem se importa.
Sebastian ficou intrigado.
Grell olhou o demônio por cima dos óculos, fazendo o verde eletrizante de seus olhos ofuscarem.
– Não quer saber realmente quem é Cassandra J. Clare?