Break My Heart
13 Convidado Inesperado
Notas iniciais
– O nome dela é Cassandra Miller. — Disse Sebastian, já não entusiasmado.
– Oh, Sebastian! Como você é ingênuo. — Disse Grell, mordendo os lábios para conter a ânsia de beijar o mordomo.
Sebastian cruzou os braços sobre o peito, e se pôs a ouvir o que aquela criatura odiosa tinha a dizer.
– Só um aviso. — Grell sorriu e se entusiasmou com a próxima frase que ia dizer: — Ah, quem avisa amigo é! E julgando eu por ser apaixonado por você, acho que deveria te dar conselhos.
– Diz logo! — Sebastian grunhiu, perdendo o mínimo de paciência que lhe restava.
Grell se assustou com o seu tom de voz, mas não se intimidou. Pelo contrário, admirou-se. Ele lhe transmitiu um olhar de loucura, então, querendo aumentar a raiva de Sebastian, disse:
– Mas vai estragar tudo se eu te contar agora. O sabor do mistério ficava mais doce à medida em que o tempo passa.
De fato, Grell conseguiu o que queria. Mas há um ditado que diz: '' Cuidado com aquilo que deseja, pois você pode conseguir.''.
Claro que o resultado não foi satisfatório para nenhum dos dois. Em vez de palavras arrogantes e ameaçadoras, Sebastian apelou para agressão física. Deu um cascudo na cabeça de Grell, o que o fez gemer de dor. E logo em seguida, agarrou o cangote dele com uma mão e com a outra, segurou o cinto. Sebastian carregou Grell até o parapeito da torre. O vento frio da cidade levantou os fios de ambos, e um agradável calafrio percorreu os braços de Grell.
Sebastian visualizou a cidade de Londres. A bruma cobria parte dos prédios, mas isso não o impediu de continuar a fazer o que iniciou.
– E-Espere, Sebastian! O que vai fazer?! — dizia Grell com uma voz tremula.
O mordomo negro não respondeu com palavras. Este balançou Grell para trás e para frente; e na quarta balançada, arremessou-o. Grell despencou no ar, e seus gritos foram cessando lentamente à medida em que seu corpo caía. Não eram gritos histéricos ou pedintes por auxílio; era algo parecido como: '' Sebastian, eu voltarei! Ainda não acabamos por aqui! ''.
Sebastian ficou sério. Viu as fotos entre seus dedos e rangeu os dentes, franzindo as sobrancelhas. Deu as costas para a cidade e tomou o caminho de volta para a mansão.
***
Sebastian se encaminhou diretamente para a sala de Ciel, e depositou as fotos sobre a mesa à frente deste. Ciel as aproximou do rosto, e não se impressionou diante de tantas imagens obscenas. Mas olhou o mordomo por cima dos papéis, indagando-o seriamente.
– O que descobriu?
– Talvez a nossa nova empregada possa não ser quem afirma que é.
– Hum... Se isso for verdade, teremos que dar um fim nela.
– Como quiser, jovem mestre. Mas teremos que investigar mais à fundo se quisermos desvendar este caso.
– Deveras... E hoje prepare um jantar porque receberemos um visita.
– Como quiser, Jovem mestre. — Sebastian fez um reverência e saiu.
***
Tempo depois, Cassandra encontrava-se na cozinha a limpar a mesa pois a panela fumegante de Bard não aguentara o cozimento de certas especiarias, e a pressão foi tanta que tornou-se ameaçadora. E lambuzou todos os cantos da cozinha, inclusive as paredes e o teto.
– Madame, vejo que está cansada. Deixe que eu termino isso. — disse Bard, tomando o pano da mão dela.
– Não, tudo bem. Eu cuido disso. É meu trabalho.
– Mas não vejo razão para uma mulher como você ser castigada por um erro meu. Deixe.
Cassandra cedeu e foi cuidar de por a louça nas prateleiras. Foi obrigada a arquear a coluna, e isso deu uma chance única a Bard para ter uma visualização perfeita das dobras femininas da empregada. Aquela forma que o deixava extasiado e sedento pelo seu corpo, a desejar intensamente cada delírio que este poderia certamente lhe proporcionar.
– Senhor, concentre-se no seu trabalho. Ou eu mesma terei que termina-lo por você. — disse Cassandra sem se virar.
Bard enrubesceu e virou o rosto, voltando a se concentrar na limpeza. Esfregava com força, mas a mácula persistia em habitar a mesa.
– Dê-me cá. — Cassandra tomou o pano dele e pôs-se a esfregar com gentileza. Deslizou a mão penas duas vezes, e a mancha sumiu.
Bard deixou o queixo cair.
– Como fez isso?! — exaltou-se.
– Com um pouco de gentileza, pode-se conseguir tudo. — e saiu ao notar a presença desagradável de Sebastian.
Cassandra ainda estava magoada por ter sido deixada só no quarto, como se fosse um mero pedaço de carne, cuja utilidade seria apenas para satisfazer as vontades animalescas dos homens.
– O que há com ela? — disse Bard.
– Não faço ideia. Cassandra é uma mulher demasiada misteriosa.
***
De noite, Ciel vestiu um traje nobre. Sebastian calçou-lhe as botas e deu um laço na fita do pescoço.
– Está tudo pronto, Sebastian?
– Sim.
– Se me permite perguntar, quem é o convidado?
– Você verá esta noite.
***
A mesa larga estava pronta, com diversos pratos enfeitando-a. Cada um mais belo e apetitoso que o outro, a dar água na boca. Havia belas lagostas, deliciosas para matar a fome do convidado
Ciel sentou-se na ponta, como sempre, apoiando os cotovelos sobre a madeira e entrelaçando os dedos na frente dos olhos.
Batia o calcanhar sob a mesa, impacientemente. Sebastian foi o único a também se estressar. Ia dar dez horas, e nada do convidado aparecer.
– Quanta falta de pontualidade. — grasnou Ciel. — Sinceramente...
– Mais um pouco de paciência, jovem mestre. Ele irá aparecer.
– Humpf.
Finnian e Bard chegaram à sala de jantar, e Finnian, seguido de Bard, demonstrou total descontrole de suas feições. Parecia angustiado com alguma coisa, transpirando e tremendo.
– O que aconteceu? — perguntou Ciel.
– V-V-Venham ver! — disse o jardineiro, correndo pelo corredor.
E rapidamente Ciel, Sebastian e Finnian o seguiram nas sombras. Apressados, saíram da mansão e foram até a estufa. Lá, pararam; buscando algo de estranho naquele lugar fechado e abafado. Finnian andou sorrateiramente, pondo a ponta de um pé na frente do outro. Sebastian sentiu um cheiro repugnante, o que não veio a escapar-lhe da memória. Ciel também sentiu, mas só veio saber a sua origem quando, literalmente, deu de cara com ela.
Tropeçou em uma raiz grossa que crescia de um dos vasos, e caiu em cima de algo macio e frio. O mau odor tornou-se ainda mais insuportável, e quando o jovem conde ergueu-se, vislumbrou amedrontado e paralisado o cadáver que descansava sob si. Saiu de perto, a engatinhar até os pés do mordomo. Finnian vomitou e se agarrou a um dos braços de Bard. Uma gota de suor escorreu pela têmpora de Ciel e então este encontrou forças para se levantar e observar com mais calma.
Reconheceu o corpo do Sr. Mindred. O seu convidado para esta noite; e que infelizmente não poderia degustar das lagostas.
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