Break My Heart
3 Dias da Mansão Phantomhive
Os primeiros dias da mansão Phantomhive sem a Meyrin foram os mais difíceis para Finny e Bard, já que estes teriam que se acostumar ao novo e temporário horário que fora aplicado por Sebastian, enquanto procurava alguém para substituí-la.
Várias entrevistas para o cargo de empregada foram feitas, mas infelizmente nenhuma das candidatas correspondia aos padrões do conde e da mansão. Estava ficando cada vez mais difícil achar uma que se encaixaria. Sebastian tivera dores de cabeça frequentes por Ciel lhe pertubar direto para que ele conseguisse logo uma empregada. Se não, teria que continuar a fazer o seu trabalho dobrado. Mas trabalhar não era o que incomodava Sebastian, já que essa era uma das várias coisas que tinha prazer em fazer. O que lhe importunava, era justamente o fato de Meyrin ter deixado a Mansão. Por qual motivo ela fez isso?- perguntava-se Sebastian.O mordomo têm trabalhado o dobro e tendo que admitir, estava cansado. Ele achou estranho sentir aquele sentimento, cansaço; já que era comum para um humano, não para um demônio. Ciel estava em outro dos muitos aposentos da mansão. Este era muito mais amplo e livre do que os outros. Era uma sala de dança, e o nome fazia juz ao que ele praticava ali. A professora de dança era uma velha senhora esguia e magra, com o pescoço duas vezes maior do que o normal e nariz pontudo como o de uma bruxa. Os fios brancos eram presos num coque apertado e os finos dedos enrolavam-se no cabo da bengala, sempre procurando apoio. Ela observava Ciel à sua frente, dançando com o seu parceiro imaginário e dando passos mais largos do que suas perninhas poderiam alcançar. Ela encostou a ponta da bengala nas costas de Ciel, endireitando sua coluna. – Postura firme, conde. — dizia ela, pela quarta vez. Ciel bufou e seus braços tremeram por ficarem estendidos na mesma posição várias vezes. A porta da sala se abriu e Sebastian surgiu dali, segurando uma bandeja com uma jarra de suco fresco e dois copos repousando em cima. Entrou e serviu aos dois. Ciel deu graças por seu mordomo aparecer; não estava aguentando mais aqueles repetitivos passos. – Sebastian, alguma novidade? – Não, jovem mestre. Estou procurando. Não é nada fácil encontrar uma que se adeque. – De fato... — disse Ciel, bebendo da bebida gelada. A velha senhora se intrigou com o que falavam e resolveu perguntar: – Desculpe, mas eu poderia saber do que se trata? Ciel olhou-a por um instante e não viu razão para ser arrogante: – Estamos procurando por uma empregada. A mulher deu um largo sorriso e o copo quase escorregou de suas mãos: – Eu tenho uma sobrinha que nesse momento está desempregada e procura desesperadamente por um emprego. — disse ela. Ciel e Sebastian se entreolharam e a mulher voltou a falar: – Ela é muito boa e se der uma chance a ela, tenho certeza de que não irá se arrepender. — afirmou por fim. Sebastian ficou esperando calmamente pela resposta do conde, que esfregava o queixo, pensativo. Ciel cerrou os olhos e disse: – Está bem. Vamos ver como ela se sai. A professora ficou alegre e inclinou a coluna, como forma de agradecimento. – Diga a ela para vir amanhã, de tarde. Tenho compromisso à noite — aproximou-se da porta mas antes de sair, disse — A propósito, qual o nome dela? – Cassandra, conde. — disse a velha — O senhor não irá se arrepender. *** Durante o dia, Sebastian cuidou de todas as tarefas diárias. Na verdade, foi ele quem fez tudo pois Bard e Finnian não sabiam o que fazer. Pratos e copos foram quebrados numa simples tentativa de limpá-los, roupas foram queimadas quando passadas e o chão ficou coberto de terra e lama por conta das botas sujas de Finnian. Bard foi o culpado de queimar as roupas e também o filé que seria o prato especial bo almoço. Sebastian já estava perdendo o mínimo de paciência que lhe restava e não suportaria mais tanta incompetência reunida em um lugar só. Quando chegou à cozinha encontrou os dois empregados ali, perdidos em suas tarefas. Finnian não sabia como lavar os pratos sem quebrá-los e Bard enrolou-se todo nos lençóis engomados, tentando dobrá-los. Sebastian fechou os olhos com raiva e juntou as sobrancelhas. Deu um longo suspiro e os dois rapazes olharam espantados para o mordomo. Endireitaram-se mas Bard Tropeçou no pano, perdendo equilíbrio e caindo de cara no chão. – Sebastian-san! Desculpe-nos! — disse Finnian, com um prato na frente do peito e se curvando — Eu não sei como lava-los sem... — ele apertou as bordas do prato com nervosismo, e rachaduras cresceram até o centro. A porcelana partiu-se em vários pedaços. O mordomo contou até dez e soltou o ar preso em seus pulmões. Tomou a frente de Finnian e tirou o terno, pendurando-o em um cabide. Dobrou as mangas até os cotovelos e começou a lavar a louça. Sebastian não dizia uma única palavra, mas Finnian e Bard percebiam que ele estava furioso. – Ah, eu não sei mesmo ser delicado. — dizia Finnian — Sou péssimo. Tudo era mais fácil com a Meyrin. – Concordo com você. — disse Bard, tentando se levantar. – Só ela conseguia fazer essas coisas. Por quê será que o jovem mestre a despediu? Apesar de ser atrapalhada, ela era muito prestativa.
Sebastian cerrou os dentes e bateu a mão bruscamente na pia. Virou-se para os dois e disse tomado pela raiva: – Mas ela não está aqui! Portanto vocês deviam começar a aprender logo como fazer essas coisas simples para que no final não tenham que ficar choramingando por algo que já se foi. — explodiu. Bard e Finnian o olhavam espantados e com medo. Nunca o viram perder a paciência a ponto de gritar assim. O tom de sua voz era diferente das outras vezes em que ele brigava com os empregados. Algo o estava perturbando. Sebastian recobrou a calma e saiu da cozinha, pisando forte. – Sebastian? Caminhando rápido pelo corredor, Sebastian não sabia ao certo o que havia acontecido agora a pouco. Estava óbvio que era por conta da incompetência absurda dos dois, mas algo o perturbava mais do que isso. Seu ombro pesou para o lado e ele teve que se apoiar na parede ao lado para não cair. Jogou a franja que caia pelo rosto para lado, e pousou a mão na testa. – O que... Está acontecendo comigo? — fitou a mão fechando-se em forma de garra e sentiu as pálpebras pesarem, quase cedendo ao sono repentino — Por que eu estou...cansado?
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