Break My Heart

4 O Reencontro


Meirin apoiava o rosto no punho fechado e tinha o olhar fixo na chuva que caía do lado de fora da carruagem, embaçando o vidro.

Sua bagagem estava no banco ao seu lado, intacta. Estava entediada e preocupada ao mesmo tempo. Soltou os cabelos vermelhos, deixando-os correrem livres pelas costas.

As mãos agarraram a saia de seu vestido alaranjado, trêmulos. Ela comprimiu os lábios e engoliu o nó que se formara em sua garganta.

A imagem da despedida não saía de sua cabeça, repetindo várias vezes como uma fita quebrada. Queria chegar logo ao seu ponto final, pois só assim se livraria daquelas recordações desagradáveis.

Uma lágrima redonda escorreu de seu olho, percorrendo todo seu rosto até pingar nas costas de sua mão.

Os dedos deslizaram até o seu bolso e tiraram dali a carta dobrada três vezes por ela, depois de relê-la pela quarta vez no mesmo dia. Queria ter a certeza do real motivo para deixar a Mansão Phantomhive, seus amigos, seu mestre e Sebastian.

Ela fechou os olhos e tentou dormir por algum momento, mas o belo rosto de Sebastian sorrindo sedutoramente, impediu-a.

Meyrin sentiu-se sufocada, sem ar. Gotas de suor pingaram de sua testa e ela abanou-se com a palma da mão. Colou o rosto no vidro da janela, e viu que a carruagem se aproximava de uma pequena cidade. Ela tremeu, mas respirou fundo e tomou coragem para encarar o que a aguardava pela frente.

Pessoas de altas classes sociais andavam pelas ruas, todas vestidas elegantemente com suas melhores roupas. Burburinho era ecoado até seus ouvidos e poucos homens olhavam para ela enquanto passavam.
A carruagem parou em frente a um hotel de quatro estrelas e o cocheiro desceu de seu banco alto e foi abrir a porta para Meyrin. Ele ofereceu a mão para ajudá-la a descer e depois pegou sua mala.

Meyrin pôs um chapéu na cabeça, que caia pelo seu rosto ocultando metade. Andou calmamente esgueirando-se entre as pessoas e entrou no hotel, empurrando a porta dupla. O cocheiro deixou a mala aos pés dela, puxou a aba da cartola e despediu-se Meyrin, guiando a carruagem de volta à Mansão.

A sala era extensa de um tom dourado azul. Cortinas vermelhas presas ao meio eram postas ao lado das longas janelas, agitando-se ao vento. Sofás e poltronas de veludo eram postas ao centro, acompanhadas de criados-mudos com revistas de moda e jornais repousados em cima.

Havia um homem magro e esguio de terno e gravata preta, sentado no sofá de pernas cruzadas, lendo atentamente o jornal e ciente das coisas que aconteciam na cidade.

Ele levantou a cabeça e avistou Meyrin parada em frente a porta. Deu um sorriso e se aproximou dela, dobrando o jornal.

– O que está achando de Londres, Meyrin? — perguntou ele.

– É agradável. — responde ela, um pouco envergonhada.

– Não a vejo a tanto tempo — ele segurou o queixo dela, erguendo-o.
Ele possuía os cabelos lisos e negros roçando no pescoço e belíssimos olhos verdes cintilantes.

– Diga logo o motivo de me querer de volta, chefe.

O homem sorriu e colocou o jornal debaixo do braço para tocar o rosto de Meyrin.

– Primeiro, me diga por que saiu da corporação para trabalhar como empregada.
Ela desviou o olhar e juntou as sobrancelhas. Foi por causa de Sebastian, ela se lembrava muito bem de quando ele a trouxe para a mansão.

– Isso não faz jus a você. — afirma ela.

– Faz sim, pois você me pertence. Teve que ser despedida para vir ao meu encontro — deu um sorriso vago — Eu posso fazer tudo aquilo que quero e você sabe muito bem disso. — a intimidou com o olhar.

– O que você quer, Saitou?

Ele deu uma risada e disse:

– Você. Quero que volte a ser aquela assassina de sangue-frio de antes.