Break My Heart
18 A Rosa
Cassandra e eu retornamos à festa, e incrivelmente ele agia da sua forma mais natural. Seu braço voltara a crescer, e não havia nenhum outro sinal de violência em seu rosto. Ela em nenhum momento tentou me atacar. E evitava me olhar; apesar de eu a cada instante, perscrutá-la,
Eu me esforçava ao máximo para não fazer-lhe uma série de perguntas. O que por sinal, resultaria em ações torturantes nada consideradas pelas leis dos homens como "humanas". O melhor a se fazer é esperar.Chegando ao salão, Cassandra sentia-se horrível por seu vestido estar rasgado. Ela cobria o peito com os braços e se escondia atrás de mim. Todos os olhares voltaram-se para ela, então eu lhe disse:– Quer esperar lá fora? Irei chamar o Jovem Mestre.Ela balançou a cabeça positivamente, e saiu."Muito bem, como vou achá-lo?". Perguntei a mim mesmo. "No meio desse mar de pessoas...?". Claro que eu poderia encontrá-lo facilmente; mesmo que este não passasse de uma simples agulha no meio de todo o palheiro. Mas para a minha sorte, que por sinal veio a poupar o mínimo do esforço que eu arrecadaria, vi sua silhueta pequena andando em meio a três homens corteses. Ciel me viu e se aproximou.Fiz um gesto com o queixo, indicando que devíamos falar em um local privado. Ele me seguiu pelos corredores e escadarias, e pude imaginar seus pensamentos incessantes sobre o local em que iríamos conversar. Paramos no meio da escada em espiral, encarando a janela diante de nós. Ciel arqueou uma sobrancelha. Sorri e lhe peguei pela cintura, pondo-o sentado sobre meu ombro. Abri a janela e a vidraça deslizou para fora. Me posicionei no parapeito, então, imitando uma cena famosa que li em um livro famoso uma vez, caminhei pela superfície da parede externa.– Ahhh!!! — gritava Ciel — Sebastian! Você... como sabe fazer isso???– A ideia não foi minha. Mas de um irlandês de mente muito clara.Ele soube na hora a quem eu me referia. Pois o jovem mestre tinha um gosto tão refinado quanto o meu para ler clássicos de terror.Caminhei até o telhado desafiando a lei da gravidade. Deixei Ciel no telhado, e ali iniciamos a conversa.– Tenho algo muito importante para lhe dizer. Cassandra definitivamente é do Submundo.Ciel arregalou os olhos.– Ela se transformou em algo que mais parecia um anjo negro e me atacou. Depois veio um homem que dizia ser o Submundo. Está mais que claro que ele é o dono.– E você não o pegou? — ele não demonstrava nenhuma emoção. Surpresa, ou mesmo mágoa. Deveria ser pelo fato de vivenciar — essa é a palavra certa — coisas sobrenaturais. E como já víamos suspeitando de Cassandra, era compreensível que ele agisse dessa forma.– Não. Ele sumiu. — respondi.– Estranho... Tive a conversa com o dono da festa e você não vai acreditar no que ele me disse.Esperei pela finalização de sua frase.– O Sr. Norman me disse que sabe o esconderijo do Submundo.Ciel tinha razão. Eu não acreditei.***A carruagem voltou, e o cocheiro não tirou os olhos de Cassandra. Ele a estava devorando silenciosamente. Entramos, e eu a cobri com meu casaco. Ela sentiu-se agradecida e depois voltou a sua atenção para a janela. Poderia dizer que Ciel teria um ótimo futuro profissional como ator. Pois ele fingia perfeitamente não saber tudo o que estava acontecendo.Perguntou à Cassandra:– O que houve com você?Ela olhou para si mesma. É verdade, ela não se lembra de nada.– Uns moleques a violentaram e roubaram tudo de valioso que tinha. Mas não tudo.Ela me olhou, estranha. Então completei a frase:– Afinal, eles te deixaram. Não foi?Cassandra enrubesceu. Eu sorri.Não se iluda, pois eu não a amo ou coisa parecida. Apenas desejo descobrir mais coisas. Estudo as suas atitudes relacionadas a cada gesto meu ou de Ciel. E também avalio com cautela seu comportamento em relação às tarefas diárias. Ela é perfeita demais. Tão dotada de habilidades minuciosas que chega a embrulhar-me o estômago.A viagem foi cansativa. Pelo menos para mim, pois não dei um descanso aos meus pensamentos. Seria sorte mais uma vez se eu voltasse a encontrar Saitou, o aristocrata. Então eu arrancaria-lhe toda a verdade.Chegamos à mansão. Ajudei Cassandra a descer, e depois Ciel. O cocheiro ficou parado ali, observando a empregada entrar. Eu parei, e lhe dirigi um olhar frio. Ele sacudiu as rédeas e guiou os cavalos. Entrei. Todos estavam dormindo. Cassandra deu boa-noite, e beijou a testa do garoto que fingia em estar dormindo em meus braços, e subiu.Ciel abriu os olhos quando chegamos ao seu quarto.– Parece que ela gosta mesmo do senhor. — disse eu.– Tch. Ela parece minha mãe. — Ciel sentou na cama, e notei uma leve pontada de tristeza em seus olhos baixos.– Qual o problema?– Sebastian, estive pensando. Eu sei que ela é acusada de ser nossa inimiga, mas... — ele respirou fundo — Mas eu simplesmente não posso suportar a ideia de que algo de ruim aconteça à ela.
De todas as coisas que Ciel me disse, aquelas que me fizeram refletir sobre as atitudes cruéis dos humanos, essa de fato desmentiu todas. Os humanos podem ser bastante cruéis, insensíveis e destruidores. Tanto que, às vezes me pergunto como tanta maldade pode caber em um corpo tão frágil. Feito de carne e ossos; que um dia irá ter o mesmo fim dos outros. Do pó veio, e ao pó retornará.Contudo, eles possuem uma incrível capacidade de amar e adorar quando é preciso. Mesmo na arrogância, eles conseguem abrigar uma pequena pontada de gentileza.Comparo as belas coisas — o amor, por exemplo — como uma rosa.Ah, os poemas deviam comparar o amor com um rosa. Já que, para alcançar a maciez e a beleza de suas pétalas, sentir seu delicioso cheiro, primeiro antes é necessário passar pelos espinhos. Não é amor se não doer.No final resta apenas uma conclusão: " Humanos são criaturas estranhas ".– O que você pretende fazer? — perguntei.– Simples. Vamos pedir ajuda da polícia, unir os soldados do Sr. Norman e iremos à caça do Submundo. Mas Cassandra não deverá estar aqui.Sorri e disse:– Eu sei de um lugar perfeito. Il est beau ce moment de l'année. La ville de l'amour.
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