Breadventures #1 - O Caminhar das Sombras

2 Capítulo 1: A Sagrada Jaca-cogumelo


Breadventures #1 — O Caminhar das Sombras
Capítulo 1: A Sagrada Jaca-cogumelo

Angel POV

O telefone tocou.

Angel pegou-o e atendeu a ligação, e um cientista do governo atendeu.

Ele desligou na sua cara.

Também não podia reclamar, era provavelmente o único anjo existente no universo inteiro. Os seus poderes estranhos aumentava ainda mais a curiosidade de todos.

Alguns, que nunca o tinham visto pessoalmente, falavam que era uma mentira do governo. ''É claro que ele não existe, a mídia está tentando nos influenciar, abram seus olhos e ouvidos!'', e outros acreditavam, até mesmo sem tê-lo visto.

Angel, é claro, sempre os ignorava. Nem ligava se era diferente dos outros ou não.

Lucas estava estudando um mapa junto com Bel, enquanto Angel assistia a um seriado deitado no sofá, comendo pães.

— Você não vai mesmo nos ajudar a achar a Grande Árvore Cogumelo? — perguntou Bel irritada.

— É só uma árvore gigante, não sei por que vocês dois sofrem tanto para achá-la. — retrucou Angel.

— ACHEI! — exclamou Lucas.

— Ah, mas que droga... eu não posso ir, tenho que sair em uma viagem de negócios com meus pais. O negócio é com eles, por que eu tenho que ir? — reclamou Bel.

— Eu posso usar um Control Bread e...

— Não, não. Não vou deixar você usar seus pães toscos nos meus pais.

— Ah, ok.

O seriado terminou e Angel se levantou do sofá.

— Pronto, vamos lá pegar a Jaca-Cogumelo, Lucas!

Angel saiu de casa voando, e Lucas seguiu-o correndo e acompanhando seu lento voo até a Floresta dos Cogumelos.

— Tem certeza de que esse lugar existe? Como vamos entrar lá? — questionou Lucas.

— Tem um portal, ué. Na floresta perto do cemitério, aquela que visitamos semana passada para falar com a Morte.

— Ok então, e onde fica o portal?

— Hm... se eu disser, você não vai querer ir. Melhor que seja surpresa.

Angel levou Lucas por uma trilha que havia descoberto recentemente, e chegaram até um alto pinheiro.

— Bom, é aqui. Se segure, Lucas!

— Não me diga que vamos voaaar! — gritou.

Ele foi erguido pelos braços e foi levado até o topo do pinheiro. Angel ficou planando em cima da árvore e Lucas estava tentando se manter agarrado aos galhos, sofrendo para não cair.

— Water Bread!

Um pão amarelo-azulado surgiu, o anjo começou a apertá-lo, soltando água, até todo o pinheiro ficar molhado.

— TESHIMELAMIENALO! Otluco atse euq o es-arba!

O pinheiro desintegrou-se num segundo, e um grande portal surgiu no chão, Angel e Lucas foram sugados para dentro, e apareceram numa floresta exatamente igual a que estavam, se não fosse pelos cogumelos gigantes no lugar dos pinheiros, plantas carnívoras gigantes no lugar dos arbustos e fadas no lugar dos pássaros.

— Acho que chegamos... — falou Angel.

— Só acha? Esse lugar me dá arrepios.

— Qualquer coisa te dá arrepios. Vamos, seu medroso!

Angel estava encantado com a beleza daquele lugar, de uma certa forma, pois as fadas brigavam entre si se explodindo e as plantas devorando tudo que encontravam pela frente.

— São bem violentos... — Angel deparou-se com uma grande árvore azulada, do tamanho de um prédio de vinte andares. — Será que essa é a Grande Árvore Cogumelo?

— Não Angel, é a pequena.

— Ah, então vamos procu...

— ERA ZOEIRA!

— Não pareceu, mas... já que é essa, vamos.

Os dois entraram lentamente pelo buraco no pé da árvore.

O lugar era tão bonito quando por dentro quanto por fora, mas naquele lugar não tinha tantos seres brigando como fora, na verdade, não tinha nenhum. Era bastante espaçoso e frestas iluminavam o interior oco da árvore.

Apenas um pequeno caminho inclinado para cima levava a outro buraco na árvore, com uma placa escrita do lado.

Angel e Lucas dirigiram-se até a placa, e a leram cuidadosamente.

— Hm... três desafios para chegar até o prêmio. É só isso que temos de saber. — disse Angel.

— Não, se formos derrotados ou morrermos, a floresta vai nos sugar e transformar nossos corpos em adubo.

— Não temos que saber disso, nós não perderemos.

— Tem certeza de que precisamos dessa jaca?

— É claro que sim, eu amo jacas e cogumelos. E ela também dá a capacidade de invocar cogumelos para quem a comer.

— Cogumelos mágicos que nem seus pães?

— Não, só cogumelos mesmo. Mas isso não importa, vamos logo.

Sem querer revelar isso para Lucas, Angel na verdade estava com tanto medo quanto seu amigo. Se perdesse, ninguém saberia como morreram.

Talvez Bel conseguisse decifrar, mas não importaria se já tivessem morrido. Acabariam sozinhos, pelo menos teriam um ao outro.

Receoso, Angel entrou seguido por Lucas no buraco da árvore.

— Percebeu que aquela placa estava escrito em português? — perguntou Lucas.

— Estranho em um mundo mágico também falarem a nossa língua...

— Qual será o desafio?

O local estava vazio. Acima deles, encontrava-se outra abertura na árvore oca. Ouviram um barulho estranho e na hora que se viraram, algo passou zunindo a uma velocidade extrema entre o cabelo de Lucas, deixando-o com um feio corte.

— Meu cabelo!

— Esquece o seu cabelo... — disse Angel, arregalando os olhos quando percebeu o que tinha sido aquela bala. — LUCAS, SÃO JOANINHAS! JOANINHAS GIGANTES, P****! EU ODEIO JOANINHAS!
Joaninhas eram uma das coisas do qual Angel mais tinha medo, tentou abrir suas asas para voar mas não conseguiu.

— NÃO POSSO VOAR, F**** LUCAS!

— Temos que correr!

Logo, mais joaninhas começaram a brotar do nada na árvore e a voar, atirando-se nos dois adolescentes, que haviam começado a correr desesperadamente. Uma atingiu o braço de Lucas, quase quebrando um osso.

Um grande e feio hematoma roxo estava começando a se formar no local em que havia sido atingido.

Cada vez mais joaninhas estavam voando. Angel estava desesperado, e apenas a alguns passos do buraco.

Angel tropeçou e uma joaninha o atingiu na cabeça, enquanto estava caído no chão.

Tudo começou a girar, uma voz falava desesperadamente seu nome... Qual era seu nome? Parecia alguma coisa como ''Endiel''...

Tudo voltou a sua memória, murmurou fracamente ''Barrier Bread'', invocando um pão que, ao apertá-lo, uma barreira avermelhada surgiu, parando as joaninhas que tentavam penetrá-la desesperadamente.

— N-não v-vai d-durar m-muito t-tempo... — murmurou mais uma vez.

Lucas o segurou pelos braços e o arrastou até o buraco da árvore, fazendo com que o mesmo se fechasse e as joaninhas desaparecessem.

Angel, com o pouco de poder que lhe restava, invocou um pão curativo, curando-se da maioria dos ferimentos e contusões.

Agora, tudo estava coberto por grandes teias, grudentas e espessas.

— Ah não, aranhas não... pelo menos não são mais joaninhas.

Lucas estava tremendo ao lado do anjo.

— A-a-aranhas? — falou tremendo.

— Ah, é verdade. Você tem medo de aranhas, vamos atravessar esse local o mais rápido possível... — Angel olhou para cima e viu outra abertura na casca da árvore. — Vamos chegar lá! — disse, apontando.

— Obrigado por falar o óbvio mais uma vez.

Os dois começaram a escalar as grudentas teias.

— Cadê as aranhas? Elas ainda não aparece...

— CUIDADO! ANGEL, ATRÁS DE VOCÊ!

Virando-se tarde demais, a gigante aranha de oito olhos esguichou teia direto no corpo de Angel e o puxou para si, levando-o em suas costas para um buraco escuro nas grossas camadas da árvore.

Angel tentava se soltar inutilmente.

''Quanto mais resistem, mais deliciosos ficam'' — disse uma voz estridente na mente de Angel.

— Uau, você tem telepatia. Incrível.

''Obrigado, e vou agradecer novamente quando devorá-lo''

— Qual o seu tipo de aranha? Aranha-marrom?

''Aquelas inúteis? Não. Só vivem sobre as costas dos outros em seus locais cheios de madeira. Eu sou uma viúva negra.

— Ah, viúvas negras são as aranhas mais lixos de todas.

''Cale a sua boca imunda! Pensando bem, vou matá-lo logo''

A aranha cravou suas presas no braço de Angel e inoculou veneno. Depois que as tirou, o sangue jorrou por um tempo até parar.

''Por que você ainda não morreu? Um humano como você não resistiria nem sequer cinco segundos a essa quantidade de veneno.''

— É por que eu não sou um humano, dããã. Eu sou um anjo.

''Um anjo? Ora ora, vamos ver que sabor você tem. É imune ao meu veneno, mas não as minhas presas. Seu braço quase foi partido pela metade quando eu o mordi.'''

— É, mas já se regenerou. Veja.

O braço de Angel estava de volta ao normal.

''Hm... então, você será meu alimento e o alimento dos meus filhotes, POR TODA A ETERNIDADE!'' — exclamou rindo.

— Não, eu só consigo me regenerar de ferimentos. Se um braço meu for arracado, ele não vai crescer de novo.

''Ora, e quem disse que eu preciso arrancá-lo?''

A aranha chegou ao seu destino, uma espécie de caverna cheia de teia.

A aranha mostrou suas grandes presas, pronta para abocanhar boa parte da coxa de Angel, quando de repente...

— AHHHHH! MORRA, MORRA, MORRAAA! — gritou Lucas, entrando no buraco, correndo e gritando loucamente, carregando um grande e grosso galho de árvore, que acertou nas costas da aranha com toda a força que conseguiu, esmagando seu corpo, que agora era um cadáver.

Lucas arrancou Angel das teias, com os olhos arregalados. Seu corpo inteiro estava tremendo.

— Uau, você conseguiu enfrentar seus medos e me salvar. Achei que deixaria eu morrer aqui, e fugiria daqui. Ou tentaria pegar a jaca sozinho. -falou Angel, dando risinhos.

— E-eu a-ainda e-estou c-com m-medo, e e-esse t-tremor?

Ouvia-se um barulho que ia ficando cada vez mais forte.

— Lucas, estamos em um ninho de uma aranha, ela bota filhotes então... CORREEE! — gritou após ver a enxurrada de pequenas aranhas que saía do fundo do buraco.

Antes de Angel conseguir se levantar e correr, Lucas já estava uns dez metros adiante. O anjo desatou a correr atrás dele, juntos saíram do buraco e começaram a escalar as grudentas teias até próximo buraco da árvore.

Como no último desafio, os dois se jogaram para dentro e o buraco se fechou, junto com o desaparecimento das aranhas.

— Sobrevivemos! Nem tô acreditando! — exclamou Lucas entusiasmado.

Angel tocou o braço de Lucas.

— São... pica-paus...

Em todo lugar naquela parte da árvore, pica-paus gigantes voavam para lá e para cá, bicando diferentes partes da árvore, cuidando dos seus ninhos, e acima de tudo, no galho mais alto, estava ela: A sagrada Jaca-Cogumelo.

— Hm... eles vão nos deixar passar, né? — falou Angel.

— Talvez, mas o desafio não é passar por eles. É chegar lá no galho. Não posso voar, existem pica-paus por todos lugares e ninhos, podemos ofendê-los. E poucos lugares para se apoiar... — explicou Lucas.

— Olá, quem são vocês dois? — perguntou alguém.

Os dois garotos quase infartaram de susto. Uma fada adolescente, mais ou menos do tamanho deles estava sorrindo para os dois. Tinha grandes olhos castanhos e longos cabelos cacheados. Usava uma espécie de vestido branco, e estava flutuando levemente com as suas asas azuis transparentes.

— Sou Angel, e esse viadinho aqui é o Lucas.

— Eu sou Leni, vocês vieram pegar a jaca? — perguntou a fada. — Ninguém nunca conseguiu, e enquanto ninguém conseguir, eu vou ficar presa aqui...

— Você vai nos ajudar? — perguntou Lucas.

Ela de repente pareceu mais nova.

— Acha que eu quero ficar presa aqui?

— Você, está mais nova...

— A idade das fadas muda de acordo com o humor...

— Então, se eu te deixei brava você ficou mais nova... se eu te deixar mais brava ainda você vira um bebê? — Angel pegou fôlego. — SUA...

— Para Angel, vamos focar no nosso objetivo.

— Ok então.

Angel e Lucas começaram a escalar os poucos galhos e tentar chegar até o topo.

Finalmente, chegaram no galho e o anjo arrancou a fruta do galho.

— Ué? Fácil assim?

Ele não havia percebido que, ao arrancar a manga, os pássaros começaram a parar e olharem inquietos para ele.

— Angel... os pássaros...

Um voou, e avançou com seu bico para cima e Angel, atingindo sua perna e fazendo um grave rasgo, que sangrava incansavelmente.

— Acho que atingiu uma artéria... mas eu posso me curar.

Logo a perna estava de volta ao normal.

— Eles vão nos matar! — gritou Lucas.

— Eu tenho um plano...

Outro pássaro avançou, Angel gritou ''Control Bread'' e atirou-o no bico do pássaro, que ficou confuso por um tempo, um pedaço do pão rolou por seu bico e ele o engoliu. Os olhos bravos do pássaro ficaram completamente azuis, sobre o controle de Angel.

— AGORA! — gritou Angel. — Ele só engoliu uma migalha, não vai durar muito tempo!

Angel pulou em cima do pássaro segurando Lucas, e juntos, eles montaram o pássaro, passando por todos os outros que tentavam incansavelmente alcançá-los, a fada seguiu-os. Juntos, todos atravessaram os espessos galhos e cheiraram o ar puro da floresta.

— CONSEGUIMOS! — gritou a fada, agora mais velha devido a sua alegria.

— Angel, a jaca?

— Hm... acho que deixei cair...

— O QUÊ? TUDO ISSO PARA NADA?

A fada ficou mais jovem de novo.

— E eu?

— Mas o nosso objetivo era a fruta...

— Eu posso acompanhar vocês, para onde quer que forem, prefiro não voltar para a minha colônia...

— Então tudo bem, e o pássaro não está mais sobre nosso controle. — avisou Angel.

O pássaro voou de volta para baixo, derrubando Lucas que não sabia voar. Leni passou por baixo dele e o segurou.

— Te salvei, não consegue fazer isso sozinho.

Lucas corou, e Angel riu, alegre.

Mas sabia que aquela felicidade não iria mudar muito tempo, a profecia não tinha deixado de existir. E Angel sentiu que Lucas também pensava nisso.