Breadventures #1 - O Caminhar das Sombras
3 Capítulo 2 - O Sábio Mestre dos Faxineiros
ISABEL
Bel estava tentando se proteger da sua gata com um travesseiro.
Estranhamente, a gata fêmea da raça Persa, a qual chamavam de ''Princesa'', acordou louca naquele dia. Bel sabia que aquilo não era normal, e tinha quase cem por cento de certeza de que tinh algo a ver com Angel.
A gatinha, que ainda nem adulta era, acordou atacando-a desesperadamente, e não a deixou livre durante toda a manhã. A garota iria para a escola sem tomar café, mal-vestida e cheia de arranhões.
— Se acalma Princesa, o que houve com você?
A gata havia profundos olhos negros, ao invés dos seus claros olhos castanhos. E seus dentes e garras estavam mais afiados que o normal.
Bel trancou as janela, tentando se esquivar o máximo possível da gata, saiu de casa e fechou a porta rapidamente. Com a mochila carregada de materiais escolares já nas costas.
Ao invés de ir para a escola — sempre era a primeira aluna que estava lá — foi direto em direção a casa de Angel e Lucas.
Quando chegou lá, os dois estavam gritando desesperadamente.
— MATA ESSE PÁSSARO, É A MELHOR SOLUÇÃO! — gritou Angel.
— Não, descobriremos o que está acontecendo com ele, por enquanto temos que trancá-lo na gaiola.
Entrou em casa e viu Angel tentando arremesar pães soníferos no grande papagaio verde de Lucas.
— Shadow! Shadow! Shadow! — falava o papagaio, se esquivando dos ataques dos dois garotos.
Finalmente, Angel consegiu acertá-lo e Lucas prendeu-o na gaiola, adormecido.
— Ah, oi Bel. Nem percebemos que estava aqui. — cumprimentou Angel.
— Angel...
— Mas que merda estava acontecendo aqui?! — perguntou a garota.
— Bel, uma pergunta: Sua gata também estava assim?
— O papagaio inútil do Lucas acordou tentando nos assassinar a bicadas, e estava com olhos negros. Além de não parar de falar ''Shadow''.
— Eu nunca ensinei essa palavra para ele... nunca ninguém falou perto dele.
— Então vocês também não sabem o motivo? Liguem a TV.
Angel usou o controle remoto para ligar a TV, e a notícia era a seguinte: ''Animais da cidade acordam e atacam seus donos, alguns estão sendo levados para serem sacrificados''. Um entrevistado dizia ''Foi por causa daquele anjo maldito, ele está nos pregando peças, tenho certeza!''.
— Ah não...
— Eu sei quem pode saber, Willas. — falou Angel.
— O faxineiro da escola? Por quê diabos ele saberia o motivo disso? — perguntou Bel.
— Por que... ele é o Willas. Ele tem uma vassoura.
— É, vassouras são melhores que qualquer outra arma. — concordou Lucas.
— O que vocês tem na cabeça?
Angel se aproximou de Bel e disse:
— Pão, Bel. Puro pão.
A garota não pode deixar de notar uma estranha movimentação na cozinha.
— Então é isso o que vocês chamam de pizza? É delicioso! Eu me sinto ainda mais criança! — disse uma voz fina e alegre.
— Então agora vocês viraram pedófilos? — perguntou Bel.
— Não, é só a Leni. — respondeu Angel.
— Leni?
— É uma fada. — explicou Lucas.
— Que tipo de brincadeira é essa? Fadas não existem.
— Se existem anjos que invocam pães... — disse Lucas e Angel sorriu ao seu lado.
— É diferente... espera aí.
Bel foi até a cozinha e se deparou com uma garota que parecia ter uns nove anos lambuzada de Nutella dos pés a cabeça.
— Estou vendo só uma criança de nove anos mesmo, não uma fada. Fadas não tem asas?
— E quem disse que eu não tenho?
Asas azuladas surgiram das suas costas.
— P*** QUE PARIU! UMA FADA! — exclamou Bel.
— O que significa ''P***a que pariu''? — perguntou Leni.
— Não queira saber... Você é uma fada jovem — disse Bel, tocando em todos os lugares da fada e examinando suas asas.
— Você está me irritando...
Ela ficou subitamente mais velha.
— Uau... você cresceu repentinamente... fadas crescem mais rápido que os outros seres?
— Não, mudam a idade conforme o seu humor.
— Interessante. Mas, tenho que ir por que já estou atrasada.
— Ainda são sete horas, a aula começa às oito! — gritou Angel.
— Eu estou atrasada! — respondeu Bel, já saindo da casa dos dois e caminhando para chegar até a escola.
Quando chegou lá, já tinha dois alunos zanzando pelo pátio da escola. As portas não estavam abertas a essa hora. A garota bufou por não ser a primeira a chegar.
Quando o relógio chegou a oito horas da manhã, a escola já estava repleta de alunos e Angel estava voando, arrancando as frutas das árvores e dando-as para os seus amigos. Lucas estava sentado em um banco, lendo. Leni havia ficado em casa pelo motivo ''Devemos esconder sua identidade''. A ideia tinha sido a mesma que Lucas havia sugerido quando conheceu Angel.
O sinal para o primeiro período tocou, e todos se dirigiram a suas respectivas salas. O trio Angel, Lucas e Bel eram do primeiro ano do ensino médio.
— Alguém me explica como que o Angel chegou até aqui sem reprovar? Por acaso você usou um pão de controle nos professores? — perguntou Lucas.
— Nah, eu tenho meus truques. — respondeu o anjo.
— Truques mentais, você quis dizer...
— Ei, vocês dois, prestem atenção na aula. — avisou Bel.
É claro, eles não deram a mínima para o que ela disse, e quando bateu o sinal para o segundo período, depois o terceiro e finalmente para o intervalo, Angel invocou seu arco e deu pães normais para Bel treinar, sem pontas e macios. A escola proibia armas, ainda mais as de Angel.
Bel treinou um pouco, e seus amigos chegaram dizendo que iriam falar com Willas. A garota os acompanhou pelos corredores da escola até encontrarem Willas.
— O que vocês querem? — perguntou rispidamente antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa.
— Você sabe o motivo de tudo isso estar acontecendo? Os animais, os olhos negros... — perguntou Bel.
— Quantos anos vocês tem?
— Quinze. — respondeu Lucas.
— Ei, só eu que falo aqui! — exclamou Bel.
— Acho que já está na hora.
— Na hora do que?
— De eu lhes dizer, a verdade de tudo. Me acompanhem, Angel, você principalmente.
— Aonde você vai nos levar?
— Para as profundezas que poucos conhecem da escola, vou lhes mostrar a verdade. O motivo de tudo isto estar acontecendo, o destino de vocês.
— Como assim o nosso destino? Sobre o que você fala?
Willas pegou sua vassoura, varreu uma parte do chão com ela, parou, apoiou-a na parede e por fim disse:
— Ora, e sobre o que mais poderia ser? — Willas exitou, mas por fim disse algo que deixou todos assustados e boquiabertos: — Estou falando da profecia.
Fale com o autor