Bound To You.
1 Prólogo.
Notas iniciais
Melany Diva Mikaelson, vamos começar mais uma aventura?!
Eu realmente não conseguia acreditar que aquele dia tinha chegado. Confesso que dormi mal a noite, completamente ansiosa pelo dia de minha formatura. Todos os meus sonhos tinham se realizado desde quando me afastei do sobrenatural e de Nova Orleans. E quando digo sobrenatural, quero dizer literalmente. Nunca mais tive notícias de Josh, Marcel ou do coven de bruxas do qual eu fazia parte.
O dia tinha amanhecido completamente ensolarado, sem nenhuma nuvem carregada ou negra no céu, contradizendo a previsão meteorológica e aquilo me fez exibir um largo sorriso. Eu bisbilhotava pela janela os jardins da faculdade que eu tinha escolhido, Harvard, enquanto minha colega de dormitório ainda parecia estar em um sono profundo. Não consegui compreender como ela parecia tão tranquila em um dia como aquele.
Me apressei para tomar banho, pois não queria me atrasar para a minha própria cerimônia. Arrumei meu cabelo, trançando todo o seu volume para a lateral direita do meu rosto e coloquei um vestido preto justo em meu corpo, que ficaria escondido pela beca, também preta. Analisei meu visual no espelho por um longo momento e, após ajustar a corda do meu chapéu para o lado contrário de meu cabelo, achei que estava harmonioso o suficiente. Retirei a beca e a pendurei no cabide, não gostaria que ela fosse amassada ou qualquer coisa do tipo e escutei minha amiga acordar, bocejando ruidosamente.
— Você está realmente ansiosa pra isso, Davina – ela falou, sorrindo para mim e tomando meu lugar no banheiro, onde também se arrumou.
Você nem imagina, respondi mentalmente. Nenhum de meus colegas fazia ideia de como foi minha adolescência. Também não deveriam. Por vezes eu os ouvia reclamar de como a vida normal era tediosa e ria ironicamente daquilo. Eles não sabiam o que era uma vida no meio de vampiros, lobisomens e bruxas. Eu mesma quase tinha me esquecido. Já se faziam cinco anos.
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~~ Em Nova Orleans ~~
Klaus caminhava em círculos pelo escritório de sua casa. Tinha sobre a mesa incontáveis cartas endereçadas a ele. Com reclamações da facção humana sobre o constante desaparecimento de turistas e dos lobos sobre um suposto bloqueio na área que costumavam realizar seus rituais de casamento. O híbrido sabia exatamente quem causava essas ligeiras dores de cabeça. As bruxas.
Desde quando ele ganhara o controle de Nova Orleans, elas foram incapazes de aceita-lo e elegerem uma líder, justificando que aquele coven sempre teve as anciãs e não apenas uma, por hora os pequenos desafios foram fáceis de serem controlados, hora por ele ora por Marcel. Punição com a morte mostrou-se eficaz no começo, mas os rumores de uma nova figura de liderança acabava com suas noites de sono. Repentinamente, as bruxas já não temiam ser mortas ou punidas com exílio e os acidentes começaram a tornar-se mais frequentes.
Elijah, que por motivos óbvios, sentava-se na cadeira de líder dos vampiros, carregava consigo uma frequente expressão de desagrado e desaprovação. Em sua opinião, as bruxas deveriam ter sido tratadas como iguais e não como inimigas e agora isto era uma consequência se alianças passadas.
— Nós precisamos fazer alguma coisa, Niklaus – ele falou num tom de quem exigia uma atitude. – Nesta semana oito vampiros do círculo de confiança foram mortos.
— Aparentemente você gosta de apontar o óbvio, irmão – cortou Klaus, secamente. Tomando um longo gole de uma bebida âmbar que ele havia servido para si mesmo. Respirou profundamente e então tornou a falar, com a voz um pouco embargada – O que sugere que façamos?
— O que vocês acham de encontrar uma bruxa na qual podemos confiar? – uma voz feminina familiar ecoou através do silencio dos irmãos Originais. Hayley.
Os dois viraram-se para olhá-la e ela parecia tão jovem quanto antes. Agora representava os lobos como alfa, casada com Jackson e completamente afastada emocionalmente de Elijah – ou era isso que ambos gostariam que acontecesse, que não forçou o contato visual por muito tempo. De fato, o Original pareceu concentrar-se em um botão de sua camisa que insistia em desabotoar-se sozinho.
— Ora, Hayley. Vejo que junto com sua aliança de casamento veio a indiscrição – Klaus criticou, visivelmente irritado por ela ter aparecido sem avisar.
— Perdoe meu irmão, Hayley – Elijah se fez presente, com sua voz firme e confiante, seguida de um sorriso gentil. – Problemas administrativos o deixam de mal humor.
A moça limitou-se a sorrir de volta para Elijah, sabendo que mais cedo ou mais tarde, o híbrido consideraria sua ideia e faria a pergunta que ela esperava ouvir. Ela deu um passo a frente, fechando a porta atrás de si, como se aquilo fosse capaz de impedir a audição aguçada de algum outro ser sobrenatural que pudesse estar naquela casa, cruzou os braços frente o peito e esperou.
— Não consigo pensar em nenhuma bruxa que confiamos – Klaus falou após um longo momento de reflexão, no qual sentou-se na cadeira de frente a sua mesa de trabalho e analisou novamente as cartas dos humanos.
— Nenhuma? – disse Hayley lentamente, como se quisesse estimular a memória do híbrido. – Nem mesmo uma garota da colheita, de alguns anos atrás?
— Davina? – Elijah foi quem se pronunciou, estreitando os olhos para Hayley e ponderando sobre a ideia por um segundo. – Ela deixou Nova Orleans, Hayley. O que para mim é uma mensagem mais do que clara que ela não deseja liderar a própria facção.
Klaus uniu as mãos e apoiou a cabeça nelas por um momento, enquanto escutava o que o irmão mais velho dizia e ouvia o rápido suspirar a híbrida, que preparava-se para falar.
— Ela era uma garotinha assustada. Quem nos garante que agora ela não pensa diferente?
— Não sabemos onde ela está – Klaus murmurou, esfregando as têmporas, como se estivesse com uma terrível dor de cabeça.
Hayley sorriu em resposta, de uma maneira triunfante e, retirou do bolso um pequeno recorte do jornal de Boston. Era uma notícia sem grande importância, mas tinha uma foto da garota que estavam procurando. Ela apertava firmemente a mão de um homem mais velho, com um sorriso confiante no rosto e na escrita dizia que o projeto de pesquisa que ela estivera desenvolvendo para Harvard tinha sido aceito.
— Engano seu, talvez aqui seja um ótimo lugar para começar a procurar – disse a híbrida, depositando a foto sobre todos os outros papéis que Klaus analisava e apontando insistentemente para o rosto de Davina.
— Bom, isto é alguma coisa – Klaus falou, com um brilho de esperança no olhar.
Hayley elevou os olhos do recorte do jornal e os posicionou na direção de Elijah. Ainda buscava conforto no olhar do vampiro que sempre parecia inabalável. Com o tempo, eles afastaram-se físico e romanticamente, conforme a aproximação natural com Jackson acontecia, mas apesar disso, ela ainda sentia como se aquele homem, parado ao seu lado, fosse seu porto seguro, de alguma forma. Ela observou o peito dele subir e descer lentamente, conforme ele inspirava e expirava profundamente.
— Eu irei procurá-la – ele falou tão devagar que era como se tentasse acreditar nas próprias palavras.
— É melhor dizer adeus, Hayley – Klaus brincou, tornando a ficar em pé, agora com um sorriso quase afetuoso. – Da última vez que Elijah foi para Harvard voltou seis anos depois com um diploma em música.
Elijah baixou a cabeça, com um riso suave da piada do irmão mais novo. Era verdade o que ele falava, mas isto acontecera há quase cinquenta anos atrás. Ele quase tinha se esquecido. O original notou que Hayley o olhava com certa admiração, talvez por não acreditar que ele possuísse algum grau de formação superior.
— E você em artes, irmão – ele respondeu tranquilamente, completando num tom mais formal em seguida: — Deixe Marcel no comando enquanto eu estiver fora.
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