Notas iniciais
Olá pesosal, como vocês estão? A Anya me deu um toque dos erros do outro capítulo, então vou ficar mais atenta daqui para a frente, mas acredito que o sistema do nyah bugou a postagem. Desculpa pelo transtorno. Demorei a postar porque me perdi em um jogo de RPG chamado Perfect World, se alguém aí joga, me mande um PM lá: Mekare. Aparentemente, voltamos com os gifs de capítulo! Espero que gostem!

Já era hora de eu confrontar a bruxa malvada que ameaçava tomar o controle do meu coven. Caminhei cemitério adentro, ciente de que a encontraria no local onde sempre havia rituais e reuniões, então foi exatamente para lá que rumei meus passos. Era estranho como naquele lugar eu me sentia em casa e meus poderes simplesmente ficavam mais fortes a cada passo que eu dava, como se os ancestrais aprovassem meu retorno.

Virei a direita e um pouco mais a frente à esquerda. Observei o local a distância segura de dez passos por um momento. Inspirei todo o ar que consegui, enchendo meus pulmões e depois expirei lentamente, só para sentir o torpor que aquilo proporcionava. Entrei na espécie de floricultura que aquele lugar havia se tornado e pude sentir o cheiro das especiarias usadas para fazer os feitiços.

― Já estava na hora de conversarmos sem nenhum vampiro ou lobisomem a nossa volta, não concorda Davina? – ela estava de costas para mim e inicialmente não vi seu rosto. Sinceramente, mal conseguia me lembrar de como ela era.

Ela virou-se lentamente em minha direção e pude observar que sua aparência não era decepcionante. Provavelmente tinha alguns anos à minha frente, seus cabelos eram castanhos, ondulados e compridos demais – na minha opinião. Seus olhos tinham um tom castanho tão amarelado que perguntei-me se ela usava lentes de contato.

Fiz questão de endireitar minha postura e deixar minha coluna completamente reta, olhá-la nos olhos com firmeza.

― O que você quer em Nova Orleans? – perguntei diretamente.

Ela exibiu um meio sorriso, onde somente um lado de seus lábios realmente moveu-se. Uniu a ponta dos dedos das mãos, formando um triângulo perfeito. Não sei exatamente o motivo, mas aquela reação fez os pelos de minha nuca eriçarem.

― Não é óbvio? – respondeu-me com serenidade. – Tenho conhecimento que você entrou em contato com Dhalia através do receptáculo.

― Você trabalha com Dhalia? – perguntei, quase imediatamente. Meus pensamentos fixaram-se na família Mikaelson e pensei em Hope, com um pouco de pena.

Ouvi uma risada suave, mas os lábios dela não moveram-se. Sequer seu tórax movia-se para respirar. Toda aquela situação era mórbida. Senti uma brisa suave mas, ironicamente, ela veio carregada de magia. Algo poderoso, antigo e escuro. Cruzei meus braços com o frio instantâneo que me causou e só então compreendi. Ela, aquela garota, não trabalhava para Dhalia, era a própria. Deixei que meu espanto transparecesse, mascarado com uma expressão de surpresa discreta.

― Então você compreendeu, criança – ela me disse com a voz soando com os mais de mil anos que tinha. – Se me permite, explicarei antes mesmo que possa fazer qualquer pergunta. Este corpo não é o ideal para mim, não é forte o suficiente, não comporta minha magia.

― E Hope, uma criança, é o receptáculo perfeito para você? – perguntei, elevando minha sobrancelha delicadamente e observando-a dar alguns passos em minha direção. Aproximou-se o suficiente para tocar minha mão, eu não me esquivei do toque. Queria ver até onde, exatamente, aquela bruxa queria chegar.

― Ela não é nada além de um receptáculo. Assim como o corpo de Dhalia, a irmã da Esther, também foi – ela explicou-me calmamente e apesar de todo aquele esclarecimento, eu pude notar que ela me daria só o suficiente e nada além, por isso me atei ao silêncio. – A idade não importa, na verdade, quando ela completar sete anos estaria perfeita para mim.

― O que? – perguntei, incrédula e retirei minhas mãos das dela. Aquilo tudo não fazia sentido. – Mas, a lenda diz...

― A lenda é uma lenda – ela me cortou, com a voz ligeiramente mais fria e então me encarou firmemente. Notei que ela pensava bem no que me diria e parecia um pouco decepcionada, talvez por eu ter puxado minhas mãos tão bruscamente. Essas entidades velhas eram coisas fáceis de ofender. – Eu não tolero traições, Davina e vim para Nova Orleans com intenção de ficar. Então, eu ofereço a você duas opções: junte-se a mim ou escolha a família Mikaelson e apodreça com eles.

Eu não tinha previsto aquela ameaça clara. Novamente aquela brisa gélida, carregada com o tipo de magia que Dhalia – ou sei lá qual o nome real daquela coisa era – usava. Dei um passo confiante na direção dela, ficando próxima o suficiente para que meu sussurro fosse ouvido facilmente.

― Você não me assusta.

Não fiquei esperando para ver qual seria a reação daquela mulher. Virei minhas costas e caminhei na direção oposta decididamente e apesar de meus passos serem apressados, eu fiz o melhor para não parecer apavorada, pois eu realmente estava. Passei por algumas garotas mais novas, bruxas é claro. Parei subitamente, pausando meu olhar em cada uma delas por uns segundos, até que senti que minha voz não falharia.

― Então é a isto que vocês decidiram unir-se? Magia mais antiga e mais negra do que qualquer uma de nós já tivemos o desprazer de conhecer? – nenhuma delas pareceu corajosa o suficiente para responder. Pelo contrário, pareceram envergonhadas.

Voltei a caminhar e desta vez só parei quando estava do lado de fora do cemitério. Senti meu celular vibrar insistentemente em meu bolso, mas não dei atenção. Precisei de um tempo para estabilizar minha respiração. Recostei-me sobre o metal das grades do cercado, olhando para a placa que continha seu nome. Era irônico que aquele mesmo cemitério fora tema de tantos livros sobrenaturais e que minha vida estava tão ligada a ele.

― Davina! – ouvi a voz de Josh praticamente gritar meu nome do outro lado da rua e senti meu coração acelerar com o susto que levei. Ele correu até mim e me envolveu em um abraço apertado antes que eu pudesse dizer que ele tinha me assustado. – Eu estava com muita saudades!

― Oh, Josh! – eu sussurrei, apertando um pouco meus braços ao redor dele. – Eu também estava.

― Por que não vamos tomar alguma coisa no Russeault? – ele perguntou animadamente, provavelmente não notando que tinha me pego desprevenida. Aceitei com um aceno de cabeça e caminhamos durante todo o percurso de braços dados.

Ele fez a gentileza de esclarecer alguns pontos cegos em minha cabeça sobre a nova administração de Nova Orleans. Klaus realmente tornara-se rei, Elijah era o líder dos vampiros – o que explicava seu ego um pouco mais inflado do que o normal e Hayley era responsável pelos lobisomens. Rebekah tinha deixado a cidade de vez pouco tempo depois de mim e retornava ocasionalmente para visitar a sobrinha.

― Então, como é trabalhar para Elijah? – perguntei tranquilamente, com um sorriso estampado em meu rosto e eu nem notava que o exibia. Tomei um gole pequeno de minha bebida, uma mistura de gim e Sprite.

― É bem organizado – ele respondeu, pensativo e aquilo me levou a crer que a organização não o agradava.

― O que foi? Não gosta da gerência? – perguntei, ironizando a situação com o melhor de meu humor negro.

― Não é bem isso, é que com Elijah... Os vampiros do círculo interno vivem em uma ditadura – Josh respondeu e eu lancei um olhar ao seu anel do Sol. Pelo o que tudo indicava, ele pertencia ao grupo de confiança.

― Isso é um saco – respondi, apoiando minha mão no ombro dele e sorrindo generosamente. Josh sorriu de volta, como se aquele pequeno gesto fosse suficiente para consolá-lo. – Um brinde à chefes chatos.

Ele levantou o copo com whisky. Parecia ser um tipo de vício vampírico beber aquela bebida especificamente. Quando encostamos nossos copos, ele falou alegremente:

― Um brinde ao seu retorno! – tomamos um rápido gole. O meu maior que o dele e então, Josh continuou: — Isso me faz pensar... Tecnicamente você também trabalha para ele, não é?

― Acho que eu trabalho mais para mim mesma – respondi, dando de ombros.

Um minuto de um silêncio profundo ocorreu. Onde nenhum de nós dois precisamos realmente falar. Aproveitávamos a companhia um do outro, reduzindo um pouco da porcentagem de saudades que era mútua. Josh terminou sua bebida enquanto ainda tinha uns três goles da minha sobrando no copo. Senti meu celular vibrar novamente e, revirando os olhos retirei o aparelho do bolso e verifiquei a tela.

Algumas ligações perdidas e uma mensagem de voz, deixadas por minha melhor amiga de faculdade, Alexis. Confesso que aquilo me fez perder o ar por um segundo, lembrando-me da ameaça de Dhalia. Seria ela rápida, cruel e tão sábia ao ponto de conhecer e atingir Alexis para provar que tinha um objetivo?

― D, está tudo bem? Seus lábios ficaram brancos de repente. A bebida está muito forte? – ouvi Josh tagarelar ao meu lado, próximo de minha orelha, enquanto bisbilhotava o visor de meu celular. Não compreendi exatamente tudo o que ele havia dito, estava preocupada demais presa em meus pensamentos temerosos. – Sabe, acho que ainda não existe a tecnologia de atender chamadas só porque encaramos o celular.

Elevei meus olhos na direção de meu melhor amigo vampiro após processar o que ele tinha dito. Revirei meus olhos teatralmente, fingindo impaciência e atendi.

― Oi, A. Está tudo bem?

― Estou ótima, D. Quero saber seu endereço – a voz de Alexis era praticamente exigente. Do tipo de tom que eu não conseguiria dizer não, apesar de toda a minha força de vontade para fazê-lo. – Estou a caminho de Nova Orleans e pensei em dar uma passada para dizer um Oi.

Talvez ela ficasse apenas um dia ou dois, mas aquilo era algo que eu precisaria perguntar. E foi o que fiz.

― Vai ficar quantos dias? – perguntei de uma maneira tão direta que pareci rude, mas não tive tempo para me desculpar, já que minha amiga apressada respondeu-me no segundo seguinte. Tudo o que fiz foi observar a expressão ligeiramente perplexa de Josh.

― Uau, que grosseria. Tudo bem, eu entendo. Seu chefe super gostoso deve estar dando o maior trabalho, não é? – ela disse, com a voz carregada de malícia e por algum motivo desconhecido eu corei. – Qual é, não fique em silêncio. Me dê seu endereço e me diga que você já levou aquele gato pro seu apartamento.

É claro que já levei, mas não do jeito que está imaginando. Eu pensei, sentindo minhas orelhas queimarem. Ela era exatamente daquele jeito 24 horas por dia e todos os dias da semana. Olhei para Josh e ele rapidamente me perguntou: Ela está falando de Elijah? Fazendo mímica com os lábios.

Pare de ouvir! É particular! Respondi com a mesma mímica e ele elevou as mãos num sinal de rendimento

Passei o endereço de meu edifício só para que pudesse me livrar daquela conversa constrangedora que Josh fazia questão de escutar.

― Ok, então. Vou chegar aí lá pelas sete, vê se prepara algum lugar legal para irmos. E se quiser convidar aquele cara. Sabe, eu ainda não consegui esquecer aquela formatura. Talvez o seu segundo quarto esteja vago... Ou o sofá mesmo...

― Até mais tarde, A – respondi apressadamente, com um tom infeliz na voz e a ouvi rindo do outro lado da linha, enquanto eu desligava o celular, envergonhada. Olhei para Josh, que parecia conter um riso com todas as suas forças. – Então, temos uma festa hoje a noite?

― É claro. Será em um salão particular, mas consigo os convites para você. Por favor, não me diga que ela estava falando de Elijah – ele falou rápido, fazendo-me rir com sua expressão. – Quero dizer, o cara é gato, mas...

― É um ditador vampiresco – completei zombeteira, me perguntando porque aparentemente todos achavam Elijah um deus grego.

― Então concorda que ele é gato? – Josh perguntou, elevando uma sobrancelha na minha direção.

Eu sustentei seu olhar com firmeza, não era aquele tipo de pergunta que me faria perder a confiança.

― É claro, ele tem o seu charme – respondi, vendo a imagem de Elijah nitidamente em minha cabeça. – Mas não faz o meu tipo.

― É claro – Josh concordou de uma maneira sarcástica. – Deve ser por isso que ficou vermelha feito um tomate quando ela perguntou se ele já esteve em seus lençóis. – Ele fez uma pausa, como se pensasse, ou julgasse, alguma coisa e, ao concluir algum pensamento, olhou-me com os olhos esbugalhados – Vocês não...

― Oh meu Deus! É claro que não! – respondi, cortando-o.