Notas iniciais
EI ASSISTAM O TRAILER DA FIC: https://www.youtube.com/watch?v=AU3OIXEvqcM&feature=youtu.be Olá pessoal, como vão? Espero que bem! Eu dei uma sumida, né? Desculpem! Estou programando a postagem pra daqui 30 ou 40 minutos (agora são 17:45), que é quando eu pretendo terminar de responder seus reviews e fazer a imagem de tradução do título! Muito obrigada a TODOS que comentaram, vocês são muito especiais pra mim e pra história, saibam disso ok?

O grande óculos preto no rosto da garota fazia ela ter um aspecto quase sombrio. O que completava era a roupa preta. Ela sentia-se em luto por deixar aquela cidade para trás. Ali aconteceu seu primeiro encontro e sua primeira vez de muitas coisas. Foi naquele lugar que Davina teve a chance de ser normal.

Com ajuda do taxista Davina entrou no aeroporto duas horas antes do voo arrastando suas duas grandes malas. Ela se sentia dolorida. Tanto pela noite mal dormida quanto por saber que não poderia mais ter contato com seus amigos. Ao praticar novamente magia ela envelheceria mais devagar e como não podia envolver mais ninguém, do jeito que Pedro fora envolvido, era melhor deixar tudo para trás.

Mas isso não a fazia se sentir melhor. Não mesmo. Só se sentia novamente fugindo de algo que amava.

Ela se sentou em um dos bancos duros esperando seu voo ser anunciado. Uma hora passou tão rápido que quando ela sentiu alguém se sentar do seu lado quase pareceu acordar de seu pequeno transe.

– Parece chateada. – Ela poderia até revirar os olhos para o comentário de Elijah. Mas ele não veria, por isso nada falou, nem sequer sentiu vontade de falar com ele. – Nova Orleans está bem mais calma, como nem Marcel a deixou. – Continuou o vampiro se sentindo piedoso pela face entristecida dela. – Falando em Marcel, ele está com saudades de você.

– Ou talvez de ter uma bruxa do seu lado. – Cortou ela duramente, se lembrando do vampiro negro carismático que, querendo ou não, fazia ela se sentir segura e cautelosa ao mesmo tempo. – Olha Elijah, eu estou cumprindo minha parte e espero que acabe tudo bem. Mas se não acabar, quero que saiba que uns… Setenta por cento da culpa será sua.

O sorriso zombeteiro repentino que Davina exibiu fez Elijah erguer uma sobrancelha, não acreditando na audácia da jovem mulher, mas não podia negar que achou engraçado.

― E em qual sentindo você está, especificamente, querendo me culpar? – Perguntou ele deixando suas costas serem barradas pelo acento. – Na categoria de coisas a darem errado, é claro.

– Eu morrer. – A forma que Davina falou aquilo, sem emoção, foi como se não houvesse problema nenhum se aquilo acontecesse. – Não é como se muitos fossem chorar não é?!

Antes de Elijah saber o que falar, ela se levantou, jogando a alça da sua bolsa no seu ombro, pegou sua passagem e se dirigiu ao portão de embargue. Ele não tinha notado que o voo estava sendo anunciado há bons dez minutos, de modo que assim que constatou aquele fato, levantou-se segurando firmemente sua passagem e seguindo Davina de perto. Aquelas palavras deixaram ele estranhamente curioso. Será que ela realmente se sentia daquele jeito? Será que no final do dia ela não tinha ninguém a quem chamar de amigo?

É claro que ele pagou pelas duas passagens e nada menos do que a classe alta era esperada de um homem com tanto bom gosto, de modo que os dois sentaram-se lado a lado nas poltronas do canto do avião. Davina pegou o lado da janela, de modo que sobrou para o vampiro o corredor. Ele não poderia reclamar, as pessoas que costumavam ir naquela classe nunca eram um problema potencial.

Davina não falou a viagem inteira durante as longas três horas. O que deixava o vampiro ao seu lado convencido de que ela precisava de um tempo para se desligar do que tinha criado no tempo fora de Nova Orleans.

Elijah, decidido a ser um pouco mais amistoso quando chegaram na cidade, se propôs a pegar as malas dela, pedindo que Davina esperasse no carro. Quando finalmente entrou no carro a viu respirando com dificuldades.

– Davina, tudo bem? – Perguntou ele, visivelmente interessado em uma resposta direta.

Mas era óbvio que não estava. Ela suava frio encarando o nada através janela do carro no estacionamento.

– Tudo – Sussurrou a jovem bruxa com as mãos fechadas em punhos. – É só a magia voltando.

– Quer alguma coisa? Um pouco d'água por exemplo? – propôs ele, educadamente, compreendendo que a magia voltada com poder suficiente para causar dor na jovem mulher ao seu lado.

– Fale alguma coisa. – Pediu ela, vendo ele começar a ligar o carro. As sobrancelhas do vampiro se uniram quando ele a encarou. – Eu só preciso ouvir alguma coisa… – Ela gemeu antes de morder com força seus lábios e colocou sua mão na cabeça como se ela fosse explodir a qualquer momento. – Alguma história que me distraia! Porque parece que meu sangue está fervendo.

Elijah tamborilou seus dedos no volante, pensando em algo.

― O livro preferido de Hope é Harry Potter. – Ele não sabia porque falou aquilo. Era muito pessoal, na sua opinião, falar qualquer coisa sobre Hope, mas aquilo fez Davina sorrir e suspirar, como se encontrasse um pouco o controle. – Ela não gosta dos filmes, prefere os livros.

– Essa é das minhas. – Comentou a bruxa sentindo seu corpo ficar um pouco mais frio. Porém a pontada na cabeça ainda era dolorosa e intensa. – E o que mais?

– Ela sonha em ser uma veterinária, mas antes disso era uma… – Elijah perdeu a palavra, coisa rara, mas a sobrinha vivia mudando de sonhos, o que deixava ele um pouco perdido as vezes. – Eu não lembro exatamente... Acho que era relacionado a um livro. Sobre uma garota e suas tartarugas.

– Bióloga? – Sugeriu Davina sentindo um sono repentino. Seu corpo havia recebido uma quantidade alarmante de magia, que ela podia jurar que a sentia em cada poro, como um peso extra recebido em poucos minutos.

– Não, sereia – disse ele, com um estalo dos dedos, como se lembrar a palavra lhe causasse um tipo de satisfação.

Aquilo fez Davina gargalhar. Como uma topada ela fechou os olhos depois, se deixando cair no sono. Elijah observou com atenção o contraste do rosto dela nada infantil. Ponderou por um momento o quão diferente ela estava, não só fisicamente mas também psicologicamente. Lembrou-se do momento em que ela o enfrentou naquele bar, fazendo-o gastar uma bela quantia em dinheiro para pagar os martini’s para cada pessoa no local e, dias mais tarde, aquele singelo soco em partes sensíveis. Apesar de perder a magia, ela não tinha perdido a coragem e a audácia necessária para enfrentar um vampiro original.

Ele exibiu um sorriso mínimo de satisfação, não podia negar que a admirou por ter se tornado aquela mulher. Mulher... Ele saboreou a palavra por alguns segundos, ouvindo o ressoar da respiração dela. Pela primeira vez desde que a vira tinha usado aquela palavra para designá-la, ao invés de garota. Balançou a cabeça para os lados, tornando a focar os pensamentos em pontos mais importantes, como o posto que ela deveria assumir em Nova Orleans, voltou a prestar atenção no trânsito e seguiu para a antiga casa de Davina.

Ele dirigiu por quase uma hora, pelo trânsito caótico de uma cidade turística. Observando os humanos caminharem tranquilamente pelas ruas atrativas do Quarter. Seus olhos correram para Davina. Era aquilo que ela desejava. Turistar pelo sobrenatural, não fazer parte dele. Inspirou profundamente, lembrando da época em que Esther ofereceu a ele uma vida normal, onde ele poderia ter filhos. Lembrou-se do quão tentador aquela oferta era, até mesmo para ele.

― Davina – ele chamou num sussurro, não queria que ela acordasse sobressaltada. – Chegamos.

Davina despertou lentamente de um sono sem sonhos, sentindo-se ligeiramente melhor. Sua cabeça ainda doía um pouco, mas já sentia a magia mais controlada dentro de si.

― Nos vemos em breve – aquilo foi o melhor que ela pode dizer para o vampiro sentado ao seu lado. Não estava com humor para conversar.

Ela saiu do carro rapidamente e pegou suas malas e subiu para o apartamento que costumava a dividir com seus pais. Por sorte, ela decidiu não o vender já que usava a renda do aluguel para manter-se em Boston. Suspirou. Teria muito trabalho a fazer.

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Uma vez de volta a sua casa, Elijah apressou-se para colocar em dia o que estava acontecera na cidade em sua ausência, mas não conseguiu entrar em contato direto com Marcel. Abriu a porta de sua geladeira, almejando uma boa bolsa de sangue, mas também não as encontrou. Esfregou dois dedos entre as sobrancelhas, aquilo deveria ser alguma piada.

― Mau humor, irmão? – Klaus perguntou, com um copo cheio de whisky na mão e uma expressão zombeteira no rosto.

― Pode se dizer que sim – Elijah respondeu. – Onde é que estão minhas bolsas de sangue?

Klaus deu de ombros, ainda sustentando aquela mesma expressão zombeteira. Goleou sua bebida e pousou o copo ainda pela metade no balcão.

― Três dias foram necessários para que você trouxesse a bruxinha de volta à cidade. Alguma previsão de quanto tempo levará para que ela assuma o poder?

Elijah lançou a Klaus um olhar superior como resposta, decidindo que procuraria outra fonte de sangue para sanar sua sede. Fez um gesto negativo com a cabeça e deixou o híbrido sozinho na cozinha, conforme retornava ao seu carro e dirigia em direção ao local que ele sabia que estaria abarrotado de turistas.

Uma vez lá, ele acompanhou silenciosamente um grupo que seguia uma bruxa. Ela o viu e não pareceu nada feliz pela presença do Original, mas não ousou desafiá-lo. Continuou guiando os turistas por Nova Orleans, até chegarem no Bayou, onde pararam para almoçar, já que a maioria dos humanos presentes estavam cansados pela gigantesca caminhada.

― O que você faz aqui? – ela perguntou, assim que o grupo afastou-se e eles não podiam mais ser ouvidos.

― Davina Claire está de volta à cidade e o seu coven terá a líder que vocês precisam – Elijah respondeu, desviando os olhos para a margem do rio.

― Nós já temos uma líder, Elijah e não recebemos ordens de vampiros – ela respondeu prontamente, com um desafio.

― Isso é o que vamos ver.