Bound To You.
22 21. Transition
Notas iniciais
Alexis
Acordei com a sensação de estar flutuando e para mim isso não era nada bom. Abri meus olhos lentamente, unicamente para contemplar um ambiente desfocado e uma luz tão forte que parecia estar me cegando. Minhas gengivas doíam, eu sentia sede e uma terrível dor de cabeça.
― Alguém pode apagar a luz, por favor? – eu pedi, colocando minha mão na direção da lâmpada em busca de algum abrigo. – Está machucando meus olhos.
― Você se acostuma – ouvi a voz de Klaus, rabugenta, do meu lado esquerdo e congelei. Sabia que deveria atuar quando próxima ao vampiro. Escutei uma risada fria, que associei ser da mesma pessoa que havia falado comigo. Eu estava confusa. – Não precisa fingir mais, meu querido irmão me colocou a par da situação enquanto vocês voltavam para cá.
Senti meus músculos relaxarem um pouco depois de ouvir aquilo e depois alguém entrelaçou os dedos nos meus. Aos poucos minha visão retornava ao foco certo, então pude ver ainda de forma embaçada o contorno do rosto de Davina e seus volumosos cabelos castanhos.
― Alexis, você está em transição. Consegue compreender o que isso significa? – Não era minha melhor amiga que dirigia a palavra a mim e sim ninguém menos que Elijah.
Fiz um aceno positivo com a cabeça, me sentindo moribunda por ter tantas pessoas ao meu redor, como se estivessem me velando.
― Estou me transformando no que você é – eu confirmei.
― Ótimo, agora que já sabemos que ela está em pleno controle de suas faculdades mentais, devo perguntar, quem fez isto a você? – Klaus cortou rapidamente o clima de velório e o deixou tenso, como em filmes de desvendar homicídios complicados.
Forcei minha cabeça para me lembrar o que tinha acontecido comigo, mas tudo o que eu conseguia pensar era que eu estava morta. De algum jeito viva, mas ainda assim morta. Aquilo era muito perturbador. Sentei-me na cama de uma só vez, sentindo minha cabeça rodar e pude ver tudo em dobro por um momento.
― Klaus, relaxa. Temos tempo para isto – Davina repreendeu de forma dura. – Como você está?
Virei-me na direção de minha melhor amiga, sentindo minha visão voltar instantaneamente ao normal quando foquei-me em sua veia saltada no pescoço. Nunca desejei tanto mordê-la. Agora conseguia entender o que Elijah havia dito sobre o gosto de sangue, só a simples ideia já me dava água na boca.
Olhei na direção do vampiro, que agora estava flanqueando Davina protetoramente e com uma expressão de desaprovação para mim.
― Estou faminta! – confessei, precisando de toda minha força de vontade para desviar os olhos do pescoço de Davina.
― Você precisa decidir o rumo que vai tomar – Elijah falou de uma forma suave. – Irá ou não se transformar?
Eu hesitei para responder. Aquela não era uma decisão fácil, nunca seria. Ter que escolher entre ser uma morta viva ou simplesmente morta, aquilo era uma questão e tanto a ser respondida.
Devo confessar que nunca me imaginei em uma situação dessas. Eu era Alexis D’Nerry, nunca levei nada muito a sério na vida, nem mesmo namorados. A única coisa que me importava era aproveitar enquanto tinha tempo, eu nunca sequer gostei de histórias sobre vampiros, nunca li uma. Achava tudo aquilo exagerado demais e, no entanto, a vida me provou que era possível e que o drama era pior. Eu estava me transformando em um. O karma é uma vadia.
Enquanto eu ponderava em silêncio sentia os olhares ansiosos sobre mim. Klaus estava recostado na parede as minhas costas. Davina ajoelhada na minha frente e Elijah em pé protetoramente ao seu lado. Se eu me transformasse ele seria um tipo de pai? Não, eu não podia aceitar ter um pai como aqueles. Apesar de que ele não me olhava amavelmente, como um pai deveria. Seu olhar era superior, quando dirigido a mim e quando ele olhava para Davina, aquele tom castanho ganhava um brilho quase tão sobrenatural quanto sua idade.
― Eu... – ensaiei dizer, mas não consegui decidir.
Klaus caminhou para o lado do irmão mais velho e só então eu vi como ele poderia ser charmoso com aquele olhar mal. É claro que a beleza dos Mikaelson parecia ser hereditária, já que Rebekah também era uma mulher linda e, talvez em outra ocasião, ela me pareceria mais interessante do que os irmãos mais velhos.
Tudo naquele quarto era motivo de distração para mim, de modo que depois de um longo período de silêncio eu me peguei pensando sobre o realismo de um quadro que estava torto em uma parede e depois refleti sobre o sangue em minhas roupas.
― Não temos o dia inteiro, nem mesmo você tem – Klaus me repreendeu, fazendo minha cabeça voltar ao que importava. – Se não decidir logo vai acabar morrendo de verdade desta vez.
Arregalei os olhos para ele, depois olhei para Davina e por último para Elijah. Inspirei e expirei duas vezes de forma lenta, sentindo uma forte pontada em minha gengiva.
― Eu quero completar a transição – declarei finalmente, torcendo para não me arrepender nos próximos cem anos.
― Finalmente! – Rebekah exclamou, simplesmente abrindo a porta do quarto e segurando uma bolsa de sangue em suas mãos com um canudinho pendurado. Aquilo seria cômico se não fosse trágico. – Pensei que iriamos esperar mais mil anos antes que você fosse capaz de decidir.
Ela entregou a bolsa em minhas mãos e tudo o que eu fiz foi observar o sangue, sentindo minha boca salivar.
― Pode beber quando quiser – Elijah apressou de uma maneira tão sutil que se não fosse por seu tom eu não teria percebido.
Levei o canudinho a boca e suguei o primeiro gole. O gosto era fantástico, mesmo que frio. Eu sabia que desejava algo quente, mas aquilo era tudo o que eu teria, então tomei o máximo que pude em três goles.
Minha cabeça parou de doer, minha gengiva pinicou conforme dois caninos superiores deslizavam para baixo, perigosamente afiados. Senti minha visão se potencializar, assim como minha audição e ligeiramente meu olfato. Ouvi o coração de cada um dos vampiros a minha volta e de minha melhor amiga bruxa a minha frente.
Davina se levantou e rapidamente Elijah entrelaçou a cintura de minha amiga com um braço. Eles formavam realmente um casal legal e pareciam ter finalmente assumido que gostavam um do outro. Tomei mais um gole de sangue, senti meu rosto formigar com veias saltando por baixo de minha pele ao redor dos olhos e toquei aquela região para sentir a textura. Era maravilhoso.
― Seus sentidos e sentimentos estarão aumentados constantemente daqui em diante, por isso cuidado ao sentir raiva – Rebekah recomendou com uma piscadela travessa.
― Escute o que ela diz, é perita em por fogo nas coisas quando algo a desagrada – Klaus comentou minimamente.
― Vou deixar vocês duas a sós – Elijah comentou educadamente, fazendo daquele momento a deixa para que Rebekah e Klaus saíssem do quarto junto com ele e me deixassem a sós com Davina.
Ela esperou todos os vampiros saírem para finalmente sentar ao meu lado e falar comigo como costumávamos.
― Agora você faz parte de toda essa loucura que eu estive tentando te manter distante.
― Não é sua culpa, D. As bruxas são espertas... – hesitei para falar no assunto de minha morte, mas então decidi que deveria desabafar. – Elas me pegaram na saída, queriam que eu dissesse a localização da casa, queria que eu traísse os Mikaelson e você. Eu não poderia.
Davina segurou firme em minhas duas mãos, olhando fixamente para meu rosto.
― Não se preocupe, ninguém jamais culpará você pelo acidente. Além do mais, Elijah irá admirar sua lealdade, ficará eternamente grato a você e é claro que ter um Original em dívida é ótimo – ela sorriu meio que para me animar.
― Estou feliz por estar viva, D – confessei. – Pensei que não sobreviveria, mesmo com o sangue dele em minhas veias...
Davina me abraçou e eu pude sentir o cheiro de seu sangue e ouvir o pulsar de seu coração. Todos os meus músculos se contraíram de forma tensa, eu queria mordê-la e foi preciso todo o meu auto controle para não fazê-lo.
― Você vai se acostumar com o tempo com o cheiro de sangue, A – ela me consolou assim que se afastou de mim. – Será uma grande vampira, tenho certeza. Não se preocupe com Dhalia, descobri um jeito que fará com que ela nos deixe em paz para sempre.
― E eu quero ouvir tudo sobre o plano – respondi. – Mas primeiro, eu acho que tem um vampiro original doido para um minuto do seu tempo.
― Não. Elijah não se importará em esperar mais um ou dois minutos – Davina insistiu, mas quando abriu a boca para falar novamente, Klaus e todo o resto entraram novamente no quarto.
É claro que o namorado de minha amiga – ou sei lá que tipo de relação uma bruxa e um vampiro poderiam ter – parecia preocupado por deixa-la sozinha comigo, mas não tornou a se aproximar daquela forma protetora de antes, ficou à direita de seu irmão híbrido Klaus e Rebekah à esquerda.
― Não temos tempo para forjar um anel do sol e levando em consideração que ele também não funcionará, vamos ao que interessa – apesar de o quarto não se parecer nada com um ambiente de reuniões, ele estava se transformando naquilo.
Repentinamente senti falta da mãe de Hope, a qual eu não me lembrava bem o nome ou sequer o rosto, mas não pareceu incomodar mais ninguém então me mantive em silêncio enquanto Klaus fazia uma pausa teatral para unir os dedos da mão em uma triangulo na frente de seu nariz.
― Alexis, precisamos saber quem causou sua transição – ele insistiu mais uma vez e agora Davina não o contradisse, mas bem parecia que ela queria fazê-lo.
― Bruxas. Elas queriam que eu falasse a localização da casa em que estávamos – falei lentamente. – Acho Dhalia está de volta.
― Ela está – Davina me apoiou, atraindo os olhares para ela. – Onde eu estive todos os dias fazíamos sessões para localizá-la e logo notamos que o espírito não estava mais vagante.
Klaus lançou um olhar acusatório para o irmão mais velho e eu não entendi exatamente o clima que se formava, Davina ficou rapidamente endurecida, como se estivesse em alerta, até que o híbrido finalmente falou.
― Nós precisamos de um novo plano – um sorriso presunçoso formou-se no rosto de minha amiga ao ouvi aquilo – E também precisamos da mãe de Hope aqui – Elijah pareceu incomodar-se com aquilo. – Hayley ficará com um humor assassino ao saber das mais novas notícias.
― Sugiro uma reunião amanhã – Elijah finalmente falou. – Sei que está trabalhando na impermeabilização ultravioleta do complexo, irmão, então não temos motivos para adiá-la para noite.
Klaus concordou com a cabeça ao passo que eu ainda tentava entender o que Elijah estava dizendo com impermeabilização ultravioleta.
Davina
Eu sabia exatamente o que ele estava fazendo, para minha surpresa, talvez eu estivesse começando a entender como Elijah agia. Depois da transformação de Alexis, eu sequer tinha conseguido deixar o complexo, mas a contrapartida era que nunca me senti tão sozinha. Ele estava me dando tempo, eu sabia disso e provavelmente mantivera seus irmãos afastados também.
Estava sentada em frente a uma das muitas lareiras do complexo. Aquele lugar era definitivamente um lar de lareiras, quase todas as salas importantes tinham uma com madeira queimando e esta não era diferente. Tinha tomado a liberdade de preencher um copo de absinto, na esperança de que a bebida extremamente alcoólica me ajudasse a digerir o fato de que minha melhor amiga agora era uma vampira. Não que eu quisesse fazer drama pelo assunto, antes vampira do que morta, é claro, mas aquilo era exatamente o que eu sempre temi quando expus a ela a verdade sobre quem eu sou.
Senti, mesmo sem olhar para trás uma presença e por um segundo meu coração bateu mais calidamente, quando pensei que Elijah tinha decidido confortar-me. Eu apreciaria um abraço aconchegante daquele vampiro, mas logo eu notei que não era o irmão nobre que me observava em silêncio.
― Olá, bruxinha – Klaus me cumprimentou, nada em seu rosto denunciava segundas intenções, então não o provoquei. Balancei minha cabeça em retorno e os olhos azuis do híbrido original deslocaram-se para minha companheira do momento, a bebida. – Abriu uma das garrafas mais antigas de Elijah, imagino que haja um problema ou algo preocupando você.
Eu o analisei por um minuto. Klaus não fazia o tipo que se importava com o que as pessoas pensavam ou com problemas que não os dele. Dei de ombros quando finalmente desisti de analisar sua face lívida e falei, num tom baixo.
― Alexis agora é uma vampira, talvez isto seja um problema maior para mim do que é para você.
― Talvez isto sequer devesse ser um problema – Ele deu alguns passos à frente, permitindo que a fonte de luz da lareira iluminasse seu rosto alvo. Ali não havia nada, mas pude sentir a singela sugestão em sua frase e aquilo não me agradou.
― O que deveria ser um problema, em sua opinião? – Perguntei, disfarçando meu desdém com ironia.
Para mim era simplesmente impossível aturar a presença de Klaus por muito tempo. Nunca havia uma boa intenção quando ele se dirigia a mim, era assim desde quando eu tinha dezesseis anos e agora, pelo pequeno sorriso que ele sequer era capaz de conter, eu soube que certas coisas não mudavam.
― A forma como ela foi transformada, bruxinha – Ele estimulou, com a voz cinicamente suave. O bastardo tentava me manipular.
― Está querendo plantar dúvidas em minha cabeça a respeito de Elijah. – Afirmei, como quem dá um veredito em um tribunal. Agora foi a vez de Klaus dar de ombros.
― Só estou querendo dizer que Elijah ofereceu seu sangue a ela espontaneamente, antes de ela ser atacada, talvez... – Ele hesitou, queria que eu continuasse seu raciocínio lógico que para mim não fazia o menor sentido.
É claro que Elijah não tinha me contado aquela parte da história, mas não cabia a mim julgá-lo, eu o evitei desde quando retornei à superfície e precisava ficar sozinha. Tudo o que aquele vampiro tinha feito foi respeitar-me. Franzi o cenho na direção de Klaus, fingindo que pensava no que ele havia dito.
― Elijah não me contou isto – Falei de maneira confusa, desviando meus olhos dos de Klaus, fingindo morder sua isca diabólica e então voltei a olhá-lo, como quem procura desesperadamente por ajuda. – Acha que Elijah planejava transformar Alexis todo este tempo?
― Não sei o que meu irmão pretendia, Davina. Mas acredite, Elijah é capaz de coisas que você sequer imagina – Klaus me alertou e no segundo seguinte pareceu desfocar sua atenção de mim.
― O que quer dizer? – Perguntei prontamente, olhando para o mesmo local que o híbrido olhava, além da porta da sala agora escura em que estávamos.
Eu sequer tinha notado que o dia estava acabando e que a única fonte de luz era a lareira, que dava a nós um clima estranhamente bruxuleante.
― Pergunte a ele como nos reencontramos em Mystic Falls – Klaus falou e quando dei-me ao luxo de piscar, ele desapareceu.
É claro que por um lado, eu tinha mordido a isca. Algo em minha mente começou a desconfiar de Elijah e por mais que me deixasse infeliz, eu não podia fazer muito a respeito. Suspirei, balançando meu copo e observando a bebida esverdeada e com cheiro forte de ervas rodar em sentido horário. Havia um feitiço. Se Elijah bebesse, ele entregaria a mim seus segredos, mas não o fiz. Não me tornaria algo semelhante a Klaus, preferi simplesmente deixar o feitiço de lado e engolir a bebida que praticamente evaporou assim que tocou minha língua. O sabor do álcool era forte e eu já tinha me desacostumado. Tossi com força, engasgando momentaneamente. Meus olhos marejaram e uma lágrima escorreu. Eu a sequei rapidamente e tornei a olhar em direção a lareira.
― Quer conversar sobre tudo isto? – Eu pulei da cadeira, com o coração acompanhando meu ritmo acelerado pelo susto. Elijah sabia como ser sorrateiro, eu sequer tinha notado sua presença.
― Não – Respondi prontamente, sem olhar para ele. – Não há palavras que farão com que eu compreenda que minha amiga se tornou efeito colateral de uma guerra entre bruxas e vampiros.
Talvez eu tivesse sido ácida demais. Ele ficou em um silencio sepulcral que quase me fez olhá-lo, mas resisti a pequena tentação de contemplar o rosto que, na minha mais humilde opinião, era belíssimo.
― Deixe-me tirar você daqui – Ele pediu e eu soube que sorria, sua voz mudou um pouco, como costumava mudar quando ele permitia-se sentir.
― Isto não é certo, Elijah. Minha melhor amiga sequer consegue me abraçar sem desejar tomar meu sangue e...
― Ela continuará assim por muitos dias – Ele cortou com firmeza– Ela é uma vampira, não há nada a fazer a respeito.
Ele contornou a poltrona que eu estava sentada e se ajoelhou entre minhas pernas, entrelaçando seus dedos nos meus. Era inebriante a presença dele, fazia-me quase esquecer completamente as palavras de Klaus. Olhei para nossas mãos perfeitamente encaixadas e soube que não seria capaz de resistir ao seu pedido de fuga, mesmo que momentânea. Seja lá onde Elijah desejasse me levar, talvez eu precisasse ir.
― Elijah, eu não sei. É tudo muito assustador, eu havia esquecido o que era uma guerra. – Baixei minha cabeça e senti sua aproximação suave. Os lábios dele encontraram-se com os meus e conduziram meu pescoço para cima, enquanto moldava-se tão perfeitamente como nossos dedos, que permaneceram entrelaçados.
Meu hálito era puro absinto, tinha certeza de que ele sentia isso em sua língua, já tão presente em minha boca, forçando-me a não resistir. Não era possível, jamais. Eu era uma presa fácil para aquele vampiro. Correspondi ao beijo, incapaz de saborear ele, pois meu paladar estava tomado pelo álcool que havia consumido, mas isto não tornou o beijo menos prazeroso. Era bom sentir-me amparada, seja pelos lábios ou por um abraço de Elijah.
Assim que Elijah se afastou, meu coração ainda acompanhava o ritmo desenfreado que assumia todas as vezes que ele me tocava.
― Deixe-me mostrar a você que posso ser mais do que o agouro de meu sobrenome – Ele pediu, com os olhos faiscando.
― O que você quer fazer? – Perguntei, cedendo aos encantos dele pela primeira vez, confiando em meu coração, já que meus instintos sempre gritavam negativamente para mim quando ele ficava tão próximo e eu não vulnerável.
― Você verá – Ele respondeu, ficando em pé elegantemente e oferecendo seu braço.
Levantei, arrumando casualmente a roupa que vestia e que estava um pouco amassada devido ao tempo que passei sentada. Alisei minha saia e abaixei minha blusa, escondendo o cós da saia. Entrelacei meu braço ao de Elijah, pensando nas palavras de Klaus e o acompanhei até a garagem, onde ele escolheu um dos carros ali estacionados.
Para mim era uma inteira surpresa que o vampiro ao meu lado, dirigindo tranquilamente, não tinha escutado sequer uma palavra do que seu irmão havia dito a mim. Pensei que apesar da privacidade de sua presença, jamais estaria livre de sua audição cautelosa e me enganei. Ou ele era um tremendo ator. Elijah dirigiu por todo o Quarter em silêncio e logo atingimos a alto estrada em direção a cidade vizinha de Nova Orleans. Eu só conseguia rezar mentalmente para que ele não me levasse a um local muito sofisticado ou para longe o suficiente de minha magia.
Maldito, Klaus. Conseguiu semear a paranoia em minha cabeça!, praguejei.
Mas logo o carro parou na beira da estrada e eu notei uma trilha estreita, no capineiro, provavelmente feita por pés, pois era pequena demais para a passagem de um carro. Elijah desligou o veículo e rapidamente surgiu em minha porta, abrindo-a para mim e oferecendo sua mão. Eu tinha a mais leve impressão de que com ele seria assim para sempre, mas não quis nutrir minhas próprias ilusões.
Ele caminhou comigo ao seu encalce até uma clareira, onde o capim alto e as escassas árvores davam lugar a uma pequena plantação de flores roxas, banhadas pela luz fraca da lua cheia no céu. Olhei para ele, incrédula do que via e ele desviou os olhos, sorrindo na direção do campo de verbenas.
― Você é masoquista ou algo do tipo? – Perguntei, correndo meu olhar das flores para o vampiro. Eu não compreendia o que ele queria ao me levar até ali. Um simples toque daquelas flores e ele seria queimado como o toque da luz solar sem seu anel.
― É engraçado e ao mesmo tempo triste que minhas flores favoritas sejam as mesmas que me machucam, não? – Ele respondeu pacientemente, retirando seu terno e deixando-o de lado, no chão. – Aqui é o meu lugar favorito da cidade, Davina. Me faz refletir.
Foi inevitável sorrir. Balancei minha mão livre no ar, conjurando um feitiço de proteção ao nosso redor. Achei que aquilo era o mínimo que eu poderia fazer ao vampiro que amava a mesma coisa que o feria por tanto tempo e ainda insistia em admirá-la. Talvez ele tivesse percebido minha intenção, ou a força mágica de meu feitiço, pois sentiu-se confiante o suficiente para se sentar.
― É meio que a vida, não? Às vezes amamos o que nos machuca – Comentei minimamente. – É isto que significa amar um vampiro?
Elijah riu, virando sua cabeça para mim. Talvez tivesse achado que eu estava brincando quando, na verdade, eu não podia estar falando mais sério. Eu era uma bruxa poderosa, mas ele... Um vampiro Original. Senti as mãos dele nas minhas novamente e descobri o quanto adorava aquilo.
Ele ficou silencioso por um bom tempo, acariciando minha mão com seu polegar, desenhando pequenos círculos e sentindo a textura da verbena em sua pele pela primeira vez em mil anos e eu não quis atrapalhar aquele momento, apenas o observei, pensando no que Klaus havia dito.
― Acha que em algum momento teremos paz? – Perguntei, observando a lua.
― Isto depende da sua concepção de paz – Ele respondeu honestamente, deitando de lado sobre as flores a apoiando a cabeça em sua palma.
― Eu espero que sim – Disse, sentindo como se meu coração estivesse completamente exposto ao olhar penetrante de Elijah. – Qual a sua concepção de paz?
― Distanciar-me de meu irmão por tempo suficiente – Elijah respondeu-me, fechando os olhos brevemente e aguçando minha curiosidade.
― Achei que vocês tivessem um lema. “Para todo sempre”.
― Diga-se de passagem que estou cansado de carregar isto sozinho.
Decidi então que eu não falaria sobre o que Klaus e eu tínhamos conversado. Não naquele momento. Talvez, com aquela abertura, eu tivesse a chance de ter Elijah só para mim e apesar de muito egoísta era exatamente aquilo que eu desejava. Por mais momentos como os que estávamos passando juntos. Eu não era tola de esperar que ele abandonasse completamente o problema que carregava com seu sobrenome e seus laços sanguíneos.
Me aproximei lentamente dele, alcançando seus lábios com ternura e estranhei a temperatura daquela região. Ele estava frio e não aquecido como eu me lembrava, talvez não tivesse se alimentado direito nos últimos dias e ainda passara boa parte de sangue para transformar Alexis, mas não parecia fraco, de jeito nenhum. Rapidamente correspondeu ao meu beijo, dominando-o com a língua e me puxando com força mais para perto. Beijei-o intensamente, entregando-me finalmente a tudo o que eu sentia, até mesmo as inseguranças e ele parecia tão necessitado quando eu.
Suas mãos perderam-se nas mechas de meu cabelo denso enquanto eu girava para cima de seu corpo, amassando completamente seu terno e enchendo seu corpo de várias pétalas de verbena. O aroma era doce e o toque de Elijah gentil.
Tão logo, o senti entre minhas pernas, ainda protegido pela calça, mas completamente duro e, oh, como eu gostava daquilo. Sentir ele completamente desejoso, me desejando, tanto quanto eu o desejava. Afrouxei sua gravata, afastando nossos lábios incansáveis para poder retirá-la. E ele manteve o afastamento para me observar desabotoando sua camisa. Talvez ele apreciasse a bagunça que eu causava em sua vida, talvez ele gostasse de perder o controle as vezes. Sorri maliciosamente para o homem abaixo de mim e me esfreguei em seu sexo enquanto separava os dois lados de sua camisa e o beijava, no peito e abdome, com meus cabelos roçando por toda sua pele.
Até o cheiro daquele vampiro me atraia. Ele era o predador perfeito e eu não me importava em ser a presa. Senti as mãos de Elijah se apoderarem de minhas coxas e deslizarem para cima e para baixo, apertando meus músculos ao passo em que eu sentia sua pele arrepiar. Subi meus beijos para seu pescoço largo, distribuindo-os por aquela região e passando suavemente a ponta de minha língua.
Me apoiei sobre os joelhos para abrir espaço para minhas mãos tão leves quanto as de um batedor de carteiras para livrar-me das abotoaduras da calça social daquele vampiro que me excitava sem sequer me tocar. Ele me ajudou a deixa-lo nu e não se importou quando eu o observei por um tempo, admirando-o por completo.
Elijah me colocou deitada sobre as flores e casualmente, quase sem malícia alguma, beijou minha clavícula e inspirou forte sobre minha pele, beijando novamente em seguida. Ele baixou minha saia tão rápido que eu sequer tive tempo para elevar o quadril e ajuda-lo, então retirou minha calcinha de rendas lilás, separou minhas pernas e se colocou ali. Eu levantei meu tronco da grama e tirei minha blusa, sentindo-o me abraçar para desabotoar meu sutiã.
Ele beijou meu colo, acariciando meus cabelos e depois baixou seus lábios macios e estranhamente frios para meus seios, arrancando de mim um gemido alto e meus músculos se contraíram.
― Elijah... – arfei, incapaz de arquitetar sequer uma frase enquanto os dedos experientes do vampiro acariciavam meu ponto mais íntimo entre as pernas.
Não importava minha total nudez em meio a um campo aberto ou a dele, não importava nossas origens e curiosamente espécies diferentes e naturalmente inimigas, não naquele momento. Ele tinha pedido para que eu deixasse ele provar ser mais do que um Mikaelson e, talvez não significasse aquilo, talvez significasse. Lentamente eu compreendia. Elijah era um homem, que agia de acordo com nobres princípios, apesar de as vezes sua nobreza ser pura maldade e eu era sua peça chave. A fechadura para chave que ele sempre achou que jamais abriria uma porta. Gemi novamente, enquanto ele conduzia meu corpo novamente para trás e me penetrava lentamente, senti todo o seu comprimento dentro de mim, completando-me.
― Você é perfeita – Ele murmurou, num gemido tão íntimo que fui obrigada a abrir meus olhos, até então fechados, para contemplar sua face desejosa e satisfeita ao mesmo tempo.
Ele estava completamente transformado pelo desejo por sangue e a cada investida, eu via as veias contornarem seu rosto e ele balançar de leve a cabeça, como que para distrair-se de seu desejo. Talvez eu devesse permitir que ele tomasse a única coisa que faltava de mim, meu sangue.
Ele tinha meu amor, minha lealdade e minha presença. Para sempre. Mas nunca ousou pedir meu sangue e talvez aquilo não devesse ser algo que ele pedisse. Virei meu pescoço para o lado, com um mínimo sorriso ao mesmo tempo que franzi minha testa de prazer enquanto ele entrava com força em mim. Gemi e soltei um gritinho histérico, sentindo todo meu corpo contrair-se novamente.
― Beba – Falei, enquanto arranhava suas costas nuas e perfeitamente definidas por músculos.
Para minha surpresa, ele não hesitou. Eu estava certa, Elijah jamais pediria meu sangue, aquilo era algo íntimo demais, até mesmo para nós. Senti seus dentes cravarem em meu pescoço e serem empurrados com força para dentro de minha pele. Doeu terrivelmente, mas logo passou. Senti uma conexão estranha com Elijah naquele momento, todo o meu corpo arrepiou e o dele também, senti o exato momento em que ele sugou um segundo gole ao mesmo tempo que seu pênis deslizava para dentro de minha feminilidade, abrindo espaço. Eu estava tão molhada que a penetração era fácil.
Elijah se afastou e eu pude sentir sua pele incrivelmente mais quente, quase de imediato. Ele mordeu o punho e o ofereceu a mim, novamente eu senti a mesma conexão, enquanto ele acelerava os movimentos. Estava a beira de explodir, ter meu digno orgasmo, sentindo exatamente tudo de uma forma aumentada, talvez pela troca de sangue, eu não compreendia bem.
Ele tomou um de meus seios nos lábios e brincou com o bico e a ponta de sua língua, fazendo-me delirar, completamente perdida naquele prazer e entrega total. Ele fazia parte de mim agora, tanto quanto eu fazia parte dele, mesmo sem entender, eu soube.
Meu corpo contraiu-se e eu arqueei minhas costas da grama, arrancando algumas flores logo pela raiz quando a sensação extremamente prazerosa do orgasmo tomou conta de meu corpo. Não demorei a notar que ele não se movia mais, estava debruçado sobre mim, com a cabeça entre meu pescoço já curado e meu ombro e seu membro pulsava, enquanto ele gozava deliciosamente dentro de mim.
Ele não permaneceu por muito tempo ali, logo saiu e cobriu-me com seu paletó. Foi inevitável não beijar seus lábios mais corados depois de ver uma expressão envergonhada em seu rosto.
― Eu sequer hesitei – Ele comentou, fazendo referência ao fato de ter me mordido.
― Não se preocupe com isto – Consolei. – Senti algo estranho durante.... Como se estivesse conectada a você.
― É a conexão de sangue. Vampiros tem este... Dom – o tom dele era zombeteiro. – É uma demonstração importante de sentimentos, pode ser até uma ofensa quando a parceira troca sangue com outro.
― Uma pena eu não ter presas – Lamentei teatralmente. – Mas posso consertar isto levando uma faca todas as vezes que formos pra cama.
Elijah revirou os olhos, sem realmente se incomodar com minha brincadeira a sua tradição. Ele se levantou, ajudando-me a ficar em pé em seguida e vestiu sua roupa, rindo ao notar que estava completamente amassado e cheio de pétalas de verbena em seu cabelo.
― Deixa eu ajudar você – Falei, dando batidas em sua roupa para livrá-lo da planta tóxica. Ele caminhou ao redor do próprio eixo para que eu avaliasse a probabilidade de alguma pétala ter permanecido em seu corpo.
Também me vesti, rapidamente, lançando um olhar ao céu e notando que a lua estava coberta por nuvens pesadas, talvez fosse a hora de ir embora. Retirei o feitiço de proteção. Eu não sabia quanto tempo tínhamos passados juntos, mas simplesmente não parecia suficiente. Enquanto eu estava virada de costas para ele, tirando fotos mentais de nossa clareira – que agora eu tinha tomado esta liberdade de chamar de nossa – ele me pegou no colo, usando sua velocidade estonteante e me beijou. Aquele era mesmo o vampiro Original que eu conhecia?
Gargalhei audivelmente, ao passo que ele me colocava no chão com delicadeza.
― Então, esta troca de sangue.... É o que significa que você é meu? – Perguntei, propositalmente possessiva.
― Você quer que eu seja? – Ele perguntou e havia um brilho de esperança em seus lábios.
― Espera. Se eu disser que sim, o que exatamente isto significa?
Ele estreitou os olhos e depois fez um gesto negativo com a cabeça.
― Fidelidade de sangue – Respondeu-me com seriedade e aquilo não me pareceu tão ruim, afinal eu já o tinha alimentado no passado.
― Eu não posso prometer que só vou beber seu sangue como fonte de alimento – Brinquei e adorei ver o sorriso em seus lábios. – Mas posso ser sua única fonte, senhor Sanguessuga.
Elijah exibiu suas presas para mim e ameaçou vir em minha direção, com os olhos vermelhos e tudo. Eu gritei, no mesmo instante fazendo com que ele sentisse uma dor de cabeça terrível. Ele gritou, ajoelhando-se no chão em seguida.
― Davina eu estava brincando! – Ele gemeu e eu tratei de parar o feitiço no mesmo instante.
― Oh, meu Deus! Desculpe! Você me assustou, Elijah – Rebati, ajudando-o a ficar em pé e estapeando de leve seu peito. – Você está bem?
― Nenhum dano permanente – Ele respondeu, novamente balançando a cabeça negativamente. – Está na hora de voltarmos para a realidade, mas antes...
Ele completou a frase depositando um longo e recatado beijo em meus lábios e depois em minha testa. Em seguida puxou-me para um abraço longo e apertado. Eu poderia passar o resto de minha vida daquela forma, aconchegada naqueles braços e sentindo o cheiro inebriante do vampiro. Escondi um sorriso triunfante em seu peito, naquele momento, não existia paranoia suficiente para afastar-me dele.
Fale com o autor