Notas iniciais
Olá pessoal querido! Como vocês estão? Espero que bem! E aí, já estão de férias? haha A Anya está um pouco ocupada, então cá estou eu com mais um capítulo pra vocês, espero que gostem. AH! Quero dedicar o capítulo as duas leitoras que recomendaram a fic, Tricya e Davina!!! Muito obrigada, de coração pelo carinho! Ficamos muito felizes! Aproveitem esse capítulo, é de vocês!

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Eu mal tinha notado como as horas tinham passado rápido. A cerimônia de formatura tinha acabado e eu estava retirando minhas coisas do dormitório que costumava ser meu. Alexis também empacotava seus pertences e divagava sonhadoramente sobre seu futuro dali para frente, dizia que tinha alugado um apartamento não muito longe e que agora tentaria conseguir alguma bolsa de pesquisa na universidade. Sinceramente, eu só consegui ouvir metade do que ela dizia, tudo o que eu pensava era na atitude estranha que Pedro tivera quando estávamos com Elijah e em Nova Orleans.

Voltei ao presente quando ouvi batidas fortes e insistentes na porta e, quando atendi, Pedro estava lá, mas diferentemente do que costumava a ser, expressava uma carranca infeliz.

― Hei, D – ele me cumprimentou, encompridando o olhar para dentro do quarto. – Podemos conversar a sós?

Olhei para Alexis e ela parecia não estar escutando, então simplesmente assenti com a cabeça e o segui para seu dormitório, que não ficava muito longe do meu, apenas duas portas de distância. Entrei no alojamento e tomei a liberdade de me sentar na cama que pertencia a Pedro, como sempre fazia. Notei que o quarto estava completamente arrumado e limpo, lembrando-me que toda aquela organização vinha por parte de Mike, um calouro um ano mais novo que servira ao exército americano antes de entrar para faculdade.

― Então... Quem era aquele cara que você estava conversando? – ele fez a pergunta tão rápido que ouvi uma pequena conotação de um sotaque.

― Ele é um... – fiz uma pausa, hesitante. Não sabia o que dizer sobre Elijah, ele não era um amigo, mas também não o considerava como inimigo. Notei que Pedro aguardava ansioso pela minha resposta, então continuei, com a voz trêmula – Conhecido. Por que?

― Tem certeza disso? – disse ele, pegando o meu tom vacilante. – Não confie nele, D.

Aquelas últimas palavras ligaram uma luz vermelha de alerta em meu cérebro. Pedro não o conhecia, como poderia saber que eu não podia confiar em Elijah? Seria um tipo de sexto sentido ou havia alguma coisa que eu não sabia sobre aquele rapaz?

― Por que você diz isso? – perguntei, fingindo um tom ofendido na voz. – Ele me ajudou na minha adolescência problemática e, além do mais, era um diplomata na minha cidade.

Aquilo não era uma completa mentira, Elijah me deu alguns feitiços bobos para me ajudar a controlar minha magia, quando eu estava com todo o poder da Colheita e estava sempre tentando manter os lados da balança sobrenatural sobre controle. Pelo o que me lembrava.

Pedro caminhou em um pequeno círculo no quarto, com uma expressão pensativa. Coçou a cabeça com uma das mãos, como se decidisse se deveria me contar alguma coisa. Eu soube que tinha algo que ele me escondia naquele momento. Ele nunca soube mentir quando era pressionado.

― Escuta, Davina. Eu vou te mostrar uma coisa, mas isso nunca poderá sair daqui, certo? – ele falou, abrindo uma gaveta e procurando alguma coisa antes mesmo que eu pudesse responder. Retirou vários recortes de jornal, de várias datas diferentes e uma delas era de cem anos atrás. Ele se sentou do meu lado e começou a mostrar os retratos. Engoli em seco. Elijah estava em todos eles. – Viu? É o mesmo cara.

― Pode ser alguém parecido – eu falei, displicente, afastando as figuras de meu colo. – Isso é impossível.

― Não, D. Não é. – ele suspirou, guardando as fotos e, em seguida retirando de sua gaveta uma estaca de madeira. – Desculpe por ter escondido isso de você por todos esses anos, pode não acreditar, mas vampiros existem e aquele homem é um.

― Não seja ridículo, Pedro. Essas coisas não existem e pare de apontar essa coisa pra mim – eu reclamei, proclamando uma mentira. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. O meu lado sobrenatural nunca me abandonava, era um karma e agora meu melhor amigo mostrava ser um caçador de vampiros tão inexperiente que desejava matar um Original com uma estaca de madeira comum.

Ele me explicou brevemente sobre o fato de ter se tornado um caçador depois que presenciara sua namorada ser morta brutalmente por um vampiro. Aquilo eu compreendi. Depois me disse que tentava se afastar dessa vida e por isso estava na faculdade. Soava muito como eu mesma falando.

― Certo, supondo que tudo isso que você está me falando seja verdade, como você pretende mata-lo? – perguntei, esfregando minha têmpora, incapaz de aceitar o que eu estava dizendo. Ele nunca seria capaz de matar Elijah. Eu teria de protege-lo.

― Eu sei que ele é um vampiro antigo e muito forte, então vou precisar de sua ajuda – Quando ele falou aquilo, eu tive que controlar um grito histérico. Pensei que ele sabia o que eu era, mas quando ele continuou, pude respirar novamente. – O que ele queria com você?

― Disse algo sobre eu retornar para Nova Orleans, mas eu recusei, é claro – falei rapidamente, sentindo meu coração congelar em meu peito.

― Ótimo. Então ele vai retornar e quando ele fizer, você vai distraí-lo para que eu possa acertar essa belezinha aqui no coração dele. – ele me explicou com uma frieza digna de um psicopata e alisou sua adaga como se fosse um troféu.

Fiz um sinal negativo com a cabeça, completamente descrente do que eu ouvia e ensaiei um levantar cansado, deixando o dormitório de Pedro. Assim que ouvi que ele trancou a porta atrás de mim, corri para o meu próprio alojamento, agarrando meu celular e rezando mentalmente para ainda ter aquele número. Minha agenda era organizada por ordem de uso dos telefones armazenados, de modo que o dele estava guardado em último lugar, com a última data de ligação era de quase seis anos atrás. Torci para que o número não tivesse sido mudado e fiz a ligação.

O telefone chamou tantas vezes que pensei que seria redirecionada para a caixa de mensagens, mas em uma das últimas chances de ser atendida, ouvi a voz suave do vampiro Original do outro lado da linha.

― Elijah, precisamos conversar – eu me forcei a falar, de má vontade. Tinha que proteger meu melhor amigo de alguma forma que não colocasse minha magia em pauta.

― Resolveu aceitar a proposta e voltar para Nova Orleans comigo? – ele perguntou, achando que poderia prever o que eu falaria com ele.

― Eu aconselho você a superar esse seu ego, consigo sentir ele daqui – retruquei, sentindo dificuldades para levar a conversa numa boa. Respirei fundo e então continuei – Me encontre hoje à noite no Charlie’s, ok?

Por um momento, esqueci que estávamos em Boston e que o vampiro não conhecia o famoso bar dos universitários, de modo que eu ia ensaiando uma explicação de como chegar a partir do hotel que ele estava quando ouvi ele dizer:

― Certo. Vejo você as 22h.

O telefone desligou em seguida, surpreendi-me por Elijah não pensar que eu estava armando uma armadilha para ele, mas forcei minha mente a se lembrar que ele não era Klaus. Seu irmão híbrido psicótico e paranoico.

Finalmente entrei em meu dormitório, checando as horas em um relógio de parede que tinha esquecido de guardar. Já era quase sete horas da noite, eu precisava comer alguma coisa e começar a me arrumar. Se é que meu estômago poderia ser capaz de manter qualquer comida nele. Olhei para Alexis com um sorriso culpado. Ela estava deitada na cama, com um olhar sonhador.

― Davina, por que não vem morar comigo? – ela falou, sem me olhar. Encarava o teto.

― Desculpe, A. Vou voltar para minha cidade – respondi, remexendo na caixa que eu sabia que estava minhas roupas de sair.

― Aonde você vai? – ela perguntou, parecendo finalmente se interessar e sentou na cama.

― No Charlie’s – respondi rapidamente, escolhendo um vestido preto longo sem atentar ao seus detalhes. Eu sabia que minha amiga curiosa perguntaria sobre minha companhia, então decidi ser o mais honesta que consegui, mesmo usando uma história desonesta. – Lembra-se daquele cara na formatura? Ele me ofereceu um estágio irrecusável e é na minha cidade. Me convidou para sair para que possamos combinar os detalhes.

Ela riu e eu virei meu pescoço de uma forma quase sinistra para olhá-la, não entendendo em qual ponto estava a graça.

― Combinar os detalhes – ela imitou. – Sei bem os detalhes que você e aquele pedaço de mau caminho vão combinar. Só não sabia que você gostava de caras mais velhos, D.

― Ei! Não é nada disso o que você está insinuando, sua pervertida! – respondi, incapaz de conter o riso e fingindo um tom ofendido. – E, por sinal, eu não gosto de caras mais velhos.

Elijah era realmente um pedaço de mal caminho, não por sua aparência – a qual nunca perdi tempo analisando – mas sim por sua origem e temperamento. Era fácil para qualquer pessoa dizer que ele era um homem honrado e de boas maneiras quando nunca o tinha visto defender o que acha certo, mesmo que fosse errado. Ninguém que via outra pessoa arrancar um coração poderia achar que ele era um príncipe encantado.

― Já que você não quer, tem quem queira – ouvi Alexis insinuar enquanto eu me levantava e ia até o banheiro.

― Pode esquecer, Alexis! – respondi, meu tom era sério e duro, mas acho que ela não me levou muito a sério. Ela não era o tipo de pessoa que levava alguém a sério a menos que fosse necessário.

Retirei minhas roupas e entrei no chuveiro, sentindo a primeira torrente de água gelada bater em minha pele quente com um arrepio. Os músculos de meus ombros estavam rijos com a tensão daquele dia e com a tarefa que fora designada a mim. Há tempos não tinha que me preocupar com proteger um amigo de um vampiro Original e pensava que isso não aconteceria novamente.

Terminei meu banho meia hora mais tarde, então arrumei meus cabelos lentamente, penteando-os e prendendo em uma trança lateral. Coloquei o vestido, observando minha silhueta rapidamente no espelho e evitei a maquiagem. Sai do banheiro, finalmente e encontrei meu dormitório vazio. Agradeci mentalmente por aquilo, não queria que Alexis insinuasse que eu estava sensual ou qualquer coisa do tipo que eu sei que ela falaria.

Decidi que esperaria as horas passar no próprio bar, então fui até ele caminhando. Não era longe do campus e eu não usava salto alto, de modo que meus pés não ficariam doloridos pela caminhada até o local. Assim que cheguei, não era tão tarde e já estava lotado pelos calouros, de modo que me sentei no banquinho do próprio bar.

― Ei, Davina! – cumprimentou-me Joe, o barman, de uma forma animada. – O que vai querer hoje?

― O de sempre, Joe – respondi, tentando ser tão animada quanto ele, mas falhando de certa forma. Observei as pessoas ao meu redor, conforme o homem a minha frente servia-me de um Martini. Calouros, felizes e alguns veteranos não tão felizes assim. Eu ia sentir saudade daquela normalidade toda.

Girei o palitinho que prendia a azeitona no fundo do copo repetidamente, imitando o contorno da taça de cristal, desinteressada demais para beber. Apoiei minha cabeça em minha mão, que estava sendo sustentada por meu braço sobre o balcão. Prestei atenção na música que tocava ao fundo do bar, notando que parecia que ela tinha sido escolhida exatamente para minha situação.

I close both locks below the window

(Eu fecho ambas as fechaduras abaixo da janela)

I close both blinds and turn away

(Eu fecho ambas as cortinas e me afasto)

Sometimes solutions aren't so simple

(Às vezes soluções não são tão simples)

Sometimes goodbye's the only way

(Às vezes o adeus é o único jeito)

Comi a azeitona que enfeitava meu drink, pensando que ter algo no estômago faria eu me sentir melhor. Analisei o palito de dentes como se fosse algo extremamente interessante e notei a música mudar novamente, infeliz pelo novo som que vinha até meus ouvidos.

I tried so hard and got so far

(Eu tentei tanto e cheguei tão longe)

But in the end it doesn’t ever matter

(Mas no fim, isto não importa)

― Boa noite – ouvi a voz de Elijah cumprimentar-me educadamente e senti sua presença ao meu lado. – Um whisky sem gelo – ele pediu e então, virando-se para mim, falou: — Então o que tem de tão importante para me dizer?

― É uma longa história – eu comecei, achei que aquele aviso era uma boa forma de começar uma conversa com um vampiro milenar. Virei meu corpo totalmente na direção dele e endireitei minha postura. – Pedro, meu amigo, sabe que você é um vampiro e ele é um caçador.

Elijah elevou uma sobrancelha para mim e estreitou os olhos para em seguida bebericar seu whisky.

― E você está me contando isso por que? – respondeu com um tom ligeiramente frio.

― Por que eu não quero que você o mate, Elijah – respondi o óbvio. – Esta tarde ele me contou tudo o que sabe sobre você e notei que ele sequer imagina que você é um original. Ele está planejando matar você, mas só tem uma estaca de madeira comum.

― Certo – ele respondeu, com um momento de silêncio em seguida, onde ele me lançou um olhar tão penetrante que tive de baixar os olhos. – Aonde você quer chegar?

Droga, ele era rápido no raciocínio. Respirei profundamente três vezes só para controlar meu coração acelerado e notei que ele disfarçava um sorriso. Estava se divertindo com minha insegurança. Ele apoiou o queixo em um dos punhos e desviou os olhos rapidamente, como se quisesse me dar alguma privacidade.

― Eu quero propor um acordo – eu falei em um só fôlego, atraindo de volta a atenção de Elijah para mim.

Ele umedeceu os lábios e tornou as estreitar os olhos, feito fendas, para mim.

― Está negociando comigo?

― Escute e depois julgue o que acha que deve fazer – eu respondi, quase uma ordem. Fazendo com que ele endireitasse ainda mais sua postura e remexesse na manga de sua camisa social, ajeitando-a. – Como eu disse, ele pensa que você é um vampiro comum. Velho, mas comum – notei que ele pareceu se divertir com o termo “velho” e então continuei: Eu proponho que você deixe que ele empunhe à estaca de madeira no seu coração e em troca volto com você a Nova Orleans.

― E o que leva você a pensar que você vale tanto assim, Davina? – seu tom era quase como lâminas afiadas em minha pele e seus olhos eram extremamente vazios. Não posso negar, aquilo me assustou um pouco.

Não podia simplesmente hesitar perante a um Original. Eu sabia que no fundo daquela expressão vazia, ele admirava minha lealdade a Pedro e por mais insano que meu plano poderia soar, ele precisava de mim.

― Você me fez pensar isso, Elijah – respondi, firmando meu olhar no dele e mantendo minha expressão séria. Agradeci mentalmente por meu coração não acelerar naquele momento crucial. – Mas, caso contrário, volte para Nova Orleans sozinho e permita que o “grande mal” tome conta das bruxas e acabe matando sua querida sobrinha Hope, que sua família tanto fez para proteger. Não se esqueça de uma coisa, Elijah: você veio atrás de mim. Eu vivo bem e feliz longe de toda a maluquice sua e de sua família.

Aquela era minha deixa. Acenei para Joe, ficando em pé no mesmo instante e assim que o barman chegou próximo ao balcão, eu sorri em sua direção e falei simpaticamente:

― Este senhor vai pagar a conta, Joe. Faz uma rodada por conta dele, sim?

Virei minhas costas, ouvindo o rugir das pessoas do bar, aplaudindo a mim ou a Elijah. Não sei ao certo. Meus passos decididos em direção a saída do lugar aumentaram minha confiança e provavelmente minha adrenalina de modo que, finalmente, meu coração acelerou. Eu não sabia exatamente o porquê, mas estava rindo. Apoiei-me na parede do Charlie’s para poder recuperar o ar. Acho que isso foi um efeito do excesso de adrenalina circulante. Eu tinha acabado de enfrentar um vampiro original, sem sequer gaguejar. Aquilo era uma guinada na minha autoestima.

Uma vez que consegui parar de rir, segui meu caminho de volta ao campus, mas ao virar a esquina senti uma presença gélida e um vento frio passou por mim, revelando-se na minha frente. Era ele. Eu tinha ganhado.

― Tudo bem. Tem o seu acordo – ele parecia ligeiramente infeliz por ter que concordar comigo.

― Me dê sua palavra de que não vai mata-lo e vai deixar que ele coloque a estaca bem no meio desse seu coração mau – eu exigi, completamente sarcástica.

Elijah revirou os olhos, mas não tinha muitas opções naquela situação.

― Tem minha palavra.