Notas iniciais
Pessoal, espero que me perdoem pela demora! Minha vida tava corrida e cansativa nos ultimos dias, mas aqui está o capítulo novo. Espero que vocês gostem. Saibam que eu nunca vou abandonar a história, ok? Muito obrigada a todos os meus leitores amados, vocês tem um lugar no meu coração! Agora, a pessoa que deu a ideia de One shot de natal, me mande um MP, sim? Beijocas!

Assim que desliguei o telefone que não me pertencia, entreguei o aparelho a Vincent, o bruxo que havia me tirado do cemitério enquanto eu ainda estava desacordada e cuidara de mim durante o tempo em que eu permaneci desmaiada.

Estávamos no subterrâneo agora, os celulares mal funcionavam aqui, mas o lugar funcionava como um refúgio para todas as bruxas e bruxos que discordaram de Dhalia. Aparentemente, ela desconhecia aquela extensão do cemitério. A entrada para aquele lugar ficava em uma das tumbas, não sei exatamente qual já que não a vi quando entrei e o caminho era perigosamente escorregadio e escuro para descer, de modo que quem não o conhecia corria um grande risco de se machucar.

― Como foi? – ele me perguntou com a voz completamente calma, enquanto cozinhava tranquilamente uma mistura de ervas mágicas que estava me ajudando a ficar forte novamente.

― Bem, eu acho – respondi sem muita certeza ou vontade de falar sobre o assunto. Agradeci mentalmente por ele não fazer mais perguntas ou ser capaz de ouvir minha ligação. As vezes era bom ter alguém sem super audição por perto.

A voz de Elijah estava diferente no telefone. Eu soube que ele ficou infeliz por eu não revelar onde estava, mas de acordo com Vincent, um vampiro jamais poderia entrar onde estávamos e, por mais que eu desejasse rever Elijah, eu precisava recuperar minhas forças. Ele não poderia fazer nada para me ajudar. Ou poderia, para ser sincera. O sangue de um Original continha muito mais poder do que qualquer cataplasma que Vincent cozinhasse, mas eu não era o tipo de bruxa que faria um feitiço de sangue como aquele, afinal ele uniria a minha mais pura energia mágica a mais sombria do vampiro e eu já tinha visto o quão confusa a cabeça de Elijah conseguia ser.

― É bom que tenha tranquilizado Elijah, nós estávamos começando a nos preocupar com ele cercando o cemitério – Vincent me confessou, referindo-se a todas as bruxas que ele abrigava naquela espécie de caverna úmida.

Umidade era o que mais se podia sentir naquele lugar. As paredes deixariam suas mãos molhadas se você as tocasse, mas o chão absorvia tudo, de forma que nenhum lago se formava. A luz bruxuleante de velas era o único tipo de iluminação que tínhamos. Eu não podia reclamar, estava acordada a menos de duas horas.

Ele havia me colocado a par da situação poucos minutos depois de eu acordar. Elijah estivera monitorando o cemitério e pelo o que parecia estava realmente disposto a fazer o que fosse preciso para me encontrar. O que não era necessariamente bom, já que ele era um vampiro forte e extremamente mal humorado.

As bruxas o temiam quase tanto aprenderam a temer seu irmão mais novo e bastardo, Klaus e eu não podia julgá-las. Sabia que Elijah podia ser muito obstinado quando desejava e no fim das contas, ele tinha um demônio interior lutando para sair.

― Então, você dizia que eu me enfraqueci ao me vincular com Elijah? – eu estimulei, enquanto observava com um certo nojo o mingau de ervas que ele me servia. Não desejava ser desrespeitosa, mas aquela cor verde não parecia certa.

― Sim, é claro. Você criou um vínculo diferente, Davina. Geralmente nós bruxos podemos drenar a mágica de vampiros, que são imortais e podem ceder quantidade inesgotável dela sem quase ficarem cansados – ele explicou lentamente, gesticulando com as mãos. – Mas você alimentou ele com o seu poder, por isso ficou tanto tempo desacordada e sofreu os mesmos efeitos que ele. Foi sorte não ter morrido.

― Algo aconteceu – eu falei, um pouco confusa. – Não sei exatamente o que, ou se Elijah irá se lembrar, mas o vínculo foi cortado quando ele desmaiou.

Levei uma colherada generosa do mingau a minha boca e o engoli o mais rápido possível. A textura era um tanto pegajosa e me causou náuseas. Senti saudade do sabor da comida que Elijah preparara há alguns dias. Lembrar daquilo me fez refletir na sensação de que parecia fazer anos desde meu primeiro encontro com um vampiro Original.

― Você gosta dele, não é? – Vincent me perguntou ao mesmo tempo em que duas garotas mais novas do que eu entrava na caverna em silêncio.

Eu inspirei lentamente, sentindo o aroma magico que o local onde estávamos exalava. Eu me sentia estranhamente forte e conectada à terra a cada segundo que passava acordada.

― Apesar de saber o quão cruel ele pode ser, todas as vezes que penso em Elijah meu coração acelera e sinto um aperto estranho... – levei minha mão ao peito, não para parecer teatral, mas porque a mesma sensação que eu tentava descrever me afligia no mesmo segundo.

Vincent exibiu um sorriso torto e algo em sua expressão me disse que eu não era a primeira a confessar algo do tipo para ele.

― Posso imaginar o quão atraente ele é aos seus olhos – Vincent apoiou-me, para minha total surpresa. – Mas sinto que estou na posição de lhe pedir cautela, Davina.

― Sei onde estou me metendo – eu falei, soando incrivelmente grossa.

Vincent deu de ombros minimamente, como se por um segundo abandonasse o assunto, mas logo ele se provou teimoso como uma mula e seus olhos brilharam em minha direção.

― Você acha que sabe, Davina. Ele é um Mikaelson, antigo e poderoso. Quanto tempo levará até que a influência dele corrompa seus objetivos como regente?

Eu ergui uma sobrancelha na direção do bruxo, tentando entender se ele me dava um conselho ou se tentava me manipular. Lentamente cheguei a conclusão de que ele estava fazendo as duas coisas e o pior era que ele tinha razão. Quando eu era adolescente, Marcel me usou contra as bruxas por um longo tempo. Quanto tempo levaria para eu assumir que as causas relacionadas ao bem estar dos vampiros eram superiores as das bruxas?

Baixei a cabeça, em resiliência e fiz um aceno positivo, como quem desiste de uma discussão acirrada, mas não disse ou sequer pensei em abandonar o que quer que eu estava desenvolvendo com Elijah. Era bom demais para ser abandonado.

Logo duas garotas surgiram, aparentemente de uma das rachaduras das rochas e me cumprimentaram em silêncio.

― Davina, essas são Alice e Cissa.

Cumprimentei-as com um aceno breve de cabeça e sorri um pouco, levantando-me da mesa e pegando um copo de água para retirar o gosto estranho do mingau de minha boca.

― Então, o que houve nos dias em que estive fora? – perguntei, tentando desviar o assunto de minha vida amorosa para um assunto comum a todos.

― Os Mikaelsons mataram Kat... – uma das garotas falou, seu tom pareceu um pouco fúnebre, mas eu sequer sabia de quem ela estava falando e acho que deixei isto bem claro em minha expressão, pois ela logo se apressou em explicar-me. – O corpo que Dhalia possuía.

Aquilo foi um pequeno choque. Eu sei que uma bruxa como Dhalia não iria simplesmente embora por seu corpo ter sido morto, ela pularia para outro. Isso era algo que eu teria de corrigir, mas não me sentia mal pela garota. Sentia-me estranhamente bem, porém não sorri, respeitando o luto das garotas, que pareciam totalmente infelizes.

Vincent fez um gesto negativo com a cabeça. Ele já sofrera demais com um dos irmãos Mikaelson possuindo seu corpo.

― Isso aconteceria uma hora ou outra infelizmente, Alice – ele levantou-se e foi até a garota, apoiando uma de suas mãos nos ombros dela e depois virou-se novamente para mim. – Sabemos que retornou a Nova Orleans para assumir a regência e posso lhe dizer, Davina, que nós a aceitamos como regente. Mas primeiro tem de se restabelecer, posso sentir que você esteve abusando de sua magia.

Eu baixei minha cabeça. Ele estava certo, mas os meus motivos eram nobres. Ou pelo menos eu pensava que eram.

― Eu não estou tão forte quanto estava quando cheguei na cidade, é verdade. Acho que é o que acontece com bruxas que se intrometem em problemas de vampiros – eu falei, tentando amenizar o clima sério na gruta. Meus pensamentos fluíram no mesmo instante para Elijah e a porta vermelha. Aquele era um feitiço que sempre me deixava cansada.

― Nós podemos ajudar – a voz fina e delicada de Cissa chegou aos meus ouvidos e eu virei a cabeça em sua direção, sorrindo tranquilamente.

― Obrigada, não tenho palavras para agradecê-los.

― Venha, nós iremos mostrar a você onde realizamos nossos feitiços de fortalecimento – Vincent convidou, mostrando-me o caminho.

Eu segui atrás dos três em silencio através das paredes úmidas e do ambiente cada vez mais escuro da caverna. Tive a sensação de estar descendo ainda mais para o subsolo e uma ligeira claustrofobia me atingiu, controlei-me ao máximo para não implorar para voltar a superfície. As paredes irregulares tornavam-se cada vez mais estreitas e logo só permitiam a passagem de quem estivesse de lado, com a coluna encostada nelas.

― Não se preocupe, elas logo deixarão de ser tão estreitas – Alice me tranquilizou e senti sua mão quente segurar firme na minha.

Não pude evitar sorrir. Todos ali estavam sendo muito gentis comigo. Estava tão escuro que não fazia mais sentido manter os olhos abertos, então os fechei, imaginando-me na superfície, com o sol aquecendo minha pele e com Elijah ao meu lado. Era um pensamento confortável que fazia-me esquecer da sensação de estar presa em um local muito apertado.

Caminhamos por dez minutos entre as rochas estreitas e logo elas tornaram-se mais largas e pontudas e em seguida o ambiente abriu-se para a luz de velas e vários símbolos mágicos, os quais podiam ser usados nos rituais que Vincent havia me dito.

Outras pessoas estavam ali, sentadas lado a lado em um círculo, de mãos dadas e em silêncio. Observei seus rostos virarem lentamente em minha direção quando eu também me sentei, entre Alice e Cissa.

Respirei fundo e segurei em suas mãos aquecidas. Só então percebi como minha roupa estava molhada devido ao fato de eu ter encostado nas paredes e senti minha pele arrepiar de frio.

― Não se preocupe – sussurrou Alice – Eu posso emprestar uma roupa para você, se quiser.

Fechei os olhos e antes de permitir que o transe coletivo chegasse até mim, respondi amigavelmente:

― Eu ficaria realmente agradecida por isso, Alice. Obrigada.

Senti a magia fluir de minhas mãos para as de Alice e Cissa e, em seguida, fluir de volta para mim. Murmurei uma prece em latim, esvaziando minha mente e me concentrando no ritual. Eu era uma garota da Colheita, destinada a ser mais poderosa do que qualquer um sentado ali, de modo que a magia vinha como um imã para mim, recuperava-me física e psiquicamente. A sensação era indescritível.

Não sei quanto tempo se passou naquilo, não tinha mais meu celular. Infelizmente, assim como o de Elijah, ele estava quebrado. A diferença era basicamente que eu não o arremessei contra a parede em um acesso de raiva. Nossas mentes estavam todas conectadas e senti que o ritual estava acabando quando a magia ficou cada vez mais fraca até finalmente parar de fluir em ondas estáveis.

Me coloquei em pé sem dificuldade, minhas roupas já estavam ligeiramente mais secas e eu já não sentia frio. Sentia como se todo o meu poder estivesse restaurado. Sorri na direção da garota que me ofereceu roupas secas e ela sorriu de volta.

O caminho para voltar àquela espécie de sala coletiva em que estávamos foi mais fácil quando várias bruxas e bruxos voltavam conversando animadamente sobre o jogo finalmente poder virar. Era estranho o modo como eles confiavam em mim, mesmo quando eu sequer tinha os cumprimentado.

― Davina, posso fazer uma pergunta? – Alice me perguntou alguns minutos mais tarde. Sua voz estava baixa, como se ela não desejasse que ninguém a ouvisse.

― É claro – respondi, com os olhos fechados devido a completa escuridão.

― Como você se envolveu com Elijah? – eu pensei ter ouvido errado quando a garota perguntou. Será que todas as bruxas e pessoas de Nova Orleans sabiam de meus sentimentos pelo vampiro?

Ainda bem que estava escuro, pois senti meu rosto esquentar e sabia que estava corada.

― Se você estivesse com esse vampiro do seu lado por meses também acabaria desenvolvendo algum tipo de sentimento – eu respondi e achei que soei um pouco rude, então continuei – É claro, se ele tivesse algum interesse em ser legal com você.

― Por que diz isso? – a curiosidade da garota era ávida. Eu podia sentir que tinha alimentado um pequeno leão.

― Porque Elijah sabe ser um lorde na mesma proporção que sabe ser um monstro – eu respondi rápido. Fiquei surpresa com minha agilidade em verbalizar um pensamento tão íntimo. Eu tinha intimidade com as duas partes, para minha infelicidade.

A garota ficou em silêncio por um minuto, talvez menos. Agradeci mentalmente por as outras bruxas ainda estarem conversando alto o suficiente para não nos ouvir. Agora já estávamos em um caminho onde cabiam três pessoas lado a lado e quem me flanqueava era ninguém menos ou mais que Cissa e Alice.

― Então você gosta da parte boa? – aquela era uma pergunta difícil de se responder.

― Eu não seria humana se respondesse que gosto da parte ruim que envolve Elijah, mas por outro lado... Eu a conheço, sei o que é capaz de fazer e compreendo o motivo de ela existir.

Eu já podia ver o rosto da garota àquela altura e vi que ela ficou confusa com minha resposta, ao contrário de Cissa, que fazia um gesto positivo com a cabeça a cada palavra lenta que saia de minha boca. Virei minha cabeça na direção da garota e perguntei:

― Também está envolvida com um vampiro, não é?

Ela arregalou os olhos para mim, como se eu tivesse exposto um segredo muito grave e fez um gesto rápido para eu falar mais baixo.

― Nossos pais estão aqui. Eles jamais aceitariam, mas Cissa acha que você é a nossa esperança em mais de um assunto, se é que me entende – Alice respondeu pela irmã num sussurro.

Só então notei a incrível semelhança entre elas. Não eram gêmeas, podia dizer aquilo, podia sentir. Mas talvez tivessem apenas um ano de diferença e a mais velha, Cissa podia ter no máximo dezoito anos. Suspirei tristemente. Eu não gostava da ideia de ser uma esperança para jovens bruxas acharem comum namorarem com vampiros.

― Não esqueça suas origens por eles – eu alertei. – É fácil cair nas trevas do olhar de um vampiro, especialmente quando ele tem mil anos de idade.

― Ele não tem mil anos – Cissa falou finalmente com uma voz esganiçada, referindo-se ao próprio namorado. – Mas entendo o que você quis dizer.

Algumas mulheres reuniram-se em volta de um fogão a lenha e começaram a cozinhar o jantar. Ou seria o almoço? Eu estava completamente perdida no fundo daquela caverna. As mais velhas pareciam não prestar a menor atenção no que eu conversava com as irmãs que acabara de conhecer.

― Eu nunca consegui colocar em palavras o que disse a vocês hoje – confessei. – Não é fácil para uma bruxa assumir que gosta de um vampiro de mil anos.

― Sei como é – Cissa concordou. – Você sente falta dele?

― Sinto muito mais do que deveria – eu confessei amargamente, lembrando-me da noite em que tivemos antes de todo o horror com Dhalia. – Nós tivemos uma noite romântica, por assim dizer.

Ri sozinha, lembrando-me de que tinha acontecido sobre uma mesa de jantar. Não exatamente a ideia romântica que muitas garotas têm.

― E como foi? – Alice perguntou ansiosamente e recebeu uma forte cotovelada da irmã.

― Está tudo bem – garanti para Cissa. – Foi maravilhosa. A melhor noite de minha vida.