Bound To You.
17 16. Ripping Head Off
Notas iniciais
Elijah, Marcel e Klaus estavam debatendo sobre as políticas instáveis de Nova Orleans no pátio principal do complexo, comentavam sobre como nada parecia passível de retornar ao que era antes se Dhalia não fosse morta.
― As bruxas estão muito quietas – observou Marcel.
E aquela frase pareceu como um agouro, pois uma garota de estatura média e aparência colegial surgiu em frente a eles com um sorriso superior no rosto.
― Olá, tia – cumprimentou Klaus, virando-se para a bruxa e endurecendo a postura do corpo.
Seu irmão mais velho parecia estar em estado de total alerta. Elijah olhou rapidamente de um lado para o outro, trocou um olhar misterioso com Marcel, que pareceu compreender completamente o que o vampiro queria e flanqueou o irmão pelo lado esquerdo rapidamente.
― O que quer aqui? – Perguntou o híbrido, parecendo muito mal-humorado.
― Quero o que me foi prometido antes do nascimento de vocês – ela exigiu, abrindo a mão e exibindo a palma para cima.
Klaus olhou para Elijah rapidamente antes de exibir um sorriso irônico e dar um passo na direção da mulher. Marcel estava pronto. Sabia que deveria agir e levar Hope o mais longe do complexo que pudesse caso as coisas saíssem do controle dos Mikaelson.
― Os anos devem ter lhe enlouquecido, tia, se pensa que lhe entregarei minha filha sem lutar.
Dhalia também sorriu, mas com aquele rosto infantil a ameaça quase não foi notada.
― Eu pensei que diria isto – ela falou e então fechou as duas mãos, fazendo com que Klaus caísse no chão após os ossos de sua perna estalarem.
Ela não os estava quebrando, Elijah notou. Estava forçando a transformação de Klaus em lobo. O híbrido não demorou para aparentar a dor que a transformação lhe causava, cada osso de seu corpo quebrava-se e depois tornava a se unir para assumir a forma do lobo. Sua pele começou a enegrecer lentamente e seus caninos deslizaram para baixo quando o vampiro finalmente avançou para ela.
Dhalia simplesmente olhou para Elijah para contê-lo.
― Não pense que não estou preparada para vocês – ela alertou e depois olhou para Marcel. Uma cadeira quebrou-se quase que espontaneamente e uma gigantesca estaca de madeira improvisada atravessou o tronco do vampiro, que caiu no chão, gritando com a dor. Ela tornou a olhar para Elijah, enquanto Klaus também gritava. – Você é o mais hipócrita de todos, Elijah.
Ele sentiu sua garganta queimar e o ar tornava-se difícil de ser respirado. Ele reconheceu o feitiço que caía sobre ele, Davina já o tinha feito anos atrás. Ele se afogaria em sangue inocente.
“Elijah... Por favor, preste atenção em minha voz” ele olhou ao redor, procurando por Davina, mas não a viu.“Olhe para o pescoço dela. Vê aquele amuleto? Destrua-o.” Era mais fácil instruir do que fazer. O feitiço de Dhalia prendia Elijah no lugar e o afogava com sangue, mas ele sentiu o poder de Davina em seu corpo, sentiu que ela o ajudava, porém, toda magia tinha seu preço e aquela ligação mataria a bruxa caso Elijah desmaiasse.
― Davina, não... – ele pediu, sem realmente perceber que estava falando em voz alta. O vampiro sentia o gosto de sangue em sua língua ao mesmo tempo que sentia o feitiço que o prendia no lugar enfraquecer.
― Ela não pode ajudar você agora, Elijah. Embora eu tenha de admitir que você é mais forte do que parece. – Disse Dhalia, de forma superior.
Ele sentia que estava perdendo o controle sobre si mesmo, sobre o monstro da porta vermelha. Cuspiu uma quantidade generosa de sangue enquanto escutava Davina sussurrar palavras de apoio em sua mente. Desejou, por um segundo, matá-la também. Mas aquele não era um desejo dele, ou era? Ele conseguiu dar o primeiro passo, ao mesmo tempo que libertava a personalidade libertinosa presa em sua mente, sentindo o elo entre ele e Davina quebrar-se naquele mesmo momento. Assim que arrancou o colar o pescoço de Dhalia ela quebrou o pescoço de Klaus, aparentemente cansada demais para controlar dois feitiços fortes ao mesmo tempo. A garota arregalou os olhos ao ver a proximidade do vampiro com seu pescoço e então forçou todo o sangue que Elijah possuía para fora, em uma forte jorrada, forçando ao mesmo tempo que ele descesse através da traqueia do vampiro e preenchesse todo o espaço do ar em seu pulmão, fazendo com que ele desmaiasse.
Dhalia tentou abrir a mão de Elijah e pegar de volta seu pingente que controlava a maldição posta sobre os vampiros e lobisomens, mas mesmo morto ele era muito forte e sua mão era um punho de aço, que não permitia ser forçado. Ela xingou alto, resolvendo que daria um jeito naquilo depois. O corpo que possuía era fraco demais e seu nariz já estava sangrando pelo esforço dos feitiços, então ela correu o mais rápido que pode de volta para o cemitério.
Elijah acordou com o ar voltando aos seus pulmões de uma só vez, inflando-os ao máximo e fazendo uma pressão considerável contra seu coração que voltou a bombear sangue para todo o seu corpo. Aquela era uma sensação incrivelmente dolorosa, até mesmo para um vampiro. As veias pareciam queimar feito ácido quando o sangue voltou a fluir por elas, que já estavam ligeiramente atrofiadas. Ele tossiu com força, sentindo a garganta arder e o peito queimar. Todo esse momento foi muito rápido, não durou mais que dois minutos, mas pareceram uma eternidade para o vampiro.
Elijah ainda segurava o amuleto que tinha arrancado a força do pescoço de Dhalia e a pedraria propiciava uma sensação gélida na palma de sua mão. Ele tentou esmaga-la com toda a força que possuía, mas não conseguiu. O objeto era protegido magicamente contra qualquer tipo de força física.
O vampiro finalmente ficou em pé, guardando o amuleto no seu paletó e olhando a sua volta. O chão onde ele estivera estava completamente sujo de sangue, agora marrom e seco, suas roupas, queixo e pescoço tinham a mesma tonalidade. Marcel e Klaus jaziam desacordados no chão, Klaus com o pescoço quebrado e Marcel com uma estaca perigosamente próxima de seu coração atravessando seu corpo. Elijah foi até Marcel e retirou o pedaço de madeira sem muita dificuldade e aguardou os dois acordarem sozinhos.
Tudo o que conseguia pensar era em Davina, fora isso não lembrava-se de muito do que fizera. Lembrava-se da voz dela em sua mente, lembrava-se da presença dela em seu corpo, ajudando-o a ficar em pé e retardando o feitiço de Dhalia. Ela estava ligada a mim, ele concluiu. Não é possível... Elijah sabia que se Davina tivesse mantido o vínculo por tempo demais teria morrido quando ele desmaiou.
Klaus acordou como se nunca tivesse respirado em toda sua vida. O ruído que ele produziu ao inspirar o ar para os pulmões foi terrivelmente angustiante, mas mais do que rapidamente ele se levantou, colocando-se ao lado de Elijah, que segurava o celular contra o ouvido com uma expressão consternada no rosto.
― O que foi isto, irmão? – ele perguntou, confuso. Elijah não respondeu e também não precisou, pois a atenção de Klaus foi desviada para Marcel, que acordou com um gemido.
O híbrido ajudou o vampiro a levantar-se do chão. Todos pareciam não ter certeza sobre o que acontecera alguns poucos momentos atrás, quando a bruxa Dhalia os atacou.
― Ela não atende o telefone – Elijah queixou-se, irritado.
― Ela quem, Elijah? – Klaus perguntou.
― Davina. Ela está em perigo – Elijah concluiu.
Klaus notou que os olhos de Elijah estavam estranhamente marejados, mas não conseguiu entender o motivo daquilo. Davina não estava com eles quando a outra bruxa atacou, não fazia o menor sentido Elijah demonstrar tanta preocupação.
― Elijah, Davina provavelmente está dormindo – Marcel ponderou pacientemente, olhando de relance para Klaus.
― Não! – Elijah não estava tão disposto a controlar seu temperamento. – Ela estava dentro de mim, na minha cabeça. Ligada a mim, Marcel. E agora não atende o telefone! – Elijah segurava o aparelho celular com apenas dois dedos, mostrando o aparelho para Marcel, como se aquilo fosse resolver algo.
Marcel conseguia sentir o cheiro do temperamento Mikaelson desabrochando no vampiro Original a sua frente, então preferiu não contrariar ou dizer qualquer coisa.
― Nós iremos procura-la, irmão – Klaus confortou, mas Elijah pareceu não ouvir muita coisa.
O vampiro entregou nas mãos do híbrido o colar que havia arrancado de Dhalia de uma forma grosseira e levou o celular ao ouvido mais uma vez, tentando manter as esperanças de que Davina estava bem. Mas, depois de chamar dez vezes, Elijah ouviu novamente a voz de Davina na gravação da secretária eletrônica. Há tempos o vampiro não sentia seu coração tão em pedaços como agora.
Ele arremessou o celular contra a parede mais próxima, fazendo com que Klaus e Marcel trocassem olhares preocupados e arqueassem os ombros com o ruído estridente do vidro de celular se partindo em mil pedaços.
― Destruam esse amuleto e nós estaremos livres dessa maldição que nos impede de andar no sol com nossos anéis – ele explicou sem paciência alguma. – Vou até o cemitério.
― Mas Elijah... Você não conseguirá entrar, o cemitério está vedado magicamente para vampiros – Marcel tentou acalmá-lo, mas tudo o que conseguiu foi fazer com que o vampiro se virasse para ele furiosamente.
― Então eu rondarei a fronteira mágica até a primeira bruxa aparecer – Elijah falava pausadamente, sua voz era mais alta do que um sussurro, porém era letal. – E se ela não quiser me deixar entrar, não restará bruxa para ser consagrada.
Marcel baixou os olhos e então Elijah desapareceu. Klaus sorria de uma maneira irônica.
― Vou acompanha-lo. Não são todos os dias que Elijah está no humor de assassinar uma bruxa. Faça o que ele disse com o amuleto – o híbrido orientou e em seguida também desapareceu.
Assim que chegou ao cemitério Elijah pode sentir que sua passagem não seria barrada por mágica. De fato, a magia que prevenia a entrada de vampiros já não existia. Ele correu pelo cemitério atraído pelo cheiro de sangue e demorou até encontrar o túmulo da família Claire. Ali, para sua total infelicidade, estavam jogadas uma bolsa, alguns acessórios para fazer magia e uma quantidade generosa de sangue no chão.
Elijah dobrou os joelhos quando viu uma das pulseiras que Davina costumava usar. Ele a pegou tão delicadamente que parecia estar lidando com o material mais frágil existente. Seus olhos marejaram, ao passo em que seu coração ficava um pouco mais pesado.
― Não... Por favor... – ele falou, analisando a pulseira e lembrando-se do modo que Davina o olhou na noite anterior. Aqueles olhos... Sua voz estava embargada.
O original se recompôs rapidamente ao sentir a presença silenciosa de Klaus, logo atrás de si. Guardou a pulseira de Davina em seu bolso e contraiu a mandíbula. Não podia crer que ela tinha se sacrificado por ele, jamais se perdoaria. Ele levantou, com as mãos fechadas em punho. “Não é seu destino matar todas as mulheres que ama, Elijah”, a voz dela ecoava na mente do vampiro, deixando-o ligeiramente confuso.
― O que houve? – Klaus perguntou hesitantemente, como se temesse a reação de seu irmão mais novo.
― Ela esteve aqui... Sofreu os mesmos efeitos do feitiço por estar conectada a mim – Elijah falava lentamente, não queria dizer ou aceitar que a bruxa estava morta. – Por que?
Klaus não soube o que responder. Podia ler na face do irmão o quão infeliz estava. Soube então que Elijah estava de certa forma nutrindo sentimentos pela bruxa, sabia que o irmão se culpava.
― Nós vamos encontrá-la, Elijah – o híbrido tentou consolar, mas tudo o que Elijah fez foi descontar sua raiva sobre a lápide da mãe de Davina.
Ele a socou com tanta força que sentiu seus dedos quebrarem no concreto.
― De que adianta encontrá-la se estiver morta, Klaus?! – Ele gritou, sentindo seu rosto pinicar com as veias que contornavam seus olhos, recolocou os ossos no lugar sem ligar para a dor.
Klaus apoiou ambas as mãos nos ombros de Elijah e o segurou firmemente por ali, como se aquele gesto pudesse trazer Elijah para a realidade. O vampiro fez menção de retirar as mãos do irmão de si, mas o aperto de Klaus era firme.
― Agora não é hora de agir com raiva, Elijah. Olhe para você, sei que gosta dela...
― Gostar? – Elijah cortou amargamente. – Eu a deixei entrar, Klaus. Você sabe como eu não permito que ninguém entre, mas ela...
Elijah lentamente sentou-se sobre o chão do cemitério, concluindo o pior da situação e desejando com todo o seu coração que Dhalia pagasse pela morte de Davina. Ele baixou a cabeça e fechou os olhos, tentando conter lágrimas que enchiam seus olhos. Tudo o que Klaus conseguia pensar era que eles já tinham vivido a mesma cena, há seis anos, quando Hope nasceu e Elijah pensou que Hayley estava morta. Aquele pensamento levou o híbrido a uma epifania, ele abriu os lábios para colocar em palavras, mas seu raciocínio foi cortado pela voz da mesma bruxa que lhe quebrara o pescoço.
― Oh, então isso explica a facilidade com que a garota conseguiu entrar em sua mente, Elijah – a voz de Dhalia surgiu aparentemente do nada.
A bruxa encarava os dois irmãos a meros passos de distância. Elijah deixou que novamente sua face transparecesse, desejava arrancar a cabeça daquela mulher, ficou em pé lentamente, ignorando completamente o rastro de lágrimas que se formara em seu rosto. Seus olhos secaram no mesmo instante.
― Onde ela está? – ele exigiu.
Dhalia deu de ombros e sorriu minimamente com aquele rosto adolescente que Elijah conseguia visualizar-se destruindo.
― Eu não sei. Ou talvez eu saiba. O que acha de uma troca, Elijah? – ela propôs – Sua querida sobrinha pela mulher que está apaixonado.
Agora era a vez de Klaus mostrar todas as veias em volta de seus olhos. Ele olhava para Elijah como se não confiasse na sanidade do irmão naquele momento.
― Eu nunca lhe entregaria Hope – ele rosnou.
― Então é como dizem, se você não é um Mikaelson, você não vale a pena ser salvo – ela criticou em um tom superior.
Elijah avançou para a bruxa, com tanta raiva que estava praticamente cego. Desta vez não existia um pingente patético para arrancar de seu pescoço, desta vez era a cabeça dela que não parecia apropriada aquele corpo. Ou o coração, que batia tão tranquilamente que o vampiro sentia vontade de esmaga-lo com as próprias mãos enquanto ele ainda batia dentro da segurança de sua caixa torácica.
A bruxa ergueu a mão na direção de Elijah e a girou para a direita, movimento que foi acompanhando pelas pernas do vampiro, partindo os ossos. Elijah gritou de dor enquanto tentava não cair sobre os próprios joelhos. Ele endireitou as pernas enquanto Klaus avançava na direção de Dhalia, mas ela também o pegou, com a outra mão.
― Vocês são patéticos – ela debochou, enquanto segurava os dois irmãos Mikaelson com facilidade. – Não conseguem compreender que eu sou invencível? Mais imortal do que vocês!
Elijah olhou para a esquerda e sequer pensou muito antes de desaparecer através daquela direção, ficando longe do alcance do feitiço. Ele arrancou do chão uma das grades metálicas que contornavam o pequeno jardim de um túmulo e arremessou a distância. Dhalia não foi capaz de parar o pedaço de ferro que voava em sua direção, de modo que ele a acertou nas costelas.
A bruxa perdeu a concentração no feitiço que segurava Klaus, então o híbrido avançou para ela.
― Niklaus! – Elijah gritou para o irmão. – Ela é minha – ele exigiu.
Seus olhos estavam focados em Dhalia. Sua pupila tão dilatada que era impossível ver o tom castanho de sua íris, de modo que seus olhos tinham uma sombria combinação de vermelho e negro. Elijah agarrou a bruxa pelo pescoço e a ergueu do chão. Divertia-se ao vê-la esforçando-se ao máximo para respirar.
― É agoniante, não? Não conseguir fazer com que o ar vá para os seus pulmões – a voz de Elijah era assassinamente assustadora. Klaus paralisou, não lembrava-se do irmão mais velho agindo daquela maneira há séculos. O vampiro apertou um pouco mais o pescoço da bruxa. – Dói, não é? Onde está Davina?
Ela balançou as mãos, segurou o braço de Elijah com elas, tentando se livrar do aperto do vampiro. Seu rosto começava a ficar avermelhado e ela sentia que ia desmaiar, então fez o único feitiço que tinha forças para realizar. Fazer com que a cabeça dele doesse.
Elijah gritou e Klaus também. Segurando a cabeça com as mãos. Era como se seu cérebro estivesse superaquecido.
A bruxa puxou o ar com dificuldade, mas tudo o que conseguiu foi irritar ainda mais o vampiro que avançou para ela tão rápido que ela não conseguiu vê-lo. Elijah enfiou uma de suas mãos no peito da garota e agarrou seu coração, retirando-o dali com violência.
Assim que o corpo da garota caiu molemente no chão, sem vida, Elijah soltou o coração que já não pulsava em sua mão e ajoelhou-se. Sendo incapaz de controlar algumas lágrimas que desciam por seu rosto.
Era estranho o fato de ele ter arrancado o coração de Dhalia, mas o seu parecer não bater. Ele simplesmente doía com a ideia de perder Davina, sem ter a chance de dar a ela tudo o que ele poderia oferecer. Sem ter a chance de dizer para ela o que sentia.
― Ela não está morta, Elijah – Klaus afirmou. – Davina é inteligente, provavelmente desfez o vínculo quando sentiu que você ia sucumbir. Ela conhecia o feitiço.
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