Bound To You.
16 15.Blood

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Decidi ir até o cemitério Laffayete. Estava na hora de fazer as pazes com meus ancestrais, que permitiam que eu fizesse mágica e tinham concedido o poder que eu carregava. Pela primeira vez pisando naquela terra consagrada, eu me senti em paz. Minha mente que turbilhonava em pensamentos sobre a noite anterior acalmou-se e eu senti toda a magia de ancestrais felizes fluírem por meu corpo com um arrepio.
Seria ótimo, se não fosse tão suspeito. O cemitério estava silencioso demais, nenhuma bruxa fazendo qualquer feitiço ou garotos góticos fingindo serem infelizes. De qualquer forma, caminhei em silencio até o túmulo de minha família. Estava na hora de conceder-lhes o perdão que os ancestrais haviam me concedido. Ajoelhei-me em frente ao monumento e observei o nome de minha mãe, lembrando-me da Colheita e finalmente compreendendo que aquilo foi necessário.
― Já faz algum tempo, mãe – eu sussurrei, sabia que ela estaria ouvindo. – Eu quero que saiba que eu finalmente compreendi seus motivos... Você estaria orgulhosa de mim agora.
Eu não senti vontade de chorar. Nenhuma lágrima marejou meus olhos. Havia superado a morte dos meus pais há muito tempo. Murmurei um feitiço simples que para nós, bruxas, funciona como uma prece e logo senti a mágica da terra em mim, fortalecendo-me.
― Desculpem-me, por ter me aliado a vampiros – eu pedi, retirando de minha bolsa um pequeno refratário de madeira e uma adaga afiada. Rasguei a palma de minha mão e deixei que o sangue fluísse para o recipiente. – Eu ofereço meu sangue e meu poder a vocês – rezei baixinho, observando o recipiente vazar espontaneamente e o sangue correr para a terra. – Obrigada por aceitarem minha oferta.
Eu sorria e sequer tinha notado. Sentia-me bem por finalmente ter feito as pazes com meus ancestrais, de uma vez por todas.
― Por favor – murmurei – Digam-me que Dhalia não é a bruxa que vocês desejam como regente de nosso coven.
Senti um pequeno tremor abaixo de meus joelhos e pela minha experiência sabia que tremores espontâneos não significavam boa coisa.
― Prometo recolocar as coisas no lugar – eu continuava falando e sentindo a presença deles comigo.
Retirei algumas ervas de minha bolsa e um pouco de sal. Sabia que todo aquele silêncio era sinal de perigo. Fiz um círculo ao redor de meu corpo com o sal, esfreguei todas as ervas na palma de minha mão e encostei no túmulo de minha família, murmurando as palavras certas de um feitiço que indicava um lugar perigoso da cidade.
Rezei mentalmente para o feitiço não apontar o complexo Mikaelson por simplesmente haver vampiros e híbridos lá e o bayou por causa dos lobisomens. Inicialmente, nada aconteceu, eu não conseguia ver nenhum lugar da cidade que era perigoso.
― Ancestrais, eu os convoco. Me ajudem de um modo que não podem ajuda-la. Com sua visão e poder – clamei em voz alta e novamente murmurei as palavras. Agora vendo com clareza o complexo Mikaelson.
A bruxa colegial que ela conhecia como Dhalia estava no complexo, acompanhada de mais três marionetes. Klaus estava ajoelhado no chão, contorcendo-se sobre o próprio corpo, com a esclera dos olhos completamente negra e a íris amarela. Seus dentes caninos estavam a mostra, mas pareciam como os de um lobo. Ela fazia-o transformar-se a força. Olhei para Elijah e Marcel, os dois estavam também sobre os próprios joelhos, mas não pareciam estar com nenhuma dor.
Forcei minha mente para dentro da de Marcel, mas não consegui penetrar. Algo me bloqueava. A distância entre os nós tornara a mente do vampiro blindada ao meu feitiço. Elijah... eu pensei. E poderia dar certo, estava conectada a ele há dias para ajudá-lo com a porta vermelha. Na teoria seria fácil, na prática, era a mente de um Original irritado que eu tentava entrar.
Eu precisava avisá-los. Dhalia tinha um segredo e eu tinha descoberto. O amuleto de pedra lápis-lazúli que ela passara a carregar no pescoço era o símbolo da destruição e reversão do feitiço que mantia os vampiros vulneráveis à luz do sol e os lobos presos em seus próprios corpos.
“Elijah... Por favor, preste atenção em minha voz” eu chamei, assim que senti todo o poder da mente do vampiro em meu corpo. Podia ter vislumbres de Elijah sujo de sangue em sua mente, perseguindo uma mulher. “Olhe para o pescoço dela. Vê aquele amuleto? Destrua-o.”
Notei que Elijah olhava diretamente para o pescoço de Dhalia, mas no momento em que ele tentou ataca-la, ela deslocou sua atenção para ele. Elijah parou em uma posição estranha como se não conseguisse respirar e um segundo mais tarde, as veias de seu pescoço estavam saltadas por sua pele. O mesmo feitiço que eu havia feito anos atrás. Ela o engasgaria com o sangue de inocentes, mas para o azar de Dhalia, um pouco de sujeira era tudo o que eu precisava.
“Aguente firme, tente não respirar” eu falava com ele “Vou ajudar você”. Fechei minhas mãos em punho, fazendo com que o sangue que Elijah começava a vomitar não subisse mais por sua garganta, mas segurar um feitiço de Dhalia era difícil mesmo com a ajuda dos ancestrais. Liguei meu corpo ao de Elijah, ficando em pé e sentindo que ele fazia o mesmo. Comecei a me sentir ligeiramente sufocada e sabia que Elijah podia ver através de meus olhos.
― Davina, não... – ele disse em voz alta e eu pude ouvir Dhalia rindo em alto e bom som.
― Ela não pode ajudar você agora, Elijah. Embora eu tenha de admitir que você é mais forte do que parece.
“Controle a besta da porta vermelha, Elijah. Deixe que vocês sejam um só” eu aconselhei, buscando na mente do vampiro uma outra face de sua personalidade que me assustava. Pude ver meu próprio rosto e depois era eu quem corria de Elijah. Até o momento em que parei. “Não é seu destino matar todas as mulheres que você se apaixona Elijah. Isto não controla você”, neste momento eu não sei o que acontecia no complexo, meu nariz começou a sangrar com as memórias – eram aquilo memórias? Ou flashes do que ele desejava fazer comigo? – tornando-se cada vez mais reais. Parei diante de uma porta vermelha e ao contrário do que eu estava acostumada a ver, não forcei a fechadura. Sabia que Elijah estava atrás de mim, me caçando. Então esperei.
“Destrua o amuleto, Elijah!”, eu não via, mas ainda podia estimular os pensamentos do vampiro. Eu sabia que Elijah começara a sufocar em sangue novamente, pois o começava a sentir o gosto férreo do mesmo em minha língua. O predador finalmente chegou até mim, segurando-me pelo cabelo e cintura, deslocando minha cabeça para o lado para que pudesse me morder. Agarrei o rosto de Elijah com ambas as mãos e deixei seu cérebro ruim fritar com um feitiço. “Não é seu destino, está me ouvindo? Vai me matar se não destruir o maldito colar Elijah.”
Ouvi ele gritar, ao mesmo tempo que meus olhos voltaram ao cemitério e sangue no chão. Seja lá o que Elijah havia feito, nós nos desvinculamos no processo, mas já era ligeiramente tarde. Meu corpo estava cansado pelo feitiço, exaurido demais. Recostei-me no túmulo de minha família e senti minha visão enegrecer-se lentamente.
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