Bound To You.
11 10. Regretful Original Vamp

Depois de algumas horas esperando por Eljiah acordar, Marcel decidiu que seria melhor ir encontrar-se com Klaus, já que o híbrido poderia estar à beira de um colapso nervoso, deixando Davina e Alexis sozinha com o Original desacordado.
As duas foram dormir e dividiram a cama de casal de Davina, já que aparentemente era mais seguro daquela forma, uma vez que a reação de Elijah ao acordar era imprevisível. Ela sabia que ele poderia simplesmente desaparecer, então acordou cedo na manhã do dia seguinte e sentou-se no sofá, aguardando que ele acordasse.
Ela divagava sobre a vida dos Originais, pensando no quão difícil era para qualquer pessoa aguentar mil anos de existência. Ela mal conseguia imaginar. Olhou de esguelha para Elijah, como se fazê-lo fosse proibido, e admirou secretamente o fato de ele ter encarado a eternidade tão bem, até agora. Precisava ajuda-lo com o problema que Esther havia causado em sua mente.
― Noite passada foi um pouco constrangedora – a voz dele soou baixa e cautelosa, mas mesmo assim Davina assustou-se. – Desculpe, eu não tive intenção de atacar sua amiga ou você. Agradeço por ter me parado antes que eu fizesse algo estúpido.
Ele sentou-se no sofá, entrelaçando os dedos e apoiando os cotovelos sobre os joelhos, com a cabeça baixa. Quase como se sentisse vergonha dos próprios atos. Ele estalou o pescoço, como se testasse se tudo estava em seu devido lugar.
― Desculpas aceitas com uma condição – disse ela, atraindo o olhar dele em sua direção. – Me conte o que Esther fez com você.
― É claro... Você poderia servir café para nós? – Elijah pediu educadamente, evitando começar o assunto antes do que deveria, assim teria tempo de se explicar.
Davina assentiu, levantou-se e foi até a cozinha preparar a bebida, esperando que o cheiro forte não acordasse Alexis. Ela realmente desejava conhecer aquela parte da história do vampiro.
Assim que a bebida ficou pronta, ela serviu em duas xícaras e as levou para a mesa de centro. Elijah pegou a sua e bebeu um pequeno gole demoradamente.
― Agora, desembucha – ela falou, num tom de brincadeira, tentando amenizar o clima pesado que tocar naquele assunto tinha causado.
― Se você não se importa, eu prefiro mostrar – ele falou, erguendo o braço que ainda estava sujo de absinto. Seus olhos deslocaram-se para a mancha e perderam o foco por um segundo.
― Elijah! – Davina chamou, baixando o braço com a manga suja para que ele não tivesse mais contato visual com o que perturbava sua mente. Era mais grave do que parecia. – O que acha de me mostrar com a outra mão?
Ele assentiu positivamente e com certa surpresa por conseguir refrear o impulso da raiva que sentia há poucos segundos atrás, tocou o rosto de Davina com suavidade e deixou que ela visse todas as memórias que ele possuía sobre aquela noite, há anos, quando ficara preso nas tumbas com Esther. Deixou que a bruxa visse tudo, desde as memórias boas com Tatia até a tortura que a lembrança de matá-la causava. Sentiu uma terrível e incontrolável aflição quando aquelas cenas chegaram. A perseguição cruel e predatória. Incontrolável. Deixou que ela sentisse aquilo também e depois a culpa.
Davina arfou com aquilo, eram memórias carregadas por tantos sentimentos negativos que sentiu-se exausta quando elas acabaram. Esther havia feito Elijah se esquecer de tudo o que fizera por mil anos e agora, as lembranças danificavam o lado são de sua mente.
― Elijah... – ela arfou, assim que o vampiro retirou a mão de seu rosto. No mesmo instante, o toque quente de Elijah deixou um espaço frio no rosto de Davina. Ela demorou para unir coragem para olhá-lo nos olhos, teria de confessar a si mesma que aquilo a deixara chocada.
Mas ele parecia tão desolado que ela não teve tempo para pensar no medo que sentira ao vê-lo daquela maneira. Tomou a liberdade de tocar o rosto, envolvendo-o com ambas as mãos e fazendo com que os tristes olhos castanhos dele a fitassem.
― Eu posso ajudar. O que Esther fez com você foi um feitiço, impedindo que você superasse o mal que causou... Você fica ligado a bestialidade da memória e reproduz isso.
― Isso seria pedir demais. Nós tiramos você de sua vida para governar aqui, contra sua vontade. Agora teve de fazer um feitiço para proteger minha sobrinha e depois outro para me curar?
― Não é como se eu pudesse fechar meus olhos para você matando pessoas simplesmente por elas sujarem seu terno – Davina respondeu, sorrindo na direção do vampiro. – Quero dizer, eu sei que eles são caros.
Elijah sorriu pela primeira vez desde o momento que acordara. Ele a olhou nos olhos sentindo menos vergonha do que antes e mais confiança por estar ali com ela.
― Obrigada, Davina – ele falou, olhando rapidamente nos lábios perfeitamente desenhados da moça. Depois bebeu mais uns goles de seu café. – Como está Alexis?
― Dormindo agora. Marcel fez com que ela esquecesse do pequeno show que nós fizemos, sabe como é – ela respondeu, bebericando da própria xícara enquanto observava Elijah umedecer os lábios com a ponta da língua, desviou os olhos rapidamente, torcendo para que ele não tivesse notado sua ligeira indiscrição. – Sei que vocês querem compreender o motivo de eu ter me encontrado com Dhalia no cemitério e acredite em mim, Elijah, eu estava decidindo como contar.
Ele movimentou-se um pouco para o lado, afastando seu rosto do toque de Davina. Repentinamente sentindo-se preocupado com Hope e com toda a cidade. A bruxa a sua frente tinha mencionado o nome de sua tia e aquilo fez com que sua mente ficasse alerta.
― Dhalia? – ele perguntou.
― É uma história longa e ligeiramente assustadora – Davina respondeu, pacientemente. Recolheu a xícara que Elijah segurava e levantou-se para leva-la para a cozinha. – Você deve estar com fome, não é?
― Está com medo que a sede piore minha condição? – ele rebateu rapidamente, com o tom de voz duro.
― Não, é claro que não – Davina respondeu, sabendo que estava contando uma mentira. – É só que não tenho nenhum sangue para lhe oferecer.
― De qualquer forma, eu tenho que ir – ele anunciou, levantando-se rapidamente do sofá e girando sobre os calcanhares. Sentia tanta sede que poderia aceitar a oferta de qualquer sangue e ouviu a mentira na voz de Davina. Uma pontada de desejo em sua mente o fez esfregar a manga suja sem realmente notar que o fazia.
― Elijah, esqueça essa mancha e sente-se. Nós não terminamos ainda – Davina ordenou e para sua surpresa, Elijah obedeceu sem nenhuma objeção. Ela suspirou ao voltar para a sala e insistiu para que ele retirasse o paletó que o incomodava. – Certo, escute. Esther criou o feitiço para que você se esquecesse do que fez com Tatia, mas você foi quem criou o local onde sua mente armazena todas as suas vítimas, eu preciso entrar para consertar você.
Aquela palavra causou-lhe repulsa. Davina havia dito exatamente a mesma coisa que sua mãe, consertá-lo. Ele não queria que aquilo acontecesse, desejava poder ignorar manchas em seu terno, em suas mãos ou em qualquer lugar que o pertencesse tão bem quanto Niklaus era capaz de fazer, sem tornar-se alguém como ele.
― O que você precisa? – ele perguntou depois de um momento onde ponderou sobre a própria situação. Ser instável daquela maneira causaria efeitos colaterais que poderiam atingir Hope.
Elijah sentiu a mão de Davina nas suas e, em seguida, seus dedos entrelaçaram-se. Ele observou o gesto com cautela e fez uma nota mental a respeito de gostar de como suas mãos ficavam juntas.
― Preciso que relaxe e me deixe entrar – ela falou, fechando os olhos em seguida e murmurando o rápido feitiço em latim. Ele obedeceu, fazendo o possível para abrir a porta vermelha que mantivera trancada por tantos anos.
Ela procurou por ele mesmo naquele lugar, sentindo as mãos dele suarem abaixo das suas. O aperto de Elijah era gentil e ela podia sentir como ele controlava-se para não quebrar todos os ossos de suas mãos. O processo era doloroso para ele física e emocionalmente, mas ela precisava encontrar o homem que criara aquele espaço.
― Davina... Está ficando difícil de controlar – ele falou em uma voz trêmula.
― Só mais um pouco, aguente firme – ela pediu, com o máximo de sua concentração, passando por inúmeras pessoas que possuíam rostos desconhecidos para ela e evitando olhar naqueles olhos profundos e dispostos a denunciarem os crimes de Elijah.
E então ela o vislumbrou. A mesma aparência, mas com roupas diferentes. Feudais. O cabelo comprido e com cachos soltos até os ombros, a expressão consternada e inconsolável. Mas, no momento em que dera um passo na direção daquele homem, sentiu seu corpo real ser bruscamente puxado para o lado e abriu os olhos. O predador a segurava, expondo sua artéria pulsante no pescoço.
― Está tudo bem, Elijah – ela falou lentamente, sentindo seu coro cabeludo latejar pelo puxão do vampiro. Não podia desesperar-se naquele momento. – Se está com tanta fome, pode beber.
Ela estremeceu quando sentiu os lábios de Elijah tocarem-lhe o pescoço. Não havia dentes ali, não rasgara sua pele. As mãos dele afrouxaram-se sobre seus cabelos. Aquilo não era uma mordida, ele a provava de um modo diferente. Davina sabia que aquilo era uma possibilidade, Elijah tinha algum controle sobre a fera da outra personalidade que Esther havia enfeitiçado.
― Me perdoe – ele sussurrou, tão baixo que ela não teria escutado se ele não estivesse tão perto.
― Não tem problema, eu forcei demais – ela respondeu, sentindo que ele apoiava a testa em seu ombro.
Ambos ouviram um pigarro alto e tomaram alguma distância um do outro. Elijah disfarçando imediatamente sua expressão infeliz para uma máscara sem emoções e Davina sorrindo para a melhor amiga.
― Isso aqui que você viu, não foi nada – a bruxa falou, erguendo os braços num gesto de rendimento. – Você quer algum café, A?
― Hum... Pode ser – Alexis comentou com um olhar completamente irônico.
― Niklaus me espera, nos vemos em breve Davina – ele falou, levantando-se e caminhando para a porta rapidamente. – Prazer em revê-la, Alexis.
Uns minutos depois da saída de Elijah, Alexis caiu em uma gargalhada que Davina não compreendeu.
― Ok, vocês foram rápidos – disse a humana. – Quando eu ouvi vozes vindas da sala, esperei um pouco na cama para não surgir no meio de alguma conversa importante, até que escutei algo como “não consigo aguentar mais” e cheguei à conclusão que realmente não deveria levantar.
― Primeiro: você fez bem em não surgir do nada, segundo: o que você ouviu está longe de ser uma transa – Davina esclareceu, erguendo um dedo em riste e duvidando que a amiga acreditaria em suas palavras.
― Negue o quanto quiser, mas se não quer nada com o cara faça o favor de dividir.
― Eu poderia dizer que ele é todo seu, se estivéssemos em outra ocasião – a bruxa respondeu, permitindo-se outra xícara da bebida marrom. – Mas, acredite em mim, ele tem problemas mais sérios do que aparenta.
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