Bots and Pizza
2 Pesadelo na Cozinha
Notas iniciais
“Olá Superstar, sei que está atarefada, porém poderia antes de ir embora consertar os Bots na cozinha? Houve um pequeno acidente com o Chef Bot.”
Sharon suspira ao ver a mensagem em seu Fazwatch.
Não entenda errado, ela adorava o Freddy, porém ele geralmente lhe mandava mensagens relatando algum problema com STAFF Bots. Bem, era o trabalho dela, mas ela gostaria de as vezes ele mandar alguma mensagem fofa de inspiração, em vez de alertas de reparos.
Pelo menos ele se importava em mandar uma mensagem avisando, diferente de seu chefe, que só avisaria no dia seguinte, junto com trocentos reparos.
Sim, pelo menos o urso se importava.
Com outro suspiro, termina de consertar o Security Bot que havia caído das escadas. Como que ele conseguiu esse feito? Fazia a menor ideia. Provavelmente um bug no sistema de rota dele, porém isso não estava nas mãos dela, ela estava lá apenas para consertar a cabeça e braços do robô. Quem devia se preocupar com o software dele era o pessoal do TI, ao qual ela já notificou sobre a presepada do Security Bot. Esperava apenas que consertassem, não queria ter que ficar consertando o coitado.
Terminado o conserto, se levanta e ajusta os óculos, vendo em seu Fazwatch o que faltava.
—Ora, quem diria que já fiz tudo? Achei que ainda faltava alguma coisa. –marca como tarefa feita o conserto do Bot desastrado –Bem, vamos ver qual foi o problema na cozinha.
Sharon se encaminha rapidamente para a cozinha, querendo terminar logo, faltava apenas trinta minutos para terminar seu expediente e não queria ter que ficar além do horário, principalmente porque terminava apenas faltando vinte minutos para a meia-noite, e a meia-noite todo o Pizzaplex era trancado e só poderia sair de lá às seis da manhã. Ficar trancada lá era a última coisa que gostaria, e seu chefe também deu todo um discurso que se ficar trancada no Plex, não ganharia hora extra. Belo chefe…
Ao abrir a porta da cozinha, é agraciada com uma cena caótica.
Os fogões estavam uma zona, completamente sujos, vários pratos quebrados, uma das geladeiras estava aberta e escorria algo pelas prateleiras e se espalhando pelo chão. No meio disso tudo, alguns Bots estavam no chão, tendo alguns espasmos. Ao lado da máquina de queijo, estava um Bot com um chapéu de cozinheiro, aquele era o Chef Bot. Ele estava batendo a cabeça na máquina com pausas longas entre as batidas.
Engolindo em seco, Sharon chega perto do Bot.
—O que aconteceu aqui? Você está com algum defeito? –pergunta.
—Defeito? Eu não estou com nenhum defeito! Esses energúmenos que não conseguem cozinhar uma simples pizza! Eu apenas pedi para colocarem ela no forno e eles conseguiram queimar tudo! Olhe aquela tigela! Chama aquilo de bem misturado? Está uma *beep*! Por que me botam com esses *beep* que nem ao menos conseguem fazer um miojo?! –o Bot se vira, irradiando um ódio incrível que ela se perguntava como que era possível terem programado aquilo –Veja esta zona! Esses *beep* nunca vão conseguir deixar tudo arrumado até amanhã de manhã! Estamos arruinados! Deveriam fechar logo e vender apenas aquelas *beep* das máquinas que não são nem um pouco saudáveis! –a cada frase o Bot chegava mais perto dela, que recuava –Estamos condenados!
—Hum, acho que dizer pra você acalmar não vai ajudar né? –ela fala sem graça.
—Vai ajudar *beep* nenhuma!
—Ok, vamos fazer assim. Eu sou da manutenção, estou aqui para consertar os Bots. Vou chamar o pessoal da limpeza e eles vão deixar tudo limpo e notifico o pessoal do TI para olhar os códigos deles, deve ter sido algum bug no sistema deles. –ela tenta raciocinar.
—A esta hora só tem Mop Bots, todos os faxineiros humanos já terminaram seus expedientes. Precisamos de mãos humanas para limpar, os Bots só fazem um trabalho de *beep* na limpeza!
—Eles podem pelo menos deixar apresentável a cozinha, amanhã, sem falta, alguém virá deixar tudo em ordem antes de abrirmos. Que tal?
O Chef Bot pensa por um momento, Sharon temia que ele continuasse a gritar com suas falas sendo censuradas e tentasse fazer ela ficar além do horário para que faça algo que não foi contratada. Ela já estava perdendo um tempo precioso tentando falar com ele, na realidade, nem deveria estar ali, deveria ter ignorado a mensagem de Freddy.
—Certo, parece razoável. Mas eles têm que vir aqui no momento que entrarem! Aqui é prioridade! –ele aponta para o chão, aproximando a cara da dela.
—Sim, vou avisar. Agora se me der licença, vou ali reviver aqueles Bots. –ele faz um sinal para ela sair da frente dele, algo que ela faz rapidamente.
Com certo esforço, consegue arrastar os cinco Bots que estavam atirados no chão para perto da parede que estava salva daquele caos. Pega suas ferramentas da caixa que andava sempre consigo e começa a trabalhar.
Não ia ser nada fácil arrumá-los.
Havia comida entrando para dentro do endoesqueleto deles, alguma coisa grudou em seus cabos e sistema de ventilação, que resultou em eles superaquecerem e pararem de funcionar. Teria que, pelo menos, limpar o interior de cada um.
Enquanto trabalhava no terceiro Bot, aquilo que mais temia acontece.
—O Freddy Fazbear’s Mega Pizzaplex está fechado. Iniciando protocolos noturnos.
—Espera, o quê?! Já é meia-noite?! –ela berra ao ouvir o anúncio.
—Meia-noite e um para ser mais exato. –o Chef Bot responde enquanto tentava comandar os Mop Bots, que haviam chegado enquanto Sharon estava concentrada em consertar.
—Não, não pode ser! Céus, o Alan vai pirar! –ela coloca as mãos na cabeça –Não tem nenhuma maneira de sair daqui?
—Não, tudo está trancado.
—Nem uma saída de incêndio?
—Trancada, só abre se detectar fogo. –isso arranca um grunhido dela –E nem pense em fazer os alarmes dispararem, só vai arrumar problemas para você.
—Não se preocupe, não estou tão desesperada assim. –ela se levanta e vai até a porta –Bem, como vou ficar trancada aqui, vou te ajudar a arrumar tudo e fazer com calma. Só preciso fazer uma ligação antes, já retorno aqui. –o Chef Bot concorda com a cabeça e ela sai da cozinha, indo até os banheiros, tirando o celular do seu bolso e fazendo a ligação.
Após explicar toda a situação e que ficaria presa lá, coloca uma água em seu rosto e volta para a cozinha.
E ao abrir a porta, se depara com outro caos.
—Pare de comer do lixo! Você é lixo por acaso?! –Chef Bot gritava.
—Mas estou com fome! –a voz chorosa pertencia a ninguém menos que Glamrock Chica, que segurava um saco preto de lixo.
—Então coma algo ao menos comestível! –Chef Bot agarra o saco.
—Não! Me devolva!
—Isso é lixo sua depravada! –e o pior acontece.
O saco rasga, espalhando pelo chão todo seu conteúdo.
Mas que fantástico!
—Eu não vou limpar isso. –Sharon aponta para o lixo.
—Você limpa! Você que fez essa bagunça! –Chef Bot aponta de forma acusatória para Chica.
—O quê?! Mas só rasgou porque você tentou pegar de mim o saco! –ela protesta.
—A cozinha é meu território, eu que mando aqui, então mexa esse seu traseiro e limpe essa *beep* de bagunça! –com isso, ele se vira e volta a berrar com os Mop Bots.
—Ok, quem programou ele e por que ele parece um cara de um programa de TV de culinária que eu vi esses tempos? –Sharon pergunta mais para si mesma, porém Chica a encara.
—Bem, estávamos tendo muitas reclamações das comidas, então pegaram um dos Bots para colocar uma IA baseada em um chef famoso. De certo modo deu certo, agora as reclamações diminuíram, mas os humanos que trabalham na cozinha geralmente saem chorando daqui. –Chica explica.
—Bem, eu não julgo.
—Inclusive, o que está fazendo aqui? O Pizzaplex fechou, é para apenas estar o guarda-noturno de humano aqui.
—Bem, como pode notar, acabei perdendo a hora por ficar tentando consertar os bots daqui, e infelizmente não consegui terminar ainda, faltam dois. –ela aponta os bots sentados na parede –Mas já que estou presa aqui até as seis, vou ajudar a arrumar tudo, antes que o Chef Bot exploda.
—Vai ajudar mesmo? Pelo que sei, você não ganha nada ficando presa aqui.
—É, não ganho nada, mas não iria me perdoar por deixar tudo isso aqui desse jeito. –ela dá de ombros –Minha mãe dizia que eu sou boazinha demais.
—É o que parece, mas não vejo como algo ruim.
—Se você diz. –ela dá de ombros, se virando para os Bots desligados –Vou terminar logo de consertar eles, aí posso te ajudar a juntar a sujeira.
—Oh, não se incomode, fui eu que causei isso, eu limpo!
—Mas com certeza depois vou ter que te limpar. –aponta a chave de fenda para ela.
—É… –ela toca as pontas dos dedos, obviamente envergonhada, o que faz Sharon rir, e logo depois Chica se junta na risada.
—Parem de vadiar e arrumem logo essa bagunça! –Chef Bot grita do outro lado da cozinha, fazendo as duas se voltarem a suas tarefas.
Três horas da manhã e Sharon se levanta, havia terminado de limpar Chica.
A cozinha estava brilhando, os Mop Bots, junto a ela e Chica conseguiram deixar aquele lugar como se fosse novo.
—Finalmente a *beep* de uma cozinha digna de um restaurante. –Chef Bot cruza os braços, olhando a cozinha, parecia orgulhoso.
—Você devia diminuir nos palavrões, isso é um estabelecimento para crianças. –Sharon fala.
—Cozinha não é lugar de criança, e eu tenho censura, não vejo problema nenhum. –ele coloca os braços na cintura.
—Se formos por essa lógica, é, você tá certo.
—Claro que não! Isso é má influência! –Chica encara o Chef Bot –Você tem que ser mais legal com os outros! Fazer os outros chorar é horrível!
—Eu seria legal se eles fizessem as coisas direito!
—Então ensine eles a fazer direito!
—Eles são contratados para fazerem direito, eu não tenho que ensinar esses…
—Ok, ok, eu estou aqui no meio, se continuarem a gritar assim, vou ficar surda. –Sharon levanta as mãos, interrompendo os dois –Vou lá conferir a bateria dos Bots, podem continuar a brigar, mas não gritem tanto, por favor. –ela anda até os cinco Bots que consertou, enquanto Chica e o Chef Bot a encaravam.
Conferindo que os Bots estavam totalmente carregados, Sharon liga eles e faz alguns testes básicos para avaliar se estavam em condições a voltar a trabalhar.
—Vocês estão perfeitos, parabéns! –ela sorri, os Bots se encaram por um momento –Podem voltar a trabalhar, mas não se preocupem, vou tentar falar com o Chef pra ele ser mais legal com vocês. –isso os faz encará-la, parecendo confusos. Ela se levanta e cantarola, indo até o Chef Bot e Chica –Os Bots estão em perfeitas condições, mas você deve tratar eles melhor. –aponta para o Chef Bot.
—Do que está falando?
—Eles tem claros sinais de que não estão tendo as manutenções necessárias, além de estarem sobrecarregados com tantas tarefas ao mesmo tempo. É negligência de você, o líder deles, e da companhia, por não checar tanto quanto deveria a cozinha. –explica, cruzando os braços –Sugiro que peça pelo menos duas vezes por semana uma manutenção nos Bots, e que não os sobrecarregue com tarefas, se está tendo dificuldades, faça uma requisição para contratar mais gente para a cozinha. Se fizer isso, aposto que será menos caótico aqui.
—Tem certeza? –ela quase ri do tom de suspeita dele.
—Sim. Agora venha aqui e me deixe dar uma olhada em você.
—Eu não preciso de conserto. –ele bufa.
—Pare de ser infantil, eu fui requisitada a consertar todos os Bots na cozinha, que inclui você. –com um suspiro, o Bot vai até ela, que pega sua chave de fenda e começa a mexer em seu corpo.
Trinta minutos depois, Sharon sorri enquanto terminava de polir o Chef Bot.
—Prontinho! Como eu suspeitava, você também estava negligenciando suas manutenções. –termina e guarda todos os utensílios que utilizou em sua caixa –O que eu falei dos Bots vale pra você. Como quer comandar essa cozinha se não for o exemplo? –o comentário faz ele encarar o chão.
—Eu… Vou cuidar disso no futuro. –ele murmura.
—Isso, e caso precise de reparos imediatos, só me chamar, vou vir correndo. –ele a encara.
—Por que se preocupa com simples Bots?
—Bem, além de ser meu trabalho, eu adoro vocês. Vocês cuidam do Pizzaplex para que não vire um caos, enfrentam clientes chatos, a vida de vocês é difícil, e apesar de serem programados pra isso, eu admiro vocês. –todos os Bots na cozinha a encaram, deixando-a nervosa –E-eu falei algo errado?
Rapidamente os Bots ficam ao redor dela e lhe dão um grande abraço grupal, ficando de fora apenas Chica e o Chef Bot.
—Hm, acho que isso quer dizer que vocês gostam de mim? –um os Bots faz um beep que soava como afirmação, que a faz rir –E vocês dois?
—O que tem a gente? –Chef Bot recua um pouco, enquanto Chica começa a pular no mesmo lugar de felicidade.
—Vem pro abraço! –Chica faz um gritinho de alegria e se joga no abraço grupal, fechando os olhos de felicidade. Com um suspiro, Chef Bot se aproxima e de forma desengonçada, abraça.
—Você é minha nova melhor amiga! –Chica exclama, enquanto todos se desvencilham do abraço. Os Bots vão voltando aos poucos para seus lugares de trabalho –O que vai fazer agora? Ainda temos duas horas até abrir.
—Bem, estou morrendo de fome, então vou pegar algo para comer e depois descansar um pouco talvez?
—Hei, podemos cozinhar juntas! Adoro cozinhar!
—Vai cozinhar o que? Cupcakes?
—Engraçadinha, eu amo fazer cookies!
—Aqueles de baunilha com gotas de chocolate?
—E qual outro seria? –isso faz as duas rirem.
—Alguns cookies cairiam bem agora.
—Vou pegar os ingredientes! –ela se vira e dá de cara com o Chef Bot –Algum problema?
—Vocês vão cozinhar, na minha cozinha, sem meu consentimento? –ele emanava raiva.
—Podemos? –Chica não estava nem um pouco afetada pela raiva do Bot.
—Apenas se eu supervisionar todo o processo. –ele cruza os braços.
—Claro! –com isso ele a deixa ir buscar os ingredientes. Sharon chega mais perto do bot.
—Não invente de gritar com a gente, não somos cozinheiras ou trabalhamos pra você.
—Não sou idiota, só não quero que coloquem fogo na minha cozinha.
—Aliás, os cookies vão ser descontados do meu salário né?
—Vou botar na conta da Chica, ela já tem um débito grande com a cozinha.
—Hein? E como funciona isso? Ela meio que não ganha salário.
—Mas posso usar dos serviços dela, como fazê-la tirar o lixo.
—Mas ela não come o lixo?
—E isso já me causou diversas dores de cabeça. –ele coloca a mão na testa, imitando o gesto como se realmente estivesse com dor de cabeça. Isso a faz rir.
—Pelo menos as noites devem ser bem agitadas por aqui.
—Não posso discordar. –Chef Bot a encara –Obrigado por me ajudar, isso aqui ainda estaria um caos sem sua ajuda.
—E obrigada você por não botar os cookies no meu salário. –os dois riem –Mas eu falei sério, se precisar de ajuda, é só me chamar.
—Lembrarei disso.
Chica retorna com os ingredientes, colocando-os no balcão e com as instruções do Chef Bot, começam a misturar os ingredientes.
—O que aconteceu? Precisa de primeiros socorros? –Chica pergunta enquanto elas sovavam a massa, ela indica as marcas roxas em seus pulsos.
—Ah, foi um acidente em casa, nem está doendo, não precisa se preocupar. –Sharon dá um sorriso sem emoção.
—Se ficar ruim, só falar, sou ótima em cuidar de machucados. –Chica tenta fazer aquele momento estranho que se instaurou voltar a ser o alegre de antes.
—Claro, vou falar. –e ela continua sovando a massa.
Chica retorna seu olhar para o que estava fazendo, sabendo que pela reação de Sharon, tocou em um tópico sensível, e isso a incomodava profundamente.
Não forçaria sua nova amiga a falar, mas sabia que teria que fazê-la falar em algum momento.
Teria que esperar o momento certo.
—Céus, esses cookies estavam bons. –Sharon sorri, terminando de comer o último cookie.
—Estavam mesmo! Foi graças ao nosso amor que eles ficaram tão deliciosos! –Chica junta as mãos, animada –E veja só, está quase na hora de abrir!
—É mesmo? Realmente a gente perde a noção do tempo quando faz algo divertido. –Sharon junta suas coisas e se vira para o Chef Bot, que estava terminando de ajeitar o balcão que elas usaram –Obrigada por nos deixaram descolar um rango, qualquer problema que tiver, só me chamar.
—Claro, agora se mandem, preciso fazer os preparativos para começar o dia. –ele faz um movimento com a mão para elas saírem dali, que arranca uma risada das duas.
—Tchauzinho, até a próxima. –enquanto ela e Chica saíam, ouvem o Chef Bot murmurar algo, cruzando os braços, o que só as faz rir ainda mais.
—Acho que ele gosta da gente agora. –Chica fala –Ele sempre gritava comigo quando aparecia na cozinha, acho que você amoleceu o coração hipotético dele.
—Ele só precisava de um pouco de amor. –ela ajeita a sua caixa de ferramentas –Bem, obrigada por… Bem, por tudo. Vou lá guardar as ferramentas e me arrumar pra ir embora.
Sharon começa a caminhar, mal esperando chegar em casa e dormir um pouco.
Até que ouve passos metálicos atrás de si.
—Algum problema? –olha para trás, vendo que Chica mexia suas mãos de forma nervosa.
—Ah! Não, nenhum! E-eu só… Eu… –ok, isso era novo, não esperava que alguém como a Chica pudesse demonstrar tanto nervosismo.
—Olha, eu tô indo pro vestiário dos funcionários que fica perto da Creche, se quiser me acompanhar até lá, não tem problema nenhum.
—Ah, o vestiário! E-eu não posso entrar ali…
—A não ser que um funcionário dê permissão.
—É-é… –vendo que a animatrônica continuava naquele estado nervoso, Sharon suspira.
—Nada impede que você fique do lado de fora me esperando, se quiser, é claro. Não vou demorar pra me ajeitar.
—V-você não se importa?
—Não. –a resposta faz o nervosismo de Chica sumir na hora, que fica animada novamente e toma a frente do caminho.
Com um suspiro, Sharon começa a segui-la, tentando entender por que de um momento para outro Chica ficou tão nervosa. Será que tem medo de ficar sozinha? Não, não parecia ser isso. Algo envolvendo a segurança de Sharon? Talvez, ainda existiam rumores acerca da má reputação do Pizzaplex, apesar de algumas mudanças terem sido implementadas três anos atrás após terem reconstruído por causa do desastre do fogo, e não houve incidentes até então.
Incidentes que ela saiba.
As duas chegam na frente do vestiário.
—Vou rapidinho me ajeitar, daqui a pouco volto. –ela abre a porta.
—Estarei aqui qualquer problema! –Chica praticamente cantarola e ela fecha a porta.
A primeira coisa que faz é guardar sua caixa de ferramentas em um armário com seu nome, enquanto tira sua bolsa e roupas.
Olha para o casaco e se pergunta se agora está tão frio quando começou a trabalhar no dia anterior, seria um problema se estivesse mais frio, tinha apenas aquele casaco.
Vai até o banheiro e troca rapidamente de roupa, e quando fica pronta, olha seu reflexo no espelho, estava com olheiras fundas debaixo dos olhos.
—Já fiquei pior que isso. –murmura tocando nelas.
Com uma última ajeitada em seus óculos, que disfarçavam um pouco suas olheiras, sai do banheiro, vai até seu armário, o tranca e pega sua bolsa, abrindo a porta do vestiário e vendo que Chica continuava ali, dessa vez acompanhada por um dos STAFF Bots, um da segurança. Parecia conversar com ele.
—Prontinho. –anuncia, chamando a atenção dos dois.
—Oh, perfeito! Lembre-se do que falei. –Chica aponta para o Bot, que faz um joinha e sai, indo fazer sua ronda.
—O que você falou com ele?
—Nada importante! –Chica vai até ela –Pronta para ir para casa?
—É o que mais quero, preciso de uma cama urgente. –as duas riem e começam a ir até a entrada do Pizzaplex.
—Foi divertido essa madrugada, se ficar mais vezes presa após o horário, pode me procurar. –Chica a olha.
—Não me leve a mal, mas ficar presa aqui é a última coisa que quero. –Sharon ri –Mas quem sabe durante meus intervalos não podemos cozinhar de novo?
—Eu adoraria!
E as duas chegam na frente das grandes portas da saída.
—Meus sensores captam que lá fora está bem frio. Não tem mais nada para se cobrir além deste casaco?
—Infelizmente não, mas não tem problema, um friozinho desses não é nada. –ela chega perto e a porta automática abre, deixando o frio entrar. É, estava frio, mas era tolerável.
—Mesmo assim, para prevenir que você…
—Não tem problema, além do mais, não moro muito longe e realmente preciso ir.
—Mas… –ela se cala ao ver a cara de Sharon –Ok, você venceu, mas da próxima vez venha bem agasalhada.
—Vou vir. Até mais Chica.
—Até! –enquanto Sharon caminhava para longe do Pizzaplex, Chica continuava a abanar sua mão.
Havia conseguido, ela conseguiu guiar alguém em segurança para fora do Pizzaplex, aquilo trazia uma sensação de alívio em seus circuitos, apesar de realmente querer que Sharon tivesse colocado mais agasalhos.
—Como será que ela volta para casa? Será que dirige um carro ou… –ouve um ronco de um motor e logo uma moto passa na frente do Pizzaplex em uma velocidade acima da recomendada –UMA MOTO?! MOTOS SÃO PERIGOSAS! –ela berra, mas a motoqueira radical já estava longe para ouvi-la.
Três dias após sua aventura na cozinha, Sharon estava no Partes e Serviços consertando um dos Bots de aviso de chão molhado, pelo que havia entendido um adolescente chutou ele do segundo andar pelas escadas rolantes. Esperava que, pelo menos, esse jovem tivesse levado uma advertência, ninguém deveria tratar um Bot assim, mesmo ele sendo considerado algo “não vivo”.
Suspira, ganhando a atenção de seu colega, Kyle.
—O que houve agora? –ele sorri, a encarando.
—Só frustrada com as pessoas não dando o devido valor aos STAFF Bots. –responde, mexendo na roda do Bot.
—Nem todo mundo é tão… Afetuosa como você.
—Eu sei, mas, pelo menos, não chutem eles dos segundo andar! O coitado só não foi desativado de vez porque eu disse que conseguia consertar.
—E como vai o trabalho até agora?
—Uma merda. –isso arranca uma risada do mecânico.
—Posso tentar ajudar, mas sou especializado nesses bonitões aqui, não nos STAFF. –ele aponta para o endoesqueleto que estava mexendo.
—Só queria entender por que tem tanto endoesqueleto, não é só os Glamrocks que utilizam?
—O problema é que eles tem diversos problemas por estarem sempre se movimentando, isso quando não quebram uma parte superimportante que não tem como substituir. Pode crer, é um saco ter que mover toda a CPU deles pra outro endoesqueleto. –Kyle bufa, parecia que já teve algumas experiências com este fato em particular.
—E com que frequência isso acontece?
—Não muita, tirando o Monty com os acessos de raiva dele, que ultimamente aumentaram e estão muito frequentes.
—Ouvi falar disso, é muito ruim?
—Demais. Todos os Bots que ele destrói são desativados permanentemente por causa de danos irreparáveis, o quarto dele é uma zona e ele sempre quebra uma parte do corpo dele. O bom que ele só destrói o quarto dele, se ele começar a destruir o Plex, não acho que a posição dele da banda vai salvar dele ser desativado.
—Não tentaram, sei lá, mexer na programação dele pra ele não fazer isso?
—Não rola, isso faz parte da personalidade dele.
—Que tal achar um psicólogo pra ele? –o comentário faz Kyle a encarar por alguns segundos, até ele começar a gargalhar –Hei, tô falando sério!
—Eu sei, por isso é hilário! Acha que os cabeças gastariam dinheiro com isso?
—Bem, faria que eles não tivessem um animatrônico quebrando tudo todo dia.
—É, você tem um ponto aí. –ele continua rindo –Um psicólogo de animatrônicos!
—Ha ha, ria o quanto quiser, é uma solução de problemas.
—Concordo, mas é muito engraçado! –isso a faz revirar os olhos.
Seu Fazwatch bipa.
“Pelo amor do que é mais sagrado, venha para a cozinha o mais rápido possível.
CB”.
—Ah não… –ela se levanta, arrumando sua caixa de ferramentas.
—O que houve?
—Acho que está havendo mais uma crise com o Chef Bot.
—Boa sorte com ele.
—Vou precisar.
Na frente da porta da cozinha, Sharon já podia ouvir gritos e panelas batendo. Aquilo deveria estar um caos.
Com um suspiro e ajeitando seus óculos, ela abre a porta e finalmente presencia o que estava acontecendo.
A cena em sua frente estava menos pior do que esperava.
Alguns Bots estavam indo de um lado a outro sem motivo algum, outros estavam cozinhando, e havia até um girando no mesmo lugar no canto mais distante da cozinha. Os cozinheiros humanos estavam tentando cozinhar algo enquanto o Chef Bot gritava algo sobre um molho estar horrível.
—Hei, Chef Bot, você me chamou? –ela tenta chamar a atenção do Bot explosivo, que vira para ela de forma ameaçadora.
—Sim! Um desses *beep* me fez o favor de estourar o óleo na cara do Gamma! –ele aponta de forma acusadora para um cara que estava tentando bater algo em um recipiente.
—Foi um acidente! –o cara protesta.
—Gamma? –Sharon levanta uma sobrancelha.
—O nome daquele Bot. –ele indica um Bot do lado da geladeira, a cara totalmente preta e parecendo totalmente triste com sua situação.
—Colocou nome nos Bots? –ela não perde a chance de sorrir para o Chef Bot.
—E-eu não coloquei! Eles vem com nomes de fábrica, é o código deles! –ela ri ao ver o Bot totalmente envergonhado.
—Sei…
—Eu to falando a verdade! –isso arranca mais risadas dela.
—Eu acredito em você, sou a especialista em STAFF Bots, lembra? –ela coloca a mão no ombro dele –Vou parar de encher o saco e vou consertar o pobre Gamma.
Antes que o Bot a responda, ela já se aproxima de Gamma e com um rápido olhar, identifica o problema.
O óleo fez o favor de fritar os olhos do Bot, ele basicamente estava cego.
—Hei Gamma, sou eu a Sharon, estive aqui consertando vocês três dias atrás, se lembra? –ela pergunta de forma calma, o Bot encara de onde havia saído a voz e faz um beep que ela interpreta como um sim –Ok, além de seus olhos, houve algum outro dano que tenha notado? –o Bot nega com a cabeça –Certo, vou te consertar, só preciso que fique paradinho, não deve demorar muito.
Enquanto trabalha em retirar a placa na face do Bot, alguém abre a porta da cozinha de forma brusca:
—TEMOS PROBLEMAS! –uma mulher loira berra, Sharon a encara, se sua memória não estiver errada, aquela mulher cuidava da publicidade e redes sociais do Pizzaplex:
—O QUE FOI AGORA?! –Chef Bot berra de volta pra ela –Não está vendo que estamos ocupados com a comida?!
—Isso não é importante!
—Como assim não é importante alimentar os clientes?!
—O Gary acabou de ter um acidente, não temos como fazer o delivery! –com isso um silêncio recai sobre a cozinha.
—Como assim?! Não tem outros motoboys?!
—Não! E aquela era a nossa única moto! –a mulher estava prestes a arrancar os cabelos –Eu avisei pra contratar mais gente, mas não! Disseram que o foco não era o delivery, bem, não vamos ter mais delivery!
Com essa frase, todos na cozinha entram em pânico. Os Bots que antes andavam de um lado a outro começam a andar em zigue-zague, os cozinheiros humanos ficaram boquiabertos, um deles sem querer faz a panela que cuidava pegar fogo, e começa a berrar enquanto um Bot pega um dos extintores de incêndio para apagar o fogo, e ao utilizar, acaba acertando a espuma no humano, não na panela, o que faz o humano berrar. O Bot que girava no mesmo lugar começar a girar muito mais rápido, virando um borrão.
Aquilo era o caos.
—Eu só queria que prestassem atenção em mim! Eu sempre falo dos problemas, mas nenhum dos gerentes me leva a sério! –a mulher começa a chorar.
Completo caos, com certeza.
—Hm, acho que eu posso ajudar vocês… –Sharon fala de forma tímida, se arrependendo no mesmo momento que todo mundo a encara, até mesmo o Bot que girava, com sua cabeça de forma estática enquanto todo o corpo continuava a girar –Eu tenho habilitação para dirigir uma moto e conheço bem a cidade, poderia ajudar vocês a fazer as entregas.
—Nós não temos uma moto. –a mulher suspira.
—Eu tenho, posso fazer as entregas com ela.
Isso faz a mulher pensar por um momento, até que se decide e pega as mãos de Sharon.
—Por favor, qual é o seu nome?
—S-Sharon. –ela se sente desconfortável ao ver os olhos dela brilhando.
—Sou Annie, você realmente está disposta a fazer todas as entregas hoje?
—Claro, mas eu meio que tenho que avisar meu chefe e…
—Deixa tudo comigo! Muito obrigada! Você é uma santa! –ela a abraça, o que retribui de forma desajeitada –Agora se mexam! Preciso que refaçam os pedidos! –ela manda nos Bots, recebendo um olhar assassino do Chef Bot, aquele era o trabalho dele.
—Eu só tenho que terminar de ajeitar o Gamma e… –ela encara o Bot, que magicamente estava de volta a seu posto no trabalho –Mas o que?
—Vamos, não se preocupe, se prepare para fazer as entregas! –Annie praticamente dava pulinhos do seu lado de felicidade.
No que havia se metido dessa vez?

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