Bots and Pizza
3 Motos fazem vrum vrum
Notas iniciais
As dez entregas que Sharon fez até que não foram tão ruins assim.
Nas primeiras, os clientes elogiaram que foi rápida a entrega depois que receberam a mensagem de que o pedido estava sendo refeito, o que a deixou feliz, porém as últimas entregas foram um tanto quanto… Inusitadas.
Uma delas um casal veio pegar a pizza, e ficaram cerca de dez minutos chamando um ao outro de “momolado” e “pudinzinho” enquanto Sharon apenas queria pegar o dinheiro e sair de lá antes de ficar insana. Quando finalmente entregaram o dinheiro, ela saiu correndo, mas ainda teve o vislumbre deles se beijando furiosamente enquanto seguravam a pizza.
Em outra entrega, uma velhinha veio pegar a pizza, e ela teve que repetir cinco vezes o preço para a senhora, que lhe paga em um valor muito mais elevado do que era o pedido, e quando foi dar o troco para a senhora, ela havia sumido. Sentindo-se culpada, Sharon coloca por debaixo da porta da senhora o troco, esperando que ela encontre.
A última entrega foi a mais assustadora. Já estava em um bairro conhecido por ser perigoso, e após tocar a campainha da casa, é recebida com uma espingarda apontada para sua cabeça, o pânico quase a fez deixar cair a pizza.
—Ah, é a entregadora. –diz o homem, abaixando a arma –Desculpe por isso, é que uma hora atrás estava dando tiroteio na rua, então achei que estavam tentando me enganar.
—Juro que sou apenas uma entregadora contratada pela Fazbear! –Sharon guincha, estendendo a pizza.
—Claro claro, aqui o seu dinheiro. –ele estende, e quando ela faz questão de pegar, o homem agarra seu pulso e a faz chegar mais perto –Pegue isso, aqui é perigoso.
Ele estende uma arma para ela.
—E-e-e-e-eu não preciso disso! E-eu… Tenho uma na moto, não se preocupe! –o homem a encara por um tempo, até que dá de ombros e a larga, fechando a porta em seguida.
Sharon se apoia na parede, as pernas tremendo.
Definitivamente não iria mais voltar para esse bairro.
Após as entregas inusitadas e ter dado uma pausa para se recuperar do choque da última entrega, Sharon finalmente retorna ao Pizzaplex, se dirigindo para a cozinha.
—Voltei gente, fiz as entregas! –anuncia ao abrir a porta, e congela.
Todos os cozinheiros humanos e Bots estavam ajoelhados no chão, reverenciando Sharon, assim como Annie e Chica.
—Hã, o que vocês estão fazendo? E por que você está aqui Chica? –Sharon pergunta, medo em sua voz.
—Oh, me disseram que você é uma espécie de santa, então vim ajudar a te venerar! –Chica levanta a cabeça, totalmente feliz.
—Pera, santa? Do que você está falando?
—Você é como um anjo que caiu do céu para nos salvar da danação! –Annie levanta, os olhos brilhando para Sharon.
—E-eu não sou nada disso! Vocês não… –ela é interrompida por uma mão que repousa em seu ombro.
—Não tente argumentar com eles, apenas aceite. –Chef Bot fala.
—Mas eu não sou uma santa!
—Obviamente, mas eles só estão muito felizes que você evitou uma crise, deixe eles viverem essa fantasia agora.
—Mas e se eles continuarem a ficar me venerando toda vez que eu entrar na cozinha? –Chef Bot levanta a mão com o dedo para cima, fazendo questão de responder, porém fica mudo e pensa por uns instantes.
—Isso seria um problema. –ele aponta para ela –Vou ter que controlar esses *beep*. –ele se vira para todos na cozinha –Ok, já deu de vadiar, levantem essas bundas e vão cozinhar, temos muito a fazer ainda! E parem de venerar a mecânica, ela é um ser muito superior que não precisa de algo tão trivial!
O comentário faz os cozinheiros concordarem e se levantarem, voltando para suas estações de trabalho.
Sharon pensa em argumentar que não era um ser superior, mas decide ficar quieta ao ver Annie e Chica ficando em sua frente.
—Muito obrigada! Muito obrigada mesmo! Nunca recebemos tantos comentários positivos sobre uma entrega! –Annie pega as mãos de Sharon e começa a mexê-las de cima para baixo, muito animada.
—Não foi nada, fico feliz por ter ajudado.
—Falaram também sobre ter sido rápida as entregas, que sempre demorava um monte, isso me faz pensar se o Gary estava vadiando durante as entregas. Vou ter que falar com ele depois que ele sair do hospital. –ela fica pensativa –Precisamos de gente ágil como você, assim teremos mais comentários positivos, e assim ganhando mais dinheiro e boa fama. –com isso, ela solta as mãos de Sharon e começa a andar, o olhar perdido em seus pensamentos.
—Ela tá bem? –Sharon pergunta pra Chica.
—Ah, quando ela foca sobre o trabalho, não enxerga mais nada a frente, nem se preocupe. –a animatrônica ri –A Annie está sempre trabalhando duro pra limpar o nome da empresa, principalmente depois do incêndio.
—Não deve ser fácil. –ela pega sua caixa de ferramentas que estava em um canto. –Foi divertido, mas tenho que voltar pro meu trabalho de verdade, pode avisar pra Annie depois que se precisar de qualquer coisa, só me chamar. –ela faz questão de se virar para ir embora, porém nota que Chica estava mexendo em suas mãos de forma nervosa, como havia acontecido na noite que se conheceram. –Você está bem?
—Hã? C-claro que estou! Nada errado! –definitivamente não estava bem. Sharon suspira.
—Acho que você também tem que voltar para o trabalho né? Eu tenho que ir até o Partes e Serviços, imagino que você esteja indo pro Átrio, quer companhia?
—C-claro! Seria incrível! –a animatrônica saltita até seu lado e as duas começam a caminhar em direção ao Átrio –Então… Como está sendo trabalhar aqui?
—Está sendo muito bom, o pessoal me trata bem, sendo humano ou animatrônico. –ela responde, olhando Chica –Isso é algum método de espionagem da Fazbear para descobrir os podres dos funcionários?
—O que?! Não! E-eu só estava curiosa! –Chica fica boquiaberta, colocando uma de suas mãos em seu peito, em uma pose um tanto quanto dramática, o que arranca algumas risadas de Sharon.
—Eu estava brincando. –a careta que Chica faz para ela a faz rir ainda mais.
—Posso lhe afirmar que nenhum dos animatrônicos deste estabelecimento tem algum protocolo feito para espionar os funcionários, não fazemos parte de um complô da Fazbear, na realidade nossas diretrizes são contra isso.
—Oh, bom saber, mas vocês ainda gravam tudo que veem e os mecânicos podem acessar e ver, né?
—Sim, todos os animatrônicos têm um banco de dados que armazenam o que veem e ouvem, agindo como a mente de um humano, isso é o que faz nós desenvolvermos nossas personalidades e… Pera, isso quer dizer que…
—O complô da espionagem ainda tá de pé.
—E-E-E-eu juro que não estou te espionando, nenhum funcionário! –Sharon não aguenta mais segurar e começa a gargalhar, com direito a escapar algumas lágrimas ao ver a animatrônica em total pânico com a possibilidade de ser uma espiã sem saber –N-n-não ria! Céus, como eu nunca pensei nisso?!
—C-calma Chica, posso te dizer que eles tão nem aí pra ficar olhando horas de gravação da vida de vocês. –Sharon seca as lágrimas, finalmente diminuindo as gargalhadas.
—Tem certeza?
—Bem, pela minha interação com os mecânicos de vocês, eles estão mais preocupados no conserto do que espionagem, além do mais, eles também devem estar escondendo alguns podres, principalmente o Boris, ele, com certeza, tem culpa no cartório.
—Boris? Aquele que acertou o Freddy com um tiro da nova Fazerblaster modificada e o deixou sem enxergar por uma semana?
—Esse mesmo.
Sharon não trabalhava ainda no Pizzaplex quando aconteceu este incidente, porém ele era mencionado para todos os novos funcionários, como uma forma de alertar que se isso acontecer mais uma vez, a pessoa iria ser demitida. Além disso, eles alertavam isso mostrando um banner enorme com a cara de Boris, para ter certeza que todos no complexo saibam que ele foi o causador do caos da semana que Freddy tirou “férias”. Coitado do Boris…
—Bem, é suposto que não podemos falar mal de nossos funcionários, mas o Boris realmente tem um ar suspeito, e não é por causa do episódio do Fazerblaster. –Chica chega perto dela, falando baixinho, como um segredo.
—Exatamente. –as duas se encaram e sorriem, cúmplices.
O Fazwatch de Sharon bipa, alertando uma nova mensagem.
—É sério isso? –ela suspira ao ler.
—O que houve?
—Uma criança atropelou um dos Bots no Roxy Raceway e parece que ele atravessou uma parede, junto com o kart. Vou ter que ir lá averiguar o estrago…
—A criança está bem? –Chica fica preocupada.
—Parece que sim, mas só vou saber mesmo quando chegar lá. Vou ter que correr, te aviso sobre a criança quando souber mais informações, tchau!
—Ok, boa sorte lá! –ela acena enquanto Sharon caminha de forma rápida até seu destino.
Chica só para de acenar quando não vê mais sua amiga, baixando sua mão e a segurando com a outra, surgindo preocupação em seu rosto.
Ficaria tudo bem, nada de mal vai acontecer enquanto ela estiver no Roxy Raceway, confiava que Roxy preveniria isso. Sabia que sua preocupação era infundada, mas não conseguia evitar.
Teria que confiar que tudo ocorreria bem.
—Céus, será que dá pra salvar algo? –Sharon se pergunta ao ver o Bot que foi atropelado.
—Ele eu não sei, mas a diretoria vai arrancar os cabelos quando ver essa parede. –Hector, o gerente de operações, suspira.
—Como que ela quebrou com tanta facilidade?
—Tá vendo aqueles pedaços ali? –ele aponta para os destroços da parede, que ela confirma com a cabeça –São de um dos materiais mais vagabundos que tem no mercado. Não acredito que aceitaram essa porqueira. Depois de uns dois anos ele começa a rachar e se desfazer, que coincidentemente é o tempo que já faz desde que reconstruíram toda essa atração.
—Acha que usaram esse material em todo o Roxy Raceway?
—Noventa por cento de certeza, mas vou ter que chamar um engenheiro especializado, já que só tem eu que sabe de engenharia no Plex e isso é além do que posso fazer. –ele massageia as têmporas, iria ter uma dor de cabeça daquelas –A diretoria vai querer minha cabeça, apesar de eu só ter sido contratado ano passado.
—É melhor ajeitar isso o mais rápido possível do que ficar esperando um acidente pior acontecer.
—Eu sei, mas vou ter que convencer os cabeças duras.
—Você consegue. –ela tenta animar ele –Veja pelo lado bom, o garoto está bem, e acho que a Roxy está adorando ser o centro das atenções. –ela olha para a entrada da atração, onde estava Roxy com uma pequena multidão, que tirava fotos dela e faziam perguntas, além de algumas pessoas estarem com cartazes principalmente com a frase “Eu amo Roxy”.
O que não pra menos, afinal ela heroicamente salvou o garoto que perdeu o controle de seu kart, que não estava funcionando o freio e começou a acelerar.
Pelo que ouviu das pessoas, quando o garoto começou a gritar por ajuda, Roxy instruiu o garoto a retirar seu cinto através do Fazwatch que ele usava, e como em um filme de super herói, ela, que estava no andar de cima, corre e pula na pista enquanto o garoto vinha com o kart em sua direção, e em um movimento digno de filme, ela pula e puxa o garoto consigo enquanto o kart perde o controle e capota, acertando um Bot que estava apenas fazendo seu trabalho e atravessando a parede.
Uma heroína de fato.
—Ela parece melhor pelo menos.
—Como assim? –o comentário de Hector a faz encará-lo.
—Desde que abriu o Roxy Raceway, Roxy se recusa a botar os pés na pista. Nem utiliza seu kart personalizado que foi restaurado. Quem trabalha com ela diz que ela congela se pisa na pista. Além disso, evita multidões, só lida com elas durante os shows.
—Alguém sabe por quê?
—Nenhuma ideia. Os mecânicos dizem que está tudo certo com ela, mas deve ser algo a ver com alguma experiência ruim que teve. Sabe, apesar de serem animatrônicos, eles são tão humanos quanto eu e você.
—Ninguém tentou, sei lá, ouvir ela e descobrir que acontecer e ajudar ela a superar?
—Claro que sim, mas ela não fala sobre isso, o que aí dificulta. –ele olha para a loba ao longe –Sabia que ela é a minha favorita?
—É mesmo?
—Sim, por isso ver que ela está conseguindo superar o que quer que aconteceu, nem que seja momentâneo, me deixa feliz.
Os dois se olham e sorriem.
—Mas vou deixar você cuidar do Bot agora, tenho que preparar um discurso pra diretoria sobre toda essa merda.
—Boa sorte. –com isso Hector lhe acena um tchau.
Sharon larga sua caixa de ferramentas em um canto e vai até o Bot, precisaria averiguar os danos primeiro para saber se conseguiria consertá-lo.
Tinha sorte que o kart não estava encima do Bot, tinha quase certeza que não teria forças de tirá-lo de cima do pobre Bot.
Com um suspiro, encara todo o corpo do Bot e com pesar, constata:
—Desculpa amigão, não vou conseguir te arrumar, o kart fez o favor de acertar em todas as partes essenciais. –ela faz um carinho na cabeça do Bot –Você fez um bom trabalho, pode descansar agora.
Parecia algo bobo de se fazer, mas Sharon não se importava, para ela, todos os Bots eram como uma pessoa, mereciam respeito, e era justamente por isso que começa a tentar tirar o Bot daquele lugar escuro e triste.
Enfase no tentar.
Não que fosse fraca, porém todos os Bots tinham um peso… Considerável. Então ela tinha que literalmente arrastar o corpo pelo chão para movê-lo.
Isso levaria horas.
—Superstar? –uma voz que qualquer um que visitou o Pizzaplex reconheceria a chama, fazendo se virar para a abertura da parede.
—Freddy! Hei! Como vai? –ela ri, nervosa, em uma posição cômica de meio agachada segurando o Bot pela cintura.
—O que está fazendo dentro deste buraco?
—Eu… Bem, teve um acidente e esse Bot acabou se envolvendo, então to tirando ele daqui. –ela tenta arrastar um pouco o Bot, em vão –Por que vocês são tão pesados?! –ela sussurra de forma nervosa pro Bot sem salvação.
—Estou vendo que está tendo dificuldades, vou ajudá-la. –Freddy se encaminha até ela.
—N-não! Não precisa! Você vai se sujar todo, e não posso pedir pra que faça isso e… –apesar de seus protestos, o urso ergue o Bot sem esforço algum.
—Superstar, não há problema algum. Não posso deixar alguém que precisa de ajuda na mão sendo que posso ajudar.
—Mas…
—Nada de mas, agora, onde devemos ir com este camarada?
—Túneis de serviço, descarte de Bot.
—Descarte? –ele finalmente nota o estado do robô –Sabe que não precisa carregá-lo até lá, certo? É só chamar os Bots.
—Não é justo com ele. –ela olha para o chão, nervosa. Freddy a encara por alguns segundos, processando o que ela havia falado:
—Você é realmente uma pessoa muito boa Superstar. –ele conclui, começando a caminhar.
—É, ouço muito isso. –ela o acompanha.
—Ouvi falar que você e a Chica ficaram amigas, além do Chef Bot.
—É, podemos dizer que sim. O Chef Bot parece ter ficado menos maluco com os cozinheiros depois que o ajudei. –isso arranca uma risada de Freddy.
—Eu vejo menos pessoas saindo chorando de lá, realmente.
—Que bom que ele me ouviu. –ela ri –E a Chica nunca tinha conversado, mas cozinhamos juntas e foi bem divertido. Depois disso as vezes a gente se encontra e ela me escolta pelo plex. –ela pensa por um momento –Falando nisso, você sabe se ela tem algum problema?
—Como assim?
—Bem, algumas vezes ela parecia… Nervosa, principalmente quando eu tenho que ir para outro lugar e deixando ela sozinha.
—Superstar, digamos que certos acontecimentos do passado marcaram nossas memórias… Mas não vai ser eu que vou dar a resposta acerca de sua dúvida, isso é algo que deve perguntar para a Chica. –Justo. –ela concorda, apesar de querer que Freddy tivesse lhe dado uma resposta em vez de uma charada.
Os dois chegam em frente ao descarte de Bots, Freddy coloca com cuidado o Bot no lugar marcado e Sharon o ajeita, se despedindo em seguida, enquanto puxa uma alavanca que aciona uma esteira que leva o Bot embora.
—Obrigada por me ajudar Freddy, não teria conseguido trazer ele para cá tão rápido.
—Sempre que precisar de qualquer tipo de ajuda, pode me chamar. –o animatrônico fala feliz.
—C-claro. –o tom dela o faz a encará-la, sério.
—Superstar, estou falando sério, e não apenas para ajuda braçal, qualquer tipo de ajuda. –o tom dele a faz recuar um passo, juntamente com ele se curvando e ficando com o rosto no mesmo nível que o dela.
—Ok, ok, vou chamar! –ela levanta as mãos em rendição, assustada com o tom meio agressivo do animatrônico conhecido por ser o mais passivo de todos.
Ele encara mais um pouco, até que concorda com a cabeça e volta a ficar reto.
—Então, em que mais posso ajudá-la? –ele retorna ao seu tom animado de sempre.
—Nada, eu só preciso voltar para o Partes e Serviços para terminar de arrumar o Bot de aviso de chão molhado e aí termino meu turno. –ela responde de forma rápida, ainda um pouco assustada por antes.
—Gostaria de companhia até o Partes e Serviços? -ele vira a cabeça de lado, Sharon até acharia fofo, se não tivesse levado um ultimato agressivo do urso antes.
—Não precisa! Eu vou passar e pegar algo para comer também, e você tem que voltar e dar atenção aos visitantes.
—Ah, bem lembrado Superstar! Mas vou te acompanhar até sairmos desses túneis, eles podem ser… Perigosos se estiver sozinha.
—O que quer dizer com isso?
Ela encara o urso, que apenas a encara de volta e coloca as mãos em seus ombros, a fazendo se virar e a empurrando para caminhar para longe dali.
—Pera, Freddy, o que você quis dizer com aquilo? Freddy?! –o urso apenas fica cantarolando enquanto a empurra para sair dos túneis.
Sem obter uma resposta de Freddy.
Um dia após suas aventuras, Sharon estaciona sua moto no estacionamento do Pizzaplex, pegando sua mochila e checando seu Fazwatch, vendo quais tarefas iria ter no dia.
Estranho, por que sua lista de tarefas estava vazia?
—Hei, Charlie! Preciso falar com você! –um homem com cerca de quarenta anos acena para ela, que reconhece o homem como sendo Rick, seu chefe.
—Oh, boa tarde. O que seria? E meu nome é Sharon, não Charlie. –ela responde enquanto ele agarra suas mãos.
—Soube que você deu uma mão pro pessoal da cozinha ontem, algo sobre fazer as entregas das comidas.
—Sim, eu fiz. Já tinha feito tudo que estava na minha lista, que inclusive está vazia hoje. Houve algum problema no sistema?
—Ah, não não, é que foi falado com os diretores, e foi decidido que ampliarão as entregas. –ele sorri.
—E o que isso tem a ver com eu não tendo tarefas? –ela não estava gostando de onde essa conversa estava indo.
—Bem, a Annie recomendou fortemente que você seja uma das entregadoras, principalmente agora que não temos nenhum entregador ou moto. Sabe, até que apareça gente para ocupar as vagas. Ah, mas ela queria que você continuasse a fazer as entregas mesmo após contratarem mais gente.
—Espera, eu sendo uma entregadora? E os Bots? Eu fui contratada para arrumar eles, sabe.
—Aí que vem o pulo do gato. –ele aproxima o rosto dele no dela, que recua um pouco. Por que ultimamente estão colocando suas caras perto da dela quando ela claramente via eles? Não é porque ela utiliza óculos que ela não conseguia enxergar. –Estão te oferecendo um aumento para que atue como mecânica de Bots e entregadora.
Isso a deixa perplexa por um momento. Um aumento? Com certeza ajudaria muito, Alan ficaria muito feliz com isso.
—E como funcionaria isso?
—Basicamente você não vai ter tantas tarefas como sempre, e quando houver entregas, será chamada pela Annie ou o Chef Bot para fazer as entregas. Se houver algo urgente, apenas me avise que mando alguém para te cobrir.
—Certeza? Não vai ficar meio pesado para mim?
—Que nada! Sei que com toda essa tua juventude, não seria problema! –ele larga as mãos dela e dá tapinhas nas costas dela, que fica sem reação –O que diz? Vai aceitar? Por mim está tudo bem, e pense no aumento que você vai ter!
Ela o encara com uma sobrancelha levantada. Seu chefe, que adorava a atolar de tarefas, estava muito feliz por ela ganhar uma “promoção”. Tinha caroço nesse angu.
Porém, a oferta era muito tentadora.
—Certo, posso entregar as comidas no meu tempo livre. –ela decide.
—Você fez a escolha certa Shirley!
—Meu nome é Sharon.
—Ah é, como o Gary se acidentou e a moto foi perda total, você vai ter que fazer as entregas com sua moto enquanto as novas não chegam. A previsão é que cheguem semana que vem.
—Sem problemas.
—Vamos, me dê um abraço Charlotte! –seu chefe a abraça, estava muito animado.
Será que fez a escolha certa ao aceitar a oferta?
Provavelmente não.
Primeiro rascunho do encontro na cozinha

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