Bots and Pizza
7 O sol que ilumina seu dia
Notas iniciais
Sharon suspira ao terminar de consertar o Bot de limpeza.
Já era a terceira vez naquela semana que estava tendo que ir até os bastidores do Teatro para consertar Bots. Dessa vez teve que consertar cinco, todos apresentando marcas de garras.
Teria que consultar um certo jacaré para confirmar suas suspeitas do culpado por aquilo.
O Bot religa, a encarando.
— Pode fazer uma checagem para ver se há mais algum problema? – pergunta. O Bot concorda com a cabeça, começando a fazer os testes em seguida.
Ela aproveita e olha seu Fazwatch, nenhuma mensagem do Chef Bot. Já fazia uma semana que sua restrição foi retirada, porém o Chef Bot não a chamou. Quando mandou uma mensagem para ele, apenas respondeu para que ela descansasse um pouco mais.
Ela bufa, apesar de ter meio que sido pressionada a aceitar, gostava de fazer as entregas. Menos em lugares perigosos, esses deixava para os outros entregadores usando de algumas desculpas esfarrapadas.
O Bot faz um beep, chamando sua atenção.
— Encontrou algum problema?
Ele nega com a cabeça.
— Então estamos prontos para ir. – ela sorri, olhando os outros quatro Bots, que estavam esperando seu último amigo – Bora?
Eles concordam com a cabeça.
Os seis se encaminham para a entrada da Creche.
A Creche estava vazia, não havia sinal algum do atendente. Já era sete e meia da noite, a Creche fechava às sete horas. Talvez o atendente estivesse descansando.
— Ok pessoal, vocês podem voltar para seus postos. Já sabem, qualquer problema, me mandem uma mensagem e virei correndo lhes socorrer! – ela fala para os cinco Bots, que a encaram e depois abrem os braços, no sinal universal de abraço – Vocês sempre são muito carentes.
Ela ri e abre os braços também, se aproximando e os abraçando, que fecham os olhos e soltam beeps de felicidade.
Um arrepio por sua espinha sobe.
Sentia que estava sendo observada.
Olha ao redor, não consegue distinguir quem a observava, via apenas clientes e crianças andando pelo local, já se encaminhando para as outras áreas do Pizzaplex, porém todos pareciam não se importar de lhe dirigir o olhar.
Estranho.
Seu Fazwatch bipa.
— Oh, uma reunião no Fazcade? O que será que estão aprontando? – ela pergunta ao começar a ler a mensagem, até que lê o que estava no final – O que eles estão falando de competição?
Ela olha os Bots, que dão de ombros.
— Bem, tenho que ir, mas só reforçando, qualquer problema, só chamar!
Os Bots lhe lançam um joinha e ela se encaminha para o Fazcade.
Alheia que alguém a seguia de longe.
— Eu sou o melhor jogador de Combat Kids! – Arnold, um dos colegas de entrega de Sharon, berra, apontando para o próprio peito com um sorriso.
— É mesmo? Quer apostar quanto? – Kyle se aproxima de forma ameaçadora, estralando os dedos.
— Isso vai ser interessante. – Annie come algumas pipocas, enquanto Sharon encarava os dois berrando com uma cara desacreditada.
A maioria dos funcionários se reuniram no Fazcade para terem um momento amigável com todos, porém quando entrou no assunto de arcades, as coisas começaram a se tornar um tanto quanto competitivas.
— Eu confio no Kyle. – Gary surge atrás das duas.
— Quem está vivo sempre aparece. – Annie o olha – Como vai? O braço melhorou?
— Sim, posso voltar a fazer entregas. – ele movimenta o braço e o flexiona, para demonstrar que estava melhor.
— O que aconteceu dessa vez? – Sharon pergunta.
— Capotei a moto depois de passar em um buraco, as entregas caíram no rio. Quebrei o braço nisso, já é a terceira vez só esse ano.
— “Só esse ano”? Nos outros anos você quebrou quantas vezes?
— Umas cinco por ano. – ele ri da cara de surpresa dela – Digamos que eu sou azarado e gosto de viver perigosamente.
— E isso sempre nos dá prejuízo. – Annie come mais um pouco de sua pipoca.
— Falando nas entregas, sabe de algo da cozinha e do Chef Bot? Ele não me chamou pra fazer entregas já faz umas duas semanas.
— Bem, eu quase não tô lá por tar capotando a moto, mas pra mim está caótica como sempre.
— E você Annie, sabe de algo?
— Não, fiquei ocupada principalmente discutindo com os diretores sobre o upgrade no Chef Bot. Parece que vão fazer, só estão vendo a melhor data para implementar.
— Façam suas apostas! – Boris berra, chamando a atenção de todos, batendo em uma das mesas com uma vareta. Os funcionários começam a se juntar ao redor dele, fazendo as apostas.
— A gente pode apostar? Isso não é proibido no nosso contrato?
— Os diretores estão nem aí pra isso, a não ser que alguém reporte ou um cliente veja. Como o Fazcade já fechou, podemos fazer isso sem problemas. – Annie explica – Cinquenta no Kyle!
— Trinta nele também! – Gary também anuncia, os dois se encaminhando para o burburinho.
Sharon suspira, se escorando em uma parede perto dos túneis usados pelo DJ Music Man. Não apostaria, afinal, tinha chances de perder dinheiro, e perder dinheiro era a última coisa que queria.
Um movimento chama sua atenção, uma cabeça gigante surge do túnel que estava ao lado dela, olhando ao redor, até que a vê do seu lado.
— E aí DJ, como vai? – ela sorri para ele, que olha a comoção de pessoas na mesa e depois para ela, fazendo um emote de dinheiro e interrogação nos olhos – É, estão apostando quem vence no Combat Kids. Eu não gosto de apostar, então vou ficar na minha pra não atrapalhar.
O comentário o faz pensar por um momento, até que parece se decidir no que quer que pensou.
Ele estende uma das mãos para fora do túnel.
— O que foi? Quer me dar carona para algum lugar? – ele concorda com a cabeça. Ela olha por um momento seus colegas, todos ávidos em saber quem venceria a aposta. Pondera se seria legal se juntar a eles, porém sabia que ficaria de lado por não ter toda a animação deles para apostar – É, bora lá, não precisam de mim ali. – ela se decide, subindo na mão do animatrônico, que começa a se locomover.
Os dois chegam no palco e ele a deixa na pista de dança.
— Então, o que vai ser hoje bonitão? – ela sorri.
DJ imita uma dança com suas duas mãos da frente.
— Oh, então finalmente vou ver o lendário DJ Music Man em ação? – ela ri, ele concorda com a cabeça, entusiasmado – Ah, é mesmo! Posso chamar um amigo?
DJ Music Man fica com a cabeça de lado, curioso.
Um movimento chama sua atenção, alguém parecia tentar se esconder no banheiro masculino. Será que era o amigo que Sharon falava?
DJ Music Man confirma com a cabeça, e ela começa a digitar em seu Fazwatch.
— Perfeito, vou chamar o Monty, finalmente posso provar que somos amigos. – ela fala.
Oh, então não era o espião do banheiro que ela estava falando.
Enviada a mensagem, um dos Mini Music Man surge.
— E aí Mini! Como vai? – ele bate seus pratos, animado – O DJ vai tocar, veio participar? – ele concorda, fazendo alguns movimentos de mímica – Hum? Os outros Minis vão vir? Vamos ter uma festa então! – ele começa a dançar ao redor dela, que ri.
— Estou indo, parem de me azucrinar! – uma voz chama a atenção deles, era Montgomery Gator, ele estava sendo empurrado por três Mini Music Man.
— E aí Monty! – Sharon chama, o animatrônico jacaré a encara e vê o outro Mini Music Man animado ao seu lado e atrás o grande DJ Music Man, que lhe dá um aceno amigável.
— Você só pode tá de brincadeira. – ele se aproxima com receio, a voz incrédula.
— Eu te disse. – ela cruza os braços – Nós somos amigos, né DJ? – o grande animatrônico concorda com a cabeça. Montgomery os encara por um momento, até que simula um suspiro.
— Tá, você venceu, eu acredito agora! – ele fala derrotado, fazendo ela rir – Me chamou só pra isso?
— Não, o DJ queria tocar música, achei que seria divertido a gente dançar um pouco, sabe, em agradecimento pelo tour. – ela aponta para o DJ Music Man, que coloca uma das mãos no headphone, pronto para fazer balada.
— Não vai chamar os outros também? Você não é tipo, supergrudada na Chica?
— Vai ter outras oportunidades, além do mais, queria aproveitar um pouco com vocês. – ela os indica – Mais alguma pergunta ou podemos nos divertir?
— Não. – ele olha o DJ Music Man – DJ, Rock ‘n Roll!
O grande animatrônico concorda com a cabeça, se preparando e começando a tocar uma de suas músicas, que faz Sharon sorrir e começar uma dancinha desengonçada, acompanhada pelos Minis.
Montgomery sorri ao ver isso e se junta a eles.
— Você chama isso de dançar? – ele azucrina.
— Não enche, nem todo mundo é um rockstar. – ela mostra a língua pra ele em um sinal infantil.
— Mas posso te ensinar se quiser.
— Você? Ensinando? Alguém mexeu em algum parafuso seu? – isso arranca uma risada do animatrônico.
— Eu sou um ótimo professor. Não quer testar?
— Okay, vamos ver se tu faz eu virar uma rockstar.
— Eu posso ensinar, mas não faço milagre. – isso arranca uma careta dela e uma risada de DJ Music Man.
— Não se atreva a rir das gracinhas dele! – ela aponta para o DJ, que ri mais, fazendo-a em seguida se juntar às risadas.
Montgomery também ri, até que ela se vira para ele.
— Então, vai me ensinar?
— Quando terminarmos, você não vai mais passar vergonha nas baladas. – ele olha para o DJ Music Man – DJ, bota uma música bem rock.
O grande animatrônico faz um joinha e muda a música.
Com uma risada, os dois começam a dançar.
Não muito longe dali, alguém espiava os três se divertindo. Ele queria se juntar, dançar com eles, se divertir junto. Ter amigos era incrível, porém isso era algo que ele acreditava que jamais teria de novo.
Não queria que aquilo acontecesse de novo.
— Ugh, minha cabeça tá me matando. – Annie coloca a mão na cabeça, fechando os olhos.
— Bebeu muito ontem? – Sharon a encara, estava sentada em um dos banquinhos e com sua chave de fenda em mãos, ajeitando um Bot de limpeza.
— Sim, o Kyle deu uma surra no Arnold no Combat Kids e pegamos umas cervejas e enchemos a cara em comemoração. – ela se esparrama na mesa em frente aos monitores das câmeras, as duas estavam na Sala de Controle.
— Deve ter sido incrível. – ela ri, voltando a mexer no Bot.
— Foi, pena que você não estava lá. – a loira se levanta e vai até ela, lhe dando um abraço por trás –Cê tava com o DJ né, achei ter visto vocês tendo uma baladinha particular.
— É, ele me chamou e ficamos nos divertindo lá até o horário do Plex fechar.
— Por acaso o Monty estava também? Tive a impressão de ter visto ele dando uns pulinhos.
— Sim, ele ficou tentando me ensinar a dançar.
— E conseguiu?
— Não. – as duas se encaram e riem juntas – Mas o que vale é a intenção né?
— Com certeza. Incrível que você conseguiu virar amiga da banda, e do DJ, ele dificilmente interage, acho que ele tem um pouco de receio pelo tamanho dele.
— O que é uma pena, ele é um amor. – ela sorri – Mas é incrível que todos eles quiseram ser meus amigos, mesmo eu não sendo grande coisa.
— Vira a boca pra lá, você é incrível! –ela se desvencilha do abraço, encarando Sharon, até que um bipe desvia a atenção das duas, que se viram e olham para os monitores das câmeras, de onde havia surgido o som –Hm, o que é isso? – ela aperta os olhos para tentar enxergar melhor – Mas o que ele tá fazendo?! – ela praticamente guincha.
— O que foi?
— Esse palhaço está fora da área dele! Ele deveria estar olhando as crianças! – ela aponta para o monitor, que mostrava um animatrônico com roupas espalhafatosas no Rockstar Row, tentando se esgueirar e não ser visto. Parecia que encarava as portas que levava à Sala de Controle.
— Ele não é o atendente da creche? – Sharon pergunta, obviamente confusa com a cena atípica.
— Sim! E ele deveria estar na Creche, não aqui! – Annie solta quase que um urro de frustração – Se os diretores souberem disso, se isso for noticiado, vão arrancar minha cabeça!
— C-calma, é só a gente levar ele de volta pra Creche e… – Sharon se interrompe ao ver que Annie começou a chorar, borrando sua maquiagem.
Sem pânico, ela deveria ser a adulta naquela situação.
Respirando fundo, Sharon se levanta e bota suas mãos no ombro de Annie, chamando a atenção da loira chorosa.
— Vou resolver isso, vou levar o atendente pra Creche, ninguém vai perder o emprego.
— V-você vai? – Sharon concorda com a cabeça. Annie a encara e então se joga nela, a abraçando e chorando mais – De novo você vai me salvar! Você é realmente uma santa!
— Não é pra tanto. Além do mais, acho que a culpa é minha por ele estar aqui. – ela afasta a loira e começa a ir em direção da porta.
— Como assim?
— Ah, nada não. – ela sorri e sai, deixando a loira com uma cara de confusa.
Descendo rapidamente as escadas, Sharon abre a porta para o Rockstar Row e procura o animatrônico, que acha rapidamente, ele ainda estava no mesmo local que tinha visto pelas câmeras, tentando não ser notado em frente ao camarim do Freddy.
Ela começa a ir em sua direção, e o animatrônico nota que havia sido avistado. Em pânico, ele mexe as mãos e olha freneticamente para todos os lados, até que se agacha atrás de um pote de planta, que cobria apenas metade do corpo dele, deixando bem óbvio que ele ainda estava lá.
Chegando na frente da planta, Sharon tenta não fazer muitos movimentos bruscos para não assustá-lo.
— Oi, você é o atendente da creche né? O que está fazendo aqui no Rockstar Row? – ela pergunta calmamente, sem levantar o tom da voz. Vendo que era com ele, o atendente da creche começa a mexer com as mãos, obviamente nervoso.
— Oh! E-e-e-eu? B-bem, eu meio que… Meio que… Me perdi! Isso, me perdi! – ele evita olhar na cara dela, ainda atrás da planta. Obviamente ele estava mentindo, algo que ela achava que aqueles animatrônicos não eram capazes. Porém tinha que levar ele de volta para a Creche o mais rápido possível, então não podia se preocupar com essas questões menores.
— Certo, eu posso te levar de volta para a Creche, que tal? – ela estende a mão, o animatrônico a encara por um momento – Podemos ir pelos Túneis de Serviço que é mais rápido, aí ninguém nos vê. – se estivesse acompanhada, com certeza Freddy não reclamaria dela andar pelos túneis de novo.
— V-você vai comigo?
— Claro. – com essa afirmação, o animatrônico fica de pé em um pulo, assustando Sharon, que dá um passo para trás. Ele era alto, talvez um pouco mais que Freddy por conta dos raios de sol em sua cabeça.
— Vai ser tipo siga o mestre! E você é o mestre! – ele indica ela, agora com o tom animado.
— Hã? Acho que sim? – ela estranha a rápida mudança de emoção do animatrônico, porém ele estando animado era melhor que nervoso atrás da planta – Vamos logo, as crianças estão te esperando.
— Vamos! – e ela toma a frente, indo até a porta dos túneis, sendo seguida de perto pelo animatrônico, que caminhava animado, dando pulinhos.
Ela abre a porta e eles encaram as escadas, a iluminação bem mais fraca. O atendente para com os pulinhos e mexe com as mãos, nervoso.
— P-precisamos ir por aí?
— Sim, é mais rápido. Algum problema? – ela nota o nervosismo dele. Qual era o problema agora?
— N-não, nenhum! Podemos ir! – a voz dele dá uma esganiçada.
— Se não quiser, podemos ir pelo caminho mais longo, só temos que ir rápido.
— Não não! Vamos pelos túneis! – para ilustrar sua decisão, o atendente passa pela porta e começa a descer as escadas.
Dando de ombros, Sharon vai atrás dele, rapidamente o alcançando no final da escada, onde ele estava parado.
— Tudo certo? Podemos ir? – ela, receosa, toca na mão dele, que a encara.
— C-claro! Mostre o caminho! – ele faz um movimento exagerado para que ela tome a frente. Ela toma a frente e começa a guiá-lo pelos túneis.
— Por aqui chegamos na entrada, e de lá é rapidinho chegar na Creche. Assim evitamos dos clientes verem a gente circulando. – ela olha para trás, o animatrônico a seguia, nervoso – Por que saiu da Creche e deixou as crianças sozinhas?
— S-sozinhas?! Não não, elas não estão sozinhas, o Joshua está cuidando delas!
— Quem é Joshua?
— O segurança da Creche! Ele sempre está atrás da mesa, me encarando todo tímido, ele obviamente quer ser meu amigo, mas é tão tímido! – ele junta as mãos – Além do mais, as crianças estão na hora da soneca, não tem problema eu sair um pouco!
— Não tem problema para você, mas isso acarreta problemas para outras pessoas.
— Como assim?
— Bem, a Annie, que cuida da publicidade do Plex, estava desesperada, porque se algum cliente tirar uma foto sua fora da Creche em horário de trabalho, vai parecer que você não está fazendo seu trabalho, acarretando má reputação para o Plex, fazendo com que a Annie seja questionada se está fazendo realmente seu trabalho de ajeitar a imagem da empresa e, nos piores dos casos, ela pode perder o emprego. E isso pode atingir o Joshua também, por não ter cuidado o suficiente para que você ficasse em sua área. Além do mais, se alguma criança se machucar nesse período, a responsabilidade vai ser jogada para ele, e ele também pode perder o emprego e… – ela se interrompe ao ver ele parado – A-atendente? O que houve?
— TEMOS QUE CORRER! – o grito dele a assusta, que se desequilibra e cai de bunda no chão.
— H-hein? – ela vê o animatrônico botando as mãos na cabeça, virando a cabeça de um lado ao outro, em claro sinal de desespero.
— EU NÃO HAVIA PENSADO QUE TRARIA TANTOS PROBLEMAS! EU NÃO QUERO CAUSAR PROBLEMAS! NÃO, NÃO, TENHO QUE SER UM BOM ANIMATRÔNICO! – ele para subitamente, Sharon engole em seco, até que ele vira a cabeça para ela de forma assustadora. Ela tenta se arrastar para trás – Estamos perdendo tempo! Temos que correr pra creche!
Antes que ela conseguisse fazer qualquer movimento, o animatrônico rapidamente a pega entre os braços, a posiciona de forma confortável e começa a correr.
Os dois atravessam os Túneis de Serviço em metade do tempo que levariam. O atendente abre uma das portas e passa rapidamente pelo escritório de segurança, onde o segurança os encara confuso enquanto os dois abrem as portas e vão para a entrada do Pizzaplex.
Rapidamente se esgueiram até as portas que levam à Creche, Sharon o tempo todo sendo sacudida e totalmente confusa.
O animatrônico chega em frente às grandes portas da creche e para, finalmente colocando a pobre mecânica no chão, que perde as forças nas pernas e usa a porta como apoio.
— Chegamos! E bem rapidinho! – o animatrônico anuncia, feliz consigo mesmo. Até que nota o estado deplorável de Sharon – O que houve? Está tudo bem?
— Por favor… – ela começa, pegando um pouco de fôlego – Nunca mais… Corra desse jeito… Com alguém nos braços.
— Oh céus, eu te machuquei?! Não posso machucar ninguém, tenho que ser um bom animatrônico! Onde se machucou? Vou te levar para a estação de primeiros socorros! Eu prometo nunca mais fazer isso! – o animatrônico faz questão de ajudá-la, porém as portas da creche abrem.
Sharon, por estar apoiada em uma delas, acaba sendo empurrada e vai ao chão, arrancando um gritinho do animatrônico, que coloca as mãos onde é seu sorriso estático.
— Onde você se meteu?! Essas crianças estão me importunando desde que você saiu! – um homem acima do peso encara o animatrônico, nem um pouco feliz.
— Você está bem?! – o animatrônico ajuda Sharon a levantar, que concorda com a cabeça, ignorando o cara.
— Sun! Pare de me ignorar e volte pra lá! Faça seu trabalho! – ele levanta a voz. O animatrônico fica tenso, Sharon nota e toca o braço dele, que vira seu rosto para ela.
— Vai lá, a gente correu tudo isso pra você poder voltar para ali. Eu estou bem. – ela indica a Creche com a cabeça.
— M-mas e seu machucado?
— Eu não estou machucada, só um pouco tonta, mas vai passar rapidinho, nem se preocupe. – ela sorri para ele – Você tem que ir lá cuidar das crianças.
Ele fica visivelmente nervoso, até que finalmente a solta e se encaminha para dentro da Creche, derrotado.
Quando vê que o animatrônico assumiu seu posto, o homem vai até ela e segura suas mãos, ajudando-a a retomar o equilíbrio.
— Desculpe por isso, é que às vezes ele só me ouve se grito com ele. – ele fala com calma agora.
— Acontece com frequência dele fugir da Creche?
— Ultimamente sim. Não sei o que tá acontecendo, ele só ficava na dele, nem se aproximava de ninguém a não ser as crianças. Agora toda vez que tem chance, foge da Creche e deixa tudo pra mim. – ele suspira – Eu só sou um segurança, não sei cuidar de crianças, por isso não tenho filhos. –isso arranca uma risada de Sharon – Sou Joshua, a propósito.
— Sharon, mecânica dos STAFF Bots e entregadora nas horas vagas. – os dois sorriem – Bem, vou te deixar voltar a trabalhar, tenho que avisar a Annie que ele voltou e acalmar ela.
— É bom, ela deve tar chorando até agora se bobear.
— Conhece ela?
— Quem não conhece? Ela que resolve a maioria das merdas no Plex, além de estar sempre salvando a imagem daqui quando tem algum escândalo. – ele ri – Único problema é ela entrar em parafuso e ficar chorando quando algo dá errado.
— Não sabia que ela era tão famosa.
— Ah, ela é. Mas chega de papo, vai lá acalmar a coitada.
— Certo.
— E se precisar de qualquer coisa pela Creche, só me procurar, estou por aqui durante todo o horário que ela está aberta.
— Pode deixar.
E com isso ela se encaminha de volta para a sala de controle.
Chegando na Sala de Controle, Sharon tem uma surpresa.
— Chica? Houve algum problema? – ela encara a animatrônica.
— Oi Sharon! Estava procurando por você, e vi a Annie chorando aqui… – ela indica a loira, que estava sentada em uma das cadeiras, o rímel todo borrado, porém parecia ter parado de chorar, mais calma.
— Ah sim, tudo sob controle Annie, ele já voltou a trabalhar. – ela chega perto da loira, que a encara.
— Não teve problemas? – ela pergunta, o tom choroso na voz.
— Não muito, ele pareceu entender quando falei que causava problemas se ele ficasse fora da Creche no horário de trabalho, acho que não vai ter mais incidentes como esse.
— Quem? – Chica as encara.
— O atendente da creche, estava no Rockstar Row.
— Qual deles?
— O Sun, obviamente, quem mais seria? O cara de lua não faria isso por causa da restrição que colocaram por um mês. – Annie se levanta, suspirando.
— O que o Moon fez? –Sharon a encara.
— Tirando que ele assusta as crianças com a cara dele, quebrou a mão de um dos seguranças do Teatro.
— Está falando do Reyes? – Chica a encara.
— Sim, desde que ele quebrou a mão do Reyes, ele não pode mais andar por todo o Plex, colocaram uma restrição que o impede de sair da área da Creche e Teatro, as rondas dele estão restringidas a essas áreas. Se acontecer de novo algo parecido, não duvido que os cabeças não tentem se livrar dele de uma vez por todas. – Annie explica, levando a mão para o rosto e vendo que o rímel borrou, suspira – Eu estou um caco por causa disso tudo, vou ter que dar um jeito na minha cara antes que me vejam.
— Quer uma ajuda pra se arrumar?
— Não precisa, arrumo rapidinho, já estou acostumada. – ela soa cansada – Não saber lidar direito com as emoções é uma merda.
— Por isso você chora? – Chica fica com a cabeça de lado, curiosa.
— Sim. Por isso não gostam muito de trabalhar comigo, sou muito dramática. – ela dá um risinho –Mas sou boa no que faço, então eles tem que me aguentar.
— Você é incrível! Não sei o que faríamos sem você! – Chica junta as mãos, alegre.
— Ah, não precisa me elogiar.
— Precisa sim! – um barulho as interrompe, que olham Sharon. Sua barriga havia decidido que era um bom momento para roncar.
— Ah, desculpe, é que não comi nada desde que cheguei. – ela ri, sem jeito.
— Isso me lembra! Eu vim aqui perguntar se não querem comer algo no Átrio, hoje temos desconto nas batatas! – Chica anuncia.
— Desconto? Bora. – Sharon sorri.
— Podem indo, encontro vocês depois, se não inventarem algo no meio do caminho. – Annie fala, deixando Chica animada.
— Pode deixar! Que felicidade, minhas duas amigas humanas passando tempo junto comigo! – Chica fala animada – Ficaria melhor ainda se a Roxy tivesse junto, mas ela não curte comer, o que é muito triste, comer é demais! – as três saem da sala de controle, Annie se separando das duas em seguida, enquanto elas se dirigem para o Átrio.
— A Roxy pode comer? Achei que era só tu que podia.
— Todos nós podemos, é bom para ter uma maior conexão com as crianças. Mas eu sou a única que realmente aprecio poder fazer isso.
— Falando em comida, sabe algo sobre a cozinha ou o Chef Bot? Ele não me deixa nem chegar perto de lá, sendo que já não estou mais com a restrição.
— Não sei de nada, ele também me baniu de lá.
— Espero que esteja tudo bem lá.
— Ah, ele vai chamar se precisar de ajuda, apenas aproveite que tem menos trabalho. – ela coloca a mão no ombro de Sharon, que apenas sorri, enquanto as duas continuam sua caminhada.
No outro dia, Sharon estava consertando o último Bot da noite no Roxy Raceway.
Até que passos chamam sua atenção e a porta da garagem é aberta, revelando Roxanne.
— O que está fazendo escondida aí? – a loba pergunta.
— Não estou escondida, estou consertando os Bots que as crianças jogaram água. – ela termina de mexer nele e o religa – Certo, pode fazer uma varredura e me avisar se tiver mais algum problema? – o Bot confirma com a cabeça. Roxanne chega do lado dela.
— É, como eu pensava. – a loba passa a mão no cabelo dela, que se assusta e encara ela.
— O-o-o que foi?!
— Seu cabelo está uma merda.
Sharon encara a loba por um momento.
— Oi? – ela fala com incredulidade, a loba só veio para lhe xingar?
— Não faça essa cara, você sabe que é verdade. – Roxanne ri.
— Mas não precisava ser gratuita assim. – ela coloca a mão no cabelo, um pouco braba pela atitude de Roxanne. O Bot faz um bipe, chamando sua atenção, ele indica que estava tudo ok.
— É por isso que vim lhe chamar para ter um trato no meu salão assim que terminar o que está fazendo.
Sharon a encara novamente por alguns segundos.
Até que liga os pontos e entende o que a loba queria com tudo aquilo.
— Não precisava xingar meu cabelo e botar minha autoestima pra baixo se você queria passar um tempo comigo. – ela ri, esquecendo da raiva anterior.
— Eu precisava te convencer que precisava de um trato, você tem cara que não é de ir em salão.
— Bem, acertou, mas da próxima não precisa me chamar de feia. – ela se levanta e olha a loba.
— Eu não te chamei de feia, só disse que teu cabelo tava uma merda. – as duas se encaram por um momento, até que começam a rir.
— Cê tem um ponto, mas sério, não precisa xingar meu cabelo da próxima vez.
— Claro, claro, prometo não fazer mais isso. – a loba cruza os braços, revirando os olhos. Sharon se vira para o Bot.
— Bem, está liberado, e tome cuidado com crianças carregando baldes. – ela fala, o Bot faz um joinha e sai da garagem para retomar seu trabalho – Ele era o último, e pelo que vejo, não tenho mais nada para hoje. Tenho uma hora até terminar o expediente.
— Eu arrumo teu cabelo em trinta, e ainda dá tempo de você jogar charme em alguns seguranças.
— Ei, já disse que tenho namorado! – ela bufa, fazendo Roxanne rir.
— Então vou te deixar extragostosa pra ele. – Sharon fica vermelha com o comentário.
— V-você não deveria falar essas coisas!
— Não tem ninguém além de nós duas aqui, então não tem problema. – ela, rindo, pega a mão da mecânica e começa a guiá-la para fora do Roxy Raceway.
Na metade do caminho, Roxanne para.
— O que foi? – Sharon a olha.
— Tu sabe que tá sendo seguida faz umas semanas né? – ela a olha, que arregala os olhos em uma expressão exagerada.
— O quêê???
— Larga de drama. Eu sei que tu já sabia.
— É-é, eu tava com a impressão… E também tenho algumas suspeitas de quem é… – ela olha para o chão, vendo que não enganou a loba.
— Se acha que é o atendente da creche, acertou. Ele te segue toda vez que você sai da Creche, ou tenta. – ela aponta para um dos quiosques, onde podiam ver a cara do animatrônico as encarando. Assim que vê que elas o viram, tenta se esconder – Não adianta fugir, a gente sabe que tu tá aí! –Roxanne grita, e as duas ouvem um pequeno gritinho dele – Sai daí de trás palhaço.
Devagar, o animatrônico sai do quiosque e fica na frente delas, olhando para o chão, derrotado.
— Então, por que está perseguindo a Sharon? – Roxanne cruza os braços.
— E-eu não estou perseguindo ela!
— Aham, acredito. – ela usa de sarcasmo.
— É A VERDADE! – ele dá um gritinho, logo depois se encolhendo e mexendo com seus dedos, nervoso. Sharon, vendo a tensão que se instaurou, tenta apaziguar.
— Eu acredito nele. –Roxanne a encara, incrédula – Era você que me olhava quando eu falava com os STAFF Bots na frente da Creche, né? – ela tenta mudar de assunto.
— E-eu não… – ele fica mais nervoso.
— Você ficou curioso porque geralmente as pessoas estão nem aí pros STAFF Bots, né? – ela sorri.
— É-é, e-eles nunca interagem, e vocês estavam se divertindo…
— Sim, eles são uns amores. – ela pensa por um momento – Que tal da próxima vez que você tiver um tempo, juntarmos todos e nos divertirmos? Eu, você e os Bots? – ela oferece.
O animatrônico a encara, totalmente parado.
Alguns segundos se passam.
Nada acontece.
As duas ouvem um som alto vindo dele. Seus ventiladores estavam funcionando no máximo.
Até que veem uma pequena fumacinha sair de trás da cabeça dele.
— Ih, acho que você fritou os circuitos dele. – Roxanne fala.
— O QUÊ?! – Sharon arregala os olhos – Não! Ele não pode ter fritado! Vão pôr a culpa em mim e vão tirar do meu salário! – ela coloca as mãos na cabeça e em seguida as estende e agarra os braços do animatrônico – S-Sun! Posso te chamar de Sun né? Por favor, não pife! – ela, por tentar sacudir ele, no momento que o solta, ele vai ao chão com um belo som metálico.
Elas encaram o corpo estirado no chão.
— EU MATEI ELE! – ela berra, em desespero.
— Calma, só precisamos deixar ele esfriar. – Roxanne tenta acalmá-la, segurando seus braços.
— M-mas e se…
— Pra ele ter superaquecido, deve ter algum problema, não devem estar fazendo as revisões nele direito, não é culpa sua. – ela explica, tentando ser a voz da razão – Vamos colocar ele em um lugar mais confortável e notifico os diretores sobre isso, não vou te mencionar para não te encherem o saco. Mas a culpa é do mecânico dele, não sua.
— Tem certeza?
— Absoluta. – Roxanne se vira e encara o animatrônico todo torto no chão.
— Para onde levamos ele? Posso chamar os STAFF e…
Roxanne agarra a cintura dele e sem cerimônias o joga no ombro como se fosse um saco de batatas.
— R-Roxy?!
— Que foi? É mais rápido assim. – o animatrônico balança os braços quando ela se vira a mecânica –E vamos levar ele pro salão mesmo, dá pra por ele em uma das poltronas. Aí posso te deixar incrível e ficar de olho nele.
— Mas precisa carregar ele assim?
— Sim. – dava para ver que a loba não se importava muito com o atendente. Dando por encerrada a conversa, ela toma a frente e começa a ir em direção ao salão. Sharon apenas suspira e vai atrás depois.
— Seu cabelo é muito bom, bem saudável, o problema é que tu não cuida direito. – Roxanne fala, terminando de fazer um penteado em Sharon.
— Bem, eu só arrumo mesmo quando tenho algo importante com o Alan. – ela ri.
— Mas hidratar pelo menos é o básico. – a loba bufa – Vou te passar uns produtos que ajudam nisso, e faça o favor de usar. Eu vou saber se tu não tiver usando.
— Se for barato, sem problemas. – ela ri. Roxanne continua ajeitando o cabelo dela.
— Sharon… Como é esse seu namorado? – ela soa um tanto quanto cuidadosa no tom.
— O Alan? Ah, ele é um cara incrível, sempre cuidando de mim. – ela responde com um sorriso – Ele sempre mostra o quanto se importa comigo, o quanto me ama. Ele também tem um ótimo trabalho, tão bom que poderia sustentar nós dois.
— E por que você trabalha se não precisa?
— Ah, não gosto de ter que usar o dinheiro dele para comprar minhas coisas, ele trabalha tanto. Eu tinha um diploma tomando poeira, então resolvi usar meus conhecimentos. – ela olha Roxanne –Valeu a pena, esse é um dos melhores empregos que eu poderia ter.
— Ah, b-bem… Que bom que se sente assim. – a loba fica encabulada, arrancando uma risada dela. Olhando de um lado para outro, Roxanne toma coragem – M-mas está tudo bem com a relação de vocês?
— Claro, está ótima. Por que a pergunta?
— É que, bem… Eu notei que você tem alguns machuc-…
— O-Onde estou? – uma voz a interrompe.
Em uma das poltronas, o atendente havia religado, estava se sentando e encarando seu entorno.
— Ah, como você está? – Sharon se vira para ele, Roxanne faz um sinal para ela que havia terminado o penteado e ela se levanta e vai até ele.
Teria que conversar com ela mais tarde sobre aquilo, em algum momento oportuno.
— O que aconteceu? Que lugar é esse? Não me lembro de ter vindo aqui… – era um pouco estranho ele soar bem calmo no momento.
— Você teve um superaquecimento, e para não perdermos tempo, te trouxe até meu salão para te dar tempo de esfriar enquanto fazíamos nossas coisas. – Roxanne explica – Mas você religou bem antes do que imaginei.
— Eu superaqueci? – ele fica confuso – Como? Meus sensores indicam que está tudo bem, os do Moon também.
— É isso que vou descobrir depois. – ela cruza os braços.
— Lembra algo antes de apagar? – Sharon pergunta.
— A gente estava conversando e você… E você… – os ventiladores dele começam a fazer muito barulho.
— Não pife de novo! – ela começa a entrar em desespero, estendendo as mãos em direção a ele.
— A-ah, s-sim! –ele toca as mãos na cara, logo em seguida as abana, numa tentativa de não superaquecer – M-mas você estava falando sério quando disse aquilo?
— Sobre a gente se divertir? Claro.
— Q-quer dizer que você quer ser minha a-amiga?
— Se você quiser, claro!
— E-eu quero! – ele fica animado, até que para por um momento, ficando cabisbaixo em seguida, olhando para o chão – Mas não posso.
— Não pode?
— Não.
— Do que tá falando? É claro que você pode. – Roxanne toma a frente.
— Não, não posso. Coisas ruins acontecem com meus amigos.
— Tá falando do Moon? Ele não fez mais nada depois daquilo.
— Não, não o Moon.
— Então o que é? – a loba estava visivelmente impaciente, e o atendente recua um pouco com o tom dela. Vendo tudo isso, Sharon pega na mão dela, fazendo-a voltar sua atenção para ela, que sorri e toma a frente.
— Olha, não precisa falar se não quiser, todos temos medo de algo. – ela fala para Sun, que a encara – Se não quiser ser meu amigo, não tem problema. Só não deixe que esse sentimento impeça você de se divertir. Não precisa ter amigos pra se divertir, sabe? Claro, com amigos é melhor, mas não é obrigatório ter. – ela dá um passo pra frente – Mas se um dia quiser tentar enfrentar esse medo, estou aqui.
Os dois se encaram, Sharon sorrindo e Sun receoso, até que ele processa o que ela lhe falou.
— N-não tem problema? – sua voz era baixinha.
— Não.
— Não está mentindo?
— Não tô mentindo. – ela ri.
— V-você seria minha amiga?
— Claro, se é isso que quer.
— Eu… Não sei. – ele simula um suspiro, parecia derrotado. O que quer que aconteceu pra ele ter esses pensamentos, deixou algum trauma.
Porém, inteligência artificial pode ter traumas?
— Sem pressa, como disse, quando quiser, só me procurar, estou sempre correndo pelo Plex consertando Bots.
— Eu… – ele começa a mexer as mãos, nervoso. Ela tenta incentivá-lo a falar com o olhar – Posso… Pelo menos… Lhe dar um abraço?
Isso a surpreende. Achava que ele não quereria tanto contato físico por passar o dia inteiro com crianças grudadas em seu chassi, pelo jeito era totalmente o contrário.
— Claro!
No momento que ela termina de falar, braços já a envolvem em um abraço quentinho. Sun faz um som contente, parecia que agora ia voltar pra sua personalidade alegre de sempre.
Sharon envolve seus braços no torso dele, teria que admitir, quem fez o design dele, acertou nessa parte, ele era bom de abraçar.
Enquanto os dois têm o momento fofo, Roxanne os encara. Tinha que admitir que Sharon lidou bem com o Sun, algo que, com certeza, ela não conseguiria, porém toda essa atitude dele levantou muitas perguntas em sua mente. Investigaria a fundo sobre isso mais tarde, com toda certeza.
— Obrigada por ter pego a minha chave de fenda nos tubos de ventilação, não sei o que seria de mim se você não tivesse lá. – Sharon agradece um dos Mini Music Man, os dois entrando na área da Creche e Teatro. O Mini Music Man parece estufar o peito, todo orgulhoso, arrancando uma risada dela – Sim, você é incrível, depois tenho que te recompensar pela ajuda. – isso anima ainda mais ele, que bate os pratos, arrancando mais risadas.
Havia feito todos os consertos do dia, então aproveitaria o momento para descansar no vestiário. Sorri com o pensamento, descansar seria bom e…
Um bipe interrompe o momento.
Ela olha o Fazwatch.
— Droga. – ela lê a mensagem – Lá se vai os planos de descansar. – o Mini Music Man a encara – O Rick acabou de me mandar consertar mais Bots ali no Teatro, pelo menos é aqui ao invés do outro lado do Plex. – ela suspira – Se esses Bots estiverem no mesmo estado dos outros, vou demorar até a hora de ir embora, que droga.
Os dois começam a se encaminhar para o Teatro, e ela nota que a Creche já estava fechada, dado que já havia passado mais de uma hora desde o horário que ela encerra. Enquanto desce as escadas, se pergunta se Sun havia ficado bem depois de toda a confusão do dia anterior sobre superaquecimento e traumas. Os dois se aproximam da porta da Creche, e ela continua a pensar sobre todo o ocorrido, era uma pena que Sun não quer amigos, deve ser divertido passar um tempo com ele e…
A porta da Creche é aberta abruptamente, fazendo Sharon dar um pulo pra trás e soltar um berro, enquanto o Mini Music Man bate seus pratos furiosamente em posição de ataque.
— OLÁÁÁ! – Sun praticamente berra ao ver os dois – O que os traz aqui? Vieram me ver? – ele chega com a cara perto da dela, que recua um pouco.
— Hã… Oi Sun, posso te chamar de Sun né? – Sharon respira fundo, em uma tentativa de se recuperar do susto que levou.
— Pode me chamar do que quiser! – ele estava superanimado – E como posso te chamar?
— Sharon. – um som de prato chama a atenção dos dois, o Mini Music Man parecendo nem um pouco satisfeito por estar sendo ignorado – É, e o Mini também.
— Olá pequenino! – Sun abaixa o tronco, acenando para ele, que bate os pratos, como forma de cumprimento – Mas vieram me ver? – ele realmente estava animado com a ideia.
— É, bem, na real estamos indo pro Teatro para eu consertar alguns Bots. – ela explica, Sun gira um pouco a cabeça, curioso – E provável que fique a noite inteira neles, ultimamente eles tão sendo destruídos, o Monty jura que não foi ele, mas quem mais além dele tem garras e problemas de raiva? – Sun sussurra algo – O que disse?
— A-ah, nada não! – ela jurava que ele havia falado algo como “vou ter que falar com ele depois” – Por acaso, não quer ajuda? – ele tenta mudar de assunto.
— É sempre bom ter ajuda, mas tem certeza? Eu não gosto de ficar tomando o tempo de vocês para esses trabalhos braçais. E você não tem que cuidar de algo na Creche? E também é chato e demorado ficar consertando Bots, e eles são pesados.
— Eu já fiz tudo, estou com tempo livre! E eu sou forte! – ele faz pose com o braço, como se mostrasse os músculos, porém seu braço continuava igual, afinal era metal. Isso arranca uma risada dela.
— Não vai me dizer que você também carrega STAFF Bots por aí como saco de batatas.
— Não, porque nunca me pediram, mas o Moon já carregou o Freddy. – ele fica pensativo.
— Pera, o Freddy?! Ele pesa muito mais que os STAFF Bots!
— Imagino que sim, o endoesqueleto dele é bem maior e com mais peças.
— Como que você conseguiu isso?
— Eu sou forte. – ele ri.
— Mas você não era só pra cuidar de crianças? Elas não são tão pesadas.
— Ah, nunca subestime as crianças. Quando juntam cinco no meu braço, é quase o peso equivalente do Freddy.
— C-cinco?!
— Sim, elas adoram ficar testando o quanto eu aguento. – ele fala animado.
— Tem que cuidar isso, elas podem acabar te quebrando uma hora.
— Ah, eu me cuido, pode deixar! – ele junta as mãos – Posso ajudar então?
— Se é o que você realmente quer, bora lá. – ela olha o Mini Music Man, que concorda batendo seus pratos.
Os três então começam a caminhar para o teatro.
— Mas e aí, como você funciona? – ela resolve puxar conversa.
— Como assim?
— Tipo, no treinamento explicam que você contém duas IA, Sun e Moon, e que mudam dependendo da luminosidade ou algo assim, mas nunca explicam mais do que isso. – ela explica – Ah, não precisa explicar se não quiser, eu apenas sempre fiquei curiosa como funcionava.
— Ah, é bem simples na verdade. – ele ri – Antigamente eu controlava o corpo apenas quando as luzes estavam acesas, e o Moon quando elas apagavam. Mas desde o… Incêndio, mudaram um pouco a programação. – ela acha estranha a pausa que ele fez, parece que ele também foi afetado pelo infame incêndio, será que isso tinha a ver com o trauma dele? – Agora nós mudamos quando queremos, independente da luminosidade, mas as vezes é difícil, tentamos trocar entrando em um acordo em quem controla, senão ficamos trocando muito rápido entre um e outro.
— A luz não influencia mais?
— Mais ou menos. Eu tenho mais facilidade de tomar o controle se estiver iluminado, caso necessário.
— É muito mais complicado do que eu achava. Por que eles não separaram vocês? Não seria mais fácil? – os dois começam a descer as escadas para os camarins do Teatro.
— Agora não mais, nossa programação ficou dependente uma da outra. Nos separar poderia danificar nós dois, além de ser muito caro.
— Ah claro, dinheiro. E juntar? Daria?
— Nosso modo de segurança faz isso, mas ainda somos duas mentes distintas, uma hora ou outra um de nós vai querer brigar pelo controle total do corpo.
— Isso é bem complicado. – ela fica pensativa. Os três finalmente chegam na frente dos STAFF Bots que precisavam de conserto.
Quatro ao total, todos com marcas de garras.
— Sério, quem tá fazendo isso com eles?! – ela bufa – Se o Monty tiver mentindo que não foi ele, vou devolver o favor do taco.
— Taco? – Sun gira um pouco a cabeça, confuso.
— É, ele acabou jogando um taco de golfe na minha cabeça há algumas semanas atrás. – ela pega a caixa de ferramentas que o Mini Music Man carinhosamente traz.
— Céus! Você está bem?
— Sim, só fez um corte, e já curou. – ela mexe e pega uma chave de fenda – Vamos ver a extensão dos danos…
— D-deixa que eu movo eles pra que você consiga desparafusar melhor! – ele toma a frente, um pouco desajeitado.
— Oh, vai ser bom, obrigada.
Os dois começam a trabalhar, Sun movia os Bots para que Sharon conseguisse acessar melhor as áreas enquanto o Mini Music Man estendia as ferramentas que ela pedia.
Quando ela começa a trabalhar no terceiro Bot, Sun começa a olhá-la.
Estava admirado por uma humana tão pequena fazer um trabalho braçal como esse todos os dias. E o melhor de tudo é que ela visivelmente se preocupava com os Bots!
Ela arregaça um pouco as mangas da camisa, que era de manga longa, e de vislumbre Sun nota algo que o assusta.
— O-o que é isso? – ele aproxima o rosto dela, largando o Bot.
— O que? – ela o encara, confusa.
— Seu braço.
— Hein? – sem ter tempo de entender, Sun agarra o braço dela e estava puxando a manga para cima – E-ei! Quem te deixou fazer isso! – ela tenta tirar seu braço das mãos dele com um puxão, o qual consegue.
Até que vê que um pedaço da manga estava na mão de Sun.
Aquilo era um desastre.
— Droga, eu só tenho outra camisa além dessa! Agora vou ter que comprar outra pra substituir essa e… – ela começa, encarando o estado da manga que restou em seu braço, até que é interrompida.
— Quem te feriu?
O tom de voz de Sun faz um arrepio subir pela espinha dela. Medo, estava com medo dele.
— D-do que você tá falando? – ela recua um pouco.
— Seu braço, esse ferimento é recente, no máximo um dia. – ele aponta para o braço dela, que a mesma tenta esconder.
Em seu braço estavam vários cortes irregulares, a pele estava vermelha ao redor dos ferimentos, que estavam com o sangue seco os cobrindo.
— I-isso não é nada.
— Como assim? Obviamente não foi bem cuidado, nem ao menos tratado e coberto de forma a impedir infecção. – ele dá um passo na direção dela, que recua mais.
— C-claro que foi.
— Me deixe cuidar, sei como tratar.
— N-não precisa.
— Me diga, quem fez isso?
— PARA! – ela grita, fazendo-o estancar – Apenas… Me deixa em paz.
— Mas o seu…
— Não é nada! – ela grita de novo, dessa vez quem recua é ele – Não é nada… – ela encara o chão.
— S-Sharon?
Antes que ele pudesse tentar algo, ela sai correndo.
Ele faz questão de ir atrás, porém o Mini Music Man fica em sua frente, impedindo.
— O que foi? Não está vendo que ela está alterada? Precisa de alguém junto para que não aconteça algo ruim! – ele fala com o pequenino, soando bravo.
Um de nós já está junto com ela. Se você for, só vai piorar a situação. O Mini Music Man abre o canal de comunicação com ele.
— Como assim?
Ela é sempre sensível quando se trata de seus machucados. O melhor é deixá-la em paz. Ela sempre se tranca quando qualquer um menciona isso. Estamos todos trabalhando para descobrir por quê.
— Todos?
Todos os amigos dela.
Obviamente ele sabia que Sun havia dito que não queria ser amigo dela.
Sun fica com as mãos em punhos, se arrependendo por ter falado aquilo.
Se esqueceu do que aconteceu com seu último amigo?
A voz de Moon soa na cabeça dele.
— Eu sei. – ele responde.
Quer tentar mesmo assim?
— Eu não sei.
É melhor apenas deixá-la para lá, assim você não se machuca no final.
Sun fica em silêncio, porém sua contraparte sabia o que se passava na cabeça dele.
Só não faça nada precipitado. Adultos são ardilosos e tem segundas intenções, ninguém é santo.
Sun apenas começa a se encaminhar para retornar à Creche. Entendia porque Moon lhe falava aquilo. Porém não podia confiar totalmente em sua contraparte.
Principalmente após tudo o que passou que culminou naquele horrível incêndio.
E Moon sabia que Sun jamais confiaria nele totalmente, não tirava a razão dele.
Os dois apenas não querem passar por todo aquele sofrimento depois do incêndio de novo.
Tirinha mostrando a primeira interação de Sharon com Sun.

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