Bots and Pizza

8 A lua que reflete a luz


Notas iniciais
O gerente de Sharon surge com outra proposta para lhe lotar com mais trabalho. Ela tem uma semana para aceitar. Todos seus amigos têm uma participação neste capítulo, inclusive os STAFF Bots para animar tudo e… Por que tem uma cabeça de STAFF Bot no chão? Ele está sorrindo?

Uma semana depois do ocorrido com Sun, Sharon abre a porta no Partes e Serviços, vendo que Kyle estava conversando com Rick, o gerente da manutenção.

— Isso é loucura! Eu só sei mexer nos Glamrocks, a base e estrutura dele é totalmente diferente! E pelo que tô vendo, eles são mais delicados, eu sou muito bruto pra essas coisas. – Kyle discute.

— O problema é que não temos mecânicos especializados, o Justin era o único. – Rick suspira.

Sharon vai silenciosamente até a mesa de trabalho.

— Talvez você possa nos ajudar Sharon. – Kyle chama.

— Qual o problema? – ela se aprochega.

— Justin foi demitido. – Rick suspira.

— Quem é Justin?

— Mecânico do atendente da creche. Parece que ele não estava fazendo as manutenções, foi reportado acerca do atendente tendo superaquecimentos e desligar. – Sharon olha para o lado, melhor não mencionar que ela estava presente quando Roxanne enviou o relatório – E precisamos que alguém assuma o lugar dele até acharmos um novo mecânico.

— E eu provavelmente só estragaria se mexesse nele. – Kyle suspira – Quem mais poderia substituir?

— A Sarah talvez, problema é que ela já gasta muito tempo no DJ e nos Minis DJ. Os outros mecânicos são focados em consertarem o que quebrar nas atrações, nunca tocaram em algo com IA. – Rick coloca a mão na testa, suspirando – A única que nos resta é…

Os dois encaram Sharon, que olha de um pra outro.

— N-não me diz que…

— Você deve ser a melhor opção. Veja bem, o atendente é diferente dos Glamrocks, mais delicado, e você é mais delicada que o Kyle.

— E-eu acho que não daria bom. Ele não é duas IAs em um corpo? Deve ser muito complicado… –ela começa.

— Você vai ganhar extra.

— Quanto? – Rick saca uma prancheta do nada e escreve, mostrando em seguida para ela – Aí fica difícil eu recusar…

— Eu sei que você tem muita coisa, mas podemos conciliar tudo. Além do mais, as revisões do atendente não são todo dia e não precisa mexer na IA dele, deixe isso para o mecânico que contratarmos. É só ajeitar seu cronograma e tudo dará certo.

— Eu posso pensar mais um pouco sobre isso? Tudo bem que o Chef Bot não está precisando que eu faça entregas ainda, mas não quero aceitar sem saber se consigo.

— Certo. Vou deixar o manual do atendente pra você olhar, até o final da semana me diga se consegue. – ele chega mais perto dela, colocando a mão em seu ombro – E pense no dinheiro.

— Vou pensar.

Com isso, Rick se despede dos dois e sai.

— Vai realmente aceitar? – Kyle se encosta em uma das mesas.

— Bem, eles não tem muita opção, além do mais, é uma boa quantia.

— Você sempre é movida por dinheiro. – ele ri.

— Dinheiro é bom, posso ajudar o Alan com ele. – Kyle estende um livro grande para ela – Que isso?

— O manual do atendente. Ele é muito diferente de tudo que tem aqui, quero ver se você vai entender algo que tem aqui.

— Tá duvidando das minhas capacidades? – ela pega o livro.

— Talvez… – ela mostra a língua para ele e abre o livro, começando a olhar sobre as especificações do animatrônico.

— Hmm, realmente, ele é bem diferente. A base do endoesqueleto parece ser baseada nos STAFF, mas modificada para todas as funções que ele pode exercer…

— Eu disse que ele era complicado.

— Sun é feito especificamente para cuidar da Creche, Moon também foi programado para fazer a segurança. Nunca entendi porque fizeram isso.

— Já viu o Moon? Ele faria qualquer ladrão meia boca sair correndo só de olhar.

— Não, não vi ele, só o Sun. – ela olha Kyle.

— Então reze pra que continue assim. – ele a encara – Quem se envolve com o Moon acaba machucado, ou pior.

— Me diz que não é o que eu tô pensando que é. – Sharon suspira.

— O que? – Chica a encara, confusa. As duas estavam sentadas em uma mesa no FazPad, tomando café e comendo um pedaço de bolo.

— Que o Freddy está nos espiando pela porta da cozinha.

— Hmm, deixa eu ver. – antes que Sharon pudesse falar algo, Chica gira apenas a cabeça, olhando para a cozinha que ficava atrás delas. Sharon quase cospe o café que estava tomando, se engasgando enquanto Chica terminava o giro de trezentos e sessenta graus com a cabeça – É, é o Freddy… Você está bem? O que houve?

— Por favor… Se for fazer isso de novo… Me avisa antes. – ela fala entre a tosse.

— Fazer o que?

— Girar sua cabeça que nem o exorcista. Isso foi assustador. – ela finalmente consegue parar de tossir e respirar.

— Oh, me desculpe! Achei que já estivesse acostumada. – ela ri.

— É que às vezes esqueço que vocês são animatrônicos e que não tem todas as limitações de um humano. – isso arranca umas risadas da galinha.

— Da próxima vez lhe aviso. Mas para o Freddy estar aqui…

— Ele provavelmente quer algo comigo. – ela termina a frase.

— O que você aprontou dessa vez?

— Nada. – ela bufa, cruzando os braços.

— Então não deve ser algo ruim. Quer que eu mande uma mensagem pra ele vir aqui?

— Sim, por favor.

Em menos de um minuto, o urso sai de seu esconderijo da cozinha do FazPad e vai até a mesa das duas.

— O-olá Superstars! – ele estava nervoso.

— E aí Freddy, como estava a espionagem? – Chica ri, deixando o urso sem jeito.

— E-eu não estava espionando…

— Senta aí Freddy. – Sharon oferece a cadeira do seu lado, à qual ele senta – Queria falar algo comigo?

— B-bem… Sim…

— E o que é?

— O-o atendente falou comigo… – a frase faz Sharon ficar tensa, o que Chica nota – Apenas queria saber… Está tudo bem com seu machucado?

— Machucado? – Chica a encara.

— Sim, está tudo bem, está cuidado.

— Eu poderia… Olhar? Você sabe… Sou equipado para ajudar nesse tipo de coisa. – ele oferece.

Ela o olha e em seguida para Chica, os dois pareciam preocupados, e sabia que não iriam lhe deixar em paz. Com um suspiro, tenta encontrar uma maneira de sair daquela situação sem ser interrogada.

— A Chica pode olhar.

Bawk? Eu? – a animatrônica solta um som de galinha, surpresa.

— Sim. O Freddy já cuidou de mim no incidente do taco, agora quero ver você em ação, já que dizem que todos vocês têm um protocolo pra casos assim, vamos testar! – era obviamente uma desculpa elaborada, mas os dois se encaram e concordam silenciosamente.

— Certo, vamos então para uma das estações de primeiros socorros para eu averiguar melhor. – ela se levanta, os outros dois fazem o mesmo – Pode deixar comigo Freddy, cuido disso sozinha.

— Mas… – ele nota o olhar da galinha e se cala, entendendo – Certo, vejo vocês depois.

— Até depois! – as duas saem do FazPad e se encaminham para a estação.

— Sharon… Por que não falou que estava machucada? – Chica estava apreensiva.

— Bem, não vi a necessidade, não afeta meu trabalho em nada, e estou bem. – ela responde, suspirando.

— Mas você sabe que se estiver machucada, é só chamar um de nós para cuidar, estamos aqui para ajudar.

— Eu sei, só não precisa, está tudo bem.

— Mas vamos olhar só para o Freddy parar de te seguir, né?

— Sim.

As duas chegam na estação de primeiros socorros.

— Certo, sente-se no banco e me mostre onde é o machucado. – Chica indica, Sharon se senta e então levanta a manga da camisa, revelando seu braço enfaixado.

Logo Chica averigua que as faixas estavam desajeitadas ao redor do braço, provavelmente Sharon havia cuidado de si mesma.

— Vou desenfaixar e ver como está, ok?

— Vai lá.

Com cuidado, ela desenrola e finalmente vê o tão comentado machucado.

Estava pior do que esperava.

— Hm, Sharon?

— Sim?

— O que exatamente foi passado nesse machucado?

— Hmm, água.

— E?

— Só água. – isso arranca um suspiro incrédulo da galinha.

— Quanto tempo faz que está com esse ferimento?

— Uns dois ou três dias. – a resposta faz com que Chica agarre os braços dela e a encare, assustada.

— E como isso é “estar bem”?! Não sente dor?! – ela eleva o tom de voz.

— Não, não tenho dor, só um leve incomodo. – Chica a fica encarando incrédula, parecia falar a verdade. A tolerância de dor dela só podia ser alta para aquilo só deixar um pequeno incômodo nela.

— Eu preciso que me fale o que foi que fez esse corte. – Sharon faz questão de abrir a boca – Não quero detalhes, só preciso saber qual é o objeto para ter uma ideia de quais foram os danos e como tratar.

Sharon comprime os lábios e então responde.

— Uma garrafa de vinho. – ela sussurra.

— Certo, vou fazer um pequeno scan para ver se não ficou nenhum caco de vidro. – ela a solta e então pega no braço machucado, os olhos brilhando e em seguida voltando ao normal.

Ela faz um som de desaprovação.

— O que foi? – Sharon levanta uma sobrancelha.

— O desconforto que você fala deve ser porque ficaram alguns cacos. Vou ter que chamar o James para extraí-los.

— Pera aí, se você chamar ele, ele vai botar outro atestado nas minhas costas! – ela segura o braço de Chica – Não posso ganhar mais um atestado!

— Por que não? Muita gente ficaria feliz por não ter que trabalhar. – ela fica confusa.

— Mas eu não! Eu preciso trabalhar! – as duas se encaram.

— E se eu pedir para que ele não coloque atestado? Precisamos tirar esses cacos do seu braço, e eu não tenho autorização para fazer algo assim. Além do mais, seu ferimento vai reabrir por causa disso, o melhor é descansar esse braço depois. – ela tenta barganhar.

— Ele tira os cacos e ajeita meu braço, só isso, sem atestados.

Chica suspira, Sharon claramente não mudaria essa decisão insana de não trabalhar.

— Tá, vou chamar ele. – ela manda a mensagem, pedindo emergência – Mas se o ferimento piorar ou doer, quero que pare e me chame, ouviu bem?

— Certo.

Chica a encara por um momento, sabia que ela só chamaria realmente se não tivesse mais em condições de trabalhar, porém queria dar um voto de confiança que a mecânica confiaria mais nela para pedir ajuda.

— Qual é a emergência? – James aparece, esbaforido, até que vê as duas – Ei, você é a do taco.

— Sim, e pelo jeito eu fiquei com saudades. – ela ri.

— O que aconteceu? – ele chega perto, vendo o ferimento.

— Ferimento de garrafa de vidro. Fiz um scan e ainda tem cacos de vidro. – Chica explica – Mandei pra você o scan.

— Obrigado, deixa eu ver… – ele averigua o tablet – É, isso vai doer, principalmente porque o machucado já começou a cicatrizar. Vou ter que cortar, mas não tenho anestesias comigo.

— Pode fazer sem. – os dois encaram Sharon, incrédulos.

— Vai doer mais do que quando você foi cortada.

— Sem problemas.

— Tem certeza?

— Claro, só vai. – ele encara Chica, que dá de ombros, apenas aceitando a decisão dela.

— Se doer muito, me avise e paro imediatamente e acho alguma forma de conseguir anestesia. – ele saca um bisturi.

— Não vai precisar.

E ele começa o processo.

Durante todo o processo, Sharon nem ao menos estremece, todo o tempo estava calma.

Calma até demais.

Chica não gostava daquilo, porém de certa forma explicava porque ela não se preocupava com machucados.

A tolerância de dor dela era alta.

Porém como que ela desenvolveu isso?

E quem a atacou?

— Pronto, foram todos. – James anuncia – Vou desinfetar e aplicar este medicamento, não precisa de pontos, o que é positivo.

— Ok. – ele começa a desinfetar.

— É sério que não quer um atestado?

— Não, não precisa. – ela é firme na decisão.

— Ainda assim, vou te receitar esses remédios para dor, e recomendo usar o mínimo desse braço, para não reabrir. – ela concorda com a cabeça, enquanto ele enfaixa – E se quer que isso continue por debaixo dos panos, me procure daqui a dois dias, para eu ver como está cicatrizando. Pode não ter sido profundo, mas ainda é um ferimento bem grande e fácil de infectar.

— Certo.

Ele termina de enfaixar.

— Pronto. Está liberada.

— Obrigada, o desconforto diminuiu bastante. – ela agradece. Com um sorriso, ele se levanta, dá um tapinha no ombro da Chica e sai.

— Não está doendo? – ela vai até Sharon, que se levanta.

— Não, bem de boas. – ela olha para os lados, e depois para Chica, um pouco nervosa – E obrigada… Acho que ficaria pior se você não tivesse cuidado.

— Ah… S-sem problemas! É pra isso que servem os amigos! – isso a pega desprevenida – Só… Se tiver outro machucado, qualquer um, poderia me dizer? Posso cuidar como fiz hoje. – ela pega na mão dela.

As duas se encaram.

— Sim, vou te chamar. – ela concorda. Desta vez, Chica viu mais firmeza na resposta dela.

Isso deixou a animatrônica feliz.

Parecia que finalmente havia tido algum progresso em fazer Sharon se abrir com ela.

Isso já era uma grande conquista.

— Aí está você garota! – a voz poderosa de Montgomery soa.

— Eu não sou uma garota. – Sharon reclama com um suspiro, DJ Music Man concorda com a cabeça.

Os três estavam no Fazcade, no corredor ao lado do escritório de segurança onde ficavam todos os arcades não usados, já no dia seguinte.

— Mas você é baixinha igual uma. – o jacaré tira sarro, fazendo ela bufar e arrancando umas risadas dele.

— Por que estava me procurando? – ela tenta ignorar as risadas mudando de assunto.

— Uns Bots de chão molhado deram defeito no Gator Golf, então vim te buscar.

— Era só ter me mandado uma mensagem, não precisava me buscar. – ela fecha o painel do Bot de segurança.

— Mas que graça tem? E também, você não estaria me vendo em toda minha glória. – ele faz pose.

Sharon e o DJ o encaram, até que simplesmente o ignoram e voltam a mexer nos Bots.

— Ei! Não me ignorem!

— Eu vou te ajudar no Gator Golf depois que terminar de arrumar esses bonitos, até lá, deixa eu aproveitar meu tempo com o DJ. – para ilustrar, o animatrônico gigante faz um sinal de “sai pra lá” com a mão.

Montgomery rosna, odiava ser contrariado.

— Pode virar ele pra mim? – Sharon pergunta para o DJ, que concorda e gira o Bot para ela poder acessar melhor para poder arrumar.

Por que o DJ Music Man estava tão solícito? Geralmente ele era mais reservado.

Vendo a confusão de Montgomery, DJ sinaliza em seus olhos um emote de carta.

É aí que o jacaré se lembra do dia anterior.

Chica havia enviado uma mensagem para todos os Glamrocks avisando que a pequena mecânica estava com um ferimento e ajudá-la no que for.

Porém sem falar para ela.

Isso tudo era muito confuso, por que ela estava trabalhando se estava machucada? E por que não falar nada?

Ele rosna em frustração e se escora em um canto, fazendo Sharon encará-lo por um momento com a sobrancelha levantada.

Pensar demais não era com Montgomery. Preferia mais ação do que ficar pensando.

Pensar complicava as coisas.

Porém não tinha muito o que fazer no momento, não queria interromper ela no momento amigável com o animatrônico gigante.

— Por que está tão irritado Monty? – a voz dela chama sua atenção.

— Hein?

— Você está rosnando e bufando aí, e sua cauda tá batendo na parede. – ela ri quando ele olha a cauda e agarra com as mãos para parar o movimento.

— E-eu não tô irritado! – ele fala.

— Claramente está.

— Não estou!

— O que vamos fazer DJ? Ele tá em negação. – ela ri, olhando o animatrônico, que apenas dá de ombros e faz um som triste – É, ele é um caso perdido.

— Parem de tirar sarro da minha cara. – ele bufa.

— Desculpe, não aguentei. – ela ri, até que faíscas saem do Bot que estava consertando e batem em sua mão – Auch, é assim que você me trata? – ela reclama com o Bot.

— Você está bem? – Montgomery se aproxima dela, alarmado. DJ Music Man também, movendo as mãos em pânico.

— Não foi nada demais, eu mexi onde não devia. – ela olha as mãos – Bem, eu mereci isso, já que não uso as luvas.

Apesar de suas falas, Montgomery agarra as mãos dela e faz uma pequena varredura.

— Sério, precisa disso tudo? – ela ri, até que ele se dá por satisfeito – Encontrou algo?

— Não… Está tudo certo. – ele olha para o lado. DJ Music Man bota uma das mãos no peito, parecendo aliviado.

— Não precisam entrar em pânico, é normal sair umas faíscas. – ela sorri, porém vê que o jacaré continuava nervoso, mexendo as mãos e olhando para o lado, parecendo pensar em algo. Aproveitando o momento que Montgomery estava distraído, Sharon decide fazer algo que sempre quis fazer e que talvez faça ele parar de ficar nervoso.

Ela fica na ponta dos pés e com sua mão, dá um carinho na cabeça de Montgomery, ao lado de seu mohawk.

Ele arregala os olhos e a encara, totalmente surpreso.

— Você… – ele aponta para ela.

— Ei DJ, pode chegar com a cara mais perto? – ela ignora a reação dele, se virando para o grande animatrônico, que faz o que ela pede – Você é incrível, merece um carinho. – ela dá um carinho na bochecha dele, única área que ela consegue alcançar.

O gesto faz DJ Music Man colocar as mãos no rosto, claramente em um sinal de envergonhado, arrancando umas risadas dela.

— Vocês são muito fofos. – ela ri, voltando a mexer no STAFF Bot.

— E-eu não sou fofo! – Montgomery gagueja.

— Não tente negar a verdade. – ela continua mexendo no Bot. DJ Music Man apenas concorda, que faz o jacaré bufar – Não é ruim ser fofo.

— Rockstars não são fofos.

— Aí que se engana. – ela o encara segurando a chave de fenda – Os que são fofos são os que mais fazem sucesso.

— Você tá inventando isso.

— Não estou.

— Tá sim.

— Não tô, o DJ concorda comigo né? – os dois encaram o animatrônico gigante, que dá uma recuada e sinaliza para deixá-lo fora daquela discussão – E eu achava que você era meu amigo.

Os três se encaram por um momento, até que começam a rir.

— O que está fazendo aí Nerd? – a voz de Roxanne chama a atenção de Sharon, que estava em um dos sofás no El Chip’s.

— Lendo o manual do atendente da creche. – ela responde, passando a página.

— Realmente, coisa de Nerd. – ela chega e se encosta no sofá – Mas precisa estar de cabeça para baixo? Não dói sua cabeça ficando ao contrário?

— Nah, estava de saco cheio de ficar agindo como uma pessoa normal. – ela fecha o livro e se ajeita, sentando normal.

— E por que você está com o manual do atendente?

— Rick está sem mecânicos e quer que eu cuide do atendente até achar um mecânico para ele, então estou vendo se consigo fazer isso.

— E como está indo?

— Ele é um pouco mais complicado que um STAFF Bot, mas não tanto quanto vocês. Se for só para limpar e fazer testes básicos, consigo fazer. Mas se tiver que mexer na IA, aí está além das minhas capacidades, ele é bem complicado. – ela explica – Mas esse papo é muito de nerd pra ti né, e tenho até sexta para dar uma resposta.

— Bem, a decisão é sua, mas não esqueça de que me ver é mais importante.

— Não vai vir com um discurso que eu não deveria e que é perigoso por causa do Moon?

— Hein, por que eu faria isso?

— Porque é isso que metade do pessoal que conversei falou.

— O cara de lua pode ser “perigoso”, mas ele não é idiota. E se ele tentar algo, ele vai ter que se ver comigo, e provavelmente com o resto da banda. – isso arranca um sorriso em Sharon.

— Nisso não posso discordar. – ela se levanta – Ainda estou no meu intervalo, quer fazer algo?

— Que tal umas partidas de Combat Kids? – ela aponta para o Super Fazcade.

— Por que não? Mas já aviso que sou horrível. – ela dá de ombros, as duas se encaminhando para dentro da atração.

— Vou pegar leve. – ela ri.

As duas chegam na frente da máquina de arcade.

— Quer apostar algo?

— Hm, se eu vencer, você me dá uma pelúcia de graça.

— Oh, de graça? Esperta. – Roxy ri – Se eu ganhar, você vai ter que passar todo seu intervalo por uma semana fazendo as minhas vontades.

— Não esperava menos. Eu topo. – ela ri, as duas apertam as mãos e se viram para a máquina.

— Prepare-se para me servir por uma semana.

— Vamos ver.

E começa o jogo.

— NÃO! VOCÊ SÓ PODE TAR DE BRINCADEIRA! – Roxanne berra ao terminarem suas partidas – VOCÊ TRAPACEOU! – ela aponta para Sharon de forma acusadora.

— Ei, você viu que eu não trapaceei. – ela coloca as mãos para cima, em sinal de rendição.

— MAS VOCÊ DISSE QUE ERA RUIM!

— Eu sou!

— ENTÃO COMO ME VENCEU?!

— Sorte de principiante?

— GAAWH! – com um berro de frustração, Roxanne começa a marchar para fora do Super Fazcade, as pessoas se afastando para que ela passe.

Durante as partidas, juntou-se uma pequena plateia para torcer para as duas, afinal era incomum verem uma das estrelas do Plex jogando um arcade.

— Será que eu vou atrás dela? – Sharon pensa alto.

Um som de pratos batendo chama sua atenção, um dos Minis Music Man fica em sua frente.

— Oh, e aí Mini! Você estava vendo a gente jogando? – ela se abaixa. O pequeno concorda. Ele faz mais alguns movimentos com os pratos – Hm? Está falando para deixar ela sozinha? Tem certeza? –mais uma vez ele concorda – Bem, se você diz.

O Fazwatch dela toca.

— E lá se vai meu intervalo, vamos ver o que tenho para fazer…

Consertar o Bot de Comédia.

— Bot de Comédia? É aquele que se apresenta no Teatro? – ela encara o Mini Music Man, que concorda batendo seus pratos – Bora lá, talvez ele me conte umas piadas boas. – e ela se encaminha para a porta do Fazcade, acompanhada do Mini Music Man.

— Você ainda está aqui? – uma voz tira Sharon de sua concentração, que olha para o detentor da voz.

— Oi?

— Faltam trinta minutos para o Plex fechar. – um homem de óculos a avisa.

— Mas já? Nossa, nem vi a hora passar. – ela se levanta, ajeitando seus óculos.

— Se não fosse pelo seu amigo, eu nem teria notado que você estava aqui. – ele aponta para o Mini Music Man, que parecia um pouco irritado – Ele ficou batendo os pratos, mas acho que você não notou.

— Ah, desculpa! Eu estava concentrada! – ela se desculpa com o pequenino, que vira a cabeça para o lado, emburrado – E obrigada por me avisar, er…

— Reyes. – ele estende a mão.

— O segurança que o Moon quebrou a mão? – ela fala surpresa, até que nota que havia falado aquilo em voz alta – Ah, desculpa! Não foi a intenção!

— Nem se preocupe, eu imaginei que acabaria ganhando essa fama. Pelo menos é melhor que a do Bóris. – ele ri.

— Sou Sharon, mecânica dos STAFF Bots. – ela aperta a mão dele – Não que seja da minha conta, mas achei que você não fazia mais rondas no Teatro devido ao que aconteceu.

— Queria, mas a Edna não conseguiu mudar meu itinerário por conta de termos pouca gente. – ele suspira.

— Edna?

— A gerente da segurança.

— Acho que não conheço.

— Cinquenta anos, cabelos castanhos chanel, baixinha, sempre com um terno e com cara de brava? –ele descreve.

— Ela não tá sempre correndo como se fosse arrancar a cabeça de alguém? – ela pensa um pouco.

— Essa mesma.

— Já vi algumas vezes. – os dois riem.

Até que são interrompidos por sons de pratos.

Mini Music Man encara os dois, batendo os pratos.

— Ok, entendi, só tenho que fazer a checagem final. – ela responde.

— Você entendeu? – ele olha os dois.

— Sim, ele tá avisando que tamo perdendo tempo, temos que ir logo antes do Plex fechar. – ela explica.

— Como…

— Você começa a entender quando conversa com eles todos os dias. – ela ri – Vou terminar de olhar o Bot, e obrigada por me avisar.

— Ah, sem problemas. Vou terminar minha ronda, também saio antes do Plex fechar. – com isso ele sorri e sai.

Sharon faz os últimos ajustes no Bot e o religa.

— Certo, preciso que faça uma varredura e me avise se tem algo errado. – ela o instrui, que fica parado por um tempo.

— Varredura completa, nenhuma anomalia detectada. – a voz dele a assusta.

— Céus, tinha esquecido que você falava! – ela ri, o Bot a encara.

— Há algum problema de eu falar?

— Não não, é só que me pegou desprevenida! – ela se ajeita – Bem, vamos até seu lugar no palco e fazer um teste para ver se sua rotina está correta e então te libero.

O Bot concorda e os dois saem dos camarins indo até o palco do teatro.

— Certo, quanto tempo é o seu show?

— Cerca de uma hora.

— Não tenho todo esse tempo infelizmente. Tem como encurtar?

— Posso contar duas piadas. – ele levanta seus dois dedos.

— Pode ser.

Os dois chegam na frente do palco. Rapidamente ele sobe e se posiciona, ajeitando sua gravata borboleta.

— Pode começar.

— Por que a Chica atravessou a rua? Para chegar aos grandes descontos na Glamrock Gifts. A cada compra de cem dólares ou mais, receba uma caneca colecionável do Mega Pizzaplex. Essa é uma boa oferta. – ele fala, e nas caixas de som no palco o famoso som de bateria, o conhecido badunts, soa.

Sharon encara ele.

— É sério isso? – ela pergunta, incrédula.

— Carregando próxima piada… – ele anuncia – Então, de onde você é? Que interessante. Eu nunca estive lá. Eu estou confinado a este edifício. Diga, lá de onde você vem, eles chamam de refrigerante ou de soda? Bem, aqui não importa o nome, está com desconto de cinquenta por cento nos próximos quinze minutos. E isso não é piada.

Os dois se encaram por um momento.

Sharon ri.

— Não, não pode ser! É sério que são essas piadas que você conta? – ela continua rindo.

— Sim, essas são as piadas em meu banco de dados. – ele confirma.

— Céus, os cabeças realmente só pensam em dinheiro! – ela ri mais – Não dá pra te ensinar umas piadas melhores?

— Negativo, minhas diretrizes ordenam que apenas apresente as piadas que me foram passadas desde minha criação.

— Aí não tem vantagem, os cabeças estão sendo idiotas. – ela para e nota o que havia falado, olhando para os lados – Ah, por favor, não fala pra eles que eu falei isso!

— Não será falado. Eles nem ao menos me veem.

Ela o encara. Aquilo soou tão triste.

Até que o Bot aponta as duas mãos na direção dela e o som de badunts soa novamente.

— Isso era uma piada?

— Talvez.

Ela começa a rir e faz o mesmo gesto para ele.

Até que som de sinos soam atrás dela.

— O que você está fazendo aqui? – uma voz ríspida soa, e ela se vira. O Bot de comédia recua um pouco, demonstrando medo.

Na frente dela estava ninguém menos que Moon.

— Algum problema? – ela o encara, confusa.

— Sim, você.

— Como?

— Você está sempre se intrometendo, fazendo a cabeça de todos, fingindo que se importa e que é importante. – ele agarra o braço dela.

— E-ei! Que ideia é essa?! – ela tenta se desvencilhar do agarrão dele, porém em vão.

— Acha que não notei que todos a seguem como cachorrinhos? – ele aproxima a cara da dela.

— Do que tu tá falando?

— Pare de fingir que não sabe! Estou falando deles! A banda! E o Sun! – ele praticamente grita.

— O que? Eu sou só amiga deles! – ela tenta de novo se desvencilhar, em vão novamente.

— Mentira, você está só se fingindo de boa garota para conseguir a confiança deles. – ele aperta o pulso dela, que faz um gemido de dor.

— Eu não estou! Eles são meus amigos! Eu não estou fingindo ser uma boa garota! – ela praticamente grita para ele.

— Está sim! Você não é uma boa garota! – ele grita de volta.

— Eu sou uma boa garota!

— Não é!

— Eu sou uma boa…

— Não é!

— Eu… – a voz dela diminui.

— Não é!

— E-eu… E-eu…

E ela cai ajoelhada no chão, assustando o animatrônico, porém ele não solta o pulso dela.

Ela estava com o rosto virado para o chão, e murmurava algo. Ele chega com a cabeça mais perto para ouvir.

— M-me desculpa… Eu não faço mais. Vou ser uma boa garota, uma boa garota. Me desculpa, me desculpa. – e ela continuava a repetir estas palavras.

— O que…

— Parado! – uma voz o faz se virar para a entrada do Teatro – Afaste-se dela Moon!

Reyes e o Mini Music Man encaram os dois, Moon de pé, e Sharon ajoelhada, parecendo totalmente derrotada.

— Não vou falar de novo Moon!

O animatrônico praticamente solta um rosnado, largando o pulso de Sharon e então seu cabo desce do teto e ele pula, sumindo.

Reyes e o Mini Music Man imediatamente correm até ela, que continuava ajoelhada, murmurando repetidamente.

— Sharon! O que foi que o Moon fez? – ele se abaixa na frente dela, colocando as mãos nos ombros dela, que fica tensa – Ei, olhe pra mim.

— R-Reyes? – ela finalmente parece voltar a si ao olhá-lo.

— Sim. O Moon foi embora, você tá segura agora. – ele solta ela – O que foi que ele fez?

— N-não foi nada, ele só agarrou meu braço. – ela sente algo tocar sua mão, Mini Music Man estava abraçando, em um sinal de conforto – Não foi nada, estou bem pequenino.

— Envolvendo o Moon, nunca é “nada”. Vamos, qual dos vestiários você usa?

— O da Creche, por quê? – ela se levanta com a ajuda dele.

— Temos quinze minutos para sair daqui, e não quero interrupções. – ele olha para os lados e teto, os dois se encaminhando para o vestiário.

Chegando lá, ele fecha a porta e ela se encaminha para o armário e tirar suas coisas.

— Por que não queria interrupção? – ela pergunta.

— Porque essa provavelmente é a gota da água para o Moon. – ele suspira.

— Como assim? – ele estende papéis para ela, que lê o título – Isso é…

— Um relatório de incidentes. Eu vou preencher aqui e você só precisa assinar. – ele se senta em uma das cadeiras e começa a escrever.

— Assinar?

— Sim, esse ataque dele em você é inadmissível, mesmo ele estando sob restrições e sabendo disso, ele vai e faz isso! Eu tinha alguma esperança que ele fosse mudar depois de quebrar a minha mão, mas ele provou que não! Com isso aqui, a diretoria vai desl-…

Ele é interrompido com a mão de Sharon segurando a sua que escrevia furiosamente no papel.

— Não reporte. – ela o olha nos olhos.

— O que? Ficou maluca?

— Talvez. – ela ri – Mas ele só apertou um pouco, não estou machucada.

— Mas você estava no chão…

— Eu só levei um susto.

Os dois se encaram.

— Tem certeza que está tudo bem mesmo?

— Sim.

— Não quer mesmo que eu reporte isso?

— Ele não me machucou, não tem necessidade de fazer um relatório.

Ele suspira, olhando para o pulso que Moon a agarrou, estava coberto pela manga da camisa, impedindo que veja o machucado que ele sabia que estava lá. Ele olha para o rosto dela, ela havia tomado a decisão, não assinaria o papel mesmo que ele a forçasse.

— Certo, não vou te forçar. – ele se levanta, soando descontente por ser contrariado – Mas se acontecer de novo, eu vou mandar um relatório, e você vai assinar, mesmo que não queira. – ela concorda com a cabeça – Bem, vou deixar você se arrumar, também vou correr para sair antes do Plex fechar.

— Certo.

— Se cuida Sharon. – ele abre a porta do vestiário.

— Você também. – ela dá um sorriso e ele fecha a porta.

Ela espera alguns segundos de pé.

Até que se encosta na parede e vai escorregando até o chão, e quando se senta, abraça suas pernas.

— E-eu sou uma boa garota… Prometo não fazer mais… Por favor… – ela murmura, lágrimas enchendo seus olhos enquanto esconde o rosto entre as pernas – Não para de me amar… Eu sou uma boa garota.

Que ideia foi essa?!?!

Sun berra na cabeça de Moon, fazendo-o grunhir.

— Não sei do que tá falando. – ele desce de seu cabo em frente às portas da Creche.

Você pode ter me bloqueado, mas eu consigo ainda ver suas memórias Moon! Por que você atacou a Sharon?!

— Se pode ver minhas memórias, sabe porque. – o animatrônico bufa.

Já se esqueceu da restrição?! O que acha que vai acontecer agora, hein?!

— Os cabeças vão brigar comigo, mas nada vai mudar.

Errado! Se esqueceu que querem te desligar?! Eles avisaram que se houvesse mais incidentes iam te desligar para sempre!

— Eles não tem como fazer isso.

Eles não conseguem nos separar. Mas desligar um de nós é bem mais simples!

— V-você tá blefando.

Não estou e você sabe disso Moon! Céus, por que você tem que ficar estragando tudo?!

— Eu não estragaria se você não ficasse agindo que nem um cachorro abandonado por causa dela!

Não venha jogar a culpa em mim pelas suas ações!

— Cale a boca! – Moon coloca as mãos em seu rosto, em uma tentativa vã de parar de ouvir sua contraparte raivosa.

É sempre assim! Você não consegue assumir a responsabilidade por suas ações e fica me mandando calar a boca!

— Cala a boca!

— Moon. – uma voz interrompe a discussão acalorada entre os dois. Moon olha para trás, as mãos ainda em seu rosto e vendo que Reyes o encarava, papéis em mãos.

— O que você quer? – ele grunhe.

— Considere-se sortudo. – Reyes praticamente cospe as palavras, jogando os papéis em direção ao animatrônico.

Os papéis se espalham em frente a ele, que olha e lê que se tratava de um relatório de incidentes.

É sobre a Sharon…

Até que vê onde deveria ir a assinatura dela.

Estava em branco.

— Ela se recusou a assinar e entregar o relatório para a diretoria. Ficou fingindo que estava tudo bem e que você não a machucou, mesmo estando na cara que não estava nada bem. – ele o encara, sério – Você deve seu traseiro metálico a ela, por mim você já estaria desligado. – ele se vira – Essa vai ser a única vez que vou deixar passar. Não vai ter outra chance.

E com este último aviso, o segurança vai embora.

Moon, faça alguma coisa!

— Ela… Não deixou que me desligassem? – Moon finalmente se move, pegando um dos papéis do chão, aquele que ela deveria assinar.

Você tem que ir atrás dela, pedir desculpas!

— Hein? Por quê?

Você acabou de ouvir! Ela salvou você, seu ingrato!

— Ela fez isso porque quis.

Já chega! Eu não aguento mais! Me dê o controle!

— Não! – os raios de sol em sua cabeça começam a sair – Não se atreva Sun! – ele segura os raios, tentando colocar para dentro, os dois começando a lutar pelo controle do corpo.

Se você não vai pedir desculpas, eu vou! É o mínimo que ela merece!

— Seu idiota! Já passou da meia-noite, ela já foi embora!

Não importa! Eu vou ter certeza que no momento que ela chegar amanhã, ganhará desculpas e que você não vai fazer nada com ela!

— Ah, então agora você quer me impedir de controlar o corpo? Não é diferente do que os diretores querem fazer comigo!

Com isso, a briga pelo controle do corpo cessa. Moon se sente aliviado.

Sun não fala nada, e isso começa a preocupá-lo.

— Sun?

Não é minha intenção ser que nem eles.

Sun praticamente sussurra. Droga, havia magoado sua contraparte.

— N-não foi isso que eu quis dizer…

Não tente Moon. Apenas me deixa ficar quieto agora. Preciso… Pensar.

E com isso sente que Sun cortou todas as comunicações. Sabia que mesmo que o chamasse, não obteria resposta.

Por que tinha que ser tão horrível com o Sun? Por que tinha que ser tão cabeça dura e não aceitar seus erros?

As coisas entre os dois só pioravam a cada dia que passava, e ele odiava isso.

Moon simula um suspiro, agora que o Plex estava fechado e Sun havia se desligado, tinha o controle do corpo para si, e não estava com vontade de se trancar na Creche e ficar se lamuriando.

Começa a caminhar, faria mais algumas rondas, talvez descontar sua raiva em algum STAFF Bot e talvez até lá Sun volte a conversar com ele.

Subindo as escadas ouve um som.

Som de pratos?

Segue o som, levando-o para perto do vestiário dos funcionários, e encontra a fonte do som.

Um dos Mini Music Man estava tentando entrar no vestiário, parecia nervoso.

— O que você está tentando fazer? – Moon fala, fazendo o pequenino parar e o encarar.

Ela precisa de nós! Mas não sai do vestiário! Não podemos entrar ali!

O Mini Music Man fala pelo canal de comunicação.

— Do que você tá falando?

A Sharon! Ela se trancou e está agora murmurando ali dentro! Se não fizermos algo, ela não vai sair desse estado!

— A garota? Ela ainda está aqui? Mas o Plex já fechou.

Droga, você é burro! Vou ter que chamar a Chica e…

— Pode parar, nada de chamar a galinha. Você que não está fazendo sentido. – ele agarra a cabeça do pequenino, que começa a bater na mão dele com os pratos – Explica direito agora.

É só você ouvir pela porta idiota!

Ele indica a porta, à qual Moon encara.

Soltando ele, vai até a porta e aumenta seus sensores auditivos.

E então ouve murmúrios e um óbvio choro.

— Droga. – é tudo que ele fala ao se afastar.

Geralmente conseguimos acalmá-la rápido, mas não conseguimos chegar nela no vestiário. Nunca vimos ela assim por tanto tempo.

— E quer que eu faça o que?

Alguma coisa!

— Se esqueceu que eu também não posso entrar? Vai ter que esperar ela sair daí.

Como pode dizer algo assim? É por causa de você que ela está assim!

— E?

Ah, chega! Vou chamar a Chica!

Totalmente frustrado, o Mini Music Man começa a correr e adentra um duto de ventilação, provavelmente indo atrás da Chica.

Vendo que estava sozinho, Moon dá de ombros e dá um passo, fazendo questão de ir embora. Aquilo não era problema dele, ela estava tendo o que merecia…

Até que houve novamente os murmúrios de Sharon.

O som do choro triste dela o faz parar, ele conhecia muito bem aquele som.

Ele grunhe, se arrependendo do que estava prestes a fazer.

— Mas que merda. – ele se vira para a porta e se aproxima.

O que faria agora? Bateria? Chamaria por ela?

Ele opta por bater e esperar.

Nada acontece.

Bate com mais força, mais audível.

Os murmúrios param.

Tinha dado certo?

Alguns sons estranhos ocorrem, e a porta é aberta.

— Moon? – Sharon lança um olhar curioso, ajeitando os óculos que estavam em uma posição torta, enquanto o animatrônico a encara.

Obviamente havia chorado, porém sua cara estava seca, e sua atitude também tentava esconder isso.

Se não fosse pelos olhos vermelhos, ela passaria que estava bem.

— O que foi? Precisa de algo? – ela fica com a cabeça de lado, intrigada, vendo que o animatrônico ficou em silêncio. Ele faz questão de responder, porém não consegue achar as palavras certas. Vendo o nervosismo dele, ela decide intervir – Quer entrar?

— Hein? – ele a encara, incrédulo, o nervosismo sumindo.

— Você vai ficar aí parado tentando falar algo e eu meio que não tô conseguindo ficar de pé, então melhor você entrar e falar o que quer enquanto eu fico sentada. – ela dá de ombros.

— N-não tem medo de eu te atacar de novo?

— Você vai?

— N-não.

— Então entra logo. – ela suspira – Eu, Sharon Delisle, confirmo que você, atendente da creche, pode entrar no vestiário da Creche.

— E-espera aí! Você tem que especificar que é-…

Ding!

— Apenas agora… – ele grunhe, suas diretrizes já avisando que ele não tinha mais nenhuma restrição de entrar no vestiário – Ótimo, agora tenho acesso irrestrito. – ele bufa.

— Algum problema? Por acaso vai começar a espionar todo mundo no vestiário agora?

— Eu poderia! Ou descontar a raiva em alguém! – ela encara ele por alguns segundos.

— É, não, você não faria isso. – ela abre mais a porta, indicando para ele entrar.

— Como pode ter tanta certeza? Se esqueceu do que eu fiz? Do que eu faço? – ele aproxima a cara da dela, que apenas o encara e suspira, cansada.

— Sim, eu conheço sua fama no Plex. – ela fala – Mas depois da “conversa” que tivemos, eu sinto que tudo que você faz tem um motivo, só que ninguém entende. – isso o pega desprevenido, que dá um passo para trás, um pouco assustado – Então eu quero confiar em você, que não vai tentar quebrar a mão de todo mundo que entrar no vestiário.

— Você está botando sua fé em quem não deveria.

— É, é, se você sair machucando todo mundo e verem que fui eu que te dei acesso irrestrito, posso perder meu emprego, ou até ser presa, quem sabe. – ela dá de ombros – Mas eu quero te dar essa chance, então pode por favor entrar? Eu preciso muito sentar.

— Você vai se arrepender. – ele fala, entrando no vestiário.

— É, já ouvi muito isso. – ela fecha a porta – Então, o que fez me procurar? – ela se senta em um dos bancos, suspirando e fechando os olhos momentaneamente.

— Você sabe que está presa no Plex? Já passou da meia-noite. – ele decide começar pelo mais fácil.

— Sim, notei quando você bateu na porta. – ela abre os olhos e parece se lembrar de algo – Ah é, vou ter que avisar o Alan. – ela busca em sua bolsa que estava convenientemente no chão ao lado do banco, retirando seu celular de dentro.

— Quem é esse?

— Meu namorado. – ela começa a digitar e envia a mensagem para ele, suspirando em seguida – O que o traz até aqui?

— Ah, bem… – será que deveria falar do choro? Não, não parecia que isso traria uma reação boa dela, pelo jeito que ela estava agindo. Ele olha para baixo, notando as mãos dela – Seu pulso… – ele odeia como sua voz soa fraca naquele momento, que apenas olhar aquilo o fez lembrar de sua briga com Sun e a papelada que ela não assinou.

— O que tem ele? – ela pergunta.

— Eu te machuquei naquela hora. – aquilo era uma afirmação.

— Não precisa se preocupar, nem está doendo. – ela olha o celular, vendo a resposta de Alan.

— Não.

— Não? – ela levanta a cabeça e quase cai para trás, a cara de Moon estava na frente da sua. Como que ele se aproximou tão rápido e silenciosamente com aqueles sinos?

— Tenho que me responsabilizar por minhas ações. – ele a encara, até que se levanta e se encaminha para o banheiro, deixando-a o encarando totalmente confusa.

Ele volta com uma caixa de primeiros socorros em mãos.

— Estenda a mão. – ele ordena.

— Isso é desnecessário…

A mão.— o tom dele a faz engolir em seco e estender rapidamente a mão que ele machucou.

Calmamente, ele examina o pulso, que estava com marcas roxas e do tamanho da mão dele. Ele se vira para a caixa e tira de lá uma pomada, que com todo cuidado destampa e coloca no pulso dela, em seguida espalhando. Em nenhum momento ela demonstrou sentir dor, o que levanta muitas questões na mente de Moon.

— Terminou? – ela pergunta quando ele para e segura sua mão, parecendo estar perdido em pensamentos confusos.

— Ah, sim. – ele guarda a pomada na caixa e se levanta, se encaminhando para o banheiro.

Ela mexe a mão, testando os movimentos que ainda conseguia fazer. É, ainda conseguiria trabalhar.

— Me desculpe. – ela olha para trás, Moon estava parado na soleira da porta, olhando por cima do ombro.

— Não foi nada, está tudo bem. – ela lhe lança um sorriso, era a primeira vez que ela sorria para ele, porém via que não era tão sincero, não como quando sorriu para Sun. Ele grunhe, não gostando que ela tratou toda aquela situação como se fosse nada, e que o primeiro sorriso que recebe em anos não é tão verdadeiro. Ele coloca a caixa de onde tirou, voltando até ela.

Um silêncio paira entre os dois.

O que deveria falar agora? Ele nunca conversou com alguém por tanto tempo, sempre fez suas rondas sozinho, e quando ainda tinha a hora de ninar das crianças, trocava poucas palavras com elas, então como deveria continuar a conversa para aquele silêncio constrangedor ir embora?

Espera, afinal, por que ele estava tentando interagir com essa humana? Ela que era a causadora de seus problemas!

Moon vira a cabeça para ela, uma raiva súbita surgindo. Porém para ao vê-la.

Ela estava sentada no banco, segurando o pulso e com o olhar perdido. Seu olhar era de alguém cansado, muito cansado, com uma tristeza junto.

Por que ela tinha esse olhar?

— V-você… – ele começa a falar, esquecendo da raiva que havia sentido antes, porém as palavras morrem.

— Eu? – ela o encara, curiosa.

— Você, por que…

— Ei Nerd! Está aí dentro?! – batidas soam na porta, acompanhadas com a voz de Roxanne, assustando os dois e interrompendo o momento.

— R-Roxy? – ela pergunta, se levantando e indo até a porta, a abrindo e dando de cara com a loba com cara preocupada e um Mini Music Man – O que houve?

— O Mini me avisou que você estava precisando de ajuda e… – ela vê Moon que surge atrás e Sharon – O que o Cara de lua tá fazendo aí dentro?! – ela aponta de forma acusadora para ele.

— Ele veio me ajudar, nada de mais. – ela responde enquanto ele encara a loba, sua postura nem um pouco amigável.

— Por que não me chamou? Eu sou melhor que esse… Coisa aí. – ela olha ele, claramente tinha mudado de última hora o xingamento que ia proferir contra ele.

— Ele se ofereceu, né? – ela olha Moon, que olha o sorriso que ela lhe lança, aquele mesmo sorriso de antes.

— É, tanto faz. – ele revira os olhos, incomodado, ganhando um rosnado de Roxanne e uma batida raivosa de pratos do Mini Music Man.

— Gente, calma, tá tudo bem. – ela tenta apaziguar, se metendo na soleira da porta, entre os três – O Moon me ajudou com um machucado, nada demais.

— Que ele mesmo causou, pelo que ouvi. – ela cruza os braços, fitando ele ainda.

— Isso são águas passadas, a gente já se entendeu, ele pediu desculpas.

— Ele? Pedindo desculpas? Difícil.

— Eu não sou cabeça dura como você ou seu amigo réptil. – ele levanta um pouco a cabeça, mostrando superioridade.

— O que você disse? – ela rosna.

— O que você ouviu.

Os dois ficam rosnando um para o outro.

— Se querem brigar, briguem, só não me mete no meio. – Sharon suspira, saindo da soleira da porta e indo para o corredor, o Mini Music Man indo atrás dela e deixando os dois animatrônicos com cara de bobos vendo ela indo para a entrada da Creche e se encaminhando para a entrada do Pizzaplex.

Ela suspira, agora estava presa lá até de manhã, havia feito tudo da sua lista e estava se sentindo uma merda pela explosão de emoções que teve no vestiário sozinha.

Na verdade, não havia feito tudo, ainda faltava terminar de ler o manual do atendente da creche.

Havia realmente cogitado recusar a oferta de Rick, porém depois de ver como Moon realmente agia e se desculpando pelo que fez, talvez não seja uma má ideia aceitar a proposta.

E também havia o dinheiro extra que ganharia.

— Já que tenho um monte de tempo livre até abrir, que tal a gente dar uma visitada no Chef Bot? – ela olha o Mini Music Man, que a encara – Sim, eu sei que ele não me chamou, e faz muito tempo e ele não quer minha ajuda, mas eu queria dar uma passada pra ver se está tudo bem, já que agora tenho tempo.

O Mini Music Man dá de ombros e concorda, os dois dão um passo em direção ao Átrio, porém param ao ouvir passos apressados.

— Pera aí Nerd!

— Espera!

Roxanne e Moon estavam correndo em sua direção, pareciam alarmados.

— O que foi? – ela dá um passo para trás quando os dois param na frente dela.

— Desculpa por antes, é que eu só queria saber que você estava bem. – Roxanne fala – E esse Cara de lua me dá nos nervos.

— O sentimento é recíproco. – ele emite o que parece um rosnado para ela – E… Desculpa por ficar brigando com a pulguenta…

— Ei! – os dois se encaram, iam começar a brigar de novo. Sharon suspira.

— Eu tava indo para a cozinha, querem vir junto? – ela se mete.

— Cozinha? – Moon a olha curioso.

— O Chef Bot não tava te proibindo de ir lá?

— Não proibindo, ele só dizia que não precisava da minha ajuda. Mas já faz umas semanas isso, e agora tenho muito tempo livre, não faz mal ver como ele tá. Então, vocês vem?

— Bem, também tô com tempo livre. – Roxanne dá de ombros, Sharon encara Moon.

— Que foi?

— Você vem?

— Tem certeza? – ele fica receoso.

— Claro.

— O-o Sun seria melhor para esse tipo de coisa…

— Mas eu estou convidando você. O Sun pode vir outro momento… – ela desvia o olhar – Eu também tenho que falar com ele, pedir desculpas.

— Se você…

— Isso é entre eu e ele, e nesse momento você tá aqui, então vamos aproveitar, que tal? – ela o interrompe, que a olha e depois Roxanne, que dá de ombros.

Nunca haviam o chamado para fazer algo junto, sempre era com Sun essas interações, ele genuinamente não sabia o que fazer, o deixando nervoso.

— É-é, b-bem, se é assim, a-acho que posso ir junto. – ele começa a mexer em suas mãos.

— Que fofo, você deixou ele nervoso. – Roxanne ri.

— N-não deixou não! – ele grita com ela, que ri mais.

— Tá na cara que sim! – ela continua rindo.

— Por favor, sem brigas. – Sharon tenta não rir da situação – Vamos lá? – Mini Music Man bate os pratos em concordância, tomando a frente, logo em seguida os três começam a ir atrás – Que tal chamar o resto da galera?

— Quer fazer o Chef Bot explodir? – Roxanne ri.

— Claro que não, só que seria divertido todo mundo junto cozinhando algo gostoso.

— Posso mandar uma mensagem para todo mundo. Bem, menos o DJ, porque né, ele não cabe lá. – ela olha Moon – Tudo bem por você, Cara de lua?

— Tanto faz. – ele dá de ombros. Sharon diminui um pouco a caminhada e fica do lado dele.

— Tem algum problema com os Glamrocks? – ela pergunta, o encarando.

— Eles não gostam de mim principalmente por causa do… Bem, você sabe da minha fama. – ele explica.

— Bem, se não se sentir bem, pode ficar do meu lado. – ela oferece – E qualquer coisa, posso falar com eles.

— Eu… Obrigado. – os três chegam na porta da cozinha.

— O pessoal está vindo, vamos ir falando com o Chef Bot e ajeitando as coisas até eles chegarem. – Roxanne fala, eles concordam e abrem a porta da cozinha.

E Sharon mal podia acreditar no que estava vendo.

— EU JÁ DISSE QUE NÃO QUERO A *beep* DE UM MAPA! – é a primeira coisa que ouvem Chef Bot berrando.

— É, acho que agora entendi porque ele tava banindo qualquer um de vir aqui. – Roxanne fala ao ver o caos que havia se instaurado na cozinha.

Caos era pouco, aquilo era o apocalipse.

Todas as bancadas estavam sujas, com panelas e potes revirados, todos seus conteúdos espalhados por tudo. Os fogões todos sujos, com as panelas em estados deploráveis. As geladeiras abertas e tudo revirado, escorrendo líquidos por elas. Além do estado deplorável dos objetos, alguns Bots estavam tentando limpar, porém ao tentar se locomoverem, eles batiam nos utensílios no chão, nos potes nas bancadas, derrubando substâncias por cima deles, espalhando mais a sujeira do que conseguindo limpar.

Um deles tenta sair de entre as bancadas, porém tenta usar a bancada como apoio, a mão acaba escorregando no que quer que tinha nela, e ele vai ao chão, derrubando um dos potes em cima de si, causando curto circuito e ele começa a ter espasmos no chão.

Em outro canto da cozinha, um Bot que Sharon reconheceu sendo Zeta, estava girando no mesmo lugar com a cabeça parada no mesmo lugar, até que outro Bot, Gamma, tenta passar, porém ele tropeça sua roda em algo, que faz com que o balde que segurava voe de sua mão, e atinja Zeta. O Bot para de girar, começa a ter espasmos e vai ao chão, fumaça saindo de suas juntas. Gamma, ao ver isso, se arrasta até Zeta e segura seu corpo, tentando acordá-lo, porém não obtém resposta dele.

— BEEEEEEPPP! – ele grita, tristeza por todo seu beep, segurando o corpo de seu amigo.

E no meio disso tudo, Chef Bot tentava dar um soco em Map Bot, que por algum motivo estava lá, falando seu famoso “mapa”.

— Será que dá pra gente ignorar eles e ir, sei lá, dar uns tiros no Fazer Blast? – Roxanne pergunta para Sharon.

— O que? Não! Temos que ajudá-los! – ela aponta para o apocalipse.

— Tá. – ela bufa, até que sente um cheiro – Hm, tão sentindo esse cheiro? Parece… Fogo! – ela aponta para as chamas que surgem de onde havia caído o Bot entre as bancadas.

— Onde está o extintor?! – Sharon começa a olhar ao redor, atônita.

Antes que as duas comecem a correr em pânico, Moon pega um dos extintores que estava do lado da porta que eles entraram, rapidamente indo até o fogo e o apagando rapidamente.

— Crise evitada. Mas acho que ele não tem conserto. – ele fala, encarando o Bot.

— Vou averiguar isso depois, mas primeiro… – Sharon se volta para Chef Bot, que ainda estava alheio a presença dos quatro – EI CHEF BOT! O QUE CARALHOS TÁ ACONTECENDO?! – ela berra, finalmente tendo a atenção do mesmo.

— Ih, ela tá braba, nunca a vi berrar desse jeito. – Roxanne murmura para seus companheiros, Mini Music Man concorda com a cabeça e Moon apenas encara embasbacado.

— S-Sharon? E-eu não a chamei! O-o que está fazendo aqui? – pela primeira vez veem Chef Bot soar com medo, enquanto recuava a cada passo que ela dava em direção a ele.

— Vim porque estou preocupada com você, e olhe só a zona que isso aqui tá! Por que não me chamou?! – ela aponta para o apocalipse que estava na cozinha.

— V-veja bem, está tudo sob controle.

— Chama isso sob controle? – ela aponta para outro Bot que tropeça e vai ao chão, pegando fogo em seguida, ao qual Moon apaga com seu extintor.

— Foi um pequeno acidente que aconteceu.

— Desde quando que isso aqui está desse jeito?

— Bem, digamos que talvez… Uma semana? Um pouco mais?

— E por que caralhos você não me chamou?! – ela mexe os braços em frustração – Eu não fui chamada para fazer a manutenção em nenhum Bot da cozinha, aposto que todos vocês estão atrasados na manutenção!

— Talvez… – a resposta dele a faz fuzilá-lo com uma careta, à qual ele recua.

— Bem, você tem sorte que eu passei do horário e agora tenho muito tempo livre, e todos os Glamrocks estão vindo para cá, então podemos ajeitar toda essa bagunça.

Todos os Glamrocks? Por que você chamou todo mundo?!

— Por que seria um belo momento de todo mundo junto cozinhando e se divertindo! E eu tava preocupada com você!

— C-comigo? – ele recua um pouco, parecia encabulado.

— Sim, você também é meu amigo, eu me preocupo com você! – os dois se encaram por um momento, até que Chef Bot desvia o olhar.

— Desculpa. – ele murmura.

— Apenas, chame da próxima vez que começar um caos, não podemos deixar que vire um apocalipse que nem esse.

— O QUE ACONTECEU AQUI?! – um berro chama a atenção de todos, a porta da cozinha aberta, os Glamrocks que faltavam estavam encarando toda a bagunça.

— Nem meu quarto está tão horrível quanto essa cozinha – Montgomery ri, recebendo um olhar reprovador de Freddy.

— Perfeito, chegou a trupe. – Chef Bot ironiza, revirando os olhos.

— Como que vou fazer comida com essa cozinha toda revirada?! – Chica grita, olhando Chef Bot em seguida – Minha comida!

— Acalme-se Chica, não deve estar tão ruim assim para ajeitarmos tudo e… – Freddy começa, porém é interrompido quando outro Bot vai ao chão e começa a pegar fogo, sendo apagado em seguida por Moon – Retiro o que disse.

— Bem, é um pequeno contratempo em nossos planos, mas se todos ajudarmos, conseguimos ajeitar isso rápido e então cozinhar todos juntos como planejamos, pode ser? – Sharon intervém, olhando todos presentes no local.

— É claro! Vamos todos deixar essa cozinha como nova, certo pessoal? – Freddy fala com seu tom animado, olhando os Glamrocks.

— Vamos! – Chica fala, animada.

— Vou tentar não quebrar nada. – Montgomery ri.

— Só porque eu não tenho nada melhor pra fazer. – Roxanne cruza os braços.

— Então vamos lá! – Freddy olha para o lado e nota Moon – A-atendente? – seu tom era preocupado.

— Sim, eu chamei o Moon, ele vai nos ajudar, já está ajudando, né? – Sharon intervém.

— Sim. – Moon concorda.

— Além do mais, quanto mais gente pra ajudar, melhor né?

— Sim, tem razão. – a postura do urso relaxa, porém o tom dele transparecia que ele ia ficar de olho.

Um dos dutos de ventilação abre e dele saem três Mini Music Man, todos pareciam animados. Eles param na frente de Sharon, junto com o que já estava com ela antes, totalizando quatro Mini Music Men.

— Chamou seus amigos? Pra nos ajudar? – ela pergunta para eles, todos concordam e batem seus pratos – Bem, acho que temos bastante gente pra ajeitar essa budega, vai ser muito mais rápido com todos vocês! – ela sorri.

— Vamos começar então? Se juntem todos aqui, vamos ver o que cada um pode ajeitar! – Freddy chama todos.

— Eu vou ter que olhar os Bots, digamos que eles precisam de umas checadas, principalmente para não pegarem fogo de novo. – Sharon fala para Freddy, que concorda.

Ela vai até o Chef Bot, que ainda discutia com o Map Bot.

— Por que você está aqui Mapbot?

Mapa.

— Esse energúmeno me dá nos nervos. – Chef Bot bufa.

— Por que ele fala mapa?

— Não! Ele está me enchendo o saco sobre me desligar amanhã e só retornar depois de dois dias! – ele bufa – Não sei de onde ele tirou essa idiotice!

— Pera, é sobre o upgrade dele? – ela olha Mapbot, que confirma com a cabeça – Você vai ter seu upgrade! Isso é incrível!

— Que upgrade?

— Não se lembra que a Annie estava vendo de te ajudar a poder sentir o gosto da comida para que não tenha tantos problemas quando fizer novos pratos? É isso!

— Ah, isso. Já estava na hora. – ele cruza os braços – Mas isso quer dizer que não vai ter alguém para cuidar da cozinha enquanto não estou aqui. Isso é inadmissível.

— Não tem ninguém pra te substituir?

Mapa.

— Não, o Mark é muito positivo para comandar uma cozinha! – ele reclama com o Mapbot.

— Quem é Mark?

— Um humano que até que é promissor, mas não tem aptidão para comandar uma cozinha.

— Você não pode ter certeza se não der uma chance a ele. – ela rebate ele, que faz questão de levantar um dedo para rebater, porém para e pensa melhor.

— Tá, você pode ter razão. – ele suspira – Ele vai cuidar de tudo, e quando eu voltar, se essa cozinha estiver um caos ou alguma coisa fora do lugar, ele vai ser demitido imediatamente.

— Pera, você não pode demitir ele.

— Posso sim, e vou se ele não fizer o trabalho dele. – ele cruza os braços.

— Coitado do Mark. – Mapbot concorda com ela.

— Garota. – uma voz a chama, ela se vira e vê Moon.

— O que foi?

— Me disseram para te trazer esses pesos mortos. – ele levanta um Bot que estava arrastando.

— Não trata ele assim! – ela vai até o pobre Bot e começa a olhar, ele estava desativado – Coloque todos naquela parede, vou consertar todos.

— Certo. – ele começa a levar os Bots para onde ela indicou.

Ela observa ele catando todos os Bots que encontrava desligados no chão e os posicionando com cuidado encostados na parede, avisando aos que ainda estavam ligados que deveriam ir para aquele canto para poderem ser checados também. Tudo aquilo faz com que ela sorria, e a influencia a tomar uma decisão.

— Pronto, todos onde você pediu. – ele avisa, ficando em frente a ela.

— Muito bem, muito obrigada! – ela sorri mais – E obrigada por me ajudar a decidir.

— Decidir o que? – ele a olha, suspeito.

— Vou aceitar a proposta do Rick.

— Que seria?

— Está olhando para a sua nova mecânica temporária.

— Hein? Como assim? Por quê?! – ele fica surpreso, arrancando risadas dela.

Até que são interrompidos pelo celular dela tocando.

— Ah, desculpe, tenho que ver isso, já volto! – ela começa a se encaminhar para a porta da cozinha.

— Pera! Me explica o que você quis dizer com aquilo! – ele tenta ir atrás, porém a porta da cozinha fecha em sua cara.

Fora da cozinha, Sharon vê a mensagem de Alan, ficando séria ao ler.

Ela rapidamente escreve uma resposta, principalmente pedindo desculpas.

— Eu… Sou uma boa garota. – ela murmura, enviando a mensagem, respirando fundo em seguida.

Blam.

Um som a assusta. Que olha de onde tinha vindo.

Havia vindo de uma sala que ficava na frente da cozinha, porém suas portas sempre estavam fechadas, principalmente pelo motivo de ter faixas amarelas indicando para ficar longe daquela sala. Ela faz questão de ignorar aquilo, porém o som soa de novo de lá. E se fosse um cliente que também está trancado no Plex? Era trabalho dela também guiar aqueles que se perderam no Plex.

Com um suspiro, ela vai até a porta da sala, e com um pouco de esforço, a abre, revelando que a sala era muito maior do que esperava, maior até mesmo que a cozinha.

— O-olá! Tem alguém aí? – ela dá um passo para dentro da sala, receosa.

Estava tudo escuro, a pouca iluminação que tinha vinha dos LEDs nas paredes com os pôsteres promocionais da banda, além de uma luminária ou outra caída no chão, porém bem fraca a luz que emitiam. Entretanto o que a deixa apreensiva foi ver que a sala inteira estava revirada, bagunçada, destruída. O que quer que tenha acontecido ali, não havia sido bom.

— Eu sou uma funcionária do Pizzaplex, posso lhe ajudar. – ela tenta de novo, sem obter nenhuma resposta.

Não valia a pena ficar ali parada, chamaria um dos Glamrocks, eles achariam quem estivesse dentro da sala. Ela se vira.

Algo cai no chão, assustando-a e fazendo com que ela se vire de volta para a sala.

Algo rola mais a sua frente, ao lado de uma das mesas tombadas.

— Eu vou me arrepender disso. – ela murmura, clicando no celular e acendendo a lanterna dele, apontando para onde o som havia vindo.

Era uma cabeça de STAFF Bot.

Vai lentamente até ela e encara melhor. Não parecia ser uma cabeça comum. Ela pega a cabeça com uma das mãos e aponta a lanterna do celular com a outra, tendo uma visão clara da cabeça.

— Por que alguém pintaria algo assim em um STAFF Bot?

A cabeça estava totalmente suja, todo o brilho que deveria ter se foi, e no rosto, estava uma pintura de um grande sorriso com dentes e os olhos totalmente negros, além de linhas que vinham dos olhos até o sorriso, imitando lágrimas. Quem quer que fez isso, parecia ter sido há muito tempo. A questão era, por que estava ali.

Alguém no Plex deve saber o que isso significava. Decidida e ignorando o frio que subia por sua espinha, Sharon abre a câmera de seu celular, ligando o flash e apontando para a cabeça em sua mão. E tira uma foto, o flash iluminando seu redor.

Um grito estridente soa ao seu lado, assustando-a, que dá um pulo e cai no chão, a cabeça do Bot rolando para longe, seus óculos também caem de seu rosto, e ela olha com horror o detentor do grito, que se mexe para os lados, parece que o flash havia cegado ele. Sem esperar ele se recuperar, ela se levanta e corre até a porta, ouvindo outro grito.

— S-socorro! – ela grita, chegando na porta e batendo nas faixas, que a fazem perder o equilíbrio e cair no chão, emaranhada nelas. Ela começa a gritar enquanto tenta se desvencilhar delas.

— Superstar! O que aconteceu?! – Freddy surge em sua frente, ajudando-a a sair daquele emaranhado de faixas.

— E-ele quer me matar! – ela grita, apontando para dentro da sala escura, porém vê que seu perseguidor havia desaparecido – E-ele tava ali… Eu juro.

— Por que você entrou ali? – Montgomery pergunta, ajudando-a a levantar.

— Tinha um barulho, achei ser um cliente perdido… – ela continuava olhando para a sala.

— O que quer te matar? – Roxanne olha para a sala também.

— Ele… – ela para por um momento, todos a olham, esperando a resposta – E-era um endoesqueleto, e-ele parecia ter um chapéu de aniversário na cabeça.

— Um endo? Mas todos eles estão desativados. – Chica fala, adentrando a sala.

— Tem certeza? Você não fica cega quando está sem os óculos? – Montgomery aponta para seu rosto, que estava sem o instrumento.

— Eu não tenho um grau tão grande assim! Era um endo, eu tenho certeza! – ela protesta, Chica volta com seus óculos.

— O que quer que estava ali, pisou e destruiu seus óculos… – ela mostra a armação toda retorcida, as lentes em pedaços. E lá se vai mais uma boa parte do salário de Sharon para comprar um novo.

— Foi um endo! Ele que pisou! Ele estava bem ali! – ela aponta para onde ele estava. Freddy vai checar, scaneando o local.

— Meus sensores não captam nada muito fora do normal a não ser… – ele pega algo do chão – Um bolo mofado?

— Eu juro que não to mentindo! Ele tava vindo atrás de mim! – ela protesta.

— Calma Sharon, acreditamos em você! – Chica agarra os braços dela, fazendo-a olhar para a galinha – Vamos ter que investigar a fundo sobre isso, um endo a solta pelo Plex não é bom.

— Por enquanto vamos nos preocupar em terminar de ajeitar a cozinha, os Minis podem fazer uma ronda pelo Plex para ver se acham algum sinal desse endo. Enquanto isso, é melhor você não ficar sozinha. Nós conseguimos parar um endo, mas um humano não. – Roxanne toma a frente, Sharon concorda com a proposta, assim como todos ali presentes.

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— Vou emitir um comunicado para o Kyle amanhã, ele pode nos ajudar nisso. – Freddy vai até eles – Não se preocupe Superstar, enquanto estiver conosco, está segura.

E com isso, todos se encaminham de volta para a cozinha.

E tudo que passava pela cabeça de Sharon era apenas uma coisa.

O que diabos acabou de acontecer?

Parte 1 — Fim

Tirinha mostrando a primeira interação de Sharon com Moon.

Página comemorando o final da parte 1

Notas finais
E chegamos ao fim da parte 1 de Bots and Pizza! Não que isso queira dizer muita coisa, pois a parte 1 apenas apresenta nossos personagens principais haha Originalmente, este capítulo era pra ser junto com o do Sun, mas por ele ter ficado giga, tive que dividir em dois, esse é um dos porquês que demorei tanto para postar eles, além de muitos problemas pessoais que me fizeram parar de escrever, mas a maioria consegui resolver, então estou de volta. Dito isso, vai demorar um pouquinho para sair o início da parte 2, pois vou me concentrar em alguns projetos que ignorei hahaha A previsão é que saia em dezembro o próximo capítulo, e se quiser me perguntar como anda a fic ou só ver alguns desenhos idiotas, só chegar em uma das minhas trocentas redes sociais kkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.