Bots and Pizza

6 O implacável Lacoste


Notas iniciais
Após um pequeno acidente, começa uma implacável perseguição por todo o Pizzaplex.

Sharon suspira. O Bot de Limpeza não tinha conserto.

Ela se senta em uma das cadeiras que havia na sala de controle, encarando o Bot, tentando achar alguma maneira de não ter que mandá-lo para o descarte.

Mais um suspiro, realmente, não tinha como salvar ele.

Pelo que ouviu, esse Bot foi vítima de um dos ataques de raiva de Montgomery Gator, que ainda estava furioso e destruindo as coisas no camarim dele pelo que ouvia dos seguranças falando fora da sala, além das muitas câmeras na sala que estava mostrando a confusão que se instaurou.

Ele estava assim desde que ela havia chegado no Pizzaplex, seu gerente nem a deixou trocar para seu uniforme ou colocar seu capacete no armário, apenas lhe entregou a caixa de ferramentas e a mandou para a sala de controles para arrumar o Bot. Provavelmente viriam mais Bots para ela ver.

Seu Fazwatch bipa, uma mensagem do Chef Bot, haviam entregas para fazer.

Ela arregala os olhos, se não estivesse enganada, de onde estava, a cozinha ficava do outro lado do Pizzaplex. Teria que correr muito.

Rapidamente mandando uma mensagem para seu gerente, ela se vira para o Bot.

—Me desculpa, não vou ter como te levar até o descarte, mas seus amigos te levam. –ela coloca a mão no ombro do Bot, solicitando o serviço de descarte.

Pega sua caixa de ferramentas e coloca seu capacete na cabeça, abrindo a porta e caminhando rápido pelo Rockstar Row.

Ainda estava uma confusão no camarim de Montgomery Gator, e agora o animatrônico estava fora dele, berrando algo enquanto Freddy tentava acalmá-lo. Ela não presta muita atenção, tinha o único objetivo de chegar o mais rápido possível na cozinha.

Começa a passar na frente do camarim dele, pegaria a porta no final do corredor, que a levaria para o Átrio, saindo na frente da placa do Roxy Raceway, e de lá era só atravessar tudo para pegar o elevador para a cozinha. Era um bom plano.

Até que algo atinge sua cabeça, levando-a ao chão, o capacete voando de sua cabeça e caindo ao lado.

—Superstar!!! Monty, você jogou um taco de golfe na Superstar!!! –Freddy berra ao vê-la no chão, os seguranças haviam se afastado para se desviar do taco, porém como Sharon não estava prestando atenção, foi vítima do acesso de fúria do animatrônico.

—Hein? –o animatrônico jacaré olha e vê a pobre mecânica no chão.

—Superstar! –Freddy faz questão de ir até ela, porém para ao ver ela subitamente se sentando.

Ela encara o Fazwatch.

—MERDA! EU TÔ ATRASADA! –ela berra, pegando o capacete e sua caixa de ferramentas, se levantando e saindo correndo, deixando todos boquiabertos.

—Ela… Saiu correndo? –Montgomery pergunta em voz alta.

—Monty, o que você fez é inaceitável! Depois que eu checar a Superstar, teremos uma conversa! –Freddy aponta para ele de forma acusatória.

—Tá tá, tanto faz.

O urso o encara faz um movimento com a mãos, demonstrando que queria estrangular o baixista da banda, porém se segura e suspira, ver como a Superstar estava era prioridade.

—Obrigado pela ajuda Sharon, se você não tivesse aparecido, eu ia levar uma bronca do Chef Bot. –Arnold fala enquanto os dois vão para a cozinha, ele era um dos novos entregadores contratados que ajudaria Sharon nas entregas.

—É, ninguém quer uma bronca do Chef Bot. –ela ri, colocando a mão na testa.

—Está tudo bem? Notei que você não para de botar a mão na testa, está com dor de cabeça? –ele chega perto, notando algo –Ué, seu capacete tá amassado, você bateu?

—Ele tá? –os dois adentram na cozinha, se deparando com uma cena inédita –Freddy? O que houve?

—Superstar! Graças a Deus que você voltou! –o urso vai até ela.

—Pra que essa agitação?

—Você saiu correndo depois que recebeu aquele golpe do taco de golfe, eu nem pude te ajudar!

—Taco de golfe? –Arnold fica confuso, a encarando.

—Ah, aquilo? Nem está doendo nem nada. –Sharon ri.

—Eu insisto, sei que o Monty não controlou sua força, me deixe olhar. –Freddy quase implora.

—Está tudo bem. –para demonstrar, ela retira o capacete.

Até que sente algo escorrer por seu rosto.

Ela leva a mão ao rosto e toca, olhando em seguida. Estava sangrando.

—Ah. –é o que fala ao se deparar com a situação.

—Você está sangrando! –todos berram, indo até ela e a rodeando.

—Vou levá-la imediatamente ao enfermeiro! –Freddy, sem nem ao menos pensar, coloca uma mão nas costas dela e com a outra engancha atrás de suas pernas, pegando-a no colo, que solta um gritinho.

—E-Ei Freddy! Não precisa me carregar! –ela agarra o pescoço dele, com medo de cair.

—Chef Bot, infelizmente as entregas dela deverão ser atribuídas a outro entregador. –ele a ignora.

—Não precisa me informar, cuide dela, não quero ninguém machucado em minha cozinha. –ele cruza os braços e Freddy concorda com a cabeça, começando sua caminhada até a estação de primeiros socorros mais próxima.

—Freddy, eu posso caminhar! Me solta! –Sharon protesta.

—Já estamos quase lá, já avisei o enfermeiro. –ele adentra uma das salas destinadas para os primeiros socorros. Logo em seguida, um homem adentra.

—Vim o mais rápido, qual é a emergência Fred-… Meu Deus! –o homem exclama ao ver o sangue na cara de Sharon –Sente ela aqui! –ele indica uma maca.

—Eu estou bem! Foi só um arranhão!

—Querida, você está sangrando, não está nada bem. –o homem a encara, pegando uma lanterninha e passando nos olhos dela –Alguma tontura? Desorientação?

—Não.

—Freddy, para termos certeza, poderia fazer um scan da cabeça dela enquanto eu limpo e a enfaixo? –ele já pega alguns algodões e faixas.

—Eu posso? –Freddy a olha, que suspira.

—Claro, só vai. –ela dá de ombros, melhor fazer o que eles querem para poder voltar a trabalhar.

Enquanto Freddy a escaneava, o homem limpa seu rosto e enfaixa, até que seu tablet apita e ele confere o scan de Freddy.

—De acordo com isso, não ouve concussão nenhuma, apenas o corte mesmo. Você é sortuda. –ele conclui.

—Eu tenho uma cabeça dura.

—Mas recomendo que não dirija por uma semana, para ter certeza. Se tiver qualquer tontura, desorientação ou a dor continuar, deve ir imediatamente ao hospital, me entendeu? –ela concorda com a cabeça.

—Não se preocupe enfermeiro James, ficarei de olho nela. Muito obrigado pela sua assistência. –Freddy fala.

—É o meu trabalho. –James sorri –Com a licença de vocês, eu meio que deixei metade de meu lanche numa mesa, vou ir lá ver se um dos Bots não colocou no lixo.

—Claro, me desculpe por atrapalhar.

—Não atrapalhou, acidentes acontecem, principalmente em um lugar tão grande como esse. –ele sorri para ela, saindo logo em seguida.

—Superstar, você está bem mesmo? –Freddy pergunta ao ficar os dois a sós.

—Sim, só dói um pouco mesmo. –ela olha o urso –Eu… Obrigada, apesar de ter me carregado sem precisar. –isso arranca uma risada do urso.

—Era uma emergência.

—Agora como fica as entregas? Eu meio que fui proibida de dirigir, e aposto que você já enviou um relatório para a diretoria sobre isso no momento que ele falou. –o urso olha para o lado, obviamente ela havia acertado no palpite.

—O-o Chef Bot não vai se importar, e já temos outros entregadores, uma semana sem você não fará o apocalipse cair sobre a cozinha. –Freddy fala, ela concorda –E também, devo me desculpar.

—Pelo que?

—É inaceitável que um de nossos funcionários seja ferido. Eu fui descuidado e não tentei parar o Monty. Se tivesse sido mais responsável, você não teria saído ferida.

—E-e-eu que não estava prestando atenção! Eu sabia que o Montgomery estava destruindo tudo, deveria ter prestado atenção enquanto caminhava! –ela mexe as mãos freneticamente –Não foi sua culpa! Quem deveria estar aqui com uma cara de culpado se desculpando deveria ser ele, não você!

—Mesmo assim, sou o líder, as ações dele também são minha responsabilidade. Mas hoje foi a gota d’água! Vou ter uma longa conversa com o Monty! –ele fala –Preciso ir, mas ainda estarei de olho em você Superstar, não invente nada perigoso, e nada de dirigir sua moto!

—Sim, eu já sei, vou arranjar alguma carona depois, e alguém para levar minha moto. –ela revira os olhos.

Freddy concorda com a cabeça, começando a sair da sala, até que se vira para ela e faz o sinal universal de “estou de olho em você”, enfim indo embora.

Que bela preocupação que arranjou para si mesma Sharon.

Um dia depois, Sharon chega no Pizzaplex com um sorriso. Fazia anos que não pegava um ônibus, e agora que estava com a restrição, teve que pegar um, e achou incrível finalmente poder olhar ao redor enquanto aproveitava o passeio. Também era uma vantagem que seu horário de trabalho era fora do período de congestionamento, então o ônibus estava relativamente vazio.

Cantarolando, Sharon se encaminha para o vestiário da Creche. Seria um dia divertido, com certeza!

Ao olhar seu Fazwatch, vê que suas tarefas eram simples, começaria pela de consertar os Bots na Creche. Parece que finalmente notaram que não havia nenhum Bot naquela área além do Bot de Comédia que dava shows no Teatro, o que era estranho.

Após colocar seu uniforme e pegar sua caixa de ferramentas, se encaminha para a frente da grande porta da creche. Se estivesse certa, dali conseguiria chegar até o Teatro e descer as escadas para onde ficavam alguns endoesqueletos e artigos para apresentações. Fazendo o caminho, passa ao redor da grande estrutura da Creche, e curiosa, olha pelas barreiras de vidro, vendo crianças correndo e gritando de felicidade, e no meio delas, um animatrônico com um design diferente de todos. Aquele deveria ser o famoso Atendente da Creche.

Sorrindo, ela continua em direção ao Teatro, não notando que o animatrônico havia virado a cabeça e a encarado por um momento.

—Prontinho! Agora só precisamos ir até a frente da Creche para que vocês comecem a fazer seus trabalhos! –Sharon anuncia ao terminar de ligar o último Bot. Ao todo eram três que havia encontrado desativados em um canto, alguns com marcas que pareciam ser de garras. Ainda se perguntava se Montgomery os atacou, e se foi isso mesmo, por que ele viria até a Creche para ter um acesso de fúria?

Os quatro chegam à frente das grandes portas da Creche, Sharon os observa por um momento.

—Eu vou arranjar placas para substituírem as que estão arranhadas, mas por enquanto vocês podem fazer seus trabalhos, consertei tudo dentro, é só a estética agora. –os Bots concordam com a cabeça –E qualquer problema, só me chamar, aqui está o meu Fazwatch e o canal de comunicação. –os Bots a encaram por um momento, parecendo confusos –O-o que foi? Por que estão me encarando?

Os Bots parecem comunicar entre si por um momento, até que se viram para ela e abrem os braços.

Eles estavam pedindo um abraço.

Isso arranca uma risada de Sharon.

—Por que todos os Bots gostam de abraços? –ela lhes dá um abraço, rindo. Eles soltam alguns beeps de felicidade.

Ela se desvencilha do abraço e sente que estava sendo vigiada.

Olha para trás, jurava que alguém estava a encarando, mas não tinha como ter total certeza.

—Hei, garota! –alguém fala de forma autoritária, ela olha e não era ninguém menos que Montgomery Gator, vindo em sua direção de forma ameaçadora e fazendo um grande barulho a cada passo.

Ela arregala os olhos e dá um passo para trás.

—Garota! –ele praticamente ruge.

Os Bots a encaram, vendo que ela estava com medo. Eles se viram para o animatrônico e fazem um sinal para que ele pare, o que ele faz.

—O que vocês querem? Meu assunto é com ela! –ele aponta para Sharon, que olha para os lados, parecia considerar rotas de fuga –Me deixem passar!

Os Bots fazem beeps, desaprovando.

Até que o jacaré ruge e ataca um deles, levando-o ao chão.

Sem nem ao menos pestanejar, Sharon sai correndo, enquanto ouve os rugidos e os beeps desesperados dos Bots. Recém tinha arrumado eles e teria que arrumar de novo, se Montgomery for misericordioso.

Adentra o vestiário, nenhum animatrônico pode entrar ali, a menos que um funcionário aprovasse verbalmente. De acordo com o treinamento, quando um animatrônico é permitido entrar, o funcionário deve ser específico que o animatrônico só pode entrar naquele momento, se não eles poderão entrar e sair quando quisessem de lá, o que seria algo ruim para os funcionários que não gostam deles ou alguma criança assustada, pois alguns deles tinham a péssima mania de seguir as pessoas.

Ela tenta acalmar seu coração e respiração, estava segura agora.

Espera um pouco, os sons de destruição pareciam ter parado.

Ouve passos poderosos do lado de fora, fazendo-a recuar da porta.

Quando parecia que ele já estava longe, finalmente abre a porta e coloca apenas a cabeça para fora, encarando o local.

Nenhum sinal de Montgomery.

Rapidamente vai em direção a frente da Creche, presenciando o resultado do ataque de Montgomery.

Um dos Bots estava no chão, faíscas saíam de seu corpo, os outros dois ainda estavam ligados, porém seus estados não estavam dos melhores.

—Céus, me desculpa! E-eu entrei em pânico e abandonei vocês! –ela fala, indo até eles, que apenas fazem um beep triste e negam com a cabeça, claramente dizendo que não era culpa dela.

—V-vou arrumar vocês, eu prometo. –ela se ajoelha no que estava caído, averiguando o estrago –Vou precisar levar vocês pro Partes e Serviços, não vou conseguir arrumá-los aqui. Vou precisar de uma ajuda para levar o amigo de vocês, e vocês não estão em condições de carregá-lo também.

Um barulho chama a atenção dela, que se vira para a porta da Creche.

Parecia tudo normal, apenas ouvia as crianças brincando atrás da porta.

Será que foi sua imaginação?

—Nerd? –uma voz chama a atenção dela.

—Roxy? O que está fazendo aqui? –ela pergunta, pelo que sabia, a loba jamais vinha para perto da Creche.

—Eu recebi um chamado de ajuda… –ela olha para dentro da Creche e para de falar –E-enfim, o que aconteceu? –aquilo foi medo na voz dela?

—Montgomery atacou os Bots, preciso levá-los para o Partes e Serviços.

—Certo, vou pegar o peso morto. –ela indica o Bot caído.

—E-e-espera, você não pode!

—Por que não?

—P-p-porque você é a Roxanne Wolf! –ela aponta para a loba.

—É o meu nome, mas não entendi por que isso me impede de te ajudar.

—E-e-e se alguém te ver? E se descobrirem que estou usando as estrelas do Plex para fazer o meu trabalho braçal? –ela estava em pânico.

—Sério que é isso que te preocupa? –a loba a encara por um momento e depois ri.

—Não ri! Isso é sério!

—Ninguém vai te dar um sermão por eu estar carregando um Bot, na realidade a gente carrega os Bots quase todos os dias, quem você acha que leva eles até os escritórios?

—Outros Bots?

—E quando tem escadas? –Sharon para por um momento, pensativa, até que sua feição começa a mudar ao entender o que ela tinha dito –Não pode ser. M-m-mas vocês são as estrelas do Plex!

—Mas ainda somos capazes de levantar o dobro de nosso tamanho, e conseguimos subir escadas. –ela ri da cara de incrédula de Sharon –Então não tem o porque de reclamar quando te ajudamos. –ela toca na ponta do nariz de Sharon e vai até o Bot caído.

Sem esforço algum, o levanta e coloca em seu ombro.

—Bora.

—Espera! –ela se coloca na frente da loba com os braços estendidos.

—O que foi agora Nerd? –ela bufa.

—T-t-tem certeza que a barra tá limpa?

—Oi?

—O Montgomery… Sabe se ele não está por perto? –ela brinca com os dedos, nervosa.

—Ele realmente te assustou é? –Sharon desvia o olhar, ela suspira –Pelo que vejo, ele está no Átrio, se encaminhando pro Gator Golf. Podemos ir devagar, até chegarmos no Átrio ele já vai ter entrado na atração.

—C-certo. –as duas começam a caminhar, sendo acompanhadas pelos dois Bots semidestruídos.

Durante o trajeto, Sharon nota alguns visitantes encarando as duas, não é a toa, devia ser muito engraçado ver uma das estrelas do Plex carregando um Bot como se fosse um saco de batatas enquanto era seguida por uma humana e dois Bots em estados deploráveis.

—Nerd.

—Sim? – Sharon olha para a loba, que para na sua frente.

—Sabe por que o Monty foi atrás de ti?

—Não.

—Será que tem algo a ver com ele ter tacado um taco de golfe na tua cabeça? –ela aponta para a cabeça dela.

—O Freddy já espalhou pra todo o Plex sobre o que aconteceu né? –isso arranca uma risada da loba.

—No momento que te proibiram de dirigir a moto.

—Típico do urso. –ela suspira –Acha mesmo que ele está querendo falar comigo para pedir desculpas?

—Sendo sincera, ele não é de pedir desculpas, muito orgulhoso. Mas depois do caos que o Freddy fez por causa do seu machucado, acho que ele vai tentar engolir o orgulho, mas do jeito que ele é atrapalhado, provável que só resulte em fazendo mais merda. –as duas voltam a caminhar.

—Que tipo de merda?

—Bem, te perseguir que nem agora deve contar. E também ele pode acabar te insultando até te deixar em lágrimas, e se tem algo que ele não sabe lidar, é com alguém chorando. Geralmente ele faz as crianças chorarem ainda mais quando tenta fazê-las parar.

—Achei que era o Atendente da Creche que fazia as crianças chorarem.

—Ah sim, o Atendente sim, mas é porque quem quer que fez o design dele achou uma ótima ideia fazer ele parecer um lunático com aquele sorriso. As crianças adoram o Monty, mas a personalidade dele é uma droga de lidar.

—E quem tem a melhor personalidade com crianças?

—Eu, é claro! –Sharon ri ao ver a loba estufar o peito –Não concorda Nerd?

—Você é a melhor, pode crer.

—Sério que acha isso? –ela concorda com a cabeça –Mal posso esperar pra jogar na cara da Chica! Hahahaha, viu só! Eu sou a favorita da Nerd! Hahahaha!

Depois disso, o resto do caminho Roxanne não parou de salientar seus pontos positivos enquanto Sharon ria, achando tudo aquilo fofo.

—Sério, quem beberia Sodaroni? O Alan me falou que nem por um milhão beberia uma gota, mas veja bem, é um milhão. Por um milhão eu beberia uma lata. E você Mapbot? –Sharon encara o Bot, que estava parado na frente de sua mesa no Átrio. Ela estava durante seu intervalo tomando um sorvete enquanto encarava um dos cartazes da temida bebida conhecida com Sodaroni.

Mapbot dá de ombros.

—É, foi uma pergunta idiota, considerando que você não tem boca. Mas se tivesse, beberia?

O Bot pondera e levanta o dedo, fazendo questão de responder, porém é interrompido por uma voz poderosa.

Te achei! —Sharon se assusta, olhando para o detentor da voz, Montgomery Gator, que vinha em sua direção de forma ameaçadora.

—N-não é comigo né? –ela pergunta para o Mapbot.

—É com você! –Montgomery ruge para ela, se aproximando mais. Ela se levanta da cadeira e dá um passo para trás.

Mapbot toma a frente e vai até Montgomery, que agora estava a poucos metros dos dois.

Mapa.—ele estende um mapa para o jacaré, que tenta passar, porém o Bot o bloqueia. Quanto mais ele tentava passar pelo Bot, mais era bloqueado pelo mesmo.

—Sai da minha frente cabeça de lata! –ele ruge para o Bot, o empurrando e então olhando para onde antes estava Sharon.

Ela havia sumido.

—Por que todo mundo está me atrapalhando?! –o animatrônico ruge, dando um soco e levando Mapbot ao chão, até que ouve o som do elevador chegando naquele andar.

Sharon, que aproveitou a brecha que Mapbot lhe deu, correu para o elevador, e uma vez dentro dele, estaria segura. Se tentasse sair correndo para as escadas rolantes, com certeza Montgomery a alcançaria facilmente.

O elevador chega, suas portas abrem.

—Espera! –ela olha para trás.

O animatrônico jacaré vinha correndo em sua direção com suas costas curvadas, os braços para frente, as garras apontadas em sua direção, a boca aberta e fazendo um grande barulho a cada passo.

Sem nem ao menos pestanejar, ela adentra o elevador e aperta para o terceiro andar, logo em seguida esmurrando o botão de fechar as portas, enquanto o animatrônico rosnava ao chegar cada vez mais perto.

—Fecha, fecha, fecha, fecha! –ela fala em desespero.

A porta fecha.

Ela suspira aliviada.

Blam!

Ela dá um berro e recua ao ouvir a batida na porta.

O elevador começa a subir.

—Pedir desculpa uma ova! Ele quer é me matar! –ela finalmente solta a respiração que estava prendendo.

O elevador chega no terceiro andar e abre as portas.

Ela sai, respirando fundo e tentando se recompor do susto.

—Será que não seria mais fácil eu tentar falar com ele para acabar com toda essa perseguição? Afinal, ele é uma das estrelas do Plex, ele deve ter códigos pra prevenir de matar um funcionário e… –ela começa a raciocinar, porém ouve passos pesados e olha para o andar de baixo.

Montgomery estava correndo, subindo pelas escadas rolantes. Sua cabeça estava virada para a direção em que Sharon estava durante todo o tempo, o olhar de raiva a fulminando, ignorando todos os clientes no caminho. Ele tinha apenas um objetivo, era de chegar onde Sharon estava.

—Não, ele quer me matar. –ela fala e começa a correr para o único lugar que sabia que ficaria a salvo daquele animatrônico.

Caminhando de forma rápida, entra no Superstar-cade, passando rapidamente pelas máquinas de arcade e os clientes que as utilizavam, alheios a perseguição que acontecia. Ela chega até uma porta onde apenas funcionários entram e adentra, olhando ao redor e vendo seu objetivo.

Rapidamente entra no escritório de segurança e fecha as portas de metal, respirando fundo, tocando sua testa nas portas fechadas, sentindo alívio.

—Mas o que… Sharon? –a voz de Annie soa atrás dela, encarando a visitante inesperada.

—Oh, não vi que tinha gente aqui! Me desculpe e…

Blam!

—Que foi isso? –Annie encara as telas, mostrando as câmeras do lado de fora do escritório –Por que o Monty tá batendo na porta parecendo muito puto? –ela pergunta, ouvindo outra batida.

—Ele tá me perseguindo por todo o Plex! Me ajuda, por favor! –Sharon fica na frente dela, desesperada.

—O que você fez pra ele?

—Nada!

Mais batidas na porta.

Ela pondera por um momento a melhor solução para aquela situação.

—Tá, sai por aquela porta enquanto eu o distraio. –ela vai até a porta que Montgomery batia e faz sinal para Sharon ir para a porta contrária. A mecânica rapidamente se posiciona e quando a loira lhe faz um sinal para sair, abre a porta e começa a se esgueirar, rezando para o jacaré não a notar.

Annie, vendo que ela saiu, abre a porta, sendo agraciada com o animatrônico jacaré furioso.

—Onde ela está?! –ele tenta adentrar o escritório, a loira bloqueia sua passagem.

—Quem? Só tem eu aqui. –ela cruza os braços, nem um pouco abalada pela atitude agressiva do animatrônico.

—Eu sei que a baixinha de óculos foi para cá, cadê ela? –ele rosna.

—Sabe que a “baixinha de óculos” tem um nome né?

—É claro que ela tem.

—Ah é, e qual é?

—É… –ele levanta o dedo, até que para e fica confuso. Qual era o nome daquela mecânica? Chica vivia falando…

Vendo que ele estava demorando e obviamente não tinha uma resposta, Annie suspira.

—Você é um caso perdido. E o que quer com a Sharon para fazer uma cena dessas?

—Eu… –ele murmura algo ininteligível que faz Annie fazer uma careta.

—O que é que você tá resmungando?

—Eu tô tentando pedir desculpas! –ele berra na cara dela, que arregala os olhos, surpresa.

—Desculpas? Você?

—Eu não sou um Bot horrível como vocês gostam de me intitular. –ele soa ofendido –Vai me ajudar ou não?

—Se você está tentando pedir desculpas, não deveria perseguir ela como um assassino, só está a assustando.

—Eu não estou fazendo isso!

—Fala isso pra porta que você quase quebrou. –ela indica a porta vermelha atrás deles, que estava entreaberta e o trinco quebrado, além de seu centro estar amassado, obviamente o animatrônico havia dado um soco nela.

—V-você não tem como comprovar que fui eu!

—Fala isso para as câmeras. –ela aponta para os monitores dentro do escritório, fazendo o jacaré bufar. As vezes odiava como a loira sempre tinha uma resposta para o que ele falava.

—Tá, me dedura pros cabeças depois então, eu não me importo. Só quero pedir a droga da desculpa pra quatro olhos.

—Com essa atitude, cê nunca vai conseguir.

—E como que eu faço então? Clarifique-me. –ele fita ela, raivoso.

—E eu vou lá saber? Fale com alguém que a conheça melhor. Agora se manda, preciso achar as filmagens que os diretores querem. –ela o dispensa com um movimento de mão.

Aquilo o faz bufar, porém ele se vira, se encaminhando para sair dali.

Era sempre assim, ninguém lhe dava respostas, apenas o tratavam como um estorvo.

Ele para de caminhar, pensativo.

Hm, até que a ideia que Annie lhe deu não era tão ruim assim.

Apenas deveria descobrir quem estaria disposto a ajudá-lo.

Sharon adentra o Rockstar Row, havia combinado de encontrar Roxanne durante seu intervalo, a mesma havia pedido para ela quando chegou para trabalhar.

—Hei Nerd. –a loba chama, saindo de seu camarim.

—E aí Roxy, do que precisa?

—Ouvi que estava precisando de um tour pelo Plex, que anda se perdendo bastante quando é chamada em locais que não andou.

—É… Digamos que sim. –ela coça atrás da cabeça, envergonhada.

—Bem, é seu dia de sorte, tenho a pessoa certa para lhe dar um tour agora. –ela segura a mão de Sharon e as duas começam a caminhar pelo Rockstar Row.

—É? Vai me dar um tour?

—Infelizmente não sou eu. Obviamente sou a melhor escolha, mas desta vez vou ter que te deixar aos cuidados de outra pessoa. –ela fala com um orgulho um pouco tímido de si, o que arranca um sorriso de Sharon –E ele já está chegando.

—“Ele”? –passos metálicos soam, passos esses que Sharon reconhece, eles a perseguiram em seus pesadelos durante toda esta semana –Pera, não me diz que… –ela arregala os olhos.

—Yo. –uma voz as chama, que se viram e veem ninguém menos que Montgomery Gator.

—Pronto, trouxe a Nerd. Se aprontar alguma pra ela, vou te quebrar. –Roxanne aponta para o jacaré, que revira os olhos.

—Até parece. –ele dirige o olhar a Sharon, que se encolhe e fica atrás da loba. –Vamos fazer esse tour. –ele faz questão de tentar pegar o braço dela, que desvia e se encolhe atrás de Roxanne, agindo como se ela fosse seu escudo.

—Lacoste, cadê seus modos? Não tá vendo que tá a assustando? –a loba o olha com reprovação.

—E-Eu preciso ir mesmo com ele? Não pode ser o Freddy? –Sharon pergunta para Roxanne, porém Montgomery rosna ao ouvir o nome do urso, fazendo-a se encolher mais ainda.

—O urso está ocupado. –Roxanne se vira para ela e se abaixa, ficando na mesma altura que ela –Dê uma chance ao Lacoste, ele está tentando se desculpar pelo que aconteceu, ele não vai te machucar.

—Tem certeza? –ela olha de canto o jacaré, que bufa com a pergunta.

—Claro. Se ele fizer qualquer coisa, me chame e eu quebro as pernas dele e corremos, combinado? –ela concorda com a cabeça, ainda um pouco receosa.

Roxanne se levanta e encara Montgomery, Sharon devagar sai de trás da loba e fica a frente do jacaré.

—Está pronta para o tour? –ele estende a mão, tentando uma abordagem menos “agressiva”. Receosa, Sharon a estende sua mão e coloca encima da do animatrônico, que fecha os dedos e faz sua mão sumir. Às vezes ela esquecia o quão grande e imponentes eram os animatrônicos estrelas do Plex.

Vendo que agora estava tudo bem, Roxanne se despede e retorna para seu camarim, deixando os dois fazerem o tour, porém o jacaré sabia que ela estaria os espionando com aqueles olhos bizarros dela o tempo todo.

Ignorando a raiva que sentia por ninguém confiar nele, começa a caminhar, guiando Sharon, que ainda estava visivelmente nervosa por sua presença.

Os dois param em frente ao camarim de Montgomery, ele pigarreia como se estivesse limpando a garganta não existente.

—Bem, começando o… Hã, tour, e aproveitando que estamos aqui, este é o Rockstar Row, onde estão todos os camarins da banda. –ele começa, indicando cada camarim –Mas você já conhece aqui, não é?

—Bem, a Chica me leva com frequência para o camarim dela, e de resto só conheço o camarim do Freddy por dentro. –ela fala, nervosa, até que vê o vidro escurecido do camarim de Montgomery –Eu sempre me perguntei por que o seu camarim é o único que não se pode ver.

—Ah, bem… –ele olha para os lados, procurando alguma desculpa –Sabe né, sou um rockstar, gosto da minha privacidade, haha.

—É? Achei que tinha algo a ver com você ter acessos de raiva e se quebrar toda hora por causa disso.

—N-não! Não tem nada a ver com isso! –ele arregala os olhos, totalmente nervoso. Estava com certeza mentindo.

Ao ver o nervosismo óbvio do jacaré, Sharon acaba sorrindo.

—Vou fingir que acredito. –ela se lembra de todas as vezes que ouviu Kyle reclamando de ter que arrumar o endoesqueleto dele, o que não foram poucas. O fato a faz esquecer momentaneamente que estava com medo de Montgomery.

—É a verdade! Meu quarto está totalmente inteiro! –isso arranca mais risadas dela, fazendo ele bufar.

—Então poderíamos entrar nele agora?

—NÃO! –ele ruge, fazendo-a recuar um pouco. Vendo que havia assustado ela, imediatamente se arrepende –N-não queria gritar com você e…

—Deixa pra lá, vamos continuar logo com esse tour, meu intervalo não dura tanto assim. –ela o interrompe, ficando com uma expressão neutra.

—O-ok… –ele se repreende ao vê-la se virar, esperando que ele tomasse a frente.

Teria que cuidar mais de seu temperamento a partir daquele momento, senão a faria sair correndo antes que pudesse se desculpar.

—Pra onde vamos? –a voz dela o tira de seus pensamentos.

—Bem, uma das formas mais rápidas de acessar as atrações seria pelos Túneis de Serviço. –ele começa, tomando a frente e se encaminhando para os túneis.

—Sim, mas o Freddy não gosta de eu andar por lá sozinha. –ela fala, o seguindo.

—Hein? Por quê?

—Não sei, ele falou de “coisas perigosas”, mas nunca entrou em detalhes ou explicou.

—Besteira. Os túneis não tem nada de perigoso, são feitos para facilitarem a locomoção entre as atrações, se estão lá, devem ser usados. –ele bufa –Freddy é muito cri cri com tudo.

—Sim, mas para evitar outra crise dele me ligando a cada três minutos, eu não uso os túneis.

—É por isso que você está sempre gritando que está atrasada?

—É…

Ele não podia acreditar que ela simplesmente acatou a ordem absurda do urso, aquilo apenas a prejudicava!

—Vou te mostrar que não tem problema algum nos túneis, vai te poupar ter que correr por todo o Plex. –ele fala com convicção, os dois adentrando nos túneis.

—Se o Freddy souber disso, ele vai reclamar.

—Dane-se o urso, se ele vir comprar briga contigo, eu dou uma surra nele! –isso a faz encarar o jacaré.

—Você não gosta do Freddy?

—Não, ele usa essa fachada de se importar com todos mas só se importa com aquele garoto e fica projetando em todo mundo.

—Garoto? –Montgomery faz questão de abrir a boca, porém nota que estava falando sobre algo que o público não sabe.

—É… Bem… Sabe… –ele começa a olhar para os lados, como se fosse ajudá-lo com alguma ideia. Vendo que nada surge, suspira e para, se abaixando e ficando na mesma altura que ela –Olha, pode fingir que não falei nada? Digamos que isso é informação confidencial e ninguém deveria saber.

—Eu perco o emprego se falar algo?

—Hã? S-sim, muito provavelmente. –ele fica confuso por um momento.

—Minha boca é um túmulo. –a atitude dela o deixa pensativo, parecia que aquele emprego era muito importante para ela –Poderia só me dizer por que é que o Freddy projeta?

Com um suspiro, Montgomery se levanta e começa a caminhar, ela acompanhando de perto, já dentro dos túneis.

—Ele fez do garoto o protegido dele, ajudou ele em momentos… Perigosos. Depois que o garoto foi embora, o urso ficou superprotetor com todo humano que chega perto dele, me dá nos nervos isso. –o jacaré solta um rosnado.

—Isso explica porque ele vive me enchendo o saco quando me machuco. –ela fica pensativa.

Um som chama a atenção dos dois, que param e olham de onde tinha vindo.

—Que foi isso? –Sharon pergunta, os dois vão até o local e veem apenas uma cabeça de STAFF Bot no chão.

—Acho que alguém perdeu a cabeça. –Montgomery pega a cabeça, olhando para ela sorrindo. Vendo que ela não esboçou reação, bufa e coloca a cabeça na máquina de descarte.

—O que é aquilo? –Sharon chega perto e se agacha, olhando algo no chão.

O que estava no chão era algo verde e rosa, a cor totalmente desbotada, parecia grudento e viscoso.

—Hmmm, parece um… Pedaço de bolo velho? –Montgomery fica confuso –Meus scans devem estar com defeito…

—Não, está certo. Olha ali, é mofo. Acho que era um bolo de chocolate… –ela olha bem o pedaço –Na minha época de escola meu professor trouxe um bolo mofado de quatro anos, era parecido com isso. A questão é, por que tem um pedaço de bolo no chão no meio dos túneis?

—O serviço de limpeza anda preguiçoso. –ela encara o jacaré –Que foi? É uma piada.

—Eu sei. –ela sorri –Não tenho nada para limpar isso, mas vou avisar um dos Bots depois para limparem aqui.

—P-pode deixar que eu chamo! –ele toma a dianteira.

—Oh, obrigada. –ela sorri mais e se levanta –Vamos continuar o tour?

Montgomery concorda com a cabeça, estendendo a mão, de forma mais tímida desta vez, à qual Sharon aceita.

—E agora estamos na melhor atração de todas! –Montgomery anuncia, estufando o peito, orgulhoso. Estavam em frente ao Monty’s Gator Golf, a última atração que faltava Sharon conhecer.

—É? –Sharon o encara. Ele não estava tão animado assim quando mostrou as outras atrações.

—Claro! Temos um pântano lá dentro. E minigolfe! E muitos jacarés! –ele faz movimentos grandes com os braços, parecendo uma criança muito animada, o que a faz rir.

—Achei que quem gostasse de minigolfe fosse nerd.

—Quê? Quem te falou isso? Foi a Roxy? Isso tem a cara dela. –ele primeiramente fica incrédulo, depois rosna.

—Não, não foi ela. É alguém da internet. –ela ri –Mas não se preocupe, eu sou uma nerd de acordo com a Roxy, então gosto de minigolfe. –ela dá uma piscadela para o jacaré, que por um momento fica parado –Vamos lá? –ela estende a mão.

—C-claro! –ele aceita e os dois atravessam as portas de madeira com vinhas penduradas, adentrando a atração.

A primeira coisa que Sharon nota são as luzes e os jacarés.

—Wow! Isso realmente parece um pântano! –ela exclama, correndo até as proteções e olhando toda a atração –Ainda tem água correndo! Deve ser bem ruim a manutenção disso! –ela ri.

—Bem, os funcionários realmente não ficam felizes quando tem que ir na água recuperar as bolas de golfe. –Montgomery chega ao lado dela, que ri mais.

—Bem, não posso discordar de você, essa atração é incrível mesmo!

—Melhor que a da Roxy?

—Hmm, ainda não tenho certeza. –ela fala de brincadeira, porém o animatrônico fica sério.

—Já sei como fazer tu mudar de ideia. Vem comigo.

—O-ok. –ela concorda e o jacaré vai na frente, descendo as escadas e a guiando pelo local até uma área com mesas.

—Monty’s Gator Grub? Você tem comida temática? –ela pergunta ao olhar o letreiro. Montgomery já abrindo a porta do local.

—Claro, todos temos. –ela adentra, haviam duas pessoas e um STAFF Bot ali, que os encaram curiosos –Ela está comigo, é mecânica. –ele fala para eles, que concordam com a cabeça e voltam a seus afazeres. –Venha.

—Indo! –ela segue o jacaré, que abre outra porta e os dois se veem em um corredor longo. Ao dobrar o final do corredor, veem duas portas.

—Aqui está o escritório de segurança, qualquer problema, só vir até aqui. –ele indica, passando pela porta e adentrando um pequeno corredor com as portas com o símbolo da segurança –Mas meu objetivo é isso aqui. –ao lado do escritório, havia outra porta, a qual Montgomery adentra, com Sharon seguindo.

A porta revela escadas, e os dois a sobem. Quando chegam no topo, Montgomery abre a porta e Sharon se vê em passarelas suspensas sobre a atração.

—Antes do incêndio, era mais difícil ter acesso pro passadiço, mas depois de algumas reclamações, fizeram as escadas. –ele explica –É o meu lugar favorito de todos.

—Ah, se é um lugar tão importante, eu acho que não deveria estar aqui e… –ela se interrompe ao ter seus braços segurados por Montgomery, que a guia até o centro das passadiço.

—Olhe para ali. –ele indica para onde estava uma grande cabeça de jacaré, e Sharon olha.

O cenário a faz ficar impressionada, toda a atmosfera, as luzes e o som ambiente realmente eram incríveis.

—E aí, o kart ainda é melhor? –a pergunta do jacaré a faz rir.

—Tá, você venceu, o golfe é melhor. –isso o faz estufar o peito, orgulhoso. –Tu só me trouxe aqui para me convencer que é melhor que a Roxy?

—É, bem, não, claro que não! –ele fica encabulado, arrancando risadas dela –A verdade é que…

—Que? –ela tenta encorajá-lo ao ver que ele travou.

Com um suspiro, ele pega nas mão dela e a faz sentar, fazendo o mesmo, deixando as pernas para fora da passarela, e indica para ela fazer o mesmo. Com um dar de ombros, faz o mesmo, descobrindo que era divertido ficar daquele jeito.

Montgomery tenta falar algo, porém não consegue. Vendo que ele estava nervoso, ela pega na mão dele.

—Não precisa se forçar a falar algo. –sorri, tentando deixá-lo mais calmo.

—Bem, a verdade é que… –ele olha para os lados, até que faz o som de respirar fundo –Olha, eu to a semana toda tentando pedir desculpas.

—Desculpas? Pelo que? –ela o encara, totalmente confusa.

—Por isso aqui. –ele aponta para a cabeça dela, que havia apenas um curativo agora.

—Minha cabeça? Hein? –ela toca na cabeça, ainda confusa.

—Seu machucado. Eu taquei um taco de golfe na tua cabeça, esqueceu?

—Oooh, esqueci mesmo. Nem sinto dor, aí geralmente esqueço. –ela ri –Era por isso que você me perseguia por todo o Plex?

—Hã, bem… Sim… –ele fica encabulado.

—Sabe, eu tinha a impressão que você era um robô assustador que queria, sei lá, me devorar. –ela começa, olhando para as pessoas que jogavam minigolfe –Você corria de forma ameaçadora, berrava e destruía os STAFF Bots, além da fama de ser perigoso. –o comentário dela o faz encolher um pouco –Quando a Roxy disse que era você que ia me guiar, eu morri de medo! –ela ri –Mas depois de passar esse tempo com você, entendi que você é só mal compreendido. Um cara que se faz de malvado mas é fofo por dentro. –ela termina sorrindo para ele.

—E-e-e-eu não sou fofo! –ele protesta, encabulado. Abre a boca para protestar mais.

—Eu aceito as suas desculpas, também, já é algo no passado. Que tal sermos amigos? –ela o interrompe.

—A-amigos?

—Sim, assim como sou com todos os outros. Podemos passar um tempo juntos nos meus intervalos. Você poderia me ensinar a jogar minigolfe. –ela sorri.

Montgomery a encara.

Aquilo não era nada do que esperava.

—S-seria legal… –ele murmura, olhando para o outro lado, encabulado.

—Vamos deixar o passado no passado. Amigos? –ela estende a mão para ele, que encara.

Antes de começar aquele tour, ela mal tinha coragem de estender a mão para ele, sempre com medo. Quando ele estendia, ela sempre aceitava receosa, medo em seus olhos. Porém na metade do tour ele notou que ela começou a se sentir mais à vontade, e agora estava lhe estendendo a mão sem demonstrar medo algum.

Agora era a vez dele estender a mão com certo receio.

Não, ela estava disposta a ser amiga dele, não deveria ter receio de aceitar a mão dela.

Com mais convicção, pega na mão dela, selando a amizade entre os dois.

Ela sorri, ele faz o mesmo.

—Quem diria, agora sou amiga das estrelas do Plex. –ela ri.

—Não deixe isso subir a sua cabeça. –ele ri.

—Não me preocupo com isso, só achei engraçado. Além do mais, se eu deixar isso subir a cabeça, o DJ já tem minha permissão de me botar bom senso.

—Pera, o DJ? Tá falando do DJ Music Man? O cara grande? –ele a olha incrédulo. Durante o tour o DJ estava em seu intervalo, então os dois não viram o animatrônico.

—Sim. Nós somos amigos, ele me dá umas caronas pelos tuneis quando tenho que ir lá consertar um Bot. –isso só o deixa ainda mais incrédulo.

—Como você conseguiu? Ele nunca deixou ninguém se aproximar além do Freddy.

—Hmm, talvez o segredo seja desmaiar na frente dele? –ela fica pensativa e depois ri ao ver a cara de confusão do jacaré –Foi o que aconteceu quando eu vi ele pela primeira vez. –ela ri –Depois que entendi que ele era um anfitrião, pedi desculpas pelo fiasco e viramos amigos. Ele me manda mensagens de vez em quando. –ela termina.

—Você tá brincando.

—Não tô, foi isso que aconteceu! –ela ri dele –Pode perguntar para ele!

—Como se ele se dignasse a falar comigo. –ele bufa.

—Que tal da próxima vez que eu visitar ele, irmos juntos e ele te comprova que o que eu disse é verdade?

—Ha, só quero ver hein!

Os dois se encaram por alguns segundos, até que começam a rir.

Montgomery a olha enquanto ri, então aquele sentimento era de se ter um amigo.

—Obrigado. –ele murmura.

—Pelo que? –ela pergunta.

—Nada não. –ele desvia o olhar, fazendo-a levantar uma sobrancelha.

—Pode só me prometer uma coisa?

—O quê?

—Não me persegue mais pelo Plex daquele jeito, pode ser?

Os dois se encaram, até que explodem em risadas.

—Juro que não faço mais! –os dois continuam a rir.

Sim, definitivamente era bom ter um amigo.

A cauda de Montgomery balança, refletindo sua felicidade.

Tirinha mostrando o acidente envolvendo Monty. Sim, originalmente era para ser uma cadeira e ela estava sem o capacete hahaha

Notas finais
Faço alguns desenhos de ideias do que vai ocorrer nesta fanfic, se quiser ver alguns spoilers ou desenhos fofos, tem meu instagram ou tumblr, porém eles são em inglês: https://www.instagram.com/cr4zy_void/ https://crazy-void.tumblr.com/ Ou se quiser ver apenas sobre o Bots and pizza, recomendo meu deviantart, nesta pasta que tem tudo em português: https://www.deviantart.com/dark-shitsuji/gallery/83769672/bots-and-pizza-pt-br Até o próximo capítulo!