Bonfire Heart
18 Waking Up
Notas iniciais
Uma dor crescente atingiu Damon, como se sua mente não tivesse outro jeito de acorda-lo e sua única opção fosse a dor. Grunhiu ao pôr a mão na cabeça. Quanto havia bebido noite passada? Abriu os olhos e a luz que entrava pela janela cegou seus olhos. Aquela merda era o sol?
Ergueu-se do travesseiro até ficar sentado. Não sabia ao certo se estava tonto ou o quarto que girava, mas não enxergava direito para descobrir isso. Devia ter fechado a cortina. As paredes pareciam ser ainda mais brancas e o quarto nunca parecera tão iluminado na sua vida. Levantou ainda sonolento, sentindo dores em diversas partes do corpo. Estava pior do que a última vez. Não só sua cabeça doía, mas suas costas e os braços se incluíam a soma. Porém ainda assim sentia-se bem. Apesar de tudo o que estava sentindo de modo físico, sentia-se calmo e relaxado emocionalmente. Uniu as sobrancelhas. Porque não estava se sentindo horrível como deveria? Não que estivesse reclamando, só era estranho.
Andou em direção ao banheiro, os pés descalços encolhidos sobre o azulejo frio. Encarou-se no espelho. O cabelo bagunçado denunciava que acabara de acordar; os olhos demonstravam certo cansaço; e todos os traços em seu rosto o faziam aparentar ser alguns anos mais velho. Esfregou os olhos e lavou o rosto com água fria. Não melhorara muito, mas sentia-se mais acordado.
Talvez devesse tomar um banho. Ou não, considerando que havia grandes chances de escorregar e cair. Mas metade da ação já estava feita de qualquer forma; era só entrar no chuveiro uma vez que não estava mais vestido. Olhou ao redor confuso. Onde tinha deixado o pijama? Não lembrava de tê-lo tirado do corpo.
– Hm — Congelou no lugar em que estava. Não havia feito som algum. Parecia vir do seu quarto e tinha um tom feminino. Sentiu vontade de bater em si mesmo.
– Caralho — xingou baixinho, respirando fundo. Em passos lentos voltou ao quarto. Examinou a morena em sua cama por um momento, coberta com o lençol até a cintura e com as costas nuas voltadas para ele. Bem, isso explicava muita coisa.
Ficou em dúvida do que fazer. Acordava a mulher? Falava com ela? Saia de casa e esperava até que ela acordasse sozinha e fosse embora? Não, dormira com ela e não podia desfazer isso mesmo que quisesse. Assumiria seu erro e esperaria que acordasse.
Mordeu os lábios. Pensando bem, esperar que acordasse sozinha poderia levar muito tempo. Podia acabar logo com isso.
Foi até a cama com a intenção de a chamar, mas não proferiu uma palavra. Conhecia aquele cabelo, o tom da pele Já havia visto a curvatura delicada do ombro e sabia que já havia tocado sua cintura. Sonhara com seus olhos algumas vezes. Outras, com seus sorrisos. Negou com a cabeça, provocando a dor à vir mais intensa. Estava alucinando. Não podia ser o que sua mente pensava que fosse.
– Damon? — Elena virou-se ainda com sono, encontrando-o parado ao lado da cama a encarando de volta.
– Elena
Ela sentou na cama e bocejou.
– Oi — sussurrou cautelosa.
– Oi — respondeu em igual tom de voz. Sentou ao seu lado na cama, pondo sua mão acima da dela sobre o lençol. — Elena, ontem Seja o que for que fizemos
– Oh, céus — cobriu o rosto com uma mão, o interrompendo. — Você não lembra — Sabia que isso ia acontecer. Iam terminar o relacionamento que nem haviam começado. — "Seja o que for que fizemos"? Foi a melhor noite da minha vida.
– É provável que tenha sido a da minha também. Eu queria tanto quanto você.
– O problema é esse 'provável' em sua frase. Você não lembra!!
Tirou sua mão da dele e correu da cama, trancando a porta do banheiro ao passar. Damon levantou atrás e bateu na porta.
– Elena Abra a porta e vamos conversar.
Sua única resposta fora um soluço abafado. Seu coração parecera ter quebrado por ter sido ele quem a fez chorar. Mas não escolhera esquecer tudo aquilo. Ela não estava exagerando?
*-*
Uma hora da tarde e Damon estava ligando a cafeteira. Sabia que iria passar mal se comesse algo pesado como almoço agora. E já havia perdido todo o dia de trabalho mesmo, então poderia tomar café agora. O problema seria o desconto de salário no fim do mês se não levasse um atestado médico, o qual ele não tinha. O dia só melhorava
Encarou as fatias de pão na torradeira de metal até as marcas vermelhas de seu reflexo lhe chamarem mais a atenção. Eram finas e longas; e apareciam claramente em seu pescoço acima da gola da camiseta que vestira. Suspirou pesadamente. Queria poder lembrar de como apareceram ali. Sabia que eram arranhões, mas não sabia em que momento foram feitos. Esforçou-se para lembrar de cada beijo, cada toque, cada palavra dita; mas nem lembrava do momento em que ela entrou no apartamento. Sentiu-se frustrado até ser consumido por uma tristeza depressiva. Não só magoara Elena, mesmo que sem ter intenção nenhuma; mas também havia recaído. Quebrara a promessa de não beber feita à Stefan e Charlotte. E não podia fazer nada para consertar. Será que fazia alguma coisa direito?
A cafeteira apitou duas vezes. Damon pegou o bule de vidro e serviu uma xícara. Bebeu um gole longo desejando que seus problemas sumissem. Mas parece que não podia ter seus desejos atendidos e teria que lidar com todos eles. Observou Elena caminhar até a cozinha e parar ao lado do balcão, a cabeça baixa e os olhos tristes. Ergueu a xícara.
– Café?
A morena demorou para erguer a mão, parecendo ainda ponderar a ação. Ia se virar para servir outra xícara para ela, mas um toque em seu ombro o impediu. Deixou que pegasse a xícara de sua mão e a observou fazer careta ao tomar um gole. Riu baixinho, sem se conter.
– Quer açúcar?
Elena negou, observando o líquido. Estava se remoendo em frustração; queria saber todos os seus pensamentos, e era difícil se ela não dissesse uma palavra.
– Eu — iniciou, apoiando-se no balcão. — Desculpe. Você não tem culpa de não lembrar. Eu que sou uma idiota.
– Você não é idiota, Elena.
– Não? Dormi com você bêbado. Poderia me processar por estupro — murmurou.
Ele suspirou, a encarando.
– Você gostou? — Elena ergueu os olhos surpresa com a pergunta. — Ou eu machuquei você?
Negou lentamente, sentindo sua face corar.
– Foi ótimo.
– Então foi ótimo para mim também. Eu queria, lembra? A última vez que você veio aqui e passou mal? Ambos queríamos. O detalhe é que eu não lembro como foi. Mas se você gostou então eu gostei também.
Elena assentiu mordendo o lábio inferior.
– Então estamos bem?
– Eu não sei. Estamos?
Ela sorriu de leve, colocando o café no balcão.
– Só se me perdoar. Pela reação exagerada mais cedo.
– Só se me perdoar também.
– Você? Pelo que?
Damon a puxou pela cintura, colando seus lábios em seu pescoço.
– Por querer repetir a dose, já que não lembro da primeira.
Sorriu contra sua pele ao ouvir sua risada. Então estava tudo bem. Até que não foi tão ruim.
Respirou fundo sentindo um cheiro estranho.
– Suas torradas estão queimando, Salvatore.
– Que se dane as torradas.
Puxou seu corpo para cima e a sentou no balcão da cozinha, distribuindo beijos por seu pescoço. Acariciou todas as partes disponíveis de seu corpo, tocando em todos os lugares que conseguia alcançar sem aumentar o espaço entre os dois. Elena o puxou com as pernas, colocando-o entre elas; subiu as mãos até as mechas de cabelo negro e as emaranhou entre seus dedos, obrigando sua cabeça a tombar para trás. Avançou no pescoço dele e retribuiu cada beijo que recebera anteriormente. Recebeu um gemido sôfrego ao lamber o local e sorriu de satisfação. Conseguia o deixar no mesmo estado de excitação de quando ele não estava pensando claramente. Então embora ele não lembre, ele tinha, sim, gostado.
Sentiu suas coxas serem apertadas com uma força um pouco exagerada e mordeu o lábio inferior. Forçou-se a continuar o provocando com mordidas leves por sua pele, mas as mãos dele não a deixavam ir muito longe com o autocontrole. Elas subiram aplicando igual força em seus quadris e cintura antes de adentrarem abaixo de sua blusa, e continuaram seu trajeto até deixar o tecido amarrotado acima de seus seios, os quais estavam cobertos por um tecido roxo e renda branca. Apertou-os em suas mãos e a morena jogou a cabeça para trás, suspirando. Damon aproveitou o momento de liberdade que seu pescoço teve para abaixar a cabeça e beijar o colo dela, indo até onde seu sutiã permitia.
Ela soltou seus cabelos pela primeira vez para agarrar sua blusa amontoada abaixo do pescoço e a puxar para cima, lutando com as mangas para sair de dentro delas. Os dedos dele roçaram suas costas, arrancando-lhe um arfar de antecipação. Quis mais que antes se livrar daquela peça e terminou de a retirar em um puxão, ouvindo o som da costura arrebentando. Maravilha.
Ele riu baixinho, levando os lábios ao seu ouvido.
– Isso tudo é pressa?
Maravilha de novo. Sua situação já estava bem ruim para ele querer piorar com provocações agora. Seus dedos acariciaram suas costas, trilhando um caminho de sua nuca à base da coluna e então de baixo para cima de novo, sempre tocando o fecho que estava no caminho, mas nunca fazendo mais que isso. A morena sacudiu a cabeça em irritação.
– É melhor você abrir logo essa merda.
Ele mordiscou sua pele antes de rir alto.
– Calma, Elena. Você sempre fica mandona assim? — roçou o tecido novamente com um sorriso de lado.
– Damon, abra essa porra.
– Hm Mas fica tão bem em você — sorriu ainda mais, analisando-a. Realmente ela ficava, mas também tinha curiosidade de vê-la sem aquilo, o que nunca diria em voz alta. Também não admitiria que já sonhara com aquele corpo vestindo uma fantasia de enfermeira. Não, não admitiria; mas quem sabe poderia pedir para tentarem isso de diferente um dia.
– Gosta tanto assim do que vê?
Damon a encarou por sob os cílios. Merda, agora devia estar parecendo um adolescente. Um dos pervertidos e inexperientes cujas únicas mulheres de roupa íntima que havia visto na vida eram as impressas em revistas.
Sem deixar se abalar por muito tempo, deslizou o gancho um no outro e soltou a peça. Deixou que caísse por seus braços e sorriu malicioso.
– E você nem imagina o quanto...
Inclinou-se novamente, esse movimento limitado por estar preso entre as pernas dela, mas ele faria com que aquilo desse certo. Iniciou com roçares dos lábios, leves, mal tocando sua pele. Então distribuiu beijos por onde ainda não havia conseguido. Não demorou muito para que Elena reagisse, erguendo as mãos e agarrando seus cabelos, puxando-o para mais perto. Damon acrescentou pequenas mordidas nas ações, e os gemidos que ouvia o incentivou a ser cada ver mais intenso. Sugou a pele em poucos locais antes de ser empurrado para longe, confuso.
Sem dizer nada, Elena desceu do balcão da cozinha e puxou uma cadeira, obrigando-o a sentar. Ajeitou-se sobre as pernas dele e o abrigou entre as suas próprias.
Agarrou sua nuca e a puxou para frente sem muita delicadeza. Em outro momento teria a tratado com todo o carinho do mundo, porém ela o provocou não só fisica, mas mentalmente também. Não estava pensando muito longe agora.
Beijou-lhe com urgência, como se sua vida dependesse daquilo; descontou parte de sua irritação no beijo, parte em suas coxas, parte puxando-a cada vez mais para perto, mesmo que isso já não fosse mais possível fisicamente. Até chegar a um ponto em que tudo aquilo não adiantava mais.
– Quer ir para o quarto?
– Precisa? — Elena levantou e o puxou até o balcão. Aquilo estava muito melhor com ele sóbrio.
Damon não esperou que ela sentasse sozinha, ergueu-a pela cintura e acomodou-a no balcão. Parou um pouco para respirar e analisar o local. Iam ter problemas de altura. Puxou-a dali e a colocou em cima da mesa, onde era mais baixo, porém ideal. Ficou no espaço que Elena lhe deu entre as pernas dela e a puxou para outro beijo; esse mais calmo e com carinho. Acariciou seu rosto e encaixou seus corpos, lentamente se acomodando dentro dela.
Moveram-se no mesmo ritmo até que ambos o acelerassem sem perceber. Em meio aos gemidos, Elena soltara uma risadinha. Mordeu o lábio inferior dela e o deixou escorregar aos poucos por entre seus dentes, sentindo-a relaxar em seus braços. Moveu-se mais duas vezes antes de chegar ao mesmo estado que ela. Ficaram abraçados em silêncio, sem querer acabar com o momento.
*-*
No dia seguinte Caroline andava ao longo do corredor cercado de salas com vidros. As pessoas que trabalhavam ali já a conheciam e a maioria lhe cumprimentava com acenos antes de voltar ao trabalho. A loira sorria gentil até chegar na porta de vidro com a placa Mikaelson, que ultimamente ficava aberta à sua espera.
Desde a primeira vez que veio assisti-lo trabalhar com a falsa explicação da aposta ele a convidava para voltar vez ou outra. E agora havia virado rotina, onde eles se despediam dizendo 'até amanhã'. Era simples, mas significava muito.
Entrou na sala sorridente.
–Bom dia — parou na porta, observando-o de pé inclinado sobre a mesa. Era a mesma posição de sempre, mas agora ele parecia bem mais estressado.
– Merda.
Bateu com o braço na mesa e o arrastou pela superfície, jogando os papéis e fotos no chão. O cheiro de café que vinha da caneca recém quebrado se intensificou no local. Ela se abaixou pegando uma das fotos e a caneta vermelha que ele usava; andou até a mesa e as deixou acima do vidro. O encarou e esperou até que se acalmasse.
– Klaus?
– Não tem lógica, Care
– O que não tem lógica?
– O caso do restaurante. Não avançamos em nada há semanas. Interrogamos todos os cozinheiros, analisamos cada fato, verificamos cada possiblidade Nada encaixa.
– Talvez você só precise relaxar um pouco para voltar com a mente aberta. — Tocou-lhe o ombro e sorriu gentil. — Que tal um café? Fora desse prédio. Longe daqui. Acompanhado de biscoitos açucarados.
Klaus retribuiu o sorriso, pegando as chaves do carro no bolso.
– Podíamos convidar April — provocou fingindo um ar de inocência.
– April? — repetiu em uma careta.
Klaus apenas riu, a conduzindo pela base da coluna até a porta.
Meia hora depois estavam sentados em uma sorveteria quase do outro lado da cidade.
– E ela ainda insistiu que eu havia copiado a Calvin Klein porque a gola do casaco era igual. Idiota.
– E você não copiou?
– Claro que não.
– Tem certeza? Porque, realmente, a gola é muito parecida.
Caroline ofegou incrédula, mas sorria ao bater em seu braço.
– Idiota.
Klaus sorriu e olhou para o próprio sorvete — ou o que restava dele e que não havia derretido.
– E você? Algum hobby? Ou passa a vida trancado naquela coisa? Você dorme lá também ou tem uma casa?
– Eu durmo naquela mesa de vidro — brincou. — Muito confortável. Deveria experimentar um dia.
A loira sorriu. "Com você?", as palavras ecoaram em sua mente. Era um bom flerte, mas já havia usado esse na adolescência. Tinha que pensar em algo mais adulto para dizer Só que nada lhe vinha a mente. Droga, ele tinha dado uma oportunidade e ela estava desperdiçando com silêncio.
– Às vezes eu desenho
– Desenha? — apoiou o rosto na mão, o braço na mesa. — Eu quero ver um dia. Vai ficar me devendo.
Ele sorriu e pegou o celular. Procurou alguma coisa e o estendeu. Caroline observou a foto de um desenho preto e branco. Uma mulher sorria de leve, quase como se fosse uma foto em que houvessem tirado sem que ela soubesse. A outra foto era de uma tela de pintura, onde um floco de neve se destacava do fundo azul escuro. A próxima lhe fez unir as sobrancelhas. Ergueu o aparelho e o mostrou à Klaus, o questionando com o olhar. Ele tentou pegar o celular de volta, mas a loira o puxou para ainda mais perto. Analisou o desenho detalhado de si mesma, sorrindo distraída. Estava muito parecido; o cabelo loiro em ondas suaves e os olhos brilhantes e calmos. Sempre soube que ele era observador, mas nunca imaginara que era detalhista.
– Não era para você ter visto esta foto
– É mesmo? Mas você deixou rastros dela em seu telefone. Então eu Porque está me olhando assim?
– Rastros É isso.
– O quê?
Levantou da cadeira e passou a mão pelo cabelo.
– Perdão. Não deveria estar pensando nisso enquanto estou com você.
– Pensando nisso o quê?
Pegou o casaco na cadeira ao lado e o vestiu.
– No trabalho. Mas você tem razão. Tudo deixa rastros. Principalmente em eletrônicos.
Estendeu a mão e Caroline foi invadida por tristeza ao estender a sua também para entregar-lhe o celular. Mas ao invés de pegar o celular ele segurou seu braço e a puxou para cima.
– Tem um arquivo que quero ver nos bombeiros. — fez uma pausa e sorriu. — Vem comigo?
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