Bonfire Heart
19 Poker
Notas iniciais
Oi galera, tudo bom? Espero que vocês gostem do capitulo (:
Elena sentiu um arrepio gelado espalhar por seus ombros antes de descer por seu corpo. Aquilo era bom. Os dedos de Damon roçavam sua pele, da nuca à base das costas, vez ou outra intercalando o carinho com movimentos circulares para depois voltar a seguir o caminho de sua coluna. Ele já estava fazendo isso há um tempo, o que indicava já ter acordado antes dela. Elena continuou de olhos fechados sem se mexer, aproveitando a sensação. Deixou escapar um suspiro.
– Bom dia — ele desejou, a voz rouca e baixa.Ela não respondeu, mantendo-se deitada. Sentiu seu rosto ser empurrado levemente para cima quando ele respirou fundo.– Sei que está acordada.Não obteve resposta. Tirou os braços dela de sua cintura sem encontrar resistência e tocou a lateral de sua cintura, movendo os dedos levemente sobre o local. Ela se contorceu e riu, tentando afastá-lo.– Oh, você sente cócegas — provocou e os virou na cama.Sentou sobre suas pernas e usou uma mão para segurar seus pulsos, usando a que estava livre para fazer cosquinhas em sua barriga.– Damon! — riu tentando se libertar. Seus pés chutavam o ar atrás dele e sua cabeça balançava de um lado ao outro, fazendo seus cabelos se espalharam de um jeito estranho. — Pare.– Parar? Eu adoro o som de quando ri. Me dê um motivo para que eu pare.Um som estranho saiu de sua garganta enquanto ela ria e se forçava a respirar ao mesmo tempo. Quando falou, sua voz saiu cortada por risadas:– Você precisa se arrumar para o trabalho.– Oh, droga. Ok. — parou com as cosquinhas e a deixou respirar. Então segurou seus pulsos e a puxou para cima, beijando-a com carinho. — Me ajuda a fazer o café?– Hum Me ajuda a achar minhas roupas?– Para quê?A morena revirou os olhos, cruzando os braços. Damon suspirou e se inclinou para fora da cama, pegando algo do chão e jogando para ela.– Essa camisa é sua.Sorriu e deu de ombros.– Fica melhor em você do que em mim.*-*– Eu preciso ir trabalhar agora... Vai ficar aqui ou ir para casa?Elena ponderou. Queria ir para casa? Damon havia virado seu refúgio da vida que dera errado. Não pensava mais na amiga estilista que estava em seu apartamento e que tinha crises porque um cara não prestava devida atenção nela; nem no irmão ou na suspeita que tinha dele, agora que ele dormia no chão de sua sala e fazia sabe-se lá o que durante o dia e não chamava mais a sua atenção. Também esquecera totalmente do restaurante reduzido à cinzas e alguns tijolos por conta de um incêndio criminoso, e que Bonnie estava lidando com tudo sozinha porque Elena passava mal somente ao lembrar do assunto.Seus dias haviam se resumido a Damon, e a ele somente. E se isso a fizesse uma péssima amiga — duas vezes, por Care e Bon — e irmã, então que fosse. Sentia-se tão feliz com o namorado como há muito não se sentia. Não merecia um pouco de felicidade? Uma fuga das responsabilidades? Poderia ficar no apartamento dele até que ele voltasse do trabalho. E aí ficariam juntos por mais horas limitadas cujos momentos pareciam eternos.Não, isso era totalmente egoísta. Estava sendo uma pessoa horrível. Só porque tinha Damon ia dar as costas para todos que estavam ao seu lado a vida inteira?– Acho que vou para casa — murmurou, encarando o chão. Então sorriu e o fitou. — Aí, quando voltar, você faz o que quiser fazer e então me liga.– Faço o que quiser fazer? — perguntou confuso.– É, tipo Tomar banho.– Não posso ligar antes de tomar banho? — sugeriu, um sorriso malicioso em sua face.Elena ergueu as sobrancelhas e sorriu, mas não respondeu.– Assim que me ligar eu venho, passo a noite aqui e enquanto isso você me ensina poker.– Poker?– Está me devendo, esqueceu? Prometeu que iria me ensinar. E eu prometi que ia ganhar de você.Ele ergueu as sobrancelhas.– Naquele bar que você me levou uma vez, um que ia com Alaric e Stefan. Jogamos sinuca e você prometeu me ensinar poker.– Ah, sim. Onde você apostou que eu não conseguiria bater na bola azul, eu consegui, e agora você está me devendo o que eu quiser?Lembrou-se do bar, do jogo, e de ter dito que apostava qualquer coisa que ele quisesse caso conseguisse encaçapar a bola azul, na mesma noite em que fora levada ao hospital por estar drogada, onde Damon passou a noite com ela. Sorriu por um momento.– Droga de aposta Tá, é.– Já que estamos falando daquela noite, tem algo que você esqueceu. E eu acho que quer de volta.Observou curiosa enquanto ele andava até o armário. Abriu as portas e procurou algo entre os cabides, puxando-os de um lado para o outro. Então pegou um deles e estendeu para ela. O sobretudo preto. O que havia usado no seu encontro e esquecido no carro dele. Sorriu e segurou o tecido entre os dedos, lembrando da noite.– Obrigada.Devolveu o cabide e abraçou a peça. Aproximou-se dele e o beijou, sentindo braços cercarem seu corpo.– Disponha.*-*Chegou em casa e suspirou, jogando as chaves na mesa de canto depois de trancar a porta. Havia papéis amassados espalhados pelo chão e desenhos de roupas na mesa de centro, que havia sido puxada para um canto para dar espaço à cama improvisada feita no chão.
Deixou a bolsa no sofá e respirou fundo. Sua casa tinha cheiro de canela, por algum motivo que desconhecia.– Jer? Care?Esperou por um momento que alguém aparecesse. O irmão veio do banheiro com uma escova de dentes na mão. Sorriu e a abraçou.– Ei, você voltou. Achei que tinha esquecido que essa era sua casa.Era brincadeira, mas Elena sentiu como se algo tivesse acertado seu coração. Algo como um soco ou uma faca invisível.– Você está bem?– Poderia estar melhor. Achei que você ia cozinhar para mim, mas tudo o que eu como são tele-entregas. — era outra brincadeira, mas teve o mesmo efeito sobre a morena. — E esse cheiro me enjoa, mas Care ama esse incenso. O que posso fazer?Ah, o cheiro de canela era de incenso? Fazia sentido agora do porque estava tão forte.– Se resolveu com Anna?– Sim Ela está mais calma — Jer se direcionou ao banheiro e ela o seguiu, parando na soleira e o observando guardar a pasta de dentes na gaveta. — Embora não o suficiente para as coisas voltarem a ser como eram antes. Ah, mamãe ligou. Disse que não conseguiu ligar para o seu celular e perguntou se estava tudo bem.Elena uniu as sobrancelhas. Pegou o celular no bolso de trás da calça e notou que estava sem bateria. Passara tanto tempo com Damon que esquecera de carregar o aparelho?– Fiquei sem bateria– Care suspeitou disso também. Tentou lhe ligar várias vezes.Céus, se ela estava tão inalcançável assim porque nenhum deles se preocupou? Porque Jeremy estava tratando tudo aquilo com tanta calma? Se ele sumisse, Elena já teria ido à polícia depois da terceira ligação não atendida. E se tivesse acontecido alguma coisa com ela? Ninguém sabia onde ela estava.Ou talvez ele soubesse... Se fora Jeremy quem colocara fogo em seu restaurante, então ele poderia estar seguindo a irmã discretamente, não se arriscando a fazer nada por Damon ter estado sempre com ela. Mas agora ela estava sozinha. E ele devia saber disso também.– Care pediu para que eu lhe desse informações confidenciais da polícia Mordeu o lábio inferior. Mas se ele fosse o criminoso, porque se importaria em dar essas informações que poderiam levar a ele mesmo?– Aquele homem que trabalha lá descobriu em filmagens das câmeras que no dia do incêndio alguém suspeito saiu pouco antes do fogo começar, vestido de cozinheiro.Engoliu em seco. Seria um dos cozinheiros?– Disseram que a qualidade da imagem era ruim, por isso não conseguiram detalhes. O que lhes restou foi interrogar todos os funcionários — Jer sacudiu a cabeça e cruzou os braços, escorando seu corpo no mármore que sustentava a pia. — Pobres coitados. Ir atrás de cada um deles. Cada um! Da para imaginar? — soltou uma risada curta. — A loira disse que a investigação estava andando até uns dias atrás. Aparentemente eles não têm mais pistas de sobre onde procurarElena assentiu.– Obrigada pela informação.– Bonnie passou aqui ontem à noite — continuou. — Vocês estão sem muito dinheiro para investir nos negócios. Queria saber se você acha melhor pedir um empréstimo ou arrumarem cada uma um emprego para ajudar.– Vou ligar para ela — garantiu, de repente querendo sair correndo daquele banheiro que agora parecia apertado demais.A investigação não estava indo, estavam ficando sem dinheiro, e um dos suspeitos era um funcionário — mesmo que eles não tivessem nenhum motivo para tanto, aparentemente. Além de Elena ser uma péssima pessoa com os outros a sua volta. Não só sua vida social estava acabada, como sua carreira também. Sentiu vontade de bater em si mesma enquanto colocava o carregador na tomada e o conectava ao celular. Esperou que o eletrônico ligasse e telefonou primeiro para a loira.– Não tinha hora melhor para você ter ligado. Estou no banheiro do shopping.– Isso foi ironia?– Fui chamada para um encontro.Mesmo pelo telefone dava para ouvir seu sorriso. Elena sorriu também. Estava feliz que ela havia conseguido sair com Klaus. Não apenas um café no intervalo, mas uma saída de verdade.– Estou feliz por você. — E estava mesmo. — Só lembre-se que se inclinar muito o corpo vai ficar na cara que quer mostrar o decote — advertiu em tom divertido, usando a mesma frase que ela usara quando Elena ia se encontrar com Damon.– Idiota– riu também. – Vou ir antes que ele ache que o banheiro foi uma desculpa para sair correndo.– Não faça besteiras.– Não vou. Beijos, Elena.Desligou o celular e se virou. Jeremy a encarava sem expressão e ela sentiu um arrepiou lhe atravessar o corpo.– Estava pensando Haveria algum motivo para o Donovan incendiar seu restaurante?Elena uniu as sobrancelhas. Aonde ele queria chegar? Se bem que era óbvio que alguém queira empurrar a culpa de um crime para outra pessoa.– Matt? Porquê?– Vejamos. Talvez ele não queria lhe matar; apenas se vingar porque, digamos, ele ache que eu levei Vicky a se drogar. Como não me achou, ele foi atrás de você.A morena sentou no sofá. Fazia sentido?– Também me parece suspeito que ele tenha lhe procurado essa semana.– Essa semana? -seus lábios ficaram secos e ela os lambeu uma vez.– Deixe–me ver. Ele ligou umas cinco vezes. Não, seis! E eu parei de atender aquele número. E ele também veio aqui duas vezes. Chegou a tocar a campainha, mas Care não abriu. Ontem fui à padaria e ele estava fazendo não sei o quê no saguão. Ao menos isso parece suspeito para mim.– Mas porque ele viria me procurar só agora? Ele me viu logo após o ocorrido, quando fui ao cinema com Damon. Porque só agora?– Eu sei lá, Elena. Era o seu namorado estranho.– Era seu cunhado.– Mas eu nunca dormi com ele.– Touché — sorriu triste e balançou a cabeça, não querendo pensar naquela época.– Você ficou com algo dele que agora ele pode querer de volta? — sentou ao seu lado.– Não. Só as fotos que eu queimei.– Tá aí. Descobri porque ele ficou puto da cara. Deve ter descoberto isso há uma semana. Não suportou a ideia de ter sido superado e esquecido.Elena riu, batendo seu ombro no dele.– Que eu saiba, ele fez o mesmo.– Conhece a frase 'faça o que eu digo, não o que eu faço'? Pois éAmbos riram e a morena lembrou de como era simples quando eram crianças. Nada para se importar, sem problemas e crises de adolescente... A vida era fácil. Olhavam um desenho qualquer por um tempo, então iam brincar no balanço e voltavam para casa para comer o bolo de chocolate da mãe. As brigas longas para decidir se iam brincar de carrinho ou boneca, e de como era totalmente errado colocar Emily para dirigir o conversível vermelho; a briga apenas acabando quando um deles lembrava da bola que ganharam no natal. Era complicado, chato e irritante na época. Mas agora, distante de tudo aquilo, Elena percebia o quanto a infância era alegre.Suspirou, querendo resgatar aquela sensação de família unida que se apoia uns nos outros para sustento, sem mentiras ou traições.– Terra para Elena — piscou quando algo estalou em frente ao seu rosto. Eram dedos? — Volta para o planeta, maninha.– Sou mais velha que você — cruzou os braços e projetou o lábio inferior para frente.– Sim. E mais baixa também.Não conseguiu conter o sorriso e o empurrou, derrubando-o do sofá. Sentiu algo puxar seus pés e escorregou para o chão também, as pernas em cima das dele.Riram mais um pouco em meio a troca de cosquinhas e Elena lembrou de como fora acordada pela manhã. Empurrou Damon para o fundo de suamente, só por um momento, e sorriu para o irmão.– Quer ir ao shopping?*-*– Confesse, você só quis vir aqui para espionar a sua amiga.Elena balançou sua cabeça, lambendo seu sorvete.– Sim, foi só por causa dela. Mas não a vejo em lugar algum.– Talvez devesse parar de procurar uma loira bem vestida e ver se há paparazzi's. Adivinha quem será a capa das próximas revistas de fofoca. Vou dar uma dica: ela não é modelo, mas é bonita.– Humm. Acha a Care bonita?– Quem não acha? Estou disposto até a apostar que há mulheres que viram lésbicas por causa dela. Ei! Não sabia que tinha saído aquele filme.Elena seguiu o olhar para onde Jer apontava e verificou a carteira.– Eu compro os ingressos e você vai na pipoca.Duas horas e meia depois Elena foi chacoalhada para acordar. O filme não podia ser mais chato. Pessoas de farda brigavam entre si e uma explosão ou outra a acordaram, mas Elena sempre conseguia dormir de novo quando eles iam ver todos os detalhes da estratégia de batalha. A única parte que chamou sua atenção foi quando um dos soldados se apaixonou por uma garota. Mas aí perdeu o interesse de novo quando ela morreu de uma forma estúpida. Quem escorrega em uma frigideira, bate a cabeça na porta aberta do armário e morre?
Em compensação, Jeremy amara cada cena e efeitos especiais. Tanto que continuou falando do filme enquanto saiam do cinema e fez questão de resumir toda a história para a irmã. O problema disso? Ele não sabia resumir nem a história da chapeuzinho vermelho.Andaram mais um pouco e, sem saber quem puxou quem primeiro, correram à um local que continha apenas jogos. Gastaram mais dinheiro do que haviam programado para folhinhas e foram em todos os tipos de brinquedos. Não era um parque de diversões onde eles podiam rir de quem gritasse de medo na montanha russa, mas acharam cada momento para fazer isso quando disputaram dança, corrida e o jogo de atirar nos patinhos — que se mexiam — com uma pistola d'água.Jeremy até tentou pegar um urso de pelúcia para ela, mas tudo o que conseguiu foi um som de falha da máquina. Quando decidiram voltar para casa já estava anoitecendo e eles continuam rindo das músicas no radio durante todo o caminho. E quando chegaram em casa, Elena se pegou desejando que Damon não tivesse ligado. Fora um ótimo dia. Um que ela gostaria de poder repetir sempre.*-*–Consegue entender isso? — Damon perguntou após ter explicado as regras básicas do jogo.Ambos estavam sentados na cama dele, um de frente para o outro, há vinte minutos; sendo que dez deles foram preenchidos por trocas de beijos e carícias.Riu baixinho enquanto Elena tentava não demonstrar uma expressão de confusão, observando-o embaralhar as cartas.– Vamos jogar uma vez, mostrando as cartas um para o outro.Damon deu duas cartas para cada um, viradas para cima na coberta. Ela riu, juntando as mãos na frente do corpo.– Vou ganhar de você.– O que a faz dizer isso? — perguntou claramente se divertindo.– Eu tenho dois K's. E você tem um J e um três.– Oh, certo — debochou. — Aposte, Elena.A morena pegou duas fichas e as jogou para frente. Ele fez o mesmo, quase rindo da aposta baixa. Então colocou a primeira carta na mesa, revelando outro rei. Elena riu de novo, fazendo-o parar para fitá-la.– Tenho três K's. E você não tem muita coisa.– Sabe que um K é um rei, certo? Vem de king Não precisa chamá-lo de~– Não importa.Ele revira os olhos e vira a próxima carta.– Ok, espere. K é king. Q, logicamente, é queen. Mas o que é J ?– Não importa — repetiu, imitando o tom que ela havia usado. Observa-a cruzar os braços e sorri. — Jack, um servente da realeza. Por isso vale menos que a rainha. Algumas pessoas o chamam de cavaleiro.– Mas vale mais que um dez.– Sim, por que vale onze.Elena abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas como nenhum som foi emitido ele aproveitou para virar mais uma carta, revelando um três.– Certo, então eu tenho uma dupla de K's, que somando ao da mesa vira uma trinca, e que ganha dos seus pares de J's e três– Você prestou atenção no que eu disse — fingiu espanto. Então riu. Nunca havia gostado dos jogadores que não sabiam os nomes das cartas, referindo-se à elas pela letra em seus cantos. Mas por algum motivo não se importava quando Elena o fazia. Era até divertido.– Depois das três cartas viradas você decide o que quer fazer — lembrou.– Aumento a aposta — sorriu e jogou mais algumas fichas na cama.Damon jogou a mesma quantidade de fichas sobre as dela, cobrindo a aposta, e virou mais uma carta.– Um sete. Você não vai vencer. Aumento de novo.As fichas dele se juntaram às dela e ele virou a última carta. Outro três.– Eu tenho uma casa de três cheia de cavaleiros. Ganhei.– O quê?– Uma trinca até ganha de dois pares, mas perde para uma casa cheia, que é nada mais que uma trinca e um par. Ou seja, ambos temos uma trinca, mas eu tenho um par a mais. Eu ganho.– Idiota! — chutou as fichas na direção dele, fazendo-as se espalhar e algumas caírem no chão.– Seja uma boa perdedora, Elena. Ei, podíamos apostar mais que fichas. Talvez isso lhe deixe mais motivada à manter uma lógica no jogo.– Manter uma lógica?– Acha que poker é só sobre apostar mais e mais? Bem, não é.– Então o que vamos apostar?– Gosta de bombom? — sorriu de lado. Ele não precisava realmente que ela dissesse alguma coisa para saber a resposta. Levantou-se e foi à cozinha.*-*– Aposto tudo — Damon declarou após a última carta ser virada.Elena analisou as suas próprias. Ele não podia ter nada melhor do que uma sequência composta de cartas do mesmo naipe, podia? Nem mesmo se tivesse os quatro ases. A não ser que ele tivesse uma sequência real...Mordeu o lábio inferior. Não ia perder mais bombons do que já havia perdido.Empurrou os bombons que já havia apostado para ele, aqueles que não tinham mais como ser dela de novo. Então virou as suas próprias cartas, assustando-se quando ele riu alto, jogando a cabeça para trás.– O que foi?Ele sorriu mostrando as próprias cartas. Com aquelas cartas ele não faria nem mesmo um único par.– Vá se foder, Damon — ergueu a mão e tentou acertá-lo repetidas vezes, batendo no braço que ele usava para proteger o rosto. — Pare de rir! — grunhiu por entre os dentes.– Calma, ElenaAquilo só a deixou mais irritada. Levou a mão aos seus cabelos e os puxou com uma força desnecessária. Damon ignorou a dor e deixou as cartas caírem de sua mão antes de a segurar pelos pulsos, contendo-a.– Não precisa ser tão agressiva — uniu as sobrancelhas.Elena puxou os braços dos dele, sentindo uma vontade repentina de chorar. Mas não na frente dele. Tentou arranhá-lo para se libertar, mas suas unhas não o alcançavam.– Elena!Jogou-se para trás. Talvez isso fizesse seus braços escorregarem das mãos dele. Inútil.– O que está acontecendo com você? — puxou o corpo dela para o seu, encarando-a de perto.A face dela se contorceu antes de seus ouvidos escutarem um soluço e ela se jogar nele, chorando. Soltou seus pulsos no choque e ela o abraçou como se nunca mais fosse soltá-lo. Confuso, abraçou seu corpo de volta e com uma mão acariciou seu cabelo. Não se importou de não ter dito que tudo ia ficar bem, em parte porque na maioria das vezes era mentira, e também porque estava ocupado demais tentando achar um motivo razoável para a reação dela. Não encontrou nenhum.Ao que pareceu meia hora depois ela se afastou, o rosto inchado e o nariz vermelho. Fungou e esfregou uma mão no rosto, tentando limpar as lágrimas.– Desculpe — levou um tempo para ele entender o que ela havia dito em um sussurro. Achou que ela se referia à toda a situação, mas ela indicou o molhado em sua camiseta.Damon passou a mão no cabelo, agitando e sacudindo as mechas.– Não tem problema — respondeu distraído.– Estou agindo feito uma idiota, não estou? — não obteve resposta. — Acho que é tpm. Podemos ficar um pouquinho quietos e descansar um momento?Ele assentiu, ainda confuso. Tpm trazia tanta mudança de humor assim? Ela parecia bem após passar a tarde com o irmão — uma tarde que ele não gostou muito. Mesmo que Jeremy fosse inocente, não tinha outra pessoa de quem desconfiar. Mas se Elena confiava era porque havia boas razões para isso.– Quer ver um filme? Eu não tenho muitos DVDs, mas posso trazer o notebook.– Titanic — pediu prontamente.Droga.
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