Bonfire Heart
8 Unusual Date
Notas iniciais
Oi gente!!!
>LEIAM AS NOTAS FINAIS POR FAVOR!!!
O cheiro de perfume estava impregnado no local. Elena teve os cabelos cacheados, as unhas feitas e os sapatos escolhidos. Encarava a si mesma no espelho mal acreditando ser ela mesma. O batom vermelho carmesim contrastava com a maquiagem escura e pesada. O sobretudo negro era apropriado para a noite que esfriara. Analisando todos os fatos envolvidos, Elena só conseguia pensar em uma palavra: perfeição.
– Você está de matar. A própria encarnação de Afrodite na terra.– Afrodite? — Elena riu da amiga.Mas tinha que concordar. Estava de matar. E se não conseguisse nada esta noite estava decidida a tentar quantas mais fossem necessárias. Mas Damon tinha que ser seu. E estava confiante de que seria até o fim da noite.– É a deusa da beleza.– Eu sei quem é — sorriu para seu reflexo uma última vez.Pouco depois das sete seu celular tocou e ele disse já estar lá embaixo.– Queria que ele subisse para eu ver que expressão ele lhe direcionaria.– Tchau, Car. E obrigada — murmurou pegando as chaves.– Não esquece: se inclinar muito o corpo vai ficar na cara que quer mostrar o decote.– Você não presta...Equilibrou-se no salto agulha percorrendo o corredor como um teste. Quando chegou às portas do prédio já tinha aprendido a andar com perfeito equilíbrio. Passou pelas portas duplas e procurou pelo carro preto de Damon, andando até ele assim que achou. A figura encostada ao carro ergueu a cabeça quando estava mais perto, a encarando sem a conhecer. Elena teve o prazer de ver a surpresa lhe cruzar o rosto, seguida de admiração. Após se recuperar, sorriu torto.– Você está... Perfeita.Segurou sua mão e a ergueu até os lábios. Elena sentiu um calafrio lhe subir o corpo com o contato de seus lábios. Fez uma reverência, erguendo um vestido longo imaginário.– Se soubesse que estaria assim, eu viria de terno.A morena baixou o olhar e o analisou. Vestia roupas sociais negras. O imaginou de terno e concluiu que talvez o paletó não deixasse tanto em evidência quanto a blusa de botões...– Está ótimo. Gosto assim.Damon sorriu e abriu a porta, a ajudando a entrar. Entrou no lado do motorista e pegou algo no banco de trás, erguendo até Elena. Observou a solitária e delicada flor em sua mão e a pegou. Com a luz alaranjada do sol se pondo, a rosa vermelha parecia ainda mais cheia de vida.– É linda...Damon sorriu, girando a chave na ignição.– Você é linda...*-*Elena olhou ao redor do restaurante que ele escolhera. Era em tons claros e iluminação baixa. A decoração variava entre vermelho e dourado e o lustre grande no centro do local chamava atenção.– Romântico — admitiu baixinho.Damon estendeu um braço para seu sobretudo e Elena sorriu. O retirou revelando um vestido vermelho com decote generoso e curto em seu comprimento na medida certa. Viu Damon parar por um momento, sem se mover. Seus olhos a analisaram de cima a baixo, demorando-se nas curvas marcadas. Nunca achara aquela mulher tão linda e provocante.Pediram apenas a entrada e vinho. Elena sorriu. Era um encontro, afinal. Apoiou-se na mesa e sorriu.– Estou feliz que tenha me convidado.Damon riu baixinho e imitou seu gesto, chegando mais perto.– Estou feliz que tenha aceitado.– Porque não aceitaria?– Diga-me você. Porque não aceitaria?Elena pensou por um momento e sorriu. Debruçou-se ainda mais na mesa e sustentou o olhar de profundo azul.– Se você é chefe da máfia, talvez seja perigoso...Damon riu, lembrando da conversa que tiveram no Starbucks pela manhã.– Se for boazinha posso lhe ensinar a atirar.– Sério? — perguntou desconfiada.– Não. Mas já fui muito bom em jogos. Sabe algum?– Joguei sinuca um tempo.– Seria um prazer ver você perder- brincou. Antes que pudesse devolver a resposta ele continuou — Sabe poker?– Não.– Vamos jogar um dia, então. Prometo deixar você ganhar na primeira por ser iniciante.– Não preciso que me deixe ganhar. Ganho de você mesmo sem saber as regras — ergueu o queixo e ambos começaram a rir.– Não era o tipo de conversa que eu esperava ter hoje.– O que esperava?– Sei que gosta de música Indie e Rihanna. Sua cor favorita é esmeralda, não gosta de Titanic e está solteira. O que não sei?– Está enganado.– Sobre qual parte?Sua pergunta era curiosa e Elena resistiu ao impulso de admitir que sua nova cor favorita era azul. E a culpa era toda do homem à sua frente por ter os olhos da cor de claras águas antigas. Os mesmos olhos que agora a analisavam com atenção. Engoliu em seco sentindo seu coração perder o compasso.– Gosto de Titanic. Só não quero ver várias vezes.– Gosta do DiCaprio? — ironiza.– Amo. Ele era gato — provoca e contém um sorriso ao vê-lo unir as sobrancelhas. — Eu disse era? Ele é. O tempo só fez bem para ele.Damon assentiu.– Assim como fez bem à Megan Fox.Sentiu uma pontada no coração, mas deu de ombros.– Talvez — murmurou e o assunto se deu por encerrado.O moreno não gostou de ter dito aquilo, e nem queria. Mas não gostava de ser provocado. Observou a mulher sentada com ele. Ela levou a taça de vinho aos lábios e ele sorriu.
– Tem notícias do restaurante?– Começaremos com algo pequeno. E aí vamos reformando.Encarou confusa seu reflexo no líquido bordô. A taça não se mexia. Talvez tivesse superado o trauma do incêndio.– Sei que já lhe disse isso, mas obrigada por me salvar. De verdade.– Elena...– Sei que é seu trabalho. Mas devo minha vida à você.– Gostaria que tivessemos nos conhecido em outras circunstâncias — ele disse sinceramente. — Mas se fosse diferente talvez não estivéssemos aqui agora.Segurou sua mão por cima da mesa, brincando com seus dedos.– Queria ter lhe conhecido antes...Ele sorriu e ergueu o olhar para encará-la. Queria dizer que também queria aquilo, mas uma voz se sobrepôs à sua.– Dammy?Desviou os olhos para o lado e os fechou em seguida. Queria bater na própria cara.– Charlotte...Elena ficou tensa e puxou sua mão da dele. Recusou-se a acreditar que aquilo estava acontecendo. Mas aquela mulher estava bem ali, e era real. Levantou da mesa e pediu licença. Foi até o banheiro e apoiou-se na pia, encarando o espelho. Eles não eram nada, certo? Damon não lhe devia explicações do porque da ex dele estar ali. O fato dela o ter ajudado a se afastar de uma vida que ele não queria e o apoiado era motivo o suficiente para serem amigos. Por outro lado ele estava em um encontro com ela. O que deveria fazer?Arrumou o vestido e saiu do banheiro. Era seu encontro e ex nenhuma ia estraga-lo. Observou com fúria o corpo inclinado sobre a mesa. Andou até ela e a puxou.– Com licença? Ele é meu namorado.Não tinha percebido o que dissera até que recebeu um olhar incrédulo em sua direção.– Seu namorado? Damon é meu desde os quatorze anos.– E passa a ser meu até os cem — puxou o moreno pelo braço para que se levantasse — Vem, Damon.Charlotte agarrou o outro braço de Damon antes que fossem embora.– Ele é meu e vai ficar comigo.Elena revirou os olhos diante da voz chorosa. Larga o braço de Damon e sai andando. Mal notou estar lá fora até que avistou o carro dele estacionado na rua. Sem querer encostar na porta e esperar, continuou andando. Talvez fizesse isso até chegar em casa.Porque saira andando? Não tinha certeza. Talvez só tivesse medo de que ele escolhesse a outra e a trocasse. E não queria ficar lá para ver aquilo. Só o que quis foi sair dali. Estava quase atravessando a rua quando a puxaram para trás. Sente as costas baterem contra a parede de tijolos do prédio e logo dois braços cercavam seu corpo, as mãos apoiadas de cada lado de seu pescoço. Damon a observou com atenção.Os cabelos caiam em cachos perfeitos, emoldurando a pele lisa. O vestido parecia ter sido feito para seu corpo, destacando suas curvas. Mesmo sobre saltos altos ela ainda era mais baixa que ele e precisava olhar para cima ao procurar seu rosto. Seus olhos demonstraram alívio ao compreender que era ele. A respiração dificultada pelo susto, agora em arquejos, o fizera sorrir.– Pode explicar?– Não tem nada para explicar.Seu sorriso aumentou. Inclinou-se mais para frente e Elena prendeu a respiração.– Porque saiu daquele jeito?– Que jeito?– Correndo — sussurrou contra seu pescoço. Quase podia ouvir seu ritmo cardíaco acelerar. — Porque saiu correndo?– Eu não...– Elena... Não minta para mim — desceu o nariz por sua garganta como uma carícia. — Diga...– Eu... Não gosto da ideia de que ainda fala com sua ex... — admitiu em um suspiro. Damon piscou duas vezes seguidas, confuso. O movimento dos cílios roçou em seu pescoço, causando um arrepio.– Eu não falo com a minha ex.– Mas ela não lhe ajudou muito? Porque deixariam de ser amigos?– Porque não deu certo. Ela me ajudou e eu agradeço. Mas não quer dizer que vamos ficar juntos pelo resto da eternidade.Aproximou-se mais, a ponta de um sapato tocando um tijolo gasto na parede ao seu lado. Segurou um dos cachinhos e o ajeitou atrás de sua orelha, deslizando dois dedos por seu rosto e afagando o local. Um sorriso divertido brincou em seus lábios.– Quer dizer que você é ciumenta? Informação importante.Se antes Elena estava desfrutando de suas carícias, agora queria que ele ficasse longe. Apoiou as mãos em seus ombros e o empurrou de leve, esperando que entendesse a ideia e se afastasse. Porém ele não o fez. Talvez ele até tivesse chegado mais perto. Tentou novamente, utilizando mais força. A risada rouca adentrou por seus ouvidos e a raiva aumentou. Não podia acreditar que estava debochando dela.– Vamos. Entre no carro.– Vai me levar pra casa? — perguntou com arrogância e cruzou os braços.– Não. Temos um encontro e ele não vai acabar assim.De repente, Elena não queria estar em nenhum outro lugar. Não importava a parede úmida e desgastada, ou o vento frio que aquela noite trazia naquela hora. Damon estava ali. E era ali que queria ficar.*-*Elena estendeu a mão e recebeu mais um tapa leve.– Minhas batatas — Damon mordeu teatralmente uma, para deixar claro.– Mas as minhas acabaram — resmunga infantil.O carro estava estacionado do outro lado da rua de um fastfood. Compraram hambúrgueres, batatas e refrigerante. Por falta de mesas, optaram por ficar no carro. O aquecedor estava ligado, então Elena dispensou seu sobretudo que Damon voltara para pegar no restaurante.– E eu nem comi todas sozinhas. Você pegou metade.– Só para não dizer que não tenho coração — estendeu-as para o meio dos dois, onde ambos alcançavam.Elena abriu o hambúrguer e pegou o molho de maionese com o dedo. Estendeu a mão para seu nariz, mas ele virou o rosto e acabou por sujar um risco na face.– Isso é pela mostarda na pizzaria, que esfregou no meu nariz.Sorriu vitoriosa ao ouvir um som de nojo.– Além de ciumenta é vingativa... — provocou.Elena jogou o ombro em cima dele e o empurrou. Sorriram divertidos e voltaram a comer em silêncio.– Desculpe — ele disse de repente.– Pelo quê?– Não era para ser assim. Não se faz um encontro do outro lado da rua do McDonalds. Sinto muito não ter sido o que era para ser.– Damon...– Queria que tivesse dado certo...– Mas deu certo — ele a encarou com as sobrancelhas arqueadas. — Não me importa onde estamos. Desde que esteja aqui.Sentiu o ar se agitar conforme ele se aproximava. A carícia em seu rosto era tão leve que suspeitava dele nem a estar tocando.– Se quiser, eu sempre estarei aqui.Elena sorriu, tocando sua mão com a dela.– Eu quero.*-*Elena apoiara a cabeça na janela. A viagem fora silenciosa por parte dos dois. O único som era o do radio ligado, mas nenhum dos dois realmente escutava. Só percebera estar em casa quando viu o seu prédio aparecer atrás da janela.– Então... Boa noite — ela disse.Damon riu baixinho em resposta e ela estendeu a mão para a porta, mas foi impedida de abrir por dedos longos e pálidos.– Boa noite, Elena.Seu nome parecia acariciado pela voz de veludo, e nunca gostara tanto dele quanto gostava quando dito pelo moreno. O afago em sua face era gentil. Damon a imaginava como uma boneca mirrada de porcelana. Pequena e frágil que com a menor das forças a mais que usasse, quebraria.Virou lentamente o rosto para ele, deixando-se levar pelo toque. Mergulhou na imensidão azul de seus olhos e seus sentidos se anestesiaram. Era tão agradável ali. Sentiu essência de hortelã, e talvez algo à mais, quando seu hálito chegou em seu rosto. Estavam tão perto que respiravam o mesmo ar. A mão dele desceu de sua face para segurar seu queixo e puxar seu rosto lentamente para frente. Por um momento, seu coração batia tão rápido que parecia até audível.Nunca odiara tanto a voz de Rihanna como odiou naquele momento. Damon lhe soltou e foi para trás, jogando o corpo contra o banco e correndo os dedos de uma mão pelo cabelo, frustrado. Elena procurou o celular na bolsa e atendeu ríspida.– Nossa. Que voz ácida... Atrapalhei alguma coisa?– Não, Car — suspirou derrotada. — O que foi?– Sei que está em um encontro, mas preciso saber onde está o açúcar.– Açúcar? — apertou a ponte do nariz entre o indicador e o polegar.– Eu fiz café...– Estou subindo.– Está aí embaixo?Desligou sem responder a pergunta confusa da loira.– Está subindo? Porque não disse que demorava mais dez minutos?Elena riu, sem saber se ele falava sério.– Te vejo outro dia.Beijou sua bochecha e saiu do carro, pegando a rosa vermelha no banco de trás. Preguejou o caminho todo até a porta.– Quem faz café perto da hora de dormir? — questionou quando já estava na cozinha.
– Não vou dormir. Tenho que pôr desenhos em dia.Revirou os olhos e andou até um armário, pegando o açucareiro e passando para a loira.– Cadê seu sobretudo?– Ah, droga. Deixei no carro de Damon.– Bom truque — Elena a encarou confusa. — Você pode o ver amanhã só com a desculpa de "preciso do sobretudo".– Car...– Não, verdade! Você pode.– Eu vou... dormir.– Ele te cansou tanto assim?A pergunta maliciosa fez Elena pegar o pacote mais próximo e atirar o objeto vermelho na amiga. A loira se arqueou para o lado, deixando-o bater na parede atrás de si.– Uau. Meio pacote de biscoitos. Achei que ia morrer.Elena grunhiu e saiu para seu quarto. Livrou-se do vestido e tomou um banho rápido. Vestiu uma camisola leve e se jogou na cama, pegando o celular. Havia uma mensagem de boa noite. Respondeu sorrindo, jogando-se na cama em seguida. Sua mente vagava na cena do que podia ter sido. E se Car não tivesse ligado?
Notas finais
Gente, comentem mais!!! A fic tá cheia de favoritos e acompanhamentos, comentem caso contrário iremos excluir a fic!!! É sério, é desanimador postar e quase não ter comentários ):
Fale com o autor